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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dinheiro, o vil metal

O meu pirolito já tem dois meses. E desde que nasceu que os avós estão convictos que lhe devem arranjar uma fortuna, um bom pé-de-meia. E a melhor hipóteses é jogar em raspadinhas. Eu devo confessar que gosto de jogar raspadinhas, não que espere ganhar grande coisa, mas dá-me prazer raspar e o efeito de surpresa, é como as rifas da quermesse, não espero ganhar grande coisa, mas gosto daquele ritual de desembrulhar a rifa.

Mas, mal o Luís nasceu, comecei a ouvir coisas como: a grande necessidade de arranjar dinheiro para o Luís, "se saísse dinheiro para o Luís" ou "este dinheiro é do Luís". E não gosto nada de ouvir isto, quando ouvi pela primeira vez pensei "Lá vão começar a meter na cabeça do miúdo desde pequeno que o dinheiro traz felicidade", mas calei-me, o meu marido respondeu "Ele não precisa de dinheiro para nada".

Claro que ele precisa de dinheiro, porque sem dinheiro nós não lhe conseguimos satisfazer todas as necessidades, mas neste momento o que ele precisa é de comida, higiene e muito amor. Ele precisa dos pais e não é ter dinheiro que o fará ser mais feliz. Nem no futuro, quanto mais no presente.

Claro que haverá um momento na vida dele que ele saberá que existe dinheiro e espero que perceba a importância deste na sociedade para o bem e para o mal. Mas por enquanto para quê pensar no dinheiro para ele a longo prazo. Os avós acham que se deve pensar porque um dia ele irá para a universidade ou isto ou aquilo. Eu sou mãe e não consigo traçar-lhe um futuro imaginário, o futuro é uma incógnita, a vida é algo que muda constantemente. Para quê limitarmos o presente a pensar no futuro dele daqui a dezoito anos? Daqui a dezoito anos a vida dele será melhor ou pior pelo que decidimos e fazemos hoje do que por ter ou não ter dinheiro no banco.

Entretanto, o dinheiro que  lhe dão, eu tenho guardado, mas como disse ao meu marido o dinheiro é para ele, mas se nós precisarmos gastamos, afinal a felicidade dele depende também do nosso bem-estar. E como eu costumo dizer o dinheiro só existe para uma coisa, só existe para ser gasto, com consciência, mas para cumprir a satisfação das nossas necessidades.

Não quero com isto dizer que me oponho a que os avós lhe deem dinheiro ou que juntem para ele. Mas prefiro que ele não cresça a pensar que ter dinheiro é sinónimo de felicidade. Prefiro que ele cresça a saber que com pouco dinheiro também pode ser feliz. Como diz o subtítulo do blogue: reduz as necessidades.

Imagem retirada de http://www.petmag.com.br/petteca/famosos/tio-patinhas/
No fundo, eu não quero que ele seja um Tio Patinhas, eu quero que ele seja um Peter Pan, um Tom Sawyer ou um Robin Hood. Bem eu quero que ele seja o que quiser, mas preferia que fosse despreocupado com a riqueza, que viva feliz e livre. E deixo isto aqui escrito para caso um dia eu mude de ideias, ele saiba que um dia eu era uma pessoa que o queria livre.

E acabei de descobrir que o filme Robin Hood em desenhos animados da Disney está completo no youtube. Adoro este filme.


Ena o Luís adora ouvir a música do Robin Hood, já está no bom caminho.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Demasiado adultos ou demasiado infantis?

Há uns meses fiz uma publicação intitulada Crianças... que futuro? Tecnologia ou natureza, na qual refiro a minha preocupação relativamente às crianças actuais estarem cada vez mais afastadas da natureza e da vida real. Parece que as crianças crescem dentro de um mundo virtual.

Este ano no Natal decidi oferecer à minha sobrinha que tem oito anos um livro e um dinossauro para montar. O livro que escolhi foi o "Meu Pé de Laranja Lima" de José Mauro de Vasconcelos que "retrata a história de um menino de cinco anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa. Zezé tinha muitos irmãos, a sua mãe trabalhava numa fábrica, o pai estava desempregado, e como tal passavam por muitas dificuldades, pelo que eram as irmãs mais velhas que tomavam conta dos mais novos, por sua vez, Zezé tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luiz." in https://pt.wikipedia.org/wiki/Meu_P%C3%A9_de_Laranja_Lima. 

Imagem retirada de http://www.ch.ufcg.edu.br/petletras/index.php/resenhas/resenhas/76-resenha-jtorquato
Decidi oferecer-lhe este livro porque também o li quando era pequena e marcou-me imenso. Na altura lembro-me de chorar baba e ranho e pensar como a vida era difícil para algumas pessoas. Ainda estive indecisa entre oferecer-lhe este e "O Mundo em que vivi" da Ilse Losa, mas que achei que era um bocado pesado para uma criança de oito anos, embora eu também o tenha lido nessa altura e também tenha chorado assim de forma torrencial.

Mas fiquei mesmo contente com as prendas que escolhi, o livro para desenvolver a parte humana, o dinossauro para desenvolver a parte científica. Achei que eram presentes ideais para uma criança de oito anos. Mas bem, talvez posteriormente ela até tenha gostado, mas quando desembrulhou senti no seu rosto uma grande desilusão, o que me fez ficar a mim desiludida também. Por seu lado, adorou a prenda que o avô lhe deu, dinheiro, coisa que eu não gosto que se dê às crianças. Para mim dar dinheiro é uma não-prenda, mas pronto isso sou eu.

Mas a minha sobrinha adorou receber dinheiro porque quer um Iphone e quer juntar dinheiro para o comprar. E é aí que eu me sinto completamente ultrapassada. Para que raio uma criança de oito anos que já tem um smartphone quer um iphone? Não consigo atingir. A única resposta que me surge na cabeça é estatuto social, o que me dá que pensar que é estranho na escola primária (aí como sou velha a usar este termo) já pensarem no estatuto social mesmo que de forma inconsciente. Mas não vejo outra explicação para a sua loucura pelo iphone. Bem talvez porque eu não sei a diferença entre um iphone e qualquer outro smartphone, quer dizer sei que o sistema operativo é diferente, e daí?

Mas o que vejo é uma vontade imensa das crianças serem adultas, vestirem-se como adultos, utilizarem os acessórios e produtos dos adultos. Será que as crianças não percebem que devem brincar. Quando eu tinha oito anos, em 1994, eu queria brincar, ler, eu queria ser criança e até sempre fui uma criança bem adulta no que respeita a maturidade, mas eu não queria ter uma vida de adulto. Aliás, eu nunca quis ter uma vida de pessoa mais velha do que aquilo que era. Talvez porque li o "Meu pé de laranja lima" e sabia que os adultos tinham vidas complicadas.

Há uns tempos lembro-me de andar numa formação e a formadora contar-nos que tinha ouvido duas meninas com cerca de dez anos a falarem sobre qual tinha o melhor alisador de cabelo. Que crianças estranhas.

Nisto tudo, eu não acho que se deva infantilizar as crianças, antes pelo contrário, acho que lhes devemos dar consciência do mundo em que vivem e deixar fazer coisas de adultos. Mas também devem ser crianças, aliás antes de tudo devem ser crianças. Devem ser crianças com noção do mundo à sua volta, mas do mundo real. Mas a ideia que eu tenho é que cada vez queremos crianças que crescem mais depressa, crianças vestidas de acordo com a moda que usam toda a tecnologia, mas que não sabem como cresce uma flor, onde correm os rios. Não sabem as histórias dos seus antepassados, no fundo não sabem o que é o mundo. Crescem depressa demais numas coisas e noutras demasiado devagar.

Diria que são pequenos adultos demasiado infantis.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/565524310182468/photos/a.912477722153790.1073741871.565524310182468/921392474595648/?type=3&theater

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Natal de luxo, Natal de lixo

Não podia deixar de partilhar isto, esta notícia sobre o lixo londrino no Natal é realmente tudo o que eu quero dizer com o título deste blogue: Tanto lixo, tanto luxo. Eu bem sei que no Natal se faz muito lixo (como se vê nesta notícia espanhola), mas eu penso sempre em muito lixo como muitas embalagens, comida deitada fora, não que isto não seja mau, é, mas afinal pode ser muito pior. Em Londres e provavelmente em muitos outros sítios do mundo, nesta época de PAZ e AMOR foram encontrados dezenas de electrodomésticos novos, intactos, bem como brinquedos. Não consigo achar normal. Se as pessoas querem ser consumistas que sejam, mas ao menos que usem os bens de consumo. Se não usam tentem dar-lhe novos usos, deem a quem precisa.

Que sociedade esta da acumulação exagerada. Horas e horas passadas a comprar presentes de Natal para no fim deitar tudo fora. Será isto o Natal?

Bem me podiam ter dado todas estas coisas a mim, acho que fariam sucesso numa quermesse em Agosto. Numa quermesse bem perto de si.

Imagem retirada de http://www.dailymail.co.uk/news/article-3380466/From-new-iPads-working-wide-screen-TVs-hairdryers-wrapping-shocking-waste-thrown-rubbish-dumps-post-Christmas-clear-out.html

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AMOR

Continuo sem muito tempo para vir ao blogue, não que não consiga vir de todo, mas valores mais altos se levantam. Mas agora que está a acabar o ano, quero desejar a todos um Feliz Ano Novo.

A nível pessoal o meu ano de 2015 foi magnífico, a nível mundial nem por isso, espero que o próximo ano seja melhor. Que exista mais amor, se existir mais amor ao próximo, humanos, animais e plantas, isto seria um lugar melhor certamente.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Blogue meu, blogue meu, existirá alguém mais poluidor que o meu filho?

Sou mãe há um mês e tenho de fazer a retrospectiva do lixo que o meu bebé faz. Como disse em muitas postagens cá em casa fazíamos cerca de um saco de lixo indiferenciado por semana, bem neste momento fazemos cerca de quatro sacos no mesmo espaço de tempo. Sim, três pessoas faziam um saco, quatro pessoas quatro sacos, ou seja há uma pessoa com cerca de quatro quilos que faz três sacos de lixo. Isto é um exagero.

Na primeira semana de vida do Luís como estive internada no hospital usei tudo descartável, minha culpa, minha culpa, mas acho que não teria aguentado se fosse de outra forma. Quando chegámos a casa começámos a usar toalhitas de pano (sempre, sempre, sempre) e às vezes fraldas de pano (só algumas vezes, porque só tenho dez fraldas de pano que posso usar com a máxima confiança, ou seja tamanho recém-nascido, as restantes são muito grandes).

Assim até este momento, toalhitas descartáveis só usou no hospital, tenho ainda aqui em casa uns três pacotes que foram oferecidos e serão usados em qualquer eventualidade, mas pouco usados que o meu bebé tem tendência a assar. Relativamente às fraldas descartáveis até este momento, pelas nossas contas em trinta dias usámos cerca de 120 fraldas descartáveis. Sim é mesmo imenso, dá uma média de quatro por dia. Não esquecer que a primeira semana foi só a descartáveis. Mesmo assim quatro fraldas descartáveis por dia, significa que uso em média quatro fraldas de pano por dia, contando que mudo a fralda no mínimo oito vezes por dia. Às vezes é bem mais.

Além disto, o aumento no meu lixo deve-se ainda ao facto de utilizar para o bebé alguns discos de algodão e compressas (sobretudo quando ainda não tinha caído o cordão umbilical, agora raramente uso). E também os meus pensos higiénicos, sim tenho de me decidir a usar mesmo pensos de pano, mas queria passar esta primeira fase pós-parto.

Relativamente às toalhitas e fraldas de pano, lavo de dois em dois dias, máximo três em três. Mas normalmente tenho mesmo de lavar de dois em dois porque gasto as toalhitas todas nesse período, o meu stock são cerca de 70 toalhitas, ou seja gasto cerca de 35 toalhitas num dia. Será que sou eu que as uso demais? Se isto fosse em descartáveis, o meu lixo seria impensável.

O problema é que como depois as sujo todas e agora a roupa não seca tão rápido, a maioria das vezes tenho de as pôr na máquina de secar. Também não é muito sustentável, não é? Mas bem não é todas as vezes, muitos dias secam no estendal.

Mas bem, o meu Luís tem mesmo de crescer mais um bocadinho para usar em exclusivo as fraldas de pano de tamanho único, afinal tenho cerca de umas trinta, serão mais que suficientes. Talvez o meu lixo volte à normalidade.

Já agora a nível prático e para quem tem dúvidas, usar toalhitas de pano não dá mesmo qualquer trabalho. Aliás, acho que limpo o rabinho mais rápido do que com as descartáveis, pelo menos com as toalhitas que tenho. Em relação às fraldas de pano, depende do sistema das de pano, as descartáveis dão menos trabalho é verdade, mas as de pano também não dão trabalho por aí além e para mim a causa ambiental compensa.

Imagem retirada de http://tiniestsocks.com/2013/02/02/the-diaper-dilemma/


Para finalizar, além do aumento do lixo indiferenciado, também a reciclagem aumentou imenso com a chegada do Luís. Não que ele utilize diariamente embalagens. Mas só as prendas que tem recebido têm sido suficientes para aumentar a nossa quantidade de resíduos para a reciclagem. Afinal não há roupa ou brinquedo que não venha envolvida em milhares de embalagens, sem contar com os papéis de embrulho. Para o Natal do próximo ano acho que vou ser contra os embrulhos, neste acho que já não vou a tempo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

As sementes, os herbicidas e as multinacionais

Conversa entre mim e o meu pai há umas semanas:

Pai: Tenho de queimar ali umas ervas.
Eu: Como o quê?
Pai: Com Roundup.
Eu: Tu sabes que o Roundup é cancerígeno? (é sempre um bom argumento)
Pai: É o que dizem...
Eu: Não é o que dizem, é a realidade, está provado.

Podem ver a seguinte notícia Califórnia classifica herbicida Roundup como cancerígeno.

O meu pai não aplica muito Roundup até porque é demasiado preguiçoso para andar sempre a matar ervas daninhas, mas volta e meia lá põe. E claro não põe na altura que temos plantações, mas que restos deixará o Roundup e outros produtos idênticos no solo? E nas culturas seguintes? Não sei.

Se virmos no site da Roundup Jardins na parte das perguntas e respostas, percebemos logo que tantos cuidados só podem significar que não podemos ter grande confiança no produto. Mas quando falamos de pessoas individuais que utilizam estes produtos, estamos a falar de pequenas utilizações que em princípio não nos trarão grandes problemas. Mas não são apenas os indivíduos comuns que os utilizam. Estes produtos são amplamente utilizados nas grandes explorações agrícolas mundiais e aí o caso piora bastante.

O Roundup pertence à Monsanto Company, uma empresa multinacional de agricultura e biotecnologia. A Monsanto é a líder mundial na produção de sementes geneticamente modificadas. A controvérsia sobre esta empresa é enorme.

Por um lado, os produtos geneticamente modificados da Monsanto têm contribuído grandemente para a destruição de vários ecossistemas. Por outro lado, produtos como o herbicida roundup têm sido a causa de várias doenças em agricultores e outras pessoas que têm contacto com o produto.

A juntar a isto, existe ainda a questão das sementes e da polícia genética:

"Agricultores que compram sementes transgênicas da Monsanto são proibidos de guardar parte da colheita para replantio dessas sementes. Para garantir que isso não ocorra, a empresa mantém uma polícia genética, que investiga denúncias de "casos suspeitos", inspecionando fazendas (com ou sem permissão dos proprietários), para coletar amostras de plantas e sementes. No Canadá e nos Estados Unidos, mesmo os agricultores que jamais compraram sementes da Monsanto têm sido investigados por essa "polícia genética", e vários desses agricultores foram processados, já que a "polícia genética" da Monsanto consegue entrar em suas propriedades, em busca de provas do uso não autorizado de sementes patenteadas pela empresa." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/Monsanto_%28empresa%29).

A introdução destas sementes geneticamente modificadas veio diminuir o cultivo das sementes originais, acabando com muita da diversidade existente. A isto junta-se o facto que ao patentearem as sementes estão a impedir o livre acesso à reprodução de determinado produto pelos meios tradicionais. Para mais informações leiam O controle pelas multinacionais. Todavia, o caso piora quando esteve em discussão uma lei para a UE que proibia o uso de todas as sementes não registadas (incluindo as sementes tradicionais), felizmente essa lei foi chumbada (Lei das sementes rejeitada por maioria no parlamento europeu). Mas nada impede que se tente novamente legislar sobre esta questão.

O problema é que estamos a registar e patentear algo que é de todos por direito, as sementes são parte da natureza, são vida, são a nossa forma de sobrevivermos, são elas que nos dão o alimento. Além disso as sementes são livres, germinam onde querem, voam e existem polinizadores que as vão alterando.

"Com o plantio de sementes patenteadas pela Monsanto, o pólen destas “contamina” outras variedades existentes na região, que passam a produzir sementes com as características das da Monsanto. Esta então processa os produtores vizinhos e exige legalmente destes o pagamento de royalties à empresa, por estarem produzindo sementes que são patentes dela. Em resumo: a monsanto está rapidamente se tornando proprietária de uma variedade enorme de sementes, seus laboratórios estão criando sementes patenteadas de tudo, cereais, frutas, hortaliças, etc." (in http://www.noticiasnaturais.com/2009/09/filme-o-mundo-segundo-a-monsanto/#ixzz3rvVFNJyr).

Além disto, os cereais transgénicos destas grandes empresas são resistentes aos seus herbicidas como o caso do Roundup. O que significa que os campos são pulverizados com estes produtos sem que o cereal morra, mas deixando nele as suas características. Andamos a comer soja e milho pulverizados com Roundup que como vimos é cancerígeno. Se não o comemos directamente, comemos indirectamente.

E porque é que me lembrei disto tudo? Porque vi este vídeo.


E lembrei-me que há uns meses ali nos campos de milho de Montemor-o-Velho reparei que todos tinham indicação de que milho era aquele, não era Monsanto, era Pioneer. Mas lá estava o milho todo catalogado.  Esta imagem retirei de um site brasileiro, mas era tipo isto mas num campo bastante vasto:

Imagem retirada de http://portaldoagronegocio.com.br/noticia/dupont-protecao-de-cultivos-e-pioneer-expoem-portfolio-para-milho-e-soja-em-lucas-do-rio-verde-125477

Enquanto cidadãos comuns não sei bem o que podemos fazer para travar estas coisas. Bem na altura sobre a lei das sementes da União Europeia assinei petições, mas também nunca tenho bem a certeza se alguém liga às petições. Podemos claro comprar produtos biológicos, não usar Roundup nos nossos quintais, etc, mas somos enquanto indivíduos demasiado pequenos para fazer face a todos os interesses que existem. No entanto, convém estarmos informados e sabermos o que acontece no mundo e como isto põe em causa a nossa alimentação, a biodiversidade e a qualidade dos solos. Coisas que temos garantidas desde o início da humanidade são cada vez mais controladas por um número minúsculos de grandes multinacionais. Isto é capitalismo puro.

Desde sempre que as pessoas semearam as suas próprias sementes, deixadas de uns anos para os outros, escolhidas todos os anos. E mais do que isso, desde sempre que as sementes foram livres, já contei certamente dos tomateiros que nascem por todo o meu quintal, qualquer dia tenho a Monsanto a bater-me à porta porque não comprei aquelas sementes? Eu sei que eles não vêm a pequenos quintais, mas nunca se sabe.

E para terminar deixo uma música de um dos meus grupos portugueses favoritos: Diabo na Cruz com Verde Milho.

"Verde, verde milho, milho verde
Clonado a vapor
O gato tem preguiça
O vampiro tem perícia de actor
Verde, verde milho, milho verde
Deitado num manto
Era o nosso milho
Agora é milho Monsanto"


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Porque aos olhos de alguns, nem todos somos iguais...

No comments
Imagem retirada de https://www.facebook.com/cinismoilustrado/photos/a.680935531925188.1073741828.680929688592439/1095501070468630/?type=3&theater

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família

Se houve coisa que percebi nestes nove meses de gravidez é que realmente sou feminista. Eu sempre fui um bocadinho contra o feminismo porque sempre achei que a ideia estava ultrapassada. Mas a gravidez fez-me perceber que não. Eu acreditava que o feminismo estava ultrapassado porque no meu interior tinha a crença que a igualdade de género já era uma coisa bem assente e definida na sociedade. Como eu sou crédula!

Mas é importante saber o que é o feminismo, já dizia um professor que tive, "definam os conceitos".

Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de género.(in https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo

E ser feminista ao contrário do que muitas mulheres pensam por aí, não é achar que as mulheres são melhores ou especiais, pelo facto de serem mulheres. Também não tenho paciência para o dia da mulher porque em geral só oiço coisas deturpadas. Alguém acha mesmo que ás mulheres são mais inteligentes que os homens? Para mim, esse tipo de argumento está ao nível do homem ser mais inteligente que a mulher.

Há sempre alguém que já desenhou o que pensamos
Imagem retirada de http://cinismoilustrado.com/

O feminismo, no meu entender e o facto de se comemorar o dia internacional da mulher tem razão de ser porque se comemora a igualdade entre homens e mulheres. A qual, neste caso se refere sobretudo às mulheres terem conseguido ascender, pelo menos teoricamente, à mesma posição do homem, em termos de oportunidades e de possibilidade de escolha. Mas que também deveria ser os homens terem a oportunidade e a possibilidade de escolher coisas que são estereotipadas como de mulher. Nisto, o que eu quero dizer é que devíamos em vez de comemorar o dia da mulher, comemorar o dia da igualdade de género.

Mas pronto durante a gravidez apercebi-me de como esta igualdade de género não é real. E não é só o preconceito do homem para com a mulher, mas também o preconceito da mulher para com o homem.

Podem até me dizer que as mulheres e os homens são diferentes. E são, tal como as mulheres não são iguais entre si e os homens também não. Mas as grandes diferenças entre homens e mulheres residem na educação diferenciada, a qual começa logo dentro do útero.

Há coisas para meninas e para meninos desde o nascimento, a distinção entre sexo parece ser fundamental para 90% da população. E nem vale a pena voltar a contar as coisas que já ouvi porque já o referi aqui no blogue. Mas vejam esta notícia Neste catálogo, os meninos brincam com bonecas e as meninas com ferramentas. Parece que em algumas coisas estamos mesmo a retroceder na dita igualdade.

E nestes casos, acho que é muito mais difícil ser homem, ser menino. Uma menina que goste de coisas de menino é considerada com certo desdém maria-rapaz, mas aceita-se. Já um menino que goste de coisas ditas de menina é desde a sua infância referenciado com uma tendência homossexual. O que pode ser verdade ou não. Mas se de facto aquela criança, mais tarde, não se definir/sentir homossexual vai deixar os seus gostos para trás para não ser visto como homossexual. No caso de mais tarde se definir/sentir homossexual provavelmente vai passar a adolescência e mesmo parte da vida adulta a reprimir-se, pois desde pequeno que lhe passaram a ideia que ser homossexual é errado. Claro que há homossexuais sem qualquer problema em se assumirem, bem como heterossexuais sem problemas em terem gostos considerados de mulher, mas convinhámos que nem sempre é fácil numa sociedade sempre pronta a apontar o dedo.

Mas não é só nestes casos que acho que os homens são vistos ainda com mais preconceito. Outro aspecto que a gravidez me fez descobrir é que o papel do pai é amplamente renegado em relação ao papel da mãe. É verdade que é a mãe que carrega o filho no útero, que o pare, que amamenta e acredito mesmo que por isso estabeleça um elo com o bebé mais precocemente que o pai.

Mas isto não significa que a mãe tem ou deve ter um papel mais importante que o pai na vida daquela criança. Nem tão pouco que as mulheres estão mais preparadas para tratar de um bebé que os homens. E as que estão é sobretudo por uma questão de educação. Ser mãe não é mais importante que ser pai. E as funções de ambos não têm de ser diferentes, serão diferentes por uma questão de personalidade. Mas não há funções definidas para a mãe e outras para o pai. A harmonia familiar desenvolve-se quando o casal partilha as funções. Aliás, aquela história de o homem ajudar a mulher nas tarefas domésticas não é no meu entender a forma correcta de ver as coisas. As tarefas domésticas devem ser partilhadas, sem predomínio de um, tal como todas as outras decisões.

Mas voltando ao bebé, nos últimos tempos tenho ouvido muito por parte de pessoas mais velhas que não vou ter ninguém que me ajude, uma vez que já não tenho mãe. E não estou com isto a dizer que não sinto falta da minha mãe, sinto bastante, mas não neste caso específico. A minha sogra por vontade dela vinha ajudar-me a tratar do bebé durante as primeiras semanas, meses, eu sei lá. Mas não é só ideia dela, também na minha família me perguntaram se a minha sogra não vem cá para casa, uma vez que não tenho mãe, porque a pessoa precisa de ajuda pelo menos nos primeiros dias. Mas já ouvi pessoas pouco mais velhas que eu a dizer que nos primeiros tempos, a mãe ou a sogra têm de estar em casa para ajudar a dar banho, mudar a fralda, etc, etc.

E isto faz-me pensar, mas afinal para que serve o pai da criança? Sem menosprezar a ajuda das mães e das sogras que podem realmente ajudar, mas quem deve assumir o tratamento do bebé nos primeiros meses são os pais. A mãe e o pai, por isso existe a licença de maternidade e a licença de paternidade (a qual vai passar a 15 dias úteis depois do nascimento). A licença de paternidade não é para o pai ficar de papo para o ar de férias, é obviamente para tratar do bebé e criar os laços essenciais com este.

E o que me chateia é que não basta aqueles pais que não querem saber e acham que aquilo é competência da mulher. Como depois há as mulheres que passam atestados de incompetência ao homem. As mulheres em geral, desde a família paterna, à família materna e à sua própria mulher.

Claro que cada vez isto é uma realidade menos comum, mas ainda é demasiado vista para meu gosto.

Lembro-me de andar na primária e a professora perguntar se gostávamos mais da nossa mãe ou do nosso pai. Hoje em dia, percebo a tamanha estupidez de tal pergunta a crianças de sete ou oito anos. Quase todos disseram que gostavam mais da mãe, aos que disseram que gostavam mais do pai, a professora perguntou porquê com grande admiração. Mas o ideal não é que as crianças gostem de ambos da mesma forma? Se sintam tão confiantes com o pai como com a mãe? Eu penso que sim.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O que interessa informar? Caso de rompimento de barragens brasileiras

No dia 13 de Novembro conversava com uma amiga brasileira do estado de Minas Gerais sobre o que se está a passar no seu estado. Nomeadamente, o rompimento de barragens de contenção de dejectos de minério e a consequente contaminação de diversos rios, com destaque para o Rio Doce.

As lamas provenientes destas barragens contaminaram a água o que de forma automática matou toda a fauna desses rios. Nos quais é captada a água que serve para o consumo das cidades mais próximas como é o caso da cidade de Governador Valadares. Essa água neste momento tem um elevado teor de ferro o que impossibilita o seu tratamento e, consequentemente, a inexistência de água potável nestas cidades.

Imagens de antes e depois do rompimento das barragens
Imagem retirada de http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2015/11/rompimento-de-barragens-em-mariana-perguntas-e-respostas.html

Para mais informações sobre o acidente e as suas consequências podem por exemplo ler isto: Rompimento de barragens em Mariana: perguntas e respostas. Esta minha amiga dizia-me, para minha admiração, que este acontecimento está a ter pouco impacto nos media brasileiros. Aliás, ela até achou estranho como eu sabia do acontecimento, já que no próprio Brasil pouco se tem falado dele.

É incrível como estes assuntos são tão pouco importantes para a generalidade dos meios de comunicação. Embora signifiquem o fim de habitats, morte de animais, morte de pessoas, contaminações que prejudicaram o ambiente por longos e longos anos, falta de água potável disponível em certas cidades, etc, etc.

Como referi na publicação Inundações - calamidade ou ganância?, na maioria das vezes os responsáveis humanos por estes acidentes nunca são chamados a assumir a sua culpa. O que aconteceu no Brasil é um crime ambiental e há-de ter culpados. Não sei como é a lei brasileira, mas se fosse em Portugal sei que isto se arrastaria por anos e anos. Os interesses são sempre demasiado grandes.

No mesmo dia que falei sobre isto com ela, aconteceram os ataques terroristas em Paris. Perguntei-lhe se os atentados em França foram mais falados pelos meios de comunicação brasileiros do que o que se passa em Minas Gerais. E, obviamente que sim, foi muito mais noticiado, talvez isto seja a globalização da informação e do que interessa informar.

O problema dos meios de comunicação não é aquilo que eles informam, acho muito bem que informem dos atentados em Paris, o problema é daquilo que nunca informam. E nós apenas nos tocamos com aquilo que sabemos, por isso podem continuar a romper barragens por esse mundo fora, a contaminar rios, a matar peixes e pessoas e a poluir a água.

Fica aqui mais um vídeo sobre este desastre e a vida das pessoas na cidade de Governador Valadares.


domingo, 8 de novembro de 2015

Inundações - calamidade ou ganância?

A semana passada, dia 1 de Novembro, as imagens das inundações em Albufeira e outros sítios do Algarve encheram as notícias.


Imagem retirada de http://www.dn.pt/sociedade/interior/camara-de-albufeira-vai-analisar-pedido-de-calamidade-publica-4865917.html
Nos jornais e telejornais só se ouviu os enormes estragos provocados pela chuva e consequentes inundações, a quantidade de lojas que foram arrasadas, carros levados, um homem desaparecido em Boliqueime e depois encontrado morto. Imagens verdadeiramente assustadores e que ninguém gostaria de ter perto da sua casa. No entanto, lá pelo meio das notícias também se ouvia falar de ribeiras encanadas, estradas construídas por cima de ribeiras e construções em leito de cheia.

E aqui está a grande questão. É natural existirem cheias sobretudo quando existem precipitações intensas. Aliás, se nos lembrarmos daquelas distantes aulas de histórias, as cheias eram mesmo algo bastante positivo pois tornavam as margens dos rios bastante mais férteis.

As inundações embora sejam provocadas por causas naturais, a precipitação neste caso, ocorrem devido à acção antrópica. Porque os sistemas urbanos não têm capacidade de escoar toda a água, não há infiltração, os sítios onde a água devia escoar naturalmente estão construídos e muitas vezes a isto tudo ainda ajuda a falta de limpeza dos sistemas de escoamento de águas pluviais.

Todos juntos fazem esta bela porcaria. E isto não são catástrofes naturais, até as podem chamar assim, mas não, isto são catástrofes humanas. É culpa do urbanismo e ordenamento do território, neste caso desordenamento que se espalhou pelo país inteiro. Com o caso algarvio bem no topo daquilo que não se deve fazer.

No Algarve parece que tudo é permitido, a bem do turismo e da economia, tudo se constrói, em qualquer sítio. E as culpadas são as Câmaras Municipais que precisam de dinheiro e que vão facilitando, facilitando.

O que me fascina é que não estamos a falar de coisas feitas há 100 ou 50 anos, quando não existiam conhecimentos  e as pessoas eram analfabetas. Nesse tempo, parece que os poucos conhecimentos permitiam perceber que as ribeiras existiam para escoar água. Grande parte destas construções são recentes, sim num momento onde há imensa gente que estudou e estuda estes fenómenos. Eu estudei Geografia, área de Urbanismo e além de mim eram imensos e sabem do meu ano quantos que eu saiba estão a trabalhar num organismo público? Acho que um. E não sei até que ponto as opiniões dele valem muito. A verdade é que as decisões continuam a ser sobretudo políticas e económicas.

E depois, é o azar. E quem fala em inundações, fala em outros problemas como a falta de areia nas praias, os riscos de desabamentos de arribas, etc, etc.

Os efeitos das decisões são conhecidos, mas parece que não são tidos em conta. Pior é que uma vantagem económica momentânea pode trazer graves prejuízos ambientais, sociais e mesmo económicos no futuro.

Tive um professor na faculdade que dizia que ser urbanista ou planeador do território é tão importante como ser médico a nível das vidas das pessoas. Mas se um médico mata alguém por negligência é um problema gigante. Mas ninguém vai ter com o planeador que anos antes tomou uma decisão que no futuro matará 100 ou 200 pessoas. E é essa a realidade.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cartazes partidários - poluição visual?

Faz hoje um mês que foram as eleições legislativas e não vale a pena falar aqui dos resultados, do suposto governo, da oposição ou do discurso do "nosso" querido líder. Tenho as minha opções bem definidas e bem pensadas.

O que eu quero falar é do lixo da campanha política, a quantidade de cartazes espalhados por todo o lado. E não estou a falar dos grandes outdoords, esses gostemos mais ou menos, estão lá quietos. Estou a falar daqueles que se colocam nos postes das ruas. Aqueles pequenos e frágeis que voam por todo o lado.

E há um partido que adora colocar esses cartazes, pelo menos aqui no município de Almada é poste sim, poste sim. Tantos que antes das eleições numa avenida contei mais de cinquenta cartazes. Normalmente colocam os cartazes e depois ficam durante meses e meses, para não falar anos, à espera que o vento os leve. Foi por este motivo que passado uma semana mais ou menos das eleições decidi enviar um email a este partido (com o qual tenho de referir que até compartilho diversas ideias) a dizer que acho que deviam proceder a uma limpeza, retirando os seus cartazes de forma a não andarem a voar por aí. O que sobretudo em sítios perto de rios e mar, eu vivo numa freguesia banhada pelo rio Tejo e o oceano Atlântico podem ter um destino não muito saudável. E se eles até se preocupam com o ambiente devem ter isso em consideração.

Como seria de esperar até hoje não tive qualquer resposta. E verdade seja dita, acho que não vou ter. Todavia, aqui à volta da minha casa desapareceram todos os cartazes desse partido. Como ultimamente a minha condição de grávida em fim de tempo me deixa algo limitada, não tenho visto se ainda se encontram muitos cartazes pelas nossas ruas. Será que decidiram limpar as ruas, retirando os cartazes? Se sim, fico imensamente contente. Será que simplesmente foi o vento forte de alguns dias que levou os cartazes para outro qualquer sítio? Nomeadamente para o rio e para o mar?

Imagem meramente ilustrativa de cartazes políticos da década de 70
Imagem retirada de https://pedromarquesdg.wordpress.com/category/cartazes/
Mas vamos ser sinceros tantos cartazes espalhados pelas ruas, além dos problemas de não serem retirados são cá uma poluição visual. E será que ter muitos cartazes vai influenciar os votos?

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O mar menos azul

Na postagem O lixo voador falei ligeiramente sobre as ilhas de plástico que existem nos oceanos, plásticos esses que matam todos os anos imensos animais. Agora encontrei esta imagem, a qual acho que consegue ser bastante poderosa.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/EcoInventos/photos/a.307289655972968.62491.207354825966452/891916637510264/?type=3&theater

E lembrei-me deste vídeo que é tocante.



No dia que esteve muito mau tempo, de tal forma que cá em casa partiu-se a estrutura onde costumo estacionar o carro e umas pernadas da anoneira, a entrada do portão ficou inundada de folhas secas e plásticos. A rua já não escoava a água da chuva, o meu pai foi limpar a entrada, apanhou aquilo tudo e pôs no lixo comum. Claro que o ideal teria sido separar, mas era o lixo que as pessoas deixam pela rua, que a junta de freguesia raramente limpa e estava um mau tempo terrível. Fiquei toda contente, porque ele ao menos decidiu deixá-lo no lixo e não simplesmente afastar da frente da nossa casa para outro sítio qualquer como muita gente faz.

Pôr plásticos no lixo comum não é a melhor solução, mas se acham todo o processo de reduzir, reutilizar e reciclar um disparate, deixem o lixo no contentor. Agradece a nossa saúde, a dos animais, agradece o ambiente em geral.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O lixo humano: Portugal-Angola

No outro dia um amigo dizia-me: "em Angola as pessoas vivem bem, eu sei porque fiz muitos trabalhos para Angola, há trabalho e ganham bem, por isso é que votam nos mesmos"

Respondi "Vivem bem? Sabes a quantidade de pessoas que vivem em situações miseráveis? Sem comida, sem nada?"

Resposta: "Ah mas esses não se importam com a política, não contam"

Hein? Não contam?
Há humanos de primeira e de segunda é?
Como se pode dizer que num país com uma democracia a fingir se vive bem? Onde para uns viverem bem outros são miseráveis? Mas será que as pessoas têm a noção da realidade? São conscientes? Ou são simplesmente más e centradas em si próprias?

Numa democracia, os cidadãos até podem não querer saber de política, embora devessem. Mas o Estado tem responsabilidade de querer saber de todos os cidadãos. Sim que eu nem vou contar o argumento seguinte que até tenho vergonha de o escrever.

Até porque por esta ordem de ideias, em Portugal também não há problemas, afinal se calhar quem interessa ao sistema até vive bastante bem.

Mas voltando ao caso angolano, deixo aqui esta crónica, sobre a tal democracia onde as pessoas (as que interessam, as que contam) vivem bem, Luaty e a vergonha Angola-Portugal de Alexandra Lucas Coelho. A vergonha da democracia angolana e da democracia portuguesa, desde da posição do governo à posição do PCP, sim aquele partido que lutou durante anos contra uma ditadura, mas que é amiguinho do MPLA.

E para não falar apenas da liberdade de expressão e da censura como se não fossem, por si, coisas demasiado importantes. Como é que pessoas conscientes podem dizer que em Angola se vive bem, quando tem uma taxa de mortalidade infantil de 167 permilagem? Ah esperem, os que morrem devem ser aqueles que não interessam...

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Água - fonte de vida (cada vez menos)

A água é provavelmente o recurso natural mais importante que existe. É-nos essencial. Podemos viver sem tudo o resto, mas a água não pode faltar. Não é por acaso que as antigas civilizações começaram todas perto de grandes rios, porque precisavam de água e porque os solos em leito de cheia estavam carregados de nutrientes o que permitia uma agricultura fértil (antes de se porem os adubos, pesticidas e herbicidas).

Muitos desses solos com o avançar dos tempos e do crescimento das cidades foram sendo urbanizados. Em Portugal, alguns dos solos mais férteis, caso da região da Grande Lisboa estão todos ocupados por aglomerados urbanos, mas a isso não há volta a dar. Mas também não é disso que pretendo falar.

Nós gastamos muita água, acho que mesmo quem se preocupa em poupa-la, gasta imensa, porque o abrir da torneira se tornou um gesto demasiado banal. Acho que só damos conta de quantas vezes o fazemos quando nos falta a água em casa.

Portugal é um país muito rico em recursos hídricos, com destaque para o Minho e partes do Pinhal Interior, onde as nascentes se multiplicam. Se formos a ver, a água sim é uma verdadeira riqueza para um país, mais que o ouro, os diamantes ou o petróleo, mas parece que ninguém se dá conta disso.

Se gastássemos muita água e não a poluíssemos, o problema não seria tão elevado. Mas, gastamos muita água, poluímos muita água, gastamos recursos a limpar a água nas ETARs, continuamos a fazer descargas de água poluídas para os rios. Depois, assim de uma forma bem resumida, a água evapora, condensa e precipita, em muitos sítios Chuva ácida (o que se deve à poluição atmosférica) depois a água infiltra-se e os solos que são excepcionais filtros de água, nem sempre conseguem filtrar tudo, e isto é um ciclo que nunca mais acaba.

O planeta tem capacidade para absorver os nossos erros e corrigi-los, apenas não o consegue fazer à velocidade que nós os cometemos.E por mais que o conhecimento avance, não paramos de cometer erros, cada vez mais.

Olhem estas notícias de dois rios bem nossos conhecidos: Metais pesados acima do recomendado no rio Zêzere junto às minas da Panasqueira e Tejo, o rio perdido.

Devemos poupar água, tentar polui-la menos e reaproveita-la quando é possível. Não reaproveito muita água, mas tento sempre reaproveitar a água onde cozo os alimentos, onde os lavo e onde esterilizo os fracos. Normalmente, deixo a água arrefecer de um dia para o outro para regar as plantas, a água da cozedura dos legumes é especialmente boa porque fica com os nutrientes dos alimentos. Ás vezes também reaproveito a água de cozer peixe, mas não tenho a certeza se o devo fazer.

Outra coisa, tenho por hábito ver se os ovos estão em bom-estado, essa água como é limpa costumo guardar para o ferro de engomar.

E ainda uma coisa que não faço, mas sei que devia fazer é aproveitar água da chuva, quer dizer acabamos sempre por aproveitar a que cai no momento, uma vez que se infiltra logo no solo, mas sempre seria possível aproveitar mais alguma.

Claro que antes de reaproveitá-la, um passo essencial é reduzir o seu consumo, ter atenção às torneiras, se estas pingam, não as deixar a correr. Ter atenção ao autoclismo, será sempre necessário despejá-lo? Bem quer dizer, também não estou a sugerir que acumulem coisas infinitas lá dentro, não convém.

O ciclo da água

Imagem retirada de http://explorarasciencias.yolasite.com/5%C2%BA-ano-cn-%C3%A1gua.php

O ciclo da água quando é contaminada pelas actividades humanas

Imagem retirada de http://explorarasciencias.yolasite.com/5%C2%BA-ano-cn-%C3%A1gua.php

Nisto há um meio termo, a contaminação é elevada, mas a existência de ETAs (Estação de Tratamento de Águas) e de ETARs (Estação de Tratamento de Água Residuais) têm contribuído para a melhoria das condições da água. Todavia, não nos podemos esquecer que nem todas as águas são tratadas, nem em Portugal, quanto mais no mundo.

Imagem retirada de http://explorarasciencias.yolasite.com/5%C2%BA-ano-cn-%C3%A1gua.php
Por isso devemos:
- Gastar menos água;
- Reutilizar a água;
- Poluir menos a água que gastamos.

Conseguiremos na nossa vida diária fazer isto? Acho que se pensarmos nem que seja uma vez por semana nisto, ao fim de algo tempo já será alguma coisa.

Por fim, para as pessoas que me dizem que utilizar produtos descartáveis é melhor porque não se gasta tanta água. Nunca podemos ver somente a água que gastamos em casa, o fabrico de novos produtos gasta uma imensidão de água, muito superior à que utilizamos para lavar um produto idêntico.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Lowsumerism

Lowsumerism ou consumir menos é o melhor que podemos fazer pelo nosso planeta. Tenho falado bastante sobre isto e já aqui disse que acho que o mais importante é ter um Consumo consciente.

E vi no blogue O único planeta que temos um vídeo muito interessante que partilho aqui, neste vídeo explica como tem evoluído o consumo, mostra no que este se tornou e foca um ponto muito interessante: como é que as preocupações ambientais dos anos 90 do século passado, no fundo não mudaram nada. Aliás, todas as mudanças foram para que o consumo seja cada vez maior.

O consumo transformou-se em consumismo, um modo de vida, uma questão de estatuto. Tive uma cadeira na faculdade chamada Geografia do Comércio e do Consumo, na qual tratávamos estas questões. Nomeadamente, o consumo enquanto modo de vida, uma questão de afirmação na sociedade, dos lugares de consumo como lugares de vivência e de experiências. Muitas vezes, as pessoas não consumem pelos bens em si, mas pela estatuto e aceitação que esses bens proporcionam. Como se diz, parece que o Ter é cada vez mais importante que o Ser.

sábado, 10 de outubro de 2015

Crianças... que futuro? Tecnologia ou natureza

Há uns três anos fui a um jantar, na mesa estava um bebé que ainda não falava, os pais deram-lhe o iphone e disseram todos contentes que ele adorava-o... não ouvi o bebé o jantar inteiro. No fim do jantar, devíamos ser umas quinze pessoas, todas pegaram no seu smartphone e começaram a informarem-se não sei bem sobre o quê... todas as pessoas menos duas, eu e o meu namorado. Senti-me uma extraterrestre ali no meio.

Também uso o telemóvel e ainda mais o computador, mas para mim é impensável estar com alguém a jantar ou simplesmente num convívio e ir informar-me do que se passa no mundo. Mas mesmo assim, às vezes parece que ando mais informada do que aqueles que se estão sempre a informar.

Há uns dias, a minha sobrinha de oito anos explicava ao meu pai que tinha criado imensas páginas no facebook, acho que o meu pai achou aquilo um bocado estranho. Quando eu tinha oito anos e vinha visitar o meu avô pedia-lhe se podia ir apanhar couves para dar às galinhas ou se lhes podia dar milho. Bem a minha sobrinha gosta de ver os coelhinhos, mas acho que nunca deu comida às galinhas.

As crianças têm em geral menos contacto com a natureza, há imensas desculpas para isso, porque vivem em cidades, porque é perigoso sair à rua, mas conheço crianças em aldeias e a realidade é a mesma, as crianças estão fechadas. Por culpa delas? Por culpa dos pais? Talvez de todos, da sociedade, dos media que passam uma ideia de perigosidade descontextualizada da realidade.

Na faculdade, na cadeira de Geografia Urbana li um texto que se chamava "O urbanismo como modo de vida", não me lembro do autor, mas exemplificava bem estas questões de que tanto nas cidades como no campo o modo de vida é igual. É o modo de vida urbano, o que no caso das crianças significa estar fechado em casa em frente aos meios tecnológicos.

Sobre isto saiu há uns meses esta reportagem Estamos a criar crianças totós e de uma imaturidade inacreditável, a qual concordo completamente e acho muito interessante. A isto junto este vídeo que encontrei no blogue Sustentabilidade é Acção na postagem Crianças, natureza e tecnologia.



Oiço constantemente as pessoas a dizerem que hoje os miúdos são muito inteligentes que sabem tudo. Pois é natural que o meu pai quando tinha oito anos não soubesse criar páginas no facebook. E isso prejudicou-lhe a vida? Não creio. Em compensação com oito anos, ele ia sozinho de comboio de Lisboa para Coimbra e depois para Vila Nova de Poiares de autocarro, aos onze anos trabalhava a fazer barris, aos catorze ano trabalhava na pica em doca seca, aos vinte e dois anos foi pai da minha irmã. Claro que não podemos comparar os tempos, mas serão realmente os miúdos de hoje assim tão inteligentes, acho que não, há os que são e os que não são como sempre. No entanto, em geral os miúdos de hoje têm uma desvantagem em relação à geração dos meus pais e mesmo à minha geração, não se sabem desenrascar, não improvisam, porque não aprenderam a fazê-lo. Porque não brincaram, sabem mexer em tecnologias, falam inglês, sabem nadar e andaram no judo, mas na hora H não sabem apanhar o metro. Conheço pessoas com dezoito anos que não sabem fazer nada, a culpa é deles ou da super-protecção?

As crianças precisam de brincar, de cair, de chorar, de rir, de inventar, precisam estimular a criatividade. Como futura mãe espero não me desiludir a mim própria no futuro e perceber que também fui super-protectora e que o meu futuro filho só sabe viver no mundo virtual.

domingo, 4 de outubro de 2015

A importância das abelhas

Uma das coisas mais bonitas e que mais aprecio no meu quintal é ver as abelhas de flor em flor. Na Primavera quando há mais flores, a beleza das abelhas é algo fantástico de apreciar.

Nas minhas memórias de infância, acho que nunca ninguém me falou muito das abelhas, bem eu sabia que elas polinizavam as flores e que faziam mel, mas parece que a maioria das pessoas preferia matá-las do que propriamente apreciá-las. Como não costumo matar insectos, muito menos abelhas fico algo chateada quando alguém tenta matar alguma.

As abelhas são incrivelmente importantes para a nossa vida, a polinização é necessária para a diversidade biológica e consequentemente para a diversidade alimentar.

Mas pelos vistos, existem cada vez menos abelhas, por diversos motivos, mas mais uma vez por culpa humana, a quantidade de tóxicos utilizados nas plantações e as monoculturas são algumas das grandes causas. Mas melhor que eu, deixo-vos um vídeo que explica bem a questão relativa às abelhas. No vídeo dá para escolher legendas em português.


Já agora, gostaria também de partilhar uma opinião relativa à agricultuta, monocultura e tóxicos que saiu no outro dia no jornal Público. Agricultura, Alimentação e Natureza acho que explica um pouco o disparate da actualidade agrícola.

Em termos muitos simples, resumo assim:
  • A Europa produz mais do que consume;
  • Os europeus consumem mais do que necessário;
  • As monoculturas (mais produtivas em quantidade) eliminam as hipóteses de sobrevivência de diversas aves e insectos, prejudicando a agricultura e a biodiversidade;
  • As práticas agrícolas mais comuns prejudicam a conservação do solo, da água, da biodiversidade e da paisagem.
Nisto tudo podemos concluir que produzimos alimentos em excesso que nunca são consumidos, mesmo assim consumimos mais do que é necessário para a nossa saúde. As monoculturas e a agricultura intensiva cheias de tóxicos são necessários para essa super-produção a preços baixos. Mas essa super-produção é muito superior que as nossas necessidades, logo produzimos barato, para comprar barato para ir parar ao lixo. Enquanto isso acontece a qualidade do solo, da água e do ambiente em geral pioram.

E se a isto tudo juntarmos o facto de que produzimos alimentos em excesso, mas que mesmo assim não são distribuídos por toda a gente, ficamos a pensar que caminho este em que estamos. É completamente ilógico.

A super-produção desnecessária de hoje na Europa pode contribuir para a degradação completa que nos impedirá de produzir alimentos para as gerações futuras.

sábado, 3 de outubro de 2015

Sprawl


Como amanhã é dia de eleições e hoje estamos, ou devíamos estar em dia de reflexão, não vou partilhar nada muito concreto, muito desenvolvido. Quero apenas partilhar uma música dos Arcade Fire, do álbum The Suburbs. Um excelente albúm para quem, como eu, estudou Geografia, com foco na área do Urbanismo e se interessa constantemente pelas questões ambientais, a conservação de recursos e uma vida mais ligada à natureza e à essência humana.


"Sometimes I wonder if the world's so small
That we can never get away from the sprawl
Living in the sprawl
Dead shopping malls rise
Like mountains beyond mountains
And there's no end in sight
I need the darkness, someone please cut the lights"

Não tenho muito jeito para traduções, mas é mais ou menos isto:
"Às vezes pergunto-me se o mundo é tão pequeno
Que nunca conseguimos fugir da expansão urbana*
Vivendo na expansão urbana*
Centros comerciais mortos que se levantam
Como montanhas atrás de montanhas
E não há fim à vista
Eu preciso de escuridão, alguém por favor apague a luz"

*o termo sprawl não pode ser traduzido simplesmente como expansão urbana, todavia não conheço outra palavra em português. Sprawl significa uma expansão urbana em mancha de óleo, onde subúrbios crescem atrás de subúrbios. Basicamente uma expansão urbana descontrolada e com espaços livres.

O que pergunto é:

É este mundo do crescimento urbano descontrolado que queremos?

É necessário estar sempre a crescer?

Será que podemos continuar a ter este modelo de desenvolvimento? Se já se concluiu que não, porque continuamos?

Podemos ser mais naturais, quer na cidade quer no campo. Voltar a uma vida simples, ao silêncio e à escuridão, isto não é libertador da alma?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Produtos e consumo - no que acreditar

Por causa do escândalo actual da Volkwagen relativo às emissões poluentes fico a pensar até que ponto podemos realmente acreditar no que nos vendem.

Até que ponto podemos acreditar nos produtos, mesmo com certificações, mesmo passando por uma série de análises.

Lembro-me de há uns tempos, um azeite extra-virgem biológico que era bastante premiado depois de umas análises se ter percebido que não era biológico, nem sequer extra-virgem.

Conheço também algumas histórias contadas por antigos funcionários da indústria cerâmica que me disseram que o vidrado dos produtos era feito com quantidades de chumbo demasiado elevados. Os quais iam contra a lei, mas que esses nunca eram os que eram analisados, aquando das auditorias. Coincidências.

A questão é: como saber que realmente um produto é aquilo que nos estão a vender?

Em princípio devemos acreditar, há leis e há controlos de qualidade.

Mas eu até conheço empresas que têm selos de qualidade sem terem sistema de qualidade realmente implementado.

No que devemos acreditar?
Qual as validades das certificações e selos. Andaremos a pagar por produtos ecológicos, ambiental e social correctos que afinal não são? Como consumidores havemos de acreditar ou duvidar?

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A publicidade e o desperdício sem fim

Pior que o lixo que fazemos diariamente devido às nossas actividades humanas, algumas mais essenciais, outras menos, é aquele lixo que fazemos por nada. O que eu quero dizer é o lixo que fazemos sem que se tenha tirado algum proveito, seja de que tipo for, daquele objecto.

É aquele produto que foi fabricado para ser directamente posto no lixo, agora falo de qualquer tipo de sítio onde se deposite o produto, desde de ser deixado na natureza (a pior das hipóteses), no lixo indiferenciado ou na reciclagem.

Este tipo de produtos podem ser realmente coisas sem qualquer utilidade como podem ser coisas com bastante utilidade como alimentos. Quem nunca mandou algum alimento para o lixo porque se estragou e alguns que nem se chegaram a estragar, mas que essa malandra da data de validade fez com que achássemos que já não estava em condições. Pois, é a triste realidade.

Tanta energia usada, tanta água, tanto esforço humano (tanta escravatura!), tanto dinheiro gasto para quê? Para acabar no lixo sem qualquer utilidade.

E sobre isto, tenho uma história concreta que me fez imaginar a quantidade de produtos novos que podem estar a ir para o lixo. No outro dia, um rapaz que conheço perguntou-me se tinha gatos porque tinha amostras de comida e não tinha o que lhe fazer. Combinei ir a casa dele buscar as amostras a pensar que eram poucas e assim umas amostras pequenas. Para mim, o conceito de amostra é um produto realmente pequeno.

Lá fomos nós buscar as amostras e bem, não são bem amostras, são saquetas de comida húmida de gato de 100g de uma das marcas mais conhecidas do mercado, as quais no supermercado são vendidas em caixas de 12 unidades, mas que o preço individual é um bocadinho superior a 0,50€. Mas bem, ele deu-nos provavelmente mais de 30 saquetas e ainda uma caixa com umas quantas para entregarmos a outra pessoa. Como ele arranjou tantas amostras é que eu não entendia.

Mas é bem simples, este rapaz tem um amigo que anda a entregar publicidade em caixas de correio, nomeadamente a Dica de Semana, por cada exemplar deste jornal tem de deixar duas saquetas da comida, as quais vêm embrulhadas nuns panfletos. A questão é que muitas vezes não cabe tudo nas caixas de correio, então fica com amostras de comida de gato a sobrar. Mas como não têm gatos não têm nada o que lhes fazer, então decidiram dar. Eu agradeço.

Não sei se é muito legal não distribuir o que lhe dão, mas pronto, eu sei bem o que custa andar a distribuir panfletos em caixas de correio, sobretudo naquelas caixas que estão cheias e andamos ali a tentar enfiar coisas. Quanto mais, um jornal, mais duas saquetas de 100g de comida de gato, tudo dentro da mesma caixa do correio.

Mas a nível ambiental, acho que o rapaz ter decidido dar aquilo que lhe sobra a quem tem gatos foi realmente algo positivo. Aliás ambientalmente deviam era ir todas para quem tem gatos, porque imagino quantas saquetas têm sido distribuídas em caixas de correio e que vão directamente para o lixo. Qual a percentagem de casas com gatos? Ou mesmo com gatos e cães? Será que as pessoas realmente as aproveitam? Será que todos guardam estas saquetas para aquele amigo que tem um gato? Não me parece.

Claro que isto é o problema da publicidade, lembro-me bem de andar a distribuir folhetos da minha loja e depois os ver espalhados pela rua. A publicidade assim em folhetos, grande parte das vezes tem este destino, ou seja, é feita para nada. Não sei qual a percentagem de folhetos realmente são lidos e quantos são reciclados. Mas além dos folhetos em si, imaginar aquelas saquetas de comida de gato, as quais são feitas com carne de outros animais serem assim posta em caixas de correio e em muitos casos serem colocadas no lixo faz-me ficar realmente triste.

O meu objectivo não é que a publicidade deixe de existir, irá sempre existir e cada vez mais. As amostras são realmente uma forma de dar a conhecer determinado produto. Mas talvez a nossa perspectiva sobre a publicidade é que deva mudar.

Não aceitar coisas que sabemos que não vamos mesmo utilizar.
Não descartar nada antes de pensarmos muito bem se aquele produto tem alguma utilidade para nós ou para alguém.
Quando realmente não tem qualquer utilidade, caso dos folhetos, deixar no ecoponto correcto.



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