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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AMOR

Continuo sem muito tempo para vir ao blogue, não que não consiga vir de todo, mas valores mais altos se levantam. Mas agora que está a acabar o ano, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo.

A nível pessoal o meu ano de 2015 foi magnífico, a nível mundial nem por isso, espero que o próximo ano seja melhor. Que exista mais amor, se existir mais amor ao próximo, humanos, animais e plantas, isto seria um lugar melhor certamente.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Desejos

Imagem retirada de https://www.facebook.com/tirasarmandinho/photos/a.488361671209144.113963.488356901209621/1096809463697692/?type=3&theater

Desejo a todos um Feliz Natal.

sábado, 28 de novembro de 2015

Influência do marketing e publicidade na nossa vida: as cores e os bebés

Mais uma vez vou falar das roupinhas de bebé e das cores. Como já deu para perceber nas publicações que fiz: É menina ou menino? e Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família, eu sou completamente contra a diferenciação de género. Sobretudo em bebés, esses seres puros que nascem sem preconceitos, mas que são logo atirados a todo o tipo de preconceito e mais algum.

Durante a gravidez foi complicado explicar que tanto me fazia ter um menino ou uma menina. E ainda mais difícil as pessoas aceitarem que eu não soubesse o género, porque isso significava que não me podiam dar nada porque não sabiam o sexo da criança. Eu expliquei milhares de vezes que prefiro coisas neutras, amarelo, branco e verde. Não queria, até porque não gosto muito, coisas cor-de-rosa e azuis, mas isso foi um grande problema. De tal forma que muita gente esperou até ao nascimento para comprar alguma coisa, porque mais vale comprar coisas de cores que os pais não gostam, do que vestir uma criança com a cor errada, não vá o pobre bebé ficar confuso.

É uma ideia que acho parva, mas ainda consigo tolerar de família e amigos. Mas apenas destes, quando essa ideia vem de pessoas de fora torna-se pior.

E assim ainda antes de ter o bebé fui comprar uns babetes para bordar aqui à retrosaria perto de casa. Mas não eram para o meu bebé, eram para oferecer. E lá tive de levar com a intromissão e moralidade da vendedora. Discurso:

Vendedora: Então o que queres?
Eu: Queria uns babetes para bordar.
Vendedora: Mas já sabes o que é?
Eu: Não, mas os babetes também não são para mim, são para oferecer.
Vendedora: E é para um menino ou menina?
Eu (idiota que ainda respondo): São dois meninos e uma menina.
Nisto a vendedora começa a fazer duas pilhas de babetes cor-de-rosa e azuis.
Eu: Mas já não tem daqueles verdinhos como levei da outra vez?
Vendedora: Então mas tens aqui os rosa e os azuis, se sabes o que é podes levar estes.
Eu: Mas eu não gosto destas cores, prefiro verdes ou amarelos.
Ficou com uma cara incrédula e lá me mostrou uns amarelos, já não tinha verdes. E pronto lá escolhi os babetes.
Eu: E estas toalhas de banho dão para bordar?
Vendedora: Dão, mas só tenho azuis, se é para o teu bebé neutras só tenho estas.
Neste momento já eu estava a ficar irritada com a história das cores e disse que não gostava das amarelas que ela mostrou, mas até gostava da azul, mas decidi não comprar e fui embora.

E diga-se passagem não sei se volto lá a meter os pés. Afinal, eu enquanto consumidora não tenho direito a ter os meus gostos? Eu que sou grande defensora do comércio tradicional, percebi que este pode ser problemático quando as vendedoras acham que por nos conhecerem há anos podem dar palpites sobre o que devemos comprar.

A verdade é que eu não desgosto totalmente do rosa e do azul, embora também não goste muito. Mas está tão, mas tão enraizada a ideia que essas cores têm de ser associadas a um género que prefiro nem ter nada assim. Um dos principais motivos é que eu quero ter mais filhos e quero aproveitar tudo, quanto mais neutro mais fácil. As coisas vão ser usadas tão pouco tempo que prefiro saber que são coisas que vou reutilizar independente do género de um hipotético segundo filho.

Não que eu me importe de vestir um menino de rosa ou uma menina de azul, mas se é já é difícil aturar críticas no abstrato, imaginem o que é aturar críticas no concreto. O que me pergunto muitas vezes é se as pessoas não se perguntam o porquê? Porquê estes estereótipos? E a resposta está aqui Por que rosa é cor "de menina" e azul, "de menino"?.

Percebem? Não há nada que leve a esta diferenciação, apenas o marketing e a publicidade sentiram necessidade de diferenciar. E para quê? Para venderem mais e mais.

Eles decidem e as pessoas comem tudo, sem reclamar, sem contestar, sem pensar.

No grupo das fraldas reutilizáveis que frequento existem mães que vendem fraldas em 2ª mão porque tiveram um menino e agora vão ter uma menina (ou vice-versa) e acham que os padrões não se adaptam. No caso das fraldas ainda por cima, estamos a falar de peças que andam tapadas.

Vendem fraldas em 2ª mão e acabam por comprar fraldas novas muitas vezes, por uma questão estética. Claro que as marcas agradecem, mais produzem, mais vendem, mais ganham... E nós mais consumimos, diariamente a consumir. Porque a publicidade e o marketing fazem-nos crer em coisas sem qualquer sentido. As marcas ditam regras e nós parecemos alucinados que não conseguimos pensar pela nossa própria cabeça. Fará isto qualquer sentido?

Eles querem vender e vender... e nós queremos ser consumidores e pessoas aceites pela sociedade, um bando de cordeirinhos. E surge mais uma vez o velho ciclo, mais consumimos, mais lixo produzimos, mais embalagens, mais viagens, mais energia.

E não é só nisto das cores das roupas dos bebés, mas como é isto que ando a viver mais de perto é a isto que tenho prestado mais atenção.

Imagem retirada de http://arosredondos.com/2014/10/22/weareblueandpink/

Já agora leiam a publicação de onde tirei esta imagem, fico contente porque há mais gente a pensar como eu: Rosa de menino, azul de menina.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Porque aos olhos de alguns, nem todos somos iguais...

No comments
Imagem retirada de https://www.facebook.com/cinismoilustrado/photos/a.680935531925188.1073741828.680929688592439/1095501070468630/?type=3&theater

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família

Se houve coisa que percebi nestes nove meses de gravidez é que realmente sou feminista. Eu sempre fui um bocadinho contra o feminismo porque sempre achei que a ideia estava ultrapassada. Mas a gravidez fez-me perceber que não. Eu acreditava que o feminismo estava ultrapassado porque no meu interior tinha a crença que a igualdade de género já era uma coisa bem assente e definida na sociedade. Como eu sou crédula!

Mas é importante saber o que é o feminismo, já dizia um professor que tive, "definam os conceitos".

Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de género.(in https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo

E ser feminista ao contrário do que muitas mulheres pensam por aí, não é achar que as mulheres são melhores ou especiais, pelo facto de serem mulheres. Também não tenho paciência para o dia da mulher porque em geral só oiço coisas deturpadas. Alguém acha mesmo que ás mulheres são mais inteligentes que os homens? Para mim, esse tipo de argumento está ao nível do homem ser mais inteligente que a mulher.

Há sempre alguém que já desenhou o que pensamos
Imagem retirada de http://cinismoilustrado.com/

O feminismo, no meu entender e o facto de se comemorar o dia internacional da mulher tem razão de ser porque se comemora a igualdade entre homens e mulheres. A qual, neste caso se refere sobretudo às mulheres terem conseguido ascender, pelo menos teoricamente, à mesma posição do homem, em termos de oportunidades e de possibilidade de escolha. Mas que também deveria ser os homens terem a oportunidade e a possibilidade de escolher coisas que são estereotipadas como de mulher. Nisto, o que eu quero dizer é que devíamos em vez de comemorar o dia da mulher, comemorar o dia da igualdade de género.

Mas pronto durante a gravidez apercebi-me de como esta igualdade de género não é real. E não é só o preconceito do homem para com a mulher, mas também o preconceito da mulher para com o homem.

Podem até me dizer que as mulheres e os homens são diferentes. E são, tal como as mulheres não são iguais entre si e os homens também não. Mas as grandes diferenças entre homens e mulheres residem na educação diferenciada, a qual começa logo dentro do útero.

Há coisas para meninas e para meninos desde o nascimento, a distinção entre sexo parece ser fundamental para 90% da população. E nem vale a pena voltar a contar as coisas que já ouvi porque já o referi aqui no blogue. Mas vejam esta notícia Neste catálogo, os meninos brincam com bonecas e as meninas com ferramentas. Parece que em algumas coisas estamos mesmo a retroceder na dita igualdade.

E nestes casos, acho que é muito mais difícil ser homem, ser menino. Uma menina que goste de coisas de menino é considerada com certo desdém maria-rapaz, mas aceita-se. Já um menino que goste de coisas ditas de menina é desde a sua infância referenciado com uma tendência homossexual. O que pode ser verdade ou não. Mas se de facto aquela criança, mais tarde, não se definir/sentir homossexual vai deixar os seus gostos para trás para não ser visto como homossexual. No caso de mais tarde se definir/sentir homossexual provavelmente vai passar a adolescência e mesmo parte da vida adulta a reprimir-se, pois desde pequeno que lhe passaram a ideia que ser homossexual é errado. Claro que há homossexuais sem qualquer problema em se assumirem, bem como heterossexuais sem problemas em terem gostos considerados de mulher, mas convinhámos que nem sempre é fácil numa sociedade sempre pronta a apontar o dedo.

Mas não é só nestes casos que acho que os homens são vistos ainda com mais preconceito. Outro aspecto que a gravidez me fez descobrir é que o papel do pai é amplamente renegado em relação ao papel da mãe. É verdade que é a mãe que carrega o filho no útero, que o pare, que amamenta e acredito mesmo que por isso estabeleça um elo com o bebé mais precocemente que o pai.

Mas isto não significa que a mãe tem ou deve ter um papel mais importante que o pai na vida daquela criança. Nem tão pouco que as mulheres estão mais preparadas para tratar de um bebé que os homens. E as que estão é sobretudo por uma questão de educação. Ser mãe não é mais importante que ser pai. E as funções de ambos não têm de ser diferentes, serão diferentes por uma questão de personalidade. Mas não há funções definidas para a mãe e outras para o pai. A harmonia familiar desenvolve-se quando o casal partilha as funções. Aliás, aquela história de o homem ajudar a mulher nas tarefas domésticas não é no meu entender a forma correcta de ver as coisas. As tarefas domésticas devem ser partilhadas, sem predomínio de um, tal como todas as outras decisões.

Mas voltando ao bebé, nos últimos tempos tenho ouvido muito por parte de pessoas mais velhas que não vou ter ninguém que me ajude, uma vez que já não tenho mãe. E não estou com isto a dizer que não sinto falta da minha mãe, sinto bastante, mas não neste caso específico. A minha sogra por vontade dela vinha ajudar-me a tratar do bebé durante as primeiras semanas, meses, eu sei lá. Mas não é só ideia dela, também na minha família me perguntaram se a minha sogra não vem cá para casa, uma vez que não tenho mãe, porque a pessoa precisa de ajuda pelo menos nos primeiros dias. Mas já ouvi pessoas pouco mais velhas que eu a dizer que nos primeiros tempos, a mãe ou a sogra têm de estar em casa para ajudar a dar banho, mudar a fralda, etc, etc.

E isto faz-me pensar, mas afinal para que serve o pai da criança? Sem menosprezar a ajuda das mães e das sogras que podem realmente ajudar, mas quem deve assumir o tratamento do bebé nos primeiros meses são os pais. A mãe e o pai, por isso existe a licença de maternidade e a licença de paternidade (a qual vai passar a 15 dias úteis depois do nascimento). A licença de paternidade não é para o pai ficar de papo para o ar de férias, é obviamente para tratar do bebé e criar os laços essenciais com este.

E o que me chateia é que não basta aqueles pais que não querem saber e acham que aquilo é competência da mulher. Como depois há as mulheres que passam atestados de incompetência ao homem. As mulheres em geral, desde a família paterna, à família materna e à sua própria mulher.

Claro que cada vez isto é uma realidade menos comum, mas ainda é demasiado vista para meu gosto.

Lembro-me de andar na primária e a professora perguntar se gostávamos mais da nossa mãe ou do nosso pai. Hoje em dia, percebo a tamanha estupidez de tal pergunta a crianças de sete ou oito anos. Quase todos disseram que gostavam mais da mãe, aos que disseram que gostavam mais do pai, a professora perguntou porquê com grande admiração. Mas o ideal não é que as crianças gostem de ambos da mesma forma? Se sintam tão confiantes com o pai como com a mãe? Eu penso que sim.

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