domingo, 1 de novembro de 2015

Lixo: compensação ou punição monetária

A realidade nua e crua é que poucas pessoas se preocupam com os resíduos que fazem. Muitas não se preocupam por falta de conhecimento, não sabem os problemas que advém dos resíduos. Problemas ambientais e as consequências nos diversos ecossistemas, incluindo o nosso e a nossa saúde. Outras pessoas até sabem, mas pouco se importam.

Por isso para mim, o sistema de recolha de lixo devia apelar ao que todos se preocupam, que é ao dinheiro. Sim é isso, se os argumentos relativos ao planeta, ao ambiente, à saúde não são suficientes, o dinheiro fala quase sempre mais alto, infelizmente. A ideia de reduzir, reutilizar e reciclar teria mais adeptos se existisse alguma compensação ou punição relativa ao lixo produzido.

Tem circulado muito pelo facebook, um vídeo sobre as máquinas onde as pessoas trocam garrafas vazias por dinheiro. Este sistema é amplamente utilizado em diversos países europeus, quer através de máquinas, quer de pessoas em supermercados a receberem as garrafas. Faz-me lembrar o tempo em que quase todas as garrafas tinham tara recuperável e as pessoas levavam-nas para o supermercado. Mas porque é que deixaram quase de fazer garrafas com tara recuperável? Não eram garrafas muito mais amigas do ambiente? Sim eram. Mas convenceram as pessoas que a solução é reciclar, quando esta só devia ser a última solução, mas mesmo assim não obrigam ninguém a fazê-lo. Porquê? Porque não se instala um sistema decente.

O vídeo é este:


As pessoas põem as garrafas e recebem um vale para o supermercado. Segundo me disseram em alguns países mesmo que alguém deite uma garrafa no chão, há sempre quem a apanhe porque a pode trocar. As pessoas por dinheiro até apanham lixo, coisa que eu faço sem ser por dinheiro, se cá também pagassem acho que eu ainda apanharia mais. Sim o dinheiro também me faz falta para fazer o que eu gosto, coisas amigas do ambiente (quase sempre, na maioria das vezes pelo menos).

Isto é uma medida que compensa quem entrega os seus resíduos nos sítios correctos.

Mas também há medidas por punição, segundo me contaram na Holanda (pelo menos em algumas partes, não sei como funciona no país todo), as pessoas pagam o lixo indiferenciado ao quilograma. Por isso, tentam reduzir, reutilizar e reciclar tudo o que podem. Parece que o preço/kg por lixo indiferenciado não é assim tão barato quanto isso. Bem cá em Portugal, conhecendo as pessoas que conheço acho que começariam a mandar os sacos de lixo pela janela, por isso tinha de existir um belo sistema de fiscalização.

Mas na Holanda, a questão da cidadania é tão forte que parece que não passa pela cabeça de ninguém deixar lixo fora do sítio adequado ou deixar no caixote do vizinho, porque sabem que estão a prejudicar o país em geral ou o vizinho em particular. Nesta altura, acho que podia ser holandesa sem qualquer problema. Ainda pelo que me contaram, se alguém for apanhado a deixar lixo de qualquer tipo fora do sítio adequado apanha multas de milhares de euros (vejam só o que as autarquias portuguesas podiam ganhar). Em outros casos, há alguns tipos de lixo que ainda custam mais às pessoas, por exemplo, o lixo das fraldas descartáveis é caríssimo. Assim as pessoas são incentivadas a usar fraldas reutilizáveis. Se alguma fralda descartável for apanhada no lixo indiferenciado, a pessoa é multada. A questão das fraldas descartáveis terem este sistema é positivo por dois aspectos, por um lado incentiva as pessoas a utilizarem fraldas reutilizáveis, por outro lado as fraldas descartáveis têm um tratamento muito mais adequado, uma vez que são recolhidas de forma separada.

Parece ainda que em algumas autarquias holandesas, não sei se em todas mesmo, o lixo orgânico pode ser entregue para compostagem. Quem o entrega tem direito passado um tempo a uma belo composto para o seu jardim ou vasos. Isto não é excelente?

Isto parece um paraíso para os resíduos. A questão é que na Holanda quem não cumpre paga. E acho muito bem. É um sistema que funciona por punição, mas deve fazê-los pensar mais no seu consumo e consequentes resíduos.

A verdade é que nós também pagamos, na factura da água consta a taxa de resíduos urbanos (não tenho a certeza se é este o nome) que é indexada ao consumo da água. Isto não me parece muito lógico.

Afinal se eu faço comida em casa, se lavo a loiça, se vou ter um bebé que vai usar fraldas e toalhitas reutilizáveis vou usar mais água. Logo vou pagar mais resíduos que uma pessoa (usando um caso extremo) que compre comida pré-feita, use loiça descartavel, fraldas e toalhitas descartáveis. Quem faz mais lixo afinal?

As pessoas não se preocupam com os resíduos, nem com a sua correcta deposição, mas o nosso sistema também não ajuda. Se fossem implementadas medidas de compensação ou de punição pelo correcto/incorrecto depósito de resíduos, certamente não haveria tanto lixo espalhado por todo o lado.

As pessoas devem perceber o problema e quererem mudar pelo bem comum. Mas quando isso não acontece acho que devia haver políticas e iniciativas bem mais específicas.

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