terça-feira, 13 de setembro de 2016

Câmara Municipal de Lisboa apoia o Aleitamento Materno

Com o lema  Aleitamento Materno: Presente Saudável, Futuro Sustentável, a Câmara Municipal de Lisboa em conjunto com a ACES - Lisboa Ocidental e Oeiras lançou no passado dia 10 de Setembro uma campanha de promoção do aleitamento materno (ver mais informações aqui e aqui).



Aleitamento Materno from Câmara Municipal de Lisboa on Vimeo.

No meu entender, uma entidade pública tomar uma posição de incentivo e divulgação ao aleitamento materno é algo bastante importante. Esta campanha terá a duração de dois meses e espero que seja muito enriquecedora e incentive muitas pessoas a seguir este caminho.
"Tendo como objetivo realçar a importância do aleitamento materno, tanto para o bebé como para a mãe, a campanha estará patente durante dois meses, integrando as comemorações da Semana Mundial dedicada a este tema (em Outubro).
O apoio da comunidade local e a participação de famílias envolvidas neste movimento de sensibilização para a prática do aleitamento materno foi fundamental para esta campanha pública, a primeira realizada no país e que, entre outras ações, contará com uma Conferência sobre aleitamento materno, destinada a profissionais de saúde e utentes, no dia 15 de outubro." (in http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/campanha-aleitamento-materno-presente-saudavel-futuro-sustentavel).
E sem dúvida além de ser um presente saudável, contribui para uma maior sustentabilidade de todos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Açorda para o bebé

Há poucas publicações atrás (aqui) referi que tinha de vos deixar a receita da açorda para os bebés. E como o prometido é devido, aqui está ela. Esta receita não é da minha autoria, faço a açorda mais ou menos como consta no livro Cozinha Vegetariana para bebés e crianças de Gabriela Oliveira. Mas vou deixar a forma como faço e não exactamente a receita que está no livro. Esta receita é aconselhada a bebés a partir dos oito meses.

Ingredientes:
- 1 cebola
- alhos (2 ou 3 dentes)
- 3 colheres de sopa de flocos de aveia (demolhados previamente)
- feijão-verde
- courgette ou beringela (ou as duas)
- azeite
- salsa (na receita original estão coentros, mas como não tenho tido, tenho usado salsa)


Preparação:
Pico a cebola e o alho muito finamente e cozo-os em cerca de 200ml de água. Entretanto junto o feijão-verde com a courgette ou a beringela (já fiz só com courgette, só com beringela e já fiz com as duas) também tudo cortado finamente. Depois de estar tudo muito bem cozido, junto os flocos de aveia, deixo ferver e ponho a salsa por cima, mexo bem e está pronta a servir. Sem nos esquecermos do azeite, claro.





Imagem própria


O Luís gosta muito, na primeira vez que comeu, quando acabou começou a rir à gargalhada. Até há poucos dias, eu dava-lhe duas refeições por dia (sopa+fruta ao almoço e papa ao fim da tarde, às vezes trocava a açorda pela papa), actualmente desde que ele entrou na creche (esta semana) come três refeições (sopa+fruta ao almoço, papa ao lanche e sopa ao jantar, penso que se lhe der agora a açorda será ao jantar em vez da sopa). Bem estas trocas e refeições são genéricas, um bebé não é uma máquina e há alguns dias que come mais e outros em que salta alguma refeição.

Mas aqui fica, mais uma ideia para um refeição saudável para os vossos bebés.

domingo, 11 de setembro de 2016

A bolsa de valores e os tomateiros

Quando fui para o 10ºano escolhi o agrupamento 3 - Económico-Social (ou seria Sócioeconómico?). E ainda andei uns tempos a pensar seguir economia (era louca, só pode). Embora deva confessar que olhando para a definição que encontrei de economia, continue a ser uma área que me atrai (ver definição aqui, talvez existam definições melhores). No entanto, o actual sistema económico e financeiro para mim é incompreensível, de tal modo que acho que simplesmente não existe. Ratings, taxas de juro, dívida, défices, nada existe, porque tudo se baseia em coisas que não existem, não são palpáveis, especulação, atrás de especulação.

Como é que a libra pode ter desvalorizado tanto depois do Brexit? Como é que as bolsas da Europa desvalorizaram também nessa altura? Qual foi o motivo? Coisas abstratas, porque no concreto não aconteceu nada. Logo, o sistema pode ter muita lógica para diversas pessoas, mas para mim é completamente ilógico. Antes de existir um problema real que pode prejudicar a economia local, já o problema potencial está a prejudicar essa economia e depois é uma bola de neve.

Por isso, para mim, bolsa de valores e coisas do género são, simplesmente, fantochadas, afinal os tomateiros crescem independentemente dos índices da bolsa, não é?

Imagem retirada de https://www.facebook.com/170525249682773/photos/br.Abp3yykYgP7RzGgN9Lmfhlik5W9VrEndEyGL-10zxCseltlXfvKroogmDE8NHIqsiWMAT0V9VxIf5rLcbbx7YujxycKMWltcZEkbksiiEfWjJ0u3eL9ECKpV95t1-N48uWeACqB4DP9lk8MIu2zOKdjVG7bxIz_BlN5cyctaFzwF86SZfr8U--Nb84BtmjJ8R8Y/387681224633840/?type=3&theater



sábado, 10 de setembro de 2016

Roupa e a sua lógica de mercado incompreensível

Sempre achei algo ridículo estar em Agosto, um calor abrasador e nas lojas só se verem camisolas. Bem como estar em Janeiro e só encontrar t-shirts, talvez eu seja a estranha, mas parece-me algo difícil de entender. É que a última coisa que me apetece se estiverem 40 graus é experimentar uma camisola de lã. Mas bem, tudo em prole da moda e dessas coisa fantástica que são as novas colecções, em quase tudo idênticas às colecções velhas. O problema é que as novas colecções aparecem cada vez mais cedo nas lojas, e se em adulto isso ainda é tolerável, num bebé é simplesmente parvo.

Vejamos o meu caso em específico. Tenho um bebé de nove meses que até aos seis meses estava nos percentis 3-15 e que agora está acima do percentil 50. E isso significa que cresceu uma enormidade em cerca de três meses, logo não houve logística de t-shirts e calções que funcionasse. Aliás, as t-shirts ainda vão funcionando, mas os calções estão todos apertados. Logo, a minha necessidade é comprar calções. No entanto, e embora tenham estado 30 e tal graus nestes últimos dias, as roupas que existem de bebé a vender são para locais em que um bebé tem de ser vestido como na imagem em baixo para não ter frio (exagerando um bocadinho, claro).

Imagem retirada de http://www.infohoje.com.br/como-esquentar-o-bebe-no-inverno-modelos-e-dicas.html

Assim, antes de irmos de férias tentámos comprar calções para o Luís porque os dele estavam a ficar apertados. Mas como já não encontrámos nada de jeito não comprámos. Contudo, agora tinhamos mesmo de comprar. Assim, dado que nas lojas nos centros comerciais "normais" já só há nova colecção fomos ao Freeport (supostamente é um outlet, não é?), mas o sucesso não foi grande. Ainda encontramos um calções perdidos no meio de várias lojas, mas pouquíssima roupa de Verão. Na Blue Kids, a rapariga foi muito simpática, mas disse que para a idade do Luís já não havia quase nada de Verão, embora ainda fosse receber algum material de fim de colecção de outras lojas. Depois acrescentou, uma frase muito parecida com o que se segue: "Sabe é que nós até Novembro vendemos muita roupa de Verão, é o que vendemos mais, mas só mesmo restos de colecção, mas temos muita procura". Eu sorri, mas apeteceu-me dizer, "sabem porque é que até Novembro vendem muitas roupa de Verão para crianças? Porque até Outubro está imenso calor e já não se encontra roupa de Verão em nenhum sítio sem ser num Outlet (e mesmo assim pouca)". Sinceramente parece-me tão lógico.

Ainda fui à Kid to Kid, mas calções para o tamanho dele também já não havia nada, mas bem uma loja de roupa em segunda mão deve reger-se por aquilo que vão lá vender, penso eu.

Mas isto tudo, o que eu quero dizer com esta história é: tem algum jeito com tanta loja de roupa que existe, não conseguirmos encontrar roupa para a estação em que estamos. Sobretudo para bebés que crescem de forma inconstante. Será que quem gere as lojas/marcas, pensa mesmo na estupidez de vender macacões destes em pleno Verão?

Imagem retirada de http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-707190456-macaco-inverno-beb-acolchoado-_JM

São muito fofos para o frio e é isso. Talvez isto sejam estratégias de venda ou mesmo moda (o que interessa a um bebé a moda?). Mas só imagino o desperdício de recursos de andarmos a comprar roupa com antecedência, e depois porque o bebé cresceu mais do que era esperado ou cresceu menos, porque está mais calor ou mais frio, por diversas razões a roupa ali estagnada sem nunca ter sido usada. Cá em casa aconteceu com diversas peças e só não acontece mais porque desisti de comprar com antecedência. Compro quando é necessário, ou seja quando já não há na loja, o que significa que não compro, anda o miúdo sempre com a mesma roupa (enquanto os calções lhe servirem).

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Breves: ser ecológica e as visitas

Alguém adivinha o motivo ecológico que me faz gostar de receber visitas em casa?

É que assim tenho a certeza que os seus resíduos vão ser triados e depois vão para a reciclagem. E eu recebo em casa muita gente que não faz reciclagem diariamente, logo é um verdadeiro ganho ambiental, eheh, quero crer nisto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Pão e a sabedoria de décadas

O pão tem sido, ao longo dos séculos, o alimento por excelência. Mais que um alimento para o corpo, o pão representa em várias culturas o alimento para o espírito. O pão tem também uma forte importância no cristianismo e portanto na nossa cultura e identidade nacional.

Antigamente era comum as pessoas fazerem o seu próprio pão, coziam-no uma vez por semana e guardavam-no naquelas arcas antigas de madeira (ou provavelmente onde conseguiam). Pão amassado à mão e cozido no forno a lenha.

No meu entender, fazer o nosso próprio pão é sermos mais auto-suficientes, mais próximos das origens, não depender tanto do sistema (se bem que temos de comprar a farinha). Depois, todo o processo é uma construção, muitas vezes era um momento de partilha familiar. No entanto, na actual sociedade a facilidade com que compramos o pão e outras coisas, faz com que a tradição de se fazer pão da forma tradicional vá desaparecendo.

Nós cá em casa temos um forno a lenha que usamos esporadicamente. E aproveitámos uma visita da minha tia I. (uma pessoa muito especial) que já tem 85 anos para darmos verdadeira vida ao forno. Quero dizer com isto que a minha tia fez broa (como a que se faz na terra do meu pai), tudo do modo antigo. Nomeadamente, a mistura das farinhas de milho e trigo, amassar a broa, esperar que levedasse, tender, cozê-la no forno a lenha. Não vou deixar a receita, porque acho que a receita não é o principal a saber (isso há muitas receitas na internet), acho que o mais importante é saber o ponto certo para a massa, se já levedou e tender bem os pães. Mas isso não se aprender no mundo virtual, só se aprende fazendo.

Além das broas normais, a minha tia ainda fez uma bôla de chouriço, uma bôla de bacalhau e uma bôla de sardinha. Estas bôlas são feitas com a massa normal do pão, mas no interior leva um preparado que consiste na mistura de cebola picada, azeite e colorau com a proteína (chouriço, sardinha ou bacalhau). Quando as bôlas vão a cozer, o preparado coze também e o sabor espalha-se pelo pão.

E aqui ficam as fotografias, mais que as fotografias do pão, são as fotografias que ilustram um momento em família e a partilha de um saber de muito e muitos anos.

Primeiro podem ver o resultado final...

O resultado final
Imagem própria



E agora o processo intermédio...

A massa já levedada
Imagem própria
Aquecer o forno
Imagem própria

Tender a massa
Imagem própria
A confusão instalada
Imagem própria

Já no forno
Imagem própria
Os preparados para as bôlas
Imagem própria

E no fim, foi comer, comer, partir e repatir.

domingo, 4 de setembro de 2016

Música popular, t-shirts e gaios: uma salgalhada feita publicação

Esta publicação é uma miscelânea de coisas, daquelas que me fazem pensar. Isto tudo, ainda num misto de sentimentos derivados das férias. Uma coisa, duas coisas e quando damos por isso, já fizemos toda uma teia de pensamentos. E começou tudo com um acto de consumismo, a compra de uma t-shirt.

Estava numa loja de regalos ou recuerdos em Santiago de Compostela com t-shirts muito engraçadas com espírito galego (eu sou uma defensora da cultura galaico-portuguesa, não que eu tenha muito conhecimento sobre a mesma, mas porque no caso espanhol, acho que a identidade de cada região deve ser defendida, mantida e difundida. E também, confesso que gosto de ir a algum sítio do território espanhol onde me percebem mesmo quando falo português) e fiquei apaixonada por uma delas. A t-shirt tem este desenho:


Imagem retirada de http://www.nikisgalicia.com/es/bebes-y-nino/4334-Beb%C3%A9%20y%20ni%C3%B1o-vai-tu-vai-ela.html#.V8tXjzXMJxI


Quando vi a t-shirt, adorei-a (eu já gosto de t-shirts com mensagens, muito mais sendo a letra de uma música popular) e comecei logo a cantar Vai tu, Vai tu, Vai ela. Pelo que percebi, depois de ter pesquisado, esta música tradicional teve origem na Galiza e Norte de Portugal, embora actualmente as letras cantadas em ambos os locais sejam diferentes (pelo que percebi).

A música é algo bastante importante na minha vida, não é à toa que este blogue tem uma etiqueta chamada A música é alimento. A música popular tradicional além de alimento para a alma é a transmissão oral de modos de vida, histórias, amores, formas de falar de séculos. A música popular tradicional é de uma riqueza enorme, criada pelo povo, é endógena, é da terra, dos nossos pais, avós, bisavós. É cultura, é modo de ser, é uma forma de olhar o mundo, é uma expressão das nossas raízes. A música popular tradicional, é capaz de ser mais forte que fronteiras e estados nações, neste caso particular, esta música permanece e faz parte da vida portuguesa e galega, acho que me atrevo a dizer que a música é a forma viva de um povo com uma cultura idêntica que há muitos anos foi separado.

Talvez nada disto que estou a escrever pareça fazer muito sentido, mas cantar estas músicas é perpetuar a nossa história enquanto povo, o qual no seu conjunto conseguiu transmitir oralmente uma infinidades de saberes e conhecimento.

Viva a música popular, a tradicional, a que veio do povo para o povo. Para quem ainda não conhece, sugiro que espreitem este site: A música portuguesa a gostar dela própria.

Fica uma versão galega, aqui intitulada como verde-gaio. Ouvi várias versões e gosto especialmente desta.


E por falar em gaios, já estava eu no Gerês, diz-me o meu marido "Viste aquele gaio", respondi que tinha visto, mas que não tinha reparado que era um gaio. Depois contei que quando era pequena o meu avô tinha gaios, ele disse-me que o pai dele também teve. Disse-lhe depois que há muitos anos que não conheço ninguém que tenha gaios, o que lhe disse que ainda bem porque eles são bonitos é na natureza. Ele rematou "ninguém tem gaios porque as pessoas já não têm paciência para os irem apanhar aos ninhos, não é pela liberdade, porque continuam a ter piriquitos". Ele é capaz de ter razão.

Para quem não conhece, um gaio é este pássaro, bonito e que também fala. Os gaios do meu avô gritavam "Pai".


Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaio-comum

Só para terminar, eu comprei a t-shirt, mas tenho a dizer que na etiqueta diz "Feito en Galicia", só coisas positivas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Caminante, no hay caminho

Agora que sou adulta e olho para trás vejo o que eu mais gostava nos escuteiros: caminhar, andar, andar, andar. Sempre gostei de andar, quando era pequena e ia para a praia, eu queria era andar, andar, andar. Já contei aqui no blogue que comecei a fazer as minhas grandes caminhadas no dia a seguir de saber que estava grávida. O que significa que comecei e acabei, porque a gravidez e caminhadas de quilómetros não são muito fáceis de conciliar, nem caminhadas e bebés.

No entanto, quero partilhar convosco, não caminhadas que fiz, mas caminhadas que quero fazer. A verdade é que estas férias que estão agora a acabar fui a Santiago de Compostela e ao Cabo Finisterra e fiquei fascinada.

Santiago de Compostela é um dos mais famosos destinos de peregrinação cristã, segundo percebi a peregrinação acaba com a chegada à catedral de Santiago de Compostela, mais precisa com a visita ao túmulo de Santiago, um dos apóstolos de Jesus. Quem me conhece, sabe, que a fé cristã (católica em particular) é algo que me deixou de acompanhar há muitos anos. Na realidade, apenas acredito na natureza e na sua força, o que me leva a crer que devemos adorar os elementos da natureza e não qualquer Deus criado à nossa semelhança. E é aqui que entra o meu fascínio. No fundo, o meu grande objectivo não era ir a Santiago de Compostela (mas gostei muito na mesma), o meu objectivo era ir ao Cabo Finisterra (ou Fisterra em galego).

No tempo dos romanos, acreditava-se que este cabo era o ponto mais ocidental (do mundo conhecido na altura, parece que não conheciam o nosso Cabo da Roca ou então não percebiam muito de longitudes, não devem ter feito a maravilhosa cadeira de Cartografia I), por esse motivo chama-se Finisterra, ou seja, o fim da terra. Este cabo, que dista cerca de 90 km de Santiago de Compostela, é para muitos peregrinos a última etapa da peregrinação, recuperando assim uma antiga tradição celta de culto a Ara Solis (culto em honra do Sol).

Para mim, pessoalmente, faz-me muito mais sentido caminhar para ir adorar o Sol do que para adorar Santiago. Mas acho que caminhar para adorar seja o que for, é mais um processo interno de procura e conhecimento de nós próprios do que outra coisa. Caminhar é um acto de encontro espiritual. Talvez, por isso, encontrei nos peregrinos que vi, uma enorme paz interior (o que sinceramente não costumo ver nas peregrinações a Fátima). Uma paz, um despojamento, uma alegria, um encontrar o caminho. Não o caminho físico, não o caminho da estrada, mas o seu caminho pessoal.

Eu também quero conhecer esta sensação, espero um dia fazer este caminho, ir de Santiago de Compostela a pé até ao Cabo Finisterra, adorar o Sol, as árvores, as pedras, o mar, a natureza e sentir-me mais confortada espiritualmente. Cada um pode encontrar na peregrinação e nas caminhadas as suas respostas, umas mais próximas das religiões existentes, outras mais relacionadas com a natureza, mas o que no fundo importa é encontrarmos a nós mesmos e encontrarmos as nossas respostas. A caminhada e a contemplação da natureza são a forma mais fácil de o fazer, pelo menos é o que penso.

Um poema do espanhol António Machado (ver completo aqui)

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar


Por acaso gosto mais da versão original

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

E é mesmo esta a perspectiva, a questão não é o caminho físico, mas é ao caminhar que encontramos o nosso ser, é uma busca espiritual. Caminhar é um encontro connosco, é esquecer o mundo, com o único objectivo de andar e de descobrir um novo mundo invisível aos outros, o nosso mundo interior.


O Cabo Finisterra
Imagem própria

O grande motivo pelo qual não pode fazer neste momento da minha vida o caminho a pé, mas espero conseguir passar-lhe o gosto pelo caminhar.

Eu e o meu bebé no km 0 dos caminhos de Santiago
Imagem própria

E como não poderia deixar de ser. O que há no cabo Finisterra? Isso mesmo, contentores decentes de reciclagem, na questão do lixo, a Galiza tem nota máxima, tudo limpo, imensos caixotes de reciclagem, uma verdadeira alegria para os meus olhos.

Imagem própria

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Frascos de sopa, uma ideia para dias de férias

Neste momento estou de férias, aquelas mesmo que vamos passear, viajar, tão bom. E se para os adultos a alimentação em férias não é um problema, para bebés a coisa complica mais um bocadinho. Claro que não faltam soluções comerciais de sopas e frutas em boiões, mas não tem de ser uma opção obrigatória.

Como não viemos de férias apenas para um sítio, eu não sabia muito bem como ia gerir a sopa do Luís. Primeiro, porque nem todos os sítios que vamos ficar têm cozinha. Segundo, porque provavelmente na hora do almoço estaríamos a viajar e principalmente no primeiro dia, sem cozinha, não conseguiria fazê-la. Estava a comentar isto com uma pessoa que me sugeriu que fizesse sopa no dia antes da viagem e depois a guardasse em frascos esterilizados e com vácuo (ver como se faz aqui). E assim fiz.

Na sexta-feira de manhã, antes de começar a viagem fiz sopa e enchi dois frascos, fiz uma sopa básica porque tinha algum receio que mesmo com o vácuo se estragasse (sobretudo se juntasse carne ou peixe), já que ia estar sem refrigeração e podia estar calor durante a viagem. A sopa que fiz foi com cebola, cenoura, batata, courgette e feijão-verde.

Assim, no Sábado decidimos parar em Ponte de Lima para almoçar e lá tinha eu, o meu frasquinho reutilizado com sopa caseira para o Luís (a fruta comprámos no restaurante). No Domingo, o almoço do Luís foi o segundo frasco de sopa, entretanto previa fazer sopa agora à noite para voltar a acondicionar nos frascos para ter sopa para o almoço de Segunda-feira (já que vamos voltar à estrada), mas os espanhóis (ou será melhor dizer galegos?) "enganaram-me". Parece que ao Domingo não há nada aberto que venda vegetais. Logo, quando acordarmos, temos de ir ao mercado local e o almoço será uma açorda de bebé que penso que já não terei tempo para fazer a sopa (tenho de partilhar a receita da açorda convosco).

E assim, os bebés podem comer sopa caseira, mesmo em viagem. Não sei bem quantos dias aguenta, mas pelo menos para dois ou três dias acho que se mantém perfeita, sem necessidade de frigorífico (claro que convem provar primeiro). Mas não se esqueçam, o frasco tem de estar bem cheio e têm de fazer todos os procedimentos.

Aqui está o meu frasco de sopa, antes de ser aberto, no restaurante onde almoçámos no Sábado.

Imagem própria

É sobretudo uma vantagem porque é mais saudável, mas também é uma forma de sermos mais poupados e ecológicos. Embora, ecologia e férias sejam palavras quase impossíveis de conciliar para mim, as fraldas e toalhitas descartáveis usadas e as garrafas pequenas de água (porque não havia nenhum sítio onde pudesse comprar um garrafão) têm determinado um nível de consumo de embalagens muito elevado para o que estou habituada. Até porque com tanta coisa que trouxe de viagem, esqueci-me da minha garrafa de água reutilizável.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Cresce girassol cresce entre açucenas

Depois de uns dias de publicações constantes lá voltei ao hiato blogueiro. Mas um dia desta semana, estava a ouvir uma das minhas músicas favoritas e lembrei-me que já há uns tempos que andava para fazer uma publicação sobre os meus girassóis.


Os girassóis que ia plantar como referi nesta publicação cresceram, não fizeram o efeito de cortina como eu pretendia, mas cresceram e ficaram lindos como qualquer girassol. Passado uns tempos, a minha irmã veio cá a casa e perguntou ao meu pai se havia algum herbicida que se pudesse pôr nos girassóis para eles não serem comidos pelos bichos, porque os girassóis do namorado estavam todos comidos, o meu pai disse qualquer coisa como:

"Haver há, mas se eu gosto dos girassóis, é normal que os bichos também gostem", devo confessar-vos que até fiquei comovida com esta resposta. Afinal, as flores existem para fazem parte de um ecossistema, não é verdade?

Eu gosto que os girassóis cresçam livremente e que também sirvam de alimento aos bichos e aos pássaros. Sabem que há quem ate sacos de plástico à volta dos girassóis para que os pássaros não comam as sementes, assim as sementes ficam para o ano seguinte. Mas dado que as pessoas que eu sei que fazem isso não vivem da comercialização de sementes de girassol, qual a razão para fazerem isto? Ficarem com as sementes, eu sei. Mas em compensação nunca podem apreciar a beleza dos girassóis.

Em geral, as pessoas que conheço que têm agricultura de subsistência, embora gostem de ter as coisas parece que não conseguem apreciar o global da natureza na sua plenitude. Os pássaros são sempre uns animais cruéis que lhes vão comer a fruta e estragar as flores.

Mas o que será da nossa vida quando os pássaros em liberdade deixarem de cantar?



Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas


A música também é alimento, não se esqueçam disso...


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Copos descartáveis: o rescaldo de uma festa de aldeia

Lembram-se das minhas publicações Verão: festas, festivais e lixo no chão e Super Bock Super Rock e o Ecocup? Hoje volto à temática dos copos descartáveis em festas de Verão, mais precisamente para fazer um espécie de balanço da festa da terra do meu marido, na qual ele foi festeiro este ano.

A festa começou na 6ªfeira, dia 12 de Agosto e acabou ontem, dia 16 de Agosto e como podem calcular foram gastos milhares de copos de plástico. Se não têm ideia de quantos, vejamos, foram vendidos 60 barris de cerveja, os quais têm uma capacidade de 50 litros cada. Cada copo leva 25cl, por isso por cada litro de cerveja são utilizados 4 copos. Então 60*50*4=12000.

Doze mil copos numa festa relativamente pequena, imaginem numa festa grande, e isto são só contas de copos de cerveja, não nos podemos esquecer que havia outras bebidas a vender, embora a sua venda seja quase residual.

Este ano, eles tiveram a ideia de incentivarem as pessoas a porem os copos à volta de um mastro. Claro que a ideia é um bocadinho naquele sentido de se gabarem do que se bebeu na festa (não gosto muito destas gabarolices), mas também para não terem tanto trabalho a varrerem e limparem o recinto da festa. Achei uma boa ideia, ao menos incentivaram as pessoas a não deixarem os copos no chão (embora claro que muitos ficaram no chão, nas ruas da aldeia e nos terrenos agrícolas). Todavia, passei agora por lá e já tinham tirado os copos e posto todos no caixote do lixo comum. Tipo!!! A sério???? Plástico tão bem separado e põem no lixo comum, mesmo com um plasticão à porta... A falta de consciência ambiental é algo que não compreendo. Do mal, o menos, acredito que este ano, pelo menos os copos que ficaram à deriva foram em muito menor número.

Imagem própria

Imagem própria

Sabem quantos resíduos foram separados nesta festa para a reciclagem? Nenhum! Foi tudo para o lixo comum. Há coisas incompreensíveis para mim, eu bem que tentei incentivar o meu marido para que tivessem contentores de separação do lixo, mas a resposta dele foi qualquer coisa como "ninguém está para isso". Cuidar do bem comum nunca é muito valorizado. A minha esperança é que alguns destes copos que já estão triados acabem por ser salvos antes de ir para aterro. Afinal há locais onde mesmo o lixo comum passa por uma triagem e ainda aproveitam alguns resíduos. Pelo menos estes copos não estão todos partidos no meio da natureza como costuma acontecer.

E quero relembrar novamente o número: 12 000 copos numa festa de aldeia. Imaginam quantos copos se deitam fora em todas as festas de aldeia por este país fora, por este mundo fora? Quando usarem um copo descartável, lembrem-se que o custo ambiental dele é muito superior aos cêntimos do seu preço (sim, os copos de café na minha loja também).

No meu caso pessoal, as duas garrafas de água e a lata de ice tea que bebi na festa trouxe-as comigo, pelo menos trato do meu lixo, e ainda, salvei umas quantas tampinhas.

E só mesmo para acabar:
  • Ponto 1 - se fizerem uma festa, sigam o exemplo deles e incentivem as pessoas a separar os copos, poupa trabalho e o ambiente, mas já agora, depois ponham-nos no contentor amarelo;
  • Ponto 2 - ao menos a loiça utilizada nada era descartável, foram sempre pratos de loiça ou inox, acho que agora estão a lavá-los.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Incêndios florestais - uma dura realidade para o ambiente

Estava à procura de informação sobre os impactes dos incêndios florestais no ambiente e não sabia muito bem o que publicar. Basicamente os impactes no ambiente são a perda da fauna e da flora, ou seja da biodiversidade (perda e alteração de habitats para as espécies sobreviventes), o empobrecimento do solo (e sua consequente erosão) e as elevadas emissões de CO2. A juntar aos impactes ambientais, estão também os impactes sociais e económicos.

O ambiente, a sociedade e a economia são ainda mais afectados quando os incêndios, além de florestais, passam para áreas urbanas. A nível ambiental podemos calcular como as emissões de CO2 são ainda mais prejudiciais quando estamos a falar da quantidade de produtos tóxicos, plásticos, resíduos, borrachas entre outros produtos que ardem em meios urbanos.

Mas estava aqui a pesquisar e praticamente já sem vontade de fazer esta publicação, uma vez que acho que não ia trazer nada de novo, quando encontrei esta imagem. A qual explica a sucessão ecológica após um evento que reduz a fauna e/ou a flora de determinada área. Neste caso, a imagem mostra mesmo a questão de um incêndio, como se pode verificar, as condições de partida vão ser repostas, a questão é: Quando?

Isto se fosse uma sucessão natural, sabemos que em muitos casos, certos tipos de matas acabam por ser depois substituidas por outro tipo de vegetação por intervenção humana.


Imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Secondary_succession

Um problema ambiental, social e económico que todos os anos é uma realidade no nosso país, algo que me faz uma enorme confusão. Afinal, acho que por mais que a culpa seja muitas vezes de incendiários, a culpa tem uma base mais ampla. No meu entender, a falta de limpeza de áreas florestais, os problemas relativos ao ordenamento do território (ou será ao desordenamento?), a falta de meios de prevenção, supervisão e acção (estes termos foram escolhidos por mim) e um corpo de bombeiros que é em grande parte voluntário (não consigo entender, enalteço o seu trabalho, mas acho que todos os bombeiros deviam ser profissionais).

É demasiado triste, todos os Verões assistirmos a esta destruição com diversas implicações. As quais marcam a paisagem, a biodiversidade, a vida de diversas pessoas, a agricultura e a economia local. E o que este ano senti mais, a qualidade do ar. A semana passada, num dos piores dias, estava em Lisboa, não se via nenhum incêndio, mas mal se conseguia respirar, parece que foi assim em todo o país.

A dimensão dos incêndios é tão elevada que se podem ver do espaço, podem ler mais em Portugal a arder. O mapa "negro" dos incêndios visto do espaço.

Imagem retirada de https://www.noticiasaominuto.com/pais/636047/portugal-a-arder-o-mapa-negro-dos-incendios-visto-do-espaco
 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Viva as fraldas de pano (oito meses depois)

Imagem própria

Falta um semana para o Luís completar nove meses e aqui continuo à volta das fraldas de pano, com os meus altos e baixos. A boa notícia é que parece que  isto está a correr melhor, sobretudo porque me lembrei (porque não experimentei antes?) de usar as pré-dobradas como absorventes. A questão é que o meu Luís faz muito xixi e com dois absorventes, passado pouco tempo a fralda fica encharcada (neste momento está a dormir com uma fralda com dois absorventes e já a sinto húmida). Seja que tipo de absorvente for, microfibra, cânhamo, bambu, bem se forem os dois de microfibra ainda é pior.

Depois lembrei-me que tenho uns absorventes em cânhamo que se dobram ao meio da B´bies (ver imagem abaixo). Com um absorvente deste mais um absorvente dos outros, já começou a correr melhor. Mas só passado uns dias é que me lembrei de experimentar as pré-dobradas (ver imagem abaixo) como absorventes e é fantástico. Assim, juntando uma pré-dobrada e um absorvente dos outros, a fralda resulta mesmo bem, até porque é um rabiosque cheio de camadas de absorção.

Absorventes de cânhamo
Imagem retirada de http://www.bientot-maman.fr/content/6-fonctionnement-de-la-couche-lavable

Fraldas Pré-dobradas
Imagem retirada de http://www.mita.pt/pages/onde_comprar

O problema é que tenho poucas pré-dobradas e poucos absorventes duplos de cânhamo, então volta e meia tenho de usar dois absorventes normais e a fralda não aguenta tanto. Acho que tenho de comprar mais fraldas pré-dobradas.

Outra coisa que mudei foi a limpeza das fraldas. Ao contrário do que dizem as"regras", quando tiro a fralda ao Luís passo-as por água para tirar o máximo do xixi. O cheiro das fraldas sujas dentro do saco (ainda por cima com calor) era algo que eu não estava a gostar e decidi seguir o conselho da minha sogra, não as deixo de molho, mas passo-as por água.

Por falar na minha sogra, ela está fã das fraldas de pano, ela já gostava da ideia, mas quando foi comigo ao encontro da semana de aleitamento materno e percebeu que eu não sou a única a usar fraldas de pano (nesse dia o Luís tinha uma descartável) ficou mesmo super animada. Tanto que agora estou a passar uns dias na casa dela e o Luís tem usado só fraldas de pano.

O que me chateia é que agora que isto parece estar novamente no melhor caminho, vamos de férias. E em férias longe de casa, sem máquina de lavar, acho difícil usar fraldas de pano (não é que seja impossível). Mas o objectivo não é passar as férias a lavar fraldas à mão. E depois o Luís vai para a creche e aí também não aceitam fraldas de pano, nem toalhitas. Isso é que vai ser produzir lixo a sério. Mas bem nove meses quase exclusivamente de toalhitas de pano e nove meses com bastante uso de fraldas de pano, já não me parece mal de todo. Em casa, posso sempre continuar a usar estes produtos mais ecológicos.

E já agora, hoje no café, estava o meu Luís com uma fralda de pano e um senhor que eu conheço, pensou que ele tinha uns calções, depois quando lhe dissemos que era fralda, ele disse "Ah é uma boa ideia, pelo menos não fazem tanto lixo". Devo confessar que os meus olhos até brilharam de alegria pelo comentário.

Fraldas de pano Urra! Às vezes tenho vontade de comprar mais, algumas de melhor qualidade do que aquelas que tenho. Mas se o meu objectivo é ser ecológica e se as que tenho chegam, acho que não faz muito sentido (sem contar com as pré-dobradas que preciso para usar como absorventes). Quando tiver outro filho, espero bem ter, como já tenho algum stock, já posso investir noutras melhores.

domingo, 14 de agosto de 2016

Amanhã, Tomorrow, Morgen, Demain, Mañana, Domani

Amanhã, o dia depois de hoje. Amanhã pode ser também todos os dias depois de hoje, o futuro.

Se a nível individual acho que devemos centrar a nossa vida no presente, a nível global o nosso olhar tem de estar no futuro.

Nesse sentido e para partilhar convosco uma mensagem de esperança (mesmo quando o futuro parece catastrófico) quero sugerir-vos o documentário Amanhã ou no título original Tomorrow.


O documentário está em exibição no cinema, fui vê-lo na semana passada e é bastante interessante. Aborda os problemas de sustentabilidade do mundo, mas transmite sobretudo uma mensagem de esperança, uma vez que dá a conhecer acções e visões de várias pessoas pelo mundo que ajudam diariamente o ambiente e a comunidade. Acho que a mensagem que passa é a seguinte, o futuro irá ser catastrófico, mas antes disso há muito que podemos fazer.

Tenho pena que o documentário não foque tanto como eu gostaria o consumo excessivo, mas a verdade é que mostra formas de como podemos consumir menos e isso é essencial.

Infelizmente como tudo o que é bom e interessante não tem projecção, em Portugal, o filme apenas se encontra em exibição em Lisboa no Medeia Monumental (pelo menos foi o que conclui da minha pesquisa). Mas se conseguirem vejam, vale a pena, adorei sobretudo a parte da permacultura, da moeda local e do lixo, quer dizer, no fundo adorei tudo.


Se a palavra amanhã estiver mal escrita em alguma língua é culpa do google tradutor.

sábado, 13 de agosto de 2016

Amamentar é ser feliz e ecológica

A semana passada (1 de Agosto a 7 de Agosto) foi a Semana Mundial do Aleitamento Materno e esta publicação está a ser feita porque quero partilhar convosco, o meu sentimento sobre este bem precioso, o nosso leite.

Acho que não vale a pena voltar a falar do que se passou comigo relativamente á amamentação, já fiz várias publicações sobre isso. Mas digo a todos o início da amamentação, para mim, não foi fácil. Nem sempre fiz o que a Organização Mundial de Saúde recomenda, cheguei a dar suplemento ao Luís (ao qual ele fez reacção) e introduzi-lhe a alimentação complementar antes dos seis meses. Mas houve algo que sempre me acompanhou, foi a confiança que iria amamentar o meu bebé durante muito tempo, por isso mesmo quando introduzi suplemento, nunca lhe dava mais do que 60ml ou 90ml diário, insistindo sempre com a mama, por isso sofri até ele fazer a pega correcta. Mas por isso tudo me sinto feliz, porque a sensação de ter vencido é enorme, a sensação de ter conseguido chegar onde eu quis, a sensação maravilhosa de me sentir um mamífero. Neste momento, amamentar já não é apenas uma necessidade do Luís, é também uma necessidade minha, se fico muito tempo sem lhe dar mama, sinto falta. De tal forma, que já com a amamentação completamente estabelecida, ao oitavo mês, tive outra mastite (bem complicada) e só a ideia de pensar que se podia complicar e pôr em causa a amamentação, me fez chorar, não sei se mais por ele ou se mais por mim.

Mas relativamente à semana mundial de aleitamento materno, no Domingo passado, em várias cidades, houve encontros de amamentação. Fui a um desses encontros e não podia ter vindo mais satisfeita, é recompensador ir a um sítio onde sentimos que há mais quem pense como nós. Onde as pessoas defendem a amamentação, não apenas em bebés pequenos, acabados de nascer, mas durante mais tempo. Pela primeira vez, estive num grupo onde as pessoas admitem que deram mama até aos três ou quatro anos e esse facto não foi criticado. E estar rodeada de bebés e de pais que sei que partilham algumas das mesmas ideias que eu, fez-me ficar realmente FELIZ.

No dia a dia, embora oiça algumas palavras de incentivo sobre a amamentação, oiço sobretudo pessoas admiradas por eu ainda dar mama (ele tem oito meses), e se o facto de eu lhe dar mama ainda não é de todo mal visto, quando eu digo que vou dar mama até ele querer, ai as coisas mudam de figura. Para a maioria das pessoas, um bebé com dois, três ou quatro anos que mama é motivo de vergonha. Da mesma forma, uma mulher que amamenta em público é mal vista por muita gente. No entanto, o que pode ter de mal uma pessoa amamentar em público? Acho que é uma das melhores formas de demonstrar e transmitir amor, só uma sociedade muito podre pode ver um acto de amor, sobrevivência como algo mau. É vergonhoso uma mulher na rua amamentar um filho, mas não é vergonhoso as nossas cidades estarem cheias de publicidade de mulheres semi-nuas (eu não tenho nada contra, aliás sou bem a favor do nudismo, embora tenha algum pudor devido sobretudo a uma educação que não transmitiu a nudez como algo comum no dia a dia, mas os cartazes publicitários não se relacionam com a ideia de nudismo como liberdade, são na maioria das vezes uma forma de objectificar o corpo feminino e também o masculino). O que quero dizer é que a nossa sociedade está trocada, afinal fisiologicamente as mamas servem para amamentar, não servem para serem expositores de soutiens. Mas a sociedade aceita melhor que sejam expositores de soutiens do que fonte de alimento para os seus filhos. (algumas imagens fantásticas)

Ecologicamente correcto, mas mais que isso socialmente justo, o leite materno possibilita a igualdade social.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/WomansLoungeBR/photos/a.1581063608813461.1073741828.1574375652815590/1733522046900949/?type=3&theater

No entanto, e infelizmente, pela minha experiência são sobretudo as pessoas mais pobres e com menos conhecimentos que amamentam por menos tempo (sem contar com as pessoas de classes sociais favorecidas que não amamentam por uma questão de escolha). Mas uma coisa é a escolha pessoal, por mais que eu a questione, cada um está no seu direito. Mas o que sinto é que nas classes mais desfavorecidas não é uma questão de escolha, os mitos existentes de leite fraco, relacionados com problemas que as pessoas não sabem resolver, aliás nem sabem que se podem resolver (por exemplo, a má pega como era o caso do Luís) empurra as pessoas para os leites artificiais. É verdade que vivemos na era da informação, basta pegar num computador e podemos ter acesso a todo o conhecimento, no entanto quando as pessoas têm pouca formação têm mais dificuldade em aceder a mais informação e sejamos sinceros, os médicos, enfermeiros e outros profissionais em vez de esclarecerem, só querem dar soluções rápidas e o leite artificial é uma solução facílima.

Facílima, mas pior a nível de saúde (e também ecológico), mas também na parte económica e são as famílias com mais carências que pela minha percepção o compram mais. Ou seja as família mais pobres, menos informadas, têm a sua disposição um bem (o leite materno) natural, saudável e gratuito, mas andam a gastar dinheiro que não têm a comprar leite artificial (e a enriquecer, os que as fazem ser pobres, mas isso é outra questão, tenho de fazer uma publicação sobre a Nestlé, mas ainda tenho muito a pesquisar).

O que eu quero dizer é que é URGENTE informar, é urgente haver quem explique às mães os benefícios e que não há leite fraco e que os problemas se podem resolver que há profissionais para isso, nomeadamente as conselheiras de aleitamento materno. Acho que só mães bens informadas tem realmente poder de decisão, digam-me "Não amamento por escolha pessoal", mas não me digam "Não amamento porque não tenho leite", porque isso não é escolha pessoal, é falta de informação. Mas devia ser a sociedade, o estado, os médicos, os enfermeiros, a informar, a ajudar e a aconselhar estas mães. Seria positivo para todos, para as famílias, para o ambiente e mesmo para o próprio sistema de saúde, afinal além de alimento, carinho e amor, o leite materno é uma verdadeira vacina.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

8 de Agosto: Dia de sobrecarga da Terra

Hoje, dia 8 de Agosto de 2016, já consumimos todos os recursos que o Planeta Terra consegue repor num ano, a partir de agora vamos viver com o que foi acumulado durante anos, comprometendo, assim o futuro dos nossos filhos e netos.

O dia de sobrecarga da Terra tem sido cada vez mais cedo.





Imagem retirada de http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/earth_overshoot_day/

Para quem quiser saber mais sobre este assunto, consulte o site. Como geógrafa, dentro do site gostaria de destacar esta página, onde se vê a diferença entre o gasto de recursos dos cidadãos consoante os seus países de origem.

sábado, 6 de agosto de 2016

Resultado do passatempo - Dormir Nú é Ecológico

No passado dia 11 de Julho lancei este passatempo, o qual tinha como prémio o livro Dormir Nú é Ecológico. Este passatempo tinha como objectivo inspirar mais uma pessoa para a ecologia e para a sustentabilidade. No total foram contabilizadas 43 participações, acho que não é nada mau. E o site Random.org decidiu contemplar a participação número 30. A vencedora é a leitora Sandra Maia.

Imagem retirada de https://www.random.org/

Um dos requisitos para participar era deixar na caixa de comentários, uma pequena mensagem de sustentabilidade. Aqui fica um resumo das mensagens:

  • Reduzir o consumo;
  • Reflectir sobre o nosso impacto no ambiente;
  • 3Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar
  • Pensar no mundo que queremos deixar para as nossas crianças, um mundo seguro e limpo;
  • Reduzir o uso de produtos descartáveis;
  • Reutilizar a água da chuva e das cozeduras das frutas/legumes;
  • Recusar o que não necessitamos;
  • Fazer compostagem;
  • Dar um segundo uso a tudo (por exemplo, os livros escolares);
  • Separar tampinhas para acções de solidariedade;
  • Reparar o que está estragado;
  • Partilhar livros;
  • Reduzir poluentes;
  • Dar o destino adequado e legislado aos resíduos;
  • Racionalizar o consumo da água;
  • Andar a pé, de bicicleta e de transportes públicos;
  • Analisar os nossos actos e mudá-los, se queremos um mudança global;
  • Dar o exemplo com as nossas acções para inspirarmos os outros;
  • Escolher criteriosamente o que consumimos, tendo em conta a protecção ambiental e ética;
  • Colocar um programador no termoacumulador para reduzir o consumo;
  • Usar todos os resíduos orgânicos no compostor, utilizar o composto para adubar a terra;
  • Ensinar as crianças a reciclar e reutilizar.
Aqui ficam as ideias dos leitores, espero que ao participarem tenham reflectido sobre as suas acções e ao partilharem as suas ideias tenham feito os outros pensarem também.

Todos a pensarmos no que podemos fazer, rumo a um mundo mais sustentável.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Parabéns "pequeno" blogue

Hoje é um dia muito especial, faz um ano que criei este blogue. E um ano é sempre um momento de comemoração e de balanço. Afinal, estamos exactamente no mesmo sítio em relação ao Sol que estávamos quando criei o blogue, o que significa que já "andámos" muito.

Imagem retirada de http://ww1.prweb.com/prfiles/2007/08/08/43310/AYEARONEARTHLogo.jpg

Neste ano, a minha vida mudou imenso, porque além do blogue, aconteceu uma das coisas mais importantes da minha vida, fui mãe. E ser mãe muda completamente o nosso dia a dia.

O facto de ter sido mãe, e ter-me dedicado ao meu bebé, fez com que não conseguisse cumprir o objectivo de fazer uma publicação todos os dias, mas nem por isso, significa que todos os dias não tenha pensado na causa ambiental. Esta é a minha 218ª publicação, o que quer dizer que mesmo assim publiquei em mais de metade dos dias do ano.

Mas voltando ao princípio, revisitando a minha primeira publicação, comecei da seguinte forma:

"O lixo do luxo pretende ser um blogue ou qualquer coisa idêntica que tem como objectivo partilhar ideias e pensamentos sobre o lixo que inunda o nosso mundo, mas como o lixo é demasiado, a ideia será focar-me no lixo produzido diariamente, os resíduos e não noutro qualquer tipo de lixo intelectual."

Bem, ao longo deste ano, além do tema do lixo e dos resíduos, também me debrucei sobre temas ambientais em geral e, contrariamente ao que tinha dito, o lixo intelectual, quero dizer com isto que também falei sobre os problemas que identifico na nossa sociedade.

Descobri também revisitando a primeira publicação que, pelos vistos, o nome inicial que dei ao blogue foi O Lixo do Luxo, depois devo ter mudado para Tanto Lixo, Tanto Luxo. Embora nomes diferentes, o sentido é o mesmo, o exagero do consumo e o exagero do luxo.

Ao longo deste ano, o blogue foi algo que me deu muito prazer, de tal forma que sinto quase uma necessidade/obrigação de pesquisar e tomar atitudes cada vez mais sustentáveis. Tentei pesquisar, mudar (umas vezes com mais sucesso que outras) as minhas escolhas.

Em forma resumida, sem contar com a semana que tive no hospital que era um desperdício de recursos sem fim, acho que tive bastantes melhorias no meu percurso ecológico, social e pessoal.



Aspectos positivos a salientar durante este ano:
  • Comecei a usar produtos de higiene mais saudáveis e sustentáveis;
  • Recusei imensos sacos de papel e plástico (ainda não recuso todos, mas melhorei muito);
  • Penso muito mais antes de comprar qualquer coisa, um pensamento que vai desde as matérias-primas utilizadas, aos processos de fabrico, etc, etc (nem sempre cumpro tudo à risca, mas tento);
  • O meu bebé até agora usou sempre (quase, quase sempre) toalhitas de pano;
  • Tornei-me uma pessoa mais solidária, ajudei mais o próximo;
  • Apanhei muito lixo na rua (mas ainda devia apanhar mais);
  • Enviei muitos emails a alertar para as causas ecológicas;
  • Reutilizei muitos materiais para fins diferentes daqueles para que foram produzidos;
  • Repensei o tipo de roupa que devo utilizar (mas só a partir da que compro nova, não vou deixar de usar a que já tenho);
  • Empenhei-me, ainda mais, na separação de resíduos, por exemplo a roupa também é toda dividida;
  • Tento alertar as outras pessoas para as preocupações ambientais, nem sempre com sucesso.
  • Deixei praticamente de consumir leite de vaca (ando há imenso tempo para escrever sobre o assunto, mas ainda não o fiz).

Aspectos negativos a salientar durante este ano: 
  • A minha utilização de fraldas de pano tem sido intermitente ao contrário do que eu pretendia (sinto-me mesmo mal com isto);
  • Continuo a consumir muito mais carne e peixe do que aquilo que acho que devia consumir.

Metas para o próximo ano: 
  • Reduzir o meu consumo de carne e peixe;
  • Reduzir o lixo que faço;
  • Reutilizar mais produtos em vez de os comprar;
  • Apanhar mais lixo e alertar mais as pessoas e instituições sobre as problemáticas ambientais;
  • Continuar a ler e a pesquisar sobre assuntos que ainda não sei muito para conseguir melhorar o meu impacto no ambiente.

E é assim! Feliz aniversário ao Tanto Lixo, Tanto Luxo e que venha aí mais um ano com menos resíduos. Só uma ressalva, este blogue é um espaço de partilha constante, dessa forma a minha opinião e práticas estão sempre a evoluir, devido ao conhecimento adquirido e às mudanças diárias da nossa vida. Por este motivo, uma publicação é a minha verdade no momento em que foi publicada, não significa que continue a pensar exactamente da mesma forma. Afinal, a nossa vida é uma mudança e aprendizagem constante.

Desafio para os leitores:


Agora que as pessoas andam alucinadas com o jogo Pokemon Go, quer jogue, quer não jogue, lanço o desafio para jogarem o Tampinhas Go. É fácil, quando forem nas ruas e virem tampinhas no chão, apanhem-as (falei das tampinhas aqui) é uma boa acção para com o ambiente e para com as pessoas que necessitam. Uma pequena acção que ajuda a limpar e que ajuda alguém que necessita.

Hoje acaba o passatempo que está a decorrer no blogue. Brevemente será anunciado o vencedor, mas ainda podem participar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sistema de reciclagem, o que falha? O caso das latas de alumínio

Como prometi há duas publicações atrás, cá estou eu para falar de latas de alumínio e para, por muito que me custe, dar razão ao meu pai. A história é a seguinte, embora o meu pai separe o lixo (talvez por ser coagido por mim), a verdade é que ele não concorda com este sistema de darmos o material assim de graça. Segundo ele, isto é uma forma de eles (as empresas de gestão de resíduos) ganharem dinheiro, quando antigamente havia gente a vender estes materiais. Bem, ainda há quem venda sucata (o meu pai junta e vende), na qual se podem incluir as latas de bebidas ou de outros alimentos (eu costumo pôr na mesma na reciclagem para não ficarem acumuladas pelo quintal, mais xiu, ninguém sabe). Mas há materiais que antes se vendiam e havia quem os juntasse e agora não se vendem como por exemplo o cartão, ainda me lembro de existirem pessoas a apanhar cartão na rua. E nessa perspectiva, é verdade, por um lado nós damos os materiais sem pedir nada em troca, por outro lado isso faz com que as pessoas na generalidade não se interessem do destino a dar aos materiais. Mas eu penso que é pelo bem de todos, logo é melhor existirem os sistema de reciclagem. No entanto...

Imagem retirada de http://www.setorreciclagem.com.br/reciclagem-de-metal/reciclagem-das-latas-de-aluminio/

... é, existe sempre um mas... estava eu a ler o meu livro adorado, A História das Coisas quando atravês de uma comparação de dados sobre a reciclagem de latas de bebidas no Brasil e nos Estados Unidos da América percebi que realmente o meu pai tem razão.

"O que é isso então? Estão a acenar com a bandeira branca da reciclagem? Bem, o facto é que com toda a atenção que foi dada à reciclagem nos últimos anos deu aos Americanos uma ideia inflacionadas da quantidade de alumínio que está a ser reciclada. Isso é uma manipulação inteligente dos números por parte da indústria de alumínio.
Embora seja verdade que as latas são 100 por centro recicláveis há décadas que a reciclagem de alumínio nos Estados Unidos está em declínio. Actualmente estamos a reciclar cerca de 44 por cento das latas, taxa inferior aos 54,5 por cento de 2000 e à taxa máxima de 65 por cento de 1992.

Em parte isso deve-se ao facto de os Americanos passarem cada vez mais tempo nos transportes e a consumirem bebidas pelo caminho, aliado ao facto de haver poucos recipientes de reciclagem longe de casa, como o centro comercial, o cinema, o aeroporto, etc. E também porque ainda só é aplicada taxa de depósito de garrafas, de entre 2,5 a 10 cêntimos por lata em apenas dez estados de todo o país. Enquanto isso, no Brasil há uma impressionante taxa de reciclagem de 87 por cento dos recipientes de bebidas, porque muitas pessoas dependem do que ganham com a sua recolha." (Annie Leonard in A História das Coisas)

A questão é um pouco o que já referi anteriormente na publicação Lixo: compensação ou punição monetária, quando temos um sistema de reciclagem que não "obriga" as pessoas a separarem o lixo, grande parte do mesmo acaba por ficar perdido. Mas como a recolha, venda e transformação destes produtos pertence às entidades gestoras dos resíduos, deixou de ser viável para o cidadão comum andar a apanhar determinados resíduos para vender (o que pelos vistos ainda acontece no Brasil). Mais, uma vez digo que quem separa o lixo devia ter direito a contrapartidas positivas e quem não o faz devia ser punido. Afinal, isto é um assunto que diz respeito a todos.

Mas continuando, não me vou debruçar sobre os impactes da extracção de minérios da natureza até porque não sei explicar bem, mas também podem ler sobre o assunto no livro. Quero só transcrever mais umas passagens sobre as latas de bebidas.

"Com efeito, estima-se que mais de um bilião de latas de alumínio tenha ido parar a aterros desde 1972, quando começou a haver registos. Se estas latas fossem desenterradas, valeriam aproximadamente 21 mil milhões de dólares em preços actuais de sucata. Só em 2004, mais de 800 000 toneladas de latas foram eliminadas em aterros nos Estados Unidos (e 300 000 toneladas no resto do mundo). Como salientou um relatório da organização Worlwatch, «é como se cinco fornos de fundição deitassem toda a sua produção anual - um milhão de toneladas de metal - directamente para um buraco no chão. Se essas latas tivessem sido recicladas, ter-se-iam poupado 16 mil milhões de quilowatts-hora - electricidade suficiente para mais de dois milhões de lares europeus durante um ano." (Annie Leonard in A História das Coisas)
São muitos números, não é? Muita energia gasta escusadamente, muita natureza da qual foram extraídos minérios, porque as pessoas não se interessam em separar o seu lixo. Da próxima vez que beberem uma bebida de lata lembrem-se que aquele material é 100% reciclável, mas que se não o separarem provavelmente vai contribuir para encher um aterro e em algum local do mundo há mais alumínio a ser extraído para produzir mais uma lata, mais dezenas de latas, mais milhões de latas. Se perto de si não houver um recipiente de reciclagem, guarde a lata e depois ponha-a no sítio correcto mais tarde.

Para terminar, só referir algo que me fez pensar:

"Após tudo isso, os conteúdos da lata são consumidos numa questão de minutos e a lata é deitada fora numa questão de segundos. «Não entendo os meus concidadãos. Importam este produto, bebem o lixo e depois deitam fora o recurso valioso», afirma o activista porto-riquenho Juan Rosario, lamentando os níveis elevados de consumo de refrigerantes e o baixo nível de reciclagem na sua ilha." (Annie Leonard in A História das Coisas)

E tal como o meu pai diz, talvez antigamente antes de toda a gente falar em reciclagem, se reciclasse mais. Nada era descartado, tudo era valioso. Claro que todo era valioso porque viviam em pobreza, agora vivemos em abundância, mas o planeta Terra não é uma máquina de produção constante de matérias-primas. É preciso parar, reduzir, reutilizar e reciclar de forma a não ser necessários estar a extrair constantemente minérios. Acredito que se todo o alumínio fosse reciclado e o seu uso repensado, talvez não fosse preciso continuar a extrair, pelo menos não na actual escala.

domingo, 31 de julho de 2016

Discos de amamentação, escolha os reutilizáveis

Estava eu a coser os meus discos de amamentação, os quais sofreram uma esfrega no tanque porque alguém (não fui eu) decidiu lavá-los à mão e para sair a lanolina (algo super gorduroso) com água fria só mesmo a esfregar, de tal forma que os meus discos ficaram todos enfrangalhados... Mas bem, como eu ia dizer, estava a cosê-los e lembrei-me que nunca falei aqui sobre os discos de amamentação reutilizáveis.

Quando engravidei, na dúvida se havia de utilizar discos ou conchas de amamentação, comprei as duas coisas. As conchas são de silicone e são mesmo um produto reutilizável, os discos existem os reutilizáveis e os descartáveis. Mas se o meu objectivo era usar o menor número de produtos descartáveis possíveis (nomeadamente tinha o objectivo de usar toalhitas e fraldas reutilizáveis), claro que não ia usar discos de amamentação descartáveis. Assim, além das conchas, comprei dois pares de discos de amamentação da Medela (chamam-se Protector de seio lavável), os quais custaram cerca de 14€ (acredito que haja mais baratos de outras marcas). Por sua vez, uma caixa de 30 discos de amamentação descartáveis, na Well's, custa 4,80€. Mas o barato faz-se caro e faz lixo, gasta energia e recursos escusados. Logo continuo a achar que é mesmo melhor escolher os reutilizáveis.

Já que estou a falar disto, relativamente ao que é melhor, as conchas ou os discos de amamentação, acho que varia conforme as pessoas e conforme a fase de amamentação. No início, quando a produção de leite ainda não estava estabilizada preferi sem dúvida as conchas. No entanto com o passar do tempo e a produção de leite mais constante prefiro os discos. Bem, no fundo, eu prefiro mesmo é não usar nada, aliás é mesmo o mais saudável, deixar os seis apanharem ar. No entanto, quando tenho de sair para algum sítio que não pareça muito bem ficar toda molhada de leite ou que saiba que vou estar bastante tempo sem dar mama (algumas vezes que me tive de me ausentar de perto do meu bebé) uso os discos de amamentação.

Agora vamos ver é se estes discos continuarão a funcionar normalmente depois de terem sido esfrangalhados, espero que sim. Já tenho dúvidas é que os consiga aproveitar quando tiver o próximo bebé.

Mas bem, esta tem sido a minha escolha nestes oito meses de amamentação. Muitos mais meses virão, espero.

Imagem própria

Mas já que falei das toalhitas e fraldas reutilizáveis, tantas vezes mencionadas aqui no blogue, vou fazer o ponto da situação. A utilização de tolhitas reutilizáveis continua imaculada, não quero outra coisa, acho é que vou precisar de comprar mais ou de fazer novas, porque algumas já estão num estado lastimável. Por sua vez, as fraldas reutilizáveis têm tido altos e baixos, há uns tempos achei que estavam a cheirar muito a xixi, fartei-me de as lavar, depois ele é um mijão e a fralda quase não aguenta, por isso vou usando muito mais fraldas descartáveis do que era suposto. Mas pronto, depois tenho uns dias em que me organizo decentemente e Viva as Fraldas de Pano.
Imagem própria

Entretanto, em Setembro o Luís vai entrar na creche, das fraldas como eu própria às vezes não acerto bem com aquilo, nem perguntei se aceitavam fraldas de pano, mas perguntei se aceitavam as toalhitas e a resposta foi negativa. Mas bem, aceitam em vez das toalhitas descartáveis que se opte por compressas, acho que as compressas sempre são mais sustentáveis e saudáveis que as toalhitas descartáveis, por isso acho que a minha escolha vai recair pelas compressas.

Mas não se esqueçam cada vez que optamos por produtos reutilizáveis, em vez de descartáveis, o planeta agradece.

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