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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O que interessa informar? Caso de rompimento de barragens brasileiras

No dia 13 de Novembro conversava com uma amiga brasileira do estado de Minas Gerais sobre o que se está a passar no seu estado. Nomeadamente, o rompimento de barragens de contenção de dejectos de minério e a consequente contaminação de diversos rios, com destaque para o Rio Doce.

As lamas provenientes destas barragens contaminaram a água o que de forma automática matou toda a fauna desses rios. Nos quais é captada a água que serve para o consumo das cidades mais próximas como é o caso da cidade de Governador Valadares. Essa água neste momento tem um elevado teor de ferro o que impossibilita o seu tratamento e, consequentemente, a inexistência de água potável nestas cidades.

Imagens de antes e depois do rompimento das barragens
Imagem retirada de http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/11/rompimento-de-barragens-em-mariana-perguntas-e-respostas.html

Para mais informações sobre o acidente e as suas consequências podem por exemplo ler isto: Rompimento de barragens em Mariana: perguntas e respostas. Esta minha amiga dizia-me, para minha admiração, que este acontecimento está a ter pouco impacto nos media brasileiros. Aliás, ela até achou estranho como eu sabia do acontecimento, já que no próprio Brasil pouco se tem falado dele.

É incrível como estes assuntos são tão pouco importantes para a generalidade dos meios de comunicação. Embora signifiquem o fim de habitats, morte de animais, morte de pessoas, contaminações que prejudicaram o ambiente por longos e longos anos, falta de água potável disponível em certas cidades, etc, etc.

Como referi na publicação Inundações - calamidade ou ganância?, na maioria das vezes os responsáveis humanos por estes acidentes nunca são chamados a assumir a sua culpa. O que aconteceu no Brasil é um crime ambiental e há-de ter culpados. Não sei como é a lei brasileira, mas se fosse em Portugal sei que isto se arrastaria por anos e anos. Os interesses são sempre demasiado grandes.

No mesmo dia que falei sobre isto com ela, aconteceram os ataques terroristas em Paris. Perguntei-lhe se os atentados em França foram mais falados pelos meios de comunicação brasileiros do que o que se passa em Minas Gerais. E, obviamente que sim, foi muito mais noticiado, talvez isto seja a globalização da informação e do que interessa informar.

O problema dos meios de comunicação não é aquilo que eles informam, acho muito bem que informem dos atentados em Paris, o problema é daquilo que nunca informam. E nós apenas nos tocamos com aquilo que sabemos, por isso podem continuar a romper barragens por esse mundo fora, a contaminar rios, a matar peixes e pessoas e a poluir a água.

Fica aqui mais um vídeo sobre este desastre e a vida das pessoas na cidade de Governador Valadares.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A limpeza dos passeios e as águas pluviais

Já aqui devo ter falado da sujidade incrível que existe em Lisboa, a qual se deve ao lixo acumulado e à falta de limpeza.

Então a Junta de Freguesia de Arroios, a qual agora até tem a Arroios TV, tem-se empenhado em que os seus fregueses façam a sua parte na Higiene Urbana da freguesia. Embora isto seja uma competência da Junta de Freguesia e eu às vezes não perceba muito bem como há recursos financeiros para umas coisas e não há para outras, acho bem que os moradores e trabalhadores se empenhem na limpeza do espaço público.

Todavia, a Arroios TV publicou este vídeo:


Normalmente eu não sou tão feliz a limpar, tenho de melhorar essa minha condição. Mas analisando o vídeo, ainda bem que há quem limpe, mas será que a Junta de Freguesia não devia ensinar as pessoas que não devem limpar as ruas com jactos de água e detergente? Esta água vai entrar no sistema de recolha de água pluviais e as água pluviais não são tratadas. A não ser que em Lisboa todas as águas se misturem e vão para a ETAR. Mas em princípio não, as águas pluviais serão encaminhadas directamente para o rio, já que são supostamente águas limpas.

Assim, acho que deviam elucidar as pessoas para este caso. À frente da minha loja, nós também lavamos o chão com detergente, uma esfregona e balde para não deixarmos água a correr por ali fora.

Claro que eu já vi muitas pessoas a lavarem a rua assim e acredito que nem tenham noção que estão a fazer mal. Eu própria lavo o carro com detergente aqui no quintal e a água depois vai para as pluviais (ai, ai), o que vale é que lavo o carro para aí duas vezes por ano. A questão não é as pessoas fazerem mal, mas acho que já que a Junta de Freguesia está empenhada em difundir a ideia da limpeza, ao menos que explique como esta deve ser feita. E que não divulgue um vídeo onde claramente se vê que algo está errado como sendo algo bem feito.

Contei ao meu namorado do vídeo, ao que ele me respondeu se eu tinha noção que só eu e o meu amigo/sócio é que nos importamos com esta história de água com detergente a ir para as pluviais. Que toda a gente faz como o senhor do vídeo.

Pois se calhar, nós é que pensamos diferentes, mas sabemos que estamos certos, talvez seja a culpa da formação ambiental que tivemos.

O que vale é que mais uma vez sei que a natureza tem grande capacidade de se limpar a si própria, existem filtros naturais, os quais vão eliminando alguma contaminação. Por isso, até acredito que esta situação em concreto não seja muito grave, mas vá lá, vamos incentivar que a cidade seja limpa respeitando regras ambientais.

Isto já para não falar da quantidade de água desperdiçada.

domingo, 8 de novembro de 2015

Inundações - calamidade ou ganância?

A semana passada, dia 1 de Novembro, as imagens das inundações em Albufeira e outros sítios do Algarve encheram as notícias.


Imagem retirada de http://www.dn.pt/sociedade/interior/camara-de-albufeira-vai-analisar-pedido-de-calamidade-publica-4865917.html
Nos jornais e telejornais só se ouviu os enormes estragos provocados pela chuva e consequentes inundações, a quantidade de lojas que foram arrasadas, carros levados, um homem desaparecido em Boliqueime e depois encontrado morto. Imagens verdadeiramente assustadores e que ninguém gostaria de ter perto da sua casa. No entanto, lá pelo meio das notícias também se ouvia falar de ribeiras encanadas, estradas construídas por cima de ribeiras e construções em leito de cheia.

E aqui está a grande questão. É natural existirem cheias sobretudo quando existem precipitações intensas. Aliás, se nos lembrarmos daquelas distantes aulas de histórias, as cheias eram mesmo algo bastante positivo pois tornavam as margens dos rios bastante mais férteis.

As inundações embora sejam provocadas por causas naturais, a precipitação neste caso, ocorrem devido à acção antrópica. Porque os sistemas urbanos não têm capacidade de escoar toda a água, não há infiltração, os sítios onde a água devia escoar naturalmente estão construídos e muitas vezes a isto tudo ainda ajuda a falta de limpeza dos sistemas de escoamento de águas pluviais.

Todos juntos fazem esta bela porcaria. E isto não são catástrofes naturais, até as podem chamar assim, mas não, isto são catástrofes humanas. É culpa do urbanismo e ordenamento do território, neste caso desordenamento que se espalhou pelo país inteiro. Com o caso algarvio bem no topo daquilo que não se deve fazer.

No Algarve parece que tudo é permitido, a bem do turismo e da economia, tudo se constrói, em qualquer sítio. E as culpadas são as Câmaras Municipais que precisam de dinheiro e que vão facilitando, facilitando.

O que me fascina é que não estamos a falar de coisas feitas há 100 ou 50 anos, quando não existiam conhecimentos  e as pessoas eram analfabetas. Nesse tempo, parece que os poucos conhecimentos permitiam perceber que as ribeiras existiam para escoar água. Grande parte destas construções são recentes, sim num momento onde há imensa gente que estudou e estuda estes fenómenos. Eu estudei Geografia, área de Urbanismo e além de mim eram imensos e sabem do meu ano quantos que eu saiba estão a trabalhar num organismo público? Acho que um. E não sei até que ponto as opiniões dele valem muito. A verdade é que as decisões continuam a ser sobretudo políticas e económicas.

E depois, é o azar. E quem fala em inundações, fala em outros problemas como a falta de areia nas praias, os riscos de desabamentos de arribas, etc, etc.

Os efeitos das decisões são conhecidos, mas parece que não são tidos em conta. Pior é que uma vantagem económica momentânea pode trazer graves prejuízos ambientais, sociais e mesmo económicos no futuro.

Tive um professor na faculdade que dizia que ser urbanista ou planeador do território é tão importante como ser médico a nível das vidas das pessoas. Mas se um médico mata alguém por negligência é um problema gigante. Mas ninguém vai ter com o planeador que anos antes tomou uma decisão que no futuro matará 100 ou 200 pessoas. E é essa a realidade.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Conhecer o nosso país, consumir nacional

Na minha opinião, para sermos mais sustentáveis antes de tudo devemos consumir menos, depois consumir local, produção local, cadeias de distribuição locais. Aliás, já escrevi isto várias vezes por aqui. Mas temos sempre de consumir e além do ter, há sempre alguma coisa que queremos, mesmo que não seja essencial. Por isso, temos de tentar sempre conciliar todas estas questões. E claro, o preço, infelizmente muitas vezes o preço é o que nos leva a decidir por um produto em detrimento de outro, não somos imunes a isso, sobretudo se temos pouco dinheiro.

E depois vamos às grandes superfícies para comprarmos as coisas mais baratas, às vezes não são tão baratas assim. Eu também gosto muito dos descontos do cartão continente, wells, zippy, modalfa, uma verdadeira cadeia à portuguesa. Mas mesmo quando somos preocupados e tentamos nestas superfícies comprar produtos portugueses ou europeus, nem sempre encontramos.

E parece que nada do que precisamos se faz em Portugal. E é aí que entra a importância de conhecer Portugal, eu conheço o país relativamente bem, de norte a sul, este a oeste e arquipélagos. Conheço de já ter ido e de ter estudado. Isto de ter um curso de geografia serve para alguma coisa, nem que seja para nos encher de conhecimentos sobre o nosso país. E nós produzimos muita coisa, talvez não em grande escala, mas há muita produção que talvez não seja competitiva com o que vem do exterior, nem consiga ter grandes canais de distribuição, mas desenvolve o nosso país. Desenvolve, dá trabalho e ao comprarmos local estamos a estimular a economia e a diminuir os gastos energéticos em transportes.

E agora vou dar dois exemplos que conheci por acaso, quando andava às voltas por esse país distante, coisas que não fazia a mínima ideia que existiam. Mas promovem o emprego e a continuidade de pessoas a morar em pequenas terras do interior.


Palaçoulo

Palaçoulo é uma pequena aldeia do concelho de Mirando do Douro, Trás-os-Montes conhecida pela industria da cutelaria e tanoaria (Palaçoulo a aldeia mais industrializada do país). Conheci esta aldeia há uns dois anos e não fazia ideia que uma pequena aldeia pudesse ter tantas pequenas fábricas.

Na altura fomos ver uma das cutelarias, por acaso entrámos na FILMAM, podíamos ter entrado noutra qualquer. Foi uma visita interessante. E claro, estávamos lá e comprámos facas para oferecer, pode parecer estranho oferecer facas, mas pronto é o que se arranja. Aliás, encontrámos um suporte para facas magnético como andávamos à procura há imenso tempo e nem em supermercados ou IKEA tínhamos encontrado.

Perguntámos onde podíamos encontrar os produtos deles em Lisboa, ao que nos disseram que vendiam muito pouco para Lisboa. Aliás grande parte da sua produção é para exportação. Nunca hei-de compreender esta lógica de exportarmos o que fazemos e importarmos produtos semelhantes. Mas bem, nos supermercados é bem fácil encontrar facas produzidas na Benedita. Por isso da próxima vez que precisarem de uma faca, lembram-se de ver a procedência.

Imagem retirada de http://www.filmam.com/

São Pedro do Corval 

São Pedro do Corval pertence ao concelho de Reguengos de Monsaraz, Alentejo e é uma aldeia conhecida pela olaria. Pelo que nos disseram é o maior centro oleiro (pelo menos de barro vermelho) de Portugal. Conheci esta localidade este ano durante as férias, porque alugámos uma casinha em São Pedro do Corval. As olarias são praticamente porta sim, porta sim como se pode ver neste link.

Nós fomos à Olaria Patalim, onde se pode conhecer todo o processo de fabrico dos produtos, além disso tem uma pequena exposição onde explica como se fazia antigamente. Gostei bastante. A olaria é familiar e o oleiro é uma pessoa jovem, o que me fez pensar que ainda há alguma vitalidade na olaria. E pronto lá comprei um tachinho que tem como objectivo fazer arroz de tomate.

Imagem retirada de http://www.pedrovilela.pt/2006/04/olaria-patalim-2/

São pequenos gestos de consumo é verdade, mas que nos fazem lembrar um lugar concreto e dar algum estimulo à economia local e consequentemente à fixação de população em terras conhecidas pelo despovoamento.

Claro que isto são apenas alguns exemplos, por esse país fora existem muitos mais sítios a conhecer.

Já agora, voltando à história das facas de Palaçoulo há uns meses dizia isto a um amigo, sobre exportarmos facas e importarmos facas. Ele dizia-me que a nível económico pode ser uma mais-valia, porque podemos estar a exportar um produto mais caro e a importar um produto mais barato. Não entendo nada de economia, mas quer-me parecer que estas lógicas económicas são muito insustentáveis.


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