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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Móveis novos, mas em segunda mão

Na publicação referente ao mês de Abril expliquei que no meu processo de destralhe fiz alguma mudança de móveis, o que incluiu a transformação de alguns. Infelizmente também incluiu a compra de um móvel novo, é um bocadinho contraproducente querer reduzir e comprar um móvel novo, eu sei, mas passo a explicar.

No quarto onde dormem as visitas, tratamos da roupa e arrumamos a tralha quase toda, tínhamos duas estantes deste género (esqueci de tirar fotografias antes da transformação), as quais são de madeira não tratada. O problema da madeira não tratada é que é mais difícil de limpar, o que num quarto cheio de roupa e tralha, ainda se torna um problema maior, o qual ainda era mais agravado porque tinha as estantes cheias de livro. Por isso, chegámos à conclusão que precisávamos de um móvel, tipo vitrine, para os livros não ganharem pó constantemente. E não fomos nada sustentáveis e fomos comprar um móvel novo que se adaptasse ao pretendido.  No entanto, sobravam duas estantes que não cabiam, nem ficavam bem em lado nenhum e que a solução mais fácil parecia dar a alguém ou levar para algum sítio em que ficassem lá a um canto (leia-se casa da terra do meu pai). Mas há algum tempo que andávamos a pensar comprar um móvel para o quarto do meu pai, já que ele não tinha sítio para pôr a televisão, mas nunca encontramos móvel nenhum com as medidas exactas para pôr no pouco espaço disponível. E também já tínhamos pensado que mais cedo ou mais tarde daria jeito uma estante para o quarto do nosso filho.

E acabamos por transformar duas estantes em três estantes, cortámos, pintámos (além da questão estética, precisavam do tratamento para não acumularem tanto pó). Cortámos e pintámos é como quem diz, cortou o meu pai, pintou o meu marido.

Uma das estantes foi cortada ao meio em altura, fazendo assim duas estantes pequenas, uma ficou para o quarto do Luís e a segunda ficou à entrada da cozinha com os livros de receitas.

Imagem própria
Imagem própria
A outra estante foi cortada em largura para caber exactamente no lugar disponível no quarto do meu pai (por favor não liguem à decoração do quarto).

Imagem própria
E assim reaproveitamos duas estantes que para nós não tinham utilidade em três novas estantes. Sei contudo que há quem defenda que não devemos transformar um objecto reciclável ou que se decompõe, num objecto que já não se consegue reciclar ou decompor. Neste caso, a madeira como não era tratada podia voltar para a natureza, agora como foi pintada, já não deve voltar. No entanto, sendo um objecto para uso prolongado acho que a mudança faz todo o sentido. Claro que tivemos de comprar as tintas, mas hão-de ser usadas até ao fim.

Por fim, da estante que foi cortada em largura sobrou alguns pedaços de madeira, os quais podem voltar para a natureza, mas nesta altura na creche do Luís pediram para os pais fazerem um bicho que aludisse à Primavera. Aproveitei mais um pedaço de madeira para fazer uma abelha, há bicho mais belo da Primavera? Podia ter ficado mais bonita, mas foi feita de coração.

Imagem própria

E já que estou a falar de abelhas, convido-vos a relerem a minha publicação A importância das abelhas e de vos dizer que este ano tenho o quintal com tantas abelhas devido sobretudo à minha gigante alfazema, fico com o coração consolado de esperança com a quantidade de abelhas que vejo diariamente.

Imagem própria
 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Experiências - champô, pasta de dentes, desodorizante

Há bastante tempo escrevi a publicação Produtos de higiene e cosmética, na qual falei sobre alguns dos problemas associados aos produtos comuns de higiene e cosmética e consequentemente sobre a minha procura por soluções mais saudáveis, ecológicas e sustentáveis. No entanto, embora tenha mudado os produtos que consumo, continuei a usar produtos que usam embalagem e consequentemente produzem lixo.

Todavia, tinha alguma relutância em me decidir por receitas caseiras. Mas a ler o livro Desperdício Zero fiquei empolgada para reduzir de vez o meu consumo de produtos de higiene comerciais e consequentemente diminuir a quantidade de resíduos deste tipo. Contudo, as minhas experiências não correram exactamente como eu desejava. Mas vamos por partes.


Sem champô ou pouco champô

Das várias ideias que li, a ideia de deixar de usar champô foi a que me pareceu mais interessante. Neste caso, decidi experimentar a ideia de deixar de lavar o cabelo com champô de compra e passar a lavar com bicabornato de sódio e depois passar com vinagre de sidra. Produtos acessíveis,os quais tinha em casa, nada me parecia mais simples. E assim foi, durante uma semana lavei a cabeça com bicabornato de sódio, a seguir passava com água, passava o vinagre de sidra e voltava a passar por água. O meu cabelo estava lindo, sedoso, devido sobretudo ao vinagre calculo eu. Mas comecei a reparar que me estava a cair bastante cabelo, mais do que alguma vez tinha caído. No grupo Lixo Zero li alguns depoimentos sobre o assunto e quase todas as pessoas não se deram bem com esta solução. Pelo que explicaram o bicabornato de sódio é demasiado alcalino e por isso existem reacções nem sempre positivas. Decidi parar, não quis chegar a um ponto que fosse irreversível. Voltei ao meu champô sem parabenos e coisas que tais. Neste momento, a minha pretensão é aos poucos ir reduzindo o uso de champô, tentar que o meu cabelo se adapte a ser lavado menos vezes. Vamos ver como corre.

Posteriormente já li outras receitas que podem ser usadas para se lavar a cabeça sem champô. Mas acho que ainda não estou preparada para experimentar.


Sem pasta de dentes


Outra das ideias que está no livro Desperdício Zero é deixar de usar pasta de dentes e fazermos o nosso próprio pó dentrifico. O pó dentrifico consiste também em bicabornato de sódio, ao qual podemos juntar stevia. Eu experimentei e gostei bastante da sensação, aquela sensação salgada, mas só experimentei um dia. Entretanto decidi pesquisar sobre os efeitos do bicabornato de sódio nos dentes e cheguei à conclusão que não são lá muito positivos. Pelo que li,o uso continuado prejudica o esmalte dos dentes, enfim. Acabei logo com a experiência e voltei para a minha Pasta de Dentifrica Couto (às vezes outra qualquer, quando a Couto acaba e ainda não comprei uma nova). Depois disto, numa conversa do grupo Lixo Zero,uma das participantes referiu que ao fazer esta experiência danificou bastante os dentes. Logo por aqui, nunca mais.

Como podem ver, isto estava a correr mal o suficiente. Devo dizer que fiquei bem chateada por um livro aconselhar a utilizar produtos que acabam por ser prejudiciais com utilização continuada (o que não significa que alguém não se possa dar bem com eles). Mas foi,então que me decidi a fazer desodorizante, mas não segui nenhuma receita presente no livro,mas uma que me deram pessoalmente.

Desodorizante caseiro

Já foi há algum tempo que deixei de usar desodorizante comum, aqueles anti-transpirantes com alumínio, comecei a comprar desodorizantes mais ecológicos e saudáveis, mas claro com embalagem e certamente com alguns ingredientes não tão naturais como sendo feito em casa. Mas entretanto, decidi experimentar a seguinte receita:

  • Óleo de coco;
  • Amido de milho;
  • Bicabornato de Sódio;
  • Óleo de amêndoas doces ou outro óleo à escola (opcional).
Juntam-se medidas iguais (em volume) de óleo de coco (derreti um pouco), amido de milho e bicabornato de sódio e umas gotas do óleo de âmendoas doces, mexe-se tudo e voilá. Como derreti o óleo de coco, depois pus um bocadinho no frigorífico para solidificar.


Imagem própria
Imagem própria

Imagem própria
Aqui está ele. Para aplicar, uso um utensílio de tirar manteiga e depois aplico com os dedos. Devo dizer que este é o meu desodorizante preferido de sempre, nunca me dei muito bem com desodorizantes e este tem sido impecável, mesmo em dias de calor mais intenso, vamos ver como se porta mesmo no Verão. Entretanto a quantidade que fiz já acabou, tenho de ir fazer novamente.

Relativamente às embalagens e consequente lixo. É verdade que não uso embalagem para desodorizante, mas uso as outras todas. Mas o bicabornato de sódio e o óleo de amêndoas doces são coisas que tenho sempre em casa. Comprei apenas o óleo de coco (a embalagem é de vidro e vai ser reutilizada) e o amido de milho (embalagem de papel e plástico e não encontrei biológico), a vantagem destes produtos é que podem ser também usados na alimentação, ainda ontem o jantar levou óleo de coco.

É caso para dizer que temos produtos com várias funções. Se pensarmos bem é muito mais interessante termos três ou quatro produtos para vários fins, do que um produto para cada fim. Claro que para ser mais sustentável o ideal é comprar estes produtos a granel e reutilizar embalagens.

E fico-me por aqui sobre as minhas experiências, nem todas bem sucedidas, mas vamos aos poucos.
 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Março 2017: o regresso

Primeiro que tudo, quero pedir desculpa aos leitores que me leem por ter desaparecido do mundo virtual, assim sem nenhuma explicação.

A verdade é que comecei a ficar assoberbada de coisas para fazer, sem tempo para me dedicar ao blogue e devo confessar que também sem muita paciência. Nos tempos livres apenas pensava em dormir, pensava e ainda penso, que continuo sem dormir noites seguidas. Mas bem, decidi retomar o blogue, numa versão mais slow. Quero apenas me comprometer a fazer uma publicação por mês, onde pretendo contar alguns avanços e recuos sobre a minha luta ecológica. Posso eventualmente fazer mais algumas publicações, mas não será esse o meu objectivo.

A minha última publicação foi no dia que o meu filho fez um ano, queria contar-vos que a festa de anos dele correu bem e sem descartáveis (só os guardanapos). Mas copos, pratos foi tudo de loiça e isso deixou-me extremamente feliz. Também fiz limonada e refresco de chá, o que diminuiu o número de refrigerantes. A comida foi quase toda feita em casa ou comprada a particulares e o número de embalagens a ir para a reciclagem foi reduzido. Fiquei verdadeiramente feliz.


Mas que mais coisas mudaram nestes três meses e meio? 

Estar afastada do blogue não significou estar afastada da sustentabilidade. E muitas foram as alterações positivas.

  • Comprar produtos biológicos: aumentei em grande número a compra de produtos biológicos, compro sobretudo frutas e legumes no mercado de agricultura biológica que é feito à 4ª feira em Cacilhas (não compro tudo biológico, mas já é um passo);
  • Levar sacos para frutas e legumes: agora levo sempre, sempre, os meus sacos reutilizados para a fruta e os legumes, mesmo quando os compro em supermercados convencionais, tiro o saco da mala e está o assunto arrumado (os moradores da casa continuam a trazer muitos sacos plásticos transparentes, já que não os consigo convencer a deixarem de utilizar, reutilizo-os);
  • Iogurtes: os iogurtes ainda são provavelmente os maiores culpados da quantidade de resíduos que vão para a reciclagem cá em casa. Então como não quero deixar de comer/beber iogurtes decidi apostar nos iogurtes em embalagem de vidro, embalagens com mais de uma dose e nos iogurtes biológicos (neste caso não pela embalagem);
  • Café: deixei de beber café na minha loja (copos de plástico) e em casa (capsulas de café). Ok já estive desesperada por café e bebi em casa. Mas a norma é ir ao café beber café. Quero aderir a outra ideia, mas ainda não aderi, a seu tempo conto;
  • Roupa do bebé: estou constantemente a precisar de comprar roupa para o Luís, neste caso e com todo o problema da indústria têxtil do mundo, decidi algumas coisas, nomeadamente baixar consideravelmente a roupa que lhe compro nova (não estou a dizer que nunca mais irei à H&M). Mas decidi começar a pedir roupa usada às pessoas que conheço, depois quando ele precisar de roupa antes de tudo, tentar comprar em 2ª mão (as lojas Kid to Kid têm sido uma grande opção). Quando posso, tento comprar roupa ecológica que infelizmente é carissima, mas em saldos já comprei algumas peças nesta loja;
  • Sumos e refrigerantes: acabei de vez com a compra de refrigerantes e sumos, ter em casa para quando nos apetece dá sempre mais vontade de beber, se um dia tenho mesmo vontade vou à mercearia comprar, é mais caro, mas ter de me deslocar para comprar faz-me ver se realmente tenho vontade (só aconteceu uma vez que estava muito mal disposta e sentia que precisava de beber 7up). Se almoçar ou jantar fora e me apetecer um sumo, bebo um néctar que é em garrafa de vidro;
  • Destralhar e a minha roupa: finalmente ganhei coragem e destralhei grande parte do meu roupeiro, separei imensas coisas que já não usava (algumas há uns dez anos), é verdade que me servem, mas se em dez anos usei uma ou duas vezes, será que preciso delas? Não! Como a maioria já estavam bastantes gastas enviei para a minha tia para os trabalhos em agricultura (para o que quiserem, mas sobretudo com esse fim). No entanto, havia coisas em muito bom estado que consegui oferecer e que sei que vão ser bastante usados. Devo acrescentar que também ofereci a minha saia dos escuteiros, a qual já tem uns 17 anos. Isso mesmo, 17 anos a ocupar uma gaveta, já a podia ter dado antes, talvez tivesse dado jeito a alguém. Dei também os lenços e echarpes que eram da minha mãe, eu guardava-os como recordação, mas estavam escondidos no fundo de uma gaveta, dei a uma tia que adora essas coisas e fiquei feliz de a ver a usar estas coisas que eram da minha mãe, acho que assim os verei mais do que quando estavam no fundo da gaveta.

Acho que estas foram as minha principais alterações nos últimos meses, mas ainda estou em processo de destralhar, não só a roupa, mas tudo. Mas com duas grandes máximas: o objectivo do destralhe é encontrar novo dono para as coisas, todas as compras que fizer de roupa têm de ser muito bem pensadas. Preciso disto? Vou usar isto?

Comecei também recentemente a ler o livro Desperdício Zero ainda estou no início, mas já me está a inspirar. Às vezes tenho a sensação que não estou a ler nada de novo, nada que já não soubesse, mas ao ler dá-me energia para continuar a tentar reduzir o lixo.

E por falar em reduzir o lixo, nestes meses, tive mais ou menos noção do volume de resíduos que envio para a reciclagem dos plásticos, é cerca de um saco de 50L por semana. Enfim, podia ser pior, mas podia ser melhor. Neste momento, é nisto que quero trabalhar, na redução deste número (não sei se vai ser fácil porque não vivo sozinha e acho que nos devemos respeitar). Mas, o objectivo passa então por comprar mais coisas a granel, levando os meus sacos e por ter sempre atenção à embalagem.


Como escolher as embalagens?
Dependendo dos produtos, preferir vidro ou papel:

  • O vidro porque é facilmente reutilizável, sem libertação de toxinas e porque é 100% reciclável;
  • O papel porque é biodegradável.

Se as opções forem entre o metal e o plástico, embora o metal tenha associado o problema da extracção de minério, devemos preferir o metal ao plástico, afinal o metal é reciclável "nele próprio", uma lata pode novamente ser uma lata, enquanto um produto plástico raramente se consegue voltar a transformar no mesmo produto. O que significa que para alguns tipos de produtos de plástico temos de recorrer sempre a matérias-primas virgens. Além disso, não esquecer da quantidade de plásticos que facilmente se partem e se dispersam pelo ambiente.

Por falar nisso, no outro dia o meu pai lavrou a terra e depois eu fui semear girassóis e enfim, a quantidade de bocadinhos minúsculos de plásticos são imensos. Alguns podem ser por algum desleixo, mas a maioria não, a maioria devem-se certamente a plásticos que voam de um lado para o outro. A solução podemos dizer que passa pelas pessoas terem mais cuidado e porem sempre tudo na reciclagem, mas sinceramente acho que mesmo que todas as pessoas fossem cumpridoras, haveria sempre este problema, mesmo que a menor escala. A solução passa, sem dúvida, por comprar o menos número de plásticos possíveis, por exemplo em vez de molas de roupa de plástico, comprar molas de roupa de madeira. Se uma mola de roupa de madeira cair no solo, mais cedo ou mais tarde, desfaz-se, entranha-se no solo e é parte dele. No plástico, não é assim.
E aqui está uma revisão dos meus últimos três meses. Agora que melhorou o tempo e voltei a ir buscar o Luís à creche a pé, antes de chegarmos a casa damos uma volta maior e apanhamos muitos plásticos pelo caminho. Ontem foi dia de apanhar pacotes de iogurte e latas de Ice Tea. Grão a grão enche o ecoponto o papo.

Mas esqueci-me de dizer, o pior destes meses que estive afastada do blogue: as fraldas de pano estão paradas, enfim, muita roupa para lavar e para estender, dias de chuva e a máquina de secar avariou. Ao menos as toalhitas reutilizáveis continuam de pedra e cal. Mas as fraldas, este Inverno foram um fiasco. Sou ecológica, mas às vezes nem tanto.

Até Abril, boas práticas ecológicas e vamos todos lutar por um mundo em que os nossos filhos possam andar com as mãos na terra. A estrela vermelha não foi escolhida ao acaso.

Imagem própria

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Breves: não ser ecológico é...

Como comerciante até é algo que eu poderia considerar bom... mas não há argumento algum que me leve a ver algo de positivo em ter clientes que constantemente compram uma lata de refrigerante, bebem um golo e mandam o resto fora. Isto acontece diariamente na minha loja, vários adolescentes compram uma lata de bebida e mandam-na fora quase inteira, passado uma hora ou duas voltam a fazer o mesmo.

Desperdiçam o dinheiro que os pais lhes dão (fruto supostamente do seu trabalho) e desperdiçam uma quantidade de recursos. Já os chamei à atenção, mas ainda fui olhada com aquele ar de "nós pagámos e estás a reclamar de quê?". Resta-me continuar a salvar as latas que eles deixam no caixote do lixo e no chão e reencaminhá-las para a reciclagem.

Se quiserem saber mais sobre as latas de alumínio, já falei delas aqui.

A facilidade com que adquirimos e descartamos as coisas assusta-me, ainda mais quando nem sequer as utilizamos.

Acho que o Papai Tucano e o Tucano Júnior também agradeciam se não lhes causássemos tantos danos ao seu habitat.

Imagem própria

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Guardar e aproveitar materiais para trabalhos manuais

O Luís entrou para creche (neste momento não me vou alongar sobre este facto) e eu que sou contra TPC, tenho-os feito e gosto. A verdade é que são trabalhos manuais que ao longos dos anos fui deixando de fazer com frequência, mas que sempre adorei. Por isso, cá estou eu toda contente.

O primeiro foi para decorar uma folha de cartolina para festejar a chegada do Outuno, decorei-a com folhas de videira, mas não ficou grande coisa, já que as folhas secaram e partiram-se ligeiramente. Não posso mostrar já que não me lembrei de fotografar.

O segundo foi para decorar a inicial do nome dele, ou seja, decorar um bonito L. Aqui está ele, eu gosto do resultado final.

O barco está colado à letra
Imagem própria


Já decidi que a minha regra pessoal para todos os trabalhos que me pedirem para fazer é não ter de comprar qualquer material (bem tive de comprar um frasco de cola, mas isto é um material intermédio, não o material final). Não comprar significa não fazer lixo, não utilizar novos recursos. Por isso, vou ter que reutilizar o que tenho cá por casa ou procurar os materiais na natureza.

E a bem da verdade, materiais não me faltam. Como expliquei na publicação Destralhar, o minimalismo e as canetas, eu sou adepta de usar tudo até ao fim de vida, por isso vou guardando algumas coisas que acho que me podem ser úteis para estes trabalhos, tenho frascos com botões, frascos com giz e tenho isto:


Imagem própria

Isto são folhas de vários tamanhos, texturas e feitios, grande quantidade são folhas de antigos cadernos que usei no básico, secundário e faculdade, as folhas que não estavam escritas tirava-as sempre e guardava. Neste grupo estão também folhas de diversas cores que sempre me lembro de estarem nas casas onde vivi, o que significa que devem ter pelo menos uns 25 anos, aos poucos tenho-as gasto. Estas folhas foram o material principal que utilizei no L do Luís.

Quando o Luís estavam para nascer e destralhamos bastante a casa, o meu marido achou que não deviamos continuar a guardar tantas folhas que ocupam espaço. Mas como o que eu mais gostava de fazer durante a infância era pintar, desenhar, recortar, etc, etc, convenci-o que isto é material importantíssimo para guardar para o Luís utilizar daqui a uns anos.

Voltando à letra, as andorinhas e os peixes foram simplesmente pintados com canetas de feltro, as quais me foram oferecidas por um senhor sem-abrigo (ou com abrigo institucionalizado) que vai à minha loja. Deram-lhe diversas canetas e giz, ele achou que me devia dar e eu acho que foi muito boa ideia (fiquei sensibilizada por uma pessoa com elevada carência socioeconómica se ter lembrado de oferecer as canetas). Assim, já tenho canetas para o Luís pintar e giz para o quadro que lhe hei-de dar um dia (bem giz já tinha).

Imagem própria
Como se pode verificar, eu não sou adepta de destralhar muito, muito, muito. Acho que devemos comprar pouco e não acumularmos, mas há coisas que acho mesmo que devemos guardar. E tudo o que dá para fazer trabalhos manuais acho que deve ser guardado (com peso e medida, e claro, dependendo do espaço livre de cada um).

Continuarei a publicar o resto dos trabalhos que me pedirem para fazer.

sábado, 1 de outubro de 2016

Uma segunda vida para os óculos

Hoje, dado que estava em Coimbra decidi ir procurar no Jumbo se tinham cotonetes biodegradáveis (isto porque há uns tempos me tinham dito que costumava haver destes cotonetes no Jumbo de Coimbra e Leiria), mas não encontrei. Mas estava a sair do Jumbo e algo chamou a minha atenção, junto aos contentores de recolha de diversos materiais, está este:

Imagem própria
 E lá dentro isto:

Imagem própria
Eu não sabia que existiam contentores de recolha de óculos usados. Sabia que eram reciclados porque numa visita a uma estação de triagem de resíduos mostraram-me um "produto" que pareciam umas aparas que é o resultado da transformação/reciclagem dos óculos. Eu não sei bem para que servem essas aparas. Mas pensava que apenas as lentes que ficam nos oculistas eram recicladas. Não conhecia este tipo de recolha de óculos usados.

Esta ideia é diferente, não é tanto a reciclagem, mas sim a reutilização. Basicamente os óculos recolhidos vão ser triados e os que estiverem em bom estado vão ser dados a pessoas em carência socioeconómica, sobretudo em países com populações mais empobrecidas. Os restantes óculos seguem para reciclagem propriamente dita.

Esta iniciativa é realizada pela organização Lions Club International e no site podem ver a seguinte informação:
"Mudando vidas, um par de cada vez 
Em quase toda casa é possível encontrar um par de óculos que não é mais usado. Esse mesmo par de óculos pode mudar a vida de outra pessoa.

Reciclagem em Prol da Visão do Lions
 
Foi por isso que iniciamos o programa Reciclagem em Prol da Visão do Lions. Todos podem ajudar.
Durante o ano, Leões, Leos e outros voluntários coletam óculos usados e os entregam aos Centros de Reciclagem de Óculos do Lions (LERC) regionais. Os voluntários do LERC limpam, classificam por prescrição e embalam os óculos. Os óculos reciclados são distribuídos a pessoas carentes em comunidades de baixa e média renda, onde terão o maior impacto."

É mesmo verdade, todos temos uns óculos perdidos no fundo da gaveta, eu tenho dois pares que permanecem lá, guardados porque eu não sabia o que lhes fazer. Agora já sei.

Entretanto andei à procura na internet, mas não encontrei uma lista dos sítios com contentores para recolha de óculos em Portugal. Por isso, só sei que existe este contentor no Alma Shopping em Coimbra (junto ao Jumbo), mas acredito que haja mais por aí espalhados. Alguém conhece mais algum sítio com estes contentores? Se sim partilhem. Talvez o mais fácil seja para quem tiver óculos para entregar enviar um email para o Lions Club International mais perto da sua casa a perguntar onde pode entregar os óculos. Eu já sei, da próxima vez que vier a Coimbra trago os que lá tenho.

Esta iniciativa ajuda a destralhar as nossas gavetas, ajuda alguém no mundo e claro, ajuda o ambiente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

21ª campanha de reciclagem de radiografias

Começou ontem, dia 13 de Setembro, a 21ª campanha de reciclagem de radiografias promovida pela AMI (Assistência Médica Internacional). Nesta iniciativa pode entregar em qualquer farmácia as suas radiografias com mais de cinco anos ou sem valor de diagnóstico. Poderá entregar as radiografias até dia 4 de Outubro.

Ao entregar as suas radiografias estará a reciclar um material poluente, dando-lhe o destino adequado e salvando a prata que é um material valioso (ao reciclar estes materiais, não se esqueça que está a contribuir para a menor necessidade de extracção de novos minérios e consequentemente para uma maior sustentabilidade) e ainda ajuda a AMI na sua missão.

Imagem retirada de http://www.cm-arganil.pt/noticias/ambiente-e-saude/21a-campanha-reciclagem-radiografias-ami/

Já agora, se for à farmácia aproveite e deixei lá os seus medicamentos fora de validade, há imenso tempo que estou para referir isto, todos os medicamentos que não usa devem ser entregues na farmácia para que tenham o destino adequado, não devem ser colocados no lixo comum. Para mais informações sobre o tema consulte o site da valormed.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sistema de reciclagem, o que falha? O caso das latas de alumínio

Como prometi há duas publicações atrás, cá estou eu para falar de latas de alumínio e para, por muito que me custe, dar razão ao meu pai. A história é a seguinte, embora o meu pai separe o lixo (talvez por ser coagido por mim), a verdade é que ele não concorda com este sistema de darmos o material assim de graça. Segundo ele, isto é uma forma de eles (as empresas de gestão de resíduos) ganharem dinheiro, quando antigamente havia gente a vender estes materiais. Bem, ainda há quem venda sucata (o meu pai junta e vende), na qual se podem incluir as latas de bebidas ou de outros alimentos (eu costumo pôr na mesma na reciclagem para não ficarem acumuladas pelo quintal, mais xiu, ninguém sabe). Mas há materiais que antes se vendiam e havia quem os juntasse e agora não se vendem como por exemplo o cartão, ainda me lembro de existirem pessoas a apanhar cartão na rua. E nessa perspectiva, é verdade, por um lado nós damos os materiais sem pedir nada em troca, por outro lado isso faz com que as pessoas na generalidade não se interessem do destino a dar aos materiais. Mas eu penso que é pelo bem de todos, logo é melhor existirem os sistema de reciclagem. No entanto...

Imagem retirada de http://www.setorreciclagem.com.br/reciclagem-de-metal/reciclagem-das-latas-de-aluminio/

... é, existe sempre um mas... estava eu a ler o meu livro adorado, A História das Coisas quando atravês de uma comparação de dados sobre a reciclagem de latas de bebidas no Brasil e nos Estados Unidos da América percebi que realmente o meu pai tem razão.

"O que é isso então? Estão a acenar com a bandeira branca da reciclagem? Bem, o facto é que com toda a atenção que foi dada à reciclagem nos últimos anos deu aos Americanos uma ideia inflacionadas da quantidade de alumínio que está a ser reciclada. Isso é uma manipulação inteligente dos números por parte da indústria de alumínio.
Embora seja verdade que as latas são 100 por centro recicláveis há décadas que a reciclagem de alumínio nos Estados Unidos está em declínio. Actualmente estamos a reciclar cerca de 44 por cento das latas, taxa inferior aos 54,5 por cento de 2000 e à taxa máxima de 65 por cento de 1992.

Em parte isso deve-se ao facto de os Americanos passarem cada vez mais tempo nos transportes e a consumirem bebidas pelo caminho, aliado ao facto de haver poucos recipientes de reciclagem longe de casa, como o centro comercial, o cinema, o aeroporto, etc. E também porque ainda só é aplicada taxa de depósito de garrafas, de entre 2,5 a 10 cêntimos por lata em apenas dez estados de todo o país. Enquanto isso, no Brasil há uma impressionante taxa de reciclagem de 87 por cento dos recipientes de bebidas, porque muitas pessoas dependem do que ganham com a sua recolha." (Annie Leonard in A História das Coisas)

A questão é um pouco o que já referi anteriormente na publicação Lixo: compensação ou punição monetária, quando temos um sistema de reciclagem que não "obriga" as pessoas a separarem o lixo, grande parte do mesmo acaba por ficar perdido. Mas como a recolha, venda e transformação destes produtos pertence às entidades gestoras dos resíduos, deixou de ser viável para o cidadão comum andar a apanhar determinados resíduos para vender (o que pelos vistos ainda acontece no Brasil). Mais, uma vez digo que quem separa o lixo devia ter direito a contrapartidas positivas e quem não o faz devia ser punido. Afinal, isto é um assunto que diz respeito a todos.

Mas continuando, não me vou debruçar sobre os impactes da extracção de minérios da natureza até porque não sei explicar bem, mas também podem ler sobre o assunto no livro. Quero só transcrever mais umas passagens sobre as latas de bebidas.

"Com efeito, estima-se que mais de um bilião de latas de alumínio tenha ido parar a aterros desde 1972, quando começou a haver registos. Se estas latas fossem desenterradas, valeriam aproximadamente 21 mil milhões de dólares em preços actuais de sucata. Só em 2004, mais de 800 000 toneladas de latas foram eliminadas em aterros nos Estados Unidos (e 300 000 toneladas no resto do mundo). Como salientou um relatório da organização Worlwatch, «é como se cinco fornos de fundição deitassem toda a sua produção anual - um milhão de toneladas de metal - directamente para um buraco no chão. Se essas latas tivessem sido recicladas, ter-se-iam poupado 16 mil milhões de quilowatts-hora - electricidade suficiente para mais de dois milhões de lares europeus durante um ano." (Annie Leonard in A História das Coisas)
São muitos números, não é? Muita energia gasta escusadamente, muita natureza da qual foram extraídos minérios, porque as pessoas não se interessam em separar o seu lixo. Da próxima vez que beberem uma bebida de lata lembrem-se que aquele material é 100% reciclável, mas que se não o separarem provavelmente vai contribuir para encher um aterro e em algum local do mundo há mais alumínio a ser extraído para produzir mais uma lata, mais dezenas de latas, mais milhões de latas. Se perto de si não houver um recipiente de reciclagem, guarde a lata e depois ponha-a no sítio correcto mais tarde.

Para terminar, só referir algo que me fez pensar:

"Após tudo isso, os conteúdos da lata são consumidos numa questão de minutos e a lata é deitada fora numa questão de segundos. «Não entendo os meus concidadãos. Importam este produto, bebem o lixo e depois deitam fora o recurso valioso», afirma o activista porto-riquenho Juan Rosario, lamentando os níveis elevados de consumo de refrigerantes e o baixo nível de reciclagem na sua ilha." (Annie Leonard in A História das Coisas)

E tal como o meu pai diz, talvez antigamente antes de toda a gente falar em reciclagem, se reciclasse mais. Nada era descartado, tudo era valioso. Claro que todo era valioso porque viviam em pobreza, agora vivemos em abundância, mas o planeta Terra não é uma máquina de produção constante de matérias-primas. É preciso parar, reduzir, reutilizar e reciclar de forma a não ser necessários estar a extrair constantemente minérios. Acredito que se todo o alumínio fosse reciclado e o seu uso repensado, talvez não fosse preciso continuar a extrair, pelo menos não na actual escala.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Embalagens: uma infinidade de recursos deitados fora

Longe vai o tempo em que eu acreditava que ser ecológico era separar o lixo e pô-lo na reciclagem. Claro que é algo importante, mas o mais sustentável é mesmo reduzir o lixo que fazemos. Mas não é de todo fácil, embora eu saiba que há casos de sucesso de pessoas que estão um ano sem fazerem praticamente lixo, como este Como 2 famílias encheram cada uma, apenas um frasco, com o lixo de um ano, não acho uma tarefa muito simples.

No caso acima apresentado, tudo o que não dava para ser reutilizado ou compostado era considerado lixo. Está certo, independentemente se é possível reciclar ou não, acho certo que aquilo que deitamos na reciclagem seja considerado lixo, afinal foram recursos que utilizamos e mandamos fora.  E já há muito tempo que acho que utilizo embalagens demais, algumas se calhar são possíveis de reutilizar, mas também não vou guardar coisas infinitas à espera de serem reutilizadas. E quando eu penso que gasto muitas embalagens, sei que mesmo assim, gasto provavelmente bem menos que muitas pessoas. Por exemplo, o meu almoço hoje foi uma omelete de cebola e cenoura com salada de tomate a acompanhar e bebi água. Só comprei as cenouras, logo só este produto usou embalagens, tudo o resto é cá do quintal. Por isso, neste caso utilizei muito menos embalagens do que uma pessoas que tivesse de comprar os ovos, as cebolas e o tomate.

Mas andava eu a considerar a quantidade de embalagens que gastamos cá em casa e decidi fazer uma experiência este fim-de-semana. Desde Sábado à hora do almoço até Domingo à tarde, esta foi a quantidade de resíduos que separei para a reciclagem (de notar que tive visitas e éramos seis pessoas cá em casa). Por um lado, acredito que haja quem faça bem mais resíduos no mesmo espaço de tempo, por outro lado é triste saber a quantidade de matéria-prima, energia, trabalho humano e custos ambientais que foram necessários para produzir estas embalagens que foram usadas uma vez e deitadas na reciclagem (apenas algumas destas garrafas de vinho, já tinham sido reutilizadas antes de serem mandadas fora). De seguida para estes resíduos serem reciclados vão ser gastos mais recursos, mais energia, mais água e consequentemente existirão mais custos ambientais.

Imagem própria

A ideia da reciclagem mascara-nos, conheço muitas pessoas que acham que ser amigo do ambiente passa por separar os resíduos e reciclar. Claro que é melhor que nada, mas o mais necessário é sem dúvida reduzir o consumo e reutilizar o que é possível. No entanto, isso deve ser um passo pessoal, mas devia ser sobretudo uma questão política. A reutilização de embalagens devia ser incentivada pelo estado. De certeza que já falei neste blogue sobre o que penso da maioria das garrafas de vidro neste momento serem de tara perdida, é ridículo.

Enquanto não há respostas governativas para a quantidade de resíduos que fazemos, cabe a cada um tentar reduzir os seus resíduos. No entanto, para mim não é tarefa fácil, primeiro porque não vivo sozinha, segundo porque há um conjunto de hábitos difíceis de deixar, terceiro porque muitas vezes não temos alternativas às embalagens. Tudo, mas tudo está embalado, pouco se vende a granel.

E vocês, costumam olhar para a vossa reciclagem e pensar "Porquê é que gasto tantas embalagens?".

domingo, 10 de julho de 2016

Inquéritos sobre hábitos ecológicos em crianças: resultados (1ª parte)

Considerações iniciais

No dia 10 de Maio, nesta publicação pedi a que os leitores respondessem a um inquérito sobre os hábitos ecológicos em crianças, ou seja, se os pais e principais cuidadores têm preocupações ambientais nas escolhas diárias que fazem na vida dos seus filhos.

Desde já e tal como referi na altura, este inquérito não pretende ser uma amostra fidedigna da sociedade, uma vez que para tal teria de ter uma amostra bastante heterogénea e como devem calcular quem vem a um blogue sobre questões de sustentabilidade responder a um inquérito é desde logo uma pessoa com algumas preocupações ambientais. Por isso, infelizmente, tenho a noção que esta amostra está muito enviezada. É pena.

Para concluir, tive 48 respostas ao inquérito, mas a pergunta se tinha filhos era uma pergunta de despiste que não permitia que se continuasse o inquérito, por isso decidi não considerar três inquéritos. Assim, apenas serão avaliadas as 45 pessoas que responderam ao inquérito completo.

Os inquéritos foram respondidos entre o dia 10 de Maio e o dia 19 de Maio.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Calças de ganga: um básico pouco sustentável



Lembram-se deste anúncio? Adorava-o.

Até há um ano atrás, acho que em 80% dos meus dias usava calças de ganga. Se recuar uns anos, acho que até 2011/2012 em 90% dos meus dias usava calças de ganga. Mas, agora, ando decidida a não o fazer mais. O que significa reduzir o uso deste tipo de calças, não estou a dizer que as vou deixar de usar de todo.

Foi ao ler isto (publicação que já anteriormente referi no blogue) que comecei a pensar no peso ambiental das calças de ganga, nomeadamente quando li:

"First, there’s water consumption. 2 billion pairs of jeans are produced every year, and a typical pair takes 7,000 litres of water to produce." (in http://www.greenpeace.org/international/en/news/Blogs/makingwaves/fast-fashion-drowning-world-fashion-revolution/blog/56222/).

Sete mil litros de água (em média) para produzir um par de calças de ganga. É demais não é? E foi assim que comecei a minha procura sobre os custos ambientais das calças de ganga.

Segundo o que consegui apurar (informações lidas aqui, aqui, aqui e aqui), as calças de ganga têm diversos aspectos negativos no que toca à sustentabilidade. Por um lado, são feitas a partir do algodão, cultura que utiliza imensos agrotóxicos. Mas bem, as calças de ganga não são as únicas peças de roupa feitas de algodão, logo acho que este não é o ponto principal. Mas todo o processo da criação da ganga é pouco sustentável.

Primeiramente, o tingimento dos tecidos (para ficarem com a cor da ganga) é feito com imensos corantes de origem não-natural, nomeadamente derivados do petróleo, os quais são poluentes. Posteriormente, para ficarem com aquele "ar velho", desbotado, usado, as calças de ganga passam por diversas lavagens com produtos poluentes, tais como lixívia, soda caustica e outros tipos de detergentes, Sim estamos a produzir um produto novo e a envelhecê-lo antes de ser usado porque isso está na moda. Eu também gosto, mas se pensarmos bem, a nível ambiental é ridículo.

Para piorar, ainda mais a situação, grande parte das calças de ganga (bem como das outras roupas) são feitas em países sem leis ambientais, nem leis laborais decentes. Mas referindo-me só às leis ambientais, o que acontece é que todos estes químicos usados para tingir as calças e os usados para posteriomente as envelhecer são despejados em cursos de água. Isto sem dúvida um problema gigantesco. Procurem no google por Jeans Pollution China e vejam as imagens, verdadeiramente tristes, como por exemplo a imagem que se segue.

Água "suja" descarregada de uma fábrica de lavagem de calças de ganga em Xintang - China
Imagem retirada de http://www.greenpeace.org/eastasia/news/stories/toxics/2010/textile-pollution-xintang-gurao/

Claro que outro tipo de roupa também usa tintas e também são feitas em países sem cuidados ambientais. Mas pelo que percebo a ganga devido à qualidade do tecido é mais difícil de tingir e a isso ainda acresce os envelhecimentos que se fazem ao material, um par de calças de ganga (ou outra peça de roupa deste material) antes de ser vendido passa por inúmeros processos. Enquanto que o mesmo não se passa com outro tipo de calças (peças de outros tipos de tecido).
Segundo, este site, umas calças de ganga só são verdadeiramente sustentáveis quando:
  • São feitas com algodão orgânico e certificado ou, com reaproveitamento de calças de ganga já existente no mercado;
  • A mão-de-obra é remunerada de acordo com as leis laborais e com atenção à segurança do trabalho;
  • O tingimento é natural;
  • Existe um programa de reaproveitamento da água utilizada na lavagem, para tal devem ser não devem ser usados produtos químicos;
  • Existe um programa de reciclagem de resíduos, reduzindo quase em sua totalidade o lixo têxtil. Para que o produto chegue perfeito e desejável às prateleiras, deve ter um design interessante;
  • Todo o processo de produção deve obedecer à legislação e às normas ambientais, buscando como complemento o melhor aproveitamento no uso de recursos naturais e a preservação da natureza e da biodiversidade.
Concordo, mas sei que é difícil encontrarmos calças de ganga que correspondam a todos estes itens. Todavia, as calças de ganga em si têm aspectos positivos quando comparadas com outro tipo de roupa. As calças de ganga são muito mais resistentes, duram imensos anos até ficarem estragadas (isto se não comprarmos calças de ganga já praticamente estragadas), não precisam de ser lavadas tão frequentemente, aliás segundo sei quase que não precisam ser lavadas. Mas a verdade é que poucas vezes aproveitamos estes aspectos positivos do produto. Eu pelo menos lavo-as frequentemente e vamos ser sinceros, quase nunca as usamos até ao fim da sua vida útil, porque entretanto compramos outras, porque há um modelo mais giro, por mil e uma razões. Eu até costumava usar as minhas calças de ganga até estarem mesmo estragadas, mas depois da gravidez, alguns pares já não servem.

E bem é por isto tudo que estou focada em que fotografias como as que se seguem (já com muitos anos) fiquem realmente no passado.

Imagem própria

Por isso, a partir de agora espero que as minhas fotografias sejam sobretudo assim:

Quer dizer não precisam de ser só calças de fato de treino, nem ser todas as fotografias com o meu Cão Limão
Imagem própria

sábado, 25 de junho de 2016

As batatas já nascem pré-fritas e ultracongeladas?

No outro dia constatei que a maioria das pessoas (não tenho dados que comprovem que é a maioria, mas vamos fingir que tenho) compram batatas pré-fritas e ultracongeladas. Eu sabia que o faziam para as batatas de fritar, mas não sabia que o faziam para assar batatas. No fundo, eu desconhecia completamente que existiam a vender batatas pré-fritas e ultracongeladas para levar ao forno. Desconhecia, porque é uma secção do supermercado que não costumo frequentar. Comprar legumes congelados não é comigo.

Mas qual o problema dos outros consumirem batatas ultracongeladas? O problema não é nenhum, cada um consome o que quiser. Mas qual a vantagem? A facilidade, talvez. Mas dado que a nossa saúde está ligada ao que comemos, acho que não é a melhor opção. Como se sabe qualquer alimento processado é sempre pior que o mesmo alimento de forma natural. Por um lado, porque lhe são associados outros ingredientes, conservantes e coisas do género. Por outro lado, comer os alimentos na sua forma natural é mais saudável, descascar as batatas e logo de seguida cozer, assar ou fritar, sem dúvida que não se perdem tantos nutrientes como batatas que já passaram por diversos processos industriais. Assim, comer batatas feitas em casa a partir de batatas no seu estado natural é sem dúvida a melhor opção.

Imaginem a diferença entre, comprarem, descascarem, partirem e cozinharem uma batata e todos os processos industriais associados às batatas pré-fritas e ultracongeladas. Imaginam? Todos estes processos também têm custos ambientais, obviamente. 

Mas a questão para mim nem é ambiental, é mesmo uma questão de sabor, batatas que sabem a batatas são melhores, além disso é uma questão de tratar da nossa alimentação. Eu também como muitos alimentos processados e batatas fritas ultracongeladas quando almoço ou janto fora. Mas já bastam essas vezes, em casa podemos ser o mais naturais e saudáveis possíveis.

Além disso, as batatas pré-fritas e ultracongeladas, no caso de batatas fritas, nunca têm uma característica que muito aprecio, talvez para os outros seja defeito... Adoro!!! Adoro, mesmo, batatas fritas heterogéneas, aqueles palitos que de um lado são tão finos que são estaladiços e de outro lado são tão grossos que parece que a batata cozeu em vez de fritar. Acham estranho? Mas é mesmo assim que as batatas fritas me sabem bem e isso só é possível com batatas cortadas à mão.


Entretanto, andava aqui à procura de razões para não se consumir batatas pré-fritas e ultracongeladas e encontrei esta publicação no blogue BabySol - Segurança Alimentar e Nutrição Infantil. A autora fez uma lista de dez produtos a abater, entre os dois estão este tipo de batatas e refere o seguinte sobre este produto:

"Já repararam que as batatas fritas industriais são cortadas fininhas? E sabem porquê? Deste modo, é aumentada a estabilidade à congelação mas a área de contacto com a gordura e sal também é maior...

Recentemente veio a público mais um problema de segurança alimentar: a formação de acrilamida, substância cancerígena e resultante da formação do tom dourado nos produtos alimentares. Por outro lado, é sabido que o consumo de alimentos fritos é prejudicial e contribui, a longo prazo, para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Mas ainda não é tudo...Como compreendem, os óleos de fritura destes produtos não são substituídos com a frequência necessária, além disso muitas vezes o produto já contém sal na sua composição o que ainda degrada mais os óleos...E como se não bastasse, muitos desses óleos contêm gorduras hidrogenadas, o que lhes confere maior estabilidade às elevadas temperaturas, mas que também são cancerígenas, causando danos quando consumidas a longo prazo."

Por isso, mais vale mesmo fritar batatas em casa de forma tradicional do que fritar batatas que já foram pré-fritas e depois disso congeladas. No caso das batatas para assar também, afinal estamos a assar batatas que já foram pré-fritas, mais vale comprar batatas e se queremos acelerar o processo, podemos cozê-las ligeiramente primeiro antes de as assar no forno.

Esta é a minha opinião e a sugestão que vos dou, pela vossa saúde. O mesmo vale para o puré, cá em casa também não compramos puré instantâneo, o puré tradicional demora a fazer, é verdade, mas o sabor não tem comparação. Claro que terem um saco de batatas pré-fritas pode dar jeito para uma eventualidade, mas não façam disso um hábito, já basta as batatas que comemos fora de casa.

E não, as batatas não nascem pré-fritas e ultracongeladas, as batatas nascem da terra. E se forem batatas da vossa região ainda melhor. No café da minha avó, as batatas vinham todas da quinta da frente do café ou das terras da Costa de Caparica (sobre a agricultura do local), sim no café da minha avó as batatas fritas eram todas descascadas e cortadas manualmente. Num processo com poucas perdas e poucos recursos gastos. As cascas das batatas eram guardadas para um senhor que criava porcos.




Imagem retirada de http://terramanhada.blogspot.pt/p/batatas.html


E não se esqueçam comida de verdade não tem ingredientes.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/JustEatingRealFood/photos/a.194715737322535.40389.194159110711531/956959074431527/?type=3&theater



domingo, 8 de maio de 2016

Reciclar plástico



Eu quero uma máquina destas. Fascinante.
Eu já sabia que era assim que se fazia, mas pensar na possibilidade de ter uma máquina caseira é espectacular.

Agora lembrei-me que nunca falei dos vários tipos de plástico, acho que isso merece uma publicação futura.

domingo, 10 de abril de 2016

Cânhamo

Imagem retirada de https://www.facebook.com/CollectiveEvolutionPage/photos/a.10151198752138908.475684.131929868907/10154080409013908/?type=3&theater

Há uns meses escrevi nesta publicação, as características e benefícios do cânhamo para a produção têxtil. Ontem encontrei esta imagem, acho-a muito indicada para o que eu penso.

E aproveito para partilhar o que escrevi na altura sobre esta matéria-prima:

"Mas depois ainda se levanta outra questão, na Europa não há produção de algodão, logo se virmos bem a maior parte das roupas que usamos são fabricadas em têxteis sintéticos ou têxteis que têm de ser importados. Logo o ideal, sem dúvida seria comprarmos roupas em Portugal (alargando à Europa) feita com recurso a matérias-primas locais: o linho, o cânhamo, a lã.

O canhâmo é sem dúvida o que mais me fascina, super resistente (muito mais que o algodão) seria óptimo para que a roupa durasse ainda mais. Em tempos tive uma mochila de cânhamo e adorava-a, foi usada até ficar velha, bem rota mesmo. Devido ao consumo de drogas, as plantações de cânhamo foram ilegalizadas em Portugal, em 1971, só mais tarde voltando a ser permitidas. Acho que era algo em que se podia, devia, apostar. Afinal não é só na indústria têxtil que o canhâmo é uma boa matéria-prima."

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Resíduos orgânicos

Em sequência da minha última publicação:

Imagem própria

Diariamente, em quase todas as casas deste país, ou melhor, em quase todas as casas do mundo, resíduos como estes são deitados no lixo indiferenciado. Os resíduos orgânicos não são lixo, têm valor. No meu caso, deito-as às galinhas, o que elas não comem acaba por se degradar e misturar com o estrume que mais tarde é devolvido à terra. Outra solução é fazermos compostagem.

Claro que não quero obrigar todas as pessoas a terem galinhas ou a fazerem compostagem, até porque no actual modelo de sociedade é impensável. Talvez, por isso mesmo devessem ser as sociedades gestoras de resíduos a fazerem-no. Actualmente, alguns dos centros de triagem de resíduos já fazem alguma triagem aos resíduos indiferenciados, sendo que os restos orgânicos acabam por ser aproveitados para adubo. Todavia, como devem compreender isso é um processo difícil, já imaginaram o que é estar a separar cascas de bananas, de plásticos, de fraldas, pensos higiénicos, etc. Pois, há quem o faça, mas eu não gostaria.

Segundo este documento, Resíduos Orgânicos são:

"Restos de origem orgânica (também denominados resíduos verdes ou biodegradáveis). Em princípio, todos os resíduos orgânicos de origem biológica podem ser transformados em composto, o que inclui restos de comida, restaurantes e cantinas, resíduos verdes de composição vegetal provenientes de jardins e parques, papel e cartão. Apesar de poderem ser transformados em composto, o papel e cartão deverão ser reciclados."

No documento acima referido, estão várias iniciativas de recolha de lixo orgânico para compostagem. De notar que este documento já tem 16 anos, logo não quer dizer que estas iniciativas ainda existam.

De forma geral, as iniciativas que já existem passam pela existência de um sistema de recolha selectiva de lixo orgânico e de lixo inorgânico e em outros casos, por incentivar aos cidadãos a fazer a sua própria compostagem. Ambas são boas soluções. Embora, pessoalmente, acredito que a ideia de existir uma recolha de lixo orgânico e inorgânico fosse uma solução muito melhor quando nos mencionamos a áreas urbanas. Todavia, mais uma vez, no nosso país e no contexto que eu conheço, se ainda não conseguimos ensinar as pessoas a separar vidro, cartão e plástico, quando conseguiremos que separem o orgânico do inorgânico.

Se todos os resíduos que fazemos fossem separados quase nada iria para o inorgânico, não é verdade? Tudo teria o seu fim original, a transformação.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Nem todo o plástico foi feito para ser descartável: antiga República Democrática Alemã

Não sei se já alguma vez escrevi sobre isto, mas eu tenho um certo fascínio histórico pelas antigas ditaduras socialistas dos países do leste europeu. E para que não se criem confusões, eu não sou a favor desses regimes, pelo contrário, mas tenho um interesse profundo sobre eles. A maior parte das pessoas a quem digo que tenho um interesse histórico sobre estes regimes, o que percebe é que eu sou a favor deles.

Mas para que entendam que isso não é verdade, o meu filme preferido é o Goodbye Lenin, o meu livro favorito é a Insustentável Leveza do Ser, em ambos se retrata bem os problemas dos regimes socialistas do leste europeu. Além disso, outro dos meus livros preferidos é o Animal Farm que metaforicamente explica bem a revolução soviética e a forma como ficou estratificada socialmente a antiga URSS.

E o que é que isto tem que ver com plástico? Nada, mas quis contextualizar para ninguém comentar coisas como "Estaline mandou matar milhares de pessoas", eu sei disso e ter fascínio histórico, não é concordar com ditadores, mas também não significa que eu não saiba que na DDR (Deutsche Demokratische Republik) ou em português RDA (República Democrática Alemã) o plástico tinha como objectivo durar e durar.

Plástico para durar em forma de galinha, claro que a marca tinha de se chamar Sonja
Imagem retirada de http://www.ebay.de/sch/sis.html?_nkw=6+Stueck+Sonja+Eierbecher+im+original+Karton+DDR+Kult+Huehner+Karton+Lagerspuren&_itemId=172011991664&_trksid=p2047675.m4096



Mas vamos lá contar a história do plástico da RDA (baseado nesta fonte). Em 1958, no 5º Congresso da República Democrática Alemã decidiu-se que a sociedade e economia alemã de leste devia ser tecnologicamente avançada e baseada no consumidor. Para tal, deviam ser produzidos em massa, bens que eram considerados símbolos de boa vida no ocidente. Todavia, a RDA, tal como outros países socialistas não conseguia importar matérias-primas naturais para a produção desses bens. A solução passou, portanto, por produzir tudo em plástico, vendendo-se a ideia que os produtos neste material eram muito mais vantajosos. Por exemplo, um tampo de mesa de plástico era muito mais fácil de limpar que um de madeira, além disso as roupas de poliéster que eram mais fáceis de manter do que as de fibras naturais.

"A great deal of excitement was generated among ordinary East Germans, who moved into mass produced housing blocks, ordered mass produced furniture made from plastic laminate, and dressed themselves in polyester clothes cut in contemporary 1960’s fashions. Socialism seemed to have harnessed the magic of science – atomic, aerospace, and petrochemical – as its means of bringing about a promised communist utopia that was one part Jules Verne and one part Karl Marx." (in https://www.humboldt-foundation.de/web/newsletter-1-2011-4-en.html)

A sociedade e o regime eram tão "apreciadores" e vinculados aos produtos de plástico que se alguém preferia usar roupa de algodão ou ter móveis de madeira era visto como um cidadão suspeito pela Statsi (a polícia política da Alemanha oriental). [eu estaria desgraçada].

Após a queda do muro de Berlim houve uma certa curiosidade dos alemães ocidentais pela vida na RDA, mas onde eu queria chegar era a este ponto: os alemães orientais perceberam que a sociedade ocidental era uma sociedade onde se "deitava tudo fora", enquanto que na RDA nada se deitava fora, sobretudo se fosse de plástico, este era feito para durar e não para ser descartável:

"However, by the mid 1990s, as part of the phenomenon of Ostalgie (nostalgia for the East) East Germans began to sense that much of the critique of western culture made before 1989 rang true. Plastic goods in East Germany, many began to complain, were made to last; one very rarely threw anything out, especially if it were plastic. Terms such as Wegwerfgesellschaft (throw-away society) began to be revived among former East Germans, and those who had not rid themselves of their plastic chicken egg cups and “Sprelacart” kitchen surfacing clung on to them as one of the places in which the GDR lived on." (in https://www.humboldt-foundation.de/web/newsletter-1-2011-4-en.html)


E assim, se conta a história sobre como o plástico pode ser visto de formas tão diferentes. No fundo, embora eu prefira materiais naturais, vejo as vantagens do plástico para algumas industrias como a automóvel, por exemplo. Acho que na generalidade devíamos tentar ver um plástico como um material durável e não tanto nesta prespectiva descartável.

E já agora, eu também tenho um copo para ovo de plástico em forma de galinha comprei no DDR Museum em Berlim. Se forem a esta interessantíssima cidade não deixem de o conhecer, este e o Mauer Museum. Nestes museus poderão conhecer realmente as incongruências dos regimes ditactoriais de esquerda. Na minha opinião, tão liberais numas coisas e tão limitativos e oprimentes em outras (quase todas, vá).






sábado, 26 de março de 2016

E por falar em sabão

Imagem retirada de http://www.serrote.com/caderno_sabao.htm

Há uns dias publiquei sobre o Sabão de Marselha e lembrei-me de uma coisa relativamente ao sabão e às embalagens. O famoso sabão azul e branco, sabão macaco ou sabão offenbach, seja como for que o chamem, era (será que ainda é?) vendido nestas barras grandes e sem embalagem. Lembro-me bem da minha avó me pedir para ir comprar estas barras de sabão a uma loja que vendia coisas a granel e lá vinha eu com a barra de sabão embrulhada num bocadinho de papel, apenas o suficiente para que a minha mão o conseguisse agarrar.

A minha avó cortava-o em vários pedaços e ficavam vários "sabões" que davam para tudo, desde lavar as cuecas até lavar a cabeça. No entanto, devo referir que o sabão azul e branco não é assim muito benéfico para a nossa pele, sobretudo se o usarmos regularmente. No fundo, o sabão azul e branco é um desinfectante poderoso, por isso não devemos lavar-nos constantemente com ele (bem na realidade não nos devemos lavar constantemente com nada, mas pronto). Mas como desinfectante é óptimo, enquanto produto de limpeza. Quando o meu pai era um rapaz novo e trabalhava nas oficinas da APL davam-lhes sabão azul e branco para lavarem a roupa suja, penso que é daí que advém o nome sabão macaco.

Há uns anos, a ex-ministra da saúde Ana Jorge veio relembrar que o sabão azul e branco pode ser uma solução barata para combater vírus (podem ver aqui) e sim ela tinha razão. Mas devo confessar que quando entrei na faculdade em 2004 e em vez de sabonete líquido, as casas-de-banho tinham sabão azul e branco, pensei que aquilo tinha muito ar de avó. Bem, as casas-de-banho naquela altura tinham mesmo ar de que não viam um remodelação desde o tempo que a minha avó era nova.

Por estas coisas todas e não sendo o melhor produto para a nossa higiene pessoal, gosto do sabão azul e branco com um certo saudosismo. Aquela ideia de infância de ir comprar aquela barra enorme e depois ver o sabão no tanque.

A nível ecológico, embora não seja um produto natural (não consegui encontrar os ingredientes aqui na internet) ganha por ser vendido em barras de 400gr (isto para não falar das barras maiores que mencionei acima) e no meu caso, ganha por ser fabricado perto da minha casa. É que grande parte do sabão azul e branco que se vende por aqui é fabricado na Sovena no Barreiro, a mesma empresa que fabrica o óleo Fula, o azeite Oliveira da Serra entre outros. Os restos destes produtos alimentares servem para fazer o famoso sabão, o que é algo positivo, claro.

Mas continuo a achar que as grande superfícies deviam era continuar a vender as barras grandes de sabão azul e branco sem embalagem, sem dúvida muito mais ecológico.




Mas não se deixem levar por cantigas, o rio deve queixar-se, sim.

terça-feira, 22 de março de 2016

Dia mundial da água


Mais valioso que o petróleo, o ouro ou os diamantes, a água é o bem mais necessário e indiscutível do mundo. Felizmente, a água não se esgota, mas infelizmente é facilmente contaminada.

Por um consumo de água mais consciente, a nivel pessoal, industrial, estatal, ou seja, global. E por uma melhoria do saneamento a nível mundial. Hoje, devemos pensar no que a água representa para nós e para o planeta.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Eu farei uma moldura, prometo!

Desde que o Luís nasceu que as minhas manualidades se têm reduzido a zero, bem fiz o cesto para as molas e acho que foi a única coisa. Tinha uma fralda para lhe bordar o nome e uns babetes para bordar e oferecer, mas não fiz nada. Aliás, até os meus dotes culinários pioraram, fiz a pior lasanha da minha vida no outro dia, fazer molho béchamel enquanto estou a entreter constantemente uma criança é um bocado complicado (na altura desejei aquele béchamel que já vem feito, sem me importar com embalagens ou se o leite do béchamel era dinamarquês).

Ando, há umas semanas a tentar fazer-lhe um brinquedo, mas no meio de tanta coisa, vai passando, passando, pelo menos já cortei o molde e comecei a bordá-lo, um dia hei-de acabar. Mas como o meu cérebro é sempre mais rápido do que as minhas mãos decidi que tenho de lhe fazer outra coisa, uma moldura. Uma moldura em pasta de papel.

E porque me lembrei disto, sinceramente não sei em concreto, mas recordei que há uns anos, mais precisamente há 12 anos, eu e mais duas amigas oferecemos uma moldura feita por nós em pasta de papel a outra amiga. E pensei é mesmo uma boa ideia para fazer.

Pedi a esta minha amiga se me podia tirar fotografias da moldura, para publicar aqui e para me relembrar como tínhamos feito a parte de trás. A verdade é que podíamos ter feito algo mais perfeito, mas vá esta moldura já dura há 12 anos, é obra, afinal foi feita com jornais velhos.

A parte da frente, percebe-se que os guaches não eram da melhor qualidade
Imagem própria

Por trás, devo confessar que a prefiro assim
Imagem própria

Os acabamentos foram com cartão e pioneses, sim não eram os melhores, realmente
Imagem própria

Espero conseguir fazer uma moldura mais perfeita que esta, quando não sei, mas fica na minha lista de desejos de coisas que hei-de fazer. Já agora hei-de arranjar um vidro, já que nesta não úsamos. Até porque na moldura estava uma fotografia nossa com os fantásticos 17 e 18 anos, logo já era uma beleza completa, não precisava de vidro.

O processo se bem me lembro era muito fácil, basta utilizar jornais ou outro tipo de papel ou cartão, cola de madeira e água. Mas quando fizer a moldura, um dia, hei-de partilhar a receita, por enquanto fica a ideia. Se tiverem mais tempo que eu ou se forem mais organizados. Neste momento, o meu único desejo é ir apanhar a roupa que está no estendal, mas hoje o Luís está a fazer greve de sling.

Principais benefícios de fazer a moldura, reciclamos papel e fazemos uma peça única com o nosso cunho pessoal.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Garrafão de água: um cesto para as molas da roupa

Há umas semanas, na publicação Lixo: a minha terapia mostrei uma ideia para reutilizar um garrafão de água. Transformá-lo num útil cesto para molas de roupa, o que vinha mesmo a calhar já que o meu se partiu. Se assim pensei, assim fiz. E aqui mostro o resultado. Como o tempo livre não é muito, não ficou assim muito perfeito, mas está utilizável.

Material utilizado:
Garrafão de água;
Feltro;
Agrafos;
Cordel.

Cortei o garrafão e à volta meti feltro para não cortarmos as mãos, mas como estava com pressa prendi com agrafos, no entanti acho que resultava melhor com cola quente. Também tentei fazer a pega com feltro, mas como tentei prender com clips não resultou.


Imagem própria

Imagem própria


Então decidi fazer a pega com cordel de cozinha, resulta na mesma. Como se pode ver na imagem abaixo.

Imagem própria

E assim fiz o meu cesto para as molas da roupa, não tenho é certeza que dure muito. E já agora não se esqueçam que de duas coisas estragadas podemos sempre fazer uma coisa útil. Aqui a mola de plastideira.

Imagem própria

Não se esqueçam que reutilizar significa sempre poupar recursos, bem mais dos que aqueles que nos lembramos. Afinal grande parte dos cestos de roupa devem ser feitos na China, logo embalagens, embalagens, transportes e mais transportes.

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