terça-feira, 21 de março de 2017

O tesouro desenterrado

Ainda há uns dias disse que o meu objectivo era fazer apenas uma publicação por mês, mas já estou a ir contra o planeado. Mas tinha de vos mostrar o meu achado "arqueológico".

Imagem própria



E agora vou contar-vos a história. O terreno ao lado da minha casa está sem qualquer tipo de actividade. Nesse sentido o dono deixa que as nossas galinhas andem lá à solta, é bom para nós e para ele que assim não tem de gastar dinheiro na manutenção do terreno. O terreno de que estou a falar é bastante grande. Então, raramente vou a alguns sítios do terreno. Mas no outro dia ia ver se andavam plásticos a voar quando encontrei o meu "tesouro".

A história é a seguinte, há bastantes anos, há mais de vinte anos, a pessoa que amanhava aquela parte do terreno mandava todo o lixo para um canto. Após o terreno ter deixado de ser cultivado cresceram silvas por todo o lado. Anos mais tarde, as nossas cabras foram comendo as silvas, deixando o terreno livres para as galinhas esgravatarem à vontade... então elas têm andado num grande achado arqueológico... enfim, o terreno como teve tanto lixo, entre o qual orgânico, a terra ali tem uma textura e muitos restos interessantes para as galinhas. No entanto, pelo meio também aparece muitas garrafas de vidro (intactas) e muitos plásticos (muitíssimo degradados).

Então agora quando consigo, lá vou eu apanhar umas garrafas ou uns plásticos. Mais uma vez temos a prova que o vidro é um material muitíssimo melhor. Na grande maioria dos casos permanece intacto até o poderia reutilizar se quisesse (mas o seu destino vai ser mesmo a reciclagem).

Na fotografia seguinte podem ver as garrafas que apanhei no dia da descoberta, depois disso já lá voltei e já apanhei outras, nomeadamente as da primeira fotografia.



Imagem própria



quarta-feira, 15 de março de 2017

Março 2017: o regresso

Primeiro que tudo, quero pedir desculpa aos leitores que me leem por ter desaparecido do mundo virtual, assim sem nenhuma explicação.

A verdade é que comecei a ficar assoberbada de coisas para fazer, sem tempo para me dedicar ao blogue e devo confessar que também sem muita paciência. Nos tempos livres apenas pensava em dormir, pensava e ainda penso, que continuo sem dormir noites seguidas. Mas bem, decidi retomar o blogue, numa versão mais slow. Quero apenas me comprometer a fazer uma publicação por mês, onde pretendo contar alguns avanços e recuos sobre a minha luta ecológica. Posso eventualmente fazer mais algumas publicações, mas não será esse o meu objectivo.

A minha última publicação foi no dia que o meu filho fez um ano, queria contar-vos que a festa de anos dele correu bem e sem descartáveis (só os guardanapos). Mas copos, pratos foi tudo de loiça e isso deixou-me extremamente feliz. Também fiz limonada e refresco de chá, o que diminuiu o número de refrigerantes. A comida foi quase toda feita em casa ou comprada a particulares e o número de embalagens a ir para a reciclagem foi reduzido. Fiquei verdadeiramente feliz.


Mas que mais coisas mudaram nestes três meses e meio? 

Estar afastada do blogue não significou estar afastada da sustentabilidade. E muitas foram as alterações positivas.

  • Comprar produtos biológicos: aumentei em grande número a compra de produtos biológicos, compro sobretudo frutas e legumes no mercado de agricultura biológica que é feito à 4ª feira em Cacilhas (não compro tudo biológico, mas já é um passo);
  • Levar sacos para frutas e legumes: agora levo sempre, sempre, os meus sacos reutilizados para a fruta e os legumes, mesmo quando os compro em supermercados convencionais, tiro o saco da mala e está o assunto arrumado (os moradores da casa continuam a trazer muitos sacos plásticos transparentes, já que não os consigo convencer a deixarem de utilizar, reutilizo-os);
  • Iogurtes: os iogurtes ainda são provavelmente os maiores culpados da quantidade de resíduos que vão para a reciclagem cá em casa. Então como não quero deixar de comer/beber iogurtes decidi apostar nos iogurtes em embalagem de vidro, embalagens com mais de uma dose e nos iogurtes biológicos (neste caso não pela embalagem);
  • Café: deixei de beber café na minha loja (copos de plástico) e em casa (capsulas de café). Ok já estive desesperada por café e bebi em casa. Mas a norma é ir ao café beber café. Quero aderir a outra ideia, mas ainda não aderi, a seu tempo conto;
  • Roupa do bebé: estou constantemente a precisar de comprar roupa para o Luís, neste caso e com todo o problema da indústria têxtil do mundo, decidi algumas coisas, nomeadamente baixar consideravelmente a roupa que lhe compro nova (não estou a dizer que nunca mais irei à H&M). Mas decidi começar a pedir roupa usada às pessoas que conheço, depois quando ele precisar de roupa antes de tudo, tentar comprar em 2ª mão (as lojas Kid to Kid têm sido uma grande opção). Quando posso, tento comprar roupa ecológica que infelizmente é carissima, mas em saldos já comprei algumas peças nesta loja;
  • Sumos e refrigerantes: acabei de vez com a compra de refrigerantes e sumos, ter em casa para quando nos apetece dá sempre mais vontade de beber, se um dia tenho mesmo vontade vou à mercearia comprar, é mais caro, mas ter de me deslocar para comprar faz-me ver se realmente tenho vontade (só aconteceu uma vez que estava muito mal disposta e sentia que precisava de beber 7up). Se almoçar ou jantar fora e me apetecer um sumo, bebo um néctar que é em garrafa de vidro;
  • Destralhar e a minha roupa: finalmente ganhei coragem e destralhei grande parte do meu roupeiro, separei imensas coisas que já não usava (algumas há uns dez anos), é verdade que me servem, mas se em dez anos usei uma ou duas vezes, será que preciso delas? Não! Como a maioria já estavam bastantes gastas enviei para a minha tia para os trabalhos em agricultura (para o que quiserem, mas sobretudo com esse fim). No entanto, havia coisas em muito bom estado que consegui oferecer e que sei que vão ser bastante usados. Devo acrescentar que também ofereci a minha saia dos escuteiros, a qual já tem uns 17 anos. Isso mesmo, 17 anos a ocupar uma gaveta, já a podia ter dado antes, talvez tivesse dado jeito a alguém. Dei também os lenços e echarpes que eram da minha mãe, eu guardava-os como recordação, mas estavam escondidos no fundo de uma gaveta, dei a uma tia que adora essas coisas e fiquei feliz de a ver a usar estas coisas que eram da minha mãe, acho que assim os verei mais do que quando estavam no fundo da gaveta.

Acho que estas foram as minha principais alterações nos últimos meses, mas ainda estou em processo de destralhar, não só a roupa, mas tudo. Mas com duas grandes máximas: o objectivo do destralhe é encontrar novo dono para as coisas, todas as compras que fizer de roupa têm de ser muito bem pensadas. Preciso disto? Vou usar isto?

Comecei também recentemente a ler o livro Desperdício Zero ainda estou no início, mas já me está a inspirar. Às vezes tenho a sensação que não estou a ler nada de novo, nada que já não soubesse, mas ao ler dá-me energia para continuar a tentar reduzir o lixo.

E por falar em reduzir o lixo, nestes meses, tive mais ou menos noção do volume de resíduos que envio para a reciclagem dos plásticos, é cerca de um saco de 50L por semana. Enfim, podia ser pior, mas podia ser melhor. Neste momento, é nisto que quero trabalhar, na redução deste número (não sei se vai ser fácil porque não vivo sozinha e acho que nos devemos respeitar). Mas, o objectivo passa então por comprar mais coisas a granel, levando os meus sacos e por ter sempre atenção à embalagem.


Como escolher as embalagens?
Dependendo dos produtos, preferir vidro ou papel:

  • O vidro porque é facilmente reutilizável, sem libertação de toxinas e porque é 100% reciclável;
  • O papel porque é biodegradável.

Se as opções forem entre o metal e o plástico, embora o metal tenha associado o problema da extracção de minério, devemos preferir o metal ao plástico, afinal o metal é reciclável "nele próprio", uma lata pode novamente ser uma lata, enquanto um produto plástico raramente se consegue voltar a transformar no mesmo produto. O que significa que para alguns tipos de produtos de plástico temos de recorrer sempre a matérias-primas virgens. Além disso, não esquecer da quantidade de plásticos que facilmente se partem e se dispersam pelo ambiente.

Por falar nisso, no outro dia o meu pai lavrou a terra e depois eu fui semear girassóis e enfim, a quantidade de bocadinhos minúsculos de plásticos são imensos. Alguns podem ser por algum desleixo, mas a maioria não, a maioria devem-se certamente a plásticos que voam de um lado para o outro. A solução podemos dizer que passa pelas pessoas terem mais cuidado e porem sempre tudo na reciclagem, mas sinceramente acho que mesmo que todas as pessoas fossem cumpridoras, haveria sempre este problema, mesmo que a menor escala. A solução passa, sem dúvida, por comprar o menos número de plásticos possíveis, por exemplo em vez de molas de roupa de plástico, comprar molas de roupa de madeira. Se uma mola de roupa de madeira cair no solo, mais cedo ou mais tarde, desfaz-se, entranha-se no solo e é parte dele. No plástico, não é assim.
E aqui está uma revisão dos meus últimos três meses. Agora que melhorou o tempo e voltei a ir buscar o Luís à creche a pé, antes de chegarmos a casa damos uma volta maior e apanhamos muitos plásticos pelo caminho. Ontem foi dia de apanhar pacotes de iogurte e latas de Ice Tea. Grão a grão enche o ecoponto o papo.

Mas esqueci-me de dizer, o pior destes meses que estive afastada do blogue: as fraldas de pano estão paradas, enfim, muita roupa para lavar e para estender, dias de chuva e a máquina de secar avariou. Ao menos as toalhitas reutilizáveis continuam de pedra e cal. Mas as fraldas, este Inverno foram um fiasco. Sou ecológica, mas às vezes nem tanto.

Até Abril, boas práticas ecológicas e vamos todos lutar por um mundo em que os nossos filhos possam andar com as mãos na terra. A estrela vermelha não foi escolhida ao acaso.

Imagem própria

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Luís, um ano de magia

Hoje faz um ano que o meu Luís nasceu, podia descrever tanta coisa, tantos sentimentos, tantos medos, tantos desejos, mas não vou escrever nada disso. Só vos posso garantir que ter um filho me aguçou ainda mais o espírito ecológico, agora nas gerações futuras também esta este pequeno ser que mudou a minha vida. Este amor maior para sempre.

Imagem própria
Imagem própria

E para finalizar vou deixar-vos com a letra de uma música que costumamos cantar no babyoga, acho que esta letra representa muito o que desejo para o meu filho e para todas as crianças.

"A tua luz me guia
E mostra-me o caminho
Confio que és capaz
E cresces em harmonia"
 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Adeus calçado: shoe box do Sporting

Há uns anos atrás, quando eu ainda era uma anti-capitalista e ambientalista que consumia inconscientemente e por isso "injectava" dinheiro em grandes empresas multinacionais (ok, ainda o faço), tinha uma grande paixão por ténis All Star. Talvez um bocadinho porque acreditava que com All Star tinha um ar de ser anti-capitalista, ambientalista e alternativa ou então simplesmente porque gostava deles. Agora a sério, gostava mesmo deles independentemente da marca e de serem feitos na Ásia, provavelmente por mão-de-obra mal remunerada ou mesmo escrava. Adiante.

Gostava tanto deles e achava que ficavam bem nas minhas fotografias que transmitiam mensagens profundas ou talvez não. Como por exemplo, aqui.

Imagem própria

A verdade é que os anos foram passando e eu continuei apegada aos ténis e não só aos desta marca, mesmo que já os usasse muito, muito raramente. Eles ainda não estavam estragados para os mandar fora, mas usar uma vez de dois em dois anos não me parece um motivo válido para continuar a guardá-los. Mas também ainda não sabia o que lhes ia fazer, por isso guardei.

Mas foi o Sporting (blherg) que me deu a ideia, juntar todo o calçado que não se usa cá em casa e...

Imagem retirada de https://www.facebook.com/FundacaoSporting/photos/a.262841600502443.58418.176452279141376/1028782220575040/?type=3&theater

"A Fundação Sporting apresenta a Shoe Box, uma iniciativa solidária organizada pela Green Media - Agência de Comunicação em parceria com a organização HELPO ONGD. O objectivo é recolher calçado para crianças e jovens residentes em Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Trata-se de uma iniciativa que pretende promover a escolaridade nestes países, uma vez que, um dos motivos do abandono escolar é a carência de calçado!

Contamos com o vosso apoio!

Juntos vamos calçar Moçambique e São Tomé e Príncipe!"

Até dia 25 de Novembro já sabem, podem ajudar a calçar alguém que precisa mais que vocês. Entretanto estive a avaliar mesmo todo o meu calçado e andava a pensar que tinha de comprar uns ténis novos, mas não tenho. A verdade é que se quero ser verdadeiramente anti-capitalista e ambientalista, tenho de racionalizar completamente o uso de tudo, nomeadamente do calçado. Fiquei com o calçado suficiente até à Primavera, acho que depois apenas tenho de comprar umas sandálias.

Adeus sapatos, adeus abundância desnecessária, o menos é mais.

Adeus All Stars e outros sapatos de tantos bons momentos, mas a vida não se faz de bens materiais (foram mais do que estes que estão na fotografia).

Imagem própria

 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Breves: a dúvida

A minha dúvida mais recente é:


O mundo é difícil demais para acreditar em utopias!

ou

O mundo é difícil demais, precisamos de utopias!

Imagem própria
 

Perguntei no meu perfil pessoal do facebook, quem respondeu escolheu a segunda opção. Também acho que sim: O mundo é difícil demais, precisamos de utopias!

Para saber mais sobre a minha perspectiva sobre a ideia de utopia ver esta publicação.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Fotografias do meu desânimo

Tenho estado algo afastada do blogue, primeiro porque estou verdadeiramente cansada, exausta mesmo... bastante trabalho, loja, casa, casa, loja, um filho de quase um ano que não para quieto, o que é bom, mas me deixa estafada... mas também porque me sinto bastante desanimada com o rumo das coisas.

Acho que o meu grande desânimo começou quando li isto A sexta extinção em massa, pensar que somos a causa principal de uma extinção em massa, a qual poderá significar a nossa própria extinção assusta-me... assusta-me ainda mais pensar que pode ser daqui a duas ou três décadas e ver que continuamos a assistir a tudo impávidos e serenos.

Depois, tenho andado numa luta constante para recusar o maior número de sacos de plástico possíveis. Ainda aceito alguns, até porque às vezes esqueço-me de levar sacos, por exemplo para a fruta, mas tenho quase sempre reutilizado sacos de plástico quando vou comprar fruta à mercearia e mesmo ao supermercado (nos supermercados não aceitam que se pese fruta em sacos de pano, mas aceitam se reutilizarmos sacos de plástico transparentes). Como aqui em casa, o resto das pessoas não recusam os sacos, acabo sempre por ter. Andava eu toda contente, quando percebi que na padaria, a maioria dos clientes além de não recusar, ainda pedem mais sacos. Mais sacos para quê?

Nisto tudo, na madrugada de Sábado decidiram incendiar um caixote do lixo perto da minha casa. Ficou o plástico todo derretido na via pública, no mesmo dia foi posto um caixote de lixo novo no lugar do que estava queimado. Mas os restos do antigo não foram retirados da via pública e ali permanecem até hoje. Compreendo que as equipas que põe caixotes novos não sejam as mesmas que fazem a limpeza, mas poderiam comunicar e serem mais eficientes. Não digo que a culpa seja das equipas e dos funcionários, mas é provavelmente do sistema. Entretanto já telefonei para a Linha Almada Limpa, quando há queixas costumam ser mais rápidos, vamos ver.

Fotografia de 12 de Novembro de 2016
Imagem própria


Fotografia de 15 de Novembro de 2016
Imagem própria

Estas são fotografias do meu desânimo porque olho para isto e penso: Como posso esperar que as pessoas percebam que não podem fazer tanto lixo e consumir tantos recursos, se ainda há quem incendeie caixotes do lixo e se as autarquias locais deixam isto ficar na via pública durante dias.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Quão desumanos podemos ser?

Eu sei que o mundo está chocado por o Donald Trump ter sido eleito. Mas o que podemos esperar de seres humanos que diariamente fazem isto.





Eu estava a amamentar quando vi pela primeira vez este vídeo e isto não me saiu da cabeça. Se não tivesse já reduzido o meu consumo de leite substancialmente, acho que depois disto, o teria feito. Eu sei que ainda não falei sobre a decisão de diminuir o consumo de leite, mas hei-de falar um dia.

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