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sábado, 9 de janeiro de 2016

Sou um mamífero

Tal como referi na publicação Aleitamento Materno sou uma defensora dos bebés mamarem o leite materno, mas tive vários problemas, o que me fez por em causa muita coisa. Na publicação que referi acima, contei que ia a uma consulta de amamentação e já agora fazendo publicidade fui à Clínica Amamentos.

Ir a uma consulta de amamentação foi a melhor coisa que fiz, aliás fui a duas. Neste momento, o Luís mama lindamente, já começou a aumentar de peso de forma mais constante, deixei de lhe dar mama com mamilo de silicone e parece que dar mama é a coisa mais fácil do mundo. A consulta foi muito boa porque me ajudou a nível concreto, ensinou-me a posicioná-lo para fazer uma pega correcta e a nível psicológico, incentivou-me e deu-me bastante força. Nisto tudo, fiquei uma defensora ainda maior do aleitamento materno e às vezes sinto vontade de evangelizar as pessoas. Quando oiço coisas como: "Não tenho leite suficiente", "Não tive leite" ou "O meu leite é fraco", só me apetece dizer, não, isso não é verdade. Todas temos leite suficiente, só que a produção de leite só cresce se o bebé mamar cada vez mais. Se há um bebé que faz uma má pega, não estimula a produção do leite materno e parece que o leite não é suficiente, mas o problema não é o leite, é a pega.

No meu caso tive sorte porque a minha médica de família chamou-me a atenção para a pega. Mas sei bem que muitos médicos em vez de tomarem atenção na forma como o bebé mama, incentivam logo a introdução do leite artificial. E isso faz-me confusão.

Mas pronto, o meu menino está a ser alimentado só com o meu leitinho e está grande, há quem me pergunte "Ele só mama do teu leite? E está tão grande?". É verdade, bem eu não o acho muito grande, mas sim ele só mama do meu leite.

Mas para mim isto está a ser uma grande vitória, o que eu tenho poupado o ambiente a alimentar um rapazote só como o meu leitinho, já mereço uma prenda ambiental. Agora a sério, adoro ver aquela carinha de satisfação, aquele revirar de olhos, aquela maozinha que me acaricia o seio enquanto mama. Acho que ser mãe e amamentar faz-me sentir verdadeiramente um animal, sentir-me como um ser da natureza, não um ser da sociedade desligada da essência. Pela primeira vez sinto-me realmente um mamífero, talvez achem estranho, mas sinto que entrei em sintonia com a minha natureza. No fundo, nem sei bem explicar, mas sinto uma estranha sensação de felicidade e comunhão com a natureza.

Acho que o ser humano se desligou completamente do que é natural, não caçamos, não colhemos os nossos alimentos, vivemos de noite ou de dia. Aparentemente a nossa vida depende do dinheiro e dos bens, por exemplo, poucas pessoas gostam da chuva porque não lhe sentem qualquer utilidade. Para uma grande parte dos seres humanos as taxas de juro ou as acções da bolsa têm mais valor que a água, as árvores, o oxigénio. O ser humano na sua generalidade afastou-se da essência da vida, o facto de eu ter sido mãe e passar cerca de um terço do meu dia a dar mamar faz-me aproximar mais da perfeição que é a vida natural. Sinto-me parte integrante da vida e da transformação da matéria.


Acho que este vídeo explica o que eu penso quando digo que me sinto parte da natureza. Eu gosto que ele mame e gosto de o ter aconchegadinho a mim. Por isso, também estou rendida ao uso de sling, só não uso mais porque quando saio com ele de carro tenho de levar mesmo o ovo, mas de qualquer forma uso o sling em casa e saímos algumas vezes com o bebé no sling. E quem quiser saber mais sobre o uso deste pano leia isto. O sling é usado desde sempre e não só por africanas ou sul-americanas, na Europa também era usado, aliás provavelmente muitas pessoas nas nossas aldeias ainda se lembram de andarem com os bebés nos xailes.

Imagem retirada de https://tempodeestilo.wordpress.com/2014/07/23/sling/

E assim cá em casa nós também usamos o sling, tanto eu como o pai para ficarmos mais perto da nossa cria, porque é fácil de usar e porque ele se sente confortável. Mas experimentem ir a uma grande superfície comercial com um bebé no sling, melhor ainda se for o pai a transportá-lo. Sim nós experimentamos e foram olhares e olhares, não percebi se pelo sling em si, se por essa ideia de o pai carregar o bebé e a mãe ali ao lado. Mas houve um senhor que nos disse, "É assim que eles crescem", não sei se crescem, mas ajuda muito no refluxo e isso para mim já basta. E quando o tenho no sling sinto-me mais um bocadinho mamífero também. Sinto-me um canguru.

Imagem própria

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Desejos

Imagem retirada de https://www.facebook.com/tirasarmandinho/photos/a.488361671209144.113963.488356901209621/1096809463697692/?type=3&theater

Desejo a todos um Feliz Natal.

sábado, 21 de novembro de 2015

E disse...

"E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?" (Almeida Garrett in Viagens da Minha Terra).

Li pela primeira vez esta frase não no livro em que foi escrita, mas no livro Levantado do Chão de José Saramago. O qual é um dos meus livros favoritos, acho que devia ser leitura obrigatória.

Esta frase faz-me pensar em muita coisa e muitas vezes lembro-me dela. Não a vou comentar aqui. Pensem vocês o que ela vos transmite.



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família

Se houve coisa que percebi nestes nove meses de gravidez é que realmente sou feminista. Eu sempre fui um bocadinho contra o feminismo porque sempre achei que a ideia estava ultrapassada. Mas a gravidez fez-me perceber que não. Eu acreditava que o feminismo estava ultrapassado porque no meu interior tinha a crença que a igualdade de género já era uma coisa bem assente e definida na sociedade. Como eu sou crédula!

Mas é importante saber o que é o feminismo, já dizia um professor que tive, "definam os conceitos".

Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de género.(in https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo

E ser feminista ao contrário do que muitas mulheres pensam por aí, não é achar que as mulheres são melhores ou especiais, pelo facto de serem mulheres. Também não tenho paciência para o dia da mulher porque em geral só oiço coisas deturpadas. Alguém acha mesmo que ás mulheres são mais inteligentes que os homens? Para mim, esse tipo de argumento está ao nível do homem ser mais inteligente que a mulher.

Há sempre alguém que já desenhou o que pensamos
Imagem retirada de http://cinismoilustrado.com/

O feminismo, no meu entender e o facto de se comemorar o dia internacional da mulher tem razão de ser porque se comemora a igualdade entre homens e mulheres. A qual, neste caso se refere sobretudo às mulheres terem conseguido ascender, pelo menos teoricamente, à mesma posição do homem, em termos de oportunidades e de possibilidade de escolha. Mas que também deveria ser os homens terem a oportunidade e a possibilidade de escolher coisas que são estereotipadas como de mulher. Nisto, o que eu quero dizer é que devíamos em vez de comemorar o dia da mulher, comemorar o dia da igualdade de género.

Mas pronto durante a gravidez apercebi-me de como esta igualdade de género não é real. E não é só o preconceito do homem para com a mulher, mas também o preconceito da mulher para com o homem.

Podem até me dizer que as mulheres e os homens são diferentes. E são, tal como as mulheres não são iguais entre si e os homens também não. Mas as grandes diferenças entre homens e mulheres residem na educação diferenciada, a qual começa logo dentro do útero.

Há coisas para meninas e para meninos desde o nascimento, a distinção entre sexo parece ser fundamental para 90% da população. E nem vale a pena voltar a contar as coisas que já ouvi porque já o referi aqui no blogue. Mas vejam esta notícia Neste catálogo, os meninos brincam com bonecas e as meninas com ferramentas. Parece que em algumas coisas estamos mesmo a retroceder na dita igualdade.

E nestes casos, acho que é muito mais difícil ser homem, ser menino. Uma menina que goste de coisas de menino é considerada com certo desdém maria-rapaz, mas aceita-se. Já um menino que goste de coisas ditas de menina é desde a sua infância referenciado com uma tendência homossexual. O que pode ser verdade ou não. Mas se de facto aquela criança, mais tarde, não se definir/sentir homossexual vai deixar os seus gostos para trás para não ser visto como homossexual. No caso de mais tarde se definir/sentir homossexual provavelmente vai passar a adolescência e mesmo parte da vida adulta a reprimir-se, pois desde pequeno que lhe passaram a ideia que ser homossexual é errado. Claro que há homossexuais sem qualquer problema em se assumirem, bem como heterossexuais sem problemas em terem gostos considerados de mulher, mas convinhámos que nem sempre é fácil numa sociedade sempre pronta a apontar o dedo.

Mas não é só nestes casos que acho que os homens são vistos ainda com mais preconceito. Outro aspecto que a gravidez me fez descobrir é que o papel do pai é amplamente renegado em relação ao papel da mãe. É verdade que é a mãe que carrega o filho no útero, que o pare, que amamenta e acredito mesmo que por isso estabeleça um elo com o bebé mais precocemente que o pai.

Mas isto não significa que a mãe tem ou deve ter um papel mais importante que o pai na vida daquela criança. Nem tão pouco que as mulheres estão mais preparadas para tratar de um bebé que os homens. E as que estão é sobretudo por uma questão de educação. Ser mãe não é mais importante que ser pai. E as funções de ambos não têm de ser diferentes, serão diferentes por uma questão de personalidade. Mas não há funções definidas para a mãe e outras para o pai. A harmonia familiar desenvolve-se quando o casal partilha as funções. Aliás, aquela história de o homem ajudar a mulher nas tarefas domésticas não é no meu entender a forma correcta de ver as coisas. As tarefas domésticas devem ser partilhadas, sem predomínio de um, tal como todas as outras decisões.

Mas voltando ao bebé, nos últimos tempos tenho ouvido muito por parte de pessoas mais velhas que não vou ter ninguém que me ajude, uma vez que já não tenho mãe. E não estou com isto a dizer que não sinto falta da minha mãe, sinto bastante, mas não neste caso específico. A minha sogra por vontade dela vinha ajudar-me a tratar do bebé durante as primeiras semanas, meses, eu sei lá. Mas não é só ideia dela, também na minha família me perguntaram se a minha sogra não vem cá para casa, uma vez que não tenho mãe, porque a pessoa precisa de ajuda pelo menos nos primeiros dias. Mas já ouvi pessoas pouco mais velhas que eu a dizer que nos primeiros tempos, a mãe ou a sogra têm de estar em casa para ajudar a dar banho, mudar a fralda, etc, etc.

E isto faz-me pensar, mas afinal para que serve o pai da criança? Sem menosprezar a ajuda das mães e das sogras que podem realmente ajudar, mas quem deve assumir o tratamento do bebé nos primeiros meses são os pais. A mãe e o pai, por isso existe a licença de maternidade e a licença de paternidade (a qual vai passar a 15 dias úteis depois do nascimento). A licença de paternidade não é para o pai ficar de papo para o ar de férias, é obviamente para tratar do bebé e criar os laços essenciais com este.

E o que me chateia é que não basta aqueles pais que não querem saber e acham que aquilo é competência da mulher. Como depois há as mulheres que passam atestados de incompetência ao homem. As mulheres em geral, desde a família paterna, à família materna e à sua própria mulher.

Claro que cada vez isto é uma realidade menos comum, mas ainda é demasiado vista para meu gosto.

Lembro-me de andar na primária e a professora perguntar se gostávamos mais da nossa mãe ou do nosso pai. Hoje em dia, percebo a tamanha estupidez de tal pergunta a crianças de sete ou oito anos. Quase todos disseram que gostavam mais da mãe, aos que disseram que gostavam mais do pai, a professora perguntou porquê com grande admiração. Mas o ideal não é que as crianças gostem de ambos da mesma forma? Se sintam tão confiantes com o pai como com a mãe? Eu penso que sim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Pequenos gestos

Pequenos gestos fazem-nos bem.
Fui comprar peixe a uma peixaria e além de ser muito bem atendida, ainda me ofereceram esta flor. Porque todos gostamos de pequenos mimos, eu também gostei.

Imagem própria


A prova como realmente o comércio tradicional permite desenvolver melhor as relações humanas, além de outras coisas que já falei em Consumir local, a vivência urbana e outras divagações. E o peixe fresco era quase todo pescado aqui no distrito.

Para terminar, esta peixaria é num bairro social considerado problemático, a prova que pessoas boas e simpáticas há em todo o lado. E que devemos passar as fronteiras imaginárias da cidade que tentam segmentar o nosso dia-a-dia.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O lixo humano: Portugal-Angola

No outro dia um amigo dizia-me: "em Angola as pessoas vivem bem, eu sei porque fiz muitos trabalhos para Angola, há trabalho e ganham bem, por isso é que votam nos mesmos"

Respondi "Vivem bem? Sabes a quantidade de pessoas que vivem em situações miseráveis? Sem comida, sem nada?"

Resposta: "Ah mas esses não se importam com a política, não contam"

Hein? Não contam?
Há humanos de primeira e de segunda é?
Como se pode dizer que num país com uma democracia a fingir se vive bem? Onde para uns viverem bem outros são miseráveis? Mas será que as pessoas têm a noção da realidade? São conscientes? Ou são simplesmente más e centradas em si próprias?

Numa democracia, os cidadãos até podem não querer saber de política, embora devessem. Mas o Estado tem responsabilidade de querer saber de todos os cidadãos. Sim que eu nem vou contar o argumento seguinte que até tenho vergonha de o escrever.

Até porque por esta ordem de ideias, em Portugal também não há problemas, afinal se calhar quem interessa ao sistema até vive bastante bem.

Mas voltando ao caso angolano, deixo aqui esta crónica, sobre a tal democracia onde as pessoas (as que interessam, as que contam) vivem bem, Luaty e a vergonha Angola-Portugal de Alexandra Lucas Coelho. A vergonha da democracia angolana e da democracia portuguesa, desde da posição do governo à posição do PCP, sim aquele partido que lutou durante anos contra uma ditadura, mas que é amiguinho do MPLA.

E para não falar apenas da liberdade de expressão e da censura como se não fossem, por si, coisas demasiado importantes. Como é que pessoas conscientes podem dizer que em Angola se vive bem, quando tem uma taxa de mortalidade infantil de 167 permilagem? Ah esperem, os que morrem devem ser aqueles que não interessam...

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Lowsumerism

Lowsumerism ou consumir menos é o melhor que podemos fazer pelo nosso planeta. Tenho falado bastante sobre isto e já aqui disse que acho que o mais importante é ter um Consumo consciente.

E vi no blogue O único planeta que temos um vídeo muito interessante que partilho aqui, neste vídeo explica como tem evoluído o consumo, mostra no que este se tornou e foca um ponto muito interessante: como é que as preocupações ambientais dos anos 90 do século passado, no fundo não mudaram nada. Aliás, todas as mudanças foram para que o consumo seja cada vez maior.

O consumo transformou-se em consumismo, um modo de vida, uma questão de estatuto. Tive uma cadeira na faculdade chamada Geografia do Comércio e do Consumo, na qual tratávamos estas questões. Nomeadamente, o consumo enquanto modo de vida, uma questão de afirmação na sociedade, dos lugares de consumo como lugares de vivência e de experiências. Muitas vezes, as pessoas não consumem pelos bens em si, mas pela estatuto e aceitação que esses bens proporcionam. Como se diz, parece que o Ter é cada vez mais importante que o Ser.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Prioridade

Agora que estou grávida descobri essa coisa magnífica de ter prioridade. É um direito e acho muito bem. Mas tem dias...

Costumo ir para as filas de supermercado com caixas exclusivas (caso do Continente) ou com caixas prioritárias (caso do Jumbo). E dá-me imenso jeito, bem como nas finanças, por exemplo. Mas esta história da prioridade faz-me confusão, não as grávidas terem prioridade, mas outras pessoas que não têm.

Fui aos correios levantar uma encomenda e estavam cerca de cinco senhoras idosas à minha frente, o senhor que trabalha nos correios disse-me para eu passar à frente porque tenho prioridade. Recusei. Não estou com isto a dizer que todas as grávidas devem recusar, cada uma sabe como se sente. Mas a olhar para as senhoras com mais de setenta anos, algumas quase nos noventa e a olhar para mim, acho que mesmo com a aproximação do fim da gravidez tenho muito mais condições físicas para esperar do que elas, por isso recusei. É um direito é verdade e uso-o quando me sinto mais cansada ou quando a fila é composta por pessoas que se vê que estão visivelmente bem.

Lembro-me de uma vez, poucos meses antes de termos descoberto a doença da minha mãe, fomos tratar de qualquer coisa à Segurança Social. Isto foi em Agosto e aquilo estava lento, lento, uma quantidade de grávidas e de pessoas com crianças ao colo (na altura não havia senhas prioritárias, os prioritários chegavam à frente e eram atendidos). Esperamos eternidades para sermos atendidas. E não desconfiando que realmente algumas grávidas estivessem incapacitadas, lembro-me de a minha mãe me dizer que lhe custava muito mais esperar naquela altura em que estava saudável (bem afinal não estava) do que quando estava grávida.

A única coisa que realmente agradeço e aí aceito sempre é se alguém me der lugar num transporte público, único sítio onde realmente me custa estar em pé. Mas o mais engraçado é que já percebi que muitas vezes quem cede o lugar são os que aparentemente mais precisam deles. Por exemplo, há coisa de um mês fui lanchar a uma Padaria Portuguesa, os lugares estavam todos ocupados, muitos por pessoas que já tinham acabado de comer e apenas estavam a conversar ou a mexer no telemóvel. Eu em pé, à espera de lugar para me sentar e quem se levantou para me dar lugar foi um casal que ainda estava a comer. Eu disse bem alto para ver se os outros se tocavam "Obrigada, mas ainda estão a comer", o rapaz respondeu "Deixe estar, comemos em pé". E mais ninguém foi capaz de levantar o traseiro para me dar lugar ou ao casal que entretanto se tinha levantado e ficaram ali nos seus telemóveis e nas suas vidas sem pensarem que havia quem precisasse mais de estar sentado do que eles. A pessoa consumiu tem direito a usufruir do lugar, mas olhar à nossa volta não custa assim tanto.

Nisto, o que eu quero dizer é que mais do que o direito à prioridade ou o dever de dar prioridade devemos estar atentos às nossas condições e às das outras pessoas.

domingo, 27 de setembro de 2015

Os 10 mandamento sustentáveis

Encontrei esta imagem numa das muitas páginas que sigo no facebook relativas ao ambiente e sustentabilidade. Neste caso La Bioguia.

Esta imagem reúne 10 mandamentos sustentáveis, os quais também creio serem mesmo aqueles que nos devemos guiar. As pequenas acções no dia-a-dia que influenciam o ambiente a uma escala local e a uma escala global. O famoso lema: agir local, pensar global. O qual ficava sempre tão bem em vários trabalhos da faculdade.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/LaBioguia/photos/a.105017012881056.3271.104438892938868/1011542638895151/?type=3&theater

1 - Cuidarás da água
2 - Economizarás energia
3 - Produzirás menos resíduos
4 - Utilizarás embalagens recicláveis
5 - Evitarás usar produtos químicos
6 - Evitarás o uso de sacos de plástico
7 - Reutilizarás papel
8 - Usarás a bicicleta ou caminharás
9 - Cuidarás da fauna e da flora
10 - Pensarás de modo sustentável globalmente e actuarás localmente


Acho que se podia acrescentar reutilizarás tudo o que for possível. Acho que algumas são mais fáceis de pôr em prática do que outras. Mas acho que mesmo que a pessoa não siga tudo à risca, é importante ter sempre estes pensamento dentro de nós. Pouco a pouco, pequenas alterações são grandes mudanças.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Férias - tempo de pensar

Finalmente hoje vou de férias, já não era sem tempo. Vá para fora cá dentro, parece-me sempre ser um bom lema para umas férias sustentáveis. Então vou dar umas voltinhas pelo país e contribuir um bocadinho para a economia local. Vá o motivo de ficar pelo país, não é bem um motivo ecológico, mas pronto dou essa desculpa.

Como vou de férias e normalmente aproveito-as para me desligar do mundo virtual, também vou de férias do blogue. Mas como é meu objectivo fazer uma postagem por dia para obrigatoriamente ter sempre pensamentos sobre o que podemos fazer em prole do ambiente e da redução de resíduos, pretendo deixar umas quantas postagens programadas.

E assim, vou de férias e pretendo aproveitar estes dias para desenvolver alguns pensamentos sobre como educar um bebé de modo sustentável, tentar focar-me para que o consumo do bebé seja consciente (para isso eu tenho de ser cada vez mais consciente), mas integrando-o na sociedade em que vivemos. Será que é possível? Quero criar um filho social e ambientalmente consciente, sem o excluir do que a sociedade oferece. Tentarei aprofundar-me sobre isto nos próximos dias.


Imagem retirada de https://www.pinterest.com/pin/378302437422193345/

domingo, 6 de setembro de 2015

Consumo consciente

Tentar ser mais sustentável não significa deixar de consumir, claro que deve significar consumir menos, mas no meu entender está relacionado, sobretudo, com ser consciente do nosso consumo.

A sociedade em que vivemos é consumista, mas a não ser que queiramos de todo romper com esta sociedade, vamos ter inevitavelmente que trabalhar, ganhar dinheiro, consumir. Podemos tentar fugir disto tudo e viver à margem da sociedade, há quem consiga e assim seja feliz. Mas esse não é o meu caminho, senão também teria de viver à margem de uma quantidade de coisas que gosto. Talvez viva à semi-margem, mas de forma integrada.

Acho que o primeiro passo para termos um consumo mais consciente é conhecermos-nos a nós próprios, conhecermos realmente quais as nossas necessidades e anseios. Claro que se alguém no fundo se está a marimbar para o ambiente e para as gerações futuras, podemos logo anular a ideia do consumo consciente.


Imagem retirada de http://saama-cerquilho.blogspot.pt/2014/10/15-de-agosto-dia-do-consumo-consciente.html

Acho que estas são realmente perguntas que devemos fazer constantemente. Ver a nossa real necessidade de comprar algo (bem podemos sempre comprar algumas coisas por capricho, mas se chegarmos à conclusão que tudo o que compramos é por capricho, se calhar não estamos a ser nada sustentáveis). Decidir o que comprar, como vamos comprar e de quem comprar (acho esta questão essencial). Ter atenção a como usamos o produto, por exemplo, não é por ter sido barato que não devemos ter cuidado e prolongar-lhe a vida. E muito importante como o descartar.

Claro que por mais sustentáveis que sejamos, nem sempre as nossas opções são as melhores em termos ambientais. Mas seja como for é bom ter essa noção. Se eu compro uma cadeira no IKEA feita na China, quando a podia ter comprado uma fabricada em Paços de Ferreira, sei que não estou a ser o mais sustentável possível, tenho essa noção. Então talvez deva compensar de outra forma.

Um consumo mais sustentável significa em muitos casos uma poupança económica, se consumismo menos, gastamos menos. Mas também pode significar um acréscimo de custos, afinal o consumo consciente deverá ter como preocupação a origem dos produtos, no que respeita às questões ambientais e sociais.

Assim, ao se ter um consumo consciente estamos a contribuir para a melhoria ambiental, social (nomeadamente das condições de trabalho) e também económica, não numa escala global, mas numa escala local. Apostar na economia local é um caminho para melhorar a nossa própria vida a todos os níveis. Quando damos valor ao cumprimento de questões sociais por parte das empresas, com destaque para as questões laborais, estamos a contribuir para uma distribuição da riqueza mais igualitária, e ainda a melhorar a sustentabilidade do planeta.


Imagem retirada de http://economia.ig.com.br/dia-do-consumidor/2015-03-15/crise-da-agua-pode-levar-a-consumo-consciente-mas-governos-precisam-atuar.html



terça-feira, 25 de agosto de 2015

Apologia do Sorriso - Vídeo

Há uns dias fiz uma postagem sobre a Apologia do Sorriso, não sei se me consegui explicar bem, mas ontem encontrei um vídeo no facebook que demonstra mesmo aquilo que eu quis dizer com a minha postagem.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Apologia do Sorriso

Sabem aquela história dos favores em cadeia? Se ajudarmos alguém e a pessoa ajudar alguém e por aí adiante, o mundo torna-se muito melhor? É isso, e sim isto não tem nada a ver com resíduos, nem ecologia. Quer dizer não tem a ver directamente, mas acredito que esteja relacionado.

Não é segredo para ninguém, os que me conhecem, a quantidade de vezes que me chateio muito com as pessoas à minha volta, não com ninguém em concreto, mas com a forma como vivemos em sociedade. A falta de respeito para com os outros é algo demasiado grande. Existe uma falta de respeito desde grandes coisas até às pequenas banalidades do dia-a-dia. As pessoas não se cumprimentam, tratam mal os empregados do comércio, deitam lixo na rua (tinha de inserir o lixo em algum sítio), não cedem passagem, não dão lugar a alguém mais necessitado nos transportes públicos, um sem fim de coisas. E qual é a solução? A educação, sobretudo. Mas a educação não é algo que se mude de um dia para o outro.

Assim, cada um de nós que se preocupa com uma sociedade melhor, mais justa, mais humana, deve fazer a sua parte. Não devemos deixar de o fazer porque os outros não fazem, mas fazê-lo e sorrir. Creio que se alguém se levanta para dar o lugar num transporte público a alguém mais necessitado. Talvez essa pessoa que nunca cedeu o seu lugar, o faça noutra ocasião.

Logo mesmo que o mundo, a sociedade pareça estar contra nós... que tudo o que se faça pareça ser em vão... vamos sorrir e ajudar na mesma, as pessoas, o ambiente, o mundo... podemos não o mudar, mas podemos mudar a perspectiva de alguém em pequenas coisas.

Talvez aquela pessoa a quem sorrimos hoje, comece também a espalhar sorrisos por aí.
Talvez aquela pessoa a quem explicamos porque dividimos o lixo, também o comece a dividir.

Claro que não é fácil sorrir todos os dias, ser feliz e sentir-se bem, mas é talvez algo essencial... desprendermos-nos das coisas mais fúteis do dia-a-dia, olhar, apreciar e sorrir.

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