terça-feira, 25 de outubro de 2016

Varrer para a porta da/o vizinha/o

Uma das minhas memórias de infância é a minha avó, todas as noites, depois de fechar o café ir varrer o chão à frente da porta, varria, apanhava com a pá e metia no caixote do lixo. A minha avó nasceu em 1932, num tempo que não sei se havia recolha de lixo, nunca foi à escola e nem vale a pena contar a vida que teve, mas no meio disso tudo, sabia que se não queremos lixo na porta que o devemos apanhar.

Quando abrimos a loja, a qual é numa arcada, começamos a varrer e lavar o espaço em frente da loja e obviamente a apanhar o lixo que varremos e pôr no caixote (o lixo que consiste maioritariamente em beatas de cigarros, às quais agora no Outono se juntam as folhas secas). Por isso, qual não foi o meu espanto quando percebi que a grande maioria dos outros comerciantes varre de uma forma diferente. Aliás, eu nem considero varrer, afastam o lixo da sua porta para a estrada ou mais para a frente, muitas vezes para as portas dos vizinhos, etc, etc. Não sei bem onde estas pessoas aprenderam a varrer, nem tão pouco sei se sabem o que é o vento. Sim, porque este malandro, sobretudo agora no Outono, gosta de soprar e as pessoas que acabaram de afastar folhas, beatas, papéis e plásticos da sua porta, lá vêem o lixo voltar todo novamente. Depois, lamentam-se que parece impossível, afinal ainda agora varreram e o lixo já está todo novamente ali. Pudera!

A ideia de se varrer o chão é apanhar lixo, a pessoa varre na sua direcção e faz um monte de lixo, depois apanha-o. A ideia não é ter lixo e simplesmente o afastar para longe com a vassoura. É que para isso nem vale a pena terem trabalho.

Mas eu como gosto de pensar e ver os comportamentos das pessoas relativamente a várias coisas, entre elas o lixo, decidi desenhar a cena... e aqui vos mostro o que não é suposto fazer...

Não varra o seu lixo para a porta do vizinho, nem para a estrada, nem mais para a frente... para isso, mais vale estar quieto.


Caricatura dos comerciantes que em vez de varrarem e apanharem o lixo, preferem afastá-lo da sua porta e espanhá-lo por todo o lado
Imagem própria (desenhado por mim)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Mangas: proveniência portuguesa e espanhola

Quando o Luís começou a comer, além das frutas que estamos mais acostumados a dar aos bebés, pera, banana e maça, aconselharam-me a dar também papaia e manga. Confesso que não era frutas que eu costumasse comprar, primeiro porque não adoro papaia e não gostava de manga, segundo porque são frutas importadas e tento ao máximo comprar fruta nacional. Mas para variar a dieta do bebé lá comprei papaias e mangas. No que se refere às mangas, comecei sempre a comprar a de via aérea. Afinal, as mangas que chegam até nós por via marítima são apanhadas verdes para posteriormente amadurecerem, enquanto que as de via aérea ainda amadurecem na árvore (digo eu). O facto é que as de via aérea são sem dúvida muito mais saborosas e responsáveis por muito mais emissões de CO2 do que as outras devido ao seu transporte, o que não é nada positivo.

Mas com o facto de começar a comprar mangas descobri uma coisa, afinal eu gosto de mangas, a gravidez e a amamentação alteraram um bocadinho os meus gostos alimentares. E agora só me apetece comer mangas, mas continuava a controlar-me devido à sua proveniência. No entanto, com poucos dias de diferença descobri as mangas das Canárias e as mangas do Algarve.

As mangas das Canárias, ainda mais as do Algarve, têm uma grande vantagem relativamente às outras, gastam muito menos recursos a chegarem à nossa mesa. Além disso devido à proximidade são bem docinhas e nada fibrosas porque não são apanhadas verdes.

Imagem retirada de http://newsaboutbananas.blogspot.pt/

Manga das Canárias

Se calhar até são bem conhecidas, mas eu não sabia que existiam mangas nas Canárias para comercialização, descobri-as na mercearia que abriu perto da minha loja. Basicamente olhei para as mangas e questionei "Mangas de Espanha?", "Sim, são das Canárias". Na realidade tem bastante lógica que existam mangas nas Canárias, mas nunca tal me tinha ocorrido. Agora tornei-me uma consumidora de mangas das Canárias e da mercearia em específico, até porque eles têm sacos para a fruta feitos a partir de cana de açúcar em vez dos habituais sacos de plástico convencional (mas eu nem os de cana de açúcar tenho usado porque tenho levado sacos para a fruta). Mas acho óptimo uma pequena mercearia usar sacos mais sustentáveis. Sobre os sacos:


Imagem retirada de http://www.bigtower.pt/news/

Já andava eu fascinada com as mangas das Canárias quando descobri as mangas do Algarve.


Mangas do Algarve


Há uma ou duas semanas a minha sogra estava cá em casa e foi comprar mangas ao mercado aqui perto, eu já lhe tinha dito para comprar mangas espanholas ou então via aérea, mas ela ainda comprou melhor, comprou mangas algarvias. E digo-vos, comi a melhor manga da minha vida, uma verdadeira delícia. Entretanto falei com uma algarvia que me confirmou que por lá as mangas nascem e crescem em fartura, eu não fazia a mínima ideia. Mas não é de admirar de todo, afinal eu também tenho no quintal anonas e tamarilhos.

O único problema é que não há mangas nacionais e espanholas sempre (o que é normal), apenas as encontramos no início do Outono (mais ou menos), também a altura que costumo ter as anonas e os tamarilhos (que estão quase a ficar maduros). Por isso, a comer manga só conseguimos ser sustentáveis nesta altura do ano. No resto do ano temos três opções: não comer mangas; comer mangas via aérea que contribuem com emissões de CO2; comer mangas via marítima menos doces e mais fibrosas e que também gastaram bastante recursos para cá chegar. Por isso, agora ando a desforrar-me com mangas e depois quero ver se descanso desta fruta.

Já agora para terminar podem ver aqui os benefícios das mangas para a saúde, mas resumidamente:
  • Fortalecem o sistema imunológico;
  • Cuidam da pele;
  • Fazem bem ao coração;
  • Têm acção antioxidante;
  • Previnem o cancro;
  • Facilitam a digestão.

domingo, 23 de outubro de 2016

A poderosa verdade

Um dos meus contactos do facebook teve a sua conta bloqueada durante três dias por causa de uma imagem. Alguém (ou vários alguéns) não gostaram de uma imagem que a pessoa partilhou e denunciou-a. Não é que ser bloqueado do facebook seja algo catastrófico na vida de alguém, mas é estranho porque algumas pessoas não gostam e denunciam imagens que espelham tão bem como o mundo funciona.

Não tenho a fonte da imagem, uma vez que a tirei de um perfil de facebook pessoal, se alguém for o proprietário da imagem e queira que eu mencione a fonte, contacte-me por favor.


Esta é a realidade que vivemos no mundo ocidental, é a realidade do sistema em que estamos. Não vale a pena dizerem que se não fossemos "nós" que "aquelas" pessoas nem tinham o que comer, porque somos "nós" que lhes damos trabalho. É muito fácil explorarmos pessoas, povos, países, depois de termos destruído das suas economias de subsistência, a sua agricultura, etc, etc.

Pior que escravizarmos os outros, é ainda acharmos que lhes estamos a fazer um favor. Eu assumo a minha culpa no sistema... é triste, mas é a realidade.

sábado, 22 de outubro de 2016

Trash me

Trash me é o nome de um dos projectos de Rob Greenfield, no qual o activista tinha como objectivo mostrar a quantidade de lixo que um americano médio faz num mês. Com esse intuito, a fazer uma vida de consumo de um americano médio (sim, porque Rob leva uma vida de lixo zero) foi juntando todo o lixo que fez no seu corpo. Isso mesmo, durante um mês Rob juntou todo o lixo em sacos à volta do seu corpo, o objectivo foi/é mostrar visualmente a quantidade que uma simples pessoa pode fazer de lixo num mês. O desafio acabou dia 20 de Outubro e Rob juntou mais de 84kg de lixo e o resultado foi este:

Imagem retirada de https://www.facebook.com/RobGreenfield/photos/a.278209438972808.66220.276444342482651/1008724265921318/?type=3&theater

Acho que é devastador, não acham? Em Portugal e na Europa em geral, a quantidade de lixo per capita é inferior à de um norte-americano, mas mesmo assim há-de ser enorme. Já imaginaram se cobrissem o vosso corpo com todo o lixo que fazem num mês? Acham que conseguiam aguentar o peso? Também não sei se a natureza aguenta o nosso peso.

Acho que esta imagem é poderosa e que devemos verdadeiramente reflectir sobre o que andamos a fazer ao mundo.

Deixo-vos também o filme de apresentação do projecto, podem saber mais sobre este projecto e outros de Rob Greenfield na sua página pessoal e/ou segui-lo no seu facebook.


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Recipientes para congelar leite materno: escolha os frascos

Na minha recente publicação Movimento Lixo Zero dei-vos a conhecer um ficheiro em excel sobre o que podemos fazer para reduzir o nosso lixo, bem como o grupo do facebook no qual trocamos ideias sobre o assunto. E a verdade é que no meu caso já está a ter efeitos, estava a completar algumas dicas na secção bebés/maternidade quando pensei "Mas eu uso sacos de plástico para congelar o leite materno". Na realidade, eu nunca tirei muito leite para congelar, acho que em onze meses de amamentação (é hoje, é hoje) ainda não utilizei vinte sacos, mas seja como for é um produto usado e deitado fora.

Actualmente, todos os dias tiro leite, mas deixo logo no biberão para levar para a creche no dia a seguir, mas convém sempre ter algum congelado para uma eventualidade. E foi por isso que ontem fui comprar três frascos da Medela (pode vê-los aqui), agora posso congelar o leite nos frascos e depois posso reutilizá-los. Mas porque é que só agora me lembrei de algo tão básico? Mais vale tarde do que nunca.

Estes frascos são óptimos porque posso tirar da bomba directamente para o frasco (a minha bomba não é da Medela, mas a abertura é igual, falei da bomba aqui, aluguei-a cinco meses seguidos e fiquei com ela) e o biberão que uso é o da Medela, por isso precisava de frascos compatíveis com a tetina. Mas há frascos de outras marcas.

Também me deram a ideia de congelar o leite em boiões de vidro ou nas garrafas de néctar de vidro, ai sim, seria extremamente sustentável, mas como às vezes no dia anterior não consigo tirar leite e ainda levo o leite para a creche congelado, prefiro usar os frascos apropriados.

Imagem própria

Estes devem ser os últimos sacos que usei para congelar leite (bem, provavelmente acabo de usar os que estão na embalagem) e viva os frascos para guardar e congelar o leite.

Já agora para terminar para quem tem pouco espaço no congelador e quer/precisa fazer um grande stock de leite materno, os frascos não são a melhor opção, pois ocupam mais espaço. Mas felizmente para mim isso não é um problema, dado que tenho bastante espaço na arca.

Ahh, não sei se já disse (disse, disse), hoje o meu Luís faz onze meses... Possa!!! Como o tempo passa. E onze meses significam onze meses de amamentação em qualquer lado, até na festa do Avante a ouvir Jorge Palma e Sérgio Godinho.


Imagem própria

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Breves: não ser ecológico é...

Como comerciante até é algo que eu poderia considerar bom... mas não há argumento algum que me leve a ver algo de positivo em ter clientes que constantemente compram uma lata de refrigerante, bebem um golo e mandam o resto fora. Isto acontece diariamente na minha loja, vários adolescentes compram uma lata de bebida e mandam-na fora quase inteira, passado uma hora ou duas voltam a fazer o mesmo.

Desperdiçam o dinheiro que os pais lhes dão (fruto supostamente do seu trabalho) e desperdiçam uma quantidade de recursos. Já os chamei à atenção, mas ainda fui olhada com aquele ar de "nós pagámos e estás a reclamar de quê?". Resta-me continuar a salvar as latas que eles deixam no caixote do lixo e no chão e reencaminhá-las para a reciclagem.

Se quiserem saber mais sobre as latas de alumínio, já falei delas aqui.

A facilidade com que adquirimos e descartamos as coisas assusta-me, ainda mais quando nem sequer as utilizamos.

Acho que o Papai Tucano e o Tucano Júnior também agradeciam se não lhes causássemos tantos danos ao seu habitat.

Imagem própria

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A guerra é a guerra

No Sábado ou no Domingo, já não sei bem, ia a conduzir e a ouvir a Antena 1 como habitualmente e estavam a falar sobre a Rússia, nomeadamente sobre uma iminente guerra mundial. Sinceramente, não sei se percebi grande coisa, primeiro porque não sei se quero perceber e segundo para perceber de verdade tinha de ter acesso a conhecimento que não tenho. Nós só sabemos aquilo que nos deixam saber. Entretanto, andei a tentar pesquisar aqui na internet e continuo sem entender nada. Acho que também não entendo, dado que para mim é impossível compreender o que move as grandes potências e os seus dirigentes.

Logo, não sei se vem aí uma nova guerra mundial ou não, certamente virão muitas guerras como sempre vieram... qual o intuito? Não sei. É o poder, o dinheiro, a ambição...

Quando vejo imagens de Aleppo na Síria mesmo sem entender a guerra, compreendo o mais importante, aquilo que o cidadão comum compreende sempre... Que aquela destruição não pode ser boa para ninguém.

Imagem retirada de http://www.bbc.com/news/world-middle-east-18957096

Condenar pessoas de cidades inteiras, de países inteiros, a uma vida de angústia, dor, sofrimento, perda, condená-las à morte, tirar a infância de crianças é um verdadeiro crime. E não são pausas humanitárias nos bombardeamentos como a que foi recentemente anunciada que mudem alguma coisa, porque depois da pausa (oito horas!!!) começarão novos bombardeamentos. E com isto não estou a defender nenhum dos lados, nem me interessa tão pouco quem tem razão (ninguém tem razão). Porque tal como canta o Fausto:

Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra
(excerto da música A guerra é a guerra de Fausto Bordalo Dias)

Às vezes ainda sonho com uma humanidade mais humana, pessoas que compreendam que no mundo existe o necessário para todos vivermos bem e sermos felizes. Naqueles passeios de Domingo à tarde à beira-mar tenho sempre a ilusão que é preciso pouco para tal, vejo as pessoas em família, mais novos, mais velhos, a rirem, a passearem os cães, com os filhos bebés ou maiores, nas esplanadas, nos bancos, nas rochas a verem o mar. Sinto uma nostalgia, a ideia de uma felicidade que tem de ser capturada naquele momento e não mais esquecida, o sítio pode não ser o mais bonito, nem o mais bem arranjado do mundo, as pessoas não me parecem ricas, nem parecem ter vidas fáceis, mas naquele momento parecem felizes.

Era bom que em todo o mundo, fossem tardes de Domingo, a passear e a ver o mar...

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