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terça-feira, 2 de maio de 2017

Abril 2017: pequenas mudanças e um desafio

Andei a adiar esta publicação para que fosse feita no fim de Abril e acabei por só a conseguir publicar em Maio. No entanto, agora que penso melhor, talvez faça mesmo mais sentido falar de Abril quando o mês já findou. Vou falar assim, sobre as minhas alterações de Abril.

Não foram grandes mudanças
, mas aos poucos foram algumas:


  • Deixar de passar a ferro: esta mudança já está a ser implementada desde Março, mas em Abril é que foi realmente consolidada. Devo confessar que é sobretudo uma medida para me dar sanidade mental. Eu odeio passar a ferro, mas foi acostumada a passar tudo a ferro (excepto meias e cuecas), algumas coisas já não passava como lençóis e toalhas, mas continuava a passar toda a roupa pessoal. Contudo, a questão é que tinha sempre uma pilha enorme de roupa para passar. Acabou-se. Isto era mais a ideia de "deve-se passar a ferro" que me foi enraizada desde a infância do que realmente achar que há sempre essa necessidade. Claro que peças como camisas ou alguma coisa mais amarrotada irei passar na mesma.

    A nível ambiental há a vantagem de gastar muito menos eletricidade. Mas não é a única vantagem
    , ao ter a roupa mais arrumada e orientada, percebo muito melhor a roupa que existe e não existe, o que é óptimo sobretudo com a roupa do bebé que está sempre a deixar de ser usada.

  • Café de cafeteira: em Fevereiro o meu marido foi à Costa Rica e trouxe café. Lá não bebem café expresso como cá, mas sim o tradicional café de cafeteira. O café é óptimo e é uma alternativa excelente para beber em casa quando não me apetece ir beber um café ao café. Assim já não tenho qualquer desculpa para usar alguma cápsula. Mas claro, para ser ecológico não podia ir comprar uma cafeteira eléctrica, mas por sorte a minha sogra tinha lá uma encostada a um canto que agora tem sido usada cá em casa.

  • Iogurtes: no mês de Março referi que um dos principais produtos que contribuíam para o meu lixo eram os iogurtes. Por isso mesmo, em Abril decidi fazer pela primeira vez iogurtes, fiz iogurtes líquidos e acho que correram mais ou menos. Mas não estavam no ponto ideal, mas bebi-os. Para ver se consigo fazer iogurtes com mais qualidade decidi pedir uma iogurteira emprestada, mas ainda não voltei a experimentar. No entanto, tenho noção que vai ser algo que não vou fazer sempre. Mas qualquer iogurte caseiro é uma poupança de recurso, é nisso que tenho de pensar. Em Maio espero contar-vos se tenho feito muitos ou poucos iogurtes.
    Imagem própria
  • Desodorizante caseiro e redução do uso de champô: tal como referi na última publicação comecei a fazer o meu próprio desodorizante e ando a tentar reduzir o uso de champô, acho que tenho sido bastante bem sucedida neste aspecto.

  • Cotonetes: eu sei que isto não é de todo um produto essencial, eu uso muito esporadicamente, no entanto tenho alguém em casa que usa bastante e não o consigo convencer a deixar de usar. Há algum tempo que andava à procura de cotonetes com pauzinho de papel, uma vez que os pauzinhos de plástico dos cotonetes comuns não são recicláveis e são dos resíduos que mais aparecem no ambiente devido a serem incorrectamente descartados (no ambiente em geral e nas ruas de Lisboa em particular, é incrível a quantidade de cotonetes que eu vejo na rua, incrível e nojento). Todavia, nunca tinha encontrado à venda, mas como os vi à venda no site do Celeiro, decidi encomendar numa das suas lojas, demoraram a chegar, mas chegaram. Acredito que se a procura for maior, torna-se cada vez mais fácil encontrar este tipo de produtos.

    Claro que o ideal seria não descartar estes cotonetes no lixo comum
    , penso que possam ser postos na compostagem, uma vez que o algodão é biológico e o pauzinho é de papel. No entanto, temos posto no lixo comum, uma vez que não tenho um pequeno contentor de compostagem, mas um grande monte de estrume um pouco distante de casa. Tenho de agilizar isto para reduzir o número de cotonetes e de guardanapos de papel (não meus!!!!) que pomos no lixo comum.
    Imagem retirada de https://www.celeiro.pt/produtos/100830-cotonetes-bio-200-gramas-kg-douce-nature


  • Remendar e arranjar: este tem sido uma consequência directa de ter deixado de passar a ferro e de estar muito mais organizada com a roupa. Como tenho tudo mais controlado, tenho tempo para olhar e remendar e arranjar pequenas coisas. Não que seja uma perita, bem pelo contrário, mas olho o problema e tento solucionar ou pago para me fazerem o arranjo. Cozer pequenos buraquinhos da roupa do Luís, cozer um botão ou pôr um elástico numas calças é recuperar peças de roupa e poupar, o ambiente e a carteira. Finalmente dei uso a um ovo de pedra que tinha cá em casa há anos.
    Imagem própria
    Em roupa em estado muito deteriorado, é sempre possível cortar aos bocados e ainda dão para limpar algo durante algum tempo. Quando até para panos estiverem velhos, é a altura ideal para pôr no saco dos trapos para reciclagem.

    Um antigo toalhão de banho ainda deu para uns oito panos de limpeza
    Imagem própria

  • Recusa de sacos, mais um passo: a minha recusa constante de sacos já começou há bastante tempo (como se pode verificar aqui) e tem vindo a aprofundar-se. Mas em Abril ultrapassei um constrangimento pessoal, quando me distraia e não tinha tempo de recusar saco, acabava por o trazer. Mas recentemente consegui superar este constrangimento e se me distraio tiro o produto do saco e digo ao lojista que não preciso e que pode reutilizar para outro cliente, já aconteceu duas ou três vezes. Isto às vezes custa é começar, depois é sempre a melhorar.

    Um dia da semana passada fiz uma contagem por alto e recusei cerca de dez sacos num dia. É imenso.

  • Remodelações em casa: sobre este assunto quero fazer uma publicação especial, mas tal como tinha referido na publicação de Março, tenho estado em processo de destralhe. Este processo também passou por uma alteração de mobiliário e pelo reutilizar e transformar alguns móveis. Mas disso falarei mais tarde, acho que merece uma publicação única.
      
E penso que consegui falar de todas as minhas pequenas mudanças ou pelo menos referir o que me parece mais importante, vamos ver o que Maio me reserva. Já agora, neste primeiro de Maio fomos até à praia e estava cheia, mas completamente cheia de lixo. Mesmo perto de mim quando olhei estavam imensas garrafas, decidi apanhar, mas não consegui apanhar tudo. Mas nuns segundos apanhei cinco garrafas de vidro, uma garrafa de plástico e vários copos de plástico. Não consegui apanhar mais porque não conseguia trazer mais. O resto lá ficou à espera que a maré subisse e levasse o lixo consigo. Eu já costumo apanhar lixo do chão, mas decidi fazer um desafio a mim própria, contar as garrafas de vidro que vou apanhar da via e lugares públicos durante o mês de Maio. Vamos ver quantas (podia contar outro tipo de resíduo qualquer, mas desta vez serão as garrafas de vidro, para pensarmos se houvesse tara recuperável quantas destas garrafas não chegariam às ruas, praias ou parques).


E deixo-vos também um desa
fio, nesta época balnear em cada ida à praia, deixem a praia mais limpa do que a encontraram.

Só mais um aparte
, em Abril fui a Viseu e fiquei deslumbrada com a limpeza da cidade, espectacular.

terça-feira, 21 de março de 2017

O tesouro desenterrado

Ainda há uns dias disse que o meu objectivo era fazer apenas uma publicação por mês, mas já estou a ir contra o planeado. Mas tinha de vos mostrar o meu achado "arqueológico".

Imagem própria



E agora vou contar-vos a história. O terreno ao lado da minha casa está sem qualquer tipo de actividade. Nesse sentido o dono deixa que as nossas galinhas andem lá à solta, é bom para nós e para ele que assim não tem de gastar dinheiro na manutenção do terreno. O terreno de que estou a falar é bastante grande. Então, raramente vou a alguns sítios do terreno. Mas no outro dia ia ver se andavam plásticos a voar quando encontrei o meu "tesouro".

A história é a seguinte, há bastantes anos, há mais de vinte anos, a pessoa que amanhava aquela parte do terreno mandava todo o lixo para um canto. Após o terreno ter deixado de ser cultivado cresceram silvas por todo o lado. Anos mais tarde, as nossas cabras foram comendo as silvas, deixando o terreno livres para as galinhas esgravatarem à vontade... então elas têm andado num grande achado arqueológico... enfim, o terreno como teve tanto lixo, entre o qual orgânico, a terra ali tem uma textura e muitos restos interessantes para as galinhas. No entanto, pelo meio também aparece muitas garrafas de vidro (intactas) e muitos plásticos (muitíssimo degradados).

Então agora quando consigo, lá vou eu apanhar umas garrafas ou uns plásticos. Mais uma vez temos a prova que o vidro é um material muitíssimo melhor. Na grande maioria dos casos permanece intacto até o poderia reutilizar se quisesse (mas o seu destino vai ser mesmo a reciclagem).

Na fotografia seguinte podem ver as garrafas que apanhei no dia da descoberta, depois disso já lá voltei e já apanhei outras, nomeadamente as da primeira fotografia.



Imagem própria



terça-feira, 15 de novembro de 2016

Fotografias do meu desânimo

Tenho estado algo afastada do blogue, primeiro porque estou verdadeiramente cansada, exausta mesmo... bastante trabalho, loja, casa, casa, loja, um filho de quase um ano que não para quieto, o que é bom, mas me deixa estafada... mas também porque me sinto bastante desanimada com o rumo das coisas.

Acho que o meu grande desânimo começou quando li isto A sexta extinção em massa, pensar que somos a causa principal de uma extinção em massa, a qual poderá significar a nossa própria extinção assusta-me... assusta-me ainda mais pensar que pode ser daqui a duas ou três décadas e ver que continuamos a assistir a tudo impávidos e serenos.

Depois, tenho andado numa luta constante para recusar o maior número de sacos de plástico possíveis. Ainda aceito alguns, até porque às vezes esqueço-me de levar sacos, por exemplo para a fruta, mas tenho quase sempre reutilizado sacos de plástico quando vou comprar fruta à mercearia e mesmo ao supermercado (nos supermercados não aceitam que se pese fruta em sacos de pano, mas aceitam se reutilizarmos sacos de plástico transparentes). Como aqui em casa, o resto das pessoas não recusam os sacos, acabo sempre por ter. Andava eu toda contente, quando percebi que na padaria, a maioria dos clientes além de não recusar, ainda pedem mais sacos. Mais sacos para quê?

Nisto tudo, na madrugada de Sábado decidiram incendiar um caixote do lixo perto da minha casa. Ficou o plástico todo derretido na via pública, no mesmo dia foi posto um caixote de lixo novo no lugar do que estava queimado. Mas os restos do antigo não foram retirados da via pública e ali permanecem até hoje. Compreendo que as equipas que põe caixotes novos não sejam as mesmas que fazem a limpeza, mas poderiam comunicar e serem mais eficientes. Não digo que a culpa seja das equipas e dos funcionários, mas é provavelmente do sistema. Entretanto já telefonei para a Linha Almada Limpa, quando há queixas costumam ser mais rápidos, vamos ver.

Fotografia de 12 de Novembro de 2016
Imagem própria


Fotografia de 15 de Novembro de 2016
Imagem própria

Estas são fotografias do meu desânimo porque olho para isto e penso: Como posso esperar que as pessoas percebam que não podem fazer tanto lixo e consumir tantos recursos, se ainda há quem incendeie caixotes do lixo e se as autarquias locais deixam isto ficar na via pública durante dias.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Quão desumanos podemos ser?

Eu sei que o mundo está chocado por o Donald Trump ter sido eleito. Mas o que podemos esperar de seres humanos que diariamente fazem isto.





Eu estava a amamentar quando vi pela primeira vez este vídeo e isto não me saiu da cabeça. Se não tivesse já reduzido o meu consumo de leite substancialmente, acho que depois disto, o teria feito. Eu sei que ainda não falei sobre a decisão de diminuir o consumo de leite, mas hei-de falar um dia.

domingo, 6 de novembro de 2016

A bordo: o lixo viajante

Recentemente veio a público uma notícia que tem deixado muita gente (com razão) indignada. Afinal, Portugal está a receber toneladas de lixo italiano... Pelo que percebi da notícia, o lixo vem para ser depositado em aterro, o que é perfeitamente legal (daí a eu concordar é outra questão). No entanto, parece que a questão do lixo no Sul de Itália tem muito que se lhe diga, nomeadamente por ter sido controlado durante anos pela máfia, por isso mesmo, existe a desconfiança que entre os supostos resíduos urbanos que recebemos também existam resíduos perigosos. Segundo a notícia, a exportação de lixo foi a solução encontrada por Itália para travar a multa imposta pela União Europeia (multa motivada pelos resíduos acumulados sem destino e seus respectivos impactes ambientais).

O que significa que eles vendem o lixo e o problema "resolve-se". Sou contra! O lixo é algo demasiado importante para o andarmos a passear e a transportar de um lado para o outro. Além disso, por uma questão de justiça acho que cada um deve ficar com o seu lixo, não descartar o problema para outro país. Afinal, por mais que pague, nada paga (no meu entender) as implicações referentes aos aterros e à necessidade de mais aterros.

No fundo, eu nem sabia bem que os "países ricos" também recebiam resíduos de outros países, acreditava que apenas os "países pobres" faziam isso.

E agora vamos fazer uma viagem até aos anos 80 do século XX no Khian Sea. Conheci esta história há pouco tempo e fiquei fascinada, quer positiva (atitude da Greenpeace e governos locais), quer negativamente (incineradora de Filadélfia e governo norte-americano).

Como o ano em que nasci é um ano bastante histórico (desastre de Chernobyl) também esta história começou em 1986. Uma incineradora de Filadélfia nos Estados Unidos da América quis "despachar" as suas cinzas (15 mil toneladas). A gestora de resíduos contratada decidiu pôr as cinzas no navio Khian Sea, o qual haveria de levar o lixo americano para bem longe, para algum "país pobre". Durante 16 meses, o navio navegou pelo mundo tentando descarregar as cinzas. Honduras, Panamá, Guiné-Bissau e Antilhas Holandesas foram os destinos em que tentaram descarregar este material. No entanto, as autoridades destes países, avisadas pela Greenpeace, não deixaram.

Entretanto, conseguiram convencer o Haiti a ficar com as cinzas, para tal disseram que as cinzas eram fertiliizante para os solos. Quando as autoridades haitianas foram avisadas da verdadeira carga do navio, já a tripulação tinha descarregado 4 mil toneladas na praia de Gonaives, foram obrigados pelas autoridades haitianas a voltar a carregar as cinzas, mas zarparam deixando lá as cinzas a céu aberto (só no ano 2000, as cinzas voltaram para a origem e finalmente tiveram o "fim" desejado. Como hão-de compreender 4 mil toneladas de cinzas a céu aberto durante 14 anos, significou que uma grande quantidade foi levada pelo vento ou arrastada pela maré).

Depois de deixarem as 4 mil toneladas, o navio continuou à procura de destino para as 11 mil toneladas de cinzas que restaram. Senegal, Ski Lanka, Singapura foram destinos em que tentaram desembarcar a carga, sem sucesso. O navio mudou de nome, mas nunca conseguiu descarregar. Em 1988, algures entre Singapura e o Sri Lanka as cinzas desapareceram.

As cinzas do lixo de Filadélfia foram lançadas ao mar anos depois, numa área geográfica distante, contribuindo para a poluição do oceano e tudo o que aí advém.

Retirei esta informação deste site, para saberem mais pormenores consultem-no.

Imagem retirada de http://resources.gale.com/gettingtogreenr/uncategorized/the-strange-saga-of-the-khian-sea/


Quantas histórias destas existiram/existem?

Talvez não muitas como a que contei. Mas quanto lixo haverá a circular pelo mundo fora? Cada um deve cuidar do seu lixo, isso começa pelo indivíduo, passando pelas autarquias locais, entidades gestoras de resíduos, estados. Se não conseguimos controlar/cuidar/dar o fim adequado ao nosso lixo, a solução não deve ser que outro o faça, a solução deve ser repensarmos o lixo que fazemos.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Varrer para a porta da/o vizinha/o

Uma das minhas memórias de infância é a minha avó, todas as noites, depois de fechar o café ir varrer o chão à frente da porta, varria, apanhava com a pá e metia no caixote do lixo. A minha avó nasceu em 1932, num tempo que não sei se havia recolha de lixo, nunca foi à escola e nem vale a pena contar a vida que teve, mas no meio disso tudo, sabia que se não queremos lixo na porta que o devemos apanhar.

Quando abrimos a loja, a qual é numa arcada, começamos a varrer e lavar o espaço em frente da loja e obviamente a apanhar o lixo que varremos e pôr no caixote (o lixo que consiste maioritariamente em beatas de cigarros, às quais agora no Outono se juntam as folhas secas). Por isso, qual não foi o meu espanto quando percebi que a grande maioria dos outros comerciantes varre de uma forma diferente. Aliás, eu nem considero varrer, afastam o lixo da sua porta para a estrada ou mais para a frente, muitas vezes para as portas dos vizinhos, etc, etc. Não sei bem onde estas pessoas aprenderam a varrer, nem tão pouco sei se sabem o que é o vento. Sim, porque este malandro, sobretudo agora no Outono, gosta de soprar e as pessoas que acabaram de afastar folhas, beatas, papéis e plásticos da sua porta, lá vêem o lixo voltar todo novamente. Depois, lamentam-se que parece impossível, afinal ainda agora varreram e o lixo já está todo novamente ali. Pudera!

A ideia de se varrer o chão é apanhar lixo, a pessoa varre na sua direcção e faz um monte de lixo, depois apanha-o. A ideia não é ter lixo e simplesmente o afastar para longe com a vassoura. É que para isso nem vale a pena terem trabalho.

Mas eu como gosto de pensar e ver os comportamentos das pessoas relativamente a várias coisas, entre elas o lixo, decidi desenhar a cena... e aqui vos mostro o que não é suposto fazer...

Não varra o seu lixo para a porta do vizinho, nem para a estrada, nem mais para a frente... para isso, mais vale estar quieto.


Caricatura dos comerciantes que em vez de varrarem e apanharem o lixo, preferem afastá-lo da sua porta e espanhá-lo por todo o lado
Imagem própria (desenhado por mim)

domingo, 23 de outubro de 2016

A poderosa verdade

Um dos meus contactos do facebook teve a sua conta bloqueada durante três dias por causa de uma imagem. Alguém (ou vários alguéns) não gostaram de uma imagem que a pessoa partilhou e denunciou-a. Não é que ser bloqueado do facebook seja algo catastrófico na vida de alguém, mas é estranho porque algumas pessoas não gostam e denunciam imagens que espelham tão bem como o mundo funciona.

Não tenho a fonte da imagem, uma vez que a tirei de um perfil de facebook pessoal, se alguém for o proprietário da imagem e queira que eu mencione a fonte, contacte-me por favor.


Esta é a realidade que vivemos no mundo ocidental, é a realidade do sistema em que estamos. Não vale a pena dizerem que se não fossemos "nós" que "aquelas" pessoas nem tinham o que comer, porque somos "nós" que lhes damos trabalho. É muito fácil explorarmos pessoas, povos, países, depois de termos destruído das suas economias de subsistência, a sua agricultura, etc, etc.

Pior que escravizarmos os outros, é ainda acharmos que lhes estamos a fazer um favor. Eu assumo a minha culpa no sistema... é triste, mas é a realidade.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Breves: não ser ecológico é...

Como comerciante até é algo que eu poderia considerar bom... mas não há argumento algum que me leve a ver algo de positivo em ter clientes que constantemente compram uma lata de refrigerante, bebem um golo e mandam o resto fora. Isto acontece diariamente na minha loja, vários adolescentes compram uma lata de bebida e mandam-na fora quase inteira, passado uma hora ou duas voltam a fazer o mesmo.

Desperdiçam o dinheiro que os pais lhes dão (fruto supostamente do seu trabalho) e desperdiçam uma quantidade de recursos. Já os chamei à atenção, mas ainda fui olhada com aquele ar de "nós pagámos e estás a reclamar de quê?". Resta-me continuar a salvar as latas que eles deixam no caixote do lixo e no chão e reencaminhá-las para a reciclagem.

Se quiserem saber mais sobre as latas de alumínio, já falei delas aqui.

A facilidade com que adquirimos e descartamos as coisas assusta-me, ainda mais quando nem sequer as utilizamos.

Acho que o Papai Tucano e o Tucano Júnior também agradeciam se não lhes causássemos tantos danos ao seu habitat.

Imagem própria

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A guerra é a guerra

No Sábado ou no Domingo, já não sei bem, ia a conduzir e a ouvir a Antena 1 como habitualmente e estavam a falar sobre a Rússia, nomeadamente sobre uma iminente guerra mundial. Sinceramente, não sei se percebi grande coisa, primeiro porque não sei se quero perceber e segundo para perceber de verdade tinha de ter acesso a conhecimento que não tenho. Nós só sabemos aquilo que nos deixam saber. Entretanto, andei a tentar pesquisar aqui na internet e continuo sem entender nada. Acho que também não entendo, dado que para mim é impossível compreender o que move as grandes potências e os seus dirigentes.

Logo, não sei se vem aí uma nova guerra mundial ou não, certamente virão muitas guerras como sempre vieram... qual o intuito? Não sei. É o poder, o dinheiro, a ambição...

Quando vejo imagens de Aleppo na Síria mesmo sem entender a guerra, compreendo o mais importante, aquilo que o cidadão comum compreende sempre... Que aquela destruição não pode ser boa para ninguém.

Imagem retirada de http://www.bbc.com/news/world-middle-east-18957096

Condenar pessoas de cidades inteiras, de países inteiros, a uma vida de angústia, dor, sofrimento, perda, condená-las à morte, tirar a infância de crianças é um verdadeiro crime. E não são pausas humanitárias nos bombardeamentos como a que foi recentemente anunciada que mudem alguma coisa, porque depois da pausa (oito horas!!!) começarão novos bombardeamentos. E com isto não estou a defender nenhum dos lados, nem me interessa tão pouco quem tem razão (ninguém tem razão). Porque tal como canta o Fausto:

Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra
(excerto da música A guerra é a guerra de Fausto Bordalo Dias)

Às vezes ainda sonho com uma humanidade mais humana, pessoas que compreendam que no mundo existe o necessário para todos vivermos bem e sermos felizes. Naqueles passeios de Domingo à tarde à beira-mar tenho sempre a ilusão que é preciso pouco para tal, vejo as pessoas em família, mais novos, mais velhos, a rirem, a passearem os cães, com os filhos bebés ou maiores, nas esplanadas, nos bancos, nas rochas a verem o mar. Sinto uma nostalgia, a ideia de uma felicidade que tem de ser capturada naquele momento e não mais esquecida, o sítio pode não ser o mais bonito, nem o mais bem arranjado do mundo, as pessoas não me parecem ricas, nem parecem ter vidas fáceis, mas naquele momento parecem felizes.

Era bom que em todo o mundo, fossem tardes de Domingo, a passear e a ver o mar...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Fuma? Pense...

Sabem quantas beatas eu tenho varrido nos últimos dias? Nem eu sei, mas muitas, muitas mesmo. Mas são ainda mais as que ficam na natureza. Vamos continuar a deixar beatas em todo o lado?

Imagem retirada de https://www.facebook.com/1MillionWomen/photos/a.10150203177785393.430331.211657000392/10157647414310393/?type=3&theater

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Capitalismo e ambiente: vamos por os pontos nos iiiiiiis

A deputada Mariana Mortágua desafiou o PS a pensar se quer ser alternativa ao capitalismo e se para mim, isto é algo bastante positivo, sei que para muita gente parece algo completamente descabido.

A questão é a seguinte, o capitalismo, tal como o conhecemos neste momento (com o consumismo como seu principal motor de funcionamento) é completamente insustentável. Não é, sequer, uma questão de ideologia política. Esquerda ou direita. É simplesmente uma questão de viabilidade do planeta ou melhor da nossa espécie (e de outras, claro).


E não vale a pena negá-lo. Quem o nega das três, uma:
  • É pouco informado; 
  • É ingénuo; 
  • Está-se a lixar para a espécie humana e outras espécies, quer para as actuais gerações, quer para as futuras.

Se é pouco informado, pode informar-se melhor.
Se é ingénuo, espero que deixe de ser.
Se se está simplesmente a lixar para os outros, nesse caso tenho pena, porque não percebe que também faz parte do mesmo bolo.


Desde 1986 que consumimos mais recursos num ano do que aquilo que a terra consegue repor. Ano após ano, acabamos com florestas, poluímos mais os oceanos e os rios, e ainda, a nossa própria alimentação. No mundo inteiro, as áreas ocupadas por aterros de resíduos crescem, áreas estas que ficarão sem utilização futura (na grande maioria dos casos), isto sem falar nas lixeiras a céu aberto (mais ou menos controladas). A produção alimentar anual é superior às necessidades dos habitantes do planeta, todavia morrem pessoas desnutridas, enquanto noutros locais do mundo, todos os dias, se deita comida fora (muita da qual, porque é feia... feia!?!?!). Nos países "civilizados" pagamos uma ninharia por um qualquer bem de consumo (uma t-shirt, um brinquedo, etc). O valor pago não chega sequer para pagar a matéria-prima (isto se quiséssemos ser justos com a natureza e devolver-lhe em "cuidados" aquilo que dela tirámos). Ao que se junta, o facto de sabermos que para isso estamos a explorar humanos noutra parte do mundo e achamos bem. Sim, achamos bem, afinal aquele humano se não fosse explorado, a fazer aquela t-shirt, não teria o que comer. Provavelmente, teria mais que comer, se os mesmos países "civilizados" não tivessem feito de tudo para acabar com as economias locais e de subsistência de vários destes países.

Mas bem... por isto tudo, a questão é simples... se queremos continuar a viver, uma vida justa para com os outros (gerações actuais e futuras, em qualquer parte do globo, respeitando também a natureza) temos de parar... este modelo de economia e sociedade não é viável. E isso é ponto assente.

A questão não é difícil de compreender, penso eu. No entanto, sou frequentemente adjectivada como sonhadora, assim uma pessoa que não tem a noção do mundo em que vive, não tem a noção da realidade. A Sónia que gosta dos passarinhos e das arvorezinhas, pensa que a comunicação é feita por pauzinhos. Basicamente, sou vista como a Sónia anti-tecnologia, a Sónia da natureza. Até é engraçado que alguém que se dedica a blogues desde 2004 seja vista como uma pessoa anti-tecnologia. Na realidade, a tecnologia é útil, bastante útil e a nível ambiental também. É graças à tecnologia que conseguimos manter um certo nível de vida sem poluirmos tanto. A tecnologia quando bem utilizada é algo fantástico, reconheço que o ser humano é sem dúvida genial e consegue desenvolver coisas maravilhosas (e outras terríveis). No entanto, o que éramos nós sem a natureza? Nada! Simplesmente não existíamos.

No fundo, quando dizem com um certo desdém, ai os passarinhos, as arvorezinhas como se estes fossem interesses menores, eu tenho pena. Verdadeiramente pena. Pena que haja quem não entenda que é nos pássaros, nas árvores, na água, nas plantas que reside a nossa maior riqueza, a nossa única fonte de sobrevivência.

A água e as árvores são sem dúvidas dos bens mais valiosos que temos. E ambas existem para lá do ser humano, já o ser humano não consegue viver sem as mesmas. Mas até mesmo seres supostamente insignificantes como as abelhas são cruciais para a nossa vida, a extinção destas pode levar à nossa extinção, o contrário já não me parece que aconteça.

O que quero dizer com isto é simples, não é quem adora e defende a natureza que não tem noção do mundo em que vive. Quem acha que os feitos do ser humano é que são consideravelmente superiores à natureza é que não percebe o mundo, não conhece a realidade. Aliás, foi por isso mesmo, por este antropocentrismo que a humidade teve de conceber Deus à sua imagem e semelhança, uma vez que nunca conseguiu conviver com a sua insignificância. É por isso mesmo que até os ateus e seguidores da ciência preferem continuar a esconder-se na "nossa maravilhosa sociedade de consumo" e a não ver a realidade.

A realidade é uma e é simples. O ser humano faz parte da natureza e precisa dela para sobreviver, o consumo exagerado está a por em risco uma quantidade de "aspectos/bens" naturais que são cruciais à nossa vida. Quando estes "aspectos/bens" estiverem completamente contaminados/poluídos ou em outros casos deixarem de existir, a nossa espécie acaba (e finalmente as outras espécies poderão viver em paz).

Assim, a verdade é simples, o capitalismo (tal como existe hoje) está a destruir o planeta, está a destruir-nos. E desta forma, ou aceitamos isso de livre vontade ou lutarmos contra esta realidade. Sim, o meu maior objectivo é diminuir a minha contribuição para a destruição do planeta (mesmo sabendo que ainda tenho um longo caminho a percorrer, sei que às vezes não sou assim tão sustentável, mas reconhecer acho que é o primeiro passo). E sim, a minha maior adoração é a natureza, porque é nela que reside toda a verdade sobre a vida.

Quem ama a natureza não é um sonhador, idealista, um louco... quem ama a natureza e a respeita é, no fundo, o mais realista de todos. E quem a ama e a quer cuidar, não pode ser a favor deste tipo de capitalismo em que vivemos.

Imagem retirada de http://links.org.au/node?page=8





sábado, 17 de setembro de 2016

Semana europeia da mobilidade e as pessoas de mobilidade reduzida

Começou ontem, dia 16 de Setembro a 15ª Semana Europeia da Mobilidade, a qual traz muitas actividades a diversos municípios portugueses. Este ano, o tema-chave é a mobilidade sustentável e inteligente, considerando que uma mobilidade inteligente promove uma economia forte (ler mais aqui). Quer dizer, eles consideram que uma mobilidade inteligente promove uma economia local forte e consequentemente um melhor ambiente urbano e melhor qualidade de vida, concordo completamente.

Todavia, eu pensei nos outros, aqueles que já de si têm uma mobilidade reduzida e era sobre esses que eu queria falar. Em Lisboa, ainda é difícil para algumas pessoas se movimentarem sem a ajuda de terceiros. E quem diz Lisboa, diz o país inteiro. Actividades simples como atravessar a rua, entrar num autocarro, apanhar o metro são quase impossíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Quantas estações de metro em Lisboa têm acesso para cadeiras de rodas? Pouquíssimas.

Pensei para esta publicação fazer um percurso fotográfico dos obstáculos que as pessoas com mobilidade reduzida encontram desde de casa até ao trabalho (como exemplo usaria o meu percurso). Mas não tive oportunidade de o fazer, talvez o faça um dia com mais calma, Mas podem ter a certeza que são muitos degraus. Quando forem para o trabalho pensem nisso, nas escadas do metro, nos pilaretes dos passeios, na rampa do barco, entre outros tantos.

Entretanto lembrei-me de um vídeo que já vi há muitos anos, não concretamente sobre a mobilidade, mas sobre as dificuldades que as pessoas com as variadíssimas deficiências encontram diariamente. Neste vídeo, nós, "os normais" somos os "diferentes". Acho que dá que pensar.




Uma mobilidade inteligente é também uma mobilidade inclusiva e só isso faz sentido. Em Lisboa foi aprovado um Plano de acessibilidade pedonal que se encontra em fase de execução. É assim, pequenas acções aqui e acolá podem fazer a diferença na vida de muita gente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Falta de civismo: Portugal não é só teu

Há muitos anos havia um programa na televisão chamado Portugal não é só teu (podem ver aqui um episódio), basicamente o programa mostrava situações de falta de civismo com o lema: Portugal é de nós todos, Portugal não é só teu.

Parece que já se passaram muitos anos, mas a falta de civismo continua. E eu continuo a denunciá-la. Isto tira-me do sério, o lixo perto da minha casa é tanto, mas tanto, que às vezes chego a perguntar-me se é possível:

"É possível que a Junta de Freguesia não veja?"
"É possível que a Câmara Municipal não veja?"
"É possível que os cidadãos gostem de viver nesta imundice?"

Pois, não sei. Mas sei que o Monte de Caparica tem uma enormidade de lixo que é uma vergonha. Já falei disso em O lixo perdido no Monte de Caparica, Almada e em Na minha rua... o caixote de lixo indiferenciado, mas tenho de falar novamente.

É que desta vez, num descampado que tenho perto de casa (um terreno daqueles que espera há anos por um projecto ou será pel'O projecto) existe um verdadeiro "nascer" de objectos inesperados. O que aconteceu é que o terreno tinha muita erva, bastante alta, a erva foi cortada e deixou à vista o lixo todo... e não é pouco.

Uma impressora...

Imagem própria

Um ovo de bebé (está mais distante)...

Imagem própria


Um garrafão com qualquer líquido lá dentro (gasóleo, gasolina, óleo, quem saberá?)

Imagem própria

Isto para não falar da imensidão de plásticos já partidos em imensas partes

Imagem própria

E já quando se vem do descampado para a minha casa, não é que alguém se lembrou de deixar, ali na rua, pedaços de um ESTORE... (ainda hoje fui deitar um pedaço de estore no lixo)

Imagem própria
Nisto de encontrar lixo no chão, admito que ainda consigo ser surpreendida... desagradavelmente surpreendida. Eu pergunto sinceramente:

Como é que há pessoas que são capazes de deixar o lixo assim em qualquer lugar?
Será que gostam de ver a rua onde passam neste estado? 
Será que gostam de viver num sítio assim?



domingo, 11 de setembro de 2016

A bolsa de valores e os tomateiros

Quando fui para o 10ºano escolhi o agrupamento 3 - Económico-Social (ou seria Sócioeconómico?). E ainda andei uns tempos a pensar seguir economia (era louca, só pode). Embora deva confessar que olhando para a definição que encontrei de economia, continue a ser uma área que me atrai (ver definição aqui, talvez existam definições melhores). No entanto, o actual sistema económico e financeiro para mim é incompreensível, de tal modo que acho que simplesmente não existe. Ratings, taxas de juro, dívida, défices, nada existe, porque tudo se baseia em coisas que não existem, não são palpáveis, especulação, atrás de especulação.

Como é que a libra pode ter desvalorizado tanto depois do Brexit? Como é que as bolsas da Europa desvalorizaram também nessa altura? Qual foi o motivo? Coisas abstratas, porque no concreto não aconteceu nada. Logo, o sistema pode ter muita lógica para diversas pessoas, mas para mim é completamente ilógico. Antes de existir um problema real que pode prejudicar a economia local, já o problema potencial está a prejudicar essa economia e depois é uma bola de neve.

Por isso, para mim, bolsa de valores e coisas do género são, simplesmente, fantochadas, afinal os tomateiros crescem independentemente dos índices da bolsa, não é?

Imagem retirada de https://www.facebook.com/170525249682773/photos/br.Abp3yykYgP7RzGgN9Lmfhlik5W9VrEndEyGL-10zxCseltlXfvKroogmDE8NHIqsiWMAT0V9VxIf5rLcbbx7YujxycKMWltcZEkbksiiEfWjJ0u3eL9ECKpV95t1-N48uWeACqB4DP9lk8MIu2zOKdjVG7bxIz_BlN5cyctaFzwF86SZfr8U--Nb84BtmjJ8R8Y/387681224633840/?type=3&theater



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Copos descartáveis: o rescaldo de uma festa de aldeia

Lembram-se das minhas publicações Verão: festas, festivais e lixo no chão e Super Bock Super Rock e o Ecocup? Hoje volto à temática dos copos descartáveis em festas de Verão, mais precisamente para fazer um espécie de balanço da festa da terra do meu marido, na qual ele foi festeiro este ano.

A festa começou na 6ªfeira, dia 12 de Agosto e acabou ontem, dia 16 de Agosto e como podem calcular foram gastos milhares de copos de plástico. Se não têm ideia de quantos, vejamos, foram vendidos 60 barris de cerveja, os quais têm uma capacidade de 50 litros cada. Cada copo leva 25cl, por isso por cada litro de cerveja são utilizados 4 copos. Então 60*50*4=12000.

Doze mil copos numa festa relativamente pequena, imaginem numa festa grande, e isto são só contas de copos de cerveja, não nos podemos esquecer que havia outras bebidas a vender, embora a sua venda seja quase residual.

Este ano, eles tiveram a ideia de incentivarem as pessoas a porem os copos à volta de um mastro. Claro que a ideia é um bocadinho naquele sentido de se gabarem do que se bebeu na festa (não gosto muito destas gabarolices), mas também para não terem tanto trabalho a varrerem e limparem o recinto da festa. Achei uma boa ideia, ao menos incentivaram as pessoas a não deixarem os copos no chão (embora claro que muitos ficaram no chão, nas ruas da aldeia e nos terrenos agrícolas). Todavia, passei agora por lá e já tinham tirado os copos e posto todos no caixote do lixo comum. Tipo!!! A sério???? Plástico tão bem separado e põem no lixo comum, mesmo com um plasticão à porta... A falta de consciência ambiental é algo que não compreendo. Do mal, o menos, acredito que este ano, pelo menos os copos que ficaram à deriva foram em muito menor número.

Imagem própria

Imagem própria

Sabem quantos resíduos foram separados nesta festa para a reciclagem? Nenhum! Foi tudo para o lixo comum. Há coisas incompreensíveis para mim, eu bem que tentei incentivar o meu marido para que tivessem contentores de separação do lixo, mas a resposta dele foi qualquer coisa como "ninguém está para isso". Cuidar do bem comum nunca é muito valorizado. A minha esperança é que alguns destes copos que já estão triados acabem por ser salvos antes de ir para aterro. Afinal há locais onde mesmo o lixo comum passa por uma triagem e ainda aproveitam alguns resíduos. Pelo menos estes copos não estão todos partidos no meio da natureza como costuma acontecer.

E quero relembrar novamente o número: 12 000 copos numa festa de aldeia. Imaginam quantos copos se deitam fora em todas as festas de aldeia por este país fora, por este mundo fora? Quando usarem um copo descartável, lembrem-se que o custo ambiental dele é muito superior aos cêntimos do seu preço (sim, os copos de café na minha loja também).

No meu caso pessoal, as duas garrafas de água e a lata de ice tea que bebi na festa trouxe-as comigo, pelo menos trato do meu lixo, e ainda, salvei umas quantas tampinhas.

E só mesmo para acabar:
  • Ponto 1 - se fizerem uma festa, sigam o exemplo deles e incentivem as pessoas a separar os copos, poupa trabalho e o ambiente, mas já agora, depois ponham-nos no contentor amarelo;
  • Ponto 2 - ao menos a loiça utilizada nada era descartável, foram sempre pratos de loiça ou inox, acho que agora estão a lavá-los.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Incêndios florestais - uma dura realidade para o ambiente

Estava à procura de informação sobre os impactes dos incêndios florestais no ambiente e não sabia muito bem o que publicar. Basicamente os impactes no ambiente são a perda da fauna e da flora, ou seja da biodiversidade (perda e alteração de habitats para as espécies sobreviventes), o empobrecimento do solo (e sua consequente erosão) e as elevadas emissões de CO2. A juntar aos impactes ambientais, estão também os impactes sociais e económicos.

O ambiente, a sociedade e a economia são ainda mais afectados quando os incêndios, além de florestais, passam para áreas urbanas. A nível ambiental podemos calcular como as emissões de CO2 são ainda mais prejudiciais quando estamos a falar da quantidade de produtos tóxicos, plásticos, resíduos, borrachas entre outros produtos que ardem em meios urbanos.

Mas estava aqui a pesquisar e praticamente já sem vontade de fazer esta publicação, uma vez que acho que não ia trazer nada de novo, quando encontrei esta imagem. A qual explica a sucessão ecológica após um evento que reduz a fauna e/ou a flora de determinada área. Neste caso, a imagem mostra mesmo a questão de um incêndio, como se pode verificar, as condições de partida vão ser repostas, a questão é: Quando?

Isto se fosse uma sucessão natural, sabemos que em muitos casos, certos tipos de matas acabam por ser depois substituidas por outro tipo de vegetação por intervenção humana.


Imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Secondary_succession

Um problema ambiental, social e económico que todos os anos é uma realidade no nosso país, algo que me faz uma enorme confusão. Afinal, acho que por mais que a culpa seja muitas vezes de incendiários, a culpa tem uma base mais ampla. No meu entender, a falta de limpeza de áreas florestais, os problemas relativos ao ordenamento do território (ou será ao desordenamento?), a falta de meios de prevenção, supervisão e acção (estes termos foram escolhidos por mim) e um corpo de bombeiros que é em grande parte voluntário (não consigo entender, enalteço o seu trabalho, mas acho que todos os bombeiros deviam ser profissionais).

É demasiado triste, todos os Verões assistirmos a esta destruição com diversas implicações. As quais marcam a paisagem, a biodiversidade, a vida de diversas pessoas, a agricultura e a economia local. E o que este ano senti mais, a qualidade do ar. A semana passada, num dos piores dias, estava em Lisboa, não se via nenhum incêndio, mas mal se conseguia respirar, parece que foi assim em todo o país.

A dimensão dos incêndios é tão elevada que se podem ver do espaço, podem ler mais em Portugal a arder. O mapa "negro" dos incêndios visto do espaço.

Imagem retirada de https://www.noticiasaominuto.com/pais/636047/portugal-a-arder-o-mapa-negro-dos-incendios-visto-do-espaco
 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

8 de Agosto: Dia de sobrecarga da Terra

Hoje, dia 8 de Agosto de 2016, já consumimos todos os recursos que o Planeta Terra consegue repor num ano, a partir de agora vamos viver com o que foi acumulado durante anos, comprometendo, assim o futuro dos nossos filhos e netos.

O dia de sobrecarga da Terra tem sido cada vez mais cedo.





Imagem retirada de http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/earth_overshoot_day/

Para quem quiser saber mais sobre este assunto, consulte o site. Como geógrafa, dentro do site gostaria de destacar esta página, onde se vê a diferença entre o gasto de recursos dos cidadãos consoante os seus países de origem.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sistema de reciclagem, o que falha? O caso das latas de alumínio

Como prometi há duas publicações atrás, cá estou eu para falar de latas de alumínio e para, por muito que me custe, dar razão ao meu pai. A história é a seguinte, embora o meu pai separe o lixo (talvez por ser coagido por mim), a verdade é que ele não concorda com este sistema de darmos o material assim de graça. Segundo ele, isto é uma forma de eles (as empresas de gestão de resíduos) ganharem dinheiro, quando antigamente havia gente a vender estes materiais. Bem, ainda há quem venda sucata (o meu pai junta e vende), na qual se podem incluir as latas de bebidas ou de outros alimentos (eu costumo pôr na mesma na reciclagem para não ficarem acumuladas pelo quintal, mais xiu, ninguém sabe). Mas há materiais que antes se vendiam e havia quem os juntasse e agora não se vendem como por exemplo o cartão, ainda me lembro de existirem pessoas a apanhar cartão na rua. E nessa perspectiva, é verdade, por um lado nós damos os materiais sem pedir nada em troca, por outro lado isso faz com que as pessoas na generalidade não se interessem do destino a dar aos materiais. Mas eu penso que é pelo bem de todos, logo é melhor existirem os sistema de reciclagem. No entanto...

Imagem retirada de http://www.setorreciclagem.com.br/reciclagem-de-metal/reciclagem-das-latas-de-aluminio/

... é, existe sempre um mas... estava eu a ler o meu livro adorado, A História das Coisas quando atravês de uma comparação de dados sobre a reciclagem de latas de bebidas no Brasil e nos Estados Unidos da América percebi que realmente o meu pai tem razão.

"O que é isso então? Estão a acenar com a bandeira branca da reciclagem? Bem, o facto é que com toda a atenção que foi dada à reciclagem nos últimos anos deu aos Americanos uma ideia inflacionadas da quantidade de alumínio que está a ser reciclada. Isso é uma manipulação inteligente dos números por parte da indústria de alumínio.
Embora seja verdade que as latas são 100 por centro recicláveis há décadas que a reciclagem de alumínio nos Estados Unidos está em declínio. Actualmente estamos a reciclar cerca de 44 por cento das latas, taxa inferior aos 54,5 por cento de 2000 e à taxa máxima de 65 por cento de 1992.

Em parte isso deve-se ao facto de os Americanos passarem cada vez mais tempo nos transportes e a consumirem bebidas pelo caminho, aliado ao facto de haver poucos recipientes de reciclagem longe de casa, como o centro comercial, o cinema, o aeroporto, etc. E também porque ainda só é aplicada taxa de depósito de garrafas, de entre 2,5 a 10 cêntimos por lata em apenas dez estados de todo o país. Enquanto isso, no Brasil há uma impressionante taxa de reciclagem de 87 por cento dos recipientes de bebidas, porque muitas pessoas dependem do que ganham com a sua recolha." (Annie Leonard in A História das Coisas)

A questão é um pouco o que já referi anteriormente na publicação Lixo: compensação ou punição monetária, quando temos um sistema de reciclagem que não "obriga" as pessoas a separarem o lixo, grande parte do mesmo acaba por ficar perdido. Mas como a recolha, venda e transformação destes produtos pertence às entidades gestoras dos resíduos, deixou de ser viável para o cidadão comum andar a apanhar determinados resíduos para vender (o que pelos vistos ainda acontece no Brasil). Mais, uma vez digo que quem separa o lixo devia ter direito a contrapartidas positivas e quem não o faz devia ser punido. Afinal, isto é um assunto que diz respeito a todos.

Mas continuando, não me vou debruçar sobre os impactes da extracção de minérios da natureza até porque não sei explicar bem, mas também podem ler sobre o assunto no livro. Quero só transcrever mais umas passagens sobre as latas de bebidas.

"Com efeito, estima-se que mais de um bilião de latas de alumínio tenha ido parar a aterros desde 1972, quando começou a haver registos. Se estas latas fossem desenterradas, valeriam aproximadamente 21 mil milhões de dólares em preços actuais de sucata. Só em 2004, mais de 800 000 toneladas de latas foram eliminadas em aterros nos Estados Unidos (e 300 000 toneladas no resto do mundo). Como salientou um relatório da organização Worlwatch, «é como se cinco fornos de fundição deitassem toda a sua produção anual - um milhão de toneladas de metal - directamente para um buraco no chão. Se essas latas tivessem sido recicladas, ter-se-iam poupado 16 mil milhões de quilowatts-hora - electricidade suficiente para mais de dois milhões de lares europeus durante um ano." (Annie Leonard in A História das Coisas)
São muitos números, não é? Muita energia gasta escusadamente, muita natureza da qual foram extraídos minérios, porque as pessoas não se interessam em separar o seu lixo. Da próxima vez que beberem uma bebida de lata lembrem-se que aquele material é 100% reciclável, mas que se não o separarem provavelmente vai contribuir para encher um aterro e em algum local do mundo há mais alumínio a ser extraído para produzir mais uma lata, mais dezenas de latas, mais milhões de latas. Se perto de si não houver um recipiente de reciclagem, guarde a lata e depois ponha-a no sítio correcto mais tarde.

Para terminar, só referir algo que me fez pensar:

"Após tudo isso, os conteúdos da lata são consumidos numa questão de minutos e a lata é deitada fora numa questão de segundos. «Não entendo os meus concidadãos. Importam este produto, bebem o lixo e depois deitam fora o recurso valioso», afirma o activista porto-riquenho Juan Rosario, lamentando os níveis elevados de consumo de refrigerantes e o baixo nível de reciclagem na sua ilha." (Annie Leonard in A História das Coisas)

E tal como o meu pai diz, talvez antigamente antes de toda a gente falar em reciclagem, se reciclasse mais. Nada era descartado, tudo era valioso. Claro que todo era valioso porque viviam em pobreza, agora vivemos em abundância, mas o planeta Terra não é uma máquina de produção constante de matérias-primas. É preciso parar, reduzir, reutilizar e reciclar de forma a não ser necessários estar a extrair constantemente minérios. Acredito que se todo o alumínio fosse reciclado e o seu uso repensado, talvez não fosse preciso continuar a extrair, pelo menos não na actual escala.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Embalagens: uma infinidade de recursos deitados fora

Longe vai o tempo em que eu acreditava que ser ecológico era separar o lixo e pô-lo na reciclagem. Claro que é algo importante, mas o mais sustentável é mesmo reduzir o lixo que fazemos. Mas não é de todo fácil, embora eu saiba que há casos de sucesso de pessoas que estão um ano sem fazerem praticamente lixo, como este Como 2 famílias encheram cada uma, apenas um frasco, com o lixo de um ano, não acho uma tarefa muito simples.

No caso acima apresentado, tudo o que não dava para ser reutilizado ou compostado era considerado lixo. Está certo, independentemente se é possível reciclar ou não, acho certo que aquilo que deitamos na reciclagem seja considerado lixo, afinal foram recursos que utilizamos e mandamos fora.  E já há muito tempo que acho que utilizo embalagens demais, algumas se calhar são possíveis de reutilizar, mas também não vou guardar coisas infinitas à espera de serem reutilizadas. E quando eu penso que gasto muitas embalagens, sei que mesmo assim, gasto provavelmente bem menos que muitas pessoas. Por exemplo, o meu almoço hoje foi uma omelete de cebola e cenoura com salada de tomate a acompanhar e bebi água. Só comprei as cenouras, logo só este produto usou embalagens, tudo o resto é cá do quintal. Por isso, neste caso utilizei muito menos embalagens do que uma pessoas que tivesse de comprar os ovos, as cebolas e o tomate.

Mas andava eu a considerar a quantidade de embalagens que gastamos cá em casa e decidi fazer uma experiência este fim-de-semana. Desde Sábado à hora do almoço até Domingo à tarde, esta foi a quantidade de resíduos que separei para a reciclagem (de notar que tive visitas e éramos seis pessoas cá em casa). Por um lado, acredito que haja quem faça bem mais resíduos no mesmo espaço de tempo, por outro lado é triste saber a quantidade de matéria-prima, energia, trabalho humano e custos ambientais que foram necessários para produzir estas embalagens que foram usadas uma vez e deitadas na reciclagem (apenas algumas destas garrafas de vinho, já tinham sido reutilizadas antes de serem mandadas fora). De seguida para estes resíduos serem reciclados vão ser gastos mais recursos, mais energia, mais água e consequentemente existirão mais custos ambientais.

Imagem própria

A ideia da reciclagem mascara-nos, conheço muitas pessoas que acham que ser amigo do ambiente passa por separar os resíduos e reciclar. Claro que é melhor que nada, mas o mais necessário é sem dúvida reduzir o consumo e reutilizar o que é possível. No entanto, isso deve ser um passo pessoal, mas devia ser sobretudo uma questão política. A reutilização de embalagens devia ser incentivada pelo estado. De certeza que já falei neste blogue sobre o que penso da maioria das garrafas de vidro neste momento serem de tara perdida, é ridículo.

Enquanto não há respostas governativas para a quantidade de resíduos que fazemos, cabe a cada um tentar reduzir os seus resíduos. No entanto, para mim não é tarefa fácil, primeiro porque não vivo sozinha, segundo porque há um conjunto de hábitos difíceis de deixar, terceiro porque muitas vezes não temos alternativas às embalagens. Tudo, mas tudo está embalado, pouco se vende a granel.

E vocês, costumam olhar para a vossa reciclagem e pensar "Porquê é que gasto tantas embalagens?".

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Paradigma - O crescimento económico

Hoje vou voltar a um assunto que já tentei abordar aqui no blogue. Nomeadamente, nas publicações 100ª publicação - balanço e Quando não se acredita na sociedade, qual a solução? 

As minhas dúvidas continuam a ser as mesmas. Basicamente, "Qual a razão para as pessoas aceitarem tão facilmente as regras da sociedade?",  "Qual o motivo para acharmos que este sistema é o certo?". No mundo ocidental, é fácil acharmos isso, afinal nunca os nossos antepassados viveram com tantos bens materiais como nós. A grande maioria deles além da escassez material, nem sequer tinham as necessidades básicas satisfeitas. Todavia, o mundo não se cinge apenas ao mundo ocidental. Nos restantes países, as pessoas sofrem o pior do capitalismo, o pior do sistema. Mas eu acho que no mundo ocidental também sofremos de outra forma, as pessoas matam-se a trabalhar para ganharem dinheiro para o gastarem, ganham dinheiro com o objectivo de consumirem. O consumo dá estatuto, mas acima de tudo dá dinheiro aos grandes empresários. Pergunto-me muitas vezes, se no fundo, as pessoas têm tanto prazer nos bens materiais para trabalharem horas a fio para comprarem certas coisas. Trabalharem um vida inteira, prisioneiras do sistema. Mas, o que é estranho não é as pessoas acharem que isso é a solução para todos os seus problemas, o que é estranho é as pessoas não se questionarem sobre isso. Eu questiono-me porque não sei se isso é a felicidade, tenho muitas dúvidas que seja.

Há uns tempos, uma amiga dizia-me que a nossa geração não tem a sorte da geração dos nossos pais, os quais viram as suas condições de vida melhorar bastante, nós não vamos ver as nossas condições de vida melhorar à mesma velocidade. Epá! Ainda bem! A verdade é que os nossos pais (nascidos na década de 1950 em Portugal) viveram uma pobreza extrema, onde não tinham comida, água potável, electricidade, a escolaridade era reduzida e os cuidados de saúde quase inexistentes. Todavia, a minha geração (nascida nos anos de 1980) não passou por esta escassez, mesmo quem viveu pior, já tinha um mínimo mais aceitável. No fundo, nós começamos a nossa vida num patamar muito mais alto que o dos nossos pais, se o nosso nível de vida (o que quer que isso seja) aumentasse à velocidade que aumentou o deles, acho que o mundo já tinha colapsado. Se calhar está quase.

A questão principal é que os recursos não são inesgotáveis, em 2015, no dia 13 de Agosto já tinhamos consumido todos os recursos que o planeta consegue repôr num ano (A partir de amanhã começamos a viver acima das possibilidades da terra), o que significa que no ano passado quatro meses e meio foram vividos usando as reservas acumuladas anteriormente. Todos os anos, isso acontece mais cedo.

Então se os recursos se esgotam, não tem muita lógica continuarmos a achar que viver bem tem de ter implícito um crescimento económico constante. Afinal, esse crescimento económico só é possível se usarmos cada vez mais recursos. Mas, no nosso sistema, é o crescimento económico que mede se um país está bem ou se está mal e as pessoas parecem concordar que apenas o crescimento sem fim é a forma de ter qualidade de vida. Esta ideia está tão enraizada que é o paradigma que define o nosso mundo, nem sequer o questionamos, pois acreditamos nele como verdade absoluta.

No sistema/paradigma que vivemos parece que o nosso sucesso é definido pelos outros. Se é um gestor renomeado e bem assalariado tem sucesso e que mais pode ele querer na vida. Se é varredor de lixo, não venceu na vida. E se calhar o segundo é mais feliz que o primeiro, o sucesso no fundo devia ser medido pelo nosso sentimento sobre a nossa vida e não pelo que é estipulado pela sociedade.
Imagem retirada de http://eusouapolitica.no.comunidades.net/capitalismo-o-antagonista-do-planeta


Imagem retirada de http://legio-victrix.blogspot.pt/2012/02/escravidao-do-consumo.html

"Que se passa? Porque é que há tão poucas pessoas dispostas a contestar, ou mesmo discutir com espírito crítico, um modelo económico que, nitidamente não está a ser bom para o planeta e para a maioria da sua população? Creio que uma razão é o facto de o modelo económico ser praticamente invisível aos nossos olhos." (Annie Leonard in A História das Coisas)

"Se a sua estrutura diz que o crescimento económico é a chave para acabar com a pobreza e proporcionar felicidade, então irá proteger o crescimento a todo o custo, mesmo quando este torna muitas pessoas mais pobres e menos felizes." (Annie Leonard in A História das Coisas).

Na realidade e já não estando a considerar as pessoas que vivem na pobreza absoluta, mesmo considerando um europeu médio que vive uma vida aceitável, se pensarmos bem, o que ele trabalha é para lhe garantir um melhor nível de vida, mas é sobretudo para enriquecer milionários (só eu é que penso isto?). Enriquecemos milionários quando trabalhamos para eles e quando consumimos os produtos que eles vendem. (Já dizia Almeida Garrett).

No entanto, existe algo contraditório em mim. Quando abri a loja, mais que uma vez, disseram-me qualquer coisa do género "Agora és capitalista, já deixaste de ser comunista?". Embora, eu não seja capitalista, o capital é coisa que não abunda por aqui, percebo o que queriam dizer. Todavia, acho que uma das formas mais fáceis de não estarmos completamente dependentes do sistema é termos um negócio próprio (ou seja alimentamos o sistema). No fundo, é uma forma de transição para não nos tornarmos dependentes das regras dos patrões, mas continuo a bem ou a mal a alimentar a acumulação de riqueza de alguns, em detrimento dos outros. Logo não sei bem, mas sei que ser pequeno empresário no nosso país está mais ao nível de ser um louco anti-sistema do que de ser alguém que quer alimentar o sistema constantemente. Não sei se me faço entender, eu própria não entendo bem o que penso, logo não posso explicar.




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