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segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Porque aos olhos de alguns, nem todos somos iguais...
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Cartazes partidários - poluição visual?
Faz hoje um mês que foram as eleições legislativas e não vale a pena falar aqui dos resultados, do suposto governo, da oposição ou do discurso do "nosso" querido líder. Tenho as minha opções bem definidas e bem pensadas.
O que eu quero falar é do lixo da campanha política, a quantidade de cartazes espalhados por todo o lado. E não estou a falar dos grandes outdoords, esses gostemos mais ou menos, estão lá quietos. Estou a falar daqueles que se colocam nos postes das ruas. Aqueles pequenos e frágeis que voam por todo o lado.
E há um partido que adora colocar esses cartazes, pelo menos aqui no município de Almada é poste sim, poste sim. Tantos que antes das eleições numa avenida contei mais de cinquenta cartazes. Normalmente colocam os cartazes e depois ficam durante meses e meses, para não falar anos, à espera que o vento os leve. Foi por este motivo que passado uma semana mais ou menos das eleições decidi enviar um email a este partido (com o qual tenho de referir que até compartilho diversas ideias) a dizer que acho que deviam proceder a uma limpeza, retirando os seus cartazes de forma a não andarem a voar por aí. O que sobretudo em sítios perto de rios e mar, eu vivo numa freguesia banhada pelo rio Tejo e o oceano Atlântico podem ter um destino não muito saudável. E se eles até se preocupam com o ambiente devem ter isso em consideração.
Como seria de esperar até hoje não tive qualquer resposta. E verdade seja dita, acho que não vou ter. Todavia, aqui à volta da minha casa desapareceram todos os cartazes desse partido. Como ultimamente a minha condição de grávida em fim de tempo me deixa algo limitada, não tenho visto se ainda se encontram muitos cartazes pelas nossas ruas. Será que decidiram limpar as ruas, retirando os cartazes? Se sim, fico imensamente contente. Será que simplesmente foi o vento forte de alguns dias que levou os cartazes para outro qualquer sítio? Nomeadamente para o rio e para o mar?
O que eu quero falar é do lixo da campanha política, a quantidade de cartazes espalhados por todo o lado. E não estou a falar dos grandes outdoords, esses gostemos mais ou menos, estão lá quietos. Estou a falar daqueles que se colocam nos postes das ruas. Aqueles pequenos e frágeis que voam por todo o lado.
E há um partido que adora colocar esses cartazes, pelo menos aqui no município de Almada é poste sim, poste sim. Tantos que antes das eleições numa avenida contei mais de cinquenta cartazes. Normalmente colocam os cartazes e depois ficam durante meses e meses, para não falar anos, à espera que o vento os leve. Foi por este motivo que passado uma semana mais ou menos das eleições decidi enviar um email a este partido (com o qual tenho de referir que até compartilho diversas ideias) a dizer que acho que deviam proceder a uma limpeza, retirando os seus cartazes de forma a não andarem a voar por aí. O que sobretudo em sítios perto de rios e mar, eu vivo numa freguesia banhada pelo rio Tejo e o oceano Atlântico podem ter um destino não muito saudável. E se eles até se preocupam com o ambiente devem ter isso em consideração.
Como seria de esperar até hoje não tive qualquer resposta. E verdade seja dita, acho que não vou ter. Todavia, aqui à volta da minha casa desapareceram todos os cartazes desse partido. Como ultimamente a minha condição de grávida em fim de tempo me deixa algo limitada, não tenho visto se ainda se encontram muitos cartazes pelas nossas ruas. Será que decidiram limpar as ruas, retirando os cartazes? Se sim, fico imensamente contente. Será que simplesmente foi o vento forte de alguns dias que levou os cartazes para outro qualquer sítio? Nomeadamente para o rio e para o mar?
Mas vamos ser sinceros tantos cartazes espalhados pelas ruas, além dos problemas de não serem retirados são cá uma poluição visual. E será que ter muitos cartazes vai influenciar os votos?
Imagem meramente ilustrativa de cartazes políticos da década de 70
Imagem retirada de https://pedromarquesdg.wordpress.com/category/cartazes/
domingo, 1 de novembro de 2015
Lixo: compensação ou punição monetária
A realidade nua e crua é que poucas pessoas se preocupam com os resíduos que fazem. Muitas não se preocupam por falta de conhecimento, não sabem os problemas que advém dos resíduos. Problemas ambientais e as consequências nos diversos ecossistemas, incluindo o nosso e a nossa saúde. Outras pessoas até sabem, mas pouco se importam.
Por isso para mim, o sistema de recolha de lixo devia apelar ao que todos se preocupam, que é ao dinheiro. Sim é isso, se os argumentos relativos ao planeta, ao ambiente, à saúde não são suficientes, o dinheiro fala quase sempre mais alto, infelizmente. A ideia de reduzir, reutilizar e reciclar teria mais adeptos se existisse alguma compensação ou punição relativa ao lixo produzido.
Tem circulado muito pelo facebook, um vídeo sobre as máquinas onde as pessoas trocam garrafas vazias por dinheiro. Este sistema é amplamente utilizado em diversos países europeus, quer através de máquinas, quer de pessoas em supermercados a receberem as garrafas. Faz-me lembrar o tempo em que quase todas as garrafas tinham tara recuperável e as pessoas levavam-nas para o supermercado. Mas porque é que deixaram quase de fazer garrafas com tara recuperável? Não eram garrafas muito mais amigas do ambiente? Sim eram. Mas convenceram as pessoas que a solução é reciclar, quando esta só devia ser a última solução, mas mesmo assim não obrigam ninguém a fazê-lo. Porquê? Porque não se instala um sistema decente.
O vídeo é este:
As pessoas põem as garrafas e recebem um vale para o supermercado. Segundo me disseram em alguns países mesmo que alguém deite uma garrafa no chão, há sempre quem a apanhe porque a pode trocar. As pessoas por dinheiro até apanham lixo, coisa que eu faço sem ser por dinheiro, se cá também pagassem acho que eu ainda apanharia mais. Sim o dinheiro também me faz falta para fazer o que eu gosto, coisas amigas do ambiente (quase sempre, na maioria das vezes pelo menos).
Isto é uma medida que compensa quem entrega os seus resíduos nos sítios correctos.
Mas também há medidas por punição, segundo me contaram na Holanda (pelo menos em algumas partes, não sei como funciona no país todo), as pessoas pagam o lixo indiferenciado ao quilograma. Por isso, tentam reduzir, reutilizar e reciclar tudo o que podem. Parece que o preço/kg por lixo indiferenciado não é assim tão barato quanto isso. Bem cá em Portugal, conhecendo as pessoas que conheço acho que começariam a mandar os sacos de lixo pela janela, por isso tinha de existir um belo sistema de fiscalização.
Mas na Holanda, a questão da cidadania é tão forte que parece que não passa pela cabeça de ninguém deixar lixo fora do sítio adequado ou deixar no caixote do vizinho, porque sabem que estão a prejudicar o país em geral ou o vizinho em particular. Nesta altura, acho que podia ser holandesa sem qualquer problema. Ainda pelo que me contaram, se alguém for apanhado a deixar lixo de qualquer tipo fora do sítio adequado apanha multas de milhares de euros (vejam só o que as autarquias portuguesas podiam ganhar). Em outros casos, há alguns tipos de lixo que ainda custam mais às pessoas, por exemplo, o lixo das fraldas descartáveis é caríssimo. Assim as pessoas são incentivadas a usar fraldas reutilizáveis. Se alguma fralda descartável for apanhada no lixo indiferenciado, a pessoa é multada. A questão das fraldas descartáveis terem este sistema é positivo por dois aspectos, por um lado incentiva as pessoas a utilizarem fraldas reutilizáveis, por outro lado as fraldas descartáveis têm um tratamento muito mais adequado, uma vez que são recolhidas de forma separada.
Parece ainda que em algumas autarquias holandesas, não sei se em todas mesmo, o lixo orgânico pode ser entregue para compostagem. Quem o entrega tem direito passado um tempo a uma belo composto para o seu jardim ou vasos. Isto não é excelente?
Isto parece um paraíso para os resíduos. A questão é que na Holanda quem não cumpre paga. E acho muito bem. É um sistema que funciona por punição, mas deve fazê-los pensar mais no seu consumo e consequentes resíduos.
A verdade é que nós também pagamos, na factura da água consta a taxa de resíduos urbanos (não tenho a certeza se é este o nome) que é indexada ao consumo da água. Isto não me parece muito lógico.
Afinal se eu faço comida em casa, se lavo a loiça, se vou ter um bebé que vai usar fraldas e toalhitas reutilizáveis vou usar mais água. Logo vou pagar mais resíduos que uma pessoa (usando um caso extremo) que compre comida pré-feita, use loiça descartavel, fraldas e toalhitas descartáveis. Quem faz mais lixo afinal?
As pessoas não se preocupam com os resíduos, nem com a sua correcta deposição, mas o nosso sistema também não ajuda. Se fossem implementadas medidas de compensação ou de punição pelo correcto/incorrecto depósito de resíduos, certamente não haveria tanto lixo espalhado por todo o lado.
As pessoas devem perceber o problema e quererem mudar pelo bem comum. Mas quando isso não acontece acho que devia haver políticas e iniciativas bem mais específicas.
Por isso para mim, o sistema de recolha de lixo devia apelar ao que todos se preocupam, que é ao dinheiro. Sim é isso, se os argumentos relativos ao planeta, ao ambiente, à saúde não são suficientes, o dinheiro fala quase sempre mais alto, infelizmente. A ideia de reduzir, reutilizar e reciclar teria mais adeptos se existisse alguma compensação ou punição relativa ao lixo produzido.
Tem circulado muito pelo facebook, um vídeo sobre as máquinas onde as pessoas trocam garrafas vazias por dinheiro. Este sistema é amplamente utilizado em diversos países europeus, quer através de máquinas, quer de pessoas em supermercados a receberem as garrafas. Faz-me lembrar o tempo em que quase todas as garrafas tinham tara recuperável e as pessoas levavam-nas para o supermercado. Mas porque é que deixaram quase de fazer garrafas com tara recuperável? Não eram garrafas muito mais amigas do ambiente? Sim eram. Mas convenceram as pessoas que a solução é reciclar, quando esta só devia ser a última solução, mas mesmo assim não obrigam ninguém a fazê-lo. Porquê? Porque não se instala um sistema decente.
O vídeo é este:
As pessoas põem as garrafas e recebem um vale para o supermercado. Segundo me disseram em alguns países mesmo que alguém deite uma garrafa no chão, há sempre quem a apanhe porque a pode trocar. As pessoas por dinheiro até apanham lixo, coisa que eu faço sem ser por dinheiro, se cá também pagassem acho que eu ainda apanharia mais. Sim o dinheiro também me faz falta para fazer o que eu gosto, coisas amigas do ambiente (quase sempre, na maioria das vezes pelo menos).
Isto é uma medida que compensa quem entrega os seus resíduos nos sítios correctos.
Mas também há medidas por punição, segundo me contaram na Holanda (pelo menos em algumas partes, não sei como funciona no país todo), as pessoas pagam o lixo indiferenciado ao quilograma. Por isso, tentam reduzir, reutilizar e reciclar tudo o que podem. Parece que o preço/kg por lixo indiferenciado não é assim tão barato quanto isso. Bem cá em Portugal, conhecendo as pessoas que conheço acho que começariam a mandar os sacos de lixo pela janela, por isso tinha de existir um belo sistema de fiscalização.
Mas na Holanda, a questão da cidadania é tão forte que parece que não passa pela cabeça de ninguém deixar lixo fora do sítio adequado ou deixar no caixote do vizinho, porque sabem que estão a prejudicar o país em geral ou o vizinho em particular. Nesta altura, acho que podia ser holandesa sem qualquer problema. Ainda pelo que me contaram, se alguém for apanhado a deixar lixo de qualquer tipo fora do sítio adequado apanha multas de milhares de euros (vejam só o que as autarquias portuguesas podiam ganhar). Em outros casos, há alguns tipos de lixo que ainda custam mais às pessoas, por exemplo, o lixo das fraldas descartáveis é caríssimo. Assim as pessoas são incentivadas a usar fraldas reutilizáveis. Se alguma fralda descartável for apanhada no lixo indiferenciado, a pessoa é multada. A questão das fraldas descartáveis terem este sistema é positivo por dois aspectos, por um lado incentiva as pessoas a utilizarem fraldas reutilizáveis, por outro lado as fraldas descartáveis têm um tratamento muito mais adequado, uma vez que são recolhidas de forma separada.
Parece ainda que em algumas autarquias holandesas, não sei se em todas mesmo, o lixo orgânico pode ser entregue para compostagem. Quem o entrega tem direito passado um tempo a uma belo composto para o seu jardim ou vasos. Isto não é excelente?
Isto parece um paraíso para os resíduos. A questão é que na Holanda quem não cumpre paga. E acho muito bem. É um sistema que funciona por punição, mas deve fazê-los pensar mais no seu consumo e consequentes resíduos.
A verdade é que nós também pagamos, na factura da água consta a taxa de resíduos urbanos (não tenho a certeza se é este o nome) que é indexada ao consumo da água. Isto não me parece muito lógico.
Afinal se eu faço comida em casa, se lavo a loiça, se vou ter um bebé que vai usar fraldas e toalhitas reutilizáveis vou usar mais água. Logo vou pagar mais resíduos que uma pessoa (usando um caso extremo) que compre comida pré-feita, use loiça descartavel, fraldas e toalhitas descartáveis. Quem faz mais lixo afinal?
As pessoas não se preocupam com os resíduos, nem com a sua correcta deposição, mas o nosso sistema também não ajuda. Se fossem implementadas medidas de compensação ou de punição pelo correcto/incorrecto depósito de resíduos, certamente não haveria tanto lixo espalhado por todo o lado.
As pessoas devem perceber o problema e quererem mudar pelo bem comum. Mas quando isso não acontece acho que devia haver políticas e iniciativas bem mais específicas.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Prioridade
Agora que estou grávida descobri essa coisa magnífica de ter prioridade. É um direito e acho muito bem. Mas tem dias...
Costumo ir para as filas de supermercado com caixas exclusivas (caso do Continente) ou com caixas prioritárias (caso do Jumbo). E dá-me imenso jeito, bem como nas finanças, por exemplo. Mas esta história da prioridade faz-me confusão, não as grávidas terem prioridade, mas outras pessoas que não têm.
Fui aos correios levantar uma encomenda e estavam cerca de cinco senhoras idosas à minha frente, o senhor que trabalha nos correios disse-me para eu passar à frente porque tenho prioridade. Recusei. Não estou com isto a dizer que todas as grávidas devem recusar, cada uma sabe como se sente. Mas a olhar para as senhoras com mais de setenta anos, algumas quase nos noventa e a olhar para mim, acho que mesmo com a aproximação do fim da gravidez tenho muito mais condições físicas para esperar do que elas, por isso recusei. É um direito é verdade e uso-o quando me sinto mais cansada ou quando a fila é composta por pessoas que se vê que estão visivelmente bem.
Lembro-me de uma vez, poucos meses antes de termos descoberto a doença da minha mãe, fomos tratar de qualquer coisa à Segurança Social. Isto foi em Agosto e aquilo estava lento, lento, uma quantidade de grávidas e de pessoas com crianças ao colo (na altura não havia senhas prioritárias, os prioritários chegavam à frente e eram atendidos). Esperamos eternidades para sermos atendidas. E não desconfiando que realmente algumas grávidas estivessem incapacitadas, lembro-me de a minha mãe me dizer que lhe custava muito mais esperar naquela altura em que estava saudável (bem afinal não estava) do que quando estava grávida.
A única coisa que realmente agradeço e aí aceito sempre é se alguém me der lugar num transporte público, único sítio onde realmente me custa estar em pé. Mas o mais engraçado é que já percebi que muitas vezes quem cede o lugar são os que aparentemente mais precisam deles. Por exemplo, há coisa de um mês fui lanchar a uma Padaria Portuguesa, os lugares estavam todos ocupados, muitos por pessoas que já tinham acabado de comer e apenas estavam a conversar ou a mexer no telemóvel. Eu em pé, à espera de lugar para me sentar e quem se levantou para me dar lugar foi um casal que ainda estava a comer. Eu disse bem alto para ver se os outros se tocavam "Obrigada, mas ainda estão a comer", o rapaz respondeu "Deixe estar, comemos em pé". E mais ninguém foi capaz de levantar o traseiro para me dar lugar ou ao casal que entretanto se tinha levantado e ficaram ali nos seus telemóveis e nas suas vidas sem pensarem que havia quem precisasse mais de estar sentado do que eles. A pessoa consumiu tem direito a usufruir do lugar, mas olhar à nossa volta não custa assim tanto.
Nisto, o que eu quero dizer é que mais do que o direito à prioridade ou o dever de dar prioridade devemos estar atentos às nossas condições e às das outras pessoas.
Costumo ir para as filas de supermercado com caixas exclusivas (caso do Continente) ou com caixas prioritárias (caso do Jumbo). E dá-me imenso jeito, bem como nas finanças, por exemplo. Mas esta história da prioridade faz-me confusão, não as grávidas terem prioridade, mas outras pessoas que não têm.
Fui aos correios levantar uma encomenda e estavam cerca de cinco senhoras idosas à minha frente, o senhor que trabalha nos correios disse-me para eu passar à frente porque tenho prioridade. Recusei. Não estou com isto a dizer que todas as grávidas devem recusar, cada uma sabe como se sente. Mas a olhar para as senhoras com mais de setenta anos, algumas quase nos noventa e a olhar para mim, acho que mesmo com a aproximação do fim da gravidez tenho muito mais condições físicas para esperar do que elas, por isso recusei. É um direito é verdade e uso-o quando me sinto mais cansada ou quando a fila é composta por pessoas que se vê que estão visivelmente bem.
Lembro-me de uma vez, poucos meses antes de termos descoberto a doença da minha mãe, fomos tratar de qualquer coisa à Segurança Social. Isto foi em Agosto e aquilo estava lento, lento, uma quantidade de grávidas e de pessoas com crianças ao colo (na altura não havia senhas prioritárias, os prioritários chegavam à frente e eram atendidos). Esperamos eternidades para sermos atendidas. E não desconfiando que realmente algumas grávidas estivessem incapacitadas, lembro-me de a minha mãe me dizer que lhe custava muito mais esperar naquela altura em que estava saudável (bem afinal não estava) do que quando estava grávida.
A única coisa que realmente agradeço e aí aceito sempre é se alguém me der lugar num transporte público, único sítio onde realmente me custa estar em pé. Mas o mais engraçado é que já percebi que muitas vezes quem cede o lugar são os que aparentemente mais precisam deles. Por exemplo, há coisa de um mês fui lanchar a uma Padaria Portuguesa, os lugares estavam todos ocupados, muitos por pessoas que já tinham acabado de comer e apenas estavam a conversar ou a mexer no telemóvel. Eu em pé, à espera de lugar para me sentar e quem se levantou para me dar lugar foi um casal que ainda estava a comer. Eu disse bem alto para ver se os outros se tocavam "Obrigada, mas ainda estão a comer", o rapaz respondeu "Deixe estar, comemos em pé". E mais ninguém foi capaz de levantar o traseiro para me dar lugar ou ao casal que entretanto se tinha levantado e ficaram ali nos seus telemóveis e nas suas vidas sem pensarem que havia quem precisasse mais de estar sentado do que eles. A pessoa consumiu tem direito a usufruir do lugar, mas olhar à nossa volta não custa assim tanto.
Nisto, o que eu quero dizer é que mais do que o direito à prioridade ou o dever de dar prioridade devemos estar atentos às nossas condições e às das outras pessoas.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Aquecer o Inverno de alguém...
Não sou muito adepta da ideia de caridade, dos pobrezinhos, esta ideia faz-me lembrar de um texto do livro da 1ª classe do Estado Novo, no qual os meus pais estudaram. Tenho um exemplar, uma relíquia, é bom para perceber o que ensinavam às crianças.
Mas sou adepta da solidariedade, embora ache que grande parte deve ser feita pelo Estado. Mas também acho que pode ser feita por empresas e pelos cidadãos comuns. Aliás, pode e deve ser feita por todos, acho que devemos fazer algo para melhorar o mundo em geral e o de alguém em particular. Não sou, contudo, das pessoas que faço mais para ajudar o próximo. Mas vou ajudando de alguma forma.
Acho que além de uma questão de solidariedade é uma questão de cidadania.
A questão dos sem-abrigo é-me próxima, uma vez que na área urbana onde se situa a minha loja é provavelmente um dos sítios com mais sem-abrigo de Lisboa. Os quais são meus clientes habituais.
Entre os sem-abrigo há pessoas de todo o tipo, simpáticos, antipáticos, bons, maus como todas as outras pessoas. Mas todos precisam de ajuda, embora eu acredite que mais do que ajuda ao nível de bens, precisam de ajuda a nível psicológico. Mas os bens materiais também lhes dão algum alento, sobretudo nos dias de Inverno, com longas noites de frio. A Comunidade Vida e Paz vai, neste sentido, distribuir mantas durante o mês de Novembro.
Podemos entregar as mantas na sede da Comunidade Vida e Paz na Rua Domingos Bomtempo, nº 7 - 1700-142 Lisboa ou nos balcões dos CTT, através das embalagens solidárias gratuitas.
Estas caixas solidárias que, por acaso, descobri poucos dias antes de saber desta iniciativa são caixas que podemos levantar em qualquer estação dos CTT a custo zero e que estão preparadas para enviar para diversas instituições. Basta pôr o que queremos na caixa, convém ver o que as instituições precisam, e assinalar a instituição em causa. Neste caso, a Comunidade Vida e Paz. Em outras ocasiões futuras espero enviar para outras instituições.
E assim, escolhi três mantas para enviar e juntei ainda um cachecol. É incrível que há pouco tempo tinha feito uma limpeza às coisas e já tinha dado bastante coisas para a Cáritas, mas consigo sempre encontrar mais coisas cá em casa. E sim, ainda fiquei com várias mantas. Será que é só a mim que me oferecem imensas mantas no Natal e no aniversário?
Mas sou adepta da solidariedade, embora ache que grande parte deve ser feita pelo Estado. Mas também acho que pode ser feita por empresas e pelos cidadãos comuns. Aliás, pode e deve ser feita por todos, acho que devemos fazer algo para melhorar o mundo em geral e o de alguém em particular. Não sou, contudo, das pessoas que faço mais para ajudar o próximo. Mas vou ajudando de alguma forma.
Acho que além de uma questão de solidariedade é uma questão de cidadania.
A questão dos sem-abrigo é-me próxima, uma vez que na área urbana onde se situa a minha loja é provavelmente um dos sítios com mais sem-abrigo de Lisboa. Os quais são meus clientes habituais.
Entre os sem-abrigo há pessoas de todo o tipo, simpáticos, antipáticos, bons, maus como todas as outras pessoas. Mas todos precisam de ajuda, embora eu acredite que mais do que ajuda ao nível de bens, precisam de ajuda a nível psicológico. Mas os bens materiais também lhes dão algum alento, sobretudo nos dias de Inverno, com longas noites de frio. A Comunidade Vida e Paz vai, neste sentido, distribuir mantas durante o mês de Novembro.
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| Imagem retirada de http://www.cvidaepaz.pt/site/troque-a-sua-manta-por-um-sorriso/ |
Podemos entregar as mantas na sede da Comunidade Vida e Paz na Rua Domingos Bomtempo, nº 7 - 1700-142 Lisboa ou nos balcões dos CTT, através das embalagens solidárias gratuitas.
Estas caixas solidárias que, por acaso, descobri poucos dias antes de saber desta iniciativa são caixas que podemos levantar em qualquer estação dos CTT a custo zero e que estão preparadas para enviar para diversas instituições. Basta pôr o que queremos na caixa, convém ver o que as instituições precisam, e assinalar a instituição em causa. Neste caso, a Comunidade Vida e Paz. Em outras ocasiões futuras espero enviar para outras instituições.
E assim, escolhi três mantas para enviar e juntei ainda um cachecol. É incrível que há pouco tempo tinha feito uma limpeza às coisas e já tinha dado bastante coisas para a Cáritas, mas consigo sempre encontrar mais coisas cá em casa. E sim, ainda fiquei com várias mantas. Será que é só a mim que me oferecem imensas mantas no Natal e no aniversário?
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| As mantas dentro da caixa Imagem própria |
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| A caixa fechada e preparada para seguir viagem Imagem própria |
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Pelo dever de votar (consciente)
E cá estamos nós novamente, prontinhos para irmos votar.
Votar é um direito, no meu entender, votar devia ser um dever. Votar é participarmos na vida no nosso país, é escolher, é em última instância continuarmos a homenagear todos aqueles que lutaram durante anos, muitas vezes pondo a sua vida em risco, para que hoje possamos votar.
Por isso devemos votar. Votar em consciência com aquilo que entendemos que é o melhor para nós e para o nosso país. Antes de votar devemos estar informados e pensarmos bem em quem votamos.
Acho que devemos realmente votar em quem acreditamos, ou pelo menos naqueles com quem mais nos identificamos. E não irmos pelo facilitismo do voto útil e da maioria absoluta.
E é sobre isso que eu quero falar, não vou dizer em quem voto, apenas dar a minha opinião sobre esta história do voto útil e de maiorias absolutas.
Isto serve para aquelas pessoas que me dizem, Votar nesses partidos é um desperdício, eu respondo Não! Votar em quem acreditamos é crer na mudança.
Ao contrário do que as pessoas costumam dizer nas eleições legislativas não votamos para eleger o primeiro-ministro. Votamos para eleger deputados, todos os distritos têm X deputados para eleger, o número de deputado varia conforme o número de habitantes do distrito.
Assim, não percebi o espanto da comunicação social a dizer há umas semanas que o PS pode ter mais votos que a coligação PàF, mas a PàF ser convocada a formar governo pois pelas sondagens parece ter mais deputados. Pois é isso, quem tem mais deputados é que forma governo.
A outra questão são os partidos, sobretudo os dois principais que normalmente dizem que precisam de uma maioria para governar. No meu entender, dar a maioria a um governo é dar-lhe todas as possibilidades de fazer o que querem, porque depois de serem governo, ninguém vê se realmente este cumpre o que prometeu durante a campanha eleitoral.
Para mim, um governo não necessita ser maioritário, precisa sim de conversar e de encontrar consensos com os deputados de outros partidos. Nem sequer deve ou precisa de ter uma coligação pós-eleitoral para governar. Precisa de governar de uma forma mais participativa e congregadora.
Quando trabalhamos em equipa cabe a todos decidir, até podemos ter um coordenador, mas todos devemos contribuir para o trabalho final. No fundo, o que vale termos tantos deputados, se grande parte deles têm disciplina de voto e se todos pensam da mesma forma. A assembleia têm uma função, os deputados têm a sua função, se votar fosse só para formar um governo maioritário, seria preciso tanta gente?
Se nós cidadãos comuns somos tão diferentes, não é estranho todos votarmos nos mesmos partidos? Nos mesmos cinco partidos, com destaque para dois grandes partidos. Só porque nos convencem que essa é a única solução possível. Porque dizem eles: "tem de existir estabilidade". Eles são políticos, pagos por todos nós, devem no meu entender saber chegar a consensos. Se não têm essa capacidade é porque, provavelmente, não têm competências para as funções que desempenham.
Acho que uma democracia madura pode muito bem ter um governo minoritário que saiba conversar com pequenos partidos, os quais podem conseguir levar as suas ideias em diante. Para isso é necessário haver cedências de ambas as partes, mas não é isso que fazemos todos os dias? Cedemos com a família, com os amigos, no trabalho. Porque eles não sabem ceder?
Nisto do voto útil, apenas vejo alguma utilidade em distritos que elegem pouquíssimos deputados, por exemplo, em Beja só se elegem 3 deputados. Logo muito dificilmente se vai conseguir eleger um deputado de um partido pequeno. Mas no meu distrito, esse caso nem se põe.
Com isto não quero dizer que não se vote nos partidos que estão representados na Assembleia, nem sequer digo para não votarem nos partidos que disputam a vitória nestas eleições.
Mas perguntem-se: Porque vou votar neste ou naquele partido? Concordo com o que eles defendem? Existe algum partido com o qual me identifique?
Voto útil não é nenhum voto que seja útil para os outros. Voto útil é aquele que nos é útil a nós.
Dia 4 de Outubro vamos votar em consciência.
Votar é um direito, no meu entender, votar devia ser um dever. Votar é participarmos na vida no nosso país, é escolher, é em última instância continuarmos a homenagear todos aqueles que lutaram durante anos, muitas vezes pondo a sua vida em risco, para que hoje possamos votar.
Por isso devemos votar. Votar em consciência com aquilo que entendemos que é o melhor para nós e para o nosso país. Antes de votar devemos estar informados e pensarmos bem em quem votamos.
Acho que devemos realmente votar em quem acreditamos, ou pelo menos naqueles com quem mais nos identificamos. E não irmos pelo facilitismo do voto útil e da maioria absoluta.
E é sobre isso que eu quero falar, não vou dizer em quem voto, apenas dar a minha opinião sobre esta história do voto útil e de maiorias absolutas.
Isto serve para aquelas pessoas que me dizem, Votar nesses partidos é um desperdício, eu respondo Não! Votar em quem acreditamos é crer na mudança.
Ao contrário do que as pessoas costumam dizer nas eleições legislativas não votamos para eleger o primeiro-ministro. Votamos para eleger deputados, todos os distritos têm X deputados para eleger, o número de deputado varia conforme o número de habitantes do distrito.
Assim, não percebi o espanto da comunicação social a dizer há umas semanas que o PS pode ter mais votos que a coligação PàF, mas a PàF ser convocada a formar governo pois pelas sondagens parece ter mais deputados. Pois é isso, quem tem mais deputados é que forma governo.
A outra questão são os partidos, sobretudo os dois principais que normalmente dizem que precisam de uma maioria para governar. No meu entender, dar a maioria a um governo é dar-lhe todas as possibilidades de fazer o que querem, porque depois de serem governo, ninguém vê se realmente este cumpre o que prometeu durante a campanha eleitoral.
Para mim, um governo não necessita ser maioritário, precisa sim de conversar e de encontrar consensos com os deputados de outros partidos. Nem sequer deve ou precisa de ter uma coligação pós-eleitoral para governar. Precisa de governar de uma forma mais participativa e congregadora.
Quando trabalhamos em equipa cabe a todos decidir, até podemos ter um coordenador, mas todos devemos contribuir para o trabalho final. No fundo, o que vale termos tantos deputados, se grande parte deles têm disciplina de voto e se todos pensam da mesma forma. A assembleia têm uma função, os deputados têm a sua função, se votar fosse só para formar um governo maioritário, seria preciso tanta gente?
Se nós cidadãos comuns somos tão diferentes, não é estranho todos votarmos nos mesmos partidos? Nos mesmos cinco partidos, com destaque para dois grandes partidos. Só porque nos convencem que essa é a única solução possível. Porque dizem eles: "tem de existir estabilidade". Eles são políticos, pagos por todos nós, devem no meu entender saber chegar a consensos. Se não têm essa capacidade é porque, provavelmente, não têm competências para as funções que desempenham.
Acho que uma democracia madura pode muito bem ter um governo minoritário que saiba conversar com pequenos partidos, os quais podem conseguir levar as suas ideias em diante. Para isso é necessário haver cedências de ambas as partes, mas não é isso que fazemos todos os dias? Cedemos com a família, com os amigos, no trabalho. Porque eles não sabem ceder?
Nisto do voto útil, apenas vejo alguma utilidade em distritos que elegem pouquíssimos deputados, por exemplo, em Beja só se elegem 3 deputados. Logo muito dificilmente se vai conseguir eleger um deputado de um partido pequeno. Mas no meu distrito, esse caso nem se põe.
Com isto não quero dizer que não se vote nos partidos que estão representados na Assembleia, nem sequer digo para não votarem nos partidos que disputam a vitória nestas eleições.
Mas perguntem-se: Porque vou votar neste ou naquele partido? Concordo com o que eles defendem? Existe algum partido com o qual me identifique?
Voto útil não é nenhum voto que seja útil para os outros. Voto útil é aquele que nos é útil a nós.
Dia 4 de Outubro vamos votar em consciência.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Os lápis IKEA - o exagero das coisas que não custam dinheiro
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| Imagem retirada dehttp://uk.reuters.com/article/2013/03/07/uk-ikea-expansion-idUKBRE92605X20130307 |
Pequenos gestos evitam muito lixo e desperdício.
Nas pequenas coisas do dia-a-dia podemos sempre tentar ser mais sustentáveis, numa visita ao Ikea fiquei a pensar nos lápis e naquelas pessoas que adoram roubar dezenas de lápis das lojas, isto para não dizer centenas.
Nunca tive tendência a tirar mais do que um lápis, afinal no máximo vou precisar de um. Mas há quem tire imensos, nomeadamente o meu pai e para quê? Para nada, não significa que não use nenhum, provavelmente até usa, um ou dois, os outros deixa ali numa gaveta qualquer. Basicamente é uma forma muito portuguesa de ser (não digo que somos os únicos) que é acumular tralha que seja grátis mesmo que não tenha nenhuma utilidade em geral ou não nos faça falta em concreto.
E não estou com isto a crucificar quem traz um lápis e até o utiliza, mas é mesmo necessário trazer 10 ou 20 lápis? Aliás 100 lápis como li num blogue alguém a gabar-se de o fazer.
Sou capaz de trazer o lápis que usei para anotar as referências, não tanto pelo lápis, mas porque me esqueço de os devolver. Mas desta última vez deixei logo o lápis de onde o tirei. No fim das compras reparei que nas caixas está um anúncio a pedir para os ajudarem a reutilizar os lápis ou seja para as pessoas os devolverem.
Da próxima vez que tirarem lápis e os tragam para casa pensem se realmente precisam daqueles lápis todos ou pelo menos se precisam de tantos. Vão mesmo utilizá-los? Vão ficar anos perdidos numa gaveta? Vão acabar no lixo?
Cada lápis produzido é energia e água gastas e matérias-primas, cada lápis no lixo comum é mais um bocadinho de um aterro cheio inutilmente.
sábado, 12 de setembro de 2015
Beatas dão respostas em Londres
Nem de propósito, no dia em que escrevi a postagem Tabaco, um país sem beatas é utopia no site Dinheiro Vivo apareceu esta notícia Londres lança jogos para tentar reduzir beatas de cigarros na rua. Acho esta ideia genial. Não que resolva o problema por si, mas é uma boa forma de reduzir a quantidade de beatas no chão e pode ser que consiga alertar algumas pessoas.
Por isso se forem a Londres ou morarem lá e fumarem votem nos vários inquéritos. Se não moram lá, nem vão lá em passeio, procurem outro sítios para deixar as vossas beatas que não seja o chão.
Por isso se forem a Londres ou morarem lá e fumarem votem nos vários inquéritos. Se não moram lá, nem vão lá em passeio, procurem outro sítios para deixar as vossas beatas que não seja o chão.
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| Imagem retirada de http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/interior.aspx?content_id=4762064 |
domingo, 6 de setembro de 2015
Consumo consciente
Tentar ser mais sustentável não significa deixar de consumir, claro que deve significar consumir menos, mas no meu entender está relacionado, sobretudo, com ser consciente do nosso consumo.
A sociedade em que vivemos é consumista, mas a não ser que queiramos de todo romper com esta sociedade, vamos ter inevitavelmente que trabalhar, ganhar dinheiro, consumir. Podemos tentar fugir disto tudo e viver à margem da sociedade, há quem consiga e assim seja feliz. Mas esse não é o meu caminho, senão também teria de viver à margem de uma quantidade de coisas que gosto. Talvez viva à semi-margem, mas de forma integrada.
Acho que o primeiro passo para termos um consumo mais consciente é conhecermos-nos a nós próprios, conhecermos realmente quais as nossas necessidades e anseios. Claro que se alguém no fundo se está a marimbar para o ambiente e para as gerações futuras, podemos logo anular a ideia do consumo consciente.
Acho que estas são realmente perguntas que devemos fazer constantemente. Ver a nossa real necessidade de comprar algo (bem podemos sempre comprar algumas coisas por capricho, mas se chegarmos à conclusão que tudo o que compramos é por capricho, se calhar não estamos a ser nada sustentáveis). Decidir o que comprar, como vamos comprar e de quem comprar (acho esta questão essencial). Ter atenção a como usamos o produto, por exemplo, não é por ter sido barato que não devemos ter cuidado e prolongar-lhe a vida. E muito importante como o descartar.
Claro que por mais sustentáveis que sejamos, nem sempre as nossas opções são as melhores em termos ambientais. Mas seja como for é bom ter essa noção. Se eu compro uma cadeira no IKEA feita na China, quando a podia ter comprado uma fabricada em Paços de Ferreira, sei que não estou a ser o mais sustentável possível, tenho essa noção. Então talvez deva compensar de outra forma.
Um consumo mais sustentável significa em muitos casos uma poupança económica, se consumismo menos, gastamos menos. Mas também pode significar um acréscimo de custos, afinal o consumo consciente deverá ter como preocupação a origem dos produtos, no que respeita às questões ambientais e sociais.
Assim, ao se ter um consumo consciente estamos a contribuir para a melhoria ambiental, social (nomeadamente das condições de trabalho) e também económica, não numa escala global, mas numa escala local. Apostar na economia local é um caminho para melhorar a nossa própria vida a todos os níveis. Quando damos valor ao cumprimento de questões sociais por parte das empresas, com destaque para as questões laborais, estamos a contribuir para uma distribuição da riqueza mais igualitária, e ainda a melhorar a sustentabilidade do planeta.
A sociedade em que vivemos é consumista, mas a não ser que queiramos de todo romper com esta sociedade, vamos ter inevitavelmente que trabalhar, ganhar dinheiro, consumir. Podemos tentar fugir disto tudo e viver à margem da sociedade, há quem consiga e assim seja feliz. Mas esse não é o meu caminho, senão também teria de viver à margem de uma quantidade de coisas que gosto. Talvez viva à semi-margem, mas de forma integrada.
Acho que o primeiro passo para termos um consumo mais consciente é conhecermos-nos a nós próprios, conhecermos realmente quais as nossas necessidades e anseios. Claro que se alguém no fundo se está a marimbar para o ambiente e para as gerações futuras, podemos logo anular a ideia do consumo consciente.
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| Imagem retirada de http://saama-cerquilho.blogspot.pt/2014/10/15-de-agosto-dia-do-consumo-consciente.html |
Acho que estas são realmente perguntas que devemos fazer constantemente. Ver a nossa real necessidade de comprar algo (bem podemos sempre comprar algumas coisas por capricho, mas se chegarmos à conclusão que tudo o que compramos é por capricho, se calhar não estamos a ser nada sustentáveis). Decidir o que comprar, como vamos comprar e de quem comprar (acho esta questão essencial). Ter atenção a como usamos o produto, por exemplo, não é por ter sido barato que não devemos ter cuidado e prolongar-lhe a vida. E muito importante como o descartar.
Claro que por mais sustentáveis que sejamos, nem sempre as nossas opções são as melhores em termos ambientais. Mas seja como for é bom ter essa noção. Se eu compro uma cadeira no IKEA feita na China, quando a podia ter comprado uma fabricada em Paços de Ferreira, sei que não estou a ser o mais sustentável possível, tenho essa noção. Então talvez deva compensar de outra forma.
Um consumo mais sustentável significa em muitos casos uma poupança económica, se consumismo menos, gastamos menos. Mas também pode significar um acréscimo de custos, afinal o consumo consciente deverá ter como preocupação a origem dos produtos, no que respeita às questões ambientais e sociais.
Assim, ao se ter um consumo consciente estamos a contribuir para a melhoria ambiental, social (nomeadamente das condições de trabalho) e também económica, não numa escala global, mas numa escala local. Apostar na economia local é um caminho para melhorar a nossa própria vida a todos os níveis. Quando damos valor ao cumprimento de questões sociais por parte das empresas, com destaque para as questões laborais, estamos a contribuir para uma distribuição da riqueza mais igualitária, e ainda a melhorar a sustentabilidade do planeta.
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| Imagem retirada de http://economia.ig.com.br/dia-do-consumidor/2015-03-15/crise-da-agua-pode-levar-a-consumo-consciente-mas-governos-precisam-atuar.html |
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Tabaco, um país sem beatas é utopia
Que fumar faz mal à saúde todos sabem, logo fumar é uma decisão pessoal. Quem fuma sabe ou devia saber as implicações que isso traz para a sua saúde. Que fumar prejudica a saúde alheia acho que as pessoas também sabem, por isso devem ter cuidado onde fumam e perto de quem fumam.
Mas fumar não prejudica só a saúde alheia daqueles que estão perto do fumador. Porque fumar contribui para a poluição do ar, água e solos. Sim da água e dos solos porque os restos de cigarros, os filtros dos cigarros são deixados por todo o lado. Acho que os fumadores nem têm noção disso.
O filtro de um cigarro demora no mínimo 2 anos para se decompor, o que é tempo mais que suficiente para ser levado para rios e mares, ser comido por animais terrestres e marinhos, prejudicando assim a vida de vários seres.
Nesta questão, claro que não são os únicos resíduos a prejudicar o ambiente, mas se repararmos são daqueles que menos pessoas cuidam. Um fumador é capaz de reutilizar, reciclar e isso tudo com muito cuidado. Mas acho que normalmente não tem muito cuidado onde deixa as suas beatas. Por isso acho que os espaços públicos deviam estar equipados com cinzeiros. Esta questão devia ser uma preocupação dos fumadores, mas também dos municípios.
No outro dia, estava no interior de um café e na esplanada estavam uns turistas, assim de ar nórdico, iam fumar e vieram pedir o cinzeiro. Raramente em Portugal vejo pessoas numa esplanada a pedirem o cinzeiro para já não dizer das que têm cinzeiro e mesmo assim mandam as cinzas e beatas para o chão.
Todos os dias varro imensas beatas da arcada da minha loja, as quais depois meto no lixo indiferenciado. Mas certamente são muitas mais as beatas que eu não varro do que as que apanho.
Para terminar, ainda há outra coisa que me irrita profundamente, cá em casa ninguém fuma, mas claro que às vezes recebemos algumas pessoas que fumam. E se ninguém fuma dentro da casa propriamente dita, ninguém se coíbe de fumar no quintal e atirar as beatas para o chão. O quintal também é nossa casa, onde temos as nossas flores, os nossos animais, a nossa horta. E mais uma vez digo, acho que ninguém o faz por mal, é a falta de conhecimento ou simplesmente o não pensarem num gesto que se tornou habitual.
Mas fumar não prejudica só a saúde alheia daqueles que estão perto do fumador. Porque fumar contribui para a poluição do ar, água e solos. Sim da água e dos solos porque os restos de cigarros, os filtros dos cigarros são deixados por todo o lado. Acho que os fumadores nem têm noção disso.
O filtro de um cigarro demora no mínimo 2 anos para se decompor, o que é tempo mais que suficiente para ser levado para rios e mares, ser comido por animais terrestres e marinhos, prejudicando assim a vida de vários seres.
Nesta questão, claro que não são os únicos resíduos a prejudicar o ambiente, mas se repararmos são daqueles que menos pessoas cuidam. Um fumador é capaz de reutilizar, reciclar e isso tudo com muito cuidado. Mas acho que normalmente não tem muito cuidado onde deixa as suas beatas. Por isso acho que os espaços públicos deviam estar equipados com cinzeiros. Esta questão devia ser uma preocupação dos fumadores, mas também dos municípios.
No outro dia, estava no interior de um café e na esplanada estavam uns turistas, assim de ar nórdico, iam fumar e vieram pedir o cinzeiro. Raramente em Portugal vejo pessoas numa esplanada a pedirem o cinzeiro para já não dizer das que têm cinzeiro e mesmo assim mandam as cinzas e beatas para o chão.
Todos os dias varro imensas beatas da arcada da minha loja, as quais depois meto no lixo indiferenciado. Mas certamente são muitas mais as beatas que eu não varro do que as que apanho.
Para terminar, ainda há outra coisa que me irrita profundamente, cá em casa ninguém fuma, mas claro que às vezes recebemos algumas pessoas que fumam. E se ninguém fuma dentro da casa propriamente dita, ninguém se coíbe de fumar no quintal e atirar as beatas para o chão. O quintal também é nossa casa, onde temos as nossas flores, os nossos animais, a nossa horta. E mais uma vez digo, acho que ninguém o faz por mal, é a falta de conhecimento ou simplesmente o não pensarem num gesto que se tornou habitual.
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| Imagem retirada de https://ajologoexisto.wordpress.com/2012/09/25/as-beatas-de-cigarro-sao-extremamente-poluentes/ |
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Recolha do lixo em Lisboa
A recolha do lixo na cidade de Lisboa é algo que me transtorna, quer dizer não é bem o sistema de recolha em si, mas o incumprimento das pessoas.
A recolha faz-se porta-a-porta, sendo que dependendo do dia, varia o tipo de lixo a recolher. Não moro em Lisboa, mas a minha loja é na cidade e naquele sítio em específico a recolha funciona assim:
- Lixo orgânico: 2ªfeira, 4ªfeira e 6ªfeira
- Embalagens: 3ªfeira e Sábado
- Papel/Cartão: 5ªfeira
As pessoas devem proceder à colocação do respectivo caixote na rua depois das 19 horas do dia de recolha e guardá-lo até às 10 horas do dia seguinte.
Mas é costume em diversos prédios ninguém recolher o caixote, deixarem sacos pela rua com qualquer tipo de lixo quando bem lhes apetece, quando alguém vai recolher o caixote, este já estar cheio de outros resíduos. Conclusão, um verdadeiro caos lixeiro, o que me irrita imenso.
Ontem deixámos o caixote do papel/cartão na rua e hoje antes das 9 horas da manhã, cheguei à loja para o recolher. E como ele estava? Cheio até cima de lixo indiferenciado. Podia guardá-lo na loja, cheio de lixo que não era meu, nem sequer era papel, o problema é que só voltariam a despejar aquele caixote na próxima 5ªfeira. Logo iria causar um cheiro nauseabundo dentro da loja, iria provavelmente estragar algum cartão no dia da recolha. Portanto, não era solução.
Podia também deixar o caixote ali na rua até ser despejado, provavelmente só na próxima 5ªfeira, também não me pareceu solução.
Assim decidi telefonar para a Câmara Municipal e explicar o sucedido, deram-me o número para telefonar directamente para o Departamento de Higiene Urbana. Por volta das 9 horas e 30 minutos consegui falar com eles e explicar que tinha o caixote cheio de lixo indiferenciado que nem sequer era meu. A senhora muito simpática disse-me para não o recolher que passaria alguém na rua para recolher esse lixo e limpar o meu caixote. Disse-lhe que só estaria na loja até às 12 horas, ao que ela me garantiu que até essa hora alguém iria lá.
E assim foi, ainda não eram 10 horas e já lá estava uma carrinha a recolher o lixo, fiquei toda contente, pude finalmente recolher o caixote todo limpinho.
Mudei um pouco a minha opinião sobre a recolha de lixo em Lisboa, achei o serviço super eficiente, bastante atentos às queixas dos cidadãos. No fundo, o sistema porta-a-porta funciona pior porque ninguém o cumpre, nem está muito preocupado com isso, do que propriamente por ser um mau sistema. Claro que se já viram que não funciona deviam tentar melhorar, mas gostei muito da rapidez de resolução da situação.
E assim, posso concluir que se formos mais participativos na vida da nossa cidade, esta pode melhorar. Muitas vezes criticamos para o ar e não a quem devemos e isso é um erro, pois não soluciona nada, nem melhora coisa alguma do nosso dia-a-dia. Uma sociedade só melhora se formos mais cidadãos e cumprirmos os nossos direitos e deveres.
A recolha faz-se porta-a-porta, sendo que dependendo do dia, varia o tipo de lixo a recolher. Não moro em Lisboa, mas a minha loja é na cidade e naquele sítio em específico a recolha funciona assim:
- Lixo orgânico: 2ªfeira, 4ªfeira e 6ªfeira
- Embalagens: 3ªfeira e Sábado
- Papel/Cartão: 5ªfeira
As pessoas devem proceder à colocação do respectivo caixote na rua depois das 19 horas do dia de recolha e guardá-lo até às 10 horas do dia seguinte.
Mas é costume em diversos prédios ninguém recolher o caixote, deixarem sacos pela rua com qualquer tipo de lixo quando bem lhes apetece, quando alguém vai recolher o caixote, este já estar cheio de outros resíduos. Conclusão, um verdadeiro caos lixeiro, o que me irrita imenso.
Ontem deixámos o caixote do papel/cartão na rua e hoje antes das 9 horas da manhã, cheguei à loja para o recolher. E como ele estava? Cheio até cima de lixo indiferenciado. Podia guardá-lo na loja, cheio de lixo que não era meu, nem sequer era papel, o problema é que só voltariam a despejar aquele caixote na próxima 5ªfeira. Logo iria causar um cheiro nauseabundo dentro da loja, iria provavelmente estragar algum cartão no dia da recolha. Portanto, não era solução.
Podia também deixar o caixote ali na rua até ser despejado, provavelmente só na próxima 5ªfeira, também não me pareceu solução.
Assim decidi telefonar para a Câmara Municipal e explicar o sucedido, deram-me o número para telefonar directamente para o Departamento de Higiene Urbana. Por volta das 9 horas e 30 minutos consegui falar com eles e explicar que tinha o caixote cheio de lixo indiferenciado que nem sequer era meu. A senhora muito simpática disse-me para não o recolher que passaria alguém na rua para recolher esse lixo e limpar o meu caixote. Disse-lhe que só estaria na loja até às 12 horas, ao que ela me garantiu que até essa hora alguém iria lá.
E assim foi, ainda não eram 10 horas e já lá estava uma carrinha a recolher o lixo, fiquei toda contente, pude finalmente recolher o caixote todo limpinho.
Mudei um pouco a minha opinião sobre a recolha de lixo em Lisboa, achei o serviço super eficiente, bastante atentos às queixas dos cidadãos. No fundo, o sistema porta-a-porta funciona pior porque ninguém o cumpre, nem está muito preocupado com isso, do que propriamente por ser um mau sistema. Claro que se já viram que não funciona deviam tentar melhorar, mas gostei muito da rapidez de resolução da situação.
E assim, posso concluir que se formos mais participativos na vida da nossa cidade, esta pode melhorar. Muitas vezes criticamos para o ar e não a quem devemos e isso é um erro, pois não soluciona nada, nem melhora coisa alguma do nosso dia-a-dia. Uma sociedade só melhora se formos mais cidadãos e cumprirmos os nossos direitos e deveres.
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