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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Demasiado adultos ou demasiado infantis?

Há uns meses fiz uma publicação intitulada Crianças... que futuro? Tecnologia ou natureza, na qual refiro a minha preocupação relativamente às crianças actuais estarem cada vez mais afastadas da natureza e da vida real. Parece que as crianças crescem dentro de um mundo virtual.

Este ano no Natal decidi oferecer à minha sobrinha que tem oito anos um livro e um dinossauro para montar. O livro que escolhi foi o "Meu Pé de Laranja Lima" de José Mauro de Vasconcelos que "retrata a história de um menino de cinco anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa. Zezé tinha muitos irmãos, a sua mãe trabalhava numa fábrica, o pai estava desempregado, e como tal passavam por muitas dificuldades, pelo que eram as irmãs mais velhas que tomavam conta dos mais novos, por sua vez, Zezé tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luiz." in https://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_P%C3%A9_de_Laranja_Lima. 

Imagem retirada de http://www.ch.ufcg.edu.br/petletras/index.php/resenhas/resenhas/76-resenha-jtorquato
Decidi oferecer-lhe este livro porque também o li quando era pequena e marcou-me imenso. Na altura lembro-me de chorar baba e ranho e pensar como a vida era difícil para algumas pessoas. Ainda estive indecisa entre oferecer-lhe este e "O Mundo em que vivi" da Ilse Losa, mas que achei que era um bocado pesado para uma criança de oito anos, embora eu também o tenha lido nessa altura e também tenha chorado assim de forma torrencial.

Mas fiquei mesmo contente com as prendas que escolhi, o livro para desenvolver a parte humana, o dinossauro para desenvolver a parte científica. Achei que eram presentes ideais para uma criança de oito anos. Mas bem, talvez posteriormente ela até tenha gostado, mas quando desembrulhou senti no seu rosto uma grande desilusão, o que me fez ficar a mim desiludida também. Por seu lado, adorou a prenda que o avô lhe deu, dinheiro, coisa que eu não gosto que se dê às crianças. Para mim dar dinheiro é uma não-prenda, mas pronto isso sou eu.

Mas a minha sobrinha adorou receber dinheiro porque quer um Iphone e quer juntar dinheiro para o comprar. E é aí que eu me sinto completamente ultrapassada. Para que raio uma criança de oito anos que já tem um smartphone quer um iphone? Não consigo atingir. A única resposta que me surge na cabeça é estatuto social, o que me dá que pensar que é estranho na escola primária (aí como sou velha a usar este termo) já pensarem no estatuto social mesmo que de forma inconsciente. Mas não vejo outra explicação para a sua loucura pelo iphone. Bem talvez porque eu não sei a diferença entre um iphone e qualquer outro smartphone, quer dizer sei que o sistema operativo é diferente, e daí?

Mas o que vejo é uma vontade imensa das crianças serem adultas, vestirem-se como adultos, utilizarem os acessórios e produtos dos adultos. Será que as crianças não percebem que devem brincar. Quando eu tinha oito anos, em 1994, eu queria brincar, ler, eu queria ser criança e até sempre fui uma criança bem adulta no que respeita a maturidade, mas eu não queria ter uma vida de adulto. Aliás, eu nunca quis ter uma vida de pessoa mais velha do que aquilo que era. Talvez porque li o "Meu pé de laranja lima" e sabia que os adultos tinham vidas complicadas.

Há uns tempos lembro-me de andar numa formação e a formadora contar-nos que tinha ouvido duas meninas com cerca de dez anos a falarem sobre qual tinha o melhor alisador de cabelo. Que crianças estranhas.

Nisto tudo, eu não acho que se deva infantilizar as crianças, antes pelo contrário, acho que lhes devemos dar consciência do mundo em que vivem e deixar fazer coisas de adultos. Mas também devem ser crianças, aliás antes de tudo devem ser crianças. Devem ser crianças com noção do mundo à sua volta, mas do mundo real. Mas a ideia que eu tenho é que cada vez queremos crianças que crescem mais depressa, crianças vestidas de acordo com a moda que usam toda a tecnologia, mas que não sabem como cresce uma flor, onde correm os rios. Não sabem as histórias dos seus antepassados, no fundo não sabem o que é o mundo. Crescem depressa demais numas coisas e noutras demasiado devagar.

Diria que são pequenos adultos demasiado infantis.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/565524310182468/photos/a.912477722153790.1073741871.565524310182468/921392474595648/?type=3&theater

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AMOR

Continuo sem muito tempo para vir ao blogue, não que não consiga vir de todo, mas valores mais altos se levantam. Mas agora que está a acabar o ano, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo.

A nível pessoal o meu ano de 2015 foi magnífico, a nível mundial nem por isso, espero que o próximo ano seja melhor. Que exista mais amor, se existir mais amor ao próximo, humanos, animais e plantas, isto seria um lugar melhor certamente.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Pensamento sobre o ser humano

O meu menino está quase a fazer um mês. Dois ou três depois dele nascer, cá no quintal nasceu um cabrito. No outro dia olhei para o cabrito e pensei na fragilidade do ser humano, este cabrito nasceu, ergueu-se logo e mamou sem ajuda, hoje corre e embora ainda não coma já vai beliscando. Anda ao frio, ao calor, à chuva e não precisa que o deitem, o lavem, etc, etc.

Este cabrito é mais novo que o meu filho e muito mais desenvolvido. O ser humano é dos poucos animais que passam meses sem saber fazer nada. Mas é o ser humano que vai matar os cabritos.

Mas imaginemos, se quando nasceram tivessem sido ambos abandonados, o cabrito tinha muito mais possibilidade de sobreviver que o meu filho. A natureza dá que pensar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Os sedentários atletas

Nada contra quem vai a ginásios, até porque se eu tivesse alguma coisa contra, não falava à maior parte das pessoas que conheço, mas lembrei-me de uma fotografia que vi há muitos anos.

Estava eu no primeiro ano da faculdade e na cadeira de Geografia Social e Cultural, o professor mostrou-nos uma fotografia da incongruência da sociedade actual. A fotografia retratava um ginásio e toda a gente nas escadas rolantes a entrar e a sair do ginásio. Ele depois começou a dissertar sobre o porquê de sermos tão sedentários e depois termos a necessidade de nos fecharmos para fazermos exercício físico. Claro que nessa altura mencionou o facto de termos um dos melhores climas do mundo para a prática de desporto ao ar livre e muitas vezes não o aproveitarmos.

A imagem não era esta, mas era idêntica.

Imagem retirada de https://bicycledutch.wordpress.com/2013/04/18/going-for-a-swim/

Claro que eu sei que ir ao ginásio não é só ir correr para passadeiras, há imensos exercícios, máquinas e aulas. Mas não deixa de ser curioso como somos uma sociedade de sedentários que têm sempre de estacionar o automóvel à porta e depois vão correr em passadeiras eléctricas. Vamos usar energia eléctrica para gastarmos a nossa energia pessoal.

Todavia, acho que as coisas têm melhorado em Portugal no que a isto se refere. Cada vez vemos mais pessoas a fazerem exercício na rua, corrida, caminhadas, andar de bicicleta e a aproveitarem o bom tempo.

Mas bem eu sou sedentária mesmo, nem faço exercício em ginásios nem na rua. Quer dizer pertenço a um grupo de caminhadas, mas daquelas a sério com longas caminhadas que começam às 8 da manhã e duram todo o dia... mas fui apenas à primeira caminhada, mais de 20km, não me custou nada, aliás adorei... mas no dia anterior descobri que estava grávida, logo fui à primeira caminhada e achei logo melhor reduzir para caminhadas mais curtas.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Presentes de Natal

E hoje falta exactamente um mês para a véspera de Natal. Para o dia que todos damos presentes, recebemos presentes e tal. Eu gosto da ideia de dar presentes no Natal, a ideia de trocar presentes como simbologia. Dar algo porque nos lembramos daquela pessoa. Por isso mesmo nunca gostei de receber dinheiro, nem gosto da ideia que algumas famílias têm de apenas dar presentes às crianças. Porque numa família acho que todos têm direito a receber um mimo e uma lembrança.

E os presentes de Natal não precisam de ser coisas espectaculares e caríssimas, adoro aquelas pequenas lembranças, sim sou daquelas que gosto de receber pares de meias, aliás sempre gostei. Os presentes de Natal devem ser lembranças, simples e sinceras.

Assim, gosto do Natal nesse sentido, mas não gosto muito do consumismo exagerado, dos anúncios e tenho horror a centros comerciais nos dias anteriores ao Natal. Há uns dois anos lembrei-me de ir à ToysRus na antevéspera de Natal comprar a prenda para a minha sobrinha e jurei para nunca mais.

Nos últimos anos quase sempre dou algumas lembranças feitas por mim, frascos de doce, chutney, bolos (sim já dei bolos) ou caixinhas que pintei. Acho sempre que as pessoas nunca ficam a pensar "wow que bom um doce", mas pronto, eu dou o que acho que devo dar e pronto. Este ano, ainda, tenho dúvidas se vou conseguir fazer o que quero dar a tempo, se conseguir depois mostro.

Mas se eu sou contra o consumismo desmedido como posso estar aqui a incentivar as prendas? Pois, por isso mesmo, acho que podemos dar prendas sem tentar que seja um consumismo louco. E, normalmente sigo algumas ideias:

  • Oferecer mesmo algo que a pessoa precise ou queira muito: até pode ser algo pouco amigo do ambiente e que venha da China, se sabemos de antemão que determinada pessoa vai mesmo comprar aquilo podemos sempre oferecer;

  • Oferecer lembranças feitas por nós: estas lembranças podem ser mais ou menos ecológicas, depende do que fizermos, eu quando ofereço os doces estou a reutilizar frascos, logo acho que até contribui para a redução do desperdício. Mas também podemos fazer coisas com materiais comprados, neste caso, estamos a dar o nosso cunho pessoal e a mostrar à pessoa que fizemos algo para ela em concreto, acho que isso é o espírito natalício;

  • Oferecer produtos alimentares produzidos em Portugal: estes presentes têm realmente uma função, sabemos que as pessoas os vão comer, logo não vão (em princípio) ficar esquecidos em qualquer canto durante anos. Ao escolhermos produtos feitos em Portugal estamos a divulgar os produtos endógenos e a estimular a economia e ainda contribuímos para a menor importação (e consequente poluição) de produtos vindos do outro lado do mundo. Por exemplo, o meu namorado costuma muito oferecer garrafas de vinho, uma lembrança barata, nacional e que sabe que as pessoas lhe vão dar uso. A ideia é só dizer "lembrei-me de ti". Há uns anos andei a oferecer uns pacotes super fofinhos da Loja das Conservas, quem é de Lisboa passe por lá ou pela Conserveira de Lisboa, de certeza que vão encontrar algo para alguém;

  • Oferecer produtos artesanais: o que não falta nesta altura do ano são pequenas feiras de artesanato por aí, nada ao nível de cidades como Londres, mas pronto já temos várias. Ao comprarmos produtos artesanais estamos a dar presentes únicos e a ajudar pequenos artesãos, os quais nem sempre têm facilidade de vender numa economia super competitiva;

  • Oferecer livros: convém que seja a alguém que goste de ler, pode não ser o presente mais ecológico, mas um livro é sempre uma viagem e sempre uma mais-valia, os livros podem viver anos e tornar gerações felizes;

  • Oferecer plantas: se temos dúvidas do que oferecer a alguém, uma planta é sempre uma boa ideia, mas assim uma planta num vaso, podemos evitar os ramos bonitos que dali a uns dias já estão mortos. Oferecer uma planta é oferecer vida a uma casa;

  • Oferecer presentes solidários: estes presentes possibilitam-nos oferecer algo a alguém querido e ajudar outro alguém, estou a lembrar-me por exemplo dos presentes Unicef que até se costumam vender nos supermercados, mas há muitas mais instituições, por exemplo há uns anos comprei para mim uma tshirt do loja do Movimento ao Serviço da Vida. Adorava a tshirt, aliás ainda a tenho, mas acho que nunca mais me vai voltar a servir. Mas há muitas mais instituições que fazem estes produtos que podem ser bons presentes;

  • Oferecer bilhetes para espectáculos ou outras actividades: outra coisa que vou tendo por hábito oferecer, claro que não a toda a gente, depende das pessoas, mas volta e meia lá ofereço, são bilhetes para teatro, o único problema às vezes é escolher as datas. Não estamos a oferecer um bem material, mas estamos a oferecer uma experiência, acho que é algo bem positivo. No caso do teatro estamos também a divulgar e apoiar a cultura;


E assim de repente são estas as possibilidades que acho que podemos pensar neste Natal, de forma a termos um Natal com um menor consumo, menos materialista e com menor acumulação de resíduos e consequentes danos ambientais. Alguém sugere algo que não me tenha lembrado? Claro que o menor consumo possível é não oferecer nada a ninguém, mas um mimo nunca fica mal.


Costumo, normalmente ter estes pensamentos em mente para as prendas de Natal, aliás para o que dou na generalidade. Mas nem sempre é fácil até porque muitas vezes as pessoas esperam receber bens materiais. E como eu não sou também sempre 100% ecológica e cumpridora, muitas vezes lá ofereço um presente mais materialista, consumista e capitalista.

Imagem retirada de https://karinebre.wordpress.com/2012/12/20/reflexao-de-final-de-ano/consumismo-natal/

Vamos reflectir sobre isto? Ainda temos um mês.

sábado, 21 de novembro de 2015

E disse...

"E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?" (Almeida Garrett in Viagens da Minha Terra).

Li pela primeira vez esta frase não no livro em que foi escrita, mas no livro Levantado do Chão de José Saramago. O qual é um dos meus livros favoritos, acho que devia ser leitura obrigatória.

Esta frase faz-me pensar em muita coisa e muitas vezes lembro-me dela. Não a vou comentar aqui. Pensem vocês o que ela vos transmite.



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família

Se houve coisa que percebi nestes nove meses de gravidez é que realmente sou feminista. Eu sempre fui um bocadinho contra o feminismo porque sempre achei que a ideia estava ultrapassada. Mas a gravidez fez-me perceber que não. Eu acreditava que o feminismo estava ultrapassado porque no meu interior tinha a crença que a igualdade de género já era uma coisa bem assente e definida na sociedade. Como eu sou crédula!

Mas é importante saber o que é o feminismo, já dizia um professor que tive, "definam os conceitos".

Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de género.(in https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo

E ser feminista ao contrário do que muitas mulheres pensam por aí, não é achar que as mulheres são melhores ou especiais, pelo facto de serem mulheres. Também não tenho paciência para o dia da mulher porque em geral só oiço coisas deturpadas. Alguém acha mesmo que ás mulheres são mais inteligentes que os homens? Para mim, esse tipo de argumento está ao nível do homem ser mais inteligente que a mulher.

Há sempre alguém que já desenhou o que pensamos
Imagem retirada de http://cinismoilustrado.com/

O feminismo, no meu entender e o facto de se comemorar o dia internacional da mulher tem razão de ser porque se comemora a igualdade entre homens e mulheres. A qual, neste caso se refere sobretudo às mulheres terem conseguido ascender, pelo menos teoricamente, à mesma posição do homem, em termos de oportunidades e de possibilidade de escolha. Mas que também deveria ser os homens terem a oportunidade e a possibilidade de escolher coisas que são estereotipadas como de mulher. Nisto, o que eu quero dizer é que devíamos em vez de comemorar o dia da mulher, comemorar o dia da igualdade de género.

Mas pronto durante a gravidez apercebi-me de como esta igualdade de género não é real. E não é só o preconceito do homem para com a mulher, mas também o preconceito da mulher para com o homem.

Podem até me dizer que as mulheres e os homens são diferentes. E são, tal como as mulheres não são iguais entre si e os homens também não. Mas as grandes diferenças entre homens e mulheres residem na educação diferenciada, a qual começa logo dentro do útero.

Há coisas para meninas e para meninos desde o nascimento, a distinção entre sexo parece ser fundamental para 90% da população. E nem vale a pena voltar a contar as coisas que já ouvi porque já o referi aqui no blogue. Mas vejam esta notícia Neste catálogo, os meninos brincam com bonecas e as meninas com ferramentas. Parece que em algumas coisas estamos mesmo a retroceder na dita igualdade.

E nestes casos, acho que é muito mais difícil ser homem, ser menino. Uma menina que goste de coisas de menino é considerada com certo desdém maria-rapaz, mas aceita-se. Já um menino que goste de coisas ditas de menina é desde a sua infância referenciado com uma tendência homossexual. O que pode ser verdade ou não. Mas se de facto aquela criança, mais tarde, não se definir/sentir homossexual vai deixar os seus gostos para trás para não ser visto como homossexual. No caso de mais tarde se definir/sentir homossexual provavelmente vai passar a adolescência e mesmo parte da vida adulta a reprimir-se, pois desde pequeno que lhe passaram a ideia que ser homossexual é errado. Claro que há homossexuais sem qualquer problema em se assumirem, bem como heterossexuais sem problemas em terem gostos considerados de mulher, mas convinhámos que nem sempre é fácil numa sociedade sempre pronta a apontar o dedo.

Mas não é só nestes casos que acho que os homens são vistos ainda com mais preconceito. Outro aspecto que a gravidez me fez descobrir é que o papel do pai é amplamente renegado em relação ao papel da mãe. É verdade que é a mãe que carrega o filho no útero, que o pare, que amamenta e acredito mesmo que por isso estabeleça um elo com o bebé mais precocemente que o pai.

Mas isto não significa que a mãe tem ou deve ter um papel mais importante que o pai na vida daquela criança. Nem tão pouco que as mulheres estão mais preparadas para tratar de um bebé que os homens. E as que estão é sobretudo por uma questão de educação. Ser mãe não é mais importante que ser pai. E as funções de ambos não têm de ser diferentes, serão diferentes por uma questão de personalidade. Mas não há funções definidas para a mãe e outras para o pai. A harmonia familiar desenvolve-se quando o casal partilha as funções. Aliás, aquela história de o homem ajudar a mulher nas tarefas domésticas não é no meu entender a forma correcta de ver as coisas. As tarefas domésticas devem ser partilhadas, sem predomínio de um, tal como todas as outras decisões.

Mas voltando ao bebé, nos últimos tempos tenho ouvido muito por parte de pessoas mais velhas que não vou ter ninguém que me ajude, uma vez que já não tenho mãe. E não estou com isto a dizer que não sinto falta da minha mãe, sinto bastante, mas não neste caso específico. A minha sogra por vontade dela vinha ajudar-me a tratar do bebé durante as primeiras semanas, meses, eu sei lá. Mas não é só ideia dela, também na minha família me perguntaram se a minha sogra não vem cá para casa, uma vez que não tenho mãe, porque a pessoa precisa de ajuda pelo menos nos primeiros dias. Mas já ouvi pessoas pouco mais velhas que eu a dizer que nos primeiros tempos, a mãe ou a sogra têm de estar em casa para ajudar a dar banho, mudar a fralda, etc, etc.

E isto faz-me pensar, mas afinal para que serve o pai da criança? Sem menosprezar a ajuda das mães e das sogras que podem realmente ajudar, mas quem deve assumir o tratamento do bebé nos primeiros meses são os pais. A mãe e o pai, por isso existe a licença de maternidade e a licença de paternidade (a qual vai passar a 15 dias úteis depois do nascimento). A licença de paternidade não é para o pai ficar de papo para o ar de férias, é obviamente para tratar do bebé e criar os laços essenciais com este.

E o que me chateia é que não basta aqueles pais que não querem saber e acham que aquilo é competência da mulher. Como depois há as mulheres que passam atestados de incompetência ao homem. As mulheres em geral, desde a família paterna, à família materna e à sua própria mulher.

Claro que cada vez isto é uma realidade menos comum, mas ainda é demasiado vista para meu gosto.

Lembro-me de andar na primária e a professora perguntar se gostávamos mais da nossa mãe ou do nosso pai. Hoje em dia, percebo a tamanha estupidez de tal pergunta a crianças de sete ou oito anos. Quase todos disseram que gostavam mais da mãe, aos que disseram que gostavam mais do pai, a professora perguntou porquê com grande admiração. Mas o ideal não é que as crianças gostem de ambos da mesma forma? Se sintam tão confiantes com o pai como com a mãe? Eu penso que sim.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

100ª publicação - balanço

Esta é a minha 100ª publicação, o que significa exactamente que escrevo neste blogue há 100 dias. Um blogue é um sítio onde partilhamos as nossas opiniões sobre determinados assuntos ou mesmo sobre tudo. Partilhamos para os outros lerem, mas acima de tudo acho que as partilhamos connosco mesmo. O que eu quero dizer é que mesmo não tendo muitos leitores, o facto de escrever sobre estes temas tem sido bastante positivo.

Nestes dias, tenho-me apercebido que tenho imensa necessidade de escrever, de tal forma que todos os dias publico algo. Chego a ter mais de 10 mensagens programadas porque vejo sempre coisas que acho interessantes e sobre as quais me apetece escrever. E muitas vezes apetece-me escrever, mas não tenho tempo para escrever assim tanto.

O facto de escrever e depois ler faz-me pensar na mesma informação diversas vezes. Penso quando tenho a ideia, penso quando vou escrever, penso a escrever e depois quando leio. A arte de pensar é talvez a grande mais-valia do ser humano, nós pensamos e só assim conseguimos melhorar.

Ás vezes as pessoas dizem-me que gostam de ver telenovelas e reality shows para se entreterem e não pensarem na vida. Mas haverá algo mais produtivo do que pensarmos na nossa vida? Apenas o pensamento nos faz capaz de diagnosticarmos os problemas e encontrarmos as soluções. Talvez seja por isso que pouco ligo a televisão e quando o faço é para ver coisas que realmente acho que interessam para a minha vida, notícias ou documentários, um ou outro programa que me faça ainda pensar mais e não pensar menos.

Mas afinal o que eu tenho aprendido comigo mesma, com o meu blogue e com as coisas que leio e observo. Tenho sobretudo aprendido a conhecer-me, a traçar os caminhos daquilo que acho que é o mais importante para mim. É como uma fase de auto-conhecimento e introspecção em que o meu ser busca um contacto maior com a natureza e com a essência e os ciclos do mundo.

A compreensão que apenas serei mais feliz num mundo mais natural, mais calmo e mais justo. E que para isso aos poucos terei de me libertar de tudo aquilo que acho que prende actualmente o ser humano. A procura por um mundo mais natural que está incondicionalmente ligada ao desprendimento material.

Isto não significa que eu pense o mesmo daqui a dez anos ou que diga que seja capaz de viver fora da sociedade de consumo. Podemos viver dentro dela, sem necessariamente seguirmos todos os seus passos.

Para ser feliz, acho que tenho de me sentir mais livre... e tenho descoberto que a maior liberdade vem do nosso interior. Só quando somos livres e conseguimos nos afastar dos preconceitos, estereotipos e padrões da sociedade, conseguimos encontrar o nosso verdadeiro eu e aí percebermos qual o nosso caminho.

Infelizmente tenho-me apercebido como é difícil mudar os outros. Coisas simples do dia-a-dia parecem loucuras aos olhos da maioria. As pessoas parecem viver num mundo construído pelo ser humano, sem consciência de que vivemos num mundo onde somos apenas mais uma espécie. Talvez se achem a espécie dominante, mas esquecem-se que a natureza em todo o seu conjunto é mais forte que nós.

Decidi portanto não tentar mudar ninguém, o que não significa que não dê as minhas opiniões, dou. E normalmente a louca sou eu. Quantidade de resíduos feitos diariamente ou trabalhadores escravizados não parecem ser preocupação para a maioria das pessoas. A inteligência do ser humano é algo tão positivo e encantador como desconcertante e alarmante. Parece uma inteligência apenas capaz de melhorar a sua vida pessoal, sem qualquer respeito pelo ambiente, pelas outras espécies e sem respeito sequer pela sua própria espécie. O ser humano a tentar a todo o custo melhorar a sua vida consegue acabar com tudo à sua volta, acabando futuramente com os seus descendentes. E pior de tudo, se é um ser tão inteligente será que ainda não conseguiu perceber isso ou será que já conseguiu?

Mas por isso mesmo, prefiro não tentar mudar por palavras, mas acho que vou conseguindo aos pouco mudar alguma coisa por acções. Bem de vez em quando lá me saem palavras mais azedas.

Mas não me importo de ser louca ou extremista para alguns se essa loucura me faz bem. Prefiro ser anti-sistema do que adepta do sistema, ou ainda pior ser como a maioria das pessoas que conheço que estão contra o sistema, mas acham que é impossível ser de outra forma. Porque acham que antes deste capitalismo descontrolado todos os outros sistemas eram piores, então este é o menos mau. Mas porque não pode existir um novo sistema? Afinal antes do capitalismo ninguém sabia o que o capitalismo era. Antes de existir a ideia de república ou democracia, alguém sabia o que eram? O que eu quero dizer é que não entendo porque nem sequer consideramos a hipótese de existir algo melhor que o sistema actual, talvez algo desconhecido neste momento, mas que pode ser melhor. Pode não ser daqui a dez nem vinte anos, se calhar nem cem, mas o mundo está sempre em mudança constante. E essa mudança depende de nós.

As mesmas pessoas que me dizem constantemente que o mundo evolui e por isso é um disparate eu querer usar fraldas de pano são aquelas que menos me parecem aptas à mudança. O mundo evolui e há evoluções positivas e negativas, todas as evoluções que têm como fim facilitar apenas a vida de alguns seres humanos destruindo toda a natureza à sua volta não me parecem positivas. Se o mundo evolui, nós enquanto seres pensantes temos de ter capacidade para criticar essas evoluções. Não temos de aceitar tudo. Porque nem todas as evoluções são positivas e há mudanças se calhar muito mais essenciais para a continuidade da nossa vida neste planeta.

Se até Junho ou Julho já tínhamos consumido este ano todos os recursos que o planeta consegue repor no espaço de um ano, estamos mal, muito mal. Por enquanto, ainda temos reservas, mas a continuar a esta velocidade deixaremos de ter. Pior ainda é se nos lembrarmos que a percentagem de população que consome a maioria destes recursos é incrivelmente baixa. Não sei dados concretos, mas 90% dos recursos totais serão consumidos porque percentagem total de população mundial? 5%, 10%, 20%, não sei, mas não deve estar longe disso.

Podemos dizer que como todas as espécie lutamos pela nossa sobrevivência, mas possa, afinal para que nos serve a inteligência e o facto de pensarmos? Para pensarmos apenas em bens materiais? Os quais ainda por cima quase nunca nos trazem felicidade.

O que eu acho ainda mais intrigante é pessoas que passam a vida a acreditar que se fossem ricos seriam felizes. O meu pai é muito assim, se ganhasse o EuroMilhões isto, se ganhasse o EuroMilhões aquilo. Já lhe tentei explicar imensas vezes que ser rico não é ser feliz, afinal todo o dinheiro do mundo não traz felicidade. Podem dizer-me que ajuda, talvez, mas mesmo isso tenho cada vez mais dúvidas. Claro que ajudará a alguém que vive numa miséria extrema, mas quando a pessoa já tem uma vida normal não sei se a diferença será assim tão grande. Claro que pode permitir concretizar um ou dois grandes sonhos, mas a felicidade não são momentos isolados, a felicidade é um acto contínuo e esse vem de dentro. Apenas consegue ser feliz quem encontra felicidade dentro de si.

Para terminar esta minha exposição que já se encontra longa. Na cadeira de Deontologia do Urbanismo, nós tínhamos de definir a nossa perspectiva do mundo, naquele caso relacionado com o Urbanismo. Basicamente tínhamos de escolher se tínhamos uma visão antropocêntrica ou ecocêntrica. Como é de calcular todos nos definiamos como ecocêntricos porque o urbanismo não deve ter só em conta o ser humano. Todavia, tenho cada vez mais dúvidas que esta concepção seja realmente a que as pessoas na sua generalidade mais acham acertada. Aliás, mesmo dentro da concepção antropocêntrica deve existir para muitas pessoas uma grande hierarquia de humanos.

Imagem retirada de http://www.ecodebate.com.br/2012/06/13/do-antropocentrismo-ao-mundo-ecocentrico-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/


sábado, 7 de novembro de 2015

Quando não se acredita na sociedade, qual a solução?

Andava eu aqui a viajar pela internet quando encontrei esta publicação Os meus heróis têm a roupa remendada e não usam papel higiénico. Claro que me chamou logo a atenção, sobretudo a parte do papel higiénico, por causa do que já falei há umas postagens atrás. Nesta publicação, Eunice Neves que tem o blogue Permaculture Research Tour Blog conta como foi viver durante dez semanas com Su Dennett e David Holmgren (co-criador do conceito de Permacultura) na sua quinta (Melliodora) na Australia. Leiam vale mesmo a pena.

A sério, fiquei encantada, é realmente preciso ser bastante diferente e corajoso para decidirmos ter uma vida assim. Contra tudo aquilo que é estipulado socialmente como certo e que mais nos faz feliz. Decidirmos criar o nosso próprio estilo de vida, mesmo que este seja divergente do que a sociedade decidiu que era o melhor. Quando vejo estes exemplos, penso que também gostaria de ser assim, não sei se no fundo gostaria totalmente de ser assim, mas cada vez me fascina mais a ideia de romper com todas as normas que nos são impostas enquanto sociedade capitalista e de consumo. Certamente, não precisamos chegar a níveis tão elevados de renúncia à vida capitalista, mas fascina-me mesmo.

Nisto, lembrei-me desta história que não tem nada a ver, mas que se relaciona com a renúncia de que falo. Já é uma notícia antiga, mas nunca mais me esqueci Javi Poves, o futebolista anti-sistema, está de volta aos relvados. Um jogador de futebol que deixou uma potencial vida de estrela porque quis renunciar a uma vida que considera, tanto no futebol como na sociedade em geral, que apenas o dinheiro interessa. Claro que aquilo que eu considero algo de bastante valor, a renuncia por um ideal, é visto por muitos como pancada. Quem tem mais pancada afinal? Que renuncia por um ideal ou quem acredita que a sociedade está certa só porque sim e não pode ser melhor?

A primeira vez que conheci pessoalmente pessoas que viviam foram da sociedade foi há onze anos atrás, tinha dezoito anos na altura. Diga-se passagem que foram as primeiras e únicas pessoas que conheci com um estilo de vida mesmo totalmente divergente da sociedade. Na altura, eu estava a passar férias com três amigas numa aldeia portuguesa, umas férias numa casa sem água e onde tínhamos todo o tempo do mundo e só nos deslocávamos a pé, uma férias muito anti-sistema também (tínhamos telemóvel, mas naquele tempo ninguém estava sempre online). Acho que aprendi muito sobre a vida e sobre mim nessa viagem, acho que foi nesses dias que limei várias coisas e me tornei no que sou hoje. Não totalmente, porque a mudança é constante, mas em parte foi nessas férias.

Mas voltando ao encontro com essas pessoas "diferentes", estávamos as quatro numa praia fluvial e ao fundo estava um grupo de pessoas de várias idades, mas eram pessoas diferentes. Sim, eles pareciam hippies. E ainda me lembro, todos pareciam estar numa harmonia incrível, uns com os outros e com o mundo. No grupo estava um rapaz com um bebé de semanas ao colo, numa das cenas de amor mais lindas que já vi, uma verdadeira ode ao amor paternal. Nós como éramos curiosas fomos ter com eles e perguntamos descaradamente se eles eram hippies. Coitados, engoliram em seco e nem disseram nada no momento, apenas que já vinham falar connosco. E vieram e explicaram-nos que não eram hippies, tinham um estilo de vida alternativo, moravam no meio da serra e sem grande relação com a civilização e convidaram-nos a ir a casa deles dali a uns dias.

E lá fomos nós, conhecemos a casa deles, explicaram-nos que eram praticamente auto-suficientes em alimentação, o que não tinha trocavam com outras pessoas mais velhas que ainda moram nestas aldeias. Faziam a sua roupa, o seu pão semanalmente como antigamente. Não utilizavam praticamente electrodomésticos, embora tivessem computador e mais uma ou duas máquinas. Vivam assim, todavia deixavam que os filhos conhecessem a sociedade exterior, um dia haviam de escolher se queriam aquela vida no meio da serra ou outra vida mais integrada na sociedade. Esse dia já deve ter chegado e eles já devem ter escolhido, o quê não sei... Mas sei que adorei conhecê-los e ao longo destes anos, muitas, mas muitas vezes pensei neles.

A escolha de renunciar à sociedade ou viver na sociedade com os nossos ideais é nossa, sempre. Apenas não temos de seguir sempre o caminho que alguém acredita que é o certo. O caminho certo é aquele que nos faz feliz... Se os nossos ideais são diferentes daquilo que a sociedade em geral pensa, temos de seguir os nossos. Criam-nos a ideia que só conseguimos ser felizes no capitalismo e consumo selvagem, mas isso não tem de ser verdade. Aliás, quase nunca é, alguém pode ser feliz se a sua meta for o consumo, quando não tem rendimentos suficientes para esse consumo?

Como diz a música "Reduz as necessidade se queres passar bem".

Se a nossa ideologia, crença, utopia passa por um mundo mais sustentável, por uma vida mais saudável, por um sistema mais igualitário... isso é possível, pode não o ser para o mundo inteiro, podemos nunca ver o mundo assim... mas podemos fazer com que a nossa vida seja assim, pelo menos um bocadinho mais assim...

De novo, voltando ao início desta publicação fica aqui a citação que acho que diz muito "A melhor forma de mudarmos o mundo é mudarmos a forma como vivemos no dia a dia. Uma economia doméstica forte, que nos permite ser mais autónomos e responsáveis pelas nossas necessidades básicas é, segundo o David, um dos mais poderosos actos políticos que temos em mãos." (in http://preguicamagazine.com/2015/10/28/os-meus-herois-tem-a-roupa-remendada-e-nao-usam-papel-higienico/).

Afinal, nós não somos espectadores do mundo, somos actores, diariamente.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O lixo humano: Portugal-Angola

No outro dia um amigo dizia-me: "em Angola as pessoas vivem bem, eu sei porque fiz muitos trabalhos para Angola, há trabalho e ganham bem, por isso é que votam nos mesmos"

Respondi "Vivem bem? Sabes a quantidade de pessoas que vivem em situações miseráveis? Sem comida, sem nada?"

Resposta: "Ah mas esses não se importam com a política, não contam"

Hein? Não contam?
Há humanos de primeira e de segunda é?
Como se pode dizer que num país com uma democracia a fingir se vive bem? Onde para uns viverem bem outros são miseráveis? Mas será que as pessoas têm a noção da realidade? São conscientes? Ou são simplesmente más e centradas em si próprias?

Numa democracia, os cidadãos até podem não querer saber de política, embora devessem. Mas o Estado tem responsabilidade de querer saber de todos os cidadãos. Sim que eu nem vou contar o argumento seguinte que até tenho vergonha de o escrever.

Até porque por esta ordem de ideias, em Portugal também não há problemas, afinal se calhar quem interessa ao sistema até vive bastante bem.

Mas voltando ao caso angolano, deixo aqui esta crónica, sobre a tal democracia onde as pessoas (as que interessam, as que contam) vivem bem, Luaty e a vergonha Angola-Portugal de Alexandra Lucas Coelho. A vergonha da democracia angolana e da democracia portuguesa, desde da posição do governo à posição do PCP, sim aquele partido que lutou durante anos contra uma ditadura, mas que é amiguinho do MPLA.

E para não falar apenas da liberdade de expressão e da censura como se não fossem, por si, coisas demasiado importantes. Como é que pessoas conscientes podem dizer que em Angola se vive bem, quando tem uma taxa de mortalidade infantil de 167 permilagem? Ah esperem, os que morrem devem ser aqueles que não interessam...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Saber-Fazer

Este blogue não é sobre artesanato, nem sou uma artesã, mas acho essencial o saber-fazer. Saber-Fazer é muito melhor que comprar feito, seja o que for. Claro que nem todos sabemos fazer tudo ou temos tempo para fazer tudo. Por isso mesmo, dá imenso jeito existirem os supermercados cheios de coisas que podemos comprar: comprar, usar e deitar fora. Normalmente, este ciclo.

Acredito piamente que qualquer pessoa tem capacidade para aprender a fazer qualquer coisa, pode demorar, pode não gostar, pode nem fazer muito bem. Mas o ser humano tem uma grande capacidade de adaptação à mudança, logo qualquer pessoa pode aprender a fazer um bolo, a mudar um pneu, a montar móveis. Muitas vezes não somos encorajados a fazer as coisas e não acreditamos que conseguimos. Claro que acredito que todos conseguem fazer um bolo, mas nem todos teremos capacidade para ser um grande chefe de cozinha, todos podemos jogar futebol, mas nem todos seremos o Cristiano Ronaldo. O que eu quero dizer é que salvo raras excepções todos podemos aprender a fazer tudo, não quer dizer que sejamos extraordinários a fazê-las ou que gostemos de determinadas tarefas.

Mas por isso, acho que todos temos capacidade para aprender a Saber-Fazer. Muitas vezes dizem-me que sou muito prendada, eu nem acho, porque não faço assim as coisas muito bem feitas, mas gosto de experimentar fazer coisas novas, mesmo que corram mal, gosto de imaginar e criar. Talvez porque o meu pai é assim e a minha mãe também era assim. Estavam sempre a inventar alguma coisa, a concertar, a arranjar, mas nem por isso acho que me tenham incentivado muito a criar, mas devo ter apanhado o bichinho.

Acho que a minha geração, nascida nos anos 80 do século passado, foi um bocadinho habituada à inércia no que se refere às manualidades. Acho que os pais incentivaram muito a questão dos estudos, a famosa frase, estudar para ser alguém, que eu tanto detesto e esqueceram-se de lhes ensinar outras coisas. Lembro-me de ter amigas que os pais lhes diziam, tu tens é de estudar, não penses nessas coisas. Argumento que respondia a qualquer assunto, desde namorados, à política ou futebol como se tudo não fizesse parte da vida e o interesse por diversos assuntos não contribua mais para o nosso desenvolvimento pessoal do que ser o melhor aluno da turma.

Mas acho que se criou a ideia de que o ideal era estudar para ter um bom emprego (sim pouca gente refere que estudar é bom para adquirir conhecimentos) e ganhar bem, o que possibilita ter uma boa vida, comprar muita coisa e não precisar de fazer mais nada. Como se ter muito dinheiro e ter muita coisa seja por si uma certeza de felicidade, uma garantia de a pessoa se sentir bem sucedida. Adoro quando oiço, aquela pessoa está bem na vida, ganha bem, se calhar eu sinto-me mais realizada a ganhar mal. Já pensaram nisso?

Mas o que isto tem que ver com o Saber-Fazer? Para mim tem tudo, quando aprendemos a fazer pequenas coisas afasta-nos do sistema de dependermos do mercado e do dinheiro para tudo (dependemos sempre, mas em menor escala). O Saber-Fazer possibilita-nos sermos mais auto-suficientes. Isto para além de nos estimular a criatividade, a qual é extremamente necessária em muitos dias da nossa vida. Acho que Saber-Fazer, seja o que for, capacita-nos a saber lidar com os problemas e a resolvê-los.

A nível ambiental, acho que Saber-Fazer também é uma mais-valia, aprendermos a fazer algo faz-nos dar mais valor aos produtos, não valor monetário, mas valor ao que custa fazer algo. Mostra-nos como as coisas devem ser menos descartáveis e mais duradouras.

Por outro lado, Saber-Fazer também nos faz dar valor a quem faz. Não suporto pessoas que só sabem teorias e teorias e não dão qualquer valor a quem sabe fazer, seja o que for.

Isto é simplesmente a minha opinião.

Imagem retirada de http://kdfrases.com/frase/118768http://kdfrases.com/frase/118768


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Conhecer o nosso país, consumir nacional

Na minha opinião, para sermos mais sustentáveis antes de tudo devemos consumir menos, depois consumir local, produção local, cadeias de distribuição locais. Aliás, já escrevi isto várias vezes por aqui. Mas temos sempre de consumir e além do ter, há sempre alguma coisa que queremos, mesmo que não seja essencial. Por isso, temos de tentar sempre conciliar todas estas questões. E claro, o preço, infelizmente muitas vezes o preço é o que nos leva a decidir por um produto em detrimento de outro, não somos imunes a isso, sobretudo se temos pouco dinheiro.

E depois vamos às grandes superfícies para comprarmos as coisas mais baratas, às vezes não são tão baratas assim. Eu também gosto muito dos descontos do cartão continente, wells, zippy, modalfa, uma verdadeira cadeia à portuguesa. Mas mesmo quando somos preocupados e tentamos nestas superfícies comprar produtos portugueses ou europeus, nem sempre encontramos.

E parece que nada do que precisamos se faz em Portugal. E é aí que entra a importância de conhecer Portugal, eu conheço o país relativamente bem, de norte a sul, este a oeste e arquipélagos. Conheço de já ter ido e de ter estudado. Isto de ter um curso de geografia serve para alguma coisa, nem que seja para nos encher de conhecimentos sobre o nosso país. E nós produzimos muita coisa, talvez não em grande escala, mas há muita produção que talvez não seja competitiva com o que vem do exterior, nem consiga ter grandes canais de distribuição, mas desenvolve o nosso país. Desenvolve, dá trabalho e ao comprarmos local estamos a estimular a economia e a diminuir os gastos energéticos em transportes.

E agora vou dar dois exemplos que conheci por acaso, quando andava às voltas por esse país distante, coisas que não fazia a mínima ideia que existiam. Mas promovem o emprego e a continuidade de pessoas a morar em pequenas terras do interior.


Palaçoulo

Palaçoulo é uma pequena aldeia do concelho de Mirando do Douro, Trás-os-Montes conhecida pela industria da cutelaria e tanoaria (Palaçoulo a aldeia mais industrializada do país). Conheci esta aldeia há uns dois anos e não fazia ideia que uma pequena aldeia pudesse ter tantas pequenas fábricas.

Na altura fomos ver uma das cutelarias, por acaso entrámos na FILMAM, podíamos ter entrado noutra qualquer. Foi uma visita interessante. E claro, estávamos lá e comprámos facas para oferecer, pode parecer estranho oferecer facas, mas pronto é o que se arranja. Aliás, encontrámos um suporte para facas magnético como andávamos à procura há imenso tempo e nem em supermercados ou IKEA tínhamos encontrado.

Perguntámos onde podíamos encontrar os produtos deles em Lisboa, ao que nos disseram que vendiam muito pouco para Lisboa. Aliás grande parte da sua produção é para exportação. Nunca hei-de compreender esta lógica de exportarmos o que fazemos e importarmos produtos semelhantes. Mas bem, nos supermercados é bem fácil encontrar facas produzidas na Benedita. Por isso da próxima vez que precisarem de uma faca, lembram-se de ver a procedência.

Imagem retirada de http://www.filmam.com/

São Pedro do Corval 

São Pedro do Corval pertence ao concelho de Reguengos de Monsaraz, Alentejo e é uma aldeia conhecida pela olaria. Pelo que nos disseram é o maior centro oleiro (pelo menos de barro vermelho) de Portugal. Conheci esta localidade este ano durante as férias, porque alugámos uma casinha em São Pedro do Corval. As olarias são praticamente porta sim, porta sim como se pode ver neste link.

Nós fomos à Olaria Patalim, onde se pode conhecer todo o processo de fabrico dos produtos, além disso tem uma pequena exposição onde explica como se fazia antigamente. Gostei bastante. A olaria é familiar e o oleiro é uma pessoa jovem, o que me fez pensar que ainda há alguma vitalidade na olaria. E pronto lá comprei um tachinho que tem como objectivo fazer arroz de tomate.

Imagem retirada de http://www.pedrovilela.pt/2006/04/olaria-patalim-2/

São pequenos gestos de consumo é verdade, mas que nos fazem lembrar um lugar concreto e dar algum estimulo à economia local e consequentemente à fixação de população em terras conhecidas pelo despovoamento.

Claro que isto são apenas alguns exemplos, por esse país fora existem muitos mais sítios a conhecer.

Já agora, voltando à história das facas de Palaçoulo há uns meses dizia isto a um amigo, sobre exportarmos facas e importarmos facas. Ele dizia-me que a nível económico pode ser uma mais-valia, porque podemos estar a exportar um produto mais caro e a importar um produto mais barato. Não entendo nada de economia, mas quer-me parecer que estas lógicas económicas são muito insustentáveis.


domingo, 18 de outubro de 2015

Reutilizar botões

Não sei se é muito comum as pessoas terem imensos botões em casa. Mas eu tenho, alguns bem velhinhos. A minha mãe guardava todos os botões. Lembro-me de ser pequena e brincar com eles. Mais ou menos há um ano decidi começar a fazer coisas com os botões que tinha por cá.

Fazer artesanato com coisas que já temos é estar a reutilizar materiais, dar-lhes uma nova vida. Além dos botões precisei sempre para as coisas que fiz de uma pistola de cola quente.

Imagem ilustrativa dos botões que eu tinha cá em casa na altura
Imagem própria
As primeiras peças que decidi fazer foram ganchos para o cabelo, quer de mola, quer tipo pinça. Ficaram como eu queria, mas ao estarem sempre no cabelo com o uso fui perdendo alguns botões. Então tinha de voltar a colar novos botões, de qualquer modo agora tenho o cabelo pequeno não dá para usar ganchos. Por isso, acho que ficam engraçados, mas não acho que seja uma ideia muito prática.

Imagem própria

Imagem própria

Como estávamos perto da época natalícia decidi fazer também uma coroa de Natal. Acho que fazermos coisas próprias para a decoração de Natal, bem como darmos presentes feitos por nós nesta época é o que representa verdadeiramente o espírito natalício. Como não gosto da loucura do consumismo, muito menos nesta fase de Novembro a Dezembro, aliás cada vez suporto menos, a única decoração que tenho de Natal é alguma coisa feita por mim. Não compro nada dessas coisas, nem uso, a não ser que cá em casa alguém queira comprar e montar. Mas acho que quando é feito por nós com recurso à reutilização de materiais, ou mesmo que se comprem materiais novos, é sempre original, bonito e verdadeiramente natalício.

Coroa de Natal
Imagem própria
A coroa passa o ano inteiro na parede ao lado da secretária do computador, ao lado de uma prancheta que eu gatafunhei há uns anos e de um calendário de alumínio do Trabi (carro da RDA). Quando chegar a Dezembro ponho-a na porta principal.

Para fazer a coroa aproveitei uma caixa de cartão, apenas tive de comprar a fita. Devia era ter pintado o cartão de branco para que ficasse mais homogénea, mas só me lembrei disso depois de concluída. Ainda no espírito natalício, na altura fiz uns presentes onde apliquei botões. Normalmente, dou sempre presentes feitos por mim no Natal a algumas pessoas. O ano passado comprei umas caixas de madeira, pintei-as e apliquei os botões e fiz o mesmo numa moldura. A moldura ficou tão fofa, mesmo bonitinha, infelizmente não tirei fotos nem às caixas nem à moldura por isso não posso mostrar. Este ano ainda não decidi se vou fazer alguns presentes ou não, depois penso nisso.

Para finalizar, queria mostrar a sardinha que diz para concorrer ao Concurso Sardinhas Festas de Lisboa 2015, infelizmente não ganhei, mas pronto tenho a minha sardinha mangerica aqui pendurada na sala. Para esta sardinha tive de comprar alguns botões novos, porque não tinha botões suficientes destas cores, neste caso já pintei o fundo do cartão com as cores correspondentes.

A sardinha mangerica (acompanha por outras sardinhas)
Imagem própria
Acho que reutilizar botões para artesanato é bastante interessante, afinal sem ser a costura ou artesanato, os botões não servem para muito mais coisas ou estarei a esquecer-me de algo? Depois são materiais que duram mais que os tecidos e que não se podem reciclar. Quer dizer se calhar até podem, mas não há recolha apropriada.

Espero que vos tenha inspirado a reutilizar botões.
Tenho de pensar onde posso reutilizar aqueles botões com barquinhos que se vêem na primeira fotografia que ainda me lembro bem de serem de um fato que eu tinha quando era criança.

sábado, 17 de outubro de 2015

É menina ou menino?

Ainda na sequência da postagem Crianças... que futuro? Tecnologia ou natureza quero partilhar convosco uma imagem que me diz muito. Diz-me pela relação entre as crianças e a natureza e pela visão sexista que a maior parte das pessoas tem do mundo. A gravidez tem sido uma experiência incrível relativamente aos preconceitos que as pessoas têm no que é ser menina e menino, e mais tarde, mulher e homem.

A importância dada ao sexo da criança é para mim inconcebível. O que ainda se torna pior com frases que já ouvi como:

"É melhor que seja menina que te ajuda em casa"
"É melhor ter filhas que filhos, porque as filhas acompanham sempre as mães"
"As meninas e os meninos são diferentes"
"Se for menino pode jogar à bola e ir ao futebol"
"As meninas são bonitas de cor-de-rosa e os meninos de azul"
"Se for menino compra-lhe uma bicicleta, se for menina uma máquina de costura"
"Se não dizem o sexo da criança como é que sabemos de que cor devemos comprar as coisas"

A sério que as pessoas pensam assim? Pensava eu ao início. Agora já não me espanto. Sim, as pessoas na sua generalidade pensam assim.

Mas para responder aquela típica ideia que, já muito ouvi, as meninas são bonitas é de vestidinho e muito bonequinhas. Deixo este vídeo que encontrei pelo facebook.




Menina ou menino são ambos bons, bonitos quando estam arranjados, e mais bonitos ainda quando brincam, divertem-se e sujam-se.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Onde deitar os cabelos?

Lembro-me de ser pequena, vivia num apartamento e a minha mãe deitava os cabelos na sanita e mesmo algum lixo que varria, o pó e tal, só de pensar... Sim naquele tempo não havia ETAR, apenas esgoto, mas ainda me lembro do cheiro que vinha no Tejo quando a maré estava baixa, nós vivíamos na Amora mesmo junto à baía. Via-se aquele lodo e provavelmente os nossos cabelos e toda a outra porcaria ali e o cheiro horrível.

Agora quando existe sistema de ligação aos esgotos, o que deitamos pela sanita já não vai parar assim ao rio, vai para uma ETAR, mas nem por isso a coisa melhora muito. Se temos fossa séptica, se houver alguma fuga, tudo vai ser absorvido pelo solo. Os cabelos e outro lixo vão entupir os esgotos e dificultar o tratamento das águas residuais nas ETARs. Isto já para não falar de outras coisas como tampões, pensos higiénicos, preservativos, às vezes até me custa a entender como alguém é capaz de deixar estas coisas na sanita. Muitas vezes, os grandes problemas das água residuais não são os nossos dejectos (aliás estes até podem ser decompostos e reutilizados, existem sanitas secas, acho a ideia bestial), mas o resto de coisas que deitamos para a sanita, incluindo os detergentes que prejudicam bastante o tratamento das água.

Só por curiosidade, aqui fica um sistema de sanita seca.



Imagem retirada de http://gaia.org.pt/node/16004

Por causa destas coisas, comecei a dizer à minha mãe que mais valia pôr os cabelos, bem como o lixo do chão, no caixote do lixo indiferenciado. Actualmente, como já referi noutras postagens, muito raramente despeje o lixo que varro no lixo indiferenciado, costumo deitá-lo nos canteiros (retirando, claro, alguma coisa que não seja biodegradável).

Mas continuava a tirar o cabelo da minha escova e a deitá-lo no caixote do lixo. Mas também me deixei disso. Agora quando limpo a escova vou enterrar o meu cabelo no canteiro das hortenses. O cabelo, tal como as unhas (ainda não me decidi a ir enterrá-las) são células mortas e quem é que come restos animais, as minhas amigas minhocas que já falei na postagem O café e as minhocas.

O cabelo, tanto o nosso como o dos animais é biodegradável como não poderia deixar de ser, por isso pode e deve ser deixado onde se degrade. Logo podem enterrá-lo num canteiro ou vaso ou deitá-lo na compostagem, caso façam. Se tiverem minhocas, elas agradecem e depois agradecemos nós o húmus. Deixo aqui este link, onde podem ver os alimentos preferidos das minhocas.

Claro que senão tiverem nenhuma destas soluções continuo a achar que é melhor pôr os cabelos para o lixo indiferenciado do que para a sanita. A possibilidade de entupir canos e deixar a água ainda mais suja parece-me pior, ao menos em aterro o cabelo sempre se vai degradando.

Para terminar, será que ter deixado de usar champoo com parabenos e essas coisas (Produtos de higiene e cosmética), a experiência está a correr muito bem, deixou o meu cabelo mais saboroso?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Coberturas verdes e o ambiente urbano

Há uns quatro anos, estava a trabalhar numa Avaliação Ambiental Estratégica e dado o impasse do projecto que não andava nem desandava, o meu chefe decidiu pensar em soluções intermédias para a resolução do problema.

O problema era o seguinte: havia uma área urbana com solos altamente contaminados para o qual estavam a fazer um plano de regeneração urbana. Mas como o plano por diversas circunstâncias não arrancava em toda a sua plenitude, optamos por sugerir um faseamento da execução do plano. O que dividiria as áreas urbanas a regenerar em diversas fases, aquelas que não fossem regeneradas no imediato teriam soluções intermédias para melhorar as suas características ambientais.

Neste contexto, surgiu a ideia de incentivar as coberturas verdes nos edifícios, quer nos novos a construir aquando da implementação dos Planos de Urbanização e Planos de Pormenor, quer nos edifícios já existentes (se a solução pudesse ser adoptada) em áreas que o Plano só iria intervir em fases mais tardias.

E foi disto que me lembrei quando vi o que vos mostro na fotografia que se segue.

Pinheiro nascido no telhado de uma casa abandonada em Vila Nova de Poiares
Imagem própria
Isto é uma verdadeira cobertura verde orgânica, a natureza no seu maior grau e, vá, o desleixo humano na mesma escala. Infelizmente, este é o tipo de cobertura verde que se vê mais por Portugal. Claro que existem alguns edifícios com coberturas verdes a sério, mas são poucos.

Mas afinal, como ajudam as coberturas verdes o ambiente? Como contribuem para a sustentabilidade e diminuição da poluição de uma área urbana?

Andei à procura das minhas pesquisas e as coberturas verdes ajudam de muitas formas. Estas coberturas ajudam a regularizar o conforto climático das áreas urbanas, contribuindo para a sustentabilidade ecológica e consequentemente para o bem-estar da população. O que no fundo é o que qualquer área verde faz, mas neste caso estamos a aproveitar espaços que não têm qualquer função.

A nível ambiental e ecológico, estas coberturas trazem benefícios, tais como evitar o transbordo do sistema misto de esgotos, reduzir o impacte do dióxido de carbono, neutralizar o efeito das chuvas ácidas e fornecer novo habitat para pássaros e insectos. Para a comunidade, estas coberturas têm vantagens como a limitação do escoamento das águas pluviais, a diminuição do efeito da ilha de calor urbano, a redução do smog e do ruído, menores perdas energéticas, e ainda, a melhoria da qualidade do ar e da estética paisagística. Para os proprietários dos edifícios tem vantagens como o aumento da esperança média de vida da cobertura, a redução de custos com o arrefecimento no Verão e o aquecimento no Inverno, uma gestão mais fácil das águas pluviais, bem como a vantagem de aproveitar um espaço morto como jardim.


Os sistemas de coberturas verdes não são todos iguais, existindo o extensivo (mais simples, requer menor investimento e menor manutenção), o intensivo simples e o intensivo (sistema mais complexo, composto por arbusto ou mesmo árvores, é o que requer maior investimento, maior capacidade estrutural do edifício e maior manutenção).

Lembro-me de quando fui a Berlim, mais ou menos na mesma altura que andava nestas pesquisas ver imensos edifícios com coberturas verdes.


Gulbenkian, Lisboa - talvez dos edifícios portugueses com coberturas verdes mais famosos
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Cobertura_verde
Hundertwasserhaus em Viena, além de cobertura verde tem também paredes verdes
Talvez este edifício tenha sido das coisas que mais apreciei em Viena
Imagem retirada de http://www.wien.info/en/sightseeing/green-vienna/green-walls-in-vienna
Projectos ao nível do sonho
Imagem retirada de https://arquitetivismo.wordpress.com/category/arquitetura-sustentavel/
Isto sim! Isto são coberturas verdes a sério, não pinheiros nascidos em telhados de casas abandonadas.

domingo, 11 de outubro de 2015

O desabafo de uma utópica

Ultimamente só leio com um certo desdém a palavra utópico.

Utópico utópico utópico...

Quem se preocupa com os animais é utópico.
Quem se preocupa com as pessoas é utópico.
Quem se preocupa com a natureza é utópico.

Coisas como, "deixá lá de ser utópico e começa a fazer algo coisa".

Ainda não entendi é porque acham que um utópico não faz nada, normalmente fazem mais, porque lutam em maior ou menor escala por um objectivo que está para além da sua pessoa.

As pessoas utópicas, normalmente não acham que vão mudar o mundo de um dia para o outro, ser utópico não significa ser inconsciente do mundo à nossa volta. A utopia é a nossa civilização ideal, que pode nunca vir a ser concretizada, aliás nunca será real. Utopia significa exactamente isso, não-lugar ou lugar que não existe. Mas se com utopias é difícil mudar o mundo como o faremos ser utopia?

A solução de muitos parece ser aceitar tudo, aceitar a sociedade tal como ela é, afinal "Sempre foi assim".

Mas houve um tempo onde a escravatura era aceite em todo o mundo (sei que ainda há escravatura em muitos sítios), onde em alguns países pessoas brancas e negras nem podiam conversar (ainda me lembro do fim do apharteid), onde mulheres não podiam votar, entre outros milhares de coisas. Soube há pouco tempo que em Portugal, as enfermeiras não se podiam casar, parece surreal. E as coisas foram mudando, graças a utópicos, provavelmente.

Eu cá prefiro utópicos a resignados.

Por curiosidade, o termo Utopia foi inventado por Thomas More e é o título da sua obra mais conhecida publicada em 1516. Já leram? Aconselho vivamente. No livro é descrito uma ilha imaginária onde existe uma sociedade perfeita.

Imagem retirada de http://www.feedbooks.com/book/198/utopia

sábado, 10 de outubro de 2015

Crianças... que futuro? Tecnologia ou natureza

Há uns três anos fui a um jantar, na mesa estava um bebé que ainda não falava, os pais deram-lhe o iphone e disseram todos contentes que ele adorava-o... não ouvi o bebé o jantar inteiro. No fim do jantar, devíamos ser umas quinze pessoas, todas pegaram no seu smartphone e começaram a informarem-se não sei bem sobre o quê... todas as pessoas menos duas, eu e o meu namorado. Senti-me uma extraterrestre ali no meio.

Também uso o telemóvel e ainda mais o computador, mas para mim é impensável estar com alguém a jantar ou simplesmente num convívio e ir informar-me do que se passa no mundo. Mas mesmo assim, às vezes parece que ando mais informada do que aqueles que se estão sempre a informar.

Há uns dias, a minha sobrinha de oito anos explicava ao meu pai que tinha criado imensas páginas no facebook, acho que o meu pai achou aquilo um bocado estranho. Quando eu tinha oito anos e vinha visitar o meu avô pedia-lhe se podia ir apanhar couves para dar às galinhas ou se lhes podia dar milho. Bem a minha sobrinha gosta de ver os coelhinhos, mas acho que nunca deu comida às galinhas.

As crianças têm em geral menos contacto com a natureza, há imensas desculpas para isso, porque vivem em cidades, porque é perigoso sair à rua, mas conheço crianças em aldeias e a realidade é a mesma, as crianças estão fechadas. Por culpa delas? Por culpa dos pais? Talvez de todos, da sociedade, dos media que passam uma ideia de perigosidade descontextualizada da realidade.

Na faculdade, na cadeira de Geografia Urbana li um texto que se chamava "O urbanismo como modo de vida", não me lembro do autor, mas exemplificava bem estas questões de que tanto nas cidades como no campo o modo de vida é igual. É o modo de vida urbano, o que no caso das crianças significa estar fechado em casa em frente aos meios tecnológicos.

Sobre isto saiu há uns meses esta reportagem Estamos a criar crianças totós e de uma imaturidade inacreditável, a qual concordo completamente e acho muito interessante. A isto junto este vídeo que encontrei no blogue Sustentabilidade é Acção na postagem Crianças, natureza e tecnologia.



Oiço constantemente as pessoas a dizerem que hoje os miúdos são muito inteligentes que sabem tudo. Pois é natural que o meu pai quando tinha oito anos não soubesse criar páginas no facebook. E isso prejudicou-lhe a vida? Não creio. Em compensação com oito anos, ele ia sozinho de comboio de Lisboa para Coimbra e depois para Vila Nova de Poiares de autocarro, aos onze anos trabalhava a fazer barris, aos catorze ano trabalhava na pica em doca seca, aos vinte e dois anos foi pai da minha irmã. Claro que não podemos comparar os tempos, mas serão realmente os miúdos de hoje assim tão inteligentes, acho que não, há os que são e os que não são como sempre. No entanto, em geral os miúdos de hoje têm uma desvantagem em relação à geração dos meus pais e mesmo à minha geração, não se sabem desenrascar, não improvisam, porque não aprenderam a fazê-lo. Porque não brincaram, sabem mexer em tecnologias, falam inglês, sabem nadar e andaram no judo, mas na hora H não sabem apanhar o metro. Conheço pessoas com dezoito anos que não sabem fazer nada, a culpa é deles ou da super-protecção?

As crianças precisam de brincar, de cair, de chorar, de rir, de inventar, precisam estimular a criatividade. Como futura mãe espero não me desiludir a mim própria no futuro e perceber que também fui super-protectora e que o meu futuro filho só sabe viver no mundo virtual.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O café e as minhocas

Como já referi, anteriormente, aproveito as borras de café da minha loja para o jardim.

Mas vamos primeiro ao café enquanto produto. Na Europa não se produz café, contudo somos grandes consumidores. Os maiores produtores mundiais de café são o Brasil, a Colômbia, a Indonésia, o Vietname, o México, a Etiópia, a Índia, a Guatemala, a Costa do Marfim e o Uganda. Isso mesmo, o café tão consumido no hemisfério Norte provem na sua grande maioria do hemisfério Sul ou no máximo do Sul do hemisfério Norte.

Pelo que li existem dois tipos de planta que originam o café: a robusta e a arábica.

Distribuição do cultivo de café (r - robusta; m - robusta e arábica; a - arábica)
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9

Com esta produção mundial devíamos era deixar de consumir café. Ai! Mas o café, esse precioso produto que está nas nossas vidas como se fosse algo que existe desde sempre. Quase como se nascesse aqui ao lado, nem parece importado, parece um produto certo e adquirido, quase tradicional.

Então resta-nos beber o café e tentar reaproveitar qualquer coisinha. No meu caso, as borras de café, sim eu vendo o café e depois ainda o reaproveito, todas as semanas é menos um saco cheio que teria como destino o aterro. As borras de café são biodegradáveis, mas como se sabe em aterro e juntamente com outras coisas, nomeadamente plásticos, nem o que é biodegradável se degrada em condições e no mesmo tempo que demora na natureza.


Borras de café no canteiro antes de serem espalhadas (também estão uma flores secas misturadas)
Imagem própria

Na fotografia estão as borras de café no canteiro das hortenses. As borras de café são boas para a cobertura do solo de flores como as rosas e as hortenses porque melhoram a acidez e os nutrientes do solo. Mas bem, pelo que percebo podem não ser muito aconselháveis para certas plantas, porque a sua decomposição consome muito nitrogénio, retirando-o do solo, por isso nunca aproximo muito das raízes, vou pondo em espaços vazios ou nos caminhos dos canteiros. Além de serem boas para o solo, também são boas para afastar certos tipos de pragas. Outra coisa, parece que o cheiro também afasta os gatos, o que me leva a pensar que da próxima vez tenho de pôr umas quantas borras nos vasos das plantas interiores, já que a minha gata gosta de ir dormir para cima de algumas plantas e parti-las. Outra solução ideal para as borras é a compostagem, por isso se fazem compostagem, podem pôr lá o vosso café.

Mas quem é adora as borras de café, quem é? Esse maravilhoso animal que eu tanto gosto, as minhocas. As minhocas adoram borras de café, aliás gostam em geral de todos os restos orgânicos. O facto de elas serem tão boas trituradoras de resíduos orgânicos faz com que muita gente faça vermicompostagem, o que é basicamente compostagem com a introdução de minhocas. O que acelera muito o processo de transformação dos restos em composto.

Sobre a vermicompostagem e o trabalho árduo das minhocas, a Wikipédia diz o seguinte: "A vermicompostagem é o uso da minhoca na produção de húmus, decompondo resíduos e dejectos de animais e também o lixo urbano (orgânico), colaborando com a melhoria dos solos, sequestrando carbono e eliminando cheiros desagradáveis. A vermicompostagem é um processo bastante difundido, em especial entre moradores de áreas rurais, visto a minhoca ser uma verdadeira máquina de limpeza dos resíduos. Quando colocada a quantidade correta de minhocas (ao redor de 5.000 unidades por metro quadrado) em 30 a 35 dias (na compostagem normal leva de 100 a 300 dias), pode transformar 2,5 toneladas de resíduos orgânicos em húmus, em um canteiro de 10x0,80x0,40m. A minhoca come os resíduos, e seu excremento possui ao redor de 2 milhões de bactérias por grama, enriquecendo o solo deixando disponível as plantas praticamente todo o complexo mineral (cinco vezes e meia mais nitrogénio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e onze vezes mais potássio que o solo ou o resíduo que se alimentou)." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAmus).
E por este motivo andei o ano passado a apanhar imensas minhocas pelo solo e a espalhá-las nos canteiros para que estejam sempre a trabalhar, a comer os resíduos e a transformar em húmus. Por curiosidade podemos ver esta notícias, Minhocas podem ser alternativa para tratar solos contaminados ou Minhocas podem ajudar a limpar solo contaminado. Assim ainda espero que as minhas minhocas me tratem algum contaminante que esteja em excesso, nunca se sabe o que temos por aqui e se elas gostarem de comer contaminantes que estejam à vontade.

Nas imagens seguintes estão as minhas tentativas de fotografar as minhocas no mesmo canteiro que mostrei acima. Elas estão nas fotografias, não sei é se alguém as consegue ver, mas aqui estão elas a trabalhar alimentadas a muita borra de café.

Imagem própria



Imagem própria


domingo, 27 de setembro de 2015

Os 10 mandamento sustentáveis

Encontrei esta imagem numa das muitas páginas que sigo no facebook relativas ao ambiente e sustentabilidade. Neste caso La Bioguia.

Esta imagem reúne 10 mandamentos sustentáveis, os quais também creio serem mesmo aqueles que nos devemos guiar. As pequenas acções no dia-a-dia que influenciam o ambiente a uma escala local e a uma escala global. O famoso lema: agir local, pensar global. O qual ficava sempre tão bem em vários trabalhos da faculdade.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/LaBioguia/photos/a.105017012881056.3271.104438892938868/1011542638895151/?type=3&theater

1 - Cuidarás da água
2 - Economizarás energia
3 - Produzirás menos resíduos
4 - Utilizarás embalagens recicláveis
5 - Evitarás usar produtos químicos
6 - Evitarás o uso de sacos de plástico
7 - Reutilizarás papel
8 - Usarás a bicicleta ou caminharás
9 - Cuidarás da fauna e da flora
10 - Pensarás de modo sustentável globalmente e actuarás localmente


Acho que se podia acrescentar reutilizarás tudo o que for possível. Acho que algumas são mais fáceis de pôr em prática do que outras. Mas acho que mesmo que a pessoa não siga tudo à risca, é importante ter sempre estes pensamento dentro de nós. Pouco a pouco, pequenas alterações são grandes mudanças.

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