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terça-feira, 30 de maio de 2017

Pequenas mudanças, grandes soluções (Caparica)

E porque a vida não é só falar mal e criticar, hoje venho falar de uma medida positiva... Já há bastante tempo, falei dos problemas de lixo na minha área residencial, podem recordar aqui e aqui, na altura cheguei a enviar email à Câmara Municipal de Almada, o qual nunca foi respondido, nesse email entre outras coisas, escrevi o seguinte:

"Há um longo tempo que há uma situação que muito me desgosta, junto ao mercado municipal do Monte da Caparica. Neste local existe uma quinta, propriedade privada onde todos os anos fazem a festa popular local, para a qual estão sempre a voar plásticos vindos do mercado. Embora essa quinta seja propriedade privada, a sujidade que nela se acumula tem origem no mercado, não sei se por falta de limpeza, falta de contentores ou por preguiça dos vendedores."

Enfim, nunca pensei mais no assunto, até que dia após dia, comecei a reparar que a vila está mais limpa, tem-se acumulado menos lixo, e foi aí que percebi porquê. Fizeram obras no recinto do mercado, fechando com uma grade a parte onde se faz o mercado de rua, não sei se esta obra teve como objectivo solucionar o problema do lixo, mas a verdade é que reduziu em grande parte o lixo que se dispersa. Ao voar e a bater nas grades, o lixo cai e é mais facilmente recolhido pelos funcionários (espero sinceramente que também o separem, mas pelo menos já não voa com tanta facilidade).

Imagem própria
Imagem própria

Entretanto, ao passar lá reparei que além das grades foram postas estas mensagem que apelam para um maior cuidado por parte da população. Afinal, se calhar esta obra teve mesmo o propósito de reduzir o lixo que se espalha pela vila. Sei que é raro, mas desta vez dou os parabéns e acho que foi uma óptima iniciativa/solução, a qual demonstra que alterações simples, muitas vezes têm grande efeitos positivos no dia-a-dia.

Imagem própria


domingo, 6 de novembro de 2016

A bordo: o lixo viajante

Recentemente veio a público uma notícia que tem deixado muita gente (com razão) indignada. Afinal, Portugal está a receber toneladas de lixo italiano... Pelo que percebi da notícia, o lixo vem para ser depositado em aterro, o que é perfeitamente legal (daí a eu concordar é outra questão). No entanto, parece que a questão do lixo no Sul de Itália tem muito que se lhe diga, nomeadamente por ter sido controlado durante anos pela máfia, por isso mesmo, existe a desconfiança que entre os supostos resíduos urbanos que recebemos também existam resíduos perigosos. Segundo a notícia, a exportação de lixo foi a solução encontrada por Itália para travar a multa imposta pela União Europeia (multa motivada pelos resíduos acumulados sem destino e seus respectivos impactes ambientais).

O que significa que eles vendem o lixo e o problema "resolve-se". Sou contra! O lixo é algo demasiado importante para o andarmos a passear e a transportar de um lado para o outro. Além disso, por uma questão de justiça acho que cada um deve ficar com o seu lixo, não descartar o problema para outro país. Afinal, por mais que pague, nada paga (no meu entender) as implicações referentes aos aterros e à necessidade de mais aterros.

No fundo, eu nem sabia bem que os "países ricos" também recebiam resíduos de outros países, acreditava que apenas os "países pobres" faziam isso.

E agora vamos fazer uma viagem até aos anos 80 do século XX no Khian Sea. Conheci esta história há pouco tempo e fiquei fascinada, quer positiva (atitude da Greenpeace e governos locais), quer negativamente (incineradora de Filadélfia e governo norte-americano).

Como o ano em que nasci é um ano bastante histórico (desastre de Chernobyl) também esta história começou em 1986. Uma incineradora de Filadélfia nos Estados Unidos da América quis "despachar" as suas cinzas (15 mil toneladas). A gestora de resíduos contratada decidiu pôr as cinzas no navio Khian Sea, o qual haveria de levar o lixo americano para bem longe, para algum "país pobre". Durante 16 meses, o navio navegou pelo mundo tentando descarregar as cinzas. Honduras, Panamá, Guiné-Bissau e Antilhas Holandesas foram os destinos em que tentaram descarregar este material. No entanto, as autoridades destes países, avisadas pela Greenpeace, não deixaram.

Entretanto, conseguiram convencer o Haiti a ficar com as cinzas, para tal disseram que as cinzas eram fertiliizante para os solos. Quando as autoridades haitianas foram avisadas da verdadeira carga do navio, já a tripulação tinha descarregado 4 mil toneladas na praia de Gonaives, foram obrigados pelas autoridades haitianas a voltar a carregar as cinzas, mas zarparam deixando lá as cinzas a céu aberto (só no ano 2000, as cinzas voltaram para a origem e finalmente tiveram o "fim" desejado. Como hão-de compreender 4 mil toneladas de cinzas a céu aberto durante 14 anos, significou que uma grande quantidade foi levada pelo vento ou arrastada pela maré).

Depois de deixarem as 4 mil toneladas, o navio continuou à procura de destino para as 11 mil toneladas de cinzas que restaram. Senegal, Ski Lanka, Singapura foram destinos em que tentaram desembarcar a carga, sem sucesso. O navio mudou de nome, mas nunca conseguiu descarregar. Em 1988, algures entre Singapura e o Sri Lanka as cinzas desapareceram.

As cinzas do lixo de Filadélfia foram lançadas ao mar anos depois, numa área geográfica distante, contribuindo para a poluição do oceano e tudo o que aí advém.

Retirei esta informação deste site, para saberem mais pormenores consultem-no.

Imagem retirada de http://resources.gale.com/gettingtogreenr/uncategorized/the-strange-saga-of-the-khian-sea/


Quantas histórias destas existiram/existem?

Talvez não muitas como a que contei. Mas quanto lixo haverá a circular pelo mundo fora? Cada um deve cuidar do seu lixo, isso começa pelo indivíduo, passando pelas autarquias locais, entidades gestoras de resíduos, estados. Se não conseguimos controlar/cuidar/dar o fim adequado ao nosso lixo, a solução não deve ser que outro o faça, a solução deve ser repensarmos o lixo que fazemos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A guerra é a guerra

No Sábado ou no Domingo, já não sei bem, ia a conduzir e a ouvir a Antena 1 como habitualmente e estavam a falar sobre a Rússia, nomeadamente sobre uma iminente guerra mundial. Sinceramente, não sei se percebi grande coisa, primeiro porque não sei se quero perceber e segundo para perceber de verdade tinha de ter acesso a conhecimento que não tenho. Nós só sabemos aquilo que nos deixam saber. Entretanto, andei a tentar pesquisar aqui na internet e continuo sem entender nada. Acho que também não entendo, dado que para mim é impossível compreender o que move as grandes potências e os seus dirigentes.

Logo, não sei se vem aí uma nova guerra mundial ou não, certamente virão muitas guerras como sempre vieram... qual o intuito? Não sei. É o poder, o dinheiro, a ambição...

Quando vejo imagens de Aleppo na Síria mesmo sem entender a guerra, compreendo o mais importante, aquilo que o cidadão comum compreende sempre... Que aquela destruição não pode ser boa para ninguém.

Imagem retirada de http://www.bbc.com/news/world-middle-east-18957096

Condenar pessoas de cidades inteiras, de países inteiros, a uma vida de angústia, dor, sofrimento, perda, condená-las à morte, tirar a infância de crianças é um verdadeiro crime. E não são pausas humanitárias nos bombardeamentos como a que foi recentemente anunciada que mudem alguma coisa, porque depois da pausa (oito horas!!!) começarão novos bombardeamentos. E com isto não estou a defender nenhum dos lados, nem me interessa tão pouco quem tem razão (ninguém tem razão). Porque tal como canta o Fausto:

Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra
(excerto da música A guerra é a guerra de Fausto Bordalo Dias)

Às vezes ainda sonho com uma humanidade mais humana, pessoas que compreendam que no mundo existe o necessário para todos vivermos bem e sermos felizes. Naqueles passeios de Domingo à tarde à beira-mar tenho sempre a ilusão que é preciso pouco para tal, vejo as pessoas em família, mais novos, mais velhos, a rirem, a passearem os cães, com os filhos bebés ou maiores, nas esplanadas, nos bancos, nas rochas a verem o mar. Sinto uma nostalgia, a ideia de uma felicidade que tem de ser capturada naquele momento e não mais esquecida, o sítio pode não ser o mais bonito, nem o mais bem arranjado do mundo, as pessoas não me parecem ricas, nem parecem ter vidas fáceis, mas naquele momento parecem felizes.

Era bom que em todo o mundo, fossem tardes de Domingo, a passear e a ver o mar...

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Boas práticas: pastilhas elásticas e beatas de cigarros

Nas publicações mais recentes falei sobre questões relativas às pastilhas elásticas e às beatas dos cigarros, nomeadamente o problema de serem deixadas em meio natural ou em meio urbano. Mas hoje na página de  facebook Lisboa, capital europeia do lixo (convido-vos a gostarem da página, é sempre bom sabermos o que se passa nas nossas ruas) foi publicada uma fotografia da cidade de Guimarães, a qual pelos vistos tem Papa-Chicletes e EcoPontas.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/lisboacapitaldolixo/photos/a.206767729400310.49860.206762056067544/1086916564718751/?type=3&theater

Entretanto fui pesquisar e encontrei esta notícia Guimarães instala Papa-Chicletes e EcoPontas para eliminar resíduos do chão que explica o seguinte:

" Câmara Municipal de Guimarães apresentou o “Papa-Chicletes” e o “EcoPontas”, duas novas estruturas de mobiliário urbano que pretendem contribuir para a redução de chicletes e pontas de cigarro atiradas para o chão, dois dos resíduos mais encontrados nas praças e ruas da cidade. O processo de reciclagem a que serão submetidos, posteriormente, permitirá a sua conversão e valorização científica, transformando-os em novos produtos disponíveis para a comunidade, desde a formação de novos plásticos ou de papel, passando pela energia ou agricultura."

Já é uma boa notícia saber que estes resíduos não vão para ao chão, ainda é melhor saber que vão ser valorizados e não simplesmente deitados no lixo comum e posteriormente em aterro. Uma excelente iniciativa que devia ser imitada por todos os municípios do país.

sábado, 24 de setembro de 2016

Dinheiro local: mais comunidade, mais sustentabilidade

Desde que vi o documentário Amanhã (mencionei-o nesta publicação) que estou para falar sobre este assunto. Eu já sabia que havia comunidades locais que tinham o seu próprio dinheiro, mas nunca tinha pensado muito nisso. Mas quando vi o documentário pensei "Wow, é isto mesmo, isto é a solução".

No documentário referem o caso de Brixton. Brixton é um district que pertence ao borough de Lambeth na Grande Londres (uso as terminologias em inglês, porque não percebo nada das divisões administrativas inglesas e dá para perceber que district não é de todo a nossa ideia de distrito). Mas bem, o que interessa é que Brixton tem uma moeda local, a qual já está em circulação desde 2009.

Para conhecerem melhor a Brixton Pound pode visitar o seu site. No qual explicam "a missão" desta moeda local (o que se segue foi adaptado por mim):

  • Ajudar a proteger os empregos e meios de sobrevivência dos membros da comunidade, atravês do desenvolvimento de uma economia local forte;
  • Apoiar e construir uma economia diversa e resiliente que consegue lutar contra as dificuldades económicas e as grandes cadeias de comércio;
  • Consciencializar a comunidade para a importância da economia local;
  • Incentivar e facilitar um modelo de auto-ajuda com o fim de proteger os moradores;
  • Incentivar o abastecimento com produtos locais, diminuindo as emissões de CO2;
  • Contribuir para um percepção positiva de Brixton, chamando a atenção para a sua comunidade forte, economia e capacidade de inovação;
  • Valorizar Brixton regional e nacionalmente;

Basicamente as moedas locais têm como objectivo impulsionar as economias locais, para tal é construído um sistema entre os produtores locais, empresas locais e a comunidade. Este tipo de dinheiro funciona em circuitos fechados (todos os actores sociais que participam são locais), de forma a que o dinheiro seja constantemente investido na comunidade, não saindo sempre para as grandes empresas e grandes produtores. O dinheiro ao permanecer na comunidade, toda a comunidade ganha. Parece-me maravilhoso, não acham?

E como dizem no documentário, não é muito melhor ter o David Bowie do que a Rainha nas notas? É muito mais divertido!
Imagem retirada de http://brixton.atestserver.co.uk/library/Brixton-Pound-10.jpg




Em Inglaterra, este tipo de moeda local tem sido um sucesso, existindo em diversos sítios: BristolCardiffCornwallExeterKingstonLewesLiverpool, PlymouthStroudTotnes, and Worcester.

Em Portugal parece que este mês também está a ser recheado de boas novidades neste âmbito. Embora não seja bem a mesma coisa, a freguesia de Campolide em Lisboa decidiu fazer uma iniciativa de recolha de lixo em troca de dinheiro local, podem ver aqui. Adoro a iniciativa, uma vez que tem duas vertentes excelentes, incentiva a separação e colocação de lixo no sítio correcto, por outro lado ajuda o comércio local e consequentemente a vida da comunidade. Verdadeiramente magnífica a ideia.

Mas não para por aqui, a ideia parece ter agradado a mais pessoas e agora são os moradores do Areeiro em Lisboa que também querem criar a sua própria moeda.

Já há bastante tempo que falei de como acho importante incentivar o comércio local e estas são ideias excelentes. Vamos todos criar moedas locais, ajudam a comunidade, criam localidades com melhores vivências e ainda ajudam o ambiente. Fantástico!

sábado, 17 de setembro de 2016

Semana europeia da mobilidade e as pessoas de mobilidade reduzida

Começou ontem, dia 16 de Setembro a 15ª Semana Europeia da Mobilidade, a qual traz muitas actividades a diversos municípios portugueses. Este ano, o tema-chave é a mobilidade sustentável e inteligente, considerando que uma mobilidade inteligente promove uma economia forte (ler mais aqui). Quer dizer, eles consideram que uma mobilidade inteligente promove uma economia local forte e consequentemente um melhor ambiente urbano e melhor qualidade de vida, concordo completamente.

Todavia, eu pensei nos outros, aqueles que já de si têm uma mobilidade reduzida e era sobre esses que eu queria falar. Em Lisboa, ainda é difícil para algumas pessoas se movimentarem sem a ajuda de terceiros. E quem diz Lisboa, diz o país inteiro. Actividades simples como atravessar a rua, entrar num autocarro, apanhar o metro são quase impossíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Quantas estações de metro em Lisboa têm acesso para cadeiras de rodas? Pouquíssimas.

Pensei para esta publicação fazer um percurso fotográfico dos obstáculos que as pessoas com mobilidade reduzida encontram desde de casa até ao trabalho (como exemplo usaria o meu percurso). Mas não tive oportunidade de o fazer, talvez o faça um dia com mais calma, Mas podem ter a certeza que são muitos degraus. Quando forem para o trabalho pensem nisso, nas escadas do metro, nos pilaretes dos passeios, na rampa do barco, entre outros tantos.

Entretanto lembrei-me de um vídeo que já vi há muitos anos, não concretamente sobre a mobilidade, mas sobre as dificuldades que as pessoas com as variadíssimas deficiências encontram diariamente. Neste vídeo, nós, "os normais" somos os "diferentes". Acho que dá que pensar.




Uma mobilidade inteligente é também uma mobilidade inclusiva e só isso faz sentido. Em Lisboa foi aprovado um Plano de acessibilidade pedonal que se encontra em fase de execução. É assim, pequenas acções aqui e acolá podem fazer a diferença na vida de muita gente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Falta de civismo: Portugal não é só teu

Há muitos anos havia um programa na televisão chamado Portugal não é só teu (podem ver aqui um episódio), basicamente o programa mostrava situações de falta de civismo com o lema: Portugal é de nós todos, Portugal não é só teu.

Parece que já se passaram muitos anos, mas a falta de civismo continua. E eu continuo a denunciá-la. Isto tira-me do sério, o lixo perto da minha casa é tanto, mas tanto, que às vezes chego a perguntar-me se é possível:

"É possível que a Junta de Freguesia não veja?"
"É possível que a Câmara Municipal não veja?"
"É possível que os cidadãos gostem de viver nesta imundice?"

Pois, não sei. Mas sei que o Monte de Caparica tem uma enormidade de lixo que é uma vergonha. Já falei disso em O lixo perdido no Monte de Caparica, Almada e em Na minha rua... o caixote de lixo indiferenciado, mas tenho de falar novamente.

É que desta vez, num descampado que tenho perto de casa (um terreno daqueles que espera há anos por um projecto ou será pel'O projecto) existe um verdadeiro "nascer" de objectos inesperados. O que aconteceu é que o terreno tinha muita erva, bastante alta, a erva foi cortada e deixou à vista o lixo todo... e não é pouco.

Uma impressora...

Imagem própria

Um ovo de bebé (está mais distante)...

Imagem própria


Um garrafão com qualquer líquido lá dentro (gasóleo, gasolina, óleo, quem saberá?)

Imagem própria

Isto para não falar da imensidão de plásticos já partidos em imensas partes

Imagem própria

E já quando se vem do descampado para a minha casa, não é que alguém se lembrou de deixar, ali na rua, pedaços de um ESTORE... (ainda hoje fui deitar um pedaço de estore no lixo)

Imagem própria
Nisto de encontrar lixo no chão, admito que ainda consigo ser surpreendida... desagradavelmente surpreendida. Eu pergunto sinceramente:

Como é que há pessoas que são capazes de deixar o lixo assim em qualquer lugar?
Será que gostam de ver a rua onde passam neste estado? 
Será que gostam de viver num sítio assim?



domingo, 4 de setembro de 2016

Música popular, t-shirts e gaios: uma salgalhada feita publicação

Esta publicação é uma miscelânea de coisas, daquelas que me fazem pensar. Isto tudo, ainda num misto de sentimentos derivados das férias. Uma coisa, duas coisas e quando damos por isso, já fizemos toda uma teia de pensamentos. E começou tudo com um acto de consumismo, a compra de uma t-shirt.

Estava numa loja de regalos ou recuerdos em Santiago de Compostela com t-shirts muito engraçadas com espírito galego (eu sou uma defensora da cultura galaico-portuguesa, não que eu tenha muito conhecimento sobre a mesma, mas porque no caso espanhol, acho que a identidade de cada região deve ser defendida, mantida e difundida. E também, confesso que gosto de ir a algum sítio do território espanhol onde me percebem mesmo quando falo português) e fiquei apaixonada por uma delas. A t-shirt tem este desenho:


Imagem retirada de http://www.nikisgalicia.com/es/bebes-y-nino/4334-Beb%C3%A9%20y%20ni%C3%B1o-vai-tu-vai-ela.html#.V8tXjzXMJxI


Quando vi a t-shirt, adorei-a (eu já gosto de t-shirts com mensagens, muito mais sendo a letra de uma música popular) e comecei logo a cantar Vai tu, Vai tu, Vai ela. Pelo que percebi, depois de ter pesquisado, esta música tradicional teve origem na Galiza e Norte de Portugal, embora actualmente as letras cantadas em ambos os locais sejam diferentes (pelo que percebi).

A música é algo bastante importante na minha vida, não é à toa que este blogue tem uma etiqueta chamada A música é alimento. A música popular tradicional além de alimento para a alma é a transmissão oral de modos de vida, histórias, amores, formas de falar de séculos. A música popular tradicional é de uma riqueza enorme, criada pelo povo, é endógena, é da terra, dos nossos pais, avós, bisavós. É cultura, é modo de ser, é uma forma de olhar o mundo, é uma expressão das nossas raízes. A música popular tradicional, é capaz de ser mais forte que fronteiras e estados nações, neste caso particular, esta música permanece e faz parte da vida portuguesa e galega, acho que me atrevo a dizer que a música é a forma viva de um povo com uma cultura idêntica que há muitos anos foi separado.

Talvez nada disto que estou a escrever pareça fazer muito sentido, mas cantar estas músicas é perpetuar a nossa história enquanto povo, o qual no seu conjunto conseguiu transmitir oralmente uma infinidades de saberes e conhecimento.

Viva a música popular, a tradicional, a que veio do povo para o povo. Para quem ainda não conhece, sugiro que espreitem este site: A música portuguesa a gostar dela própria.

Fica uma versão galega, aqui intitulada como verde-gaio. Ouvi várias versões e gosto especialmente desta.


E por falar em gaios, já estava eu no Gerês, diz-me o meu marido "Viste aquele gaio", respondi que tinha visto, mas que não tinha reparado que era um gaio. Depois contei que quando era pequena o meu avô tinha gaios, ele disse-me que o pai dele também teve. Disse-lhe depois que há muitos anos que não conheço ninguém que tenha gaios, o que lhe disse que ainda bem porque eles são bonitos é na natureza. Ele rematou "ninguém tem gaios porque as pessoas já não têm paciência para os irem apanhar aos ninhos, não é pela liberdade, porque continuam a ter piriquitos". Ele é capaz de ter razão.

Para quem não conhece, um gaio é este pássaro, bonito e que também fala. Os gaios do meu avô gritavam "Pai".


Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaio-comum

Só para terminar, eu comprei a t-shirt, mas tenho a dizer que na etiqueta diz "Feito en Galicia", só coisas positivas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Caminante, no hay caminho

Agora que sou adulta e olho para trás vejo o que eu mais gostava nos escuteiros: caminhar, andar, andar, andar. Sempre gostei de andar, quando era pequena e ia para a praia, eu queria era andar, andar, andar. Já contei aqui no blogue que comecei a fazer as minhas grandes caminhadas no dia a seguir de saber que estava grávida. O que significa que comecei e acabei, porque a gravidez e caminhadas de quilómetros não são muito fáceis de conciliar, nem caminhadas e bebés.

No entanto, quero partilhar convosco, não caminhadas que fiz, mas caminhadas que quero fazer. A verdade é que estas férias que estão agora a acabar fui a Santiago de Compostela e ao Cabo Finisterra e fiquei fascinada.

Santiago de Compostela é um dos mais famosos destinos de peregrinação cristã, segundo percebi a peregrinação acaba com a chegada à catedral de Santiago de Compostela, mais precisa com a visita ao túmulo de Santiago, um dos apóstolos de Jesus. Quem me conhece, sabe, que a fé cristã (católica em particular) é algo que me deixou de acompanhar há muitos anos. Na realidade, apenas acredito na natureza e na sua força, o que me leva a crer que devemos adorar os elementos da natureza e não qualquer Deus criado à nossa semelhança. E é aqui que entra o meu fascínio. No fundo, o meu grande objectivo não era ir a Santiago de Compostela (mas gostei muito na mesma), o meu objectivo era ir ao Cabo Finisterra (ou Fisterra em galego).

No tempo dos romanos, acreditava-se que este cabo era o ponto mais ocidental (do mundo conhecido na altura, parece que não conheciam o nosso Cabo da Roca ou então não percebiam muito de longitudes, não devem ter feito a maravilhosa cadeira de Cartografia I), por esse motivo chama-se Finisterra, ou seja, o fim da terra. Este cabo, que dista cerca de 90 km de Santiago de Compostela, é para muitos peregrinos a última etapa da peregrinação, recuperando assim uma antiga tradição celta de culto a Ara Solis (culto em honra do Sol).

Para mim, pessoalmente, faz-me muito mais sentido caminhar para ir adorar o Sol do que para adorar Santiago. Mas acho que caminhar para adorar seja o que for, é mais um processo interno de procura e conhecimento de nós próprios do que outra coisa. Caminhar é um acto de encontro espiritual. Talvez, por isso, encontrei nos peregrinos que vi, uma enorme paz interior (o que sinceramente não costumo ver nas peregrinações a Fátima). Uma paz, um despojamento, uma alegria, um encontrar o caminho. Não o caminho físico, não o caminho da estrada, mas o seu caminho pessoal.

Eu também quero conhecer esta sensação, espero um dia fazer este caminho, ir de Santiago de Compostela a pé até ao Cabo Finisterra, adorar o Sol, as árvores, as pedras, o mar, a natureza e sentir-me mais confortada espiritualmente. Cada um pode encontrar na peregrinação e nas caminhadas as suas respostas, umas mais próximas das religiões existentes, outras mais relacionadas com a natureza, mas o que no fundo importa é encontrarmos a nós mesmos e encontrarmos as nossas respostas. A caminhada e a contemplação da natureza são a forma mais fácil de o fazer, pelo menos é o que penso.

Um poema do espanhol António Machado (ver completo aqui)

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar


Por acaso gosto mais da versão original

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

E é mesmo esta a perspectiva, a questão não é o caminho físico, mas é ao caminhar que encontramos o nosso ser, é uma busca espiritual. Caminhar é um encontro connosco, é esquecer o mundo, com o único objectivo de andar e de descobrir um novo mundo invisível aos outros, o nosso mundo interior.


O Cabo Finisterra
Imagem própria

O grande motivo pelo qual não pode fazer neste momento da minha vida o caminho a pé, mas espero conseguir passar-lhe o gosto pelo caminhar.

Eu e o meu bebé no km 0 dos caminhos de Santiago
Imagem própria

E como não poderia deixar de ser. O que há no cabo Finisterra? Isso mesmo, contentores decentes de reciclagem, na questão do lixo, a Galiza tem nota máxima, tudo limpo, imensos caixotes de reciclagem, uma verdadeira alegria para os meus olhos.

Imagem própria

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Incêndios florestais - uma dura realidade para o ambiente

Estava à procura de informação sobre os impactes dos incêndios florestais no ambiente e não sabia muito bem o que publicar. Basicamente os impactes no ambiente são a perda da fauna e da flora, ou seja da biodiversidade (perda e alteração de habitats para as espécies sobreviventes), o empobrecimento do solo (e sua consequente erosão) e as elevadas emissões de CO2. A juntar aos impactes ambientais, estão também os impactes sociais e económicos.

O ambiente, a sociedade e a economia são ainda mais afectados quando os incêndios, além de florestais, passam para áreas urbanas. A nível ambiental podemos calcular como as emissões de CO2 são ainda mais prejudiciais quando estamos a falar da quantidade de produtos tóxicos, plásticos, resíduos, borrachas entre outros produtos que ardem em meios urbanos.

Mas estava aqui a pesquisar e praticamente já sem vontade de fazer esta publicação, uma vez que acho que não ia trazer nada de novo, quando encontrei esta imagem. A qual explica a sucessão ecológica após um evento que reduz a fauna e/ou a flora de determinada área. Neste caso, a imagem mostra mesmo a questão de um incêndio, como se pode verificar, as condições de partida vão ser repostas, a questão é: Quando?

Isto se fosse uma sucessão natural, sabemos que em muitos casos, certos tipos de matas acabam por ser depois substituidas por outro tipo de vegetação por intervenção humana.


Imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Secondary_succession

Um problema ambiental, social e económico que todos os anos é uma realidade no nosso país, algo que me faz uma enorme confusão. Afinal, acho que por mais que a culpa seja muitas vezes de incendiários, a culpa tem uma base mais ampla. No meu entender, a falta de limpeza de áreas florestais, os problemas relativos ao ordenamento do território (ou será ao desordenamento?), a falta de meios de prevenção, supervisão e acção (estes termos foram escolhidos por mim) e um corpo de bombeiros que é em grande parte voluntário (não consigo entender, enalteço o seu trabalho, mas acho que todos os bombeiros deviam ser profissionais).

É demasiado triste, todos os Verões assistirmos a esta destruição com diversas implicações. As quais marcam a paisagem, a biodiversidade, a vida de diversas pessoas, a agricultura e a economia local. E o que este ano senti mais, a qualidade do ar. A semana passada, num dos piores dias, estava em Lisboa, não se via nenhum incêndio, mas mal se conseguia respirar, parece que foi assim em todo o país.

A dimensão dos incêndios é tão elevada que se podem ver do espaço, podem ler mais em Portugal a arder. O mapa "negro" dos incêndios visto do espaço.

Imagem retirada de https://www.noticiasaominuto.com/pais/636047/portugal-a-arder-o-mapa-negro-dos-incendios-visto-do-espaco
 

sábado, 9 de julho de 2016

Na minha rua... o caixote de lixo indiferenciado

Tenho andado um bocadinho intermitente aqui no blogue, infelizmente tenho menos tempo para escrever do que aquilo que gostaria. Tenho imensas ideias, mas é difícil escrever tudo.

Hoje quero simplesmente partilhar convosco a lixeira que é a minha rua (no Monte de Caparica). Já não é a primeira vez que falo no assunto, mas quero que conheçam o estado habitual do caixote de lixo indiferenciado que tenho mais perto da minha residência.

Imagem própria

A questão é: mora pouca gente na rua, mas o caixote está sempre cheio de móveis. Como não me parece que os poucos vizinhos que tenho estejam sempre a mudar de mobília, nem esteja sempre a mudar de vizinhos (embora mudem diversas vezes), pergunto-me se este parece ser o melhor caixote da vila para virem descarregar lixo. É que podia dizer que é poucas vezes recolhido pelos serviços municipais (podia ser mais), mas nem é por aí, diariamente é um local de descarga de lixo. Ainda para mais ao lado da Junta de Freguesia. Não há vergonha.

Como se pode ver, grande parte da rua é descampado, o que faz com que depois o lixo fique durante imenso tempo por ali. Por exemplo, uma parte de uma cadeira no meio da vegetação.

Imagem própria

Há coisas que sinceramente ainda me custam a compreender. E grande parte das vezes as mobílias não me parecem de má qualidade. Será que só eu, das vezes que mudei de casa é que nunca mandei nada fora, mesmo quando não queríamos determinada coisa, havia sempre a mãe da prima do tio do irmão que precisava.

Pergunto-me ainda se as pessoas gostam de ver assim as ruas. Afinal o espaço público é de todos e deve ser bem cuidado por cada cidadão.

Se alguém quiser partilhar verdadeiros problemas relativos ao lixo aqui no blogue, envie-me as fotografias e um pequeno texto com os detalhes da coisa. Terei todo o gosto em publicar, as lixeiras que povoam as nossas cidades, vilas e aldeias.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Solstício de Verão

Hoje é um dia muito importante, afinal hoje é dia de Solstício de Verão, é o "maior" dia do ano no hemisfério Norte que corresponde ao início de Verão. Neste dia, no círculo polar Ártico as 24 horas do dia são todas dia, ou seja com claridade. Por sua vez, no hemisfério Sul, hoje comemora-se o Solstício de Inverno, o que significa que no círculo polar Antártico, as 24 horas de um dia são todas noite. Eu sei que já sabiam isto, mas queria partilhar convosco como o dia de Solstício de Verão é para mim um dos mais importantes do ano.

E deixo uma fotografia que tirei há dois anos no dia do Solstício de Verão que nesse ano, por acaso foi dia 21 de Junho. Eram quase 22 horas quando tirei esta fotografia.

Imagem própria

sábado, 4 de junho de 2016

Chernobyl e a vida selvagem

Já se passaram 30 anos desde o desastre nuclear de Chernobyl, acontecimento marcante do meu ano de nascimento. Tão marcante que anos mais tarde percebi que a minha Tia Laura (a mesma que me fazia Coca-Cola caseira) tinha medo que o meu crescimento e desenvolvimento fosse afectado pelas radiações da central, muito provavelmente o medo devia-se a não fazer a mínima ideia onde ficava a Ucrânia.

Mas passando à frente, o que é hoje Chernobyl? Inesperadamente, a área à volta da central tornou-se num local de vida animal selvagem (podem ver a notícia). A questão é fácil de explicar, é que embora a área tenha elevados níveis de radiação, os animais estão protegidos da sua maior ameaça, o ser humano. Ali, não existe quem lhes destrua o habitat, nem caçadores prontos para os matar.

A concentração de radiação é elevada, mas como sempre a natureza adaptou-se. Isto faz-me lembrar quando visitei as Minas de São Domingos, perto de Mértola (podem conhecer aqui a história) onde conclui que aos poucos a natureza adapta-se mesmo a tudo. Bem a tudo, talvez não, acho que nunca se vai adaptar a nós, seres humanos e às nossas acções diárias de destruição, mas quando nos afastamos a natureza segue o seu rumo.

Imagem retirada de http://www.jn.pt/mundo/galerias/interior/chernobyl-e-reserva-inesperada-de-vida-selvagem-5142567.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

Imagem retirada de http://www.jn.pt/mundo/galerias/interior/chernobyl-e-reserva-inesperada-de-vida-selvagem-5142567.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter


Por esta mesma razão, o meu marido tem uma posição muito mais pragmática do que eu. Acha que destruirmos a natureza a nível global, não trará grande mal ao mundo porque significa que vamos extinguir a nossa espécie e quando isso acontecer todas as outras espécies (as sobreviventes) conseguir-se-ão adaptar. Basicamente, ele quase que diz que nós é que estamos cá a mais. Eu, talvez por me recusar a pensar que um dia nos vamos extinguir, acho que temos mesmo é que mudar de padrão comportamental. Mas acho que a longo prazo o que vai acontecer é mesmo a nossa extinção, as espécies que ainda existirem depois poderão ser livres.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Um pequenino passo para a sustentabilidade

Imagem própria

Não sei se já alguma vez disse, mas eu não gosto muito de conduzir (muito menos de estacionar), pode parecer estranho porque desde que tenho carta que faço viagens longas, mas nesse caso conduzir é uma necessidade. Mas gostar, não gosto... No dia a dia prefiro muito mais andar a pé ou de transportes públicos (bem com excepção dos autocarros da TST), mas desde que fui mãe que praticamente andava de carro ou a pé. A primeira vez que o Luís andou de transportes públicos foi no dia que fez quatro meses, mas continuei a deslocar-me sobretudo de carro.

Basicamente só há um sítio onde vou regularmente com o Luís que é ao babyoga e desde o início que eu queria ir de metro (de superfície). Mas primeiro ele era muito pequeno, depois foram muitos dias de chuva e o babyoga já acabava de noite. Isto tudo fazia com que adiasse as nossas viagens em transportes públicos.

Mas estação a estação e desde da última 4ª feira que vamos juntinhos, agarradinhos no metro. E a verdade é que ele gosta mais, vai ao lado da mãe, em vez de ir sozinho no banco de trás do carro. Gosta mais ele, gosto mais eu e diminuímos as emissões de poluentes.

Para finalizar, só referir que já pensei ir com o Luís de transportes públicos para Lisboa, mas infelizmente ainda é difícil deslocar-me com o carrinho, uma vez que muitas estações do metro de Lisboa só tem acesso por escadas. A outra solução é levá-lo no marsúpio como faço para o babyoga, mas isso é difícil quando tenho de levar imensas coisas, o meu 1,50m de altura não aguenta milhares de coisas em cima.

Infelizmente, a acessibilidade para todos, ainda é uma mentira em muitas infra-estruturas de transportes públicos.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Festival do Almeirão

Amanhã realiza-se o III Festival do Almeirão na aldeia da Venda da Luísa, concelho de Condeixa-a-Nova. Eu nunca tinha ouvido falar de almeirões até conhecer o meu marido. Não que ele os coma, mas porque é típico comer-se na terra dele (acima mencionada).

almeirão é segundo a Wikipédia, uma variedade de chicória comum. Os almeirões consumidos na terra dele são bravos, crescem pelos campos, em lugares com bastante água. Antigamente eram consumidos habitualmente, pois sendo uma planta brava, crescia em qualquer lugar e eram facilmente apanhados, algo excelente para pessoas que pouco tinham o que comer. Naquele tempo eram quase todas as pessoas.

O almeirão tem um sabor meio amargo, embora não fosse uma erva que eu gostasse de comer diariamente, é saborosa. E pelos vistos antigamente era mesmo bastante consumida, uma vez contei a uma tia-avó com mais de 80 anos que na terra do meu marido comiam almeirões e perguntei-lhe se conhecia. Ela disse que sim, que antigamente se comia muito, no tempo que não havia mais nada que comer. Mas a verdade é que na terra dele nunca se deixou de consumir.

Além da parte histórica, o almeirão é saudável (bem haverá algum vegetal que não seja?), segundo este link, esta planta é rica em fibras, proteínas, potássio, cálcio, fósforo, ferro, zinco, manganês, magnésio e vitaminas A, B1, B2, B3 e C.

Imagem retirada de http://www.cm-condeixa.pt/autarquia/eventos/evento.php?id=918

Sei que estou a anunciar o evento já depois das inscrições estarem fechadas, mas acho que ainda devem existir uns lugares livres. De qualquer forma fica apenas a mensagem sobre esta planta algo desconhecida.

E por falar em plantas desconhecidas, as quais muitas vezes nascem em sítio onde podem ser colhidas livremente. Actualmente, o nosso desconhecimento sobre plantas é elevado, o que faz com que sejamos demasiado dependentes do comércio. Mas no fundo, quantas plantas comestíveis existiram que nós nem conhecemos?

E vou contar-vos uma história, há uns anos o meu marido tinha semeado na horta agriões. Eu sabia onde ele os tinha semeado, mas sinceramente não sabia muito bem reconhecer os agriões, então colhi a erva que lá estava. E fiz uma bela sopa e digo-vos que não estava má. O meu pai disse que não sabia a agrião, mas comeu-a. Afinal, fiz sopa de uma erva qualquer que cresce lá pelo quintal, eu não sei o que é, mas até era boa. E não nos fez mal. Se calhar muitas plantas que não comemos davam umas belas sopas, já pensaram nisso?

E só para terminar, aqui ficam alguns dos almeirões que se preparam para o festival de amanhã, colhidos e prontos a cozinhar.

Imagem própria

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Rio Tua


Se estão contra a barragem do rio Tua, se ainda acreditam que o futuro pode ser sem esta construção, enviem uma carta à Unesco. A não construção da barragem é um bem para o ambiente, para a cultura e para a identidade local.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Aljezur, a terra da batata-doce

Fomos passar uns dias a Lagos e estava a falar com a minha família algarvia sobre a introdução de sólidos na alimentação do bebé e todos foram unânimes em que devia fazer sopa com batata-doce em vez da batata normal. Os bebés gostam mais facilmente de batata-doce e é mais saudável. Referi que nesta altura do ano só encontro no supermercado batata-doce importada e caríssima. A última que vi era importada dos Estados Unidos da América e custava 2,20€/kg. A minha tia disse-me logo para parar em Aljezur para comprar batata-doce que é excelente. E foi isso mesmo que fiz, à vinda para casa parei em Aljezur e comprei batata-doce, no entanto como ainda não sei quando vou começar a dar sopa ao Luís, acho que quem vai comer a batata-doce somos nós (já não sobram muitas).

As batatas-doce que comprei
Imagem própria

A batata-doce de Aljezur é um Produto com Indicação Geográfica Protegida atribuída pela União Europeia e pode ser encontrada entre Novembro e Abril. A batata-doce é uma excelente alternativa à batata comum. Cá em casa, por vezes, quando assamos no forno, misturamos as duas. Costumamos comer batata-doce como acompanhamento de frango assado no forno, hoje para variar fiz misturada com cenoura a acompanhar salmão no forno.

Além do excelente sabor, esta batata é muito saudável (se não a comerem frita, claro está):


  • Baixo índice glicémico;  
  • Ajuda a controlar a diabetes;  
  • Auxilia no emagrecimento;  
  • Reduz o colesterol;  
  • Regula a pressão arterial;
  • Fortalece o sistema imunológico;
  • Fonte de ferro, cálcio, vitamina A, C e E;
  • Fonte de carboidrato;
  • Auxilia na formação de colágeno;
  • Ajuda a prevenir a anemia. 


















Desta forma, quando vínhamos para casa, parámos no mercado de Aljezur para comprar as maravilhosas batatas-doce, aproveitamos também para comprar laranjas e figos secos, tudo coisas bem algarvias (já devo ter dito algures que gosto de comprar produtos regionais). E queria só mencionar mais uma coisa, a senhora que nos vendeu estes produtos era estrangeira, da Europa Central e eu como adoro estas coisas de imigração e estilos de vida alternativos à sociedade, lembrei-me logo desta reportagem que tinha lido há tempo sobre Aljezur.

Para finalizar, se passarem em Aljezur como nem só de comida nos alimentamos, visitem a praia da Amoreira, acho que não se vão arrepender. 

Imagem retirada de http://blog.turismodoalgarve.pt/2012/01/1001-praias-praia-da-amoreira.html

Comprar nacional, não ajuda apenas a economia, é também mais sustentável.

Agora tenho é de esperar que o meu pai vá ao Algarve para me trazer mais batata-doce.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Um passeio pela Arriba Fóssil

Faz hoje um ano que eu soube que estava grávida, foi um dia muito emocionante como devem calcular. Mas no dia a seguir, eu tinha combinado ir fazer uma caminhada, ainda ponderei se devia ou não ir, mas fui, afinal andar uns quilómetros não havia de fazer mal à criança. Até porque ainda uns dias antes, tinha subido ao Castelos dos Mouros a pé.

Então a caminhada consistia em sair da Fonte da Telha (assinalado como 1), concelho de Almada e ir até à Lagoa de Albufeira (assinalado como 2), concelho de Sesimbra. Para lá como era de manhã cedo íamos pela praia, para cá já depois do almoço vínhamos pela Mata dos Medos.



Imagem retirada de www.google.pt/maps

Foi uma caminhada muito agradável e fácil de fazer, faz bem ao espírito e ao corpo. Neste momento, com um bebé pequeno não me vou meter em longas caminhadas, mas espero retomar este hobby. Para vos deixar com vontade de também fazerem esta caminhada, ficam aqui várias fotografias, afinal o paraíso pode estar bem perto de nós, não acham? Apenas temos de o querer conhecer.

Além do mais esta arriba é a única arriba fóssil em Portugal, vale a pena descobri-la. Não é por acaso que o passeio da cadeira de geomorfologia era na Península de Setúbal e começava exactamente com o conhecimento da Arriba Fóssil da Costa da Caparica. Agora que me lembro, tive uma óptima nota no teste sobre a geomorfologia da Península de Setúbal, porque será?

Imagem própria

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Aquela ali de camisola roxa e calças brancas sou eu, Sónia grávida a escalar arribas
Imagem própria

Este percurso não é possível de fazer de carro, por isso para conhecê-lo só pelos nossos próprios meios, mas juro que não se vão arrepender. Pelo caminho, infelizmente encontramos muitos resíduos, plásticos mais que muitos, eu fiz a minha parte e apanhei imensas tampinhas.

sábado, 12 de março de 2016

Casas de banho públicas, uma miragem

Alguém ainda se lembra de ir às casas de banho que eram guardadas por uma pessoa que nos dava uns quadradinhos de papel higiénico? Não eram de pagamento obrigatório, mas as pessoas davam sempre qualquer coisa à pessoa que cuidava da casa de banho. Eu lembro-me de ir a uma no Cais do Sodré, em Lisboa.

No outro dia, li esta notícia Estação Roma/Areeiro não tem casas-de-banho e está cheia de ratos, o que me fez relembrar deste problema. Não existem casas de banho públicas em grande parte de Portugal, destaco, claro, Lisboa. Primeiro, destaco-a porque é a cidade onde passo grande parte da minha vida, em segundo lugar destaco porque é a capital do país. Não existirem casas de banho públicas é vergonhoso para os cidadãos nacionais que pagam os seus impostos e também o é para os turistas. Afinal queremos projectar Portugal e Lisboa como óptimos destinos de férias, e depois, não existem sítios para urinar e defecar.

No entanto, quero também destacar o facto de em diversas aldeias, vilas e cidades pequenas portuguesas existirem casas de banho públicas em quantidade suficiente. Adoro ir a Góis e ir a uma casa de banho sem ser obrigada a beber um café ou a pedir se posso utilizá-la.

Mas voltando à inexistência de casas de banho públicas, em Lisboa não há que pertençam à Câmara Municipal (não quer dizer que não exista uma ou outra), não existindo também muitas vezes nas infra-estruturas de acesso público como é o caso das estações de transportes públicos. Uma pessoa está normalmente condenada a ir à casa de banho de um café, tendo de consumir (sim porque os cafés estão abertos para fazer negócio, não para fazer serviço público).

Em algumas infra-estruturas de transportes existem casas de banho pagas e eu até concordo que se pague. Mas para mim, pagar 1€ ou 0,50€ para ir à casa de banho num país cujo ordenado mínimo de situa por volta dos 500€ é um exagero. Lembro-me de ter ido à República Checa e na altura pagava-se em todas as casas-de-banho (até nos centros comerciais), mas era um valor simbólico, daria cerca de 0,20€ ou 0,10€. Bem era simbólico para mim, não sei quanto era o ordenado mínimo deles na altura.

Mas o que eu quero dizer é, por favor façam casas de banho públicas, mesmo que sejam a pagar, mas não queiram enriquecer com os xixis e cocós dos outros.

E agora vou contar duas histórias sobre a inexistência de casas de banho.



História número 1, a história dos outros


Há uns tempos estava eu à espera do metro na Estação do Oriente, em Lisboa, estava já na plataforma, quando uma senhora com uma criança de uns três anos aproximou-se de mim a perguntar-me onde era a casa de banho. Disse-lhe que ali não existia, que teria de sair, o que faria com que depois tivesse de comprar novo bilhete, mas que mesmo assim, eu não tinha a certeza se a estação do metro tinha casa de banho. Mas bem eu lá lhe disse que se a estação de metro não tivesse, que achava que a do comboio tinha, pelo menos no Centro Comercial Vasco da Gama havia de certeza. No entanto, acho que a senhora não quis perder o dinheiro que já tinha gasto nos bilhetes e lá disse ao menino que ele tinha de aguentar até a Ameixoeira. "Possa!", pensei eu, do Oriente até a Ameixoeira ainda é bastante e as crianças não costumam aguentar.


História número 2, a minha história


O Verão passado fui assistir a um concerto das Festas de Lisboa, na Praça do Comércio, como estava grávida achámos que era mais fácil ir de barco até ao Cais do Sodré e depois era só um bocadinho a pé, do que ir de carro e deixá-lo longe (porque não queremos pagar um dinheirão por parques, claro está). Lá fui de barco, vimos o concerto, tudo muito bem, voltámos para apanhar o barco para Cacilhas e fiquei com vontade de fazer xixi e uma grávida quando tem vontade não aguenta, pelo menos não aguenta tanto. Aquela hora não há tantos barcos, por isso tínhamos de esperar ainda uma meia-hora e eu aflita. As casas de banho da estação dos barcos, as quais são pagas, estavam fechadas. Sim, a estação está aberta, mas fecham as casas de banho. Então fui à estação dos comboios, e não é que as casas de banho também estavam fechadas (não sei se estas são a pagar ou não). Ou seja devia ser 1 hora, os barcos e os comboios estavam a funcionar, mas as casas de banho não. Obviamente aquela hora também já não há cafés onde ir, há bares, mas eu não ia a um bar de propósito para ir à casa de banho. Então esperei pelo barco, afinal no barco há casas de banho e foi uma experiência inesquecível. Acho que nunca tinha ido à casa de banho de um cacilheiro. Quando entrei no barco fui logo direita à casa de banho, no sítio propriamente dito onde está a sanita não havia luz e o autoclismo não funcionava. Saí, fui lavar as mãos, claro que não havia água, e obviamente também não havia sabão (diga-se passagem que sem água, não precisava de sabão para nada). Aquele barco estava cheio de gente (que também tinham ido para a festa) e quando saí da casa de banho já não havia lugares sem ser ali, sentámos-nos ali perto. Quando o barco atraca, quem anda de cacilheiro sabe como eles costumam bater bem na muralha, só vejo a sair da casa de banho um líquido (pensei escrever água, mas acho que não era água) e um cheiro a urina por todo o lado. Umas raparigas, coitadas, tinham encostados ali uns sacos, não sei se não terão ficado molhados. É sempre agradável saber que a minha urina estava por ali. Decidi que nunca mais vou à casa de banho de um cacilheiro, a não ser que esteja aflita e grávida.



Mas não sejamos ingratos, sim não podemos ser, Lisboa tem poucas casas de banho públicas, mas tem a casa de banho pública mais sexy do mundo. Isso mesmo, na Praça do Comércio, a The Sexiest WC on Earth.

Epá, eu sei que acabei de reclamar das condições da casa de banho do cacilheiro, mas eu não preciso de ir à casa de banho mais sensual do mundo e pagar 1€ (se bem que não tenho nada contra a existência desta casa de banho, sobretudo se quem a fez foi a Renova), mas chega a ser ridículo que uma cidade que mal tem casas de banho públicas, depois tenha aquela a que chama a mais sexy do mundo. Acho que isto é muito espírito português, achamos que devemos ter sempre coisas incríveis, quando se calhar era melhor termos simplesmente coisas funcionais que cumprissem as necessidades. Mas bem, pelo menos assim com esta ideia de casa de banho da Renova, sempre há uma alternativa, embora não para pessoas que tenham pouco dinheiro.

Mas afinal o que é que eu acho que faria sentido? Equipar os municípios com casas de banho públicas, a distância a que estariam umas das outras e a sua localização dependem claro da densidade e características dos municípios. Mas certamente que algumas esquinas deixariam de cheirar tanto a urina, os cidadãos ficariam mais contentes e os donos dos cafés também. Afinal, os nossos impostos são para melhorar a nossa vida ou não? E já agora infra-estruturas de transportes públicos deviam ser obrigadas a ter casas de banho a funcionar desde que haja transportes em circulação. E para terminar, os transportes públicos também deviam ter casas de banho decentes.

Agradecíamos nós, e certamente que os turistas também. Afinal do que vale ganhar tantos prémios de turismo, se depois, Lisboa nem consegue satisfazer uma das necessidades mais básicas do ser humano.

Uma vez um amigo disse-me que havia um urinol público nos Olivais, Lisboa, procurei imagens, mas apenas encontrei este desenho
Imagem retirada de http://retratoserabiscos.blogspot.pt/2011_05_01_archive.html

sábado, 5 de março de 2016

Uma ida à reciclagem e lixo por todo o lado

Estava preparada para ir à reciclagem quando ao longe vi o camião ao lado do ecoponto a descarregar os resíduos dos contentores. Fiquei toda contente, afinal ia ter um ecoponto vazio só para mim. Sim que às vezes tenho de andar à guerra com as embalagens para as conseguir enfiar lá dentro. Aqui perto de casa tenho aqueles contentores mais comuns de reciclagem, aqueles que são móveis e tenho os contentores tipo moloks. Posso dizer-vos que quando puseram este tipo de contentores fiquei imensamente feliz.

Imagem retirada de http://www.completesiteservices.ca/moloks.html

Os que existem cá na rua não são da marca molok, mas são do mesmo tipo. Em termos urbanísticos são muito melhores, enquadram-se melhor com a envolvente, tendo uma capacidade de armazenamento muito maior (o que seria ainda melhor se as pessoas não os entupissem). Além disso, são bastante melhores em termos de higiene, afinal os resíduos estão lá no fundo enterrados, sem mau cheiro.

Mas voltando à minha ida à reciclagem, quando lá cheguei eram papéis espalhados por todo o lado, assim uma coisa por demais. Dava para perceber que tinham caído dos contentores quando estavam a ser despejados. Quer dizer estamos a separar para depois o lixo acabar no chão na mesma, que desilusão. Já não basta o lixo que anda sempre por aqui, do qual já falei nesta publicação, também o que foi cuidadosamente separado tem o mesmo fim. Já enviei email à Amarsul a dar conta do meu desagrado, mas acho que não terei resposta.

Isto fez lembrar-me de uma situação concreta, há uns anos estava a trabalhar na área ambiental e fui visitar uma estação de triagem de resíduos, a qual se situava perto de umas vinhas. Estas estavam cheias de plásticos, o responsável da estação disse-nos que era assim, às vezes os plásticos voavam para lá. Por esse motivo, volta e meia tinham de ir limpar as vinhas. E os plásticos que eles não apanhavam? Se calhar, a estrutura física da estação é que devia ter outras condições, digo eu.

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