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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A alfarroba uma delícia saudável

A alfarrobeira é uma árvore selvagem de clima mediterrâneo. Em Portugal é sobretudo encontrada no Algarve (duas publicações seguidas em que falo desta região). O seu fruto, a alfarroba é uma vagem deliciosa e docinha, sim dá para roer assim as vagens.


Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfarrobeira

Cá em casa todos comemos alfarroba, bem todos menos a gata, comemos nós humanos e comem as cabras e as galinhas porque no Verão o meu pai costuma trazer alfarroba para eles das árvores do meu tio que mora Lagos. Até o cão come e para ele tanto lhe faz se é alfarroba em vagem, se é bolo ou pão, basta apanhá-la. Mas antes de o meu tio ter o terreno, já eu me tinha rendido à farinha de alfarroba.

A farinha de alfarroba é um óptimo substituto do cacau. Mas bem, o sabor é completamente diferente, no meu entender são ambos extraordinários e bons. Todavia, a alfarroba tem algumas vantagens, primeiramente é naturalmente doce, enquanto o chocolate só é doce porque adicionamos doce ao cacau. Depois, a alfarroba é um produto endógeno português, sim não viaja quilómetros para chegar à nossa mesa. A farinha de alfarroba que se compra é sempre biológica até porque é uma árvore selvagem, mas temos a garantia que não tem químicos e outras coisas. Além disso, comparativamente com o chocolate, a alfarroba é muito mais saudável.

Segundo este blogue, o cacau possuí 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais em torno de 38% a 45%. Assim, não necessita de se adicionar mais açúcares. A alfarroba é um alimentos saudável e de elevado valor nutritivo. Contém vitamina B1, vitamina A e vitamina B2, cálcio, magnésio e ferro e o correcto balanceamento de potássio e sódio. Não possui agentes alergênicos ou estimulantes, tais como a cafeína e teobromina presentes no cacau. Embora tenha uma elevada quantidade de açúcares possuí um baixo teor calórico devido à quantidade quase imperceptível de lipídeos e alta quantidade de fibras naturais.

Assim, é só vantagens em consumir alfarroba em vez de cacau, mas eu como sou gulosa continuo a consumir os dois.

Mas e o que faço como a farinha de alfarroba? Faço bolo, salame e pão. Sobretudo bolo. E foi isso que fiz agora, um saboroso bolo de alfarroba.





Imagem própria


Receita Bolo de Alfarroba (sei que tirei esta receita de um site qualquer, mas não sei qual)

Ingredientes:
  • 200g de açúcar mascavado;
  • 6 ovos;
  • 60g de farinha de alfarroba;
  • 180g de farinha de trigo com fermento;
  • 1 colher de chá de fermento em pó;
  • 250g de manteiga;
  • 100g de amêndoa triturada (desta vez troquei por sultanas);
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
Preparação:
  • Bata as gemas com o açúcar e adicione a baunilha e a manteiga (desta vez como não tinha 250g de um só tipo de manteiga, misturei margarida de soja, manteiga sem sal da mimosa e manteiga com sal milhafre);
  • Adicione as farinhas e o fermento à mistura anterior;
  • Bata as claras em castelo e adicione à mistura anterior até ficar bem fofinha;
  • Adicione as amêndoas (neste caso adicionei as sultanas e não pesei a quantidade, adicionei a olho);
  • Unte uma forma com margarina e polvilhe com farinha e deite a mistura;
  • Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até o bolo estar cozido.

Embora a receita original que eu vi levasse amêndoas, gostei bem mais com as sultanas. Às vezes é bom experimentar coisas novas. E o bolo está realmente delicioso, acho que foi o melhor bolo de alfarroba que fiz até agora ou então estava mesmo com muito desejo. Mas antes de o colocar no forno provei a massa crua e estava deliciosa parecia mousse. Estava tão boa que até me apetecia comer à colherada. Mas bem entretanto já tentei fazer mousse de alfarroba e abacate (ainda por cima o abacate importado do Perú) através de uma receita que encontrei na net e bem a mousse foi chumbada por todos cá em casa.

Como já referi, além do bolo, já noutras ocasiões fiz salame de alfarroba e pão de alfarroba. O salame é bom, mas acho que fica uns pontos abaixo do salame de chocolate. O pão de alfarroba é muito bom, mas embora eu goste de fazer pão, nem sempre tenho disposição para o fazer. Mas ainda hei-de escrever uma publicação só a falar de pão e de fazer pão. Deixo aqui só umas fotografias antigas, destas minhas lides culinárias.


Pão de Alfarroba
Imagem própria


Salame de Alfarroba (à esquerda) acompanhado na imagem por uma maravilhosa Sericaia
Imagem própria

A alfarroba é uma escolha saborosa, sustentável (produto endógeno e biológico) e saudável. Que mais podemos querer? Nas feiras de artesanato que costumam existir agora perto do Natal é muito comum encontrar produtos de alfarroba, biscoitos, barras de "chocolate", licores. Experimentem ou então comprem farinhas de alfarroba e façam em casa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A bela natureza - o pé de feijão

O meu pai costuma debulhar o feijão numa mesa que temos no quintal. E depois o feijão fica por ali a secar algum tempo. Naturalmente, há sempre um ou outro que caí no chão em sítios que nunca mais os vemos. E são esses pequenos gestos de naturalidade que fazem nascer feijoeiros nos sítios mais inesperados.

Imagem própria

Imagem própria
Entretanto a metereologia, o cão a correr, nós de um lado para o outro, não vamos permitir que a vida destes pequenos feijoeiros continue por muito tempo. Se não morrerem por eles, acho que os teremos de arrancar mais dia menos dia. Mas a natureza consegue sempre germinar mesmo onde o ser humano não quer. Ela sempre a contribuir para nós e nós a destruí-la.

Agora lembrei-me quando andei a trabalhar há uns anos num aterro que de aterro não tinha nada, basicamente uma empresa que recebia resíduos e em vez de os aterrar de forma correcta, simplesmente os enterrava sem qualquer cuidado, o que contribuiu para a poluição de umas ribeiras nas imediações. E um dia no meio daquele lixo todo, estavam umas belas couves (provavelmente todas contaminadas) que tinham nascido ali por acaso. Há coisa mais bela?

Para finalizar lembrei-me de um tipo de vegetação, o conceito que mais gostei das aulas de biogeografia, a vegetação ruderal.

"Ruderal (do latim: ruderis; "entulho") é a designação dada em ecologia às comunidades vegetais que se desenvolvem em ambientes fortemente perturbados pela acção humana, como seja cascalheiras, depósitos de entulho, aterros, bermas de caminhos e espaços similares. Por extensão, designam-se por "plantas ruderais", ou por "vegetação ruderal", as espécies e as comunidades vegetais típicas desses ambientes." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/Ruderal

Esta vegetação ruderal que às vezes parece querer estragar a paisagem construída, mas que apenas está a tornar o ambiente mais saudável.

sábado, 24 de outubro de 2015

Folhas secas

Hoje, o dia em que estou a escrever, não o dia da publicação desta mensagem (sim, eu costumo programar algumas publicações com uns dias de antecedência), está um verdadeiro dia de Outono, daqueles a sério com vento, chuva e muitas folhas caidas. Ao contrário de muita gente, adoro as paisagens de Outono, não propriamente quando está a chover, mas depois vê-las cheias de folhas amareladas, o aproximar do fim do ciclo. Adoro imagens de jardins repletos de folhas.

Imagem retirada de http://pt.depositphotos.com/10594248/stock-photo-park-bench-and-autumn-leaves.html

As folhas que caem não são lixo, embora em meios urbanos possam causar bastantes problemas, nomeadamente com o entupimentos das sarjetas, causando diversos problemas como as inundações. Nestes casos, obviamente que as folhas têm de ser retiradas para permitir o correcto escoamento das águas pluviais, afinal as nossas cidades têm poucas opções de infiltração para as águas (faltam mais espaços verdes). Embora deva dizer que a calçada portuguesa, comparativamente a outros tipos de pavimento permite a infiltração de alguma água.

Mas as folhas secas completam o ciclo da árvore, quando caem e se desfazem vão enriquecer o solo e fornecer nutrientes essenciais para as árvores. Por isso, da próxima vez que tiverem o vosso jardim ou o vosso quintal cheios de folhas secas, pensem que aquelas árvores agora nuas precisam que as suas folhas lhe voltem a dar alimento.

Verdadeiramente maravilhoso como a natureza pode ser tão perfeita.

Atenção a palavra humidade está escrita umidade porque a imagem foi retirada de um site brasileiro
Imagem retirada de https://www.facebook.com/SouResiduoZero/photos/a.585726881564341.1073741828.559238824213147/672327489570946/?type=3&theater

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Coberturas verdes e o ambiente urbano

Há uns quatro anos, estava a trabalhar numa Avaliação Ambiental Estratégica e dado o impasse do projecto que não andava nem desandava, o meu chefe decidiu pensar em soluções intermédias para a resolução do problema.

O problema era o seguinte: havia uma área urbana com solos altamente contaminados para o qual estavam a fazer um plano de regeneração urbana. Mas como o plano por diversas circunstâncias não arrancava em toda a sua plenitude, optamos por sugerir um faseamento da execução do plano. O que dividiria as áreas urbanas a regenerar em diversas fases, aquelas que não fossem regeneradas no imediato teriam soluções intermédias para melhorar as suas características ambientais.

Neste contexto, surgiu a ideia de incentivar as coberturas verdes nos edifícios, quer nos novos a construir aquando da implementação dos Planos de Urbanização e Planos de Pormenor, quer nos edifícios já existentes (se a solução pudesse ser adoptada) em áreas que o Plano só iria intervir em fases mais tardias.

E foi disto que me lembrei quando vi o que vos mostro na fotografia que se segue.

Pinheiro nascido no telhado de uma casa abandonada em Vila Nova de Poiares
Imagem própria
Isto é uma verdadeira cobertura verde orgânica, a natureza no seu maior grau e, vá, o desleixo humano na mesma escala. Infelizmente, este é o tipo de cobertura verde que se vê mais por Portugal. Claro que existem alguns edifícios com coberturas verdes a sério, mas são poucos.

Mas afinal, como ajudam as coberturas verdes o ambiente? Como contribuem para a sustentabilidade e diminuição da poluição de uma área urbana?

Andei à procura das minhas pesquisas e as coberturas verdes ajudam de muitas formas. Estas coberturas ajudam a regularizar o conforto climático das áreas urbanas, contribuindo para a sustentabilidade ecológica e consequentemente para o bem-estar da população. O que no fundo é o que qualquer área verde faz, mas neste caso estamos a aproveitar espaços que não têm qualquer função.

A nível ambiental e ecológico, estas coberturas trazem benefícios, tais como evitar o transbordo do sistema misto de esgotos, reduzir o impacte do dióxido de carbono, neutralizar o efeito das chuvas ácidas e fornecer novo habitat para pássaros e insectos. Para a comunidade, estas coberturas têm vantagens como a limitação do escoamento das águas pluviais, a diminuição do efeito da ilha de calor urbano, a redução do smog e do ruído, menores perdas energéticas, e ainda, a melhoria da qualidade do ar e da estética paisagística. Para os proprietários dos edifícios tem vantagens como o aumento da esperança média de vida da cobertura, a redução de custos com o arrefecimento no Verão e o aquecimento no Inverno, uma gestão mais fácil das águas pluviais, bem como a vantagem de aproveitar um espaço morto como jardim.


Os sistemas de coberturas verdes não são todos iguais, existindo o extensivo (mais simples, requer menor investimento e menor manutenção), o intensivo simples e o intensivo (sistema mais complexo, composto por arbusto ou mesmo árvores, é o que requer maior investimento, maior capacidade estrutural do edifício e maior manutenção).

Lembro-me de quando fui a Berlim, mais ou menos na mesma altura que andava nestas pesquisas ver imensos edifícios com coberturas verdes.


Gulbenkian, Lisboa - talvez dos edifícios portugueses com coberturas verdes mais famosos
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Cobertura_verde
Hundertwasserhaus em Viena, além de cobertura verde tem também paredes verdes
Talvez este edifício tenha sido das coisas que mais apreciei em Viena
Imagem retirada de http://www.wien.info/en/sightseeing/green-vienna/green-walls-in-vienna
Projectos ao nível do sonho
Imagem retirada de https://arquitetivismo.wordpress.com/category/arquitetura-sustentavel/
Isto sim! Isto são coberturas verdes a sério, não pinheiros nascidos em telhados de casas abandonadas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O jardim e o Outono

O meu namorado não é tão preocupado com as questões ambientais como eu sou. De facto, ele até implica um bocado comigo. Bem, obviamente que aquela parte da reciclagem, de preferir alimentos de origem portuguesa, não desperdiçar alimentos e outras coisas, ele concorda e faz. Ele até prefere andar a pé ou de transportes públicos que de automóvel, logo nem me posso queixar muito. E aceitou, mesmo que a contra-gosto as fraldas reutilizáveis. Se calhar, até é bem preocupado, tendo em conta a generalidade das pessoas que eu conheço.

Mas tudo o que entra em coisas como querer usar produtos de higiene ou de limpeza com menos tóxicos, guardar embalagens a pensar que as vou reutilizar (sem ter qualquer ideia como) ou querer usar lenços e guardanapos de pano (hei-de falar disto numa postagem futura), separar o lixo que as pessoas misturam na loja ou apanhar lixo do chão, ele já acha demais.

Mas no fundo não sei quem contribui mais para o bem-estar do nosso planeta, se eu, se ele. É verdade que eu tento diminuir as emissões de dióxido de carbono, mas cá em casa é ele que contribui grandemente para o aumento de oxigénio. Já que é ele que trata do nosso jardim, o nosso jardim basicamente são um conjunto de canteiros no quintal. E da horta, essa parte é repartida com o meu pai.

Estes canteiros, muitos ainda são do tempo do meu avô. O meu avô tinha sempre os canteiros muito arranjados, afinal ele foi jardineiro dos jardins de Belém. Mas depois dele morrer, o meu pai nunca mais os teve muito bonitos. O meu pai gosta de flores, planta-as e rega-as, mas não tem muita paciência para a manutenção. Por isso, desde que eu e o meu namorado viemos viver cá para casa e ele começou a tomar conta do jardim, as flores estão muito mais bonitas, o espaço bem mais agradável, os bicharocos muito mais felizes, nomeadamente as abelhas. A beleza das flores enche-nos o espírito.

O momento áureo é claro, o renascer na Primavera, primeiro umas flores, depois outras. Viver perto da natureza faz-nos preparar melhor as estações. E estas quando se tem um quintal mudam-nos os hábitos. Por exemplo, muita gente não entende porque no Verão jantamos sempre mais tarde que no Inverno. A questão é simples, no Inverno quando se chega do trabalho é noite, no Verão é dia.

Normalmente, no Verão, o meu namorado quase todos os dias trata do jardim, ora umas coisas, ora outras. Vivemos muito mais o exterior. Mas agora ele chega a casa já de noite, não dá para fazer nada, ao fim-de-semana se estiver a chover também não dá. O Outuno e o Inverno com algumas condicionantes são épocas de preparar o jardim para o renascer que virá mais tarde. Tarefas como apanhar folhas, revolver a terra, comprar novos bolbos, podar roseiras, etc. Para na Primavera tudo nascer com mais harmonia.

Às vezes, não pensamos nisso, mas acho que também o devíamos fazer a nível pessoal, o Outono devia ser um tempo de pensamento e reflexão sobre nós mesmos. Mas para reflectir é preciso ter tempo, nem todos o temos e nem todos o queremos ter.

E assim, aqui no quintal agora vão cair as folhas, as flores vão morrendo aos poucos, a terra vai ficar molhada, a chuva trará nutrientes importantes, as ervas se o Sol aparecer vão crescer. Todos os dias, todos os anos é assim, há imenso tempo.

Para travar o crescimento de ervas sem fim nos canteiros, o meu namorado está a cobri-los com casca de pinheiro que trouxemos da terra dele. Adoro ver a casca do pinheiro, mais uma vez a natureza fornece tudo o que é necessário. Com o tempo, a casca vai-se degradando e integra-se no solo.

O problema desta tarefa é que ainda deverá demorar bastante a estar concluída. Ele agora chega sempre a casa de noite, é preciso esperar que a metereologia permita fazer alguma coisa aos fim-de-semana. Mas é isto que é a agricultura e a jardinagem são um misto de persistência, paciência e um ciclo interminável. Às vezes, acho que me falta a paciência, mas acho que as actividades ligadas à terra e aos animais nos fazem entender melhor o ciclo das coisas, os tempos essenciais. No fundo, acho que este é o verdadeiro mundo, onde se nasce, cresce e morre e tudo se transforma. Um mundo muito mais verdadeiro e perto da essência humana do que o mundo inventado do glamour e das coisas supérfluas que criámos para preencherem o nosso quotidiano. Não sei bem porquê, mas ao escrever isto lembrei-me de um dos meus livros preferidos, A Quinta dos Animais (Animal Farm).

Aqui ficam algumas imagens do nosso jardim, fotografias já tiradas em Outubro, depois das primeiras chuvas.



A alfazema
Imagem própria

A casca de pinheiro com os cravos, as rosas, a alfazema e a framboesa
Imagem própria

São rosas... Rosas em Outubro?
Imagem própria
 
Restos marítimos, uma âncora e um antigo pote da pesca do polvo, usado agora como vaso
Imagem própria

Mais rosas... vê-se também o sistema de rega gota a gota com o objectivo de minimizar o crescimento de erva nos caminhos, bem como o desperdício de água (neste últimos dias, a chuva encarrega-se da rega)
Imagem própria

Uma rosa matizada, esta foi comprada já assim, mas é comum nascerem algumas assim quando duas roseiras diferentes estão muito próximas
Imagem própria

A relva e o baloiço que foi aqui posto quando eu era pequena (reutilizando uma velha cadeira de autocarro), o meu bebé já tem um baloiço à espera dele
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As minhas infusões

Como o prometido é devido, decidi finalmente pôr a tesoura  a cortar as minhas ervas para fazer as infusões, a de lúcia-lima e a das mentas, tal como disse que faria na postagem Chás e infusões - escolhas.

Primeiro cortei-as, escolhendo as folhas que me pareciam saudáveis. Posteriormente separei as folhas das caules, não quer dizer que não tenha passado um bocadinho ou outro das caules e deixei a secar cerca de quatro dias. Convém deixar a secar num sítio que apanhe ar, mas onde não apanhe sol directo e já agora, o mais difícil de tudo onde a gata não chegue, senão o mais certo é posteriormente beber infusão de pêlos de gata. Pelo menos a minha gata parecia estar a achar que o sítio ideal para ir dormir era uma peneira cheia de folhas.

A lúcia-lima ou limonete, tem um cheiro idêntico ao do limão, não tem muito que referir é das minhas infusões, vulgo chás, preferidas. Muito boa para ajudar na digestão, se repararem aquelas infusões que se vendem como o nome Digestão Fácil, normalmente têm sempre esta erva.

As mentas ou hortelãs também são bastante agradáveis, adoro o sabor. Nesta infusão juntei quatro tipos, menta-chocolate, menta-laranja, menta-ananás e hortelã da ribeira (a hortelã mais comum que existe por aí). A que tenho em maior quantidade é a menta-chocolate, logo foi a mais usada para preparar as infusões. Vamos ver se esta mixórdia de mentas dá um sabor interessante.

Passado os quatro dias, ou seja hoje, como já estavam realmente secas, decidi dividir em frascos, separei mais algumas caules que tinham ficado. E no caso nas mentas, parti-as um bocadinho para quando for fazer a infusão os diferentes sabores se juntarem mais.

E agora vou lanchar, uma infusão de mentas e uma fatia de bolo de chocolate que acabei de fazer, não deixo a receita porque é pouco sustentável (cacau e coco não é algo muito europeu), mas é dos melhores bolos de chocolate caseiros que já comi. Se calhar um dia deixo a receita...

As mentas ao fundo e a lúcia-lima no meio
Imagem própria

Aqui estão as folhas já sem caules, à esquerda a lúcia-lima e à direita as mentas
Imagem própria
Já dentro dos frascos, dois de cada, à esquerda, as mentas, à direita, a lúcia-lima
Imagem própria

Falta a parte: Porque é que as minhas infusões são sustentáveis? Porque são do meu quintal, porque não têm químicos, porque não foram transportadas (só pelos meus pés) por meios que gastam recursos, porque não utilizaram embalagens novas e ainda porque estão guardadas em frascos reutilizados. Acho que é suficiente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O café e as minhocas

Como já referi, anteriormente, aproveito as borras de café da minha loja para o jardim.

Mas vamos primeiro ao café enquanto produto. Na Europa não se produz café, contudo somos grandes consumidores. Os maiores produtores mundiais de café são o Brasil, a Colômbia, a Indonésia, o Vietname, o México, a Etiópia, a Índia, a Guatemala, a Costa do Marfim e o Uganda. Isso mesmo, o café tão consumido no hemisfério Norte provem na sua grande maioria do hemisfério Sul ou no máximo do Sul do hemisfério Norte.

Pelo que li existem dois tipos de planta que originam o café: a robusta e a arábica.

Distribuição do cultivo de café (r - robusta; m - robusta e arábica; a - arábica)
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9

Com esta produção mundial devíamos era deixar de consumir café. Ai! Mas o café, esse precioso produto que está nas nossas vidas como se fosse algo que existe desde sempre. Quase como se nascesse aqui ao lado, nem parece importado, parece um produto certo e adquirido, quase tradicional.

Então resta-nos beber o café e tentar reaproveitar qualquer coisinha. No meu caso, as borras de café, sim eu vendo o café e depois ainda o reaproveito, todas as semanas é menos um saco cheio que teria como destino o aterro. As borras de café são biodegradáveis, mas como se sabe em aterro e juntamente com outras coisas, nomeadamente plásticos, nem o que é biodegradável se degrada em condições e no mesmo tempo que demora na natureza.


Borras de café no canteiro antes de serem espalhadas (também estão uma flores secas misturadas)
Imagem própria

Na fotografia estão as borras de café no canteiro das hortenses. As borras de café são boas para a cobertura do solo de flores como as rosas e as hortenses porque melhoram a acidez e os nutrientes do solo. Mas bem, pelo que percebo podem não ser muito aconselháveis para certas plantas, porque a sua decomposição consome muito nitrogénio, retirando-o do solo, por isso nunca aproximo muito das raízes, vou pondo em espaços vazios ou nos caminhos dos canteiros. Além de serem boas para o solo, também são boas para afastar certos tipos de pragas. Outra coisa, parece que o cheiro também afasta os gatos, o que me leva a pensar que da próxima vez tenho de pôr umas quantas borras nos vasos das plantas interiores, já que a minha gata gosta de ir dormir para cima de algumas plantas e parti-las. Outra solução ideal para as borras é a compostagem, por isso se fazem compostagem, podem pôr lá o vosso café.

Mas quem é adora as borras de café, quem é? Esse maravilhoso animal que eu tanto gosto, as minhocas. As minhocas adoram borras de café, aliás gostam em geral de todos os restos orgânicos. O facto de elas serem tão boas trituradoras de resíduos orgânicos faz com que muita gente faça vermicompostagem, o que é basicamente compostagem com a introdução de minhocas. O que acelera muito o processo de transformação dos restos em composto.

Sobre a vermicompostagem e o trabalho árduo das minhocas, a Wikipédia diz o seguinte: "A vermicompostagem é o uso da minhoca na produção de húmus, decompondo resíduos e dejectos de animais e também o lixo urbano (orgânico), colaborando com a melhoria dos solos, sequestrando carbono e eliminando cheiros desagradáveis. A vermicompostagem é um processo bastante difundido, em especial entre moradores de áreas rurais, visto a minhoca ser uma verdadeira máquina de limpeza dos resíduos. Quando colocada a quantidade correta de minhocas (ao redor de 5.000 unidades por metro quadrado) em 30 a 35 dias (na compostagem normal leva de 100 a 300 dias), pode transformar 2,5 toneladas de resíduos orgânicos em húmus, em um canteiro de 10x0,80x0,40m. A minhoca come os resíduos, e seu excremento possui ao redor de 2 milhões de bactérias por grama, enriquecendo o solo deixando disponível as plantas praticamente todo o complexo mineral (cinco vezes e meia mais nitrogénio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e onze vezes mais potássio que o solo ou o resíduo que se alimentou)." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAmus).
E por este motivo andei o ano passado a apanhar imensas minhocas pelo solo e a espalhá-las nos canteiros para que estejam sempre a trabalhar, a comer os resíduos e a transformar em húmus. Por curiosidade podemos ver esta notícias, Minhocas podem ser alternativa para tratar solos contaminados ou Minhocas podem ajudar a limpar solo contaminado. Assim ainda espero que as minhas minhocas me tratem algum contaminante que esteja em excesso, nunca se sabe o que temos por aqui e se elas gostarem de comer contaminantes que estejam à vontade.

Nas imagens seguintes estão as minhas tentativas de fotografar as minhocas no mesmo canteiro que mostrei acima. Elas estão nas fotografias, não sei é se alguém as consegue ver, mas aqui estão elas a trabalhar alimentadas a muita borra de café.

Imagem própria



Imagem própria


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Chás e infusões - escolhas

Quase todos utilizamos a palavra chá de forma corrente, sem ligarmos muito bem ao que é o chá de facto. Dizemos chá preto, chá de tília, chá de lúcia-lima e chás de mais uma infinidade de coisas. Em geral, utilizamos a palavra chá para o verdadeiro chá, infusão feita a partir de folhas, flores ou raízes da planta do chá (Camellia sinensis), bem como para as tisanas que são basicamente infusões feitas com folhas, frutos, flores ou raízes de outras plantas.

Eu gosto bastante de beber chá e outras infusões. É algo calmo, relaxante e enternece-me o espírito. Por esse motivo, cá em casa temos muitos chás e infusões, caixas e caixinhas, de tal forma que me comecei a controlar muito bem para não comprar mais até ir gastando os que tinha. Mas entretanto acabou-se o "chá" de menta e tive de comprar mais, não ter "chá" de menta em casa é algo que me chateia. Eu sei que podia começar a secar as minhas mentas e a minha lúcia-lima (também adoro) do quintal, mas tenho sido preguiçosa neste capítulo.

Mas como ia escrever tive de comprar mais "chá" de menta e numa ida ao supermercado AmorBio em Alvalade, Lisboa, comprei uma caixinha, a qual tem durado bastante. É uma mistura de mentas de agricultura biológica do Reino Unido, é bastante saboroso. Não sei até que ponto é que as ervas com que se fazem as infusões industriais têm muitos ou poucos químicos, mas há uns anos uma médica disse-me para não beber chás da Tetley porque estavam cheios de químicos e têm poucas propriedades que nos fazem bem por causa dos processos utilizados. Não sei se será mesmo realidade, mas pelo sim, pelo não, deixei de comprar, além disso depois de provar os da marca Twinings, percebi que realmente o sabor não tem nada a ver.

Mas voltando ao meu chá, melhor à minha infusão de menta, da marca Pukka, quando abri a caixa fiquei maravilhada, eu sei que isto é consumismo, mas não sou imune. Haverá caixa mais fofa que esta?

Imagem própria

Imagem própria

Gosto de pensar assim como o que diz na caixa, que isto não é o fim, que isto é somente o princípio. Claro que eles fazem a sua publicidade e vendem os seus produtos, mas alegra-me pensar que consumir de forma mais consciente é o princípio de uma mudança.

E se estou a falar de chás e infusões, não posso deixar de referir uma coisa muito importante para mim. Desde há três anos que tomei uma medida sobre a compra de chá, mesmo chá - Camellia sinensis. Na Europa só existe um sítio onde esta planta é produzida e comercializada para a bebida e esse sítio é português. Apenas nos Açores, mais especificamente na ilha de São Miguel se produz chá. Quando fui a São Miguel, visitei a plantação e fábrica de chá Porto Formoso, o qual é todo feito a partir de processo naturais, sem recurso a aditivos. Além desta marca, existe também a marca Gorreana. A qual é mais conhecida aqui em Portugal Continental e mais fácil de encontrar em supermercados. Embora eu não tenha ido às plantações e fábrica da Gorreana, a acreditar no que dizem no site também é isento de pesticidas, herbicidas, etc, ou seja um produto ecológico.

Desde essa minha visita ao nosso maravilhoso arquipélago que decidi que apenas compro chá açoriano, pois assim estou a apoiar tudo aquilo em que acredito. A verdade é que nunca mais comprei porque ainda preciso de acabar com todo o que existe cá em casa.

Outra vantagem ambiental do Chá Porto Formoso e Gorreana é que vem em sacos grandes e não em pacotinhos individuais envoltos em plástico ou papel. Bem se calhar até há esse tipo de embalagem, mas nunca vi.

Deixo esta imagem, linda não é? Uma paisagem açoriana concerteza e a promessa que tenho de secar as minhas mentas e lúcia-lima.

Plantação de Chá nos Açores
Imagem retirada de http://wsimag.com/pt/gastronomia/15280-fabrica-de-cha-da-gorreana

domingo, 20 de setembro de 2015

Ervas aromáticas - oregãos

As ervas aromáticas são excelentes para a comida, uma vez que lhe confere um sabor muito mais delicioso. Temperar peixe, carne, saladas, vegetais cozinhados, para a sopa, para tudo.

Cá em casa não temos por hábito comprar ervas aromáticas secas, aliás nessa secção de ervas aromáticas e especiarias, apenas vamos comprando destas últimas e costumo escolher sempre os frascos de vidro. Quando compramos ervas aromáticas em supermercado, normalmente compramos em vaso e depois plantamos no quintal.

No quintal costumamos ter salsa, coentros, vários tipo hortelã/mentas, tomilho, alecrim, poejo e costumávamos ter oregãos. Todos pomos na comida verdes, com excepção dos oregãos que costumamos secar. Mas bem este ano não tivemos oregãos porque morreram e é uma erva que usamos bastante.

Um frasco de oregãos da Margão de 10g, por exemplo custa cerca de 1,50€, o que significa 150€/kg. Da marca do continente, um frasco de 15g, custa 0,60€, o que significa um preço por Kg muito mais reduzido. Bem 1,50€ ou 0,60€ é quase nada, mas podemos sempre poupar dinheiro e poupar mais umas embalagens e gastos em transporte, isto porque a natureza é generosa.

Sim bastante generosa se a conhecermos. Já repararam que muitas vezes à beira das estradas existem oregãos em estado selvagem, os quais crescem espontâneamente? Porque não apanhar esses oregãos? Bem, se calhar se for à beira do IC19 não convém por causa de substâncias nocivas à saúde, mas na maior parte dos sítios os oregãos devem ser de boa qualidade.

E fui isso que se fez este ano, já que não tivemos oregãos no quintal, apanhamos e secamos e entretanto enchi três frascos, bem maiores do que aqueles de compra como podem ver na fotografia.

Isto é consumir local sem recurso a consumo de novas embalagens.




Imagem própria


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Plantas - purificadoras do ar

Como todos sabemos, as plantas são cruciais para a nossa vida.

Ao consumirem o dióxido de carbono que nós humanos e todas as nossas actividades libertam numa quantidade cada vez maior, as plantas purificam o ar libertando o belo do oxigénio que nós precisamos.

Mas dentro das plantas há aquelas que têm ainda mais capacidade para purificar o ar, e algumas delas podem coabitar dentro da nossa casa, alegrando a nossa habitação, dando-lhe vitalidade, mas sobretudo purificando o ar. Segundo esta notícia Plantas que purificam o ar dentro de casa existem várias plantas que contribuem significativamente para purificar o ar que respiramos. Aqui neste blogue acrescentam outras plantas 12 plantas que purificam o ar e deixam tudo mais bonito.

Estas plantas conseguem absorver diversos gases e toxinas que todos os dias as nossas actividades libertam, cá em casa tenho várias. Nenhuma comprada por este motivo, mas que fico contente por lhes conhecer esta função.

Os meus fetos
Imagem própria

Aqui na imagem podem ver o grande orgulho e motivo de muitos elogios, os meus fetos ou samambaias (em português do Brasil), os quais foram herdados da minha mãe (ela adorava-os). Os fetos são plantas vasculares, o que significa basicamente que foram das primeiras plantas a aparecer no mundo e pelos vistos são boas a absorver metanal (não sei bem explicar o que é, mas vejam na Wikipédia - Metanal) e a neutralizar o xileno (Wikipédia - Xileno).  Eu não percebo muito ou aliás nada das concentrações de agentes químicos em ar ou solo (nem sei bem que terminologia usar), mas lembro-me de quando trabalhei em estudos ambientais, os meus colegas das áreas de química e ambiente passarem a vida a comparar a concentração dos diversos elementos ou agentes químicos (a minha ignorância é visível) com as tabelas dos limites de exposição à contaminação e consequentemente os perigos para seres humanos (trabalhadores ou moradores) e animais. Perigos relacionados com doenças, sendo que um que se destacava imenso era o das doenças cancerígenas.

Logo podemos não saber bem o que estamos a filtrar ou a diminuir a concentração, mas importa diminuir, a nossa saúde agradece e o ambiente também. As plantas não são apenas excelentes purificadoras de ar, mas também podem ser importantíssimas enquanto descontaminantes dos solos. Nos estudos que participei uma das hipóteses para os solos contaminados era a fitorremediação, solução bem mais barata e sustentável (isto digo eu) do que a remoção dos solos contaminados e a sua deposição em aterro. Mas também uma solução bem mais demorada, só viável, a longo, longo prazo.

Mas bem foi por causa da minha ideia da fitorremediação que um dia decidi semear muitos girassois no quintal, além de os achar lindos, li algures que eram bons para absorver algum contaminante, já não sei qual. Nem sei se tenho esse contaminante no meu quintal, não devo ter, mas sei lá, não custa nada tentar descontaminar e despoluir, mesmo o que não está contaminado nem poluído.

Ao fim e ao cabo, podemos não perceber nada de contaminação de solos ou de poluição do ar, nem de agentes químicos, nem temos de perceber, mas podemos sempre ter umas plantas para melhorar o ambiente e consequentemente a nossa saúde.


Além disto, li ainda algures que o caso concreto dos fetos são bons para a absorção da humidade, o que a ser verdade é bom para o tempo mais frio e chuvoso que aí vem. E calha mesmo bem que os meus fetos estão perto das casas-de-banho.

Por isso, em vez de comprarem um purificador de ar, mais um monstrengo para ir ocupar espaço, gastar energia e usar recursos, vamos escolher plantas. Vamos contribuir para o que precisamos para a nossa vida, oxigénio e um ar mais puro.



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