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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Blogue meu, blogue meu, existirá alguém mais poluidor que o meu filho?

Sou mãe há um mês e tenho de fazer a retrospectiva do lixo que o meu bebé faz. Como disse em muitas postagens cá em casa fazíamos cerca de um saco de lixo indiferenciado por semana, bem neste momento fazemos cerca de quatro sacos no mesmo espaço de tempo. Sim, três pessoas faziam um saco, quatro pessoas quatro sacos, ou seja há uma pessoa com cerca de quatro quilos que faz três sacos de lixo. Isto é um exagero.

Na primeira semana de vida do Luís como estive internada no hospital usei tudo descartável, minha culpa, minha culpa, mas acho que não teria aguentado se fosse de outra forma. Quando chegámos a casa começámos a usar toalhitas de pano (sempre, sempre, sempre) e às vezes fraldas de pano (só algumas vezes, porque só tenho dez fraldas de pano que posso usar com a máxima confiança, ou seja tamanho recém-nascido, as restantes são muito grandes).

Assim até este momento, toalhitas descartáveis só usou no hospital, tenho ainda aqui em casa uns três pacotes que foram oferecidos e serão usados em qualquer eventualidade, mas pouco usados que o meu bebé tem tendência a assar. Relativamente às fraldas descartáveis até este momento, pelas nossas contas em trinta dias usámos cerca de 120 fraldas descartáveis. Sim é mesmo imenso, dá uma média de quatro por dia. Não esquecer que a primeira semana foi só a descartáveis. Mesmo assim quatro fraldas descartáveis por dia, significa que uso em média quatro fraldas de pano por dia, contando que mudo a fralda no mínimo oito vezes por dia. Às vezes é bem mais.

Além disto, o aumento no meu lixo deve-se ainda ao facto de utilizar para o bebé alguns discos de algodão e compressas (sobretudo quando ainda não tinha caído o cordão umbilical, agora raramente uso). E também os meus pensos higiénicos, sim tenho de me decidir a usar mesmo pensos de pano, mas queria passar esta primeira fase pós-parto.

Relativamente às toalhitas e fraldas de pano, lavo de dois em dois dias, máximo três em três. Mas normalmente tenho mesmo de lavar de dois em dois porque gasto as toalhitas todas nesse período, o meu stock são cerca de 70 toalhitas, ou seja gasto cerca de 35 toalhitas num dia. Será que sou eu que as uso demais? Se isto fosse em descartáveis, o meu lixo seria impensável.

O problema é que como depois as sujo todas e agora a roupa não seca tão rápido, a maioria das vezes tenho de as pôr na máquina de secar. Também não é muito sustentável, não é? Mas bem não é todas as vezes, muitos dias secam no estendal.

Mas bem, o meu Luís tem mesmo de crescer mais um bocadinho para usar em exclusivo as fraldas de pano de tamanho único, afinal tenho cerca de umas trinta, serão mais que suficientes. Talvez o meu lixo volte à normalidade.

Já agora a nível prático e para quem tem dúvidas, usar toalhitas de pano não dá mesmo qualquer trabalho. Aliás, acho que limpo o rabinho mais rápido do que com as descartáveis, pelo menos com as toalhitas que tenho. Em relação às fraldas de pano, depende do sistema das de pano, as descartáveis dão menos trabalho é verdade, mas as de pano também não dão trabalho por aí além e para mim a causa ambiental compensa.

Imagem retirada de http://tiniestsocks.com/2013/02/02/the-diaper-dilemma/


Para finalizar, além do aumento do lixo indiferenciado, também a reciclagem aumentou imenso com a chegada do Luís. Não que ele utilize diariamente embalagens. Mas só as prendas que tem recebido têm sido suficientes para aumentar a nossa quantidade de resíduos para a reciclagem. Afinal não há roupa ou brinquedo que não venha envolvida em milhares de embalagens, sem contar com os papéis de embrulho. Para o Natal do próximo ano acho que vou ser contra os embrulhos, neste acho que já não vou a tempo.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fazer brinquedos com materiais usados

Já vos falei sobre o que acho dos brinquedos, na publicação Brinquedos fazem crianças felizes de geração em geração. Mas claro que eu acho importante as crianças terem brinquedos, mas tenho horrores ao excesso e ainda mais a lojas de brinquedos ou supermercados na altura do Natal. E parece que o Natal já começou não é verdade?

Mas como eu gosto de criar, decidi através de materiais já velhos tentar fazer uns brinquedos. O que vou mostrar foram as últimas coisas que fiz para o bebé antes de nascer. Para ter ideias, andei à procura pelo mundo virtual de inspiração. Vi muitas coisas e decidi fazer um polvo a partir de tshirts velhas e dois fantoches através de um par de meias velhas.

Assim, fui ao armário das tshirts velhas, aquelas que são só para andar no quintal e lá encontrei duas, bem velhinhas. Escolhi uma azul e uma preta porque eram das poucas que ainda mantinham a cor natural de forma homogénea.

Imagem própria

Uma tshirt chega para fazer o polvo, mas como eu queria duas cores preferi usar duas. Cortei 24 tiras para fazer os tentáculos, os quais são feitos em forma de trança. Depois de ter os oito tentáculos prontos, com pequenos restos de tecido fiz uma bola para fazer a cabeça, para a parte exterior da cabeça usei um quadrado de tecido.

Embrulhei tudo e prendi com elástico de roupa para os tentáculos ficarem todos presos dentro da cabeça. Entre os tentáculos e a cabeça cosi uma faixa de tecidos para tapar os acabamentos. Cortei os olhos e a boca em feltro e cá está, o meu polvo.


O meu polvo
Imagem própria

Além do polvo fiz dois fantoches, os quais não são para o bebé brincar, mas sim para eu brincar com o bebé.  Para o primeiro fantoche precisei de uma meia velha (aquelas que o elástico já não se segura) que me tapa o braço até ao cotovelo, além disso utilizei feltro, botões e também restos das tshirts que usei para o polvo.

Imagem própria

Na parte de baixo da meia cosi feltro vermelho para fazer a boca. Na parte de cima cosi dois botões verdes que são os olhos e fiz tipo um pompom com tiras das tshirts (azuis e pretas) que é o cabelo, o qual prende com um botão em forma de borboleta. A isto decidi juntar um colarinho. E aqui está o meu fantoche ou a minha fantoche.

Imagem própria

Imagem própria

Posteriormente fiz outro fantoche com a outra meia. Mais ou menos da mesma forma que fiz o fantoche anterior, mas este tem um chapéu e umas tranças. Aqui está ele.

Imagem própria
Imagem própria

Imagem própria

Tudo isto foi feito com material reutilizado, a única coisa que tive de comprar foi o feltro vermelho. Obviamente o restos das tshirts vão agora para o saco de roupa para reciclar.

E aqui está uma forma de dar aso à criatividade e reutilizar materiais. Devo dizer que gostei especialmente de fazer os fantoches e foi super rápido, acho que deve ser ideal para fazer com crianças mais crescidas.

E assim, vão crescendo o número de brinquedos cá em casa, sem recorrer a centros comerciais e multinacionais. Por enquanto, pelo menos.

domingo, 15 de novembro de 2015

Bolo de iogurte com farinha de arroz integral

Gosto bastante da fazer bolos, pena que eles desaparecem cá de casa num ápice. Os bolos caseiros além de estarem relacionados com a minha infância e com as lembranças da minha mãe são bem mais saudáveis e baratos (então para quem tem imensos ovos como eu) que os bolos processados. E se formos a ver fazem-se num instante, bem depende do bolo. Mas o bolo de iogurte é mesmo muito fácil de fazer, básico mesmo.

Aproveito para fazer bolo de iogurte sobretudo quando tenho iogurtes perto do fim de validade ou que esta já passou há um ou dois dias. Diga-se passagem que é dos poucos alimentos que tenho receio de comer muitos dias depois do fim de validade. Mas desta vez nem foi por isso que fiz, foi por esta tabela que vi.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/BRIObiologico/photos/a.180190041388.134405.124840276388/10153103076356389/?type=3&theater

E eu tinha cá em casa uma farinha de arroz integral e biológica (o que é bom dos produtos biológicos é que pelo selo podemos ver que é português) que comprei há uns tempos para fazer pão, mas que nunca gastei toda. Então decidi experimentar a receita normal de bolo de iogurte, mas utilizando a farinha de arroz.

A grande vantagens da farinha de arroz relativamente à de trigo é que a primeira não contem glúten, por isso é apropriada para os celíacos. De resto a farinha de arroz tem uma elevada quantidade de fibra, o que é óptimo para os intestinos e para a redução do colesterol, ainda para mais quando falamos de farinha de arroz integral.

No meu caso, não penso exactamente tanto nos benefícios concretos da farinha de arroz, mas acho que quanto mais diversidade comermos melhor. Trigo, arroz, centeio, alfarroba, todas as farinhas possíveis são bem-vindas.

A minha receita de bolo de iogurte é a seguinte:
  • 1 iogurte (copo de iogurte serve como medida para os outros ingredientes);
  • 6 ovos;
  • 3 medidas de farinha de trigo com fermento;
  • 3 medidas de açúcar;
  • 2 colheres de café de fermento;
  • 1/2 medida de óleo.
Misturo todos os ingredientes, excepto as claras dos ovos e mexo bem. Bato as claras em castelo e junto à mistura anterior. Ponho a mistura numa forma untada com margarina e farinha e levo ao forno pré-aquecido a 180ºC.

Neste caso como troquei as farinhas fiz a receita da seguinte forma:
  • 1 iogurte (copo de iogurte serve como medida para os outros ingredientes);
  • 6 ovos;
  • 2 medidas de farinha de arroz (como consta na conversão da tabela acima apresentada);
  • 2 medidas de açúcar (esta mudança não se deveu à farinha, mas costumo tirar uma medida de açúcar quando faço com iogurtes já açucarados);
  • 3 colheres de café de fermento (adicionei mais uma colher de fermento, uma vez que a farinha de arroz não tem fermento e costumo usar farinha de trigo com fermento);
  • 1/2 medida de óleo (pensei trocar o óleo por azeite para tornar o bolo mais saudável, mas depois achei que já eram mudanças a mais);
  • 3 colheres de sopa de sementes de papoila (é mesmo opcional, mas juntei para dar mais fibra e porque gosto de sentir as sementes, se quiserem saber mais sobre estas sementes vão a este link).
O modo de preparação é igual ao que referi acima.

Imagem própria

O pormenor das sementes de papoila
Imagem própria
O bolo ficou assim meio despedaçado em cima porque eu não untei bem a forma, então até conseguir desenformar tive de lhe bater um bocadinho. Relativamente ao resultado final, a consistência do bolo com farinha de arroz fica ligeiramente diferente do que é habitual com farinha de trigo, mas a nível de sabor nem sinto diferença. Por isso, pelo menos nesta receita, correu bem a conversão de farinha.

E assim, vamos diversificando a nossa alimentação e introduzindo novos produtos, mais saudáveis e mais sustentáveis, espero eu, pelo menos era biológica e integral.

Há coisa melhor do que comer um bolinho caseiro acabadinho de fazer com uma infusão caseira num dia de chuva e frio?

sábado, 14 de novembro de 2015

Esta música dava um bordado

Estes já não são os primeiros bordados que mostro aqui no blogue, já tinha feito a publicação Bordados para fraldinhas de limpar o bebé. A verdade é que entusiasmei-me e decidi bordar mais coisas para o rebento. Mas afinal, o que podia eu bordar? Se não sabia o sexo do bebé, não podia bordar o nome e também não tinha vontade de bordar bonecos só porque sim.

Tinha de bordar algo que me inspirasse e que possa ser inspiração para esse novo ser. Assim, umas frases que o bebé obviamente não vai ler, mas que me façam transmitir boas coisas à criança. Talvez isso pareça um pouco estranho.

Se há coisas que me conseguem transmitir boas sensações, bons pensamentos, boas vibrações é a música. Adoro música e já tenho uma vasta banda sonora que quero que o bebé oiça, gosto sobretudo de músicas com mensagens concretas sobre os temas que mais me fascinam. Aquelas músicas que nos fazem pensar sobre o mundo.

E foi isso que fiz, escolhi quatro músicas, das quais tirei uns trechos para bordar. Para fazer os esquemas recorri ao site Stitch Point no qual podemos escolher tipos de letras para as frases que queremos.

Escolhi duas músicas em inglês e duas em português, mas podia ter escolhido muitas mais. Vamos começar então pelas músicas em português.

Na Terra dos Sonhos, Jorge Palma

Escolhi esta música porque acho que explica bem o que a vida devia ser, aliás o que nós devíamos ser na nossa vida. Devíamos ser livres, ser quem nós somos verdadeiramente, sem sermos olhados de lado.


Esta música transformou-se numa fraldinha, na qual fiz aquele ponto entrelaçado também, nunca tinha feito e acho que fica mesmo bonito.

Pormenor do trecho da música escolhido
Imagem própria

Imagem própria

Cuidado com as imitações, Sérgio Godinho

Esta música está muito relacionada à forma como conheci o meu namorado. Mas além disto, é uma música que nos ensina que devemos desconfiar, perceber o mundo como ele é. E que principalmente não devemos acreditar nas pessoas pelas suas aparências, coisa em que eu acredito piamente.


Esta música foi inspiração para o babete.
Imagem própria


Imagine, John Lennon 

Haverá maior hino musical ao que o mundo devia ser do que esta música? A música do mundo ideal onde todos fossemos felizes, sendo livres e vivendo em paz. Um mundo no qual todos nos aceitassem como somos, sem discriminações.



Esta música transformou-se num babete:



Imagem própria

The 3 R's - Jack Johnson

Música completamente indicada para este blogue, esta música que fala de reciclagem, redução e reutilização e que foi feita em especial para crianças. Acho que é indicada para o que eu quero que o meu filho aprenda.



Esta música deu uma fraldinha, com a indicação bem precisa que é necessário reutilizar, com pesponto à volta da mensagem e da fralda inteira.

Pormenor do trecho da música escolhido
Imagem própria

Imagem própria

Depois de já estar a bordar, lembrei-me de várias outras músicas que podia ter aproveitado para as minhas criações. Acho que ainda terei de fazer qualquer coisas com No Cars Go, dos Arcade Fire. O meu objectivo é mesmo lembrar-me das músicas e cantá-las quando usar estas coisas. Bem a ideia de ser eu a cantar talvez não seja a melhor, mas posso sempre pôr no youtube.

Fiz estas peças com muito amor mesmo, deram grande prazer. Além de terem sido feitas por mim são mensagens que quero transmitir ao meu bebé e ao mundo em geral. Porque um ser humano também precisa de valores, de ideologias e de sonhos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Compota de tamarilho

hmmm deliciosa...

Já noutras postagens gabei a compota de tamarilho que adoro. Para a maior parte dos portugueses o tamarilho é um fruto desconhecido, mas eu tenho cá uma árvore em casa. A qual por volta do fim de Outubro, início de Novembro costuma dar os seus belos frutos.

O tamarilho ou tomate-maracujá (parece um tomate, mas tem um sabor idêntico ao maracujá) como é chamado nos Açores parece que é o fruto de uma árvore nativa dos Andes, na América do Sul. Como chegou cá ao quintal é que eu não sei bem, mas sei que temos cá a árvore desde o tempo do meu avô. Em princípio alguém terá comprado alguns tamarilhos no supermercado e decidiu semear aqui no quintal.

Mas eu nunca gostei muito de tamarilhos, mas uma vez trouxeram-me uma compota de tomate-maracujá dos Açores (único sítio em Portugal, onde eu encontrei a vender estar compota) e adorei, tanto, mas tanto, que todos os anos faço.

E todos os anos a produção de tamarilhos tem aumentado, bem para o ano se calhar vai diminuir porque o mau tempo arrancou uma pernada da árvore.
Os tamarilhos deste ano
Imagem própria

Antes de fazer a compota é necessário descascar os tamarilhos e retirar grande parte das sementes, podem retirar todas, mas eu não tenho grande paciência, então tiro só a maioria.

O aspecto dos tamarilhos descascado e arranjados

Depois de arranjados devemos pesá-los para ver a quantidade necessária de açúcar, cerca de 80% do peso da fruta. Neste caso, tinha cerca de 2,9kg de tamarilhos, o que significava cerca de 2,3kg de açúcar. Mas só tinha 2 pacotes de açúcar, ou seja 2 kg, então juntei ainda umas 50g de açúcar mascavado que tinha cá em casa e uns 5 pacotinhos de açúcar que também encontrei por cá. Como não tinha mais açúcar ficou assim. Mas não faz mal, a compota conserva na mesma.

Depois é levar ao lume a fruta, o açúcar e dois paus de canela. Ir mexendo, de vez em quando e esperar que se faça. Como queria fazer compota, ou seja deixar pedaços inteiros, não passei com a varinha mágica, mas fui desfazendo a fruta em pedaços mais pequenos com um instrumento daqueles de fazer puré.

Quando a compota já fazia ponto estrada, apaguei o lume e guardei a compota em frascos esterilizados (já expliquei noutras postagens como esterilizo os frascos). Mas não esterilizei frascos suficientes e então decidi guardar o resto numa taça, o que significa que vai ter de ser consumido mais proximamente (que chatice).

Resultado final: sete frascos e uma taça de compota de tamarilho
Imagem própria

As vantagens do saber-fazer que falei em outra publicação e a sua mais valia ambiental. Do quintal para casa sem grandes gastos de energia e a reutilizar frascos. Neste caso como nem sequer é um doce que encontre a vender por cá, ainda me sabe melhor porque se eu não fizer onde o vou comprar? Bem talvez em alguma loja açoriana, há algumas em Lisboa.

E já que estou a falar em tamarilhos, o ano passado também fiz licor, não para mim que eu não bebo bebidas alcoólicas, mas quis fazer para experimentar. O que eu fiz na altura foi descascar os tamarilhos e deixei-os num frasco grande, assim meio apertados, enchi depois o frasco com aguardente (neste caso era caseira do meu sogro). Deixei estar dentro do frasco umas 3 semanas a macerar. Depois abri e coei o conteúdo do frasco, ao qual juntei uma calda de açúcar e água (mas já não sei as quantidades). Coloquei depois em duas garrafas que tinha cá em casa (reutilizadas claro).

Licor de Tamarilho
Imagem própria



A garrafa mais fininha (que foi comprada primeiramente com licor de poejo) acabou há poucos dias e eu adoro esta garrafa, tenho-a ali guardada para voltar a reutilizar, mas não sei como. Alguma ideia?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A cebola, o tomate e uma das minhas sopas favoritas

Se houve vegetal que este ano tivemos em abundância cá por casa foi a cebola. Aliás, a cebola e o tomate. Ainda nos restam imensas cebolas e imensa polpa de tomate que fiz. A polpa de tomate deve dar até ao próximo ano quando os tomateiros começarem a produzir, as cebolas vão-se sempre estragando algumas por isso chegará a altura que temos de voltar a comprar.

Nós costumamos oferecer o que temos às pessoas que vêm cá a casa, podem ser cebolas, tomates, pepinos, courgetes ou qualquer outra coisa. Este ano muito me admirei quando duas pessoas distintas, depois de eu ter oferecido cebolas me disseram que não valia a pena, que em casa não comem cebola. E até me chegaram a responder o mesmo com o tomate. Devo ser bastante ceboleira e tomateira porque ponho estes dois alimentos quase em tudo, sobretudo a cebola. Aliás, devo confessar que fiquei a pensar no que afinal as pessoas comem.

Eu uso cebola nas sopas, nas saladas, às vezes cozo cebola para comer com peixe cozido, cebola nos refogados, cebolas quando faço lasanha ou bolonhesa, cebola no arroz, cebola quando asso alguma coisa no forno para fazer cama, omolete de cebola, carne de cebolada, guisados de feijão levam a dita cebola também, cebola picada no bacalhau ou atum com grão. Eu sei lá, acho mais fácil dizer no que não ponho cebola porque a utilizo quase para tudo.

O tomate não utilizo tanto, mas adoro salada de tomate, ponho tomate nas sopas, nos refogados e utilizo o molho de tomate caseiro. E claro, no maravilhoso arroz de tomate, ai, ai.

Por isso, não consigo imaginar bem o que é cozinhar diariamente sem estes alimentos. Podemos não ser vegetarianos, mas a introdução diária de vegetais é importante para a nossa saúde.


Pelo que andei a ver, a cebola tem um flavonóide chamado quercetina que pelos vistos faz bem a tudo. A cebola é um óptimo anti-oxidante, melhorando a actividade cardiovascular, anti-inflamatória, antitumoral, imunologica e antiviral.

O tomate é um alimento rico em licopeno, seja o que isso for, vitaminas do complexo A e B e minerais importantes como o fósforo e o potássio, ácido fólico (importante na gravidez), cálcio e frutose.

Até podemos não saber exactamente ao que isto faz bem, mas faz bem e torna a comida muito mais saborosa, acho eu. A introdução de vários vegetais quando cozinhamos também nos faz diminuir a quantidade de carne ou peixe que consumimos. O que também é positivo em diversos aspectos.

Por isso faz-me confusão como é que há quem nunca use cebola e tomate na sua alimentação.

E por isso deixo aqui uma sopa onde a cebola e o tomate são reis. Esta sopa é bastante pessoal, porque não conheço mais nenhuma família que a faça. Na minha família chamam-lhe sopa de batata. A minha mãe contava que era a sopa que antigamente se comia quando não havia mais nada. É uma sopa pobre, porque não tem nem hortaliça, nem leguminosas, mas eu adoro.

Sopa de batata cá de casa (eu não sei quantidades, faço tudo a olho)

- Batatas (cortadas às rodelas fininhas)
- Cebola (cortada às rodelas fininhas)
 
(eu ponho tanta cebola como batata, porque gosto mais do sabor da cebola, mas a minha tia por exemplo põe bastante mais batata que cebola)
- Tomate (em menor quantidade cortado ao pedaços)
- Dois ou três dentes de alho laminados
- Arroz carolino (ver a quantidade de forma a que fiquei assim uns bagos perdidos pela sopa)
- Polpa de tomate (de preferência caseira para não ter aquele sabor tão forte)
- Azeite
- Sal e pimenta
- Salsa (opcional)

Numa panela com azeite no fundo, deitar a cebola, os alhos, as batatas e o tomate em pedaços, deixar corar, juntar polpa de tomate suficiente para que o caldo fiquei bem alaranjado, encher de água, um pouco acima dos vegetais. Quando estiver cozido juntar o arroz carolino e ir mexendo. Temperar de sal e pimenta a gosto, depois de feita juntar a salsa. E é isto, mesmo sopa de pobre, poucos ingredientes e pouco trabalho. Mas eu gosto bastante.

A minha sogra nunca tinha provado e um dia eu fiz e ainda hoje ela fala como lhe soube bem a sopa. Como é diferente das sopas que estamos habituados, às vezes parece que ainda sabe melhor.

O meu pai diz que na terra dele, antigamente, quando as pessoas não tinham nada, faziam uma sopa parecida, mas sem tomate.

Imagem própria

domingo, 18 de outubro de 2015

Reutilizar botões

Não sei se é muito comum as pessoas terem imensos botões em casa. Mas eu tenho, alguns bem velhinhos. A minha mãe guardava todos os botões. Lembro-me de ser pequena e brincar com eles. Mais ou menos há um ano decidi começar a fazer coisas com os botões que tinha por cá.

Fazer artesanato com coisas que já temos é estar a reutilizar materiais, dar-lhes uma nova vida. Além dos botões precisei sempre para as coisas que fiz de uma pistola de cola quente.

Imagem ilustrativa dos botões que eu tinha cá em casa na altura
Imagem própria
As primeiras peças que decidi fazer foram ganchos para o cabelo, quer de mola, quer tipo pinça. Ficaram como eu queria, mas ao estarem sempre no cabelo com o uso fui perdendo alguns botões. Então tinha de voltar a colar novos botões, de qualquer modo agora tenho o cabelo pequeno não dá para usar ganchos. Por isso, acho que ficam engraçados, mas não acho que seja uma ideia muito prática.

Imagem própria

Imagem própria

Como estávamos perto da época natalícia decidi fazer também uma coroa de Natal. Acho que fazermos coisas próprias para a decoração de Natal, bem como darmos presentes feitos por nós nesta época é o que representa verdadeiramente o espírito natalício. Como não gosto da loucura do consumismo, muito menos nesta fase de Novembro a Dezembro, aliás cada vez suporto menos, a única decoração que tenho de Natal é alguma coisa feita por mim. Não compro nada dessas coisas, nem uso, a não ser que cá em casa alguém queira comprar e montar. Mas acho que quando é feito por nós com recurso à reutilização de materiais, ou mesmo que se comprem materiais novos, é sempre original, bonito e verdadeiramente natalício.

Coroa de Natal
Imagem própria
A coroa passa o ano inteiro na parede ao lado da secretária do computador, ao lado de uma prancheta que eu gatafunhei há uns anos e de um calendário de alumínio do Trabi (carro da RDA). Quando chegar a Dezembro ponho-a na porta principal.

Para fazer a coroa aproveitei uma caixa de cartão, apenas tive de comprar a fita. Devia era ter pintado o cartão de branco para que ficasse mais homogénea, mas só me lembrei disso depois de concluída. Ainda no espírito natalício, na altura fiz uns presentes onde apliquei botões. Normalmente, dou sempre presentes feitos por mim no Natal a algumas pessoas. O ano passado comprei umas caixas de madeira, pintei-as e apliquei os botões e fiz o mesmo numa moldura. A moldura ficou tão fofa, mesmo bonitinha, infelizmente não tirei fotos nem às caixas nem à moldura por isso não posso mostrar. Este ano ainda não decidi se vou fazer alguns presentes ou não, depois penso nisso.

Para finalizar, queria mostrar a sardinha que diz para concorrer ao Concurso Sardinhas Festas de Lisboa 2015, infelizmente não ganhei, mas pronto tenho a minha sardinha mangerica aqui pendurada na sala. Para esta sardinha tive de comprar alguns botões novos, porque não tinha botões suficientes destas cores, neste caso já pintei o fundo do cartão com as cores correspondentes.

A sardinha mangerica (acompanha por outras sardinhas)
Imagem própria
Acho que reutilizar botões para artesanato é bastante interessante, afinal sem ser a costura ou artesanato, os botões não servem para muito mais coisas ou estarei a esquecer-me de algo? Depois são materiais que duram mais que os tecidos e que não se podem reciclar. Quer dizer se calhar até podem, mas não há recolha apropriada.

Espero que vos tenha inspirado a reutilizar botões.
Tenho de pensar onde posso reutilizar aqueles botões com barquinhos que se vêem na primeira fotografia que ainda me lembro bem de serem de um fato que eu tinha quando era criança.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Onde deitar os cabelos?

Lembro-me de ser pequena, vivia num apartamento e a minha mãe deitava os cabelos na sanita e mesmo algum lixo que varria, o pó e tal, só de pensar... Sim naquele tempo não havia ETAR, apenas esgoto, mas ainda me lembro do cheiro que vinha no Tejo quando a maré estava baixa, nós vivíamos na Amora mesmo junto à baía. Via-se aquele lodo e provavelmente os nossos cabelos e toda a outra porcaria ali e o cheiro horrível.

Agora quando existe sistema de ligação aos esgotos, o que deitamos pela sanita já não vai parar assim ao rio, vai para uma ETAR, mas nem por isso a coisa melhora muito. Se temos fossa séptica, se houver alguma fuga, tudo vai ser absorvido pelo solo. Os cabelos e outro lixo vão entupir os esgotos e dificultar o tratamento das águas residuais nas ETARs. Isto já para não falar de outras coisas como tampões, pensos higiénicos, preservativos, às vezes até me custa a entender como alguém é capaz de deixar estas coisas na sanita. Muitas vezes, os grandes problemas das água residuais não são os nossos dejectos (aliás estes até podem ser decompostos e reutilizados, existem sanitas secas, acho a ideia bestial), mas o resto de coisas que deitamos para a sanita, incluindo os detergentes que prejudicam bastante o tratamento das água.

Só por curiosidade, aqui fica um sistema de sanita seca.



Imagem retirada de http://gaia.org.pt/node/16004

Por causa destas coisas, comecei a dizer à minha mãe que mais valia pôr os cabelos, bem como o lixo do chão, no caixote do lixo indiferenciado. Actualmente, como já referi noutras postagens, muito raramente despeje o lixo que varro no lixo indiferenciado, costumo deitá-lo nos canteiros (retirando, claro, alguma coisa que não seja biodegradável).

Mas continuava a tirar o cabelo da minha escova e a deitá-lo no caixote do lixo. Mas também me deixei disso. Agora quando limpo a escova vou enterrar o meu cabelo no canteiro das hortenses. O cabelo, tal como as unhas (ainda não me decidi a ir enterrá-las) são células mortas e quem é que come restos animais, as minhas amigas minhocas que já falei na postagem O café e as minhocas.

O cabelo, tanto o nosso como o dos animais é biodegradável como não poderia deixar de ser, por isso pode e deve ser deixado onde se degrade. Logo podem enterrá-lo num canteiro ou vaso ou deitá-lo na compostagem, caso façam. Se tiverem minhocas, elas agradecem e depois agradecemos nós o húmus. Deixo aqui este link, onde podem ver os alimentos preferidos das minhocas.

Claro que senão tiverem nenhuma destas soluções continuo a achar que é melhor pôr os cabelos para o lixo indiferenciado do que para a sanita. A possibilidade de entupir canos e deixar a água ainda mais suja parece-me pior, ao menos em aterro o cabelo sempre se vai degradando.

Para terminar, será que ter deixado de usar champoo com parabenos e essas coisas (Produtos de higiene e cosmética), a experiência está a correr muito bem, deixou o meu cabelo mais saboroso?

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Bordados para fraldinhas de limpar o bebé

Não é que isto tenha muito a ver com ambiente, sustentabilidade ou resíduos, mas trabalhos manuais são sempre um bocadinho sustentáveis... e por isso, aqui estão os meus bordados.

Aprendi a bordar em ponto de cruz há imensos anos, já nem sei quantos. Mas devo confessar que nunca tive muita paciência, bordar por bordar não é para mim. E para mim bordar só tem sentido se for em alguma coisa que se dê utilidade, até se pode estragar, mas coisas bonitas que não se usam não fazem muito sentido na minha forma de pensar.

Mas como vou ter um bebé, achei que isso era suficiente para lhe bordar qualquer coisa, uma fraldinha daquelas de limpar ou um babete. Decidi-me pela fralda e o que eu havia de bordar? Algo que tivesse a ver comigo e que eu espero que o meu futuro filho goste tanto como eu gosto. Tinha de lhe bordar o mundo, neste caso o globo, conceder-lhe nem que seja apenas simbolicamente o sonho de saber como é o mundo. Como são os países, as cidades, as pessoas, sonhos de alguém que estudou geografia.

Assim, fui à retrosaria comprar uma fralda para bordar, mas acabei por comprar duas. Aqui está a minha fraldinha globo. Apenas bordei o básico, não fiz nada à volta, primeiro não sei fazer crochet ou tricot, podia pôr uma fita, mas queria uma coisa bem simples. Até porque senão for simples o pai não aprova.

Fralda Globo
Imagem própria



Pormenor do globo
Imagem própria
Não encontrei nenhum esquema, aliás encontrei um, mas estava muito aldrabado, então decidi fazer o meu próprio esquema. Mas como se pode ver, há ali umas ligeiras diferenças nas linhas de costa, sobretudo na costa atlântica de África. Não sei se este globo me daria positiva a Cartografia, parece que houve ali uma descida do nível do mar, contra todas as perspectivas do degelo e tal.

Aqui está o meu esquema, já um bocado alterado e bastante riscado.

O meu esquema de globo
Imagem própria

Eu sei que não está perfeita - sobretudo se virem os acabamentos por trás, está tudo direitinho todos os pontos para o mesmo lado, mas eu e os nós, os acabamentos não somos muito amigos - mas fiquei tão contente com o meu globo.

Mas como eu disse quando fui à retrosaria comprei duas fraldas, esta para bordar e outra sem quadrilé para colocar dois ursinhos que encontrei na minha antiga caixa dos bordados. Bordei estes dois ursinhos, menina e menino, quando tinha uns dez anos provavelmente, ou seja, quase há vinte anos. Mas nunca encontrei nenhuma utilidade para estes já idosos ursinhos, até este momento. Como não sabemos o sexo do bebé, decidi colocar os dois ursinhos na fralda, assim ninguém implica que a cor da fralda do ursinho não corresponde à suposta cor ideal para o bebé que esperamos. Para aplicar, usei duas linhas matizadas laranja e verde que foram as primeiras linhas de bordar que a minha mãe me ofereceu, certamente têm mais de vinte anos.

Fralda depois de aplicar os idosos bordados
Imagem própria
Os ursinhos em pormenor e já aplicados na fralda
Imagem própria
Os meus ursinhos são um caos de imperfeições, eu passava a linha por qualquer sítio, ainda bem que a parte de trás fica tapada. No caso da fralda do globo tenho um certo receio que nas lavagens a parte de trás comece a desfiar, vamos ver. Mas se eu soubesse como era, tinha comprado duas fraldas sem quadrilé, bordava o globo no quadrilé à parte (tenho imenso) e depois aplicava. Que o quadrilé que vem na fralda é tão pequeno, mas tão pequeno que me custou um bocadinho bordar algumas partes.

Agora queria ver era se desenhava e pintava alguma coisa, porque antigamente eu tinha jeito para o desenho, posso pintar uns ecopontos ou qualquer coisa do género.

Já agora não acho piada nenhuma se chamar isto de fraldas. Fraldas para mim são outra coisa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Compota de dióspiro e tomate e Marmelada caseira

Passo a vida a dizer que não vou fazer mais doces e compotas até gastar todo o meu stock, mas depois há sempre uma altura que caiu em tentação. É mesmo algo que eu gosto de fazer, mais do que de comer, mas também gosto de comer é a realidade. E depois como não compro a matéria-prima fica realmente barato.

Então desta vez decidi inovar e fazer compota de dióspiro e tomate. Qual o motivo para esta combinação? Era o que eu tinha no frigorífico. Como não tinha nenhuma receita fiz aquele básico de 80% de açúcar para cada quilograma de fruta. Sei que há quem ache que é demasiado açúcar, mas é a quantidade de açúcar que vai conservar o doce. De notar que faço os doces mesmo para durar, já que os conservo fora do frigorífico durante anos. Anos mesmo. Tenho andado a comer doces que fiz em 2013. Aliás, já este ano comi um doce de tomate que a minha mãe tinha feito e a minha mãe já morreu quase há quatro anos. Por isso podem ver como eles resistem bem conservados.

A receita:
Imagem própria

Arranjei os dióspiros e os tomates, bem, mais quantidade de dióspiro do que de tomate como podem ver pela imagem. Arranjados pesavam 1,600Kg. Por isso, a quantidade de açúcar devia ser 1,600*0,80=1,280Kg. Arredondei e utilizei 1,200Kg de açúcar.

Num tacho em lume brando juntei a fruta e o açúcar, dois paus de canela e umas folhinhas de lúcia-lima. E assim fiz, fui mexendo até achar que tinha a consistência perfeita, fiz o ponto de estrada e deixei arrefecer um pouco e enfrasquei (utilizei frascos previamente esterilizados).

Decidi fazer tipo compota e não tipo doce, ou seja deixei pedaços inteiros da frutas, mas quem quiser pode passar.

Acho que ficou um sabor interessante docinho e bem aromatizado. Tem apenas um senão, sinto aquele travo do dióspiro que me seca a boca, bem no pão não se sente, apenas de sente comendo à colherada, o que não é aconselhado. Mas perguntei a outras pessoas e até gostam do travo. Ainda deu para cinco frascos, um já está aberto e o outro estou a pensar enviar para o Brasil (adoro que os meus doces viajem).

Agora é que reparei que a imagem ficou tremida, mas já não posso tirar mais fotografias
Imagem própria

Além desta compota, os meus sogros vieram cá passar o fim-de-semana e trouxeram marmelos. Adoro marmelada e mesmo marmelos assados ou cozidos, só me chateia é descascar os marmelos, mas a minha sogra fez esse trabalho. Assim fizemos marmelada, um quilograma de marmelos, um quilograma de açúcar e dois paus de canela, em lume brando. É deixar cozer os marmelos até ficarem bem molinhos e depois passar tudo. Há quem goste de marmelada mais líquida, mas eu prefiro-a bem dura de cortar à faca, por isso é deixá-la apurar. E assim ficámos com três taças de marmelada, uma para cada pessoa cá de casa.

Imagem própria

Assim, já tenho doces para o ano que vem. Os quais vou juntar às minhas reservas de 2013, este ano se a gravidez me permitir apenas penso voltar a fazer doce de tamarilho, já que é o meu doce favorito e não se encontra cá à venda. No entanto, ainda tenho de esperar que os tamarilhos amadureçam.

Fazer compotas e doces é bastante fácil, sobretudo se soubermos fazer em pouca quantidade, sim que agora ando a controlar-me. É barato no caso de termos fruta própria. Embora use bastante açúcar, não uso outros conservantes e aromatizantes como os de compra. E duram bastante tempo se os frascos forem bem esterilizados. Consigo comer doces e compotas com três ou quatro anos e só as ponho no frigorífico depois de abertas. Contudo, tenho sempre atenção quando abro o frasco, confirmar se não há bolor, o cheiro e se a tampa faz o ploc do vácuo.

Fazer compotas é também bastante mais sustentável que comprá-las, sobretudo se reutilizarem frascos como faço. Na postagem Polpa de tomate e a reutilização de frascos de vidro explico como faço a esterilização dos frascos de vidro.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As minhas infusões

Como o prometido é devido, decidi finalmente pôr a tesoura  a cortar as minhas ervas para fazer as infusões, a de lúcia-lima e a das mentas, tal como disse que faria na postagem Chás e infusões - escolhas.

Primeiro cortei-as, escolhendo as folhas que me pareciam saudáveis. Posteriormente separei as folhas das caules, não quer dizer que não tenha passado um bocadinho ou outro das caules e deixei a secar cerca de quatro dias. Convém deixar a secar num sítio que apanhe ar, mas onde não apanhe sol directo e já agora, o mais difícil de tudo onde a gata não chegue, senão o mais certo é posteriormente beber infusão de pêlos de gata. Pelo menos a minha gata parecia estar a achar que o sítio ideal para ir dormir era uma peneira cheia de folhas.

A lúcia-lima ou limonete, tem um cheiro idêntico ao do limão, não tem muito que referir é das minhas infusões, vulgo chás, preferidas. Muito boa para ajudar na digestão, se repararem aquelas infusões que se vendem como o nome Digestão Fácil, normalmente têm sempre esta erva.

As mentas ou hortelãs também são bastante agradáveis, adoro o sabor. Nesta infusão juntei quatro tipos, menta-chocolate, menta-laranja, menta-ananás e hortelã da ribeira (a hortelã mais comum que existe por aí). A que tenho em maior quantidade é a menta-chocolate, logo foi a mais usada para preparar as infusões. Vamos ver se esta mixórdia de mentas dá um sabor interessante.

Passado os quatro dias, ou seja hoje, como já estavam realmente secas, decidi dividir em frascos, separei mais algumas caules que tinham ficado. E no caso nas mentas, parti-as um bocadinho para quando for fazer a infusão os diferentes sabores se juntarem mais.

E agora vou lanchar, uma infusão de mentas e uma fatia de bolo de chocolate que acabei de fazer, não deixo a receita porque é pouco sustentável (cacau e coco não é algo muito europeu), mas é dos melhores bolos de chocolate caseiros que já comi. Se calhar um dia deixo a receita...

As mentas ao fundo e a lúcia-lima no meio
Imagem própria

Aqui estão as folhas já sem caules, à esquerda a lúcia-lima e à direita as mentas
Imagem própria
Já dentro dos frascos, dois de cada, à esquerda, as mentas, à direita, a lúcia-lima
Imagem própria

Falta a parte: Porque é que as minhas infusões são sustentáveis? Porque são do meu quintal, porque não têm químicos, porque não foram transportadas (só pelos meus pés) por meios que gastam recursos, porque não utilizaram embalagens novas e ainda porque estão guardadas em frascos reutilizados. Acho que é suficiente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O café e as minhocas

Como já referi, anteriormente, aproveito as borras de café da minha loja para o jardim.

Mas vamos primeiro ao café enquanto produto. Na Europa não se produz café, contudo somos grandes consumidores. Os maiores produtores mundiais de café são o Brasil, a Colômbia, a Indonésia, o Vietname, o México, a Etiópia, a Índia, a Guatemala, a Costa do Marfim e o Uganda. Isso mesmo, o café tão consumido no hemisfério Norte provem na sua grande maioria do hemisfério Sul ou no máximo do Sul do hemisfério Norte.

Pelo que li existem dois tipos de planta que originam o café: a robusta e a arábica.

Distribuição do cultivo de café (r - robusta; m - robusta e arábica; a - arábica)
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9

Com esta produção mundial devíamos era deixar de consumir café. Ai! Mas o café, esse precioso produto que está nas nossas vidas como se fosse algo que existe desde sempre. Quase como se nascesse aqui ao lado, nem parece importado, parece um produto certo e adquirido, quase tradicional.

Então resta-nos beber o café e tentar reaproveitar qualquer coisinha. No meu caso, as borras de café, sim eu vendo o café e depois ainda o reaproveito, todas as semanas é menos um saco cheio que teria como destino o aterro. As borras de café são biodegradáveis, mas como se sabe em aterro e juntamente com outras coisas, nomeadamente plásticos, nem o que é biodegradável se degrada em condições e no mesmo tempo que demora na natureza.


Borras de café no canteiro antes de serem espalhadas (também estão uma flores secas misturadas)
Imagem própria

Na fotografia estão as borras de café no canteiro das hortenses. As borras de café são boas para a cobertura do solo de flores como as rosas e as hortenses porque melhoram a acidez e os nutrientes do solo. Mas bem, pelo que percebo podem não ser muito aconselháveis para certas plantas, porque a sua decomposição consome muito nitrogénio, retirando-o do solo, por isso nunca aproximo muito das raízes, vou pondo em espaços vazios ou nos caminhos dos canteiros. Além de serem boas para o solo, também são boas para afastar certos tipos de pragas. Outra coisa, parece que o cheiro também afasta os gatos, o que me leva a pensar que da próxima vez tenho de pôr umas quantas borras nos vasos das plantas interiores, já que a minha gata gosta de ir dormir para cima de algumas plantas e parti-las. Outra solução ideal para as borras é a compostagem, por isso se fazem compostagem, podem pôr lá o vosso café.

Mas quem é adora as borras de café, quem é? Esse maravilhoso animal que eu tanto gosto, as minhocas. As minhocas adoram borras de café, aliás gostam em geral de todos os restos orgânicos. O facto de elas serem tão boas trituradoras de resíduos orgânicos faz com que muita gente faça vermicompostagem, o que é basicamente compostagem com a introdução de minhocas. O que acelera muito o processo de transformação dos restos em composto.

Sobre a vermicompostagem e o trabalho árduo das minhocas, a Wikipédia diz o seguinte: "A vermicompostagem é o uso da minhoca na produção de húmus, decompondo resíduos e dejectos de animais e também o lixo urbano (orgânico), colaborando com a melhoria dos solos, sequestrando carbono e eliminando cheiros desagradáveis. A vermicompostagem é um processo bastante difundido, em especial entre moradores de áreas rurais, visto a minhoca ser uma verdadeira máquina de limpeza dos resíduos. Quando colocada a quantidade correta de minhocas (ao redor de 5.000 unidades por metro quadrado) em 30 a 35 dias (na compostagem normal leva de 100 a 300 dias), pode transformar 2,5 toneladas de resíduos orgânicos em húmus, em um canteiro de 10x0,80x0,40m. A minhoca come os resíduos, e seu excremento possui ao redor de 2 milhões de bactérias por grama, enriquecendo o solo deixando disponível as plantas praticamente todo o complexo mineral (cinco vezes e meia mais nitrogénio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e onze vezes mais potássio que o solo ou o resíduo que se alimentou)." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAmus).
E por este motivo andei o ano passado a apanhar imensas minhocas pelo solo e a espalhá-las nos canteiros para que estejam sempre a trabalhar, a comer os resíduos e a transformar em húmus. Por curiosidade podemos ver esta notícias, Minhocas podem ser alternativa para tratar solos contaminados ou Minhocas podem ajudar a limpar solo contaminado. Assim ainda espero que as minhas minhocas me tratem algum contaminante que esteja em excesso, nunca se sabe o que temos por aqui e se elas gostarem de comer contaminantes que estejam à vontade.

Nas imagens seguintes estão as minhas tentativas de fotografar as minhocas no mesmo canteiro que mostrei acima. Elas estão nas fotografias, não sei é se alguém as consegue ver, mas aqui estão elas a trabalhar alimentadas a muita borra de café.

Imagem própria



Imagem própria


domingo, 16 de agosto de 2015

Reutilizar rolhas de cortiça


Se há produto que se usa em Portugal é a rolha de cortiça, matéria-prima bem portuguesa e que devemos apostar. A cortiça tem imensas utilidades, sendo um óptimo isolador, não era por acaso que as escolas tinham/têm aqueles tectos de cortiça, talvez a utilização mais comum e visível no dia-a-dia sejam as rolhas de cortiça das garrafas de vinho. Eu não bebo vinho, logo não costumo contribuir para o aumento deste tipo de resíduos. Mas bem, há quem cá em casa contribua para os aumentar, e ainda bem. Já que eu vejo na cortiça uma certa beleza, a qual portanto pode ser reutilizada. Desta forma guardo todas as rolhas de cortiça. Algumas tento reutilizar, outras levo para a reciclagem. Em todos os supermercados costuma haver recolha de rolhas de cortiça, as quais serão transformadas noutro tipo de produtos.

Uma rolha por outra, às vezes vai parar a algum canteiro de flores, o que também não tem grande problema, uma vez que são biodegradáveis.


Por isso, façam o que quiserem às rolhas, mas por favor não as deixem no lixo indiferenciado. É realmente um desperdício.

Uma das ideias mais fáceis para a reutilização de rolhas de cortiça é fazer base para quentes, apenas se têm se colar umas rolhas às outras com cola quente. Simples.

A primeira base para quentes que fiz. Não sei porquê achei que devia cortar as rolhas ao meio, só compliquei e não ficou lá muito bonita. Mas bem, serve para o que se pretendia, é útil.
Imagem própria.



A segunda base que fiz para quentes, decidi não inventar e apenas colar as rolhas e ficou sem dúvida melhor, até porque as rolhas eram todas do mesmo tamanho, o que facilitou a tarefa.
Imagem própria



domingo, 9 de agosto de 2015

Polpa de tomate e a reutilização de frascos de vidro

Gosto de fazer conservas, comecei relativamente há pouco tempo, e gosto de tudo, doces, compotas, chutneys... mas bem quando comecei a fazer, fiz tantas, mas tantas que ainda tenho um stock considerável... só depois de fazer imensas comecei a perceber que quase ninguém as comia, por isso deixei de fazer. Aliás no que se refere a compotas e doces, a única que tenho feito é de tamarilho, lá por volta de Outubro/Novembro quando a árvore dá. Adoro aquele doce e como a árvore dá poucos frutos, no máximo faço 2 ou 3 frascos por ano.

Por isso a única conserva que continuo a fazer em doses "industriais" é polpa de tomate, não é bem igual à de compra, sendo mais um molho de tomate... costumo fazer uma quantidade que me dá quase para todo o ano. A quantidade que faço é proporcional aos tomates que o quintal produz, costumam ser bastantes.

Vantagens de a fazer:
1º gosto muito mais de a utilizar do que de utilizar polpa de tomate de compra;
2º os tomates do quintal não têm adubos, fertilizantes e coisas do género, logo são mais saborosos e penso que sejam melhores para a saúde;
3º passo um ano praticamente inteiro sem comprar polpa de tomate, nem tomate pelado, o que compro é muito pouco mesmo;
4º já que não compro, faço menos lixo, menos embalagens desperdiçadas;
5ª reutilizo imensos frascos que vou juntando durante o ano inteiro (bem este ano já tinha um stock tão grande que os que tinham as tampas mais velhas acabaram na reciclagem).

Desvantagens:
É preciso ter paciência e tempo, depende da quantidade que se faz claro.

O processo de fazer é simples, num tacho enche-se o fundo com cebola cortada às rodelas e o resto do tacho com tomate cortado aos pedaços (tirar o máximo de sementes que se consiga, mas se algumas passarem também não há problema). Eu costumo apertar o tomate com aquele utensílio de fazer puré até ficar mesmo pouco espaço livre. Cá em casa misturo todo o tipo de tomate que tenho, mas realmente o tomate chucha é o que mais rende. Tempera-se com um fio de azeite e um pouco de sal ou algumas ervas aromáticas à escolha (não exagero nos temperos porque depois quando se vai utilizar dependendo da comida podemos querer algo mais ou menos temperado). Depois ponho água até estar mais ou menos coberto. Quando está tudo cozido passo com a varinha mágica, deixo ferver e apago o lume.

O processo de corte
Imagem própria


O que mais me chateia é mesmo esterilizar os frascos, os quais já devem estar anteriormente lavados. O processo de esterilizar basicamente consiste em pô-los, juntamente com as suas tampas, numa panela com água quente até esta ferver. Depois deixar que o vapor da água desapareça do frasco, quando parece que está seco. Nesse momento podemos enche-los com a polpa de tomate, a qual ainda deve estar quente. Com os frascos cheios e bem fechados, pô-los novamente da panela cheia de água com a tampa virada para baixo e deixar que a água volte a ferver. Normalmente depois de apagar o lume deixo-os para o outro dia dentro da água. Este processo vai ajudar a criar vácuo. A partir daqui a polpa está pronta para ser consumida, depois de aberta deve ser guardada num frigorífico, antes disso costumo guardar os frascos num armário para não apanharem claridade.


Basicamente esta é a quantidade que fica daquele tacho de polpa de tomate (este ano já fiz 3 tachos cheios e ainda hei-de fazer mais que ainda temos tomate por aqui)
Imagem própria

Há quem compre frascos novos para fazer conservas, o que para mim é um contrasenso, afinal quero reaproveitar recursos. Mas na reutilização de frascos temos de ter em conta se as tampas não têm ferrugem e se vedam bem, só assim se consegue conservar por muito tempo, pois não permite que o ar entre em contacto com o produto. Claro que além disso, os frascos têm sempre de ser muito bem lavados.

O que sobra do tomate como será de imaginar é alimento para as galinhas, algumas sementes entretanto devem cair nos canteiros das flores que todos os anos costumam nascer tomates "selvagens" entre rosas e dálias.





sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O lixo cá de casa...

No meu entender, uma das piores consequências do lixo é a sua deposição em aterro... os aterros vão sendo cheios, cheios, cheios e depois tapados... as áreas onde os aterros estão nunca poderão ser áreas normais urbanas ou agrícolas... embora haja a possibilidade de transformar aquilo em alguma energia, não sei bem como funciona esse sistema.

No outro dia cheguei à conclusão que a grande maioria das pessoas não tem a noção que o seu lixo doméstico vai parar a aterro. Muito menos que senão mudarmos a forma de depositar este lixo, qualquer dia não há aterros que nos valham com tanta deposição.

Por isso a divisão dos resíduos é tão importante. Tudo o que for enviado para reciclagem foge deste destino final, sem falar que a produção de novos produtos a partir da reciclagem usa muito menos energia e água que a produção dos mesmos produtos a partir de matérias-primas "virgens". Claro que antes da reciclagem, convém pensar na reutilização e redução.

Outro problema dos aterros é que nem sempre reúnem as melhores condições para a degradação dos resíduos biodegradáveis, o que não é de estranhar até porque por questões de higiene tendemos a juntar todo o lixo em sacos de plástico. Misturado-os com outros produtos e nem sempre com as condições a termos de humidade necessárias para a sua degradação. Assim, um resíduo que ao ar-livre poderia decompor-se facilmente, num aterro demora muito mais tempo.

Cá em casa a quantidade de resíduos que vão para o contentor normal é muito reduzida, por semana despejo cerca de 1 saco de compras de supermercado mal-cheio num contentor indiferenciado. Algumas semanas, nem despejo. Normalmente apenas deixo alguns guardanapos do almoço e jantar (sei se que podiam ir para a compostagem, mas não temos esse sistema cá em casa), cotonetes, alguma coisa de cerâmica ou vidro que se parta (é raro) e alguma coisa que vai lá parar sem querer (normalmente motivado pela preguiça de alguém, mas também é raro).

Assim, quase tudo vai para a reciclagem, vidro, papel, cartão, rolhas de cortiça (outras vezes faço trabalhos manuais e noutras deixo-as a degradar no meio das flores), pilhas e baterias, pequenos electrodomésticos (normalmente há quem cá em casa os desmanche e os venda por materiais), roupa (toda entregue em sítios que prometem tratar dela).

Os restos de comida vão direitinhos para as galinhas, as amigas devoradoras de resíduos orgânicos, o que por acaso elas não comem (coisa rara) vai ficando lá a apodrecer... se ficar directamente em contacto com a terra passado um ou dois dias já está integrado no solo, se ficar em contacto com o cimento quando é limpo passa para o monte do estrume, onde vai curtindo, ou seja um processo semelhante ao que acontece na compostagem. Como é tudo ao ar livre não se acumulam cheiros. Este estrume depois de curtido vai servir para pôr na horta, não sendo necessário desta forma recorrer a adubos artificiais.

Não digo que façamos tudo certinho e que não haja erros pelo meio, mas parece-me um óptimo destino para os meus resíduos.

Outra coisa que insiro, constantemente, no meu jardim são borras de café, tenho uma loja onde se vende café e trago sempre as borras, óptimo alimento para as minhocas que acabam por ele num instante.

O lixo que varro dentro de casa ou no quintal como é sobretudo pó e folhas secas também são depositados nesse monte de estrume ou se for pequena quantidade em algum canteiro de flores.

E assim se faz uma casa com pouco lixo.

Algo positivo sobre o sistema de lixo doméstico indiferenciado é que em muitos centros já há alguma separação e esse lixo consegue ainda ser valorizado. Mas nem tudo é possível de separar, por isso mais vale fazer esse trabalho em casa.

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