terça-feira, 31 de maio de 2016

Destralhar, o minimalismo e as canetas

Nos últimos tempos tenho lido bastante sobre o minimalismo, a ideia que ter menos é melhor. Ter pouco, o essencial, deixa-nos tempo livre. Afinal ter muitos objectos normalmente ocupa-nos mais tempo e atenção, a limpar, organizar, etc, etc. Todavia, para mim, a solução não passa por descartar os objectos para o lixo, mas sim por os maximizar e, dando tempo ao tempo, ter cada vez menos. O que quer dizer, usar tudo até ao fim da vida ou reencaminhar os objectos para alguém que precise e depois não cair na tentação de comprar outros para o lugar destes. A não ser que seja realmente necessário.

Quem conhecia a minha mãe e conhece o meu pai sabe que é difícil ter poucos objectos estando perto deles, a não ser que mande as coisas fora e isso não está em questão. Deste modo, este processo vai levar muito tempo e requer muita paciência. Por isso mesmo, acho que irei continuar a almoçar durante os próximos 40 anos nos mesmos pratos que já têm 40 anos e ainda estão impecáveis. Sim, já não se usam, mas almoço em pratos das loiças de Coimbra (já não existem estas fábricas) que já devem ser peças vintage. Certamente uma mais valia ou talvez não.

E claro vou continuar a usar panos da loiça com o calendário de 1995 e a usar as toalhas de mesa que a minha mãe costurou para o café da minha avó há uns vinte anos atrás. Claro que só uso porque quero, sei que há coisas mais bonitas no mercado, mas sinceramente não me faziam mais feliz e não quero descartar estas coisas só porque não se usam mais.


Até os acho bem giros
Imagem própria


Então o meu lema é destralhar, mas sem deitar coisas em bom estado no lixo, por isso ou as dou a quem precisa ou uso até ao fim da vida. Mas o mais importante para ajudar a destralhar é não comprar, nem aceitar mais tralha.

Relativamente às canetas que menciono no título, quando era miúda fazia colecção, o que significava que a minha mãe comprava imensas canetas para me oferecer e o meu pai pedia canetas em todo o lado (acho que nunca perdeu esse vício). Mas deixei de fazer colecção para aí quando acabei a escola primária, ou seja há uns vinte anos.

Acho que tinha uma quantidade de canetas como as desta foto que encontrei no olx.

Imagem retirada de https://olx.pt/lazer/coleccoes-antiguidades/guarda-guarda/#from404

O que significou que durante o ensino básico, secundário e universitário nunca tive de comprar canetas, até porque volta e meia iam aparecendo umas novas, sobretudo na faculdade quando ia a conferências. Depois levei canetas para os meus empregos (nenhuma das empresas tinha canetas próprias e na segunda empresa em que estive pedir uma caneta era quase cometer um crime) e posteriormente para a minha loja. Entretanto pelo meio mandei muitas canetas fora porque secaram. Mas mesmo assim, ainda tenho bastantes, mesmo já tendo deixado de aceitar brindes há algum tempo.

Mas no outro dia, o meu marido que ultimamente tem tido umas ideias muito sustentáveis de que muito me orgulho, decidiu levar várias canetas para a empresa onde trabalha. De notar que ele trabalha numa multinacional com milhões de lucro, onde tem canetas disponíveis quando quer. Aquela empresa típica de onde as pessoas trazem canetas, mas que ele deciciu levar canetas para não usar mais recursos e para destralhar mais um bocadinho a casa. Bem bom! Até porque as canetas não são recicladas, logo precisamos mesmo de consumir/produzir menos destes produtos.

Mas ando eu em processo de destralhar quando chega o meu pai e diz "O B. deu-me um fato de mergulho e material de pesca submarina que ia deitar fora", respondo "Oh pai, mas para que tu queres isso?", "Então ele ia deitar fora e estava em bom estado. Mas o primo J. já meteu no olx à venda". Ao menos já está a venda.

Ponto positivo do meu pai: não gosta de mandar nada que esteja em bom estado para o lixo; ponto negativo: não se importa de acumular o "lixo" dos outros, porque pode dar jeito algum dia. Pelo menos neste caso foi logo posto à venda.

2 comentários:

  1. Eu percebo a tua questão de destralhar sem pôr as coisas no lixo. Há algum tempo atrás também andei a ler muita coisa sobre destralhar, minimalismo e coisas do género e acho que pusemos as duas a mesma questão: como destralhar sem contribuir para aumentar o lixo?
    É uma boa questão. Se estiver em condições pode-se doar ou até vender em sites específicos. Ou pode-se arranjar novas utilizações. Faço muitas vezes panos para limpeza, de roupa que não uso, ou até almofadas de camisolas sem uso.
    Já a loiça também uso a que tenho e não comprei praticamente nada (só uma caneca ou outra), praticamente tudo o que uso foram presentes ou coisas que ia trazendo de casa dos meus pais e que já não devolvia :)
    Eu penso que mais que destralhar, é importante é reduzir o consumo e perceber realmente o papel dos objectos e como é que eles podem durar o mais possível.
    Beijinhos e bom fim de semana

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    Respostas
    1. Exactamente, o essencial é mesmo reduzir o consumo. E se em bens como comida, isso se torna mais difícil, em bens duráveis, esse deve ser mesmo o nosso pensamento :)
      Bom fim-de-semana :)

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