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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Blogue meu, blogue meu, existirá alguém mais poluidor que o meu filho?

Sou mãe há um mês e tenho de fazer a retrospectiva do lixo que o meu bebé faz. Como disse em muitas postagens cá em casa fazíamos cerca de um saco de lixo indiferenciado por semana, bem neste momento fazemos cerca de quatro sacos no mesmo espaço de tempo. Sim, três pessoas faziam um saco, quatro pessoas quatro sacos, ou seja há uma pessoa com cerca de quatro quilos que faz três sacos de lixo. Isto é um exagero.

Na primeira semana de vida do Luís como estive internada no hospital usei tudo descartável, minha culpa, minha culpa, mas acho que não teria aguentado se fosse de outra forma. Quando chegámos a casa começámos a usar toalhitas de pano (sempre, sempre, sempre) e às vezes fraldas de pano (só algumas vezes, porque só tenho dez fraldas de pano que posso usar com a máxima confiança, ou seja tamanho recém-nascido, as restantes são muito grandes).

Assim até este momento, toalhitas descartáveis só usou no hospital, tenho ainda aqui em casa uns três pacotes que foram oferecidos e serão usados em qualquer eventualidade, mas pouco usados que o meu bebé tem tendência a assar. Relativamente às fraldas descartáveis até este momento, pelas nossas contas em trinta dias usámos cerca de 120 fraldas descartáveis. Sim é mesmo imenso, dá uma média de quatro por dia. Não esquecer que a primeira semana foi só a descartáveis. Mesmo assim quatro fraldas descartáveis por dia, significa que uso em média quatro fraldas de pano por dia, contando que mudo a fralda no mínimo oito vezes por dia. Às vezes é bem mais.

Além disto, o aumento no meu lixo deve-se ainda ao facto de utilizar para o bebé alguns discos de algodão e compressas (sobretudo quando ainda não tinha caído o cordão umbilical, agora raramente uso). E também os meus pensos higiénicos, sim tenho de me decidir a usar mesmo pensos de pano, mas queria passar esta primeira fase pós-parto.

Relativamente às toalhitas e fraldas de pano, lavo de dois em dois dias, máximo três em três. Mas normalmente tenho mesmo de lavar de dois em dois porque gasto as toalhitas todas nesse período, o meu stock são cerca de 70 toalhitas, ou seja gasto cerca de 35 toalhitas num dia. Será que sou eu que as uso demais? Se isto fosse em descartáveis, o meu lixo seria impensável.

O problema é que como depois as sujo todas e agora a roupa não seca tão rápido, a maioria das vezes tenho de as pôr na máquina de secar. Também não é muito sustentável, não é? Mas bem não é todas as vezes, muitos dias secam no estendal.

Mas bem, o meu Luís tem mesmo de crescer mais um bocadinho para usar em exclusivo as fraldas de pano de tamanho único, afinal tenho cerca de umas trinta, serão mais que suficientes. Talvez o meu lixo volte à normalidade.

Já agora a nível prático e para quem tem dúvidas, usar toalhitas de pano não dá mesmo qualquer trabalho. Aliás, acho que limpo o rabinho mais rápido do que com as descartáveis, pelo menos com as toalhitas que tenho. Em relação às fraldas de pano, depende do sistema das de pano, as descartáveis dão menos trabalho é verdade, mas as de pano também não dão trabalho por aí além e para mim a causa ambiental compensa.

Imagem retirada de http://tiniestsocks.com/2013/02/02/the-diaper-dilemma/


Para finalizar, além do aumento do lixo indiferenciado, também a reciclagem aumentou imenso com a chegada do Luís. Não que ele utilize diariamente embalagens. Mas só as prendas que tem recebido têm sido suficientes para aumentar a nossa quantidade de resíduos para a reciclagem. Afinal não há roupa ou brinquedo que não venha envolvida em milhares de embalagens, sem contar com os papéis de embrulho. Para o Natal do próximo ano acho que vou ser contra os embrulhos, neste acho que já não vou a tempo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Produtos de limpeza: o que sei e o que não faço

Tal como os Produtos de higiene e cosmética, também os produtos de limpeza estão cheios de químicos que fazem mal ao ambiente e à nossa saúde. Com um problema adicional, se repararem nas etiquetas destes produtos quase nunca consta a composição dos mesmos (a não ser que sejam altamente perigosos). O que torna muito mais difícil para nós, simples consumidores, termos ideia do que estamos a utilizar.

Mas se é verdade que já me fui rendendo aos produtos de higiene ecológicos, o mesmo ainda não aconteceu relativamente aos produtos de limpeza. E porquê? Sobretudo por causa do preço. É a grande realidade. Embora também seja verdade que cada vez encontramos produtos de limpeza amigos do ambiente mais em conta.

Assim continuo a utilizar os produtos comuns, com excepção do detergente de loiça que por vezes compro ecológico e de outra excepção que vou referir mais à frente.

Os produtos comuns a nível ambiental são prejudiciais sobretudo para a água, uma vez que a contaminam. Como já referi noutras publicações, mesmo com o tratamento das águas residuais nas ETAR, a água devolvida ao ambiente natural pode ter sempre vestígios destes produtos. No entanto, como sabemos nem toda a água é tratada, quer porque nem todos os sítios estão ligados a esgotos, quer porque nem todos os esgotos estão ligados a ETAR e, ainda, porque podem sempre haver perdas pelo meio.

Ao serem prejudicarem a qualidade da água vão também ser danosos para os animais, por exemplo as gaivotas. Mas as gaivotas voam!? Sim, mas também mergulham. Mas como não sei explicar bem o efeito, embora o compreenda, prefiro remeter para Sabões, detergentes e seus impactos no meio ambiente do blogue brasileiro eCycle.

A utilização destes produtos também prejudicam a qualidade do ar, o que é agravado com a mistura de alguns produtos de forma errada. O que acaba por nos prejudicar a nós e aos outros seres vivos. Por este motivo também é importante que tenhamos plantas em casa que equilibrem a qualidade do ar como referi em Plantas - purificadoras do ar.

Desta forma e como não conhecemos a composição química dos produtos (mesmo que eu conhecesse, não entendia) temos de ter cuidado com a mistura indiscriminada destes. E também com o seu o aquecimento, uma vez que podemos estar a potenciar a libertação de gases, prejudicando o ambiente.

Assim, o que podemos fazer para diminuir os estragos que estes produtos fazem ao ambiente e à nossa saúde? Na minha opinião podemos:

  • Utilizar menos produtos: embora todos os dias apareçam produtos milagrosos, não precisamos de um produto de limpeza diferente para todos os cantos da casa, se calhar dois ou três produtos são suficientes. Desta forma, não há o perigo de os misturarmos, podendo causar reacções estranhas e pelo menos diminuímos o consumo desenfreado de embalagens (não vale a pena comprar um produto específico que só vamos utilizar uma vez);
  • Utilizar produtos naturais: muitas vezes podemos utilizar apenas produtos naturais como o vinagre, limão ou bicabornato de sódio. Já experimentaram limpar o fogão com vinagre e bicabornato de sódio? Sai a gordura toda, mas cuidado que a mistura dos dois faz reacção. E fica um bocadinho a cheirar a vinagre. Outra coisa que podemos fazer com vinagre é limpar a caldeira do ferro de engomar, funciona, o calcário desaparece. E há muitas outras coisas, a internet está cheia de soluções;
  • Utilizar as quantidades certas: esta medida ajuda o ambiente e as nossas finanças, a sobredosagem acho que é um problema comum para muita gente. Vejo muito isso nas lavagens de roupa, leiam os rótulos, não vale a pena usar muita quantidade de detergente. Muita espuma não significa bem lavado;
  • Não limpar em demasia: esta é boa para pessoas como eu que não gostam de limpar, mas a sério, é necessário estar tudo a brilhar? Claro que temos de manter a higiene, mas ambientes demasiado higienizados podem ser prejudiciais, acabam por inibir a produção e acção dos nossos anticorpos e diminuir a nossa resistência às bactérias e vírus. Além disso limpeza não significa um cheiro forte a perfumes artificiais (a mim fazem-me espirrar), limpeza significa que não há sujidade;
  • A água limpa: a ideia que devemos usar produtos de limpeza para tudo faz-nos esquecer que muitas vezes a água por si retira a sujidade, se a bancada da cozinha apenas tem migalhas ou um pingo de qualquer coisa, basta passar com um pano molhado;
  • Usar produtos ecológicos: o que já falei acima e não faço, mas que quero ver se começo a fazer, mesmo que não totalmente de uma forma mais constante.

Mas como eu disse rendi-me a outros produtos ecológicos, nomeadamente detergentes para a roupa do bebé. Não é que os bebés não possam usar os detergentes normais, podem, mas como ainda não sabemos como vai ser a pele do bebé, os primeiros produtos a utilizar devem ser o mais naturais possíveis. E isso quer dizer entre outras coisas produtos sem cheiros artificiais. Adoro estes detergentes que deixa a roupa toda a cheirar a nada, só a lavado. Adoro, de tal forma que volta e meia lá lavo a nossa roupa também com o detergente dos bebés.

Para a roupa de bebé comprei este da L'arbre Vert, basicamente escolhemos um detergente líquido que existe em qualquer supermercado. Os detergentes líquidos na sua generalidade cuidam melhor da roupa no que se refere à manutenção das cores. Enquanto os detergentes em pó são melhores para retirarem sujidade mais profunda.


Imagem retirada de http://www.greenweez.com/l-arbre-vert-lessive-liquide-concentree-pour-bebe-1-5l-p5944

E comprei este para as fraldas, já que vou lavar muito cocozinho. As fraldas devem ser lavadas com detergente em pó porque lava melhor e deixam os tecidos respirarem melhor. Por isso mesmo aconselham a lavar as fraldas com detergentes ecológicos, os quais não têm na sua composição agentes químicos que entupam os poros (pelos mesmo motivos não se devem usar amaciadores). O problema do entupimento dos poros neste tipo de roupa é mau, uma vez que tem de se manter as qualidades de absorção da fralda. Todavia, há quem use detergentes comuns em pó ou líquido para as fraldas e não tenha problemas, talvez apenas exista uma redução da durabilidade da peça.


Imagem retirada de http://www.eco-rabinhos.com/product/bio-d-detergente-em-po-para-roupa-2kg
Bem não estou a dizer que apenas vou utilizar detergentes ecológicos na roupa da criança, nas fraldas em princípio sim, aos poucos vou vendo. Mas sem dúvida que estes dois que experimentei são bastante bons. Agora vamos vendo, mas adoro esta roupinha sem cheiros artificiais. Aliás como diz a enfermeira das minhas aulas de preparação para o parto: "O bebé não deve cheirar a perfume, deve cheirar a bebé, ao seu cheiro".

Em conclusão, acho que devemos utilizar mais produtos ecológicos, mas como nem sempre as nossas finanças permitem, os principais passos é usar menos produtos, usar as quantidades correctas, usar em algumas limpezas fórmulas naturais e compreendermos que limpeza não significa muita espuma e cheiros artificiais. Assim poupamos o ambiente, a nossa saúde e a nossa carteira. Pode ser que até nos sobre mais dinheiro para comprar os produtos ecológicos.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Guardanapos, lenços e papel higiénico

Quando acabei de ler o livro Dormir Nu é Ecológico cheguei a pensar durante alguns dias seguir os passos da autora e também deixar de usar qualquer coisa que fosse de papel para limpar. Nomeadamente, lenços de papel, guardanapos e papel higiénico (este nunca deixei de pensar usar completamente diga-se passagem). A autora começa a usar lenços de pano, guardanapos de pano e normalmente lava-se com água depois de urinar.

A ideia de deixar de utilizar estes produtos que não são recicláveis por razões óbvias teria como objectivo diminuir a produção de papel que só servem para usar e deitar fora. Por outro lado, poupa-se na energia, água e transportes. E também reduzir a quantidade de lixo produzido, embora todos estes produtos sejam biodegradáveis e possam ser decompostos, mas quantos são postos na compostagem? Mas então vamos ver como isto me correu... Vou começar pelo mais difícil.


Papel higiénico

Bem a minha ideia não era deixar de usar papel higiénico, sobretudo fora de casa. Mas pensei que se calhar realmente quando urino fosse uma boa ideia lavar-me. Além de não gastar papel higiénico, estaria sempre limpinha, mas sinceramente não me dá jeito nenhum. Sobretudo, agora que estou grávida e passo a vida na casa de banho. Logo desisti. Assim a solução não passa por deixar de usar o papel higiénico, mas por contar sempre muito bem os quadradinhos que gasto. E desde que comecei a pensar nisso, gasto muito menos papel higiénico. Claro que acho que quando vamos mesmo tomar banho ou lavar-nos é completamente dispensável usar o papel higiénico, mas isso eu já sabia e fazia. Nesta questão do papel higiénico, os homens são bem mais ecológicos que as mulheres.

Guardanapos

Esta seria muito fácil, deixar de usar guardanapos, mas o meu namorado disse-me logo que se eu quisesse que eu deixasse de usar, mas que ele não deixava. Assim, fui um bocadinho fraca e pronto também não uso guardanapos de pano. E assim continuo a usar guardanapos de papel. Bem pelo menos não uso rolos de cozinha, quer dizer tenho sempre em casa para qualquer eventualidade, mas o rolo está ali meses e meses na cozinha até ser gasto. Para limpar algo na cozinha uso sempre esponja e panos.

Lenços de papel

Esta não custaria muito, porque já há bastantes anos que uso os lenços de pano em casa. Talvez há uns dez anos que olhei para os lenços que tinha por cá e pensei "Mas porque ando a assoar-me a lenços de papel?" e comecei em casa a usar lenços de pano. E claro que têm de ser lavados, mas cabem em qualquer buraquinho na máquina de lavar. Agora  decidi usar os lenços também fora de casa, ando sempre com um lenço de pano dentro de uma bolsinha na mala. Todavia, devo referir que ando na mesma com um pacote de lenços de papel para qualquer emergência. Sim que o mais comum é apanhar casas de banho sem papel higiénico. Mas bem tenho gasto pouquíssimos lenços de papel.

Em jeito de conclusão, a verdade é que não mudei grande coisa, simplesmente comecei a usar os lenços de pano fora de casa e a contar a quantidade de quadradinhos de papel higiénico. Talvez isso não faça assim uma diferença gigantesca.

Assim, o que tenho em conta é sobretudo quais os produtos que compro, normalmente compro sempre os de folha simples reciclados. Geralmente compro da marca branca continente (espero que sejam feitos em Portugal), também há a RenovaGreen, esses tenho certeza que são feitos cá, mas compro menos devido ao preço. Têm folha simples e para mim servem bem para o uso que lhes dou. Tanto o papel higiénico como os guardanapos podem ser o mais simples possíveis, fininhos, não preciso de nada suave ou extra-suave.


Em geral, o papel higiénico e os guardanapos têm sempre uma percentagem de papel reciclado, mas estes que dizem ser reciclados são feitos 100% de papel reciclado, o que me parece óptimo. Coisas que não compro de todo são este tipo de produtos às cores, super suaves, com cheiro, acho um desperdício de recursos.

Relativamente aos meus lenços de assoar, tenho um certo problema, sempre me lembro de ter estes lenços em casa, o que significa que têm provavelmente mais de 30 anos. Aliás, tenho uns que acho que ainda vieram de uma tia-bisavó. O que significa que com o uso e as lavagens, os lenços têm-se vindo a romper aos poucos. Assim aos poucos, lá vão para o meu saco de roupa para reciclar. Tenho um lençol velho do qual espero fazer uns quantos lenços, não sei é quando que agora as minhas costas já não aguentam estar na máquina de costura. Mas bem até que todos os meus lencinhos se rompam ainda deve faltar um tempo.

Outra opção que me agradaria muito era que no Natal e nos anos alguém em vez de me dar qualquer coisa que eu nunca vou usar, me desse uns lenços de pano, mas nem ouso pedir para não ouvir qualquer coisa como "Sabes que os tempos evoluem".

Mas olhem bem como há lenços tão lindos no mundo.

Imagem retirada de http://clindoeil.ca/blogues/debbie/tshu-des-mouchoirs-en-tissu-bien-la-mode

Para terminar, acho realmente que neste ponto podia ser bem mais ecológica. Sobretudo, nos guardanapos, mas pronto.

sábado, 26 de setembro de 2015

Menos lixo no fast food

Comer em lojas fast food significa produzir uma imensidão de lixo. Comer na minha loja também, já me tentei redimir na postagem Eu e a minha culpa, a minha consciente culpa.

Passo número um para reduzir este lixo é deixar de ir a cadeias de fast food, bem devo confessar que com o avançar da idade e o refinamento do paladar, isso tem sido tarefa fácil, quase sempre que como num centro comercial prefiro comida de faca e garfo, copos de vidro e pratos de loiça. Mas há sempre aqueles dias, aqueles dias que vem um desejo de comer "porcaria". E normalmente essa porcaria vem embrulhada em papel, em copos de plástico, palhinhas, etc, etc.

O mais ecológico que eu poderia fazer era começar a levar o meu copo de vidro e pedir para encher, mas não me parece que o vá fazer (ainda sou um bocado envergonhada para isso). Logo para reduzir alguns gramas de lixo, o que decidi foi recusar a palhinha (já há muito anos que tinha deixado de usar em restaurantes com copos de vidro, agora estendi aos copos de plástico e ao fast food) e sempre que consigo digo ao empregado para não pôr aquela tampinha de plástico no copo. Quando peço água também não aceito o copo, mas já faço isso há um tempo.

Bem sei que não é uma redução de lixo significativa, nem mesmo que faça isto um ano inteiro, mas sempre é menos um bocadinho de lixo.

Outra alteração que eu fazia de livre agrado era deixar de usar os toalhetes, acho um desperdício. Lembro-me de na cantina da faculdade não tirar toalhete, comia só em cima do tabuleiro, mas normalmente em restaurantes aquilo já está sempre posto. Também acho que era escudado os talheres virem embrulhados naquele papel. Sim para mim os restaurantes em que vamos ao balcão pedir o que queremos seriam réplicas de cantinas de faculdade. Aliás para quem não sabe e trabalha ali no Parque das Nações existe uma cantina do IPJ (restaurante ICA) que é mesmo tipo cantina universitária. Comida diversificada e a preço acessível, mas claro não esperem que seja um restaurante de luxo, nem de gama média.

Acho que com o avançar dos dias, ainda vou pensando em mais formas de produzir menos lixo, é um processo gradual. Já agora em jeito de balanço a minha decisão Recusar sacos de plástico, papel do que for tem corrido relativamente bem, volta e meia aceito algum, mas tenho recusado mais do que aqueles que aceito. A minha decisão de Não secar as mãos em casas de banho públicas tem obviamente corrido muitíssimo bem. Nunca mais sequei as mãos, não custa nada.

Já agora para quem não vive sem palhinhas e até as compra para ter em casa, encontrei no Alibaba estas em aço inoxidável, não sabia que isto existia.

Palhinhas em aço inoxidável
Imagem retirada de http://portuguese.alibaba.com/p-detail/stainless-steel-bent-straw-stainless-steel-drinking-straws-cleaner-curved-shaped-metal-straws-for-cocktail-60190945991.html

Para terminar, uma pequena acção que penso sempre que já toda a gente faz, mas depois tenho dúvidas que realmente o façam: não peçam o talão do multibanco, excepto quando precisam realmente dele. É que além da produção de mais lixo desnecessário, a maior parte dos multibancos não tem caixote de lixo ao lado e depois há sempre pessoas como eu que quando apanham talões de multibanco em cima da caixa, os trazem para pôr na reciclagem. É verdade posso estar a ver quanto dinheiro têm na vossa conta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Alimentação - o meu calcanhar de Aquiles?

No que se refere à alimentação não sei se sou muito sustentável, é uma verdade que não posso esconder.

Imagem retirada de http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.pt/2012/03/dia-mundial-da-agua-2012-agua-e.html

É um bocado assustador não é? A água gasta para produzir a nossa alimentação. Mas sendo a água um bem que tem o seu próprio ciclo e que permanece sempre no nosso planeta, isso não seria um grande problema, se grande parte destas industrias não a poluíssem, levando à consequente poluição de solos, etc, etc... E claro, se a água tivesse uma distribuição homogénea pelo mundo, a qual não é de todo uma realidade. Por isso, o problema é grande.

Assim, como vemos na imagem, a produção de manteiga e carne de bovino tem um consumo elevadíssimo de água. E eu consumo as duas coisas. Além do gasto em água, não nos podemos esquecer das embalagens usadas, da energia total, dos transportes, provavelmente, uma infindável lista.

Segundo se sabe, uma alimentação vegetariana gasta muito menos água do que uma alimentação mista. Embora, eu tenha as minhas dúvidas. Eu podia ser vegetariana? Podia. Mas talvez não seja porque acho que não é no consumo de carne que reside o problema. O problema da alimentação e da sua sustentabilidade, na minha percepção, reside no consumo excessivo de carne e no consumo excessivo de bens vindos do outro lado do mundo (tipo café e cacau - calcanhar de Aquiles, mais uma vez).

Claro que quem decidiu não comer carne por uma questão animal ou uma questão de saúde, acho que tem o meu apoio. Mas pela questão ambiental, não acho que uma pessoa que deixe de comer carne seja automaticamente mais sustentável por isso.

Há uns tempos fui a um workshop de cozinha vegetariana, gostei muito das receitas que aprendi, mas bem não achei que a preocupação ambiental fosse muito grande. Primeiro, era uma alimentação ovo-lácteo-vegetariana, as natas utilizadas nem sequer eram produzidas a partir de leite nacional (eu tenho sempre atenção à proveniência dos produtos lácteos que consumo); segundo a sobremesa que fizemos foi mousse de lima (não existem limas em Portugal, estas são normalmente importadas da América do Sul); terceiro, utilizámos enchidos de soja, a produção de soja é uma das principais ameaças à biodiversidade das florestas da América do Sul, as plantações de soja põem em causa a vida de várias espécies de flora e fauna (quem tiver dúvidas pode ler esta notícia, Boom da Soja é das principais ameaças ambientais na América do Sul).

Esta questão da soja faz-me pensar que mesmo pela causa animal, a soja não é uma grande alternativa, nem pela questão de saúde, já que está cheia de químicos, a não ser que se compre apenas soja biológica. Sem contar que a soja tem de ser importada.

Também sei, que grande parte da soja plantada no mundo, não serve para a alimentação humana directa, mas para a alimentação na indústria pecuária. Por isso, quem come carne como eu, está a pecar duas vezes.

No fundo, o que eu vos quero dizer é que acho que tentar ser mais sustentável em termos de alimentação é muito difícil, porque por trás dos alimentos escondem-se imensas variáveis, as quais nem muitas vezes imaginamos.

Claro que uma das soluções pode ser comer sempre alimentos biológicos, mas sinceramente em Portugal não temos capacidade económica para os comprar. Eu não tenho, só de vez em quando.

Assim, eu continuo a fazer uma alimentação tradicional, como carne, peixe, lacticínios, etc. E mais uma vez, acho que as três opções mais sustentáveis que podemos ter são:

- Evitar o desperdício, ter atenção às quantidades, não desperdiçar carne, por exemplo pode significar muito menos animais abatidos diariamente;
- Ter atenção à origem dos alimentos, comprar alimentos de origem nacional, mesmo que sejam ligeiramente mais caros. Poupar 5 cêntimos num pacote de arroz que veio do Suriname é assim tão mais importante que comprar arroz do Sado?
- Sempre que possível produzir os nossos próprios alimentos ou comprá-los a vizinhos que o façam.

Relativamente à primeira opção, o que me custa não é comer animais, o que me custa é comer animais que foram criados em condições lastimáveis (o caso dos frangos, por exemplo), e pior ainda, saber que grande parte desses animais simplesmente foram parar a um qualquer caixote do lixo.

Relativamente à segunda opção, ter sempre em atenção a proveniência do produto, há coisas que só compro de produção nacional: arroz, massa, carne, lacticínios; frutas e vegetais sempre que possível compro nacionais. O vinho por exemplo, eu não bebo, mas o meu namorado só compra vinho nacional, sendo que ultimamente só tem comprado da nossa região, Península de Setúbal.

Relativamente à terceira opção, já falei noutra postagem Na cidade não há hortas, sobre os produtos que temos em casa. Além dos produtos agrícolas, temos galinhas, coelhos e cabras, o que faz com que não se compre este tipo de carne, nem ovos. No Domingo passado o nosso almoço, por exemplo, foi feijoada de coelho, coelho caseiro, feijão caseiro, cebola caseira, tomate caseiro, ervas aromáticas caseiras, até o vinho para temperar a carne era dos meus sogros. Sabem o que em termos de sustentabilidade e lixo isto significa? Uma produção quase nula de embalagens, um gasto de energia muito reduzido. Claro que nem todos podem ter um quintal onde ter estes alimentos. Mas às vezes, talvez conheçam alguém que vos dê ou a quem possam comprar. Por exemplo, os meus sogros costumam comprar carne de bovino a pessoas particulares que ainda criam vacas praticamente só com erva, muito mais sustentável, muito menos hormonas.

Mas bem esta é a minha opinião, talvez eu pudesse ser mais sustentável a nível da alimentação, é algo sobre o qual ainda tenho imensas dúvidas. Mas o que é necessário é pensar, ponderar e aos poucos nos tornarmos melhores para o nosso planeta.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Eu e a culpa, a minha consciente culpa

No outro dia estava a falar com o meu namorado sobre as minhas ideias ecológicas, principalmente sobre a reutilização e a diminuição do consumo e do lixo... Ele muito sábio disse-me "Não achas um bocado estranho uma pessoa que se preocupa tanto com o ambiente ter uma loja de vending?".

UPS

E continuou "Tudo o que vendes é em embalagens de plástico e tens máquinas a trabalhar o dia inteiro"

A minha culpa, a minha culpa e a minha consciência... a minha consciência pesa...

É verdade uma loja de vending não é uma coisa muito ecológica, tudo o que vendemos tem de ser em embalagens plásticas. É obrigatório por lei e compreende-se o porquê... neste ponto a nossa pegada ecológica cresce... a questão é: "Porque é que abri uma loja de vending?"

Eu estava num emprego que pouco me preenchia, aliás muito me chateava e sempre tive o sonho de abrir um negócio próprio. Um dos meus amigos estava desempregado e decidiu que também queria investir o dinheiro que tinha junto. Assim, decidimos abrir um negócio. A primeira ideia:

- Abrir uma banca de sumo naturais numa estação de transportes públicos (isto sim era realmente ecológico).

Mas tínhamos muitos contras: a falta de experiência; o dinheiro que tínhamos para investir não era assim tanto; e segundo uns inquéritos que fizemos, a vontade de beber sumos naturais não é assim tão grande.

Decidimos investir num franchising, mas tinha de ser algo com investimento relativamente reduzido e que nos parecesse um negócio com potencial. E este negócio do vending parecia ter potencial. E assim fomos em frente na nossa decisão, isto há mais de um ano.

Mas e a pegada ecológica? Pois deve ser grande... Mas dentro do mal, fazemos um esforço por melhorar e aproveitar, ou seja, reciclar, reutilizar, reduzir. O que fazemos na loja para a tornar um bocadinho mais sustentável:

  • Dividimos todo o lixo produzido no interior da loja (armazém) para a reciclagem, a quantidade de cartão é algo assustador (algumas caixas vamos reutilizando, mas não precisamos nunca de tantas);
  • Os sacos plásticos onde vêm os copos de plástico para a máquina do café reutilizamos para guardar as moedas que depositamos no banco;
  • As borras do café trago-as sempre para o jardim, o que ao longo deste ano e tal já significou muitos menos quilos de resíduos no lixo indiferenciado;
  • Quando estamos na loja apagamos a sua luz, aproveitando assim a claridade do dia;
  • Quando no interior da loja as arcas já não estão cheias, pomos tudo numa, desligando a outra por uns dias;
  • E muitas vezes dividimos o lixo que os nossos clientes deixam na loja, não dividimos sempre porque pôr a mão no lixo alheio às vezes é algo desagradável, mas bem quando conseguimos ainda salvamos umas coisinhas, sobretudo latas, garrafas de plástico, etc.
E pronto, basicamente é isto, talvez não seja suficiente, mas é o que conseguimos fazer. É isto que faz de mim uma quase ecologista, em vez de uma ecologista.

Claro que o meu namorado continuou:

"Vendes coisas feitas em Espanha", bem melhor de Espanha que do Chile, mas bem não importamos muitas coisas, agora é verdade que a maioria dos chocolates e coisas do género não são feitos cá. Mas isso é um problema que acaba por estar fora do nosso controlo, aliás de qualquer comerciante.

"Só vendes doces, salgados e refrigerantes", é verdade, normalmente não há coisas muito saudáveis em máquinas de vending e pela minha experiência devido a duas causas: em geral as pessoas não querem comer coisas saudáveis; as coisas saudáveis não têm embalagens fáceis de introduzir em máquinas de vending. Sim já experimentamos iogurtes e fruta desidratada, por exemplo, mas o escoamento do produto foi reduzido.

Bem vou para a loja quase todos os dias de transportes públicos será que isso diminui a minha culpa? Também varro imensas beatas da frente da loja e ponho-as no lixo, em vez de as deixar ali ao sabor do vento. Mas talvez isto também não reduza a culpa, acho que o que a reduz a minha é ter a consciência dela e tentar constantemente reduzir o consumo de energia da loja, reutilizar ao máximo o que posso e tudo o resto reciclar.




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