Mostrar mensagens com a etiqueta Resíduos Urbanos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Resíduos Urbanos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Natal de luxo, Natal de lixo

Não podia deixar de partilhar isto, esta notícia sobre o lixo londrino no Natal é realmente tudo o que eu quero dizer com o título deste blogue: Tanto lixo, tanto luxo. Eu bem sei que no Natal se faz muito lixo (como se vê nesta notícia espanhola), mas eu penso sempre em muito lixo como muitas embalagens, comida deitada fora, não que isto não seja mau, é, mas afinal pode ser muito pior. Em Londres e provavelmente em muitos outros sítios do mundo, nesta época de PAZ e AMOR foram encontrados dezenas de electrodomésticos novos, intactos, bem como brinquedos. Não consigo achar normal. Se as pessoas querem ser consumistas que sejam, mas ao menos que usem os bens de consumo. Se não usam tentem dar-lhe novos usos, deem a quem precisa.

Que sociedade esta da acumulação exagerada. Horas e horas passadas a comprar presentes de Natal para no fim deitar tudo fora. Será isto o Natal?

Bem me podiam ter dado todas estas coisas a mim, acho que fariam sucesso numa quermesse em Agosto. Numa quermesse bem perto de si.

Imagem retirada de http://www.dailymail.co.uk/news/article-3380466/From-new-iPads-working-wide-screen-TVs-hairdryers-wrapping-shocking-waste-thrown-rubbish-dumps-post-Christmas-clear-out.html

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O lixo, a sombra e as luzes

A primeira vez que vi esta imagem foi numa aula da cadeira de Técnicas e Instrumentos de Urbanismo e Planeamento. O professor gostava de mostrar-nos imagens diferentes que captassem a nossa atenção e esta imagem ficou-me gravada na mente.

Imagem retirada de http://www.coletivoverde.com.br/sombras-do-lixo/
Neste link podemos ver outras obras dos mesmos autores, Tim Noble e Sue Webster, os quais através de lixo e de projecções de luzes criaram estas obras de arte.

A arte tem o significado para quem a faz e o significado para quem a vê. E nesta imagem que já me acompanha há oito anos posso apenas referir o sentido que eu lhe encontro. A mim transmite-me a sensação como as coisas que nos parecem inúteis, verdadeiro lixo, podem ter uma vida nova e o prazer e as boas sensações que isso nos pode dar.

Claro que cada um entenderá à sua maneira.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cartazes partidários - poluição visual?

Faz hoje um mês que foram as eleições legislativas e não vale a pena falar aqui dos resultados, do suposto governo, da oposição ou do discurso do "nosso" querido líder. Tenho as minha opções bem definidas e bem pensadas.

O que eu quero falar é do lixo da campanha política, a quantidade de cartazes espalhados por todo o lado. E não estou a falar dos grandes outdoords, esses gostemos mais ou menos, estão lá quietos. Estou a falar daqueles que se colocam nos postes das ruas. Aqueles pequenos e frágeis que voam por todo o lado.

E há um partido que adora colocar esses cartazes, pelo menos aqui no município de Almada é poste sim, poste sim. Tantos que antes das eleições numa avenida contei mais de cinquenta cartazes. Normalmente colocam os cartazes e depois ficam durante meses e meses, para não falar anos, à espera que o vento os leve. Foi por este motivo que passado uma semana mais ou menos das eleições decidi enviar um email a este partido (com o qual tenho de referir que até compartilho diversas ideias) a dizer que acho que deviam proceder a uma limpeza, retirando os seus cartazes de forma a não andarem a voar por aí. O que sobretudo em sítios perto de rios e mar, eu vivo numa freguesia banhada pelo rio Tejo e o oceano Atlântico podem ter um destino não muito saudável. E se eles até se preocupam com o ambiente devem ter isso em consideração.

Como seria de esperar até hoje não tive qualquer resposta. E verdade seja dita, acho que não vou ter. Todavia, aqui à volta da minha casa desapareceram todos os cartazes desse partido. Como ultimamente a minha condição de grávida em fim de tempo me deixa algo limitada, não tenho visto se ainda se encontram muitos cartazes pelas nossas ruas. Será que decidiram limpar as ruas, retirando os cartazes? Se sim, fico imensamente contente. Será que simplesmente foi o vento forte de alguns dias que levou os cartazes para outro qualquer sítio? Nomeadamente para o rio e para o mar?

Imagem meramente ilustrativa de cartazes políticos da década de 70
Imagem retirada de https://pedromarquesdg.wordpress.com/category/cartazes/
Mas vamos ser sinceros tantos cartazes espalhados pelas ruas, além dos problemas de não serem retirados são cá uma poluição visual. E será que ter muitos cartazes vai influenciar os votos?

domingo, 1 de novembro de 2015

Lixo: compensação ou punição monetária

A realidade nua e crua é que poucas pessoas se preocupam com os resíduos que fazem. Muitas não se preocupam por falta de conhecimento, não sabem os problemas que advém dos resíduos. Problemas ambientais e as consequências nos diversos ecossistemas, incluindo o nosso e a nossa saúde. Outras pessoas até sabem, mas pouco se importam.

Por isso para mim, o sistema de recolha de lixo devia apelar ao que todos se preocupam, que é ao dinheiro. Sim é isso, se os argumentos relativos ao planeta, ao ambiente, à saúde não são suficientes, o dinheiro fala quase sempre mais alto, infelizmente. A ideia de reduzir, reutilizar e reciclar teria mais adeptos se existisse alguma compensação ou punição relativa ao lixo produzido.

Tem circulado muito pelo facebook, um vídeo sobre as máquinas onde as pessoas trocam garrafas vazias por dinheiro. Este sistema é amplamente utilizado em diversos países europeus, quer através de máquinas, quer de pessoas em supermercados a receberem as garrafas. Faz-me lembrar o tempo em que quase todas as garrafas tinham tara recuperável e as pessoas levavam-nas para o supermercado. Mas porque é que deixaram quase de fazer garrafas com tara recuperável? Não eram garrafas muito mais amigas do ambiente? Sim eram. Mas convenceram as pessoas que a solução é reciclar, quando esta só devia ser a última solução, mas mesmo assim não obrigam ninguém a fazê-lo. Porquê? Porque não se instala um sistema decente.

O vídeo é este:


As pessoas põem as garrafas e recebem um vale para o supermercado. Segundo me disseram em alguns países mesmo que alguém deite uma garrafa no chão, há sempre quem a apanhe porque a pode trocar. As pessoas por dinheiro até apanham lixo, coisa que eu faço sem ser por dinheiro, se cá também pagassem acho que eu ainda apanharia mais. Sim o dinheiro também me faz falta para fazer o que eu gosto, coisas amigas do ambiente (quase sempre, na maioria das vezes pelo menos).

Isto é uma medida que compensa quem entrega os seus resíduos nos sítios correctos.

Mas também há medidas por punição, segundo me contaram na Holanda (pelo menos em algumas partes, não sei como funciona no país todo), as pessoas pagam o lixo indiferenciado ao quilograma. Por isso, tentam reduzir, reutilizar e reciclar tudo o que podem. Parece que o preço/kg por lixo indiferenciado não é assim tão barato quanto isso. Bem cá em Portugal, conhecendo as pessoas que conheço acho que começariam a mandar os sacos de lixo pela janela, por isso tinha de existir um belo sistema de fiscalização.

Mas na Holanda, a questão da cidadania é tão forte que parece que não passa pela cabeça de ninguém deixar lixo fora do sítio adequado ou deixar no caixote do vizinho, porque sabem que estão a prejudicar o país em geral ou o vizinho em particular. Nesta altura, acho que podia ser holandesa sem qualquer problema. Ainda pelo que me contaram, se alguém for apanhado a deixar lixo de qualquer tipo fora do sítio adequado apanha multas de milhares de euros (vejam só o que as autarquias portuguesas podiam ganhar). Em outros casos, há alguns tipos de lixo que ainda custam mais às pessoas, por exemplo, o lixo das fraldas descartáveis é caríssimo. Assim as pessoas são incentivadas a usar fraldas reutilizáveis. Se alguma fralda descartável for apanhada no lixo indiferenciado, a pessoa é multada. A questão das fraldas descartáveis terem este sistema é positivo por dois aspectos, por um lado incentiva as pessoas a utilizarem fraldas reutilizáveis, por outro lado as fraldas descartáveis têm um tratamento muito mais adequado, uma vez que são recolhidas de forma separada.

Parece ainda que em algumas autarquias holandesas, não sei se em todas mesmo, o lixo orgânico pode ser entregue para compostagem. Quem o entrega tem direito passado um tempo a uma belo composto para o seu jardim ou vasos. Isto não é excelente?

Isto parece um paraíso para os resíduos. A questão é que na Holanda quem não cumpre paga. E acho muito bem. É um sistema que funciona por punição, mas deve fazê-los pensar mais no seu consumo e consequentes resíduos.

A verdade é que nós também pagamos, na factura da água consta a taxa de resíduos urbanos (não tenho a certeza se é este o nome) que é indexada ao consumo da água. Isto não me parece muito lógico.

Afinal se eu faço comida em casa, se lavo a loiça, se vou ter um bebé que vai usar fraldas e toalhitas reutilizáveis vou usar mais água. Logo vou pagar mais resíduos que uma pessoa (usando um caso extremo) que compre comida pré-feita, use loiça descartavel, fraldas e toalhitas descartáveis. Quem faz mais lixo afinal?

As pessoas não se preocupam com os resíduos, nem com a sua correcta deposição, mas o nosso sistema também não ajuda. Se fossem implementadas medidas de compensação ou de punição pelo correcto/incorrecto depósito de resíduos, certamente não haveria tanto lixo espalhado por todo o lado.

As pessoas devem perceber o problema e quererem mudar pelo bem comum. Mas quando isso não acontece acho que devia haver políticas e iniciativas bem mais específicas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O mar menos azul

Na postagem O lixo voador falei ligeiramente sobre as ilhas de plástico que existem nos oceanos, plásticos esses que matam todos os anos imensos animais. Agora encontrei esta imagem, a qual acho que consegue ser bastante poderosa.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/EcoInventos/photos/a.307289655972968.62491.207354825966452/891916637510264/?type=3&theater

E lembrei-me deste vídeo que é tocante.



No dia que esteve muito mau tempo, de tal forma que cá em casa partiu-se a estrutura onde costumo estacionar o carro e umas pernadas da anoneira, a entrada do portão ficou inundada de folhas secas e plásticos. A rua já não escoava a água da chuva, o meu pai foi limpar a entrada, apanhou aquilo tudo e pôs no lixo comum. Claro que o ideal teria sido separar, mas era o lixo que as pessoas deixam pela rua, que a junta de freguesia raramente limpa e estava um mau tempo terrível. Fiquei toda contente, porque ele ao menos decidiu deixá-lo no lixo e não simplesmente afastar da frente da nossa casa para outro sítio qualquer como muita gente faz.

Pôr plásticos no lixo comum não é a melhor solução, mas se acham todo o processo de reduzir, reutilizar e reciclar um disparate, deixem o lixo no contentor. Agradece a nossa saúde, a dos animais, agradece o ambiente em geral.


domingo, 25 de outubro de 2015

Os resíduos falam comigo

Imagem própria
A prova como os resíduos confiam em mim. Chego a um sítio e uma garrafa fala comigo.

"Salva-me! Help! SOS!
Se não me resgatares a tempo, o André põe-me no lixo indiferenciado"

Ou então é a prova que os meus amigos acham que eu sou louca, mas não me importo.
Obviamente resgatei a pobre garrafa e deixei-a no vidrão.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Onde deitar os cabelos?

Lembro-me de ser pequena, vivia num apartamento e a minha mãe deitava os cabelos na sanita e mesmo algum lixo que varria, o pó e tal, só de pensar... Sim naquele tempo não havia ETAR, apenas esgoto, mas ainda me lembro do cheiro que vinha no Tejo quando a maré estava baixa, nós vivíamos na Amora mesmo junto à baía. Via-se aquele lodo e provavelmente os nossos cabelos e toda a outra porcaria ali e o cheiro horrível.

Agora quando existe sistema de ligação aos esgotos, o que deitamos pela sanita já não vai parar assim ao rio, vai para uma ETAR, mas nem por isso a coisa melhora muito. Se temos fossa séptica, se houver alguma fuga, tudo vai ser absorvido pelo solo. Os cabelos e outro lixo vão entupir os esgotos e dificultar o tratamento das águas residuais nas ETARs. Isto já para não falar de outras coisas como tampões, pensos higiénicos, preservativos, às vezes até me custa a entender como alguém é capaz de deixar estas coisas na sanita. Muitas vezes, os grandes problemas das água residuais não são os nossos dejectos (aliás estes até podem ser decompostos e reutilizados, existem sanitas secas, acho a ideia bestial), mas o resto de coisas que deitamos para a sanita, incluindo os detergentes que prejudicam bastante o tratamento das água.

Só por curiosidade, aqui fica um sistema de sanita seca.



Imagem retirada de http://gaia.org.pt/node/16004

Por causa destas coisas, comecei a dizer à minha mãe que mais valia pôr os cabelos, bem como o lixo do chão, no caixote do lixo indiferenciado. Actualmente, como já referi noutras postagens, muito raramente despeje o lixo que varro no lixo indiferenciado, costumo deitá-lo nos canteiros (retirando, claro, alguma coisa que não seja biodegradável).

Mas continuava a tirar o cabelo da minha escova e a deitá-lo no caixote do lixo. Mas também me deixei disso. Agora quando limpo a escova vou enterrar o meu cabelo no canteiro das hortenses. O cabelo, tal como as unhas (ainda não me decidi a ir enterrá-las) são células mortas e quem é que come restos animais, as minhas amigas minhocas que já falei na postagem O café e as minhocas.

O cabelo, tanto o nosso como o dos animais é biodegradável como não poderia deixar de ser, por isso pode e deve ser deixado onde se degrade. Logo podem enterrá-lo num canteiro ou vaso ou deitá-lo na compostagem, caso façam. Se tiverem minhocas, elas agradecem e depois agradecemos nós o húmus. Deixo aqui este link, onde podem ver os alimentos preferidos das minhocas.

Claro que senão tiverem nenhuma destas soluções continuo a achar que é melhor pôr os cabelos para o lixo indiferenciado do que para a sanita. A possibilidade de entupir canos e deixar a água ainda mais suja parece-me pior, ao menos em aterro o cabelo sempre se vai degradando.

Para terminar, será que ter deixado de usar champoo com parabenos e essas coisas (Produtos de higiene e cosmética), a experiência está a correr muito bem, deixou o meu cabelo mais saboroso?

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Apanhar lixo do chão... nem sempre, nem nunca...

Há algum tempo, anos diria, que sou capaz de apanhar lixo dos outros. É algo nobre para com o ambiente. Salvar os resíduos que andam perdidos pelo mundo.

Mas se é verdade que sou adepta da ecologia, também sinto algum respeito por mim e algum nojo de certas coisas... diria que, apanho eventualmente algum lixo do chão, assim quando ninguém está a ver, quando estou ao lado de um caixote ou sei que vou passar ao lado de um caixote de lixo ou ecoponto. Por exemplo quando saiu de casa para apanhar o metro e obrigatoriamente passo pelo ecoponto. Mas não tenho por hábito encher a minha mochila de lixo dos outros, não chego a tanto, até porque já a encho com o meu próprio lixo.

Bem com excepção das tampinhas que apanho em qualquer lado, à frente de qualquer pessoa e ponho nos bolsos exteriores da mochila. Por são resíduos pequenos e além de terem como destino a reciclagem também são uma forma de solidariedade. Como expliquei na postagem Tampinhas.

Quando andava na escola primária, antes do início da época balnear, costumávamos ir nos autocarros da Câmara limpar as praias. Nós e os professores apanhávamos o lixo da praia, dado que tinha entre seis e dez anos não devíamos apanhar imenso lixo, mas acho que era uma boa iniciativa para nos sensibilizar. Não me lembro se na altura separávamos o lixo para a reciclagem ou se simplesmente o apanhávamos, já se passaram cerca de vinte anos, mas lembro-me de adorar aquela actividade. Talvez tenha sido aí que começou o meu fascínio e interesse pelo ambiente. Aliás, acho que todas as actividades e iniciativas que fiz na escola primária contribuíram muito para ser quem sou. Não só aí, mas também nos escuteiros, onde aprendiamos a ideia de respeito pela natureza. Em casa, os meus pais sempre foram muito ligados à terra. E claro, ter seguido Geografia e depois ter trabalhado na área ambiental.

Mas desde que abri a loja que apanhar lixo do chão se tornou um dever, claro que podia fazer como maioria dos lojistas, ou seja varrer o lixo que as pessoas deixam na frente da minha loja para a frente das outras lojas ou para o meio da estrada... e depois esperar que o vento trouxesse tudo novamente para a minha porta. Mas a minha face ecológica e limpa não o permite, diria que também o facto de eu ter noção que existe vento. Podia também varrer e pôr no lixo comum, por vezes faço-o, mas tento separar pelo menos os objectos maiores.

Um destes dias cheguei à loja e tinha o chão cheio, mas cheio de embalagens plásticas, lá foi a Sónia apanhá-las e claro que já que lhes estava a mexer meteu no sítio correcto, no caixote amarelo. Quando reparei o saco do lixo estava cheio de garrafas de vidro de cerveja (nós não vendemos cerveja, nem sequer embalagens de vidro). O vidro ser posto no contentor indiferenciado é das coisas piores para mim, já que o vidro demora tempos infinitos a degradar-se, o vidro novo é feito a partir de areia causando problemas nos leitos dos rios e porque o vidro é 100% e infinitamente reciclável (como expliquei na postagem Vidro - o meu material preferido). Sei que existe, em alguns ecocentros, triagem do lixo indiferenciado (por exemplo, algumas coisas conseguem ser resgatas e ainda serem recicladas, isto se não estiverem contaminadas), mas dado que o vidro se parte, a probabilidade de ser resgatado e reciclado é menor. Não que tenha dados sobre isso, mas acho que sim.

Então peguei num saco de plástico velho, usei-o como luva para resgatar as garrafas de vidro, lá as tirei para levar para o vidrão. Já estava tão farta que nem a minha veia ecológica me permitiu resgatar mais coisas, nomeadamente plásticos no meio daquele porcaria toda, fechei o saco sem me importar com o resto que lá estava e meti no caixote indiferenciado. A pensar que não tinha salvo tudo, mas ao menos tinha salvo o vidro daquele fim triste num aterro.

Quando me vou embora pego no saco das garrafas para o vidrão... mas claro que as pessoas nem sequer beberam as cervejas até ao fim, por isso já o saco estava cheio de líquido. E eu detesto o cheiro da cerveja, logo fiquei com as mãos com aquele cheiro horrível. Tive de levar o saco todo molhado para o carro porque em Lisboa não há plasticões na rua. Lá fui com aquele cheiro, ainda por cima agora que tenho o olfacto apurado.

É bom ser ecologista e preocupada com o lixo, mas há dias que o lixo nos tira do sério. Conclusão, percebo porque as pessoas acham que é mais fácil pôr tudo no mesmo contentor ou mandar para o chão, realmente dá bem menos trabalho. Mas pronto, isto são dias, mas a convicção ideológica acima de tudo. Quer dizer mais ou menos, acho que devia apanhar mais lixo, mas chateia quando percebemos que andamos a apanhar o lixo dos outros e estes nunca se importam com nada. Por isso, neste momento, apanhar lixo do chão para mim é daquelas coisas que nem sempre, nem nunca. Posso apanhar e acho que devo apanhar o lixo, mas não me quero tornar uma catadora oficial do lixo dos outros.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O café e as minhocas

Como já referi, anteriormente, aproveito as borras de café da minha loja para o jardim.

Mas vamos primeiro ao café enquanto produto. Na Europa não se produz café, contudo somos grandes consumidores. Os maiores produtores mundiais de café são o Brasil, a Colômbia, a Indonésia, o Vietname, o México, a Etiópia, a Índia, a Guatemala, a Costa do Marfim e o Uganda. Isso mesmo, o café tão consumido no hemisfério Norte provem na sua grande maioria do hemisfério Sul ou no máximo do Sul do hemisfério Norte.

Pelo que li existem dois tipos de planta que originam o café: a robusta e a arábica.

Distribuição do cultivo de café (r - robusta; m - robusta e arábica; a - arábica)
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9

Com esta produção mundial devíamos era deixar de consumir café. Ai! Mas o café, esse precioso produto que está nas nossas vidas como se fosse algo que existe desde sempre. Quase como se nascesse aqui ao lado, nem parece importado, parece um produto certo e adquirido, quase tradicional.

Então resta-nos beber o café e tentar reaproveitar qualquer coisinha. No meu caso, as borras de café, sim eu vendo o café e depois ainda o reaproveito, todas as semanas é menos um saco cheio que teria como destino o aterro. As borras de café são biodegradáveis, mas como se sabe em aterro e juntamente com outras coisas, nomeadamente plásticos, nem o que é biodegradável se degrada em condições e no mesmo tempo que demora na natureza.


Borras de café no canteiro antes de serem espalhadas (também estão uma flores secas misturadas)
Imagem própria

Na fotografia estão as borras de café no canteiro das hortenses. As borras de café são boas para a cobertura do solo de flores como as rosas e as hortenses porque melhoram a acidez e os nutrientes do solo. Mas bem, pelo que percebo podem não ser muito aconselháveis para certas plantas, porque a sua decomposição consome muito nitrogénio, retirando-o do solo, por isso nunca aproximo muito das raízes, vou pondo em espaços vazios ou nos caminhos dos canteiros. Além de serem boas para o solo, também são boas para afastar certos tipos de pragas. Outra coisa, parece que o cheiro também afasta os gatos, o que me leva a pensar que da próxima vez tenho de pôr umas quantas borras nos vasos das plantas interiores, já que a minha gata gosta de ir dormir para cima de algumas plantas e parti-las. Outra solução ideal para as borras é a compostagem, por isso se fazem compostagem, podem pôr lá o vosso café.

Mas quem é adora as borras de café, quem é? Esse maravilhoso animal que eu tanto gosto, as minhocas. As minhocas adoram borras de café, aliás gostam em geral de todos os restos orgânicos. O facto de elas serem tão boas trituradoras de resíduos orgânicos faz com que muita gente faça vermicompostagem, o que é basicamente compostagem com a introdução de minhocas. O que acelera muito o processo de transformação dos restos em composto.

Sobre a vermicompostagem e o trabalho árduo das minhocas, a Wikipédia diz o seguinte: "A vermicompostagem é o uso da minhoca na produção de húmus, decompondo resíduos e dejectos de animais e também o lixo urbano (orgânico), colaborando com a melhoria dos solos, sequestrando carbono e eliminando cheiros desagradáveis. A vermicompostagem é um processo bastante difundido, em especial entre moradores de áreas rurais, visto a minhoca ser uma verdadeira máquina de limpeza dos resíduos. Quando colocada a quantidade correta de minhocas (ao redor de 5.000 unidades por metro quadrado) em 30 a 35 dias (na compostagem normal leva de 100 a 300 dias), pode transformar 2,5 toneladas de resíduos orgânicos em húmus, em um canteiro de 10x0,80x0,40m. A minhoca come os resíduos, e seu excremento possui ao redor de 2 milhões de bactérias por grama, enriquecendo o solo deixando disponível as plantas praticamente todo o complexo mineral (cinco vezes e meia mais nitrogénio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e onze vezes mais potássio que o solo ou o resíduo que se alimentou)." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAmus).
E por este motivo andei o ano passado a apanhar imensas minhocas pelo solo e a espalhá-las nos canteiros para que estejam sempre a trabalhar, a comer os resíduos e a transformar em húmus. Por curiosidade podemos ver esta notícias, Minhocas podem ser alternativa para tratar solos contaminados ou Minhocas podem ajudar a limpar solo contaminado. Assim ainda espero que as minhas minhocas me tratem algum contaminante que esteja em excesso, nunca se sabe o que temos por aqui e se elas gostarem de comer contaminantes que estejam à vontade.

Nas imagens seguintes estão as minhas tentativas de fotografar as minhocas no mesmo canteiro que mostrei acima. Elas estão nas fotografias, não sei é se alguém as consegue ver, mas aqui estão elas a trabalhar alimentadas a muita borra de café.

Imagem própria



Imagem própria


sábado, 26 de setembro de 2015

Menos lixo no fast food

Comer em lojas fast food significa produzir uma imensidão de lixo. Comer na minha loja também, já me tentei redimir na postagem Eu e a minha culpa, a minha consciente culpa.

Passo número um para reduzir este lixo é deixar de ir a cadeias de fast food, bem devo confessar que com o avançar da idade e o refinamento do paladar, isso tem sido tarefa fácil, quase sempre que como num centro comercial prefiro comida de faca e garfo, copos de vidro e pratos de loiça. Mas há sempre aqueles dias, aqueles dias que vem um desejo de comer "porcaria". E normalmente essa porcaria vem embrulhada em papel, em copos de plástico, palhinhas, etc, etc.

O mais ecológico que eu poderia fazer era começar a levar o meu copo de vidro e pedir para encher, mas não me parece que o vá fazer (ainda sou um bocado envergonhada para isso). Logo para reduzir alguns gramas de lixo, o que decidi foi recusar a palhinha (já há muito anos que tinha deixado de usar em restaurantes com copos de vidro, agora estendi aos copos de plástico e ao fast food) e sempre que consigo digo ao empregado para não pôr aquela tampinha de plástico no copo. Quando peço água também não aceito o copo, mas já faço isso há um tempo.

Bem sei que não é uma redução de lixo significativa, nem mesmo que faça isto um ano inteiro, mas sempre é menos um bocadinho de lixo.

Outra alteração que eu fazia de livre agrado era deixar de usar os toalhetes, acho um desperdício. Lembro-me de na cantina da faculdade não tirar toalhete, comia só em cima do tabuleiro, mas normalmente em restaurantes aquilo já está sempre posto. Também acho que era escudado os talheres virem embrulhados naquele papel. Sim para mim os restaurantes em que vamos ao balcão pedir o que queremos seriam réplicas de cantinas de faculdade. Aliás para quem não sabe e trabalha ali no Parque das Nações existe uma cantina do IPJ (restaurante ICA) que é mesmo tipo cantina universitária. Comida diversificada e a preço acessível, mas claro não esperem que seja um restaurante de luxo, nem de gama média.

Acho que com o avançar dos dias, ainda vou pensando em mais formas de produzir menos lixo, é um processo gradual. Já agora em jeito de balanço a minha decisão Recusar sacos de plástico, papel do que for tem corrido relativamente bem, volta e meia aceito algum, mas tenho recusado mais do que aqueles que aceito. A minha decisão de Não secar as mãos em casas de banho públicas tem obviamente corrido muitíssimo bem. Nunca mais sequei as mãos, não custa nada.

Já agora para quem não vive sem palhinhas e até as compra para ter em casa, encontrei no Alibaba estas em aço inoxidável, não sabia que isto existia.

Palhinhas em aço inoxidável
Imagem retirada de http://portuguese.alibaba.com/p-detail/stainless-steel-bent-straw-stainless-steel-drinking-straws-cleaner-curved-shaped-metal-straws-for-cocktail-60190945991.html

Para terminar, uma pequena acção que penso sempre que já toda a gente faz, mas depois tenho dúvidas que realmente o façam: não peçam o talão do multibanco, excepto quando precisam realmente dele. É que além da produção de mais lixo desnecessário, a maior parte dos multibancos não tem caixote de lixo ao lado e depois há sempre pessoas como eu que quando apanham talões de multibanco em cima da caixa, os trazem para pôr na reciclagem. É verdade posso estar a ver quanto dinheiro têm na vossa conta.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A publicidade e o desperdício sem fim

Pior que o lixo que fazemos diariamente devido às nossas actividades humanas, algumas mais essenciais, outras menos, é aquele lixo que fazemos por nada. O que eu quero dizer é o lixo que fazemos sem que se tenha tirado algum proveito, seja de que tipo for, daquele objecto.

É aquele produto que foi fabricado para ser directamente posto no lixo, agora falo de qualquer tipo de sítio onde se deposite o produto, desde de ser deixado na natureza (a pior das hipóteses), no lixo indiferenciado ou na reciclagem.

Este tipo de produtos podem ser realmente coisas sem qualquer utilidade como podem ser coisas com bastante utilidade como alimentos. Quem nunca mandou algum alimento para o lixo porque se estragou e alguns que nem se chegaram a estragar, mas que essa malandra da data de validade fez com que achássemos que já não estava em condições. Pois, é a triste realidade.

Tanta energia usada, tanta água, tanto esforço humano (tanta escravatura!), tanto dinheiro gasto para quê? Para acabar no lixo sem qualquer utilidade.

E sobre isto, tenho uma história concreta que me fez imaginar a quantidade de produtos novos que podem estar a ir para o lixo. No outro dia, um rapaz que conheço perguntou-me se tinha gatos porque tinha amostras de comida e não tinha o que lhe fazer. Combinei ir a casa dele buscar as amostras a pensar que eram poucas e assim umas amostras pequenas. Para mim, o conceito de amostra é um produto realmente pequeno.

Lá fomos nós buscar as amostras e bem, não são bem amostras, são saquetas de comida húmida de gato de 100g de uma das marcas mais conhecidas do mercado, as quais no supermercado são vendidas em caixas de 12 unidades, mas que o preço individual é um bocadinho superior a 0,50€. Mas bem, ele deu-nos provavelmente mais de 30 saquetas e ainda uma caixa com umas quantas para entregarmos a outra pessoa. Como ele arranjou tantas amostras é que eu não entendia.

Mas é bem simples, este rapaz tem um amigo que anda a entregar publicidade em caixas de correio, nomeadamente a Dica de Semana, por cada exemplar deste jornal tem de deixar duas saquetas da comida, as quais vêm embrulhadas nuns panfletos. A questão é que muitas vezes não cabe tudo nas caixas de correio, então fica com amostras de comida de gato a sobrar. Mas como não têm gatos não têm nada o que lhes fazer, então decidiram dar. Eu agradeço.

Não sei se é muito legal não distribuir o que lhe dão, mas pronto, eu sei bem o que custa andar a distribuir panfletos em caixas de correio, sobretudo naquelas caixas que estão cheias e andamos ali a tentar enfiar coisas. Quanto mais, um jornal, mais duas saquetas de 100g de comida de gato, tudo dentro da mesma caixa do correio.

Mas a nível ambiental, acho que o rapaz ter decidido dar aquilo que lhe sobra a quem tem gatos foi realmente algo positivo. Aliás ambientalmente deviam era ir todas para quem tem gatos, porque imagino quantas saquetas têm sido distribuídas em caixas de correio e que vão directamente para o lixo. Qual a percentagem de casas com gatos? Ou mesmo com gatos e cães? Será que as pessoas realmente as aproveitam? Será que todos guardam estas saquetas para aquele amigo que tem um gato? Não me parece.

Claro que isto é o problema da publicidade, lembro-me bem de andar a distribuir folhetos da minha loja e depois os ver espalhados pela rua. A publicidade assim em folhetos, grande parte das vezes tem este destino, ou seja, é feita para nada. Não sei qual a percentagem de folhetos realmente são lidos e quantos são reciclados. Mas além dos folhetos em si, imaginar aquelas saquetas de comida de gato, as quais são feitas com carne de outros animais serem assim posta em caixas de correio e em muitos casos serem colocadas no lixo faz-me ficar realmente triste.

O meu objectivo não é que a publicidade deixe de existir, irá sempre existir e cada vez mais. As amostras são realmente uma forma de dar a conhecer determinado produto. Mas talvez a nossa perspectiva sobre a publicidade é que deva mudar.

Não aceitar coisas que sabemos que não vamos mesmo utilizar.
Não descartar nada antes de pensarmos muito bem se aquele produto tem alguma utilidade para nós ou para alguém.
Quando realmente não tem qualquer utilidade, caso dos folhetos, deixar no ecoponto correcto.



terça-feira, 15 de setembro de 2015

Vidro - o meu material preferido

Quando fiz a postagem sobre o cartão, O cartão e a China, referi que as minhas embalagens favoritas são as de vidro. Acho o vidro um material fantástico. Existem vários tipos de vidros, mas aqui vou considerar o vidro das embalagens (frascos, garrafas e potes) e os vidros domésticos (copos, taças, tigelas).

O vidro é feito de areia, a qual é extraída da natureza, o que causa muitas vezes problemas ambientais, uma vez que a extracção de areia em excesso, quer do leito dos rios ou do solo propriamente dito, pode contribuir para a alteração do solo, diminuição de vegetação, entre outros problemas. Além disto, o vidro tem outro problema já que não se decompõe de forma natural, a decomposição do vidro pode levar até 1 milhão de anos, na verdade nem se sabe muito bem quanto tempo pode demorar o vidro a decompor-se, é como se fosse eterno.

Então se o vidro tem estes problemas porque gosto tanto dele? Exactamente porque é quase eterno.

A utilização de vidro é quase infinita, a não ser que se parta. Ao escolhermos embalagens de vidro podemos reduzir bastante a utilização de novas embalagens, uma vez que podemos reutilizar as embalagens de vidro para o mesmo fim ou para outros fins. Além disso, a reciclagem do vidro é muito mais eficiente que a reciclagem de qualquer outro material.

O vidro é um material ideal para a reciclagem, uma vez que pode ser infinitamente reciclado (o que não acontece nem com o papel, nem com os plásticos), a quantidade de vidro velho a reciclar vai permitir produzir novamente a mesma quantidade de vidro novo. Com a vantagem que a reciclagem de vidro gasta muito menos energia e água do que se fazer vidro novo.

O vidro é também um material ideal para reutilizar, ao contrário do plástico que com o tempo se vai modificando e libertando toxinas, o vidro é inerte. Basta lavar e o vidro está como novo. Por isso acho óptima a ideia de garrafas com tara, as quais existem cada vez menos (não era suposto que as preocupações ambientais fizessem com que a garrafas com tara fossem cada vez mais usados?), haverá coisa melhor que as próprias empresas produtoras de bebidas voltarem a encher as mesmas garrafas sem necessidade de as reciclar?

Depois nós próprios a nível doméstico podemos reutilizar eternamente as nossas embalagens de vidro. Cá em casa costumo guardar os frascos, nos quais guardo compotas, conservas, ervas aromáticas, sementes, etc, etc. Os frascos também são óptimos para outras arrumações, botões, parafusos ou simplesmente para fazer porta canetas (os da loja são antigos frascos de doce). Relativamente às garrafas não as reutilizo tanto, a maioria acaba na reciclagem, mas vou sempre guardando algumas nas quais o meu namorado engarrafa algum vinho que lhe dão. Também reutilizo muitas vezes as garrafas de azeite ou groselha para guardar óleo de fritar batatas que tenha sido utilizado uma vez (acho mais seguro guardar em garrafas de vidro do que de plástico).

Com frascos e garrafas também se podem fazer excelentes peças de decoração, mas confesso que não costumo fazer.

Basicamente estas são as razões porque prefiro embalagens de vidro. Cá em casa, as embalagens de vidro que costumamos comprar são: alguns enlatados (enfrascados neste caso); vinho; cerveja; água com gás; groselha; azeite (as garrafas de plástico de azeite não me convencem). E eventualmente algum doce ou polpa de tomate (raramente tenho de comprar estas coisas porque faço-as).



Alguns dos frascos que tinha há uns tempos na minha arrecadação
Imagem própria

No que toca ao meu stock de frascos de vidro, ao início foi complicado arranjar frascos, andei a pedir a toda a gente. Até que o meu tio que tem um restaurante começou a guardar frascos e pronto, agora tenho sempre uma imensidão, de tal forma que por vezes tenho mesmo de deitar uns para a reciclagem que já não tenho onde os guardar. Por isso se alguém precisar de frascos, fale comigo.

Relativamente aos vidros domésticos, os quais não podem ir para a reciclagem de vidro, infelizmente, também têm a minha preferência. Neste além dos copos e jarros que acho que todos normalmente usamos, adoro caixas de guardar alimentos de vidro. Porque mais uma vez são inertes, sempre impecavelmente limpas e sem problemas de libertar toxinas. Além disso tanto são boas caixas para guardar restos no frigorífico como para ir à mesa ou mesmo ao micro-ondas (eu não gosto muito de utilizar este electrodoméstico, mas com materiais plásticos nunca utilizo mesmo).

E pronto aqui está o meu material preferido para embalagens. Comprem embalagens de vidro, reutilizem-nas e depois reciclem-nas. Mas por favor não as ponham no lixo comum, nem as larguem por aí na natureza.

sábado, 12 de setembro de 2015

Beatas dão respostas em Londres

Nem de propósito, no dia em que escrevi a postagem Tabaco, um país sem beatas é utopia no site Dinheiro Vivo apareceu esta notícia Londres lança jogos para tentar reduzir beatas de cigarros na rua. Acho esta ideia genial. Não que resolva o problema por si, mas é uma boa forma de reduzir a quantidade de beatas no chão e pode ser que consiga alertar algumas pessoas.

Por isso se forem a Londres ou morarem lá e fumarem votem nos vários inquéritos. Se não moram lá, nem vão lá em passeio, procurem outro sítios para deixar as vossas beatas que não seja o chão.



Imagem retirada de http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/interior.aspx?content_id=4762064

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Um raspanete, mas ligeiro

No outro dia, estava eu a varrer a arcada da minha loja, as arcadas pertencem à loja e por isso são espaço privado, à hora de calor, bastante grávida quando apareceu um morador do prédio ao lado...

Mas antes de contar o que aconteceu, vou enquadrar, quando cheguei à loja de manhã tinha a arcada sem lixo. Mas ainda não era hora do almoço e já alguém tinha decidido depositar três sacos do lixo no chão da arcada, porque era dia de recolha (só à noite) de lixo indiferenciado. Mas infelizmente não vi quem foi a pessoa. Além de terem deixado três sacos, deixaram-nos abertos, o que ainda revela mais a esperteza da pessoa em questão.

... mas apareceu um morador do prédio ao lado com o seu saquinho do lixo (ao menos estava fechado) e ia deixá-lo junto dos outros... eu não disse nada, mas imagino a minha cara, uma grávida cheia de calor, com vassoura na mão e ar que quem é capaz de matar alguém, deixa qualquer um com medo.

O senhor deixou o saco no chão junto aos outros e dirigiu-se a mim, e a conversa foi mais ou menos a seguinte:

Senhor: "Sabe dizer-me a que horas recolhem o lixo?"
O que eu respondi: "O lixo só é recolhido depois das 19horas, a hora a que se podem pôr os caixotes na rua. Por isso tem de deixar o lixo dentro do caixote do prédio"
O que me apetecia responder: "Pelo menos há uns 25 anos que a hora de pôr o lixo para a recolha é depois das 19horas."

Senhor: "Ah mas eu não sei onde estão os caixotes do meu prédio"
Eu: "Mora no 81 é?"
Senhor: "Sim"
Eu: "Então o 81 devia ter os seus caixotes para os residentes porem o lixo"
Senhor: "Mas eu não sei dos caixotes, nem sei quem é o responsável pelo lixo do prédio"

Mantive-me com cara de parva a olhar para ele e a pensar "Se não sabe e mora lá, não deve estar à espera que eu saiba".

Depois acrescentei: "Nós na loja temos os nossos caixotes, o 83 têm os deles, vocês também hão-de ter os vossos".

O senhor vai direito ao saco dele, pega-lhe e diz: "Bem é melhor voltar a levar o saco para o prédio"
Respondi para amenizar a coisa: "Pode deixar aí, já que também já estão aí outros..." o senhor volta a deixar o saco, mas não consegui deixar de completar "O problema é que há regras e ninguém as cumpre e está sempre tudo sujo".

Ele pega novamente no saco e diz: "Levo-o, logo vejo"

E assim voltou a entrar com o saco dentro do seu prédio, se o deixou no hall do prédio ou se levou para casa não faço a mínima ideia. Mas foi menos um que deixou ali o lixo durante uma quantidade de horas. Espero que aprenda e que se decida a fazer alguma coisa ao seu lixo e a falar com o resto do prédio sobre o assunto. Claro que pode sempre continuar a deixar o lixo onde lhe apetece. Mas agora até deve fazer de forma a não me encontrar.

sábado, 5 de setembro de 2015

O lixo voador

À porta de casa tenho um remoinho constante. Assim é comum juntar-se lixo, o que costuma ser basicamente folhas de árvores. Contudo, às vezes aparece outro tipo de lixo, sacos, folhas de jornal, etc.

Hoje quando ia a chegar a casa, estava isto à porta...


Imagem própria

Esta embalagem de chipicao veio a voar, não sei bem de onde e instalou-se aqui à minha porta. O que também não é nada de extraordinário, isto senão tivermos em conta a data de validade, 9 de Dezembro de 2012. O que significa que a não ser que alguém tenha comido recentemente um chipicao com três anos, esta embalagem anda há três anos largada por aí, a voar daqui para ali ou depositada em qualquer sítio. Bem o seu estado de degradação é visível. Finalmente vai ser depositada no sítio correcto.

Esta por acaso, veio parar cá a casa, muitas outras embalagens todos os dias vão parar às florestas, aos rios, aos oceanos. O que acaba contribuindo para as ilhas de lixo existentes nos oceanos. Como a deste vídeo no oceano Pacífico.




E assim, a pessoa que há três anos comeu este chipicao poderia ainda hoje estar a contribuir para poluir mais um bocadinho o oceano. Afinal, eu moro aqui mesmo ao lado do oceano Atlântico.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Tabaco, um país sem beatas é utopia

Que fumar faz mal à saúde todos sabem, logo fumar é uma decisão pessoal. Quem fuma sabe ou devia saber as implicações que isso traz para a sua saúde. Que fumar prejudica a saúde alheia acho que as pessoas também sabem, por isso devem ter cuidado onde fumam e perto de quem fumam.

Mas fumar não prejudica só a saúde alheia daqueles que estão perto do fumador. Porque fumar contribui para a poluição do ar, água e solos. Sim da água e dos solos porque os restos de cigarros, os filtros dos cigarros são deixados por todo o lado. Acho que os fumadores nem têm noção disso.

O filtro de um cigarro demora no mínimo 2 anos para se decompor, o que é tempo mais que suficiente para ser levado para rios e mares, ser comido por animais terrestres e marinhos, prejudicando assim a vida de vários seres.

Nesta questão, claro que não são os únicos resíduos a prejudicar o ambiente, mas se repararmos são daqueles que menos pessoas cuidam. Um fumador é capaz de reutilizar, reciclar e isso tudo com muito cuidado. Mas acho que normalmente não tem muito cuidado onde deixa as suas beatas. Por isso acho que os espaços públicos deviam estar equipados com cinzeiros. Esta questão devia ser uma preocupação dos fumadores, mas também dos municípios.

No outro dia, estava no interior de um café e na esplanada estavam uns turistas, assim de ar nórdico, iam fumar e vieram pedir o cinzeiro. Raramente em Portugal vejo pessoas numa esplanada a pedirem o cinzeiro para já não dizer das que têm cinzeiro e mesmo assim mandam as cinzas e beatas para o chão.

Todos os dias varro imensas beatas da arcada da minha loja, as quais depois meto no lixo indiferenciado. Mas certamente são muitas mais as beatas que eu não varro do que as que apanho.

Para terminar, ainda há outra coisa que me irrita profundamente, cá em casa ninguém fuma, mas claro que às vezes recebemos algumas pessoas que fumam. E se ninguém fuma dentro da casa propriamente dita, ninguém se coíbe de fumar no quintal e atirar as beatas para o chão. O quintal também é nossa casa, onde temos as nossas flores, os nossos animais, a nossa horta. E mais uma vez digo, acho que ninguém o faz por mal, é a falta de conhecimento ou simplesmente o não pensarem num gesto que se tornou habitual.
Imagem retirada de https://ajologoexisto.wordpress.com/2012/09/25/as-beatas-de-cigarro-sao-extremamente-poluentes/

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O cartão e a China

O meu primeiro trabalho foi numa empresa de estudos ambientais, o que tem muito mais que ver com a minha formação do que qualquer outra coisa que eu tenha feito depois. Um dos trabalhos em que participei foi para a empresa EGEO - Tecnologia e Ambiente que é basicamente um gestor de resíduos. Este trabalho possibilitou-me conhecer várias instalações de triagem e tratamento de resíduos, desde os mais banais, por assim dizer, aos resíduos perigosos. Um mundo desconhecido para a grande maioria das pessoas e que para mim continua a ter muito que descobrir.

Mas houve algo que eu nunca mais esqueci e não tem nada a ver com o processo da triagem ou reciclagem propriamente dita. Estávamos no meio dos fardos de papel e cartão quando quem nos estava a fazer a visita guiada perguntou se sabíamos para onde ia quase todo aquele cartão. O resíduo é recolhido por eles, mas depois é vendido a quem o vai voltar a transformar em novo produto. Como não sabíamos, o senhor explicou-nos que grande parte seria exportado para a China. Fiquei algo incrédula. Isto não significa que a grande parte do cartão recolhido em Portugal seja exportado para a China, isso não sei, mas naquele caso concreto pelo menos parece que sim.


O senhor percebeu a nossa admiração e disse-nos "Se a China é a grande produtora mundial são eles que mais precisam de ter novas embalagens para os seus produtos". Se formos a ver tem bastante lógica.

Mas a minha questão é: Se exportamos os nossos resíduos para o outro lado do mundo para serem transformados em novos produtos isto também não contribuí grandemente para o aumento de mais resíduos e gastos em transporte e energia. Acho que sim. Seja como for, acho que mais vale se reciclar o papel e cartão do que não se reciclar, mas podia ser um bocadinho mais perto.

As embalagens de papel e cartão são das minhas preferidas, já que é uma matéria-prima renovável e biodegradável, acho que melhor que este tipo de embalagens só mesmo as de vidro. Quem se interessar pelo Ciclo do Papel pode ler esta pequena explicação O ciclo da vida do papel assenta essencialmente nas 7 etapas abaixo descritas

A desvantagem do papel relativamente ao vidro é que a sua reciclagem não é infinita, ou seja a reciclagem das fibras recuperadas é limitada, não se podendo reciclar as fibras mais que 4 a 6 vezes. Por isso será sempre necessário, utilizar fibras virgens (até porque melhora a qualidade de algum papel), mas se reciclássemos todo o papel e cartão que consumimos já imaginaram a quantidade de fibras virgens que pouparíamos. Isto para não falar de água e energia utilizada na transformação de matérias-primas virgens, sempre superior à das matérias-primas recuperadas.

O grande motivo de alegria relativamente ao papel é que actualmente a grande maioria do papel que utilizamos diariamente já tem um grande percentagem de fibras recuperadas. Embora para mim nalguns usos poderia ser papel 100% composto de fibras recuperadas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Separação do lixo - Reciclar

Já aqui falei antes dos resíduos cá de casa, na sua divisão, mas nunca falei do problema de receber pessoas cá em casa no que se refere ao lixo.

O último fim dos meus bens é reciclar, tudo aquilo que eu sei que se pode reciclar é reencaminhado para o respectivo caixote. Logo tenho uma imensidão de caixotes, caixas e sacos para a divisão dos resíduos.

Assim na cozinha tenho:
- caixote de reciclagem onde ponho embalagens, papel e vidro (ponho sobretudo embalagens, normalmente o papel e o vidro vou pondo noutros em casa);
- alguidar ou qualquer coisa do género em cima da bancada onde vou pondo os restos alimentares (o que tem de ser despejado constantemente) os quais dou às galinhas e quando é carne ao meu cão (é raro sobrar carne);
- caixote indiferenciado onde ponho guardanapos e coisas que sei que não dão para reciclar, tais como algo partido de cerâmica, canetas, etc;
- um frasco para as rolhas de cortiça

Na casa de banho tenho:
- um caixote que basicamente sem ser os cotonetes, só costuma receber embalagens (de qualquer forma antes de despejar revejo tudo o que lá está dentro e separo)

No quarto onde costumo passar a ferro e guardar mais coisas tenho:
- o pilhão, onde também guardo pequenos electrodomésticos, baterias e lâmpadas;
- um saco para roupa velha e bocados de têxteis para entregar para reciclagem;
- um caixote para papéis.

No sótão, onde é o meu quarto:
- um caixote para papéis;
- um caixote para lixo indiferenciado.

No quintal:
- um caixote para a reciclagem (papel, embalagens e vidro), o vidro grande maioria das vezes separo-o logo à partida.
- garrafões onde ponho as tampinhas plásticas.

Tenho ainda sítios onde guardo coisas para reutilizar:
- uma caixa para frascos de vidro;
- uma caixa para garrafas de vidro (a maioria vai para reciclar, mas guardamos sempre umas quantas);
- na secretária papel de rascunho que levo para a minha loja;
- nas gavetas da máquina de costura, tecidos que penso que ainda podem ser reaproveitados;
- sacos onde guardo sacos de plástico e papel.





Ufa e acho que é tudo.

Quando varro o quintal e mesmo a casa, se for apenas pó, folhas, pelos do cão e da gata deixo-os num dos canteiros de flores ou ponho no monte de estrume para compostar. Quando apanho algo de plástico, separo e ponho num dos contentores correctos.

E isto não me parece muito difícil de perceber, mas já notei que o é para a maioria das pessoas que vêm cá a casa. Se têm de deitar algo fora, põe no caixote mais à mão, não se preocupam minimamente em me perguntar onde se põe aquele tipo de lixo. Assim ontem fui dar com o meu contentor de embalagens do quintal cheio de folhas secas, a minha sogra que teve cá a passar uns dias decidiu ajudar-me e varrer o quintal, e a seguir dar-me trabalho a separar todas aquelas folhas das embalagens.

Tentei mais uma vez evangelizá-la sobre os benefícios da reciclagem e que a devíamos fazer, mas pronto não consigo. As pessoas que não separam os resíduos, quando lhes digo algo costumam rir e dizer que não têm tempo. Bem ao menos que fossem sinceras e admitissem que não têm é paciência.

Claro que não é só ela, aliás ela tem 60 anos e não faz, mas a minha irmã tem 38 anos e também me diz que não tem tempo. Impressionante como só não têm tempo para o que não lhes interessa. Gostaria realmente de perceber qual a dificuldade de separar lixo e como as pessoas não percebem o que significa não se separar. Lembro-me de ser bem pequena, talvez uns 5 anos e já ia com a minha avó ao vidrão, naquele tempo existiam dois tipos de vidrão, um para o vidro branco e outro para o vidro de cor. No início de existir sistemas de recolha em Portugal, a minha avó que nunca tinha andado na escola já sabia que devia reciclar e conheço pessoas novas e licenciadas que ainda me dizer que não têm tempo. Pior nem têm consciência quando vêm à minha casa que se tenho vários tipos de caixotes de lixo é porque o objectivo não é misturar todo o lixo no mesmo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Recolha do lixo em Lisboa

A recolha do lixo na cidade de Lisboa é algo que me transtorna, quer dizer não é bem o sistema de recolha em si, mas o incumprimento das pessoas.

A recolha faz-se porta-a-porta, sendo que dependendo do dia, varia o tipo de lixo a recolher. Não moro em Lisboa, mas a minha loja é na cidade e naquele sítio em específico a recolha funciona assim:

- Lixo orgânico: 2ªfeira, 4ªfeira e  6ªfeira
- Embalagens: 3ªfeira e Sábado
- Papel/Cartão: 5ªfeira

As pessoas devem proceder à colocação do respectivo caixote na rua depois das 19 horas do dia de recolha e guardá-lo até às 10 horas do dia seguinte.

Mas é costume em diversos prédios ninguém recolher o caixote, deixarem sacos pela rua com qualquer tipo de lixo quando bem lhes apetece, quando alguém vai recolher o caixote, este já estar cheio de outros resíduos. Conclusão, um verdadeiro caos lixeiro, o que me irrita imenso.

Ontem deixámos o caixote do papel/cartão na rua e hoje antes das 9 horas da manhã, cheguei à loja para o recolher. E como ele estava? Cheio até cima de lixo indiferenciado. Podia guardá-lo na loja, cheio de lixo que não era meu, nem sequer era papel, o problema é que só voltariam a despejar aquele caixote na próxima 5ªfeira. Logo iria causar um cheiro nauseabundo dentro da loja, iria provavelmente estragar algum cartão no dia da recolha. Portanto, não era solução.

Podia também deixar o caixote ali na rua até ser despejado, provavelmente só na próxima 5ªfeira, também não me pareceu solução.

Assim decidi telefonar para a Câmara Municipal e explicar o sucedido, deram-me o número para telefonar directamente para o Departamento de Higiene Urbana. Por volta das 9 horas e 30 minutos consegui falar com eles e explicar que tinha o caixote cheio de lixo indiferenciado que nem sequer era meu. A senhora muito simpática disse-me para não o recolher que passaria alguém na rua para recolher esse lixo e limpar o meu caixote. Disse-lhe que só estaria na loja até às 12 horas, ao que ela me garantiu que até essa hora alguém iria lá.

E assim foi, ainda não eram 10 horas e já lá estava uma carrinha a recolher o lixo, fiquei toda contente, pude finalmente recolher o caixote todo limpinho.

Mudei um pouco a minha opinião sobre a recolha de lixo em Lisboa, achei o serviço super eficiente, bastante atentos às queixas dos cidadãos. No fundo, o sistema porta-a-porta funciona pior porque ninguém o cumpre, nem está muito preocupado com isso, do que propriamente por ser um mau sistema. Claro que se já viram que não funciona deviam tentar melhorar, mas gostei muito da rapidez de resolução da situação.

E assim, posso concluir que se formos mais participativos na vida da nossa cidade, esta pode melhorar. Muitas vezes criticamos para o ar e não a quem devemos e isso é um erro, pois não soluciona nada, nem melhora coisa alguma do nosso dia-a-dia. Uma sociedade só melhora se formos mais cidadãos e cumprirmos os nossos direitos e deveres.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...