Desde que o Luís nasceu tenho-lhe comprado pouca roupa, uma vez que as pessoas têm dado muita coisa. Infelizmente preferem dar-lhe polos betinhos a tshirts cheias de bonecos loucos como eu gosto. Mas como diz o ditado, a cavalo dado não se olha o dente.
Mas no outro dia precisava de lhe comprar meias e como ia deixar uns sacos de restos de tecido à H&M (já expliquei nesta publicação que os restos de tecidos deixo nesta loja, agora também há contentores por aí de empresas que também se comprometem a reciclar os têxteis, por exemplo existem alguns na freguesia de Arroios, em Lisboa. Mas claro, roupa boa deem a quem precisa) e estava a ver as meias, já ia eu entrar em tentação e comprar umas meias Made in Bangladesh, quando o meu marido se aproximou de mim e disse "Estas são melhores, são feitas em Portugal". Ena, eu não sabia que a H&M tinha produtos feitos em Portugal, ainda para mais, as meias são de algodão orgânico.
"Pergunto
então, para o ambiente e a justiça social, será melhor comprar uma
camisola produzida em Portugal de algodão ou uma produzida no Bangladesh
de algodão orgânico?"
E a resposta é: comprar peças de roupa produzidas em Portugal feitas com algodão orgânico.
As meias eram 1€ mais caras do que as outras Made in Bangladesh, mas claro que comprei as portuguesas, afinal não posso andar a pregar uma coisa e a fazer outra.
Aqui estão elas:
Imagem própria
Ok, mas depois não resisti e comprei-lhe estas calças com elefantes feitas no Cambodja. Por isso, acho que fiquei empatada nem demasiado sustentável, nem muito pouco sustentável.
Imagem retirada de http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/os-vestidos-de-noiva-na-historia-da-moda-em-fotos-originais/
Não, não se assustem, eu não estou a pensar casar... E verdade seja dita, mesmo que estivesse passados quase cinco anos de união de facto, não me imagino com um vestido de noiva, na realidade nem na altura me imaginava.
Então qual o motivo desta imagem? Quando eu era pequena adorava ver fotografias, vá ainda adoro, mas gostava de ver sobretudo fotografias de casamentos (como uma pessoa pode mudar tanto?), vi as do casamento dos meus pais vezes sem conta. Mas o que me fazia confusão era o casamento da minha tia, primeiro ela tinha casado com um vestido de mangas compridas (em Fevereiro é normal, mas na altura eu não pensava nisso), segundo com um vestido alugado. Eu pensava que devia ser triste casar com um vestido alugado, afinal a pessoa depois não ficava com ele. Mas na realidade para que é que a pessoa quer o vestido de noiva? Acho que a minha mãe deitou o dela fora quando mudámos de casa.
E porque é que me lembrei disto? Porque pela primeira vez que me lembre, aluguei qualquer coisa (sem ser casa e carro, as únicas coisas que tinha alugado até agora). Aluguei uma bomba eléctrica de tirar leite. Tinham-me emprestado uma bomba manual, mas nunca me ajeitei muito com aquilo, de tal forma que acho mais fácil tirar leite com a mão, mas queria experimentar uma eléctrica para ver se dava. Comprar estava fora de questão, afinal são caras e não sei se resulta. Assim, achei que a solução ideal é mesmo alugar. Tem um custo de 40€ por mês e se alugar durante cinco meses seguidos fico com ela, bem acho que isso não compensa muito, mas é bom para experimentar.
Comecei assim a pensar que devíamos alugar mais coisas em vez de comprá-las. Na realidade, alugando estamos a potenciar a vida daquele produto, ser utilizado por mais que uma pessoa. Por isso alugar, a par de comprar coisas em 2ªmão, é sem dúvida um solução sustentável.
E foi assim que me lembrei da minha tia e do seu vestido de casamento. A verdade é que ela fez muito bem, primeiro em 1976 acredito que ela não tivesse muito dinheiro para comprar um vestido, segundo para que queria ela passados 40 anos o vestido? Provavelmente já o teria mandado fora como fez a minha mãe.
E depois comecei a lembrar-me, acho que quando eu era pequena, os fatos que eu usava no Carnaval ou eram emprestados ou alugados. Será que hoje ainda se alugam fatos de Carnaval?
Ao fim e ao cabo, se pensarmos bem há imensas coisas que poderíamos alugar em vez de comprar. Então porque é tão raro alugarmos coisas? Pelo menos falo por mim.
Verdade seja dita, nem sei se há muitas lojas de aluguer de produtos, mas acho que era uma boa aposta. Mais sustentável sem dúvida e acho que é especialmente conveniente a quem vive em casas pequenas.
Estava a pensar, acho que o grande apogeu de lojas que alugavam coisas foram os clubes de vídeo nos anos 80 e 90. Aquilo sim era reutilizar um produto.
O banho é mais que uma questão de higiene, o banho é muitas vezes, um momento revigorante e pode também ser um acto de amor, paz e tranquilidade para qualquer pessoa, incluindo para os bebés. Aliás, não apenas para os bebés humanos como aqui se pode ver.
Quando eu andava na aulas de preparação de parto, coisa que gostei muito, a enfermeira um dia disse-nos que uma ideia boa para os pais fazerem com os bebés era tomarem banho juntos. Na altura, ela referiu que normalmente a mãe tem muito contacto pele-a-pele com o bebé, mas o pai raramente tem. E o contacto pele-a-pele com o pai também faz falta ao bebé para estabelecer laços afectivos, então uma boa ideia era o pai e o bebé tomarem banho juntos. Assim, desde pequeninos.
A criação de laços afectivos é algo muito natural e instintivo, no entanto o ser humano muitas vezes afasta-se da sua natureza. Achamos que devemos cumprir determinadas regras sociais, em vez do que nos dita o nosso instinto. Muitas vezes acho que o nosso instinto adormece.
O meu menino desde que nasceu que adora tomar banho, afinal ele já estava habituado a água dentro de mim. Desde o início que o massajamos bastante durante o banho, ele fica num estado todo zen. Mas quando toma banho com o pai fica a coisa mais maravilhosa do mundo. Parece que todo ele está em harmonia com o universo, deitado no peito do pai com a aguinha quente. Fica ali imenso tempo com uma cara de felicidade, sem aí nem ui.
Entretanto como sou invejosa também quis ter o meu banho partilhado com ele. E sim, é a coisa melhor que há, nós os dois ali muito quentinhos e aconchegados. E para não acharem que desperdiço muita água, não encho a banheira, não ficamos todos dentro de água, só os pezinhos dele ficam dentro de água e ele fica aconchegado no meu peito, com uma toalhita molhada em água quente nas costas, enquanto vou deitando água quente no corpinho. Ele fica tão relaxado, todo feliz. Assim, como quem não quer a coisa encostei-lhe a maminha, ele começou a mamar e acho que nem estava a perceber o que se estava a passar. Acho que ele pensou que estava no paraíso, estar ali tão quentinho com água e a mamar, acho que foi a felicidade suprema.
Mas vamos ser realistas, afinal quem não gosta de tomar banho em conjunto? Acho que é das melhores
coisas que há, a nível íntimo e na poupança de água, electricidade e
gás. Bem a poupança é grande se for um duche, se for banho de banheira
cheia não sei se a poupança é muito grande, mas bem dois corpos fazem
mais volume que um, logo é preciso menos água.
Assim, além do banho normal, o banho com os progenitores tem-se mostrado uma óptima solução para ele ficar calminho. Mas ainda nos faltava experimentar o banho de balde, não comprei o balde porque achei-o caríssimo para o que é, e como o nosso menino já fica bem relaxado no banho normal, achei que não valia a pena. Mas entretanto emprestaram-me um só para experimentar e devo dizer que fiquei fã e o Luís também. O banho de balde faz os bebés relembrarem o útero, bem não sei se o meu quase três meses depois se ainda associa, mas pronto. Além disso é óptimo para aliviá-los das cólicas, relaxa-os e deixa-os bem calminhos. Depois do banho de balde, o meu Luís fica muito molinho e quentinho, quase num estado sonolento, por isso é um banho ideal para dar antes de os deitar. Em relação à poupança de água, o banho de balde gasta bem menos água do que na banheira normal.
No caso do meu bebé, o banho não é simplesmente um meio de limpeza e higiene é sobretudo uma forma de relaxá-lo e aliviá-lo. Por isso, embora eu saiba que não é essencial dar banho diariamente aos bebés, gosto de o fazer (há sempre alguns dias que não dou) porque acho que lhe faz bem.
Estava eu a pesquisar sobre o banho do balde, já agora é originário da Holanda, quando descobri que Shantala (nome dado a estes baldes) é uma técnica milenar indiana de massagem aos bebés. Frédérick Leboyer foi quem a deu a conhecer ao mundo, tendo-a descoberto numa viagem que fez à Índia, país no qual é habitual as mães fazerem estas massagens aos bebés. Sobre a massagem aos bebés disse:
"Sim, os bebês tem necessidade de leite,
Mas muito mais de serem amados e receberem carinho
Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados"
E é mesmo verdade, o contacto pele-a-pele, a calma, as massagens, tudo faz um bebé mais calmo. Assim quando me dizem que sorte um bebé tão calmo, não sei se tenho sorte ou se fazemos por isso. Claro que o meu bebé também chora, mas em geral não o deixamos chorar e dou-lhe colo, faço massagens e canto-lhe muito. Um colinho e a voz "encantadora" da mãe fazem-lhe passar muitos dos seus males. Embora também o deixei por vezes sozinho, mas só enquanto vejo que ele está bem-disposto.
Agora cada pessoa sabe o que faz aos seus filhos e como os cria, mas quando oiço coisas como "o bebé só precisa de barriga cheia e rabinho limpo", "chorar faz abrir os pulmões" e "não se deve habituar ao colo", penso que depois admiram-se de os bebés não serem calmos. Claro que acredito que alguns bebés sejam naturalmente mais calmos que outros, mas podemos sempre dar uma ajuda. Pela minha parte ando com o meu bebé no Babyoga, adoro, mas disso falarei mais tarde.
E aqui ficam as massagens indianas.
Já agora acredito que crianças mais felizes e amadas serão melhores adultos, estarei errada?
Há uns meses, mais precisamente há três meses, contei as minhas dúvidas sobre as escovas de dentes, na publicação Escovas de dentes - a dúvida continua. Na qual expliquei que decidi experimentar uma escova de dentes biodegradável de bambo. E aqui estou eu para vos contar a experiência. E digo já, não aconselho, não que tenha nada contra a sua utilização, à terceira ou quarta escovagem já nem se sente o sabor do bambo e lava tão bem como qualquer outra escova, o problema é que é biodegradável demais. Sobretudo, numa casa cheia de humidade como é o caso da minha. Quando voltei do hospital depois do Luís nascer encontrei a escova meio esverdeada no cabo, na parte do fim que fica dentro do copo. Mas depois o tempo começou a estar mais húmido e pronto ficou o que se pode ver na foto. E sejamos sinceros, não há sustentabilidade que deixe alguém com vontade de utilizar uma escova de dentes cheia de bolor.
Imagem própria
Como sou exagerada, na altura comprei logo duas para aproveitar os portes de envio, mas bem acho que só posso pôr a uso a outra lá para o Verão. Neste momento vou recorrer à tradicional escova de plástico que anda comigo quando vou para algum lado. Entretanto, vou ver se encontro escovas de dentes de plástico reciclado ou qualquer coisa do género. Já vi que no Celeiro vendem escovas de dentes, mas não sei qual é a diferença entre as de lá e as do supermercado, tenho de pesquisar.
Mas bem, mas já que usei uma escova de bambo (sem experimentar nunca sabemos se as coisas são boas) fiz o que me competia, enterrei-a. E aqui estão as fotos a provar, neste momento a escova jaz no canteiro das flores entre borras de café. Pelo menos desta vez não mandei a escova de dentes para o lixo, mas usei-a menos tempo que costumo usar as de plástico, não sei o que é mais sustentável.
Imagem própria
Imagem própria
Mas bem, não comprem escovas de dentes de bambo, sobretudo se viverem nos Açores.
E ontem foi o meu dia de fazer anos, trinta, exacto. Estou a ficar velha.
Queria aqui partilhar que recebi uma prenda muito especial. É verdade a prenda do meu Luís que embora ainda não tenha 2 meses de vida "decidiu" presentear-me.
Quando ele acordou por volta das sete da manhã, fui pegar-lhe e ao lado dele estava um presente para mim. Aliás, um presente e um postal, "escrito por ele, claro".
Aqui está o meu presente:
Imagem própria
Como o meu menino já sabe que eu gosto de coisas biológicas e com menos impacte no ambiente. Eu gosto muito deste leite, só não o compro habitualmente por ser tão caro, mas pronto agora tenho-o aqui. De qualquer das formas ando a cortar nos produtos lácteos devido a amamentação pois têm tendência a aumentar as cólicas dos bebés. Logo eu que adoro tudo o que é leite e seus derivados.
E já agora, as minha prendas não se ficaram por aqui como sempre o meu cão também me deu um presente, uns bombons, no dia dos meus anos ele costuma ter sempre algo para mim preso na coleira. Este ano não tirei foto, mas tenho a foto de há dois anos.
Imagem própria
Acho que este ano foram os dois juntos comprar as minhas prendas. Mais uma vez a prova de como a felicidade está em pequenas coisas.
Não podia deixar de partilhar isto, esta notícia sobre o lixo londrino no Natal é realmente tudo o que eu quero dizer com o título deste blogue: Tanto lixo, tanto luxo. Eu bem sei que no Natal se faz muito lixo (como se vê nesta notícia espanhola), mas eu penso sempre em muito lixo como muitas embalagens, comida deitada fora, não que isto não seja mau, é, mas afinal pode ser muito pior. Em Londres e provavelmente em muitos outros sítios do mundo, nesta época de PAZ e AMOR foram encontrados dezenas de electrodomésticos novos, intactos, bem como brinquedos. Não consigo achar normal. Se as pessoas querem ser consumistas que sejam, mas ao menos que usem os bens de consumo. Se não usam tentem dar-lhe novos usos, deem a quem precisa.
Que sociedade esta da acumulação exagerada. Horas e horas passadas a comprar presentes de Natal para no fim deitar tudo fora. Será isto o Natal?
Bem me podiam ter dado todas estas coisas a mim, acho que fariam sucesso numa quermesse em Agosto. Numa quermesse bem perto de si.
Imagem retirada de http://www.dailymail.co.uk/news/article-3380466/From-new-iPads-working-wide-screen-TVs-hairdryers-wrapping-shocking-waste-thrown-rubbish-dumps-post-Christmas-clear-out.html
Pai: Tenho de queimar ali umas ervas.
Eu: Como o quê?
Pai: Com Roundup.
Eu: Tu sabes que o Roundup é cancerígeno? (é sempre um bom argumento)
Pai: É o que dizem...
Eu: Não é o que dizem, é a realidade, está provado.
O meu pai não aplica muito Roundup até porque é demasiado preguiçoso para andar sempre a matar ervas daninhas, mas volta e meia lá põe. E claro não põe na altura que temos plantações, mas que restos deixará o Roundup e outros produtos idênticos no solo? E nas culturas seguintes? Não sei.
Se virmos no site da Roundup Jardins na parte das perguntas e respostas, percebemos logo que tantos cuidados só podem significar que não podemos ter grande confiança no produto. Mas quando falamos de pessoas individuais que utilizam estes produtos, estamos a falar de pequenas utilizações que em princípio não nos trarão grandes problemas. Mas não são apenas os indivíduos comuns que os utilizam. Estes produtos são amplamente utilizados nas grandes explorações agrícolas mundiais e aí o caso piora bastante.
O Roundup pertence à Monsanto Company, uma empresa multinacional de agricultura e biotecnologia. A Monsanto é a líder mundial na produção de sementes geneticamente modificadas. A controvérsia sobre esta empresa é enorme.
Por um lado, os produtos geneticamente modificados da Monsanto têm contribuído grandemente para a destruição de vários ecossistemas. Por outro lado, produtos como o herbicida roundup têm sido a causa de várias doenças em agricultores e outras pessoas que têm contacto com o produto.
A juntar a isto, existe ainda a questão das sementes e da polícia genética:
"Agricultores que compram sementes transgênicas da Monsanto são proibidos
de guardar parte da colheita para replantio dessas sementes. Para
garantir que isso não ocorra, a empresa mantém uma polícia genética,
que investiga denúncias de "casos suspeitos", inspecionando fazendas
(com ou sem permissão dos proprietários), para coletar amostras de
plantas e sementes. No Canadá e nos Estados Unidos, mesmo os
agricultores que jamais compraram sementes da Monsanto têm sido
investigados por essa "polícia genética", e vários desses agricultores
foram processados, já que a "polícia genética" da Monsanto consegue
entrar em suas propriedades, em busca de provas do uso não autorizado de
sementes patenteadas pela empresa." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/Monsanto_%28empresa%29).
A introdução destas sementes geneticamente modificadas veio diminuir o cultivo das sementes originais, acabando com muita da diversidade existente. A isto junta-se o facto que ao patentearem as sementes estão a impedir o livre acesso à reprodução de determinado produto pelos meios tradicionais. Para mais informações leiam O controle pelas multinacionais. Todavia, o caso piora quando esteve em discussão uma lei para a UE que proibia o uso de todas as sementes não registadas (incluindo as sementes tradicionais), felizmente essa lei foi chumbada (Lei das sementes rejeitada por maioria no parlamento europeu). Mas nada impede que se tente novamente legislar sobre esta questão.
O problema é que estamos a registar e patentear algo que é de todos por direito, as sementes são parte da natureza, são vida, são a nossa forma de sobrevivermos, são elas que nos dão o alimento. Além disso as sementes são livres, germinam onde querem, voam e existem polinizadores que as vão alterando.
"Com o plantio de sementes patenteadas pela Monsanto, o pólen destas
“contamina” outras variedades existentes na região, que passam a
produzir sementes com as características das da Monsanto. Esta então processa os produtores vizinhos e exige legalmente destes o pagamento de
royalties à empresa, por estarem produzindo sementes que são patentes
dela. Em resumo: a monsanto está rapidamente se tornando proprietária de
uma variedade enorme de sementes, seus laboratórios estão criando
sementes patenteadas de tudo, cereais, frutas, hortaliças, etc." (inhttp://www.noticiasnaturais.com/2009/09/filme-o-mundo-segundo-a-monsanto/#ixzz3rvVFNJyr).
Além disto, os cereais transgénicos destas grandes empresas são resistentes aos seus herbicidas como o caso do Roundup. O que significa que os campos são pulverizados com estes produtos sem que o cereal morra, mas deixando nele as suas características. Andamos a comer soja e milho pulverizados com Roundup que como vimos é cancerígeno. Se não o comemos directamente, comemos indirectamente.
E porque é que me lembrei disto tudo? Porque vi este vídeo.
E lembrei-me que há uns meses ali nos campos de milho de Montemor-o-Velho reparei que todos tinham indicação de que milho era aquele, não era Monsanto, era Pioneer. Mas lá estava o milho todo catalogado. Esta imagem retirei de um site brasileiro, mas era tipo isto mas num campo bastante vasto:
Imagem retirada de http://portaldoagronegocio.com.br/noticia/dupont-protecao-de-cultivos-e-pioneer-expoem-portfolio-para-milho-e-soja-em-lucas-do-rio-verde-125477
Enquanto cidadãos comuns não sei bem o que podemos fazer para travar estas coisas. Bem na altura sobre a lei das sementes da União Europeia assinei petições, mas também nunca tenho bem a certeza se alguém liga às petições. Podemos claro comprar produtos biológicos, não usar Roundup nos nossos quintais, etc, mas somos enquanto indivíduos demasiado pequenos para fazer face a todos os interesses que existem. No entanto, convém estarmos informados e sabermos o que acontece no mundo e como isto põe em causa a nossa alimentação, a biodiversidade e a qualidade dos solos. Coisas que temos garantidas desde o início da humanidade são cada vez mais controladas por um número minúsculos de grandes multinacionais. Isto é capitalismo puro.
Desde sempre que as pessoas semearam as suas próprias sementes, deixadas de uns anos para os outros, escolhidas todos os anos. E mais do que isso, desde sempre que as sementes foram livres, já contei certamente dos tomateiros que nascem por todo o meu quintal, qualquer dia tenho a Monsanto a bater-me à porta porque não comprei aquelas sementes? Eu sei que eles não vêm a pequenos quintais, mas nunca se sabe.
E para terminar deixo uma música de um dos meus grupos portugueses favoritos: Diabo na Cruz com Verde Milho.
"Verde, verde milho, milho verde
Clonado a vapor
O gato tem preguiça
O vampiro tem perícia de actor
Verde, verde milho, milho verde
Deitado num manto
Era o nosso milho
Agora é milho Monsanto"
E hoje falta exactamente um mês para a véspera de Natal. Para o dia que todos damos presentes, recebemos presentes e tal. Eu gosto da ideia de dar presentes no Natal, a ideia de trocar presentes como simbologia. Dar algo porque nos lembramos daquela pessoa. Por isso mesmo nunca gostei de receber dinheiro, nem gosto da ideia que algumas famílias têm de apenas dar presentes às crianças. Porque numa família acho que todos têm direito a receber um mimo e uma lembrança.
E os presentes de Natal não precisam de ser coisas espectaculares e caríssimas, adoro aquelas pequenas lembranças, sim sou daquelas que gosto de receber pares de meias, aliás sempre gostei. Os presentes de Natal devem ser lembranças, simples e sinceras.
Assim, gosto do Natal nesse sentido, mas não gosto muito do consumismo exagerado, dos anúncios e tenho horror a centros comerciais nos dias anteriores ao Natal. Há uns dois anos lembrei-me de ir à ToysRus na antevéspera de Natal comprar a prenda para a minha sobrinha e jurei para nunca mais.
Nos últimos anos quase sempre dou algumas lembranças feitas por mim, frascos de doce, chutney, bolos (sim já dei bolos) ou caixinhas que pintei. Acho sempre que as pessoas nunca ficam a pensar "wow que bom um doce", mas pronto, eu dou o que acho que devo dar e pronto. Este ano, ainda, tenho dúvidas se vou conseguir fazer o que quero dar a tempo, se conseguir depois mostro.
Mas se eu sou contra o consumismo desmedido como posso estar aqui a incentivar as prendas? Pois, por isso mesmo, acho que podemos dar prendas sem tentar que seja um consumismo louco. E, normalmente sigo algumas ideias:
Oferecer mesmo algo que a pessoa precise ou queira muito: até pode ser algo pouco amigo do ambiente e que venha da China, se sabemos de antemão que determinada pessoa vai mesmo comprar aquilo podemos sempre oferecer;
Oferecer lembranças feitas por nós: estas lembranças podem ser mais ou menos ecológicas, depende do que fizermos, eu quando ofereço os doces estou a reutilizar frascos, logo acho que até contribui para a redução do desperdício. Mas também podemos fazer coisas com materiais comprados, neste caso, estamos a dar o nosso cunho pessoal e a mostrar à pessoa que fizemos algo para ela em concreto, acho que isso é o espírito natalício;
Oferecer produtos alimentares produzidos em Portugal: estes presentes têm realmente uma função, sabemos que as pessoas os vão comer, logo não vão (em princípio) ficar esquecidos em qualquer canto durante anos. Ao escolhermos produtos feitos em Portugal estamos a divulgar os produtos endógenos e a estimular a economia e ainda contribuímos para a menor importação (e consequente poluição) de produtos vindos do outro lado do mundo. Por exemplo, o meu namorado costuma muito oferecer garrafas de vinho, uma lembrança barata, nacional e que sabe que as pessoas lhe vão dar uso. A ideia é só dizer "lembrei-me de ti". Há uns anos andei a oferecer uns pacotes super fofinhos da Loja das Conservas, quem é de Lisboa passe por lá ou pela Conserveira de Lisboa, de certeza que vão encontrar algo para alguém;
Oferecer produtos artesanais: o que não falta nesta altura do ano são pequenas feiras de artesanato por aí, nada ao nível de cidades como Londres, mas pronto já temos várias. Ao comprarmos produtos artesanais estamos a dar presentes únicos e a ajudar pequenos artesãos, os quais nem sempre têm facilidade de vender numa economia super competitiva;
Oferecer livros: convém que seja a alguém que goste de ler, pode não ser o presente mais ecológico, mas um livro é sempre uma viagem e sempre uma mais-valia, os livros podem viver anos e tornar gerações felizes;
Oferecer plantas: se temos dúvidas do que oferecer a alguém, uma planta é sempre uma boa ideia, mas assim uma planta num vaso, podemos evitar os ramos bonitos que dali a uns dias já estão mortos. Oferecer uma planta é oferecer vida a uma casa;
Oferecer presentes solidários: estes presentes possibilitam-nos oferecer algo a alguém querido e ajudar outro alguém, estou a lembrar-me por exemplo dos presentes Unicef que até se costumam vender nos supermercados, mas há muitas mais instituições, por exemplo há uns anos comprei para mim uma tshirt do loja do Movimento ao Serviço da Vida. Adorava a tshirt, aliás ainda a tenho, mas acho que nunca mais me vai voltar a servir. Mas há muitas mais instituições que fazem estes produtos que podem ser bons presentes;
Oferecer bilhetes para espectáculos ou outras actividades: outra coisa que vou tendo por hábito oferecer, claro que não a toda a gente, depende das pessoas, mas volta e meia lá ofereço, são bilhetes para teatro, o único problema às vezes é escolher as datas. Não estamos a oferecer um bem material, mas estamos a oferecer uma experiência, acho que é algo bem positivo. No caso do teatro estamos também a divulgar e apoiar a cultura;
E assim de repente são estas as possibilidades que acho que podemos pensar neste Natal, de forma a termos um Natal com um menor consumo, menos materialista e com menor acumulação de resíduos e consequentes danos ambientais. Alguém sugere algo que não me tenha lembrado? Claro que o menor consumo possível é não oferecer nada a ninguém, mas um mimo nunca fica mal.
Costumo, normalmente ter estes pensamentos em mente para as prendas de Natal, aliás para o que dou na generalidade. Mas nem sempre é fácil até porque muitas vezes as pessoas esperam receber bens materiais. E como eu não sou também sempre 100% ecológica e cumpridora, muitas vezes lá ofereço um presente mais materialista, consumista e capitalista.
Imagem retirada de https://karinebre.wordpress.com/2012/12/20/reflexao-de-final-de-ano/consumismo-natal/
Tal como os Produtos de higiene e cosmética, também os produtos de limpeza estão cheios de químicos que fazem mal ao ambiente e à nossa saúde. Com um problema adicional, se repararem nas etiquetas destes produtos quase nunca consta a composição dos mesmos (a não ser que sejam altamente perigosos). O que torna muito mais difícil para nós, simples consumidores, termos ideia do que estamos a utilizar.
Mas se é verdade que já me fui rendendo aos produtos de higiene ecológicos, o mesmo ainda não aconteceu relativamente aos produtos de limpeza. E porquê? Sobretudo por causa do preço. É a grande realidade. Embora também seja verdade que cada vez encontramos produtos de limpeza amigos do ambiente mais em conta.
Assim continuo a utilizar os produtos comuns, com excepção do detergente de loiça que por vezes compro ecológico e de outra excepção que vou referir mais à frente.
Os produtos comuns a nível ambiental são prejudiciais sobretudo para a água, uma vez que a contaminam. Como já referi noutras publicações, mesmo com o tratamento das águas residuais nas ETAR, a água devolvida ao ambiente natural pode ter sempre vestígios destes produtos. No entanto, como sabemos nem toda a água é tratada, quer porque nem todos os sítios estão ligados a esgotos, quer porque nem todos os esgotos estão ligados a ETAR e, ainda, porque podem sempre haver perdas pelo meio.
Ao serem prejudicarem a qualidade da água vão também ser danosos para os animais, por exemplo as gaivotas. Mas as gaivotas voam!? Sim, mas também mergulham. Mas como não sei explicar bem o efeito, embora o compreenda, prefiro remeter para Sabões, detergentes e seus impactos no meio ambiente do blogue brasileiro eCycle.
A utilização destes produtos também prejudicam a qualidade do ar, o que é agravado com a mistura de alguns produtos de forma errada. O que acaba por nos prejudicar a nós e aos outros seres vivos. Por este motivo também é importante que tenhamos plantas em casa que equilibrem a qualidade do ar como referi em Plantas - purificadoras do ar.
Desta forma e como não conhecemos a composição química dos produtos (mesmo que eu conhecesse, não entendia) temos de ter cuidado com a mistura indiscriminada destes. E também com o seu o aquecimento, uma vez que podemos estar a potenciar a libertação de gases, prejudicando o ambiente.
Assim, o que podemos fazer para diminuir os estragos que estes produtos fazem ao ambiente e à nossa saúde? Na minha opinião podemos:
Utilizar menos produtos: embora todos os dias apareçam produtos milagrosos, não precisamos de um produto de limpeza diferente para todos os cantos da casa, se calhar dois ou três produtos são suficientes. Desta forma, não há o perigo de os misturarmos, podendo causar reacções estranhas e pelo menos diminuímos o consumo desenfreado de embalagens (não vale a pena comprar um produto específico que só vamos utilizar uma vez);
Utilizar produtos naturais: muitas vezes podemos utilizar apenas produtos naturais como o vinagre, limão ou bicabornato de sódio. Já experimentaram limpar o fogão com vinagre e bicabornato de sódio? Sai a gordura toda, mas cuidado que a mistura dos dois faz reacção. E fica um bocadinho a cheirar a vinagre. Outra coisa que podemos fazer com vinagre é limpar a caldeira do ferro de engomar, funciona, o calcário desaparece. E há muitas outras coisas, a internet está cheia de soluções;
Utilizar as quantidades certas: esta medida ajuda o ambiente e as nossas finanças, a sobredosagem acho que é um problema comum para muita gente. Vejo muito isso nas lavagens de roupa, leiam os rótulos, não vale a pena usar muita quantidade de detergente. Muita espuma não significa bem lavado;
Não limpar em demasia: esta é boa para pessoas como eu que não gostam de limpar, mas a sério, é necessário estar tudo a brilhar? Claro que temos de manter a higiene, mas ambientes demasiado higienizados podem ser prejudiciais, acabam por inibir a produção e acção dos nossos anticorpos e diminuir a nossa resistência às bactérias e vírus. Além disso limpeza não significa um cheiro forte a perfumes artificiais (a mim fazem-me espirrar), limpeza significa que não há sujidade;
A água limpa: a ideia que devemos usar produtos de limpeza para tudo faz-nos esquecer que muitas vezes a água por si retira a sujidade, se a bancada da cozinha apenas tem migalhas ou um pingo de qualquer coisa, basta passar com um pano molhado;
Usar produtos ecológicos: o que já falei acima e não faço, mas que quero ver se começo a fazer, mesmo que não totalmente de uma forma mais constante.
Mas como eu disse rendi-me a outros produtos ecológicos, nomeadamente detergentes para a roupa do bebé. Não é que os bebés não possam usar os detergentes normais, podem, mas como ainda não sabemos como vai ser a pele do bebé, os primeiros produtos a utilizar devem ser o mais naturais possíveis. E isso quer dizer entre outras coisas produtos sem cheiros artificiais. Adoro estes detergentes que deixa a roupa toda a cheirar a nada, só a lavado. Adoro, de tal forma que volta e meia lá lavo a nossa roupa também com o detergente dos bebés.
Para a roupa de bebé comprei este da L'arbre Vert, basicamente escolhemos um detergente líquido que existe em qualquer supermercado. Os detergentes líquidos na sua generalidade cuidam melhor da roupa no que se refere à manutenção das cores. Enquanto os detergentes em pó são melhores para retirarem sujidade mais profunda.
Imagem retirada de http://www.greenweez.com/l-arbre-vert-lessive-liquide-concentree-pour-bebe-1-5l-p5944
E comprei este para as fraldas, já que vou lavar muito cocozinho. As fraldas devem ser lavadas com detergente em pó porque lava melhor e deixam os tecidos respirarem melhor. Por isso mesmo aconselham a lavar as fraldas com detergentes ecológicos, os quais não têm na sua composição agentes químicos que entupam os poros (pelos mesmo motivos não se devem usar amaciadores). O problema do entupimento dos poros neste tipo de roupa é mau, uma vez que tem de se manter as qualidades de absorção da fralda. Todavia, há quem use detergentes comuns em pó ou líquido para as fraldas e não tenha problemas, talvez apenas exista uma redução da durabilidade da peça.
Imagem retirada de http://www.eco-rabinhos.com/product/bio-d-detergente-em-po-para-roupa-2kg
Bem não estou a dizer que apenas vou utilizar detergentes ecológicos na roupa da criança, nas fraldas em princípio sim, aos poucos vou vendo. Mas sem dúvida que estes dois que experimentei são bastante bons. Agora vamos vendo, mas adoro esta roupinha sem cheiros artificiais. Aliás como diz a enfermeira das minhas aulas de preparação para o parto: "O bebé não deve cheirar a perfume, deve cheirar a bebé, ao seu cheiro".
Em conclusão, acho que devemos utilizar mais produtos ecológicos, mas como nem sempre as nossas finanças permitem, os principais passos é usar menos produtos, usar as quantidades correctas, usar em algumas limpezas fórmulas naturais e compreendermos que limpeza não significa muita espuma e cheiros artificiais. Assim poupamos o ambiente, a nossa saúde e a nossa carteira. Pode ser que até nos sobre mais dinheiro para comprar os produtos ecológicos.
Gosto bastante da fazer bolos, pena que eles desaparecem cá de casa num ápice. Os bolos caseiros além de estarem relacionados com a minha infância e com as lembranças da minha mãe são bem mais saudáveis e baratos (então para quem tem imensos ovos como eu) que os bolos processados. E se formos a ver fazem-se num instante, bem depende do bolo. Mas o bolo de iogurte é mesmo muito fácil de fazer, básico mesmo.
Aproveito para fazer bolo de iogurte sobretudo quando tenho iogurtes perto do fim de validade ou que esta já passou há um ou dois dias. Diga-se passagem que é dos poucos alimentos que tenho receio de comer muitos dias depois do fim de validade. Mas desta vez nem foi por isso que fiz, foi por esta tabela que vi.
Imagem retirada de https://www.facebook.com/BRIObiologico/photos/a.180190041388.134405.124840276388/10153103076356389/?type=3&theater
E eu tinha cá em casa uma farinha de arroz integral e biológica (o que é bom dos produtos biológicos é que pelo selo podemos ver que é português) que comprei há uns tempos para fazer pão, mas que nunca gastei toda. Então decidi experimentar a receita normal de bolo de iogurte, mas utilizando a farinha de arroz.
A grande vantagens da farinha de arroz relativamente à de trigo é que a primeira não contem glúten, por isso é apropriada para os celíacos. De resto a farinha de arroz tem uma elevada quantidade de fibra, o que é óptimo para os intestinos e para a redução do colesterol, ainda para mais quando falamos de farinha de arroz integral.
No meu caso, não penso exactamente tanto nos benefícios concretos da farinha de arroz, mas acho que quanto mais diversidade comermos melhor. Trigo, arroz, centeio, alfarroba, todas as farinhas possíveis são bem-vindas.
A minha receita de bolo de iogurte é a seguinte:
1 iogurte (copo de iogurte serve como medida para os outros ingredientes);
6 ovos;
3 medidas de farinha de trigo com fermento;
3 medidas de açúcar;
2 colheres de café de fermento;
1/2 medida de óleo.
Misturo todos os ingredientes, excepto as claras dos ovos e mexo bem. Bato as claras em castelo e junto à mistura anterior. Ponho a mistura numa forma untada com margarina e farinha e levo ao forno pré-aquecido a 180ºC.
Neste caso como troquei as farinhas fiz a receita da seguinte forma:
1 iogurte (copo de iogurte serve como medida para os outros ingredientes);
6 ovos;
2 medidas de farinha de arroz (como consta na conversão da tabela acima apresentada);
2 medidas de açúcar (esta mudança não se deveu à farinha, mas costumo tirar uma medida de açúcar quando faço com iogurtes já açucarados);
3 colheres de café de fermento (adicionei mais uma colher de fermento, uma vez que a farinha de arroz não tem fermento e costumo usar farinha de trigo com fermento);
1/2 medida de óleo (pensei trocar o óleo por azeite para tornar o bolo mais saudável, mas depois achei que já eram mudanças a mais);
3 colheres de sopa de sementes de papoila (é mesmo opcional, mas juntei para dar mais fibra e porque gosto de sentir as sementes, se quiserem saber mais sobre estas sementes vão a este link).
O modo de preparação é igual ao que referi acima.
Imagem própria
O pormenor das sementes de papoila
Imagem própria
O bolo ficou assim meio despedaçado em cima porque eu não untei bem a forma, então até conseguir desenformar tive de lhe bater um bocadinho. Relativamente ao resultado final, a consistência do bolo com farinha de arroz fica ligeiramente diferente do que é habitual com farinha de trigo, mas a nível de sabor nem sinto diferença. Por isso, pelo menos nesta receita, correu bem a conversão de farinha.
E assim, vamos diversificando a nossa alimentação e introduzindo novos produtos, mais saudáveis e mais sustentáveis, espero eu, pelo menos era biológica e integral.
Há coisa melhor do que comer um bolinho caseiro acabadinho de fazer com uma infusão caseira num dia de chuva e frio?
A alfarrobeira é uma árvore selvagem de clima mediterrâneo. Em Portugal é sobretudo encontrada no Algarve (duas publicações seguidas em que falo desta região). O seu fruto, a alfarroba é uma vagem deliciosa e docinha, sim dá para roer assim as vagens.
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfarrobeira
Cá em casa todos comemos alfarroba, bem todos menos a gata, comemos nós humanos e comem as cabras e as galinhas porque no Verão o meu pai costuma trazer alfarroba para eles das árvores do meu tio que mora Lagos. Até o cão come e para ele tanto lhe faz se é alfarroba em vagem, se é bolo ou pão, basta apanhá-la. Mas antes de o meu tio ter o terreno, já eu me tinha rendido à farinha de alfarroba.
A farinha de alfarroba é um óptimo substituto do cacau. Mas bem, o sabor é completamente diferente, no meu entender são ambos extraordinários e bons. Todavia, a alfarroba tem algumas vantagens, primeiramente é naturalmente doce, enquanto o chocolate só é doce porque adicionamos doce ao cacau. Depois, a alfarroba é um produto endógeno português, sim não viaja quilómetros para chegar à nossa mesa. A farinha de alfarroba que se compra é sempre biológica até porque é uma árvore selvagem, mas temos a garantia que não tem químicos e outras coisas. Além disso, comparativamente com o chocolate, a alfarroba é muito mais saudável.
Segundo este blogue, o cacau possuí 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais em torno de 38% a 45%. Assim, não necessita de se adicionar mais açúcares. A alfarroba é um alimentos saudável e de elevado valor nutritivo. Contém vitamina B1, vitamina A e vitamina B2, cálcio, magnésio e ferro e o correcto balanceamento de potássio e sódio. Não possui agentes alergênicos ou estimulantes, tais como a cafeína e teobromina presentes no cacau. Embora tenha uma elevada quantidade de açúcares possuí um baixo teor calórico devido à quantidade quase imperceptível de lipídeos e alta quantidade de fibras naturais.
Assim, é só vantagens em consumir alfarroba em vez de cacau, mas eu como sou gulosa continuo a consumir os dois.
Mas e o que faço como a farinha de alfarroba? Faço bolo, salame e pão. Sobretudo bolo. E foi isso que fiz agora, um saboroso bolo de alfarroba.
Imagem própria
Receita Bolo de Alfarroba (sei que tirei esta receita de um site qualquer, mas não sei qual)
Ingredientes:
200g de açúcar mascavado;
6 ovos;
60g de farinha de alfarroba;
180g de farinha de trigo com fermento;
1 colher de chá de fermento em pó;
250g de manteiga;
100g de amêndoa triturada (desta vez troquei por sultanas);
1 colher de chá de essência de baunilha
Preparação:
Bata as gemas com o açúcar e adicione a baunilha e a manteiga (desta vez como não tinha 250g de um só tipo de manteiga, misturei margarida de soja, manteiga sem sal da mimosa e manteiga com sal milhafre);
Adicione as farinhas e o fermento à mistura anterior;
Bata as claras em castelo e adicione à mistura anterior até ficar bem fofinha;
Adicione as amêndoas (neste caso adicionei as sultanas e não pesei a quantidade, adicionei a olho);
Unte uma forma com margarina e polvilhe com farinha e deite a mistura;
Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até o bolo estar cozido.
Embora a receita original que eu vi levasse amêndoas, gostei bem mais com as sultanas. Às vezes é bom experimentar coisas novas. E o bolo está realmente delicioso, acho que foi o melhor bolo de alfarroba que fiz até agora ou então estava mesmo com muito desejo. Mas antes de o colocar no forno provei a massa crua e estava deliciosa parecia mousse. Estava tão boa que até me apetecia comer à colherada. Mas bem entretanto já tentei fazer mousse de alfarroba e abacate (ainda por cima o abacate importado do Perú) através de uma receita que encontrei na net e bem a mousse foi chumbada por todos cá em casa.
Como já referi, além do bolo, já noutras ocasiões fiz salame de alfarroba e pão de alfarroba. O salame é bom, mas acho que fica uns pontos abaixo do salame de chocolate. O pão de alfarroba é muito bom, mas embora eu goste de fazer pão, nem sempre tenho disposição para o fazer. Mas ainda hei-de escrever uma publicação só a falar de pão e de fazer pão. Deixo aqui só umas fotografias antigas, destas minhas lides culinárias.
Pão de Alfarroba
Imagem própria
Salame de Alfarroba (à esquerda) acompanhado na imagem por uma maravilhosa Sericaia
Imagem própria
A alfarroba é uma escolha saborosa, sustentável (produto endógeno e biológico) e saudável. Que mais podemos querer? Nas feiras de artesanato que costumam existir agora perto do Natal é muito comum encontrar produtos de alfarroba, biscoitos, barras de "chocolate", licores. Experimentem ou então comprem farinhas de alfarroba e façam em casa.
Este blogue não é sobre artesanato, nem sou uma artesã, mas acho essencial o saber-fazer. Saber-Fazer é muito melhor que comprar feito, seja o que for. Claro que nem todos sabemos fazer tudo ou temos tempo para fazer tudo. Por isso mesmo, dá imenso jeito existirem os supermercados cheios de coisas que podemos comprar: comprar, usar e deitar fora. Normalmente, este ciclo.
Acredito piamente que qualquer pessoa tem capacidade para aprender a fazer qualquer coisa, pode demorar, pode não gostar, pode nem fazer muito bem. Mas o ser humano tem uma grande capacidade de adaptação à mudança, logo qualquer pessoa pode aprender a fazer um bolo, a mudar um pneu, a montar móveis. Muitas vezes não somos encorajados a fazer as coisas e não acreditamos que conseguimos. Claro que acredito que todos conseguem fazer um bolo, mas nem todos teremos capacidade para ser um grande chefe de cozinha, todos podemos jogar futebol, mas nem todos seremos o Cristiano Ronaldo. O que eu quero dizer é que salvo raras excepções todos podemos aprender a fazer tudo, não quer dizer que sejamos extraordinários a fazê-las ou que gostemos de determinadas tarefas.
Mas por isso, acho que todos temos capacidade para aprender a Saber-Fazer. Muitas vezes dizem-me que sou muito prendada, eu nem acho, porque não faço assim as coisas muito bem feitas, mas gosto de experimentar fazer coisas novas, mesmo que corram mal, gosto de imaginar e criar. Talvez porque o meu pai é assim e a minha mãe também era assim. Estavam sempre a inventar alguma coisa, a concertar, a arranjar, mas nem por isso acho que me tenham incentivado muito a criar, mas devo ter apanhado o bichinho.
Acho que a minha geração, nascida nos anos 80 do século passado, foi um bocadinho habituada à inércia no que se refere às manualidades. Acho que os pais incentivaram muito a questão dos estudos, a famosa frase, estudar para ser alguém, que eu tanto detesto e esqueceram-se de lhes ensinar outras coisas. Lembro-me de ter amigas que os pais lhes diziam, tu tens é de estudar, não penses nessas coisas. Argumento que respondia a qualquer assunto, desde namorados, à política ou futebol como se tudo não fizesse parte da vida e o interesse por diversos assuntos não contribua mais para o nosso desenvolvimento pessoal do que ser o melhor aluno da turma.
Mas acho que se criou a ideia de que o ideal era estudar para ter um bom emprego (sim pouca gente refere que estudar é bom para adquirir conhecimentos) e ganhar bem, o que possibilita ter uma boa vida, comprar muita coisa e não precisar de fazer mais nada. Como se ter muito dinheiro e ter muita coisa seja por si uma certeza de felicidade, uma garantia de a pessoa se sentir bem sucedida. Adoro quando oiço, aquela pessoa está bem na vida, ganha bem, se calhar eu sinto-me mais realizada a ganhar mal. Já pensaram nisso?
Mas o que isto tem que ver com o Saber-Fazer? Para mim tem tudo, quando aprendemos a fazer pequenas coisas afasta-nos do sistema de dependermos do mercado e do dinheiro para tudo (dependemos sempre, mas em menor escala). O Saber-Fazer possibilita-nos sermos mais auto-suficientes. Isto para além de nos estimular a criatividade, a qual é extremamente necessária em muitos dias da nossa vida. Acho que Saber-Fazer, seja o que for, capacita-nos a saber lidar com os problemas e a resolvê-los.
A nível ambiental, acho que Saber-Fazer também é uma mais-valia, aprendermos a fazer algo faz-nos dar mais valor aos produtos, não valor monetário, mas valor ao que custa fazer algo. Mostra-nos como as coisas devem ser menos descartáveis e mais duradouras.
Por outro lado, Saber-Fazer também nos faz dar valor a quem faz. Não suporto pessoas que só sabem teorias e teorias e não dão qualquer valor a quem sabe fazer, seja o que for.
Isto é simplesmente a minha opinião.
Imagem retirada de http://kdfrases.com/frase/118768http://kdfrases.com/frase/118768
Na minha opinião, para sermos mais sustentáveis antes de tudo devemos consumir menos, depois consumir local, produção local, cadeias de distribuição locais. Aliás, já escrevi isto várias vezes por aqui. Mas temos sempre de consumir e além do ter, há sempre alguma coisa que queremos, mesmo que não seja essencial. Por isso, temos de tentar sempre conciliar todas estas questões. E claro, o preço, infelizmente muitas vezes o preço é o que nos leva a decidir por um produto em detrimento de outro, não somos imunes a isso, sobretudo se temos pouco dinheiro.
E depois vamos às grandes superfícies para comprarmos as coisas mais baratas, às vezes não são tão baratas assim. Eu também gosto muito dos descontos do cartão continente, wells, zippy, modalfa, uma verdadeira cadeia à portuguesa. Mas mesmo quando somos preocupados e tentamos nestas superfícies comprar produtos portugueses ou europeus, nem sempre encontramos.
E parece que nada do que precisamos se faz em Portugal. E é aí que entra a importância de conhecer Portugal, eu conheço o país relativamente bem, de norte a sul, este a oeste e arquipélagos. Conheço de já ter ido e de ter estudado. Isto de ter um curso de geografia serve para alguma coisa, nem que seja para nos encher de conhecimentos sobre o nosso país. E nós produzimos muita coisa, talvez não em grande escala, mas há muita produção que talvez não seja competitiva com o que vem do exterior, nem consiga ter grandes canais de distribuição, mas desenvolve o nosso país. Desenvolve, dá trabalho e ao comprarmos local estamos a estimular a economia e a diminuir os gastos energéticos em transportes.
E agora vou dar dois exemplos que conheci por acaso, quando andava às voltas por esse país distante, coisas que não fazia a mínima ideia que existiam. Mas promovem o emprego e a continuidade de pessoas a morar em pequenas terras do interior.
Palaçoulo
Palaçoulo é uma pequena aldeia do concelho de Mirando do Douro, Trás-os-Montes conhecida pela industria da cutelaria e tanoaria (Palaçoulo a aldeia mais industrializada do país). Conheci esta aldeia há uns dois anos e não fazia ideia que uma pequena aldeia pudesse ter tantas pequenas fábricas.
Na altura fomos ver uma das cutelarias, por acaso entrámos na FILMAM, podíamos ter entrado noutra qualquer. Foi uma visita interessante. E claro, estávamos lá e comprámos facas para oferecer, pode parecer estranho oferecer facas, mas pronto é o que se arranja. Aliás, encontrámos um suporte para facas magnético como andávamos à procura há imenso tempo e nem em supermercados ou IKEA tínhamos encontrado.
Perguntámos onde podíamos encontrar os produtos deles em Lisboa, ao que nos disseram que vendiam muito pouco para Lisboa. Aliás grande parte da sua produção é para exportação. Nunca hei-de compreender esta lógica de exportarmos o que fazemos e importarmos produtos semelhantes. Mas bem, nos supermercados é bem fácil encontrar facas produzidas na Benedita. Por isso da próxima vez que precisarem de uma faca, lembram-se de ver a procedência.
Imagem retirada de http://www.filmam.com/
São Pedro do Corval
São Pedro do Corval pertence ao concelho de Reguengos de Monsaraz, Alentejo e é uma aldeia conhecida pela olaria. Pelo que nos disseram é o maior centro oleiro (pelo menos de barro vermelho) de Portugal. Conheci esta localidade este ano durante as férias, porque alugámos uma casinha em São Pedro do Corval. As olarias são praticamente porta sim, porta sim como se pode ver neste link.
Nós fomos à Olaria Patalim, onde se pode conhecer todo o processo de fabrico dos produtos, além disso tem uma pequena exposição onde explica como se fazia antigamente. Gostei bastante. A olaria é familiar e o oleiro é uma pessoa jovem, o que me fez pensar que ainda há alguma vitalidade na olaria. E pronto lá comprei um tachinho que tem como objectivo fazer arroz de tomate.
Imagem retirada de http://www.pedrovilela.pt/2006/04/olaria-patalim-2/
São pequenos gestos de consumo é verdade, mas que nos fazem lembrar um lugar concreto e dar algum estimulo à economia local e consequentemente à fixação de população em terras conhecidas pelo despovoamento.
Claro que isto são apenas alguns exemplos, por esse país fora existem muitos mais sítios a conhecer.
Já agora, voltando à história das facas de Palaçoulo há uns meses dizia isto a um amigo, sobre exportarmos facas e importarmos facas. Ele dizia-me que a nível económico pode ser uma mais-valia, porque podemos estar a exportar um produto mais caro e a importar um produto mais barato. Não entendo nada de economia, mas quer-me parecer que estas lógicas económicas são muito insustentáveis.
Não sei se é muito comum as pessoas terem imensos botões em casa. Mas eu tenho, alguns bem velhinhos. A minha mãe guardava todos os botões. Lembro-me de ser pequena e brincar com eles. Mais ou menos há um ano decidi começar a fazer coisas com os botões que tinha por cá.
Fazer artesanato com coisas que já temos é estar a reutilizar materiais, dar-lhes uma nova vida. Além dos botões precisei sempre para as coisas que fiz de uma pistola de cola quente.
Imagem ilustrativa dos botões que eu tinha cá em casa na altura
Imagem própria
As primeiras peças que decidi fazer foram ganchos para o cabelo, quer de mola, quer tipo pinça. Ficaram como eu queria, mas ao estarem sempre no cabelo com o uso fui perdendo alguns botões. Então tinha de voltar a colar novos botões, de qualquer modo agora tenho o cabelo pequeno não dá para usar ganchos. Por isso, acho que ficam engraçados, mas não acho que seja uma ideia muito prática.
Imagem própria
Imagem própria
Como estávamos perto da época natalícia decidi fazer também uma coroa de Natal. Acho que fazermos coisas próprias para a decoração de Natal, bem como darmos presentes feitos por nós nesta época é o que representa verdadeiramente o espírito natalício. Como não gosto da loucura do consumismo, muito menos nesta fase de Novembro a Dezembro, aliás cada vez suporto menos, a única decoração que tenho de Natal é alguma coisa feita por mim. Não compro nada dessas coisas, nem uso, a não ser que cá em casa alguém queira comprar e montar. Mas acho que quando é feito por nós com recurso à reutilização de materiais, ou mesmo que se comprem materiais novos, é sempre original, bonito e verdadeiramente natalício.
Coroa de Natal
Imagem própria
A coroa passa o ano inteiro na parede ao lado da secretária do computador, ao lado de uma prancheta que eu gatafunhei há uns anos e de um calendário de alumínio do Trabi (carro da RDA). Quando chegar a Dezembro ponho-a na porta principal.
Para fazer a coroa aproveitei uma caixa de cartão, apenas tive de comprar a fita. Devia era ter pintado o cartão de branco para que ficasse mais homogénea, mas só me lembrei disso depois de concluída. Ainda no espírito natalício, na altura fiz uns presentes onde apliquei botões. Normalmente, dou sempre presentes feitos por mim no Natal a algumas pessoas. O ano passado comprei umas caixas de madeira, pintei-as e apliquei os botões e fiz o mesmo numa moldura. A moldura ficou tão fofa, mesmo bonitinha, infelizmente não tirei fotos nem às caixas nem à moldura por isso não posso mostrar. Este ano ainda não decidi se vou fazer alguns presentes ou não, depois penso nisso.
Para finalizar, queria mostrar a sardinha que diz para concorrer ao Concurso Sardinhas Festas de Lisboa 2015, infelizmente não ganhei, mas pronto tenho a minha sardinha mangerica aqui pendurada na sala. Para esta sardinha tive de comprar alguns botões novos, porque não tinha botões suficientes destas cores, neste caso já pintei o fundo do cartão com as cores correspondentes.
A sardinha mangerica (acompanha por outras sardinhas)
Imagem própria
Acho que reutilizar botões para artesanato é bastante interessante, afinal sem ser a costura ou artesanato, os botões não servem para muito mais coisas ou estarei a esquecer-me de algo? Depois são materiais que duram mais que os tecidos e que não se podem reciclar. Quer dizer se calhar até podem, mas não há recolha apropriada.
Espero que vos tenha inspirado a reutilizar botões.
Tenho de pensar onde posso reutilizar aqueles botões com barquinhos que se vêem na primeira fotografia que ainda me lembro bem de serem de um fato que eu tinha quando era criança.
A importância de consumir local também faz parte do nosso consumo consciente.
Consumir local constituí várias vantagens para nós enquanto cidadãos, para as nossas cidades e vilas, para o ambiente e a economia.
Divido o consumir local entre duas coisas: consumir produtos de produção local; consumir produtos e serviços em comércio de proximidade.
O consumo de bens de produção local desenvolve a economia da nossa região, cria mais postos de trabalho, o que gera uma grande cadeia de bens e serviços dos quais posteriormente vamos beneficiar. A nível ambiental, os gastos em transportes e consequentemente em energia diminuem, o que é benéfico a nível das matérias-primas utilizadas e das emissões poluentes.
O consumo de bens e serviços em comércio de proximidade, aquele que fazemos na proximidade da nossa residência ou local de trabalho, tem como vantagens:
Ajudar pequenos comerciantes (para mim uma distribuição de dinheiro sem ser sempre para grandes cadeias é fundamental para um país mais igualitário), os quais muitas vezes compram a pequenos produtores;
Não recorrer constantemente ao transporte individual para fazermos pequenas compras;
Fortalecer a economia local, dar vida às nossas cidades e às nossas vilas;
Fomentar uma vida urbana mais agradável e consequentemente uma maior entre-ajuda, segurança e mesmo limpeza. Viver numa rua de lojas fechadas é completamente diferente de viver numa rua de comércio, onde todos os dias as pessoas se cruzam, onde a cabeleireira vai ao café, onde o senhor da papelaria vai à florista, etc, etc.
O consumir local em comércio de proximidade é o que faz com que esse comércio continue a existir e a pessoa saiba que pode contar com ele para qualquer eventualidade. Não vale a pena nos indignarmos por o cinema Londes fechar, se nunca íamos ao cinema Londres, mas sim ao cinema num qualquer centro comercial mais urbano ou mais suburbano.
Quando andava na faculdade, inscrevi-me numa cadeira de opção chamada Análise Regional Urbana e lembro-me perfeitamente de o professor contar a história da sua aldeia. Na sua aldeia havia algum comércio local, mas com a abertura das grandes superfícies na cidade e o acesso ao transporte individual, todas as pessoas começaram a fazer as suas compras fora da aldeia. Tudo o que havia na aldeia fechou, talvez já não respondesse aos anseios dos consumidores (o comércio de rua também tem de evoluir é verdade). Mas entretanto as pessoas envelheceram e como não têm possibilidade de se deslocar queixam-se que já não existe na aldeia sítios onde comprar bens. É assim a histórias de muitas aldeias e vilas portuguesas. Aliado a isso, o professor dizia que também se queixavam de não haver emprego na aldeia, ao que ele respondia que se a mercearia tinha fechado, era normal que o merceeiro não empregasse ninguém.
Os grandes centros urbanos são pólos de atracção de investimento e consequentemente de dinheiro. A questão é que muitas vezes já não se trata apenas da cidade que atrai o investimento, a cidade atrai esse investimento, mas ao comprarmos apenas a grandes cadeias multinacionais, grande parte desse dinheiro nem sequer fica na nossa cidade. No fundo estamos sempre a contribuir para enriquecer uns em detrimento dos outros (isto só é um problema para quem acha que isto é um problema, obviamente).
Eu também o faço, também vou a supermercados e a cadeias alimentares em centros comerciais, bem como a outras grandes lojas multinacionais.
Todavia, acredito que algum do nosso dinheiro também deve ser gasto no nosso comércio local. Vivo numa vila na Área Metropolitana de Lisboa, mas que ainda tem uma vida muito própria de comércio local, a qual é sobretudo alimentada pelos mais idosos que não têm forma de se deslocar e pelos estudantes universitários.
É nesta vila e com deslocações a pé que vou ao café, à padaria, à churrasqueira, à papelaria, ao cabeleireiro, à mercearia (mais em situações de recurso), à florista, à farmácia, à loja de fotocópias, ao veterinário (bem às vezes levamos o cão no carro), à retrosaria (é raro ir a uma retrosaria, mas quando preciso), fazer análises clínicas. Aliás quando alguém na família morre também vamos à agência funerária aqui da rua. É também aqui a poucos passos que já inscrevi o meu bebé no berçário. Porque as nossas vilas podem sempre ser as nossas comunidades sustentáveis.
É bom para mim dispor deste comércio local, é bom porque me facilita a vida e porque assim conheço as pessoas que vivem em meu redor, o que contribuiu para as relações de vizinhança. É bom porque espaços mais vividos são mais seguros. É bom porque não temos de utilizar tanto o transporte individual. É bom porque fixamos mais o dinheiro na nossa região. Eu sei que a dona da retrosaria vai ao café daqui e que a dona do café vai à farmácia. Não me parece que o Alexandre Soares dos Santos, por exemplo, venha aqui ao café, nem que o que ele paga aos funcionários lhes permita ir muito ao café. Mas pronto eu também vou ao Pingo Doce.
Mas pronto consumir local é bom quando se consome de produção local, mas também é bom quando se consome no comércio local.
O comércio de rua é uma forma de vivenciar as cidades e vilas, dar-lhes vida, espaços mais seguros, mais amigáveis. De misturar pessoas e classes sociais, uma forma mais humana de se viver.
Quando penso nisto, lembro-me sempre por antagonia das utopias das cidades modernistas e do Le Corbusier, das altas torres, da grande divisão de usos. E depois lembro-me daqueles subúrbios em Paris onde parece que as pessoas vivem enjauladas com espaços verdes à volta das grandes torres, onde não se passa nada, onde a insegurança parece palavra de ordem.
Imagem do Plan Voisin - proposta urbana de Le Corbusier para Paris
Imagem retiradas de https://planocidade.wordpress.com/2010/07/24/plan-voisin-de-le-corbusier/
Ainda bem que esta ideia para Paris nunca foi para a frente. Embora eu ache que as cidades modernistas também tinha aspectos positivos, mas prefiro cidade e vilas mais orgânicas, onde as adaptações se façam dia-a-dia. Bem, orgânicas, mas com peso, conta e medida.
Por causa do escândalo actual da Volkwagen relativo às emissões poluentes fico a pensar até que ponto podemos realmente acreditar no que nos vendem.
Até que ponto podemos acreditar nos produtos, mesmo com certificações, mesmo passando por uma série de análises.
Lembro-me de há uns tempos, um azeite extra-virgem biológico que era bastante premiado depois de umas análises se ter percebido que não era biológico, nem sequer extra-virgem.
Conheço também algumas histórias contadas por antigos funcionários da indústria cerâmica que me disseram que o vidrado dos produtos era feito com quantidades de chumbo demasiado elevados. Os quais iam contra a lei, mas que esses nunca eram os que eram analisados, aquando das auditorias. Coincidências.
A questão é: como saber que realmente um produto é aquilo que nos estão a vender?
Em princípio devemos acreditar, há leis e há controlos de qualidade.
Mas eu até conheço empresas que têm selos de qualidade sem terem sistema de qualidade realmente implementado.
No que devemos acreditar? Qual as validades das certificações e selos. Andaremos a pagar por produtos ecológicos, ambiental e social correctos que afinal não são? Como consumidores havemos de acreditar ou duvidar?
Quando fiz a postagem sobre o cartão, O cartão e a China, referi que as minhas embalagens favoritas são as de vidro. Acho o vidro um material fantástico. Existem vários tipos de vidros, mas aqui vou considerar o vidro das embalagens (frascos, garrafas e potes) e os vidros domésticos (copos, taças, tigelas).
O vidro é feito de areia, a qual é extraída da natureza, o que causa muitas vezes problemas ambientais, uma vez que a extracção de areia em excesso, quer do leito dos rios ou do solo propriamente dito, pode contribuir para a alteração do solo, diminuição de vegetação, entre outros problemas. Além disto, o vidro tem outro problema já que não se decompõe de forma natural, a decomposição do vidro pode levar até 1 milhão de anos, na verdade nem se sabe muito bem quanto tempo pode demorar o vidro a decompor-se, é como se fosse eterno.
Então se o vidro tem estes problemas porque gosto tanto dele? Exactamente porque é quase eterno.
A utilização de vidro é quase infinita, a não ser que se parta. Ao escolhermos embalagens de vidro podemos reduzir bastante a utilização de novas embalagens, uma vez que podemos reutilizar as embalagens de vidro para o mesmo fim ou para outros fins. Além disso, a reciclagem do vidro é muito mais eficiente que a reciclagem de qualquer outro material.
O vidro é um material ideal para a reciclagem, uma vez que pode ser infinitamente reciclado (o que não acontece nem com o papel, nem com os plásticos), a quantidade de vidro velho a reciclar vai permitir produzir novamente a mesma quantidade de vidro novo. Com a vantagem que a reciclagem de vidro gasta muito menos energia e água do que se fazer vidro novo.
O vidro é também um material ideal para reutilizar, ao contrário do plástico que com o tempo se vai modificando e libertando toxinas, o vidro é inerte. Basta lavar e o vidro está como novo. Por isso acho óptima a ideia de garrafas com tara, as quais existem cada vez menos (não era suposto que as preocupações ambientais fizessem com que a garrafas com tara fossem cada vez mais usados?), haverá coisa melhor que as próprias empresas produtoras de bebidas voltarem a encher as mesmas garrafas sem necessidade de as reciclar?
Depois nós próprios a nível doméstico podemos reutilizar eternamente as nossas embalagens de vidro. Cá em casa costumo guardar os frascos, nos quais guardo compotas, conservas, ervas aromáticas, sementes, etc, etc. Os frascos também são óptimos para outras arrumações, botões, parafusos ou simplesmente para fazer porta canetas (os da loja são antigos frascos de doce). Relativamente às garrafas não as reutilizo tanto, a maioria acaba na reciclagem, mas vou sempre guardando algumas nas quais o meu namorado engarrafa algum vinho que lhe dão. Também reutilizo muitas vezes as garrafas de azeite ou groselha para guardar óleo de fritar batatas que tenha sido utilizado uma vez (acho mais seguro guardar em garrafas de vidro do que de plástico).
Com frascos e garrafas também se podem fazer excelentes peças de decoração, mas confesso que não costumo fazer.
Basicamente estas são as razões porque prefiro embalagens de vidro. Cá em casa, as embalagens de vidro que costumamos comprar são: alguns enlatados (enfrascados neste caso); vinho; cerveja; água com gás; groselha; azeite (as garrafas de plástico de azeite não me convencem). E eventualmente algum doce ou polpa de tomate (raramente tenho de comprar estas coisas porque faço-as).
Alguns dos frascos que tinha há uns tempos na minha arrecadação Imagem própria
No que toca ao meu stock de frascos de vidro, ao início foi complicado arranjar frascos, andei a pedir a toda a gente. Até que o meu tio que tem um restaurante começou a guardar frascos e pronto, agora tenho sempre uma imensidão, de tal forma que por vezes tenho mesmo de deitar uns para a reciclagem que já não tenho onde os guardar. Por isso se alguém precisar de frascos, fale comigo.
Relativamente aos vidros domésticos, os quais não podem ir para a reciclagem de vidro, infelizmente, também têm a minha preferência. Neste além dos copos e jarros que acho que todos normalmente usamos, adoro caixas de guardar alimentos de vidro. Porque mais uma vez são inertes, sempre impecavelmente limpas e sem problemas de libertar toxinas. Além disso tanto são boas caixas para guardar restos no frigorífico como para ir à mesa ou mesmo ao micro-ondas (eu não gosto muito de utilizar este electrodoméstico, mas com materiais plásticos nunca utilizo mesmo).
E pronto aqui está o meu material preferido para embalagens. Comprem embalagens de vidro, reutilizem-nas e depois reciclem-nas. Mas por favor não as ponham no lixo comum, nem as larguem por aí na natureza.
Há muitas opiniões sobre os produtos lácteos, durante anos eram amplamente aconselhados, actualmente surgem notícias que afinal não são assim tão bons. Penso que não serão essenciais na nossa alimentação, mas também não creio que sejam o perigo que alguns agora tentam mostrar. Como tudo, penso que a virtude está no consumo moderado de produtos lácteos.
Há muita gente que não os consume, por variados motivos, há quem seja intolerante à lactose, há quem não goste, há quem seja contra o consumo destes produtos devido à exploração animal. No que se refere à última hipótese, acho que as pessoas estão inteiramente no seu direito, embora acredite que há formas e formas de criar os animais. Sei que há explorações onde as vacas, por exemplo, são completamente exploradas e vivem em stress constante para que a sua produção de leite seja maior. Por isso, eu gosto de comprar produtos açorianos, embora não sejam biológicos, vejo que as vacas açorianas andam livremente em pasto, o que me parece muito melhor do que aquelas explorações que vejo ali pelo Montijo. Acredito que as vacas açorianas, embora não tenham uma alimentação livre de rações, têm uma alimentação muito mais natural que na maior parte das explorações que existem por aí.
Seja como for, devo confessar que adoro leite e produtos lácteos em geral. É daquelas coisas que me sabem mesmo, mas mesmo bem. Embora saiba que o consumo exagerado de leite não é muito bom para alguns órgãos do nosso corpo.
Então qual é aquela característica que tenho sempre em atenção quando compro produtos lácteos? É a proveniência do leite. Todos os produtos lácteos, leite, iogurtes, manteiga, queijo têm um código onde consta a origem do leite utilizado. O código é como o da imagem abaixo, por vezes em iogurtes é algo difícil encontrar o código, mas mesmo escondido, anda sempre por lá.
Imagem retirada de http://ardecasa.blogspot.pt/2012/11/boas-escolhas-compremos-o-que-e-nosso.html
Assim, prefiro sempre leite português, mais uma vez além de ajudarmos a economia nacional, acredito que se poupe no gasto de energia relativo aos transportes. Embora não tenha a certeza, também acredito que as embalagens utilizadas também sejam fabricadas em Portugal, com recurso a matéria-prima portuguesa (será?). Bem se for de leite açoriano comparado com leite espanhol não tenho certeza que se poupe energia no seu transporte, mas sou adepta incondicional de produtos açorianos. Porque os Açores são maravilhosos, temos de ajudar a economia açoriana e aquele arquipélago precisa de conseguir cativar as pessoas a viverem lá. Isto sem estragar a natureza.
O leite compro sempre português. A manteiga costumo comprar Milhafre dos Açores, atenção que a manteiga é daqueles produtos muitas vezes feito com leite belga (por exemplo, a Matinal). Relativamente aos iogurtes são aqueles onde a origem do leite mais varia, normalmente a Mimosa e Danone são feitos com leite português. Mas as outras marcas são quase sempre de leite espanhol ou de outros países. Os queijos só compro nacionais e normalmente locais, queijo de Azeitão nham nham ou queijos de algum sítio em que passo, compro muitos queijos de Penela.
As marcas brancas variam muito a origem do leite e dos produtos lácteos em geral, por isso confirmo sempre.
Mas há uma questão, adoro iogurtes do tipo grego, raramente são feitos com leite português e às vezes lá compro um ou outro iogurte tipo grego de leite espanhol, mas tento controlar-me. Mas nas minhas últimas compras tive uma agradável surpresa, os iogurtes tipo grego da marca do continente eram feitos com leite português (o que ainda é mais estranho, porque raramente os iogurtes do continente são feitos de leite nacional). Bem aqueles iogurtes foram um regalo.
Para finalizar, claro que se não moram em Portugal, mais vale comprar produtos lácteos feitos com leite de origem local. Nunca percebi muito bem a necessidade de exportarmos leite para a Alemanha, por exemplo e importarmos leite da Alemanha. Acho que vai contra qualquer lógica ecológica.
Para quem bebe leite biológico e costuma ir a supermercados biológicos, atenção que a maioria dos produtos lácteos são de leite alemão ou de outras nacionalidades. E dentro de produtos lácteos biológicos temos o nosso leite e iogurtes biológicos da Agros, bem bons por acaso. Se calhar há mais marcas nacionais biológicas, mas esta é a única que já provei.
Acho mesmo é que a maior parte dos iogurtes podiam voltar a ser vendidos em potes de vidro. Acho que tenho de enviar um email para a Agros a dar esta sugestão. Assim seriam biológicos e muito mais sustentáveis.
Imagem retirada de http://www.lactogal.pt/content.aspx?menuid=116