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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Desejos

Imagem retirada de https://www.facebook.com/tirasarmandinho/photos/a.488361671209144.113963.488356901209621/1096809463697692/?type=3&theater

Desejo a todos um Feliz Natal.

sábado, 14 de novembro de 2015

Esta música dava um bordado

Estes já não são os primeiros bordados que mostro aqui no blogue, já tinha feito a publicação Bordados para fraldinhas de limpar o bebé. A verdade é que entusiasmei-me e decidi bordar mais coisas para o rebento. Mas afinal, o que podia eu bordar? Se não sabia o sexo do bebé, não podia bordar o nome e também não tinha vontade de bordar bonecos só porque sim.

Tinha de bordar algo que me inspirasse e que possa ser inspiração para esse novo ser. Assim, umas frases que o bebé obviamente não vai ler, mas que me façam transmitir boas coisas à criança. Talvez isso pareça um pouco estranho.

Se há coisas que me conseguem transmitir boas sensações, bons pensamentos, boas vibrações é a música. Adoro música e já tenho uma vasta banda sonora que quero que o bebé oiça, gosto sobretudo de músicas com mensagens concretas sobre os temas que mais me fascinam. Aquelas músicas que nos fazem pensar sobre o mundo.

E foi isso que fiz, escolhi quatro músicas, das quais tirei uns trechos para bordar. Para fazer os esquemas recorri ao site Stitch Point no qual podemos escolher tipos de letras para as frases que queremos.

Escolhi duas músicas em inglês e duas em português, mas podia ter escolhido muitas mais. Vamos começar então pelas músicas em português.

Na Terra dos Sonhos, Jorge Palma

Escolhi esta música porque acho que explica bem o que a vida devia ser, aliás o que nós devíamos ser na nossa vida. Devíamos ser livres, ser quem nós somos verdadeiramente, sem sermos olhados de lado.


Esta música transformou-se numa fraldinha, na qual fiz aquele ponto entrelaçado também, nunca tinha feito e acho que fica mesmo bonito.

Pormenor do trecho da música escolhido
Imagem própria

Imagem própria

Cuidado com as imitações, Sérgio Godinho

Esta música está muito relacionada à forma como conheci o meu namorado. Mas além disto, é uma música que nos ensina que devemos desconfiar, perceber o mundo como ele é. E que principalmente não devemos acreditar nas pessoas pelas suas aparências, coisa em que eu acredito piamente.


Esta música foi inspiração para o babete.
Imagem própria


Imagine, John Lennon 

Haverá maior hino musical ao que o mundo devia ser do que esta música? A música do mundo ideal onde todos fossemos felizes, sendo livres e vivendo em paz. Um mundo no qual todos nos aceitassem como somos, sem discriminações.



Esta música transformou-se num babete:



Imagem própria

The 3 R's - Jack Johnson

Música completamente indicada para este blogue, esta música que fala de reciclagem, redução e reutilização e que foi feita em especial para crianças. Acho que é indicada para o que eu quero que o meu filho aprenda.



Esta música deu uma fraldinha, com a indicação bem precisa que é necessário reutilizar, com pesponto à volta da mensagem e da fralda inteira.

Pormenor do trecho da música escolhido
Imagem própria

Imagem própria

Depois de já estar a bordar, lembrei-me de várias outras músicas que podia ter aproveitado para as minhas criações. Acho que ainda terei de fazer qualquer coisas com No Cars Go, dos Arcade Fire. O meu objectivo é mesmo lembrar-me das músicas e cantá-las quando usar estas coisas. Bem a ideia de ser eu a cantar talvez não seja a melhor, mas posso sempre pôr no youtube.

Fiz estas peças com muito amor mesmo, deram grande prazer. Além de terem sido feitas por mim são mensagens que quero transmitir ao meu bebé e ao mundo em geral. Porque um ser humano também precisa de valores, de ideologias e de sonhos.

sábado, 7 de novembro de 2015

Quando não se acredita na sociedade, qual a solução?

Andava eu aqui a viajar pela internet quando encontrei esta publicação Os meus heróis têm a roupa remendada e não usam papel higiénico. Claro que me chamou logo a atenção, sobretudo a parte do papel higiénico, por causa do que já falei há umas postagens atrás. Nesta publicação, Eunice Neves que tem o blogue Permaculture Research Tour Blog conta como foi viver durante dez semanas com Su Dennett e David Holmgren (co-criador do conceito de Permacultura) na sua quinta (Melliodora) na Australia. Leiam vale mesmo a pena.

A sério, fiquei encantada, é realmente preciso ser bastante diferente e corajoso para decidirmos ter uma vida assim. Contra tudo aquilo que é estipulado socialmente como certo e que mais nos faz feliz. Decidirmos criar o nosso próprio estilo de vida, mesmo que este seja divergente do que a sociedade decidiu que era o melhor. Quando vejo estes exemplos, penso que também gostaria de ser assim, não sei se no fundo gostaria totalmente de ser assim, mas cada vez me fascina mais a ideia de romper com todas as normas que nos são impostas enquanto sociedade capitalista e de consumo. Certamente, não precisamos chegar a níveis tão elevados de renúncia à vida capitalista, mas fascina-me mesmo.

Nisto, lembrei-me desta história que não tem nada a ver, mas que se relaciona com a renúncia de que falo. Já é uma notícia antiga, mas nunca mais me esqueci Javi Poves, o futebolista anti-sistema, está de volta aos relvados. Um jogador de futebol que deixou uma potencial vida de estrela porque quis renunciar a uma vida que considera, tanto no futebol como na sociedade em geral, que apenas o dinheiro interessa. Claro que aquilo que eu considero algo de bastante valor, a renuncia por um ideal, é visto por muitos como pancada. Quem tem mais pancada afinal? Que renuncia por um ideal ou quem acredita que a sociedade está certa só porque sim e não pode ser melhor?

A primeira vez que conheci pessoalmente pessoas que viviam foram da sociedade foi há onze anos atrás, tinha dezoito anos na altura. Diga-se passagem que foram as primeiras e únicas pessoas que conheci com um estilo de vida mesmo totalmente divergente da sociedade. Na altura, eu estava a passar férias com três amigas numa aldeia portuguesa, umas férias numa casa sem água e onde tínhamos todo o tempo do mundo e só nos deslocávamos a pé, uma férias muito anti-sistema também (tínhamos telemóvel, mas naquele tempo ninguém estava sempre online). Acho que aprendi muito sobre a vida e sobre mim nessa viagem, acho que foi nesses dias que limei várias coisas e me tornei no que sou hoje. Não totalmente, porque a mudança é constante, mas em parte foi nessas férias.

Mas voltando ao encontro com essas pessoas "diferentes", estávamos as quatro numa praia fluvial e ao fundo estava um grupo de pessoas de várias idades, mas eram pessoas diferentes. Sim, eles pareciam hippies. E ainda me lembro, todos pareciam estar numa harmonia incrível, uns com os outros e com o mundo. No grupo estava um rapaz com um bebé de semanas ao colo, numa das cenas de amor mais lindas que já vi, uma verdadeira ode ao amor paternal. Nós como éramos curiosas fomos ter com eles e perguntamos descaradamente se eles eram hippies. Coitados, engoliram em seco e nem disseram nada no momento, apenas que já vinham falar connosco. E vieram e explicaram-nos que não eram hippies, tinham um estilo de vida alternativo, moravam no meio da serra e sem grande relação com a civilização e convidaram-nos a ir a casa deles dali a uns dias.

E lá fomos nós, conhecemos a casa deles, explicaram-nos que eram praticamente auto-suficientes em alimentação, o que não tinha trocavam com outras pessoas mais velhas que ainda moram nestas aldeias. Faziam a sua roupa, o seu pão semanalmente como antigamente. Não utilizavam praticamente electrodomésticos, embora tivessem computador e mais uma ou duas máquinas. Vivam assim, todavia deixavam que os filhos conhecessem a sociedade exterior, um dia haviam de escolher se queriam aquela vida no meio da serra ou outra vida mais integrada na sociedade. Esse dia já deve ter chegado e eles já devem ter escolhido, o quê não sei... Mas sei que adorei conhecê-los e ao longo destes anos, muitas, mas muitas vezes pensei neles.

A escolha de renunciar à sociedade ou viver na sociedade com os nossos ideais é nossa, sempre. Apenas não temos de seguir sempre o caminho que alguém acredita que é o certo. O caminho certo é aquele que nos faz feliz... Se os nossos ideais são diferentes daquilo que a sociedade em geral pensa, temos de seguir os nossos. Criam-nos a ideia que só conseguimos ser felizes no capitalismo e consumo selvagem, mas isso não tem de ser verdade. Aliás, quase nunca é, alguém pode ser feliz se a sua meta for o consumo, quando não tem rendimentos suficientes para esse consumo?

Como diz a música "Reduz as necessidade se queres passar bem".

Se a nossa ideologia, crença, utopia passa por um mundo mais sustentável, por uma vida mais saudável, por um sistema mais igualitário... isso é possível, pode não o ser para o mundo inteiro, podemos nunca ver o mundo assim... mas podemos fazer com que a nossa vida seja assim, pelo menos um bocadinho mais assim...

De novo, voltando ao início desta publicação fica aqui a citação que acho que diz muito "A melhor forma de mudarmos o mundo é mudarmos a forma como vivemos no dia a dia. Uma economia doméstica forte, que nos permite ser mais autónomos e responsáveis pelas nossas necessidades básicas é, segundo o David, um dos mais poderosos actos políticos que temos em mãos." (in http://preguicamagazine.com/2015/10/28/os-meus-herois-tem-a-roupa-remendada-e-nao-usam-papel-higienico/).

Afinal, nós não somos espectadores do mundo, somos actores, diariamente.

domingo, 11 de outubro de 2015

O desabafo de uma utópica

Ultimamente só leio com um certo desdém a palavra utópico.

Utópico utópico utópico...

Quem se preocupa com os animais é utópico.
Quem se preocupa com as pessoas é utópico.
Quem se preocupa com a natureza é utópico.

Coisas como, "deixá lá de ser utópico e começa a fazer algo coisa".

Ainda não entendi é porque acham que um utópico não faz nada, normalmente fazem mais, porque lutam em maior ou menor escala por um objectivo que está para além da sua pessoa.

As pessoas utópicas, normalmente não acham que vão mudar o mundo de um dia para o outro, ser utópico não significa ser inconsciente do mundo à nossa volta. A utopia é a nossa civilização ideal, que pode nunca vir a ser concretizada, aliás nunca será real. Utopia significa exactamente isso, não-lugar ou lugar que não existe. Mas se com utopias é difícil mudar o mundo como o faremos ser utopia?

A solução de muitos parece ser aceitar tudo, aceitar a sociedade tal como ela é, afinal "Sempre foi assim".

Mas houve um tempo onde a escravatura era aceite em todo o mundo (sei que ainda há escravatura em muitos sítios), onde em alguns países pessoas brancas e negras nem podiam conversar (ainda me lembro do fim do apharteid), onde mulheres não podiam votar, entre outros milhares de coisas. Soube há pouco tempo que em Portugal, as enfermeiras não se podiam casar, parece surreal. E as coisas foram mudando, graças a utópicos, provavelmente.

Eu cá prefiro utópicos a resignados.

Por curiosidade, o termo Utopia foi inventado por Thomas More e é o título da sua obra mais conhecida publicada em 1516. Já leram? Aconselho vivamente. No livro é descrito uma ilha imaginária onde existe uma sociedade perfeita.

Imagem retirada de http://www.feedbooks.com/book/198/utopia

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Consumir local, a vivência urbana e outras divagações

A importância de consumir local também faz parte do nosso consumo consciente.

Consumir local constituí várias vantagens para nós enquanto cidadãos, para as nossas cidades e vilas, para o ambiente e a economia.

Divido o consumir local entre duas coisas: consumir produtos de produção local; consumir produtos e serviços em comércio de proximidade.

O consumo de bens de produção local desenvolve a economia da nossa região, cria mais postos de trabalho, o que gera uma grande cadeia de bens e serviços dos quais posteriormente vamos beneficiar. A nível ambiental, os gastos em transportes e consequentemente em energia diminuem, o que é benéfico a nível das matérias-primas utilizadas e das emissões poluentes.

O consumo de bens e serviços em comércio de proximidade, aquele que fazemos na proximidade da nossa residência ou local de trabalho, tem como vantagens:

  •  Ajudar pequenos comerciantes (para mim uma distribuição de dinheiro sem ser sempre para grandes cadeias é fundamental para um país mais igualitário), os quais muitas vezes compram a pequenos produtores;
  • Não recorrer constantemente ao transporte individual para fazermos pequenas compras;
  • Fortalecer a economia local, dar vida às nossas cidades e às nossas vilas;
  • Fomentar uma vida urbana mais agradável e consequentemente uma maior entre-ajuda, segurança e mesmo limpeza. Viver numa rua de lojas fechadas é completamente diferente de viver numa rua de comércio, onde todos os dias as pessoas se cruzam, onde a cabeleireira vai ao café, onde o senhor da papelaria vai à florista, etc, etc.

O consumir local em comércio de proximidade é o que faz com que esse comércio continue a existir e a pessoa saiba que pode contar com ele para qualquer eventualidade. Não vale a pena nos indignarmos por o cinema Londes fechar, se nunca íamos ao cinema Londres, mas sim ao cinema num qualquer centro comercial mais urbano ou mais suburbano.

Quando andava na faculdade, inscrevi-me numa cadeira de opção chamada Análise Regional Urbana e lembro-me perfeitamente de o professor contar a história da sua aldeia. Na sua aldeia havia algum comércio local, mas com a abertura das grandes superfícies na cidade e o acesso ao transporte individual, todas as pessoas começaram a fazer as suas compras fora da aldeia. Tudo o que havia na aldeia fechou, talvez já não respondesse aos anseios dos consumidores (o comércio de rua também tem de evoluir é verdade). Mas entretanto as pessoas envelheceram e como não têm possibilidade de se deslocar queixam-se que já não existe na aldeia sítios onde comprar bens. É assim a histórias de muitas aldeias e vilas portuguesas. Aliado a isso, o professor dizia que também se queixavam de não haver emprego na aldeia, ao que ele respondia que se a mercearia tinha fechado, era normal que o merceeiro não empregasse ninguém.

Os grandes centros urbanos são pólos de atracção de investimento e consequentemente de dinheiro. A questão é que muitas vezes já não se trata apenas da cidade que atrai o investimento, a cidade atrai esse investimento, mas ao comprarmos apenas a grandes cadeias multinacionais, grande parte desse dinheiro nem sequer fica na nossa cidade. No fundo estamos sempre a contribuir para enriquecer uns em detrimento dos outros (isto só é um problema para quem acha que isto é um problema, obviamente).

Eu também o faço, também vou a supermercados e a cadeias alimentares em centros comerciais, bem como a outras grandes lojas multinacionais.

Todavia, acredito que algum do nosso dinheiro também deve ser gasto no nosso comércio local. Vivo numa vila na Área Metropolitana de Lisboa, mas que ainda tem uma vida muito própria de comércio local, a qual é sobretudo alimentada pelos mais idosos que não têm forma de se deslocar e pelos estudantes universitários.

É nesta vila e com deslocações a pé que vou ao café, à padaria, à churrasqueira, à papelaria, ao cabeleireiro, à mercearia (mais em situações de recurso), à florista, à farmácia, à loja de fotocópias, ao veterinário (bem às vezes levamos o cão no carro), à retrosaria (é raro ir a uma retrosaria, mas quando preciso), fazer análises clínicas. Aliás quando alguém na família morre também vamos à agência funerária aqui da rua. É também aqui a poucos passos que já inscrevi o meu bebé no berçário. Porque as nossas vilas podem sempre ser as nossas comunidades sustentáveis.

É bom para mim dispor deste comércio local, é bom porque me facilita a vida e porque assim conheço as pessoas que vivem em meu redor, o que contribuiu para as relações de vizinhança. É bom porque espaços mais vividos são mais seguros. É bom porque não temos de utilizar tanto o transporte individual. É bom porque fixamos mais o dinheiro na nossa região. Eu sei que a dona da retrosaria vai ao café daqui e que a dona do café vai à farmácia. Não me parece que o Alexandre Soares dos Santos, por exemplo, venha aqui ao café, nem que o que ele paga aos funcionários lhes permita ir muito ao café. Mas pronto eu também vou ao Pingo Doce.

Mas pronto consumir local é bom quando se consome de produção local, mas também é bom quando se consome no comércio local.

O comércio de rua é uma forma de vivenciar as cidades e vilas, dar-lhes vida, espaços mais seguros, mais amigáveis. De misturar pessoas e classes sociais, uma forma mais humana de se viver.

Quando penso nisto, lembro-me sempre por antagonia das utopias das cidades modernistas e do Le Corbusier, das altas torres, da grande divisão de usos. E depois lembro-me daqueles subúrbios em Paris onde parece que as pessoas vivem enjauladas com espaços verdes à volta das grandes torres, onde não se passa nada, onde a insegurança parece palavra de ordem.



Imagem do Plan Voisin - proposta urbana de Le Corbusier para Paris
Imagem retiradas de https://planocidade.wordpress.com/2010/07/24/plan-voisin-de-le-corbusier/

Ainda bem que esta ideia para Paris nunca foi para a frente. Embora eu ache que as cidades modernistas também tinha aspectos positivos, mas prefiro cidade e vilas mais orgânicas, onde as adaptações se façam dia-a-dia. Bem, orgânicas, mas com peso, conta e medida.

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