Eu estava a amamentar quando vi pela primeira vez este vídeo e isto não me saiu da cabeça. Se não tivesse já reduzido o meu consumo de leite substancialmente, acho que depois disto, o teria feito. Eu sei que ainda não falei sobre a decisão de diminuir o consumo de leite, mas hei-de falar um dia.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Quão desumanos podemos ser?
Eu sei que o mundo está chocado por o Donald Trump ter sido eleito. Mas o que podemos esperar de seres humanos que diariamente fazem isto.
domingo, 6 de novembro de 2016
A bordo: o lixo viajante
Recentemente veio a público uma notícia que tem deixado muita gente (com razão) indignada. Afinal, Portugal está a receber toneladas de lixo italiano... Pelo que percebi da notícia, o lixo vem para ser depositado em aterro, o que é perfeitamente legal (daí a eu concordar é outra questão). No entanto, parece que a questão do lixo no Sul de Itália tem muito que se lhe diga, nomeadamente por ter sido controlado durante anos pela máfia, por isso mesmo, existe a desconfiança que entre os supostos resíduos urbanos que recebemos também existam resíduos perigosos. Segundo a notícia, a exportação de lixo foi a solução encontrada por Itália para travar a multa imposta pela União Europeia (multa motivada pelos resíduos acumulados sem destino e seus respectivos impactes ambientais).
O que significa que eles vendem o lixo e o problema "resolve-se". Sou contra! O lixo é algo demasiado importante para o andarmos a passear e a transportar de um lado para o outro. Além disso, por uma questão de justiça acho que cada um deve ficar com o seu lixo, não descartar o problema para outro país. Afinal, por mais que pague, nada paga (no meu entender) as implicações referentes aos aterros e à necessidade de mais aterros.
No fundo, eu nem sabia bem que os "países ricos" também recebiam resíduos de outros países, acreditava que apenas os "países pobres" faziam isso.
E agora vamos fazer uma viagem até aos anos 80 do século XX no Khian Sea. Conheci esta história há pouco tempo e fiquei fascinada, quer positiva (atitude da Greenpeace e governos locais), quer negativamente (incineradora de Filadélfia e governo norte-americano).
Como o ano em que nasci é um ano bastante histórico (desastre de Chernobyl) também esta história começou em 1986. Uma incineradora de Filadélfia nos Estados Unidos da América quis "despachar" as suas cinzas (15 mil toneladas). A gestora de resíduos contratada decidiu pôr as cinzas no navio Khian Sea, o qual haveria de levar o lixo americano para bem longe, para algum "país pobre". Durante 16 meses, o navio navegou pelo mundo tentando descarregar as cinzas. Honduras, Panamá, Guiné-Bissau e Antilhas Holandesas foram os destinos em que tentaram descarregar este material. No entanto, as autoridades destes países, avisadas pela Greenpeace, não deixaram.
Entretanto, conseguiram convencer o Haiti a ficar com as cinzas, para tal disseram que as cinzas eram fertiliizante para os solos. Quando as autoridades haitianas foram avisadas da verdadeira carga do navio, já a tripulação tinha descarregado 4 mil toneladas na praia de Gonaives, foram obrigados pelas autoridades haitianas a voltar a carregar as cinzas, mas zarparam deixando lá as cinzas a céu aberto (só no ano 2000, as cinzas voltaram para a origem e finalmente tiveram o "fim" desejado. Como hão-de compreender 4 mil toneladas de cinzas a céu aberto durante 14 anos, significou que uma grande quantidade foi levada pelo vento ou arrastada pela maré).
Depois de deixarem as 4 mil toneladas, o navio continuou à procura de destino para as 11 mil toneladas de cinzas que restaram. Senegal, Ski Lanka, Singapura foram destinos em que tentaram desembarcar a carga, sem sucesso. O navio mudou de nome, mas nunca conseguiu descarregar. Em 1988, algures entre Singapura e o Sri Lanka as cinzas desapareceram.
As cinzas do lixo de Filadélfia foram lançadas ao mar anos depois, numa área geográfica distante, contribuindo para a poluição do oceano e tudo o que aí advém.
Retirei esta informação deste site, para saberem mais pormenores consultem-no.
Quantas histórias destas existiram/existem?
Talvez não muitas como a que contei. Mas quanto lixo haverá a circular pelo mundo fora? Cada um deve cuidar do seu lixo, isso começa pelo indivíduo, passando pelas autarquias locais, entidades gestoras de resíduos, estados. Se não conseguimos controlar/cuidar/dar o fim adequado ao nosso lixo, a solução não deve ser que outro o faça, a solução deve ser repensarmos o lixo que fazemos.
O que significa que eles vendem o lixo e o problema "resolve-se". Sou contra! O lixo é algo demasiado importante para o andarmos a passear e a transportar de um lado para o outro. Além disso, por uma questão de justiça acho que cada um deve ficar com o seu lixo, não descartar o problema para outro país. Afinal, por mais que pague, nada paga (no meu entender) as implicações referentes aos aterros e à necessidade de mais aterros.
No fundo, eu nem sabia bem que os "países ricos" também recebiam resíduos de outros países, acreditava que apenas os "países pobres" faziam isso.
E agora vamos fazer uma viagem até aos anos 80 do século XX no Khian Sea. Conheci esta história há pouco tempo e fiquei fascinada, quer positiva (atitude da Greenpeace e governos locais), quer negativamente (incineradora de Filadélfia e governo norte-americano).
Como o ano em que nasci é um ano bastante histórico (desastre de Chernobyl) também esta história começou em 1986. Uma incineradora de Filadélfia nos Estados Unidos da América quis "despachar" as suas cinzas (15 mil toneladas). A gestora de resíduos contratada decidiu pôr as cinzas no navio Khian Sea, o qual haveria de levar o lixo americano para bem longe, para algum "país pobre". Durante 16 meses, o navio navegou pelo mundo tentando descarregar as cinzas. Honduras, Panamá, Guiné-Bissau e Antilhas Holandesas foram os destinos em que tentaram descarregar este material. No entanto, as autoridades destes países, avisadas pela Greenpeace, não deixaram.
Entretanto, conseguiram convencer o Haiti a ficar com as cinzas, para tal disseram que as cinzas eram fertiliizante para os solos. Quando as autoridades haitianas foram avisadas da verdadeira carga do navio, já a tripulação tinha descarregado 4 mil toneladas na praia de Gonaives, foram obrigados pelas autoridades haitianas a voltar a carregar as cinzas, mas zarparam deixando lá as cinzas a céu aberto (só no ano 2000, as cinzas voltaram para a origem e finalmente tiveram o "fim" desejado. Como hão-de compreender 4 mil toneladas de cinzas a céu aberto durante 14 anos, significou que uma grande quantidade foi levada pelo vento ou arrastada pela maré).
Depois de deixarem as 4 mil toneladas, o navio continuou à procura de destino para as 11 mil toneladas de cinzas que restaram. Senegal, Ski Lanka, Singapura foram destinos em que tentaram desembarcar a carga, sem sucesso. O navio mudou de nome, mas nunca conseguiu descarregar. Em 1988, algures entre Singapura e o Sri Lanka as cinzas desapareceram.
As cinzas do lixo de Filadélfia foram lançadas ao mar anos depois, numa área geográfica distante, contribuindo para a poluição do oceano e tudo o que aí advém.
Retirei esta informação deste site, para saberem mais pormenores consultem-no.
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| Imagem retirada de http://resources.gale.com/gettingtogreenr/uncategorized/the-strange-saga-of-the-khian-sea/ |
Quantas histórias destas existiram/existem?
Talvez não muitas como a que contei. Mas quanto lixo haverá a circular pelo mundo fora? Cada um deve cuidar do seu lixo, isso começa pelo indivíduo, passando pelas autarquias locais, entidades gestoras de resíduos, estados. Se não conseguimos controlar/cuidar/dar o fim adequado ao nosso lixo, a solução não deve ser que outro o faça, a solução deve ser repensarmos o lixo que fazemos.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Ser ecológica nas redes sociais: um agradecimento
Comecei a pensar neste assunto depois de ler a publicação (Sustentabilidade e Redes Sociais) da Catarina no seu blogue Ecológica, quem? Eu?.
E vou transcrever duas passagens com as quais também me identifico e que, por vezes, me deixam a pensar:
No entanto, depois de muito pensar, decidi fazer esta publicação porque se sou mais sustentável devo-o à internet (mais especificamente às redes sociais) e às pessoas (muitas que não conheço pessoalmente) com as quais aprendo todos os dias a ser mais ecológica. A verdade é que tem sido nas redes sociais que tenho encontrado pessoas que pensam como eu em diversos temas, os quais na sua generalidade visam um mundo mais sustentável.
Entre as redes sociais destaco os grupos que acompanho no facebook, os quais têm sem dúvida mudado a minha vida, têm-me feito acreditar que é possível. Acreditar que é possível ser diferente da generalidade e das imposições da sociedade até porque há muito quem pense como eu (coisa que com as pessoas que conhecia, nos meus círculos mais comuns, raramente acontecia).
Afinal, em rede, em comunidade funcionamos melhor e se, por vezes, a comunidade física em que vivemos não é/está aberta às nossas ideias, podemos procurar criar outras comunidades. Lançar sementes e colher frutos.
Mas afinal o que mudou? E onde?
Vou tentar elencar de forma resumida e assim mesmo agradecer.
Primeiro, há muitos anos mudou-me o blogue 365 coisas que posso fazer..., o qual me fez olhar a causa ambiental de outra forma. Foi realmente muito importante. Depois ajudou-me, eu própria criar este blogue, pesquisar, pensar, escrever.
Mas acho que foi na sustentabilidade na maternidade que mais me ajudaram as redes sociais, nomeadamente os grupos no facebook. Foi aqui que vi que há mais gente a usar e acreditar que se deve usar fraldas de pano do que aquilo que alguma vez imaginei, foi essencial ler os testemunhos, as dúvidas e tudo o resto sobre as fraldas, mesmo em alturas que parecia estar a correr pior. Usar fraldas de pano (mesmo que não exclusivamente) é algo que muito me orgulha.
Depois, ainda nas questões da maternidade, o grupo de apoio à amamentação também foi essencial para me fazer acreditar que é possível. Que é possível criar um filho mais saudável, sem estar depende de leites artificiais. Também foi nestes grupos que soube da existência da papas comerciais mais saudáveis ou que li pela primeira vez receitas de papas caseiras. O que muito me fez afastar das quase imposições de consumo infantil que nos inundam a casa através da publicidade.
Depois, embora seja um grupo que não acompanho tanto, o grupo da Permacultura é uma importante fonte de inspiração para um mundo mais sustentável. Bem como outro grupo de cariz mais intimista tem sido bastante importante para me dar segurança naquilo em que acredito, bem como na possibilidade de conhecer outras formas de ver o mundo que por vezes nem tinha equacionado.
Mas continuando, foi também nas redes sociais que comecei a comprar mais produtos em 2ª mão e a achar normal fazê-lo. A ideia sempre inspiradora de reaproveitar recursos.
Mais recentemente, o grupo Lixo Zero, o qual não consigo acompanhar tanto quanto gostaria, tem-me mostrado que há bastante gente a pensar nas mesmas questões que eu (algumas pessoas a pensar muito mais à frente do que eu) e que juntos podemos partilhar ideias e mudar aos poucos.
Por isto tudo e por mais coisas que provavelmente agora não me lembrei, sinto-me grata a todas estas pessoas com quem me cruzo virtualmente e que me fazem acreditar que é possível um mundo melhor. Várias pessoas têm contribuído para a minha pretensão de ser mais conhecedora do mundo/natureza e para ser mais sustentável.
E é assim que quero começar este mês de Novembro, a agradecer a todos, os que mesmo invisivelmente, me têm ajudado nesta caminhada que quis fazer. Pessoas que provavelmente eu nunca conheceria se não fossem as redes sociais.
E vou transcrever duas passagens com as quais também me identifico e que, por vezes, me deixam a pensar:
"A maioria delas ligada à questão de poder ser contraditório escrever sobre sustentabilidade, natureza, slow-living, ambiente (entre outros temas do género) e ir-me ligar às redes sociais, que são, muitas vezes, o baluarte e o principal exemplo de tudo o que critico na nossa sociedade actual."
"Se critico a selvajaria virtual das pessoas, a que se assiste quando acontece alguma coisa negativa, e o desregramento e falta de contenção nas opiniões e desinformação? Sim.
Se critico as pessoas que muito "teclam" e "postam" mas que na verdade pouco fazem e normalmente são Madres Teresa de Sofá (pois pôr a mão na massa e tomar atitudes reais para que a vida de todos seja melhor dá trabalho)? Sim."
No entanto, depois de muito pensar, decidi fazer esta publicação porque se sou mais sustentável devo-o à internet (mais especificamente às redes sociais) e às pessoas (muitas que não conheço pessoalmente) com as quais aprendo todos os dias a ser mais ecológica. A verdade é que tem sido nas redes sociais que tenho encontrado pessoas que pensam como eu em diversos temas, os quais na sua generalidade visam um mundo mais sustentável.
Entre as redes sociais destaco os grupos que acompanho no facebook, os quais têm sem dúvida mudado a minha vida, têm-me feito acreditar que é possível. Acreditar que é possível ser diferente da generalidade e das imposições da sociedade até porque há muito quem pense como eu (coisa que com as pessoas que conhecia, nos meus círculos mais comuns, raramente acontecia).
Afinal, em rede, em comunidade funcionamos melhor e se, por vezes, a comunidade física em que vivemos não é/está aberta às nossas ideias, podemos procurar criar outras comunidades. Lançar sementes e colher frutos.
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| Imagem retirada de http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/11/29/plataforma-reune-atividades-educativas-sobre-cultura-ambiental/arvore_hl/ |
Mas afinal o que mudou? E onde?
Vou tentar elencar de forma resumida e assim mesmo agradecer.
Primeiro, há muitos anos mudou-me o blogue 365 coisas que posso fazer..., o qual me fez olhar a causa ambiental de outra forma. Foi realmente muito importante. Depois ajudou-me, eu própria criar este blogue, pesquisar, pensar, escrever.
Mas acho que foi na sustentabilidade na maternidade que mais me ajudaram as redes sociais, nomeadamente os grupos no facebook. Foi aqui que vi que há mais gente a usar e acreditar que se deve usar fraldas de pano do que aquilo que alguma vez imaginei, foi essencial ler os testemunhos, as dúvidas e tudo o resto sobre as fraldas, mesmo em alturas que parecia estar a correr pior. Usar fraldas de pano (mesmo que não exclusivamente) é algo que muito me orgulha.
Depois, ainda nas questões da maternidade, o grupo de apoio à amamentação também foi essencial para me fazer acreditar que é possível. Que é possível criar um filho mais saudável, sem estar depende de leites artificiais. Também foi nestes grupos que soube da existência da papas comerciais mais saudáveis ou que li pela primeira vez receitas de papas caseiras. O que muito me fez afastar das quase imposições de consumo infantil que nos inundam a casa através da publicidade.
Depois, embora seja um grupo que não acompanho tanto, o grupo da Permacultura é uma importante fonte de inspiração para um mundo mais sustentável. Bem como outro grupo de cariz mais intimista tem sido bastante importante para me dar segurança naquilo em que acredito, bem como na possibilidade de conhecer outras formas de ver o mundo que por vezes nem tinha equacionado.
Mas continuando, foi também nas redes sociais que comecei a comprar mais produtos em 2ª mão e a achar normal fazê-lo. A ideia sempre inspiradora de reaproveitar recursos.
Mais recentemente, o grupo Lixo Zero, o qual não consigo acompanhar tanto quanto gostaria, tem-me mostrado que há bastante gente a pensar nas mesmas questões que eu (algumas pessoas a pensar muito mais à frente do que eu) e que juntos podemos partilhar ideias e mudar aos poucos.
Por isto tudo e por mais coisas que provavelmente agora não me lembrei, sinto-me grata a todas estas pessoas com quem me cruzo virtualmente e que me fazem acreditar que é possível um mundo melhor. Várias pessoas têm contribuído para a minha pretensão de ser mais conhecedora do mundo/natureza e para ser mais sustentável.
E é assim que quero começar este mês de Novembro, a agradecer a todos, os que mesmo invisivelmente, me têm ajudado nesta caminhada que quis fazer. Pessoas que provavelmente eu nunca conheceria se não fossem as redes sociais.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Produtos caseiros não são produtos biológicos
O título pode parecer uma daquelas verdades que todos sabemos, mas achei que devia fazer uma publicação a explicar a diferença entre produtos caseiros e produtos biológicos... E esta decisão veio de uma conversa que tive no outro dia numa mercearia a que costumo ir.
Em conversa, o dono disse-me que também tinham ovos biológicos, eu disse que não compro ovos porque tenho galinhas e ele disse-me que os ovos biológicos são das galinhas da mãe. Pela forma como falou, deu a entender que afinal não são ovos biológicos, mas sim ovos caseiros. Acredito que as pessoas não digam que as coisas são biológicas com intuito de enganar alguém. No entanto, um produto biológico é diferente de um produto caseiro (de pequenos agricultores que não têm na agricultura a sua principal fonte de rendimento, pequenas propriedades como, por exemplo, quintais).
A questão é simples: para um produto alimentar ser vendido como biológico tem de estar devidamente certificado e para estar certificado é necessário cumprir diversos critérios. No caso dos ovos biológicos, as galinhas não estiveram em contacto com químicos, nem tomaram antibióticos, andam à solta e a sua alimentação também é biológica.
É aqui que reside a questão, primeiramente a maior parte das pessoas que têm criações de galinhas não as têm à solta. Podem não estar tão confinadas como nos aviários, mas quase sempre estão em recintos onde não podem obter o seu próprio alimento. Em segundo lugar, embora acredite que seja raro, há quem dê antibióticos às suas galinhas e lhe dê rações de engorda. Sempre achei estranho, mas a verdade é que conheço quem o faça, pessoas que criam animais em casa e só lhes dão farinhas de aviário com medicação. Por último, aquilo que eu acho que ninguém, mas mesmo ninguém faz quando cria galinhas em casa, ninguém lhes dá simplesmente alimentação biológica.
Por exemplo, as minhas galinhas andam à solta (como se pode ver na imagem), não tomam antibióticos, nem rações, mas os cereais que compramos não são biológicos, os nossos restos que lhes damos também não são (pode algo eventualmente ser), a própria erva que cresce onde elas estão não tenho garantia que esteja livre de herbicidas, pesticidas, químicos e outros que tais. No entanto, eu confio plenamente nos ovos das minhas galinhas, muito mais que em qualquer ovo de aviário.
Mas como acabei de dizer, confio nos ovos das minhas galinhas, bem no fundo acredito que qualquer ovo caseiro seja melhor que um ovo de aviário de galinhas criadas em gaiolas, quer nas suas características, quer no que respeita à vida das galinhas. Todavia, nada me garante que aqueles ovos caseiros não sejam de galinhas criadas em gaiolas que só comem farinha de engorda e tomam antibióticos.
E nisto, tenho uma história para contar, a qual não tem que ver com galinhas, é uma história que me foi contada, por isso é uma história em 2ª mão (reutilizar histórias é ecológico). Há uns anos, uma colega de trabalho contou-me que tinha feito um trabalho sobre a contaminação de solos em áreas adjacentes à Siderurgia Nacional. Devido à elevada contaminação dos solos andaram a bater de porta em porta a dizer às pessoas que não deviam comer os legumes que tinham nas suas hortas, pois aqueles solos estavam altamente contaminados. Um senhor disse que não havia problema, uma vez que a maioria das coisas não era ele que comia, costumava ir vender para o mercado local. E aqui está uma simples história.
Quem comprava, provavelmente, achava que eram legumes muito saudáveis de pequenos produtores (atenção, eu adoro a ideia de pequenos produtores e de agricultura de subsistência), no entanto, a qualidade não era certamente a esperada. O que eu quero dizer com isto é simples, atenção, ser caseiro não é ser biológico, em princípio ser caseiro é mais saudável e sustentável que ser industrial, mas nada nos garante que realmente seja. Por isso, quem vende caseiro deve usar o termo correcto e quem compra produtos caseiros deve saber que ser caseiro não é garantia de nada.
Em conversa, o dono disse-me que também tinham ovos biológicos, eu disse que não compro ovos porque tenho galinhas e ele disse-me que os ovos biológicos são das galinhas da mãe. Pela forma como falou, deu a entender que afinal não são ovos biológicos, mas sim ovos caseiros. Acredito que as pessoas não digam que as coisas são biológicas com intuito de enganar alguém. No entanto, um produto biológico é diferente de um produto caseiro (de pequenos agricultores que não têm na agricultura a sua principal fonte de rendimento, pequenas propriedades como, por exemplo, quintais).
A questão é simples: para um produto alimentar ser vendido como biológico tem de estar devidamente certificado e para estar certificado é necessário cumprir diversos critérios. No caso dos ovos biológicos, as galinhas não estiveram em contacto com químicos, nem tomaram antibióticos, andam à solta e a sua alimentação também é biológica.
É aqui que reside a questão, primeiramente a maior parte das pessoas que têm criações de galinhas não as têm à solta. Podem não estar tão confinadas como nos aviários, mas quase sempre estão em recintos onde não podem obter o seu próprio alimento. Em segundo lugar, embora acredite que seja raro, há quem dê antibióticos às suas galinhas e lhe dê rações de engorda. Sempre achei estranho, mas a verdade é que conheço quem o faça, pessoas que criam animais em casa e só lhes dão farinhas de aviário com medicação. Por último, aquilo que eu acho que ninguém, mas mesmo ninguém faz quando cria galinhas em casa, ninguém lhes dá simplesmente alimentação biológica.
Por exemplo, as minhas galinhas andam à solta (como se pode ver na imagem), não tomam antibióticos, nem rações, mas os cereais que compramos não são biológicos, os nossos restos que lhes damos também não são (pode algo eventualmente ser), a própria erva que cresce onde elas estão não tenho garantia que esteja livre de herbicidas, pesticidas, químicos e outros que tais. No entanto, eu confio plenamente nos ovos das minhas galinhas, muito mais que em qualquer ovo de aviário.
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| Imagem própria |
Mas como acabei de dizer, confio nos ovos das minhas galinhas, bem no fundo acredito que qualquer ovo caseiro seja melhor que um ovo de aviário de galinhas criadas em gaiolas, quer nas suas características, quer no que respeita à vida das galinhas. Todavia, nada me garante que aqueles ovos caseiros não sejam de galinhas criadas em gaiolas que só comem farinha de engorda e tomam antibióticos.
E nisto, tenho uma história para contar, a qual não tem que ver com galinhas, é uma história que me foi contada, por isso é uma história em 2ª mão (reutilizar histórias é ecológico). Há uns anos, uma colega de trabalho contou-me que tinha feito um trabalho sobre a contaminação de solos em áreas adjacentes à Siderurgia Nacional. Devido à elevada contaminação dos solos andaram a bater de porta em porta a dizer às pessoas que não deviam comer os legumes que tinham nas suas hortas, pois aqueles solos estavam altamente contaminados. Um senhor disse que não havia problema, uma vez que a maioria das coisas não era ele que comia, costumava ir vender para o mercado local. E aqui está uma simples história.
Quem comprava, provavelmente, achava que eram legumes muito saudáveis de pequenos produtores (atenção, eu adoro a ideia de pequenos produtores e de agricultura de subsistência), no entanto, a qualidade não era certamente a esperada. O que eu quero dizer com isto é simples, atenção, ser caseiro não é ser biológico, em princípio ser caseiro é mais saudável e sustentável que ser industrial, mas nada nos garante que realmente seja. Por isso, quem vende caseiro deve usar o termo correcto e quem compra produtos caseiros deve saber que ser caseiro não é garantia de nada.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Varrer para a porta da/o vizinha/o
Uma das minhas memórias de infância é a minha avó, todas as noites, depois de fechar o café ir varrer o chão à frente da porta, varria, apanhava com a pá e metia no caixote do lixo. A minha avó nasceu em 1932, num tempo que não sei se havia recolha de lixo, nunca foi à escola e nem vale a pena contar a vida que teve, mas no meio disso tudo, sabia que se não queremos lixo na porta que o devemos apanhar.
Quando abrimos a loja, a qual é numa arcada, começamos a varrer e lavar o espaço em frente da loja e obviamente a apanhar o lixo que varremos e pôr no caixote (o lixo que consiste maioritariamente em beatas de cigarros, às quais agora no Outono se juntam as folhas secas). Por isso, qual não foi o meu espanto quando percebi que a grande maioria dos outros comerciantes varre de uma forma diferente. Aliás, eu nem considero varrer, afastam o lixo da sua porta para a estrada ou mais para a frente, muitas vezes para as portas dos vizinhos, etc, etc. Não sei bem onde estas pessoas aprenderam a varrer, nem tão pouco sei se sabem o que é o vento. Sim, porque este malandro, sobretudo agora no Outono, gosta de soprar e as pessoas que acabaram de afastar folhas, beatas, papéis e plásticos da sua porta, lá vêem o lixo voltar todo novamente. Depois, lamentam-se que parece impossível, afinal ainda agora varreram e o lixo já está todo novamente ali. Pudera!
A ideia de se varrer o chão é apanhar lixo, a pessoa varre na sua direcção e faz um monte de lixo, depois apanha-o. A ideia não é ter lixo e simplesmente o afastar para longe com a vassoura. É que para isso nem vale a pena terem trabalho.
Mas eu como gosto de pensar e ver os comportamentos das pessoas relativamente a várias coisas, entre elas o lixo, decidi desenhar a cena... e aqui vos mostro o que não é suposto fazer...
Não varra o seu lixo para a porta do vizinho, nem para a estrada, nem mais para a frente... para isso, mais vale estar quieto.
Caricatura dos comerciantes que em vez de varrarem e apanharem o lixo, preferem afastá-lo da sua porta e espanhá-lo por todo o lado
Imagem própria (desenhado por mim)
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Mangas: proveniência portuguesa e espanhola
Quando o Luís começou a comer, além das frutas que estamos mais acostumados a dar aos bebés, pera, banana e maça, aconselharam-me a dar também papaia e manga. Confesso que não era frutas que eu costumasse comprar, primeiro porque não adoro papaia e não gostava de manga, segundo porque são frutas importadas e tento ao máximo comprar fruta nacional. Mas para variar a dieta do bebé lá comprei papaias e mangas. No que se refere às mangas, comecei sempre a comprar a de via aérea. Afinal, as mangas que chegam até nós por via marítima são apanhadas verdes para posteriormente amadurecerem, enquanto que as de via aérea ainda amadurecem na árvore (digo eu). O facto é que as de via aérea são sem dúvida muito mais saborosas e responsáveis por muito mais emissões de CO2 do que as outras devido ao seu transporte, o que não é nada positivo.
Mas com o facto de começar a comprar mangas descobri uma coisa, afinal eu gosto de mangas, a gravidez e a amamentação alteraram um bocadinho os meus gostos alimentares. E agora só me apetece comer mangas, mas continuava a controlar-me devido à sua proveniência. No entanto, com poucos dias de diferença descobri as mangas das Canárias e as mangas do Algarve.
As mangas das Canárias, ainda mais as do Algarve, têm uma grande vantagem relativamente às outras, gastam muito menos recursos a chegarem à nossa mesa. Além disso devido à proximidade são bem docinhas e nada fibrosas porque não são apanhadas verdes.
Manga das Canárias
Se calhar até são bem conhecidas, mas eu não sabia que existiam mangas nas Canárias para comercialização, descobri-as na mercearia que abriu perto da minha loja. Basicamente olhei para as mangas e questionei "Mangas de Espanha?", "Sim, são das Canárias". Na realidade tem bastante lógica que existam mangas nas Canárias, mas nunca tal me tinha ocorrido. Agora tornei-me uma consumidora de mangas das Canárias e da mercearia em específico, até porque eles têm sacos para a fruta feitos a partir de cana de açúcar em vez dos habituais sacos de plástico convencional (mas eu nem os de cana de açúcar tenho usado porque tenho levado sacos para a fruta). Mas acho óptimo uma pequena mercearia usar sacos mais sustentáveis. Sobre os sacos:
Já andava eu fascinada com as mangas das Canárias quando descobri as mangas do Algarve.
Mangas do Algarve
Há uma ou duas semanas a minha sogra estava cá em casa e foi comprar mangas ao mercado aqui perto, eu já lhe tinha dito para comprar mangas espanholas ou então via aérea, mas ela ainda comprou melhor, comprou mangas algarvias. E digo-vos, comi a melhor manga da minha vida, uma verdadeira delícia. Entretanto falei com uma algarvia que me confirmou que por lá as mangas nascem e crescem em fartura, eu não fazia a mínima ideia. Mas não é de admirar de todo, afinal eu também tenho no quintal anonas e tamarilhos.
O único problema é que não há mangas nacionais e espanholas sempre (o que é normal), apenas as encontramos no início do Outono (mais ou menos), também a altura que costumo ter as anonas e os tamarilhos (que estão quase a ficar maduros). Por isso, a comer manga só conseguimos ser sustentáveis nesta altura do ano. No resto do ano temos três opções: não comer mangas; comer mangas via aérea que contribuem com emissões de CO2; comer mangas via marítima menos doces e mais fibrosas e que também gastaram bastante recursos para cá chegar. Por isso, agora ando a desforrar-me com mangas e depois quero ver se descanso desta fruta.
Já agora para terminar podem ver aqui os benefícios das mangas para a saúde, mas resumidamente:
Mas com o facto de começar a comprar mangas descobri uma coisa, afinal eu gosto de mangas, a gravidez e a amamentação alteraram um bocadinho os meus gostos alimentares. E agora só me apetece comer mangas, mas continuava a controlar-me devido à sua proveniência. No entanto, com poucos dias de diferença descobri as mangas das Canárias e as mangas do Algarve.
As mangas das Canárias, ainda mais as do Algarve, têm uma grande vantagem relativamente às outras, gastam muito menos recursos a chegarem à nossa mesa. Além disso devido à proximidade são bem docinhas e nada fibrosas porque não são apanhadas verdes.
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| Imagem retirada de http://newsaboutbananas.blogspot.pt/ |
Manga das Canárias
Se calhar até são bem conhecidas, mas eu não sabia que existiam mangas nas Canárias para comercialização, descobri-as na mercearia que abriu perto da minha loja. Basicamente olhei para as mangas e questionei "Mangas de Espanha?", "Sim, são das Canárias". Na realidade tem bastante lógica que existam mangas nas Canárias, mas nunca tal me tinha ocorrido. Agora tornei-me uma consumidora de mangas das Canárias e da mercearia em específico, até porque eles têm sacos para a fruta feitos a partir de cana de açúcar em vez dos habituais sacos de plástico convencional (mas eu nem os de cana de açúcar tenho usado porque tenho levado sacos para a fruta). Mas acho óptimo uma pequena mercearia usar sacos mais sustentáveis. Sobre os sacos:
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| Imagem retirada de http://www.bigtower.pt/news/ |
Já andava eu fascinada com as mangas das Canárias quando descobri as mangas do Algarve.
Mangas do Algarve
Há uma ou duas semanas a minha sogra estava cá em casa e foi comprar mangas ao mercado aqui perto, eu já lhe tinha dito para comprar mangas espanholas ou então via aérea, mas ela ainda comprou melhor, comprou mangas algarvias. E digo-vos, comi a melhor manga da minha vida, uma verdadeira delícia. Entretanto falei com uma algarvia que me confirmou que por lá as mangas nascem e crescem em fartura, eu não fazia a mínima ideia. Mas não é de admirar de todo, afinal eu também tenho no quintal anonas e tamarilhos.
O único problema é que não há mangas nacionais e espanholas sempre (o que é normal), apenas as encontramos no início do Outono (mais ou menos), também a altura que costumo ter as anonas e os tamarilhos (que estão quase a ficar maduros). Por isso, a comer manga só conseguimos ser sustentáveis nesta altura do ano. No resto do ano temos três opções: não comer mangas; comer mangas via aérea que contribuem com emissões de CO2; comer mangas via marítima menos doces e mais fibrosas e que também gastaram bastante recursos para cá chegar. Por isso, agora ando a desforrar-me com mangas e depois quero ver se descanso desta fruta.
Já agora para terminar podem ver aqui os benefícios das mangas para a saúde, mas resumidamente:
- Fortalecem o sistema imunológico;
- Cuidam da pele;
- Fazem bem ao coração;
- Têm acção antioxidante;
- Previnem o cancro;
- Facilitam a digestão.
domingo, 23 de outubro de 2016
A poderosa verdade
Um dos meus contactos do facebook teve a sua conta bloqueada durante três dias por causa de uma imagem. Alguém (ou vários alguéns) não gostaram de uma imagem que a pessoa partilhou e denunciou-a. Não é que ser bloqueado do facebook seja algo catastrófico na vida de alguém, mas é estranho porque algumas pessoas não gostam e denunciam imagens que espelham tão bem como o mundo funciona.
Esta é a realidade que vivemos no mundo ocidental, é a realidade do sistema em que estamos. Não vale a pena dizerem que se não fossemos "nós" que "aquelas" pessoas nem tinham o que comer, porque somos "nós" que lhes damos trabalho. É muito fácil explorarmos pessoas, povos, países, depois de termos destruído das suas economias de subsistência, a sua agricultura, etc, etc.
Pior que escravizarmos os outros, é ainda acharmos que lhes estamos a fazer um favor. Eu assumo a minha culpa no sistema... é triste, mas é a realidade.
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| Não tenho a fonte da imagem, uma vez que a tirei de um perfil de facebook pessoal, se alguém for o proprietário da imagem e queira que eu mencione a fonte, contacte-me por favor. |
Esta é a realidade que vivemos no mundo ocidental, é a realidade do sistema em que estamos. Não vale a pena dizerem que se não fossemos "nós" que "aquelas" pessoas nem tinham o que comer, porque somos "nós" que lhes damos trabalho. É muito fácil explorarmos pessoas, povos, países, depois de termos destruído das suas economias de subsistência, a sua agricultura, etc, etc.
Pior que escravizarmos os outros, é ainda acharmos que lhes estamos a fazer um favor. Eu assumo a minha culpa no sistema... é triste, mas é a realidade.
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