segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Luís, um ano de magia

Hoje faz um ano que o meu Luís nasceu, podia descrever tanta coisa, tantos sentimentos, tantos medos, tantos desejos, mas não vou escrever nada disso. Só vos posso garantir que ter um filho me aguçou ainda mais o espírito ecológico, agora nas gerações futuras também esta este pequeno ser que mudou a minha vida. Este amor maior para sempre.

Imagem própria
Imagem própria

E para finalizar vou deixar-vos com a letra de uma música que costumamos cantar no babyoga, acho que esta letra representa muito o que desejo para o meu filho e para todas as crianças.

"A tua luz me guia
E mostra-me o caminho
Confio que és capaz
E cresces em harmonia"
 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Adeus calçado: shoe box do Sporting

Há uns anos atrás, quando eu ainda era uma anti-capitalista e ambientalista que consumia inconscientemente e por isso "injectava" dinheiro em grandes empresas multinacionais (ok, ainda o faço), tinha uma grande paixão por ténis All Star. Talvez um bocadinho porque acreditava que com All Star tinha um ar de ser anti-capitalista, ambientalista e alternativa ou então simplesmente porque gostava deles. Agora a sério, gostava mesmo deles independentemente da marca e de serem feitos na Ásia, provavelmente por mão-de-obra mal remunerada ou mesmo escrava. Adiante.

Gostava tanto deles e achava que ficavam bem nas minhas fotografias que transmitiam mensagens profundas ou talvez não. Como por exemplo, aqui.

Imagem própria

A verdade é que os anos foram passando e eu continuei apegada aos ténis e não só aos desta marca, mesmo que já os usasse muito, muito raramente. Eles ainda não estavam estragados para os mandar fora, mas usar uma vez de dois em dois anos não me parece um motivo válido para continuar a guardá-los. Mas também ainda não sabia o que lhes ia fazer, por isso guardei.

Mas foi o Sporting (blherg) que me deu a ideia, juntar todo o calçado que não se usa cá em casa e...

Imagem retirada de https://www.facebook.com/FundacaoSporting/photos/a.262841600502443.58418.176452279141376/1028782220575040/?type=3&theater

"A Fundação Sporting apresenta a Shoe Box, uma iniciativa solidária organizada pela Green Media - Agência de Comunicação em parceria com a organização HELPO ONGD. O objectivo é recolher calçado para crianças e jovens residentes em Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Trata-se de uma iniciativa que pretende promover a escolaridade nestes países, uma vez que, um dos motivos do abandono escolar é a carência de calçado!

Contamos com o vosso apoio!

Juntos vamos calçar Moçambique e São Tomé e Príncipe!"

Até dia 25 de Novembro já sabem, podem ajudar a calçar alguém que precisa mais que vocês. Entretanto estive a avaliar mesmo todo o meu calçado e andava a pensar que tinha de comprar uns ténis novos, mas não tenho. A verdade é que se quero ser verdadeiramente anti-capitalista e ambientalista, tenho de racionalizar completamente o uso de tudo, nomeadamente do calçado. Fiquei com o calçado suficiente até à Primavera, acho que depois apenas tenho de comprar umas sandálias.

Adeus sapatos, adeus abundância desnecessária, o menos é mais.

Adeus All Stars e outros sapatos de tantos bons momentos, mas a vida não se faz de bens materiais (foram mais do que estes que estão na fotografia).

Imagem própria

 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Breves: a dúvida

A minha dúvida mais recente é:


O mundo é difícil demais para acreditar em utopias!

ou

O mundo é difícil demais, precisamos de utopias!

Imagem própria
 

Perguntei no meu perfil pessoal do facebook, quem respondeu escolheu a segunda opção. Também acho que sim: O mundo é difícil demais, precisamos de utopias!

Para saber mais sobre a minha perspectiva sobre a ideia de utopia ver esta publicação.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Fotografias do meu desânimo

Tenho estado algo afastada do blogue, primeiro porque estou verdadeiramente cansada, exausta mesmo... bastante trabalho, loja, casa, casa, loja, um filho de quase um ano que não para quieto, o que é bom, mas me deixa estafada... mas também porque me sinto bastante desanimada com o rumo das coisas.

Acho que o meu grande desânimo começou quando li isto A sexta extinção em massa, pensar que somos a causa principal de uma extinção em massa, a qual poderá significar a nossa própria extinção assusta-me... assusta-me ainda mais pensar que pode ser daqui a duas ou três décadas e ver que continuamos a assistir a tudo impávidos e serenos.

Depois, tenho andado numa luta constante para recusar o maior número de sacos de plástico possíveis. Ainda aceito alguns, até porque às vezes esqueço-me de levar sacos, por exemplo para a fruta, mas tenho quase sempre reutilizado sacos de plástico quando vou comprar fruta à mercearia e mesmo ao supermercado (nos supermercados não aceitam que se pese fruta em sacos de pano, mas aceitam se reutilizarmos sacos de plástico transparentes). Como aqui em casa, o resto das pessoas não recusam os sacos, acabo sempre por ter. Andava eu toda contente, quando percebi que na padaria, a maioria dos clientes além de não recusar, ainda pedem mais sacos. Mais sacos para quê?

Nisto tudo, na madrugada de Sábado decidiram incendiar um caixote do lixo perto da minha casa. Ficou o plástico todo derretido na via pública, no mesmo dia foi posto um caixote de lixo novo no lugar do que estava queimado. Mas os restos do antigo não foram retirados da via pública e ali permanecem até hoje. Compreendo que as equipas que põe caixotes novos não sejam as mesmas que fazem a limpeza, mas poderiam comunicar e serem mais eficientes. Não digo que a culpa seja das equipas e dos funcionários, mas é provavelmente do sistema. Entretanto já telefonei para a Linha Almada Limpa, quando há queixas costumam ser mais rápidos, vamos ver.

Fotografia de 12 de Novembro de 2016
Imagem própria


Fotografia de 15 de Novembro de 2016
Imagem própria

Estas são fotografias do meu desânimo porque olho para isto e penso: Como posso esperar que as pessoas percebam que não podem fazer tanto lixo e consumir tantos recursos, se ainda há quem incendeie caixotes do lixo e se as autarquias locais deixam isto ficar na via pública durante dias.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Quão desumanos podemos ser?

Eu sei que o mundo está chocado por o Donald Trump ter sido eleito. Mas o que podemos esperar de seres humanos que diariamente fazem isto.





Eu estava a amamentar quando vi pela primeira vez este vídeo e isto não me saiu da cabeça. Se não tivesse já reduzido o meu consumo de leite substancialmente, acho que depois disto, o teria feito. Eu sei que ainda não falei sobre a decisão de diminuir o consumo de leite, mas hei-de falar um dia.

domingo, 6 de novembro de 2016

A bordo: o lixo viajante

Recentemente veio a público uma notícia que tem deixado muita gente (com razão) indignada. Afinal, Portugal está a receber toneladas de lixo italiano... Pelo que percebi da notícia, o lixo vem para ser depositado em aterro, o que é perfeitamente legal (daí a eu concordar é outra questão). No entanto, parece que a questão do lixo no Sul de Itália tem muito que se lhe diga, nomeadamente por ter sido controlado durante anos pela máfia, por isso mesmo, existe a desconfiança que entre os supostos resíduos urbanos que recebemos também existam resíduos perigosos. Segundo a notícia, a exportação de lixo foi a solução encontrada por Itália para travar a multa imposta pela União Europeia (multa motivada pelos resíduos acumulados sem destino e seus respectivos impactes ambientais).

O que significa que eles vendem o lixo e o problema "resolve-se". Sou contra! O lixo é algo demasiado importante para o andarmos a passear e a transportar de um lado para o outro. Além disso, por uma questão de justiça acho que cada um deve ficar com o seu lixo, não descartar o problema para outro país. Afinal, por mais que pague, nada paga (no meu entender) as implicações referentes aos aterros e à necessidade de mais aterros.

No fundo, eu nem sabia bem que os "países ricos" também recebiam resíduos de outros países, acreditava que apenas os "países pobres" faziam isso.

E agora vamos fazer uma viagem até aos anos 80 do século XX no Khian Sea. Conheci esta história há pouco tempo e fiquei fascinada, quer positiva (atitude da Greenpeace e governos locais), quer negativamente (incineradora de Filadélfia e governo norte-americano).

Como o ano em que nasci é um ano bastante histórico (desastre de Chernobyl) também esta história começou em 1986. Uma incineradora de Filadélfia nos Estados Unidos da América quis "despachar" as suas cinzas (15 mil toneladas). A gestora de resíduos contratada decidiu pôr as cinzas no navio Khian Sea, o qual haveria de levar o lixo americano para bem longe, para algum "país pobre". Durante 16 meses, o navio navegou pelo mundo tentando descarregar as cinzas. Honduras, Panamá, Guiné-Bissau e Antilhas Holandesas foram os destinos em que tentaram descarregar este material. No entanto, as autoridades destes países, avisadas pela Greenpeace, não deixaram.

Entretanto, conseguiram convencer o Haiti a ficar com as cinzas, para tal disseram que as cinzas eram fertiliizante para os solos. Quando as autoridades haitianas foram avisadas da verdadeira carga do navio, já a tripulação tinha descarregado 4 mil toneladas na praia de Gonaives, foram obrigados pelas autoridades haitianas a voltar a carregar as cinzas, mas zarparam deixando lá as cinzas a céu aberto (só no ano 2000, as cinzas voltaram para a origem e finalmente tiveram o "fim" desejado. Como hão-de compreender 4 mil toneladas de cinzas a céu aberto durante 14 anos, significou que uma grande quantidade foi levada pelo vento ou arrastada pela maré).

Depois de deixarem as 4 mil toneladas, o navio continuou à procura de destino para as 11 mil toneladas de cinzas que restaram. Senegal, Ski Lanka, Singapura foram destinos em que tentaram desembarcar a carga, sem sucesso. O navio mudou de nome, mas nunca conseguiu descarregar. Em 1988, algures entre Singapura e o Sri Lanka as cinzas desapareceram.

As cinzas do lixo de Filadélfia foram lançadas ao mar anos depois, numa área geográfica distante, contribuindo para a poluição do oceano e tudo o que aí advém.

Retirei esta informação deste site, para saberem mais pormenores consultem-no.

Imagem retirada de http://resources.gale.com/gettingtogreenr/uncategorized/the-strange-saga-of-the-khian-sea/


Quantas histórias destas existiram/existem?

Talvez não muitas como a que contei. Mas quanto lixo haverá a circular pelo mundo fora? Cada um deve cuidar do seu lixo, isso começa pelo indivíduo, passando pelas autarquias locais, entidades gestoras de resíduos, estados. Se não conseguimos controlar/cuidar/dar o fim adequado ao nosso lixo, a solução não deve ser que outro o faça, a solução deve ser repensarmos o lixo que fazemos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ser ecológica nas redes sociais: um agradecimento

Comecei a pensar neste assunto depois de ler a publicação (Sustentabilidade e Redes Sociais) da Catarina no seu blogue Ecológica, quem? Eu?.

E vou transcrever duas passagens com as quais também me identifico e que, por vezes, me deixam a pensar:

"A maioria delas ligada à questão de poder ser contraditório escrever sobre sustentabilidade, natureza, slow-living, ambiente (entre outros temas do género) e ir-me ligar às redes sociais, que são, muitas vezes, o baluarte e o principal exemplo de tudo o que critico na nossa sociedade actual."
"Se critico a selvajaria virtual das pessoas, a que se assiste quando acontece alguma coisa negativa, e o desregramento e falta de contenção nas opiniões e desinformação? Sim.
Se critico as pessoas que muito "teclam" e "postam" mas que na verdade pouco fazem e normalmente são Madres Teresa de Sofá (pois pôr a mão na massa e tomar atitudes reais para que a vida de todos seja melhor dá trabalho)? Sim."

No entanto, depois de muito pensar, decidi fazer esta publicação porque se sou mais sustentável devo-o à internet (mais especificamente às redes sociais) e às pessoas (muitas que não conheço pessoalmente) com as quais aprendo todos os dias a ser mais ecológica. A verdade é que tem sido nas redes sociais que tenho encontrado pessoas que pensam como eu em diversos temas, os quais na sua generalidade visam um mundo mais sustentável.

Entre as redes sociais destaco os grupos que acompanho no facebook, os quais têm sem dúvida mudado a minha vida, têm-me feito acreditar que é possível. Acreditar que é possível ser diferente da generalidade e das imposições da sociedade até porque há muito quem pense como eu (coisa que com as pessoas que conhecia, nos meus círculos mais comuns, raramente acontecia).

Afinal, em rede, em comunidade funcionamos melhor e se, por vezes, a comunidade física em que vivemos não é/está aberta às nossas ideias, podemos procurar criar outras comunidades. Lançar sementes e colher frutos.




Imagem retirada de http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/11/29/plataforma-reune-atividades-educativas-sobre-cultura-ambiental/arvore_hl/



Mas afinal o que mudou? E onde? 


Vou tentar elencar de forma resumida e assim mesmo agradecer.

Primeiro, há muitos anos mudou-me o blogue 365 coisas que posso fazer..., o qual me fez olhar a causa ambiental de outra forma. Foi realmente muito importante. Depois ajudou-me, eu própria criar este blogue, pesquisar, pensar, escrever.

Mas acho que foi na sustentabilidade na maternidade que mais me ajudaram as redes sociais, nomeadamente os grupos no facebook. Foi aqui que vi que há mais gente a usar e acreditar que se deve usar fraldas de pano do que aquilo que alguma vez imaginei, foi essencial ler os testemunhos, as dúvidas e tudo o resto sobre as fraldas, mesmo em alturas que parecia estar a correr pior. Usar fraldas de pano (mesmo que não exclusivamente) é algo que muito me orgulha.

Depois, ainda nas questões da maternidade, o grupo de apoio à amamentação também foi essencial para me fazer acreditar que é possível. Que é possível criar um filho mais saudável, sem estar depende de leites artificiais. Também foi nestes grupos que soube da existência da papas comerciais mais saudáveis ou que li pela primeira vez receitas de papas caseiras. O que muito me fez afastar das quase imposições de consumo infantil que nos inundam a casa através da publicidade.

Depois, embora seja um grupo que não acompanho tanto, o grupo da Permacultura é uma importante fonte de inspiração para um mundo mais sustentável. Bem como outro grupo de cariz mais intimista tem sido bastante importante para me dar segurança naquilo em que acredito, bem como na possibilidade de conhecer outras formas de ver o mundo que por vezes nem tinha equacionado.

Mas continuando, foi também nas redes sociais que comecei a comprar mais produtos em 2ª mão e a achar normal fazê-lo. A ideia sempre inspiradora de reaproveitar recursos.

Mais recentemente, o grupo Lixo Zero, o qual não consigo acompanhar tanto quanto gostaria, tem-me mostrado que há bastante gente a pensar nas mesmas questões que eu (algumas pessoas a pensar muito mais à frente do que eu) e que juntos podemos partilhar ideias e mudar aos poucos.

Por isto tudo e por mais coisas que provavelmente agora não me lembrei, sinto-me grata a todas estas pessoas com quem me cruzo virtualmente e que me fazem acreditar que é possível um mundo melhor. Várias pessoas têm contribuído para a minha pretensão de ser mais conhecedora do mundo/natureza e para ser mais sustentável.

E é assim que quero começar este mês de Novembro, a agradecer a todos, os que mesmo invisivelmente, me têm ajudado nesta caminhada que quis fazer. Pessoas que provavelmente eu nunca conheceria se não fossem as redes sociais.

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