Mostrar mensagens com a etiqueta Ideias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ideias. Mostrar todas as mensagens

domingo, 17 de abril de 2016

Sou hippie? Nim...

Há uns tempos atrás escrevi isto aqui no blogue, os meus pensamentos sobre a vida e o mundo. E certamente todas as publicações reflectem as minhas ideias sobre o mundo. Sobre o que é e aquilo que eu acho que devia ser.

Mas melhor do que aquilo que eu já pensei ou escrevi, está escrito em Os novos hippies do século 21 não necessitam de drogas.

São ideias sobre a forma como podemos ver e reformular a vida, total ou parcialmente, de forma como nos sentimos mais felizes. No fundo, é procurar a nossa essência, desprender da sociedade de consumo, mas mais importante de tudo, sentirmos-nos bem e conscientemente em paz.

Imagem retirada http://yogui.co/os-novos-hippies-do-seculo-21-nao-necessitam-de-drogas/

Eu continuo em busca da minha plenitude, sempre, com altos e baixos. Sem conseguir deixar esta sociedade, mas sempre tentando me afastar.

domingo, 10 de abril de 2016

Cânhamo

Imagem retirada de https://www.facebook.com/CollectiveEvolutionPage/photos/a.10151198752138908.475684.131929868907/10154080409013908/?type=3&theater

Há uns meses escrevi nesta publicação, as características e benefícios do cânhamo para a produção têxtil. Ontem encontrei esta imagem, acho-a muito indicada para o que eu penso.

E aproveito para partilhar o que escrevi na altura sobre esta matéria-prima:

"Mas depois ainda se levanta outra questão, na Europa não há produção de algodão, logo se virmos bem a maior parte das roupas que usamos são fabricadas em têxteis sintéticos ou têxteis que têm de ser importados. Logo o ideal, sem dúvida seria comprarmos roupas em Portugal (alargando à Europa) feita com recurso a matérias-primas locais: o linho, o cânhamo, a lã.

O canhâmo é sem dúvida o que mais me fascina, super resistente (muito mais que o algodão) seria óptimo para que a roupa durasse ainda mais. Em tempos tive uma mochila de cânhamo e adorava-a, foi usada até ficar velha, bem rota mesmo. Devido ao consumo de drogas, as plantações de cânhamo foram ilegalizadas em Portugal, em 1971, só mais tarde voltando a ser permitidas. Acho que era algo em que se podia, devia, apostar. Afinal não é só na indústria têxtil que o canhâmo é uma boa matéria-prima."

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Nem todo o plástico foi feito para ser descartável: antiga República Democrática Alemã

Não sei se já alguma vez escrevi sobre isto, mas eu tenho um certo fascínio histórico pelas antigas ditaduras socialistas dos países do leste europeu. E para que não se criem confusões, eu não sou a favor desses regimes, pelo contrário, mas tenho um interesse profundo sobre eles. A maior parte das pessoas a quem digo que tenho um interesse histórico sobre estes regimes, o que percebe é que eu sou a favor deles.

Mas para que entendam que isso não é verdade, o meu filme preferido é o Goodbye Lenin, o meu livro favorito é a Insustentável Leveza do Ser, em ambos se retrata bem os problemas dos regimes socialistas do leste europeu. Além disso, outro dos meus livros preferidos é o Animal Farm que metaforicamente explica bem a revolução soviética e a forma como ficou estratificada socialmente a antiga URSS.

E o que é que isto tem que ver com plástico? Nada, mas quis contextualizar para ninguém comentar coisas como "Estaline mandou matar milhares de pessoas", eu sei disso e ter fascínio histórico, não é concordar com ditadores, mas também não significa que eu não saiba que na DDR (Deutsche Demokratische Republik) ou em português RDA (República Democrática Alemã) o plástico tinha como objectivo durar e durar.

Plástico para durar em forma de galinha, claro que a marca tinha de se chamar Sonja
Imagem retirada de http://www.ebay.de/sch/sis.html?_nkw=6+Stueck+Sonja+Eierbecher+im+original+Karton+DDR+Kult+Huehner+Karton+Lagerspuren&_itemId=172011991664&_trksid=p2047675.m4096



Mas vamos lá contar a história do plástico da RDA (baseado nesta fonte). Em 1958, no 5º Congresso da República Democrática Alemã decidiu-se que a sociedade e economia alemã de leste devia ser tecnologicamente avançada e baseada no consumidor. Para tal, deviam ser produzidos em massa, bens que eram considerados símbolos de boa vida no ocidente. Todavia, a RDA, tal como outros países socialistas não conseguia importar matérias-primas naturais para a produção desses bens. A solução passou, portanto, por produzir tudo em plástico, vendendo-se a ideia que os produtos neste material eram muito mais vantajosos. Por exemplo, um tampo de mesa de plástico era muito mais fácil de limpar que um de madeira, além disso as roupas de poliéster que eram mais fáceis de manter do que as de fibras naturais.

"A great deal of excitement was generated among ordinary East Germans, who moved into mass produced housing blocks, ordered mass produced furniture made from plastic laminate, and dressed themselves in polyester clothes cut in contemporary 1960’s fashions. Socialism seemed to have harnessed the magic of science – atomic, aerospace, and petrochemical – as its means of bringing about a promised communist utopia that was one part Jules Verne and one part Karl Marx." (in https://www.humboldt-foundation.de/web/newsletter-1-2011-4-en.html)

A sociedade e o regime eram tão "apreciadores" e vinculados aos produtos de plástico que se alguém preferia usar roupa de algodão ou ter móveis de madeira era visto como um cidadão suspeito pela Statsi (a polícia política da Alemanha oriental). [eu estaria desgraçada].

Após a queda do muro de Berlim houve uma certa curiosidade dos alemães ocidentais pela vida na RDA, mas onde eu queria chegar era a este ponto: os alemães orientais perceberam que a sociedade ocidental era uma sociedade onde se "deitava tudo fora", enquanto que na RDA nada se deitava fora, sobretudo se fosse de plástico, este era feito para durar e não para ser descartável:

"However, by the mid 1990s, as part of the phenomenon of Ostalgie (nostalgia for the East) East Germans began to sense that much of the critique of western culture made before 1989 rang true. Plastic goods in East Germany, many began to complain, were made to last; one very rarely threw anything out, especially if it were plastic. Terms such as Wegwerfgesellschaft (throw-away society) began to be revived among former East Germans, and those who had not rid themselves of their plastic chicken egg cups and “Sprelacart” kitchen surfacing clung on to them as one of the places in which the GDR lived on." (in https://www.humboldt-foundation.de/web/newsletter-1-2011-4-en.html)


E assim, se conta a história sobre como o plástico pode ser visto de formas tão diferentes. No fundo, embora eu prefira materiais naturais, vejo as vantagens do plástico para algumas industrias como a automóvel, por exemplo. Acho que na generalidade devíamos tentar ver um plástico como um material durável e não tanto nesta prespectiva descartável.

E já agora, eu também tenho um copo para ovo de plástico em forma de galinha comprei no DDR Museum em Berlim. Se forem a esta interessantíssima cidade não deixem de o conhecer, este e o Mauer Museum. Nestes museus poderão conhecer realmente as incongruências dos regimes ditactoriais de esquerda. Na minha opinião, tão liberais numas coisas e tão limitativos e oprimentes em outras (quase todas, vá).






domingo, 3 de abril de 2016

Desafio: apanhar lixo do chão

A internet vive de desafios, devo confessar que nunca fui muito adepta destes, nunca me molhei com baldes de água, nem nunca tentei comer uma colher de canela para depois publicar o vídeo da situação. Aliás, acho mesmo que a maioria dos desafios são no mínimo parvos, mas já que as pessoas gostam de desafios que tal este: 1 piece of rubbish.

O desafio consiste em apanhar lixo da rua tirar uma fotografia e partilhar online com a hashtag #1pieceofrubbish, na partilha devemos mencionar cinco pessoas. Eu não sou muito adepta deste género de desafios, mas este acho interessante, afinal é para o bem de todos.

Obrigada ao blogue  O único planeta que temos, no qual tive conhecimento desta iniciativa.

sábado, 2 de abril de 2016

Primavera

Eu sei que a Primavera já começou há alguns dias, se bem que algo inconstante. Mas já dizem os ditados populares:

Março, Marçagão, manhãs de Inverno, tardes de Verão

Abril, águas mil


Por isso não é de admirar este tempo incerto. Mas a Primavera é tempo de renascer, de florir e de tudo parecer mais belo.

No quintal, as flores começam a florir e os animais aproveitam a liberdade.

Imagem própria

Imagem própria


Uma boa Primavera para todos, cheia de flores, alegria, ar puro e liberdade.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Babyoga: o meu testemunho

Desde os dois meses que o meu Luís anda no Babyoga, ou seja já há dois meses que uma vez por semana lá vamos nós à ginástica como diria a senhora do parque de estacionamento onde deixo o carro.

Mesmo antes de ele nascer, eu já tinha decidido que gostaria que tivessemos alguma actividade em conjunto. Como devem calcular não existem assim muitas actividades para crianças tão pequenas, além disso eu sempre quis experimentar Yoga (não sei porque é que nunca experimentei) e o Babyoga pareceu-me o indicado. Para saberem sobre esta prática podem consultar o site da Escola Babyoga Portugal.

Pessoalmente, o que me levou a frequentar as aulas foi a necessidade que eu tinha de transmitir ao Luís uma certa paz e harmonia, um desejo de partilhar bons momentos com ele, transmitir-lhe confiança e boas vibrações. Basicamente fortalecer o elo mãe-filho. Além disso, procurava também que ele se desenvolvesse a nível motor e que o Babyoga o ajudasse a ser um bebé calmo e que lhe aliviasse de algumas dores e cólicas. E passado dois meses, acho que tudo isto tem sido alcançado.

No nosso caso, o Luís começou muito pequenino, por isso nas primeiras aulas, ele não conseguia fazer todos os exercícios e quase sempre tinha de mamar a meio. Neste momento, já aguenta muito melhor a aula inteira, aliás costuma estar bem mais curioso para ver os outros bebés do que com vontade de mamar ou sequer olhar para mim. Por este motivo, há quem prefira começar quando eles já têm cerca de quatro meses, no entanto, ainda bem que eu comecei com dois meses.

Passo a explicar, depois de um parto que não era o que eu idealizava e de todo o primeiro mês de vida dele com problemas com a pega e a amamentação, eu sentia necessidade de estar com ele. Sim, eu sei, eu estava com ele o dia todo, mas não era um tempo verdadeiramente nosso, porque alguém telefonava, ou alguém aparecia, porque tinha de fazer o almoço, porque tinha de pôr roupa a lavar, etc, etc. Todos os nossos momentos pareciam ser cortados por qualquer coisa exterior. Nas aulas comecei a ter tempo verdadeiramente de paz com o meu bebé, a interagir com ele com todo o tempo do mundo. Neste momento, isso já não acontece só nas aulas, essa harmonia também a consigo em casa quando estou com ele sem pensar em mais nada.

Além de toda esta parte mais emocional, acho que o ajudou a nível físico, nem que seja pelos puns que o ajuda a soltar. Mas não é só isso, trabalhamos posturas que de outra forma, acho que nunca teria feito com ele, por exemplo, já lhe fiz um looping. Alguma vez em casa eu me lembraria, teria coragem, de o fazer?

À parte disto, as aulas são também um bom espaço de partilha entre as mães e a professora (que é espectacular). Aliás, foi nas aulas que me chamaram a atenção para uma posição recorrente do Luís e me aconselharam a procurar um osteopata, devo confessar que se não me tivessem dito, eu acho que nunca teria dado a importância suficiente ao facto de o Luís se inclinar constantemente para a direita. Até me custa escrever isto, o que vale é que depois da primeira consulta, ele às vezes já se inclina para a esquerda (ufa, ufa).

Por todas estas coisas e porque crianças mais felizes, em paz e harmonia com o mundo, serão certamente adultos mais felizes e realizados, quem tem bebés pequenos, aconselho vivamente a experimentarem.

Imagem retirada de http://babyogaportugal.com/cursos/wp-content/uploads/2016/01/PROGRAMA_CURSO_COMPLETO_E_INTENSIVO_DE_YOGA_INFANTIL_Portugal.pdf

E hoje consigo estar aqui a escrever calmamente, porque o Luís veio do Babyoga e depois de mamar ficou a dormir como um anjinho.

sábado, 26 de março de 2016

E por falar em sabão

Imagem retirada de http://www.serrote.com/caderno_sabao.htm

Há uns dias publiquei sobre o Sabão de Marselha e lembrei-me de uma coisa relativamente ao sabão e às embalagens. O famoso sabão azul e branco, sabão macaco ou sabão offenbach, seja como for que o chamem, era (será que ainda é?) vendido nestas barras grandes e sem embalagem. Lembro-me bem da minha avó me pedir para ir comprar estas barras de sabão a uma loja que vendia coisas a granel e lá vinha eu com a barra de sabão embrulhada num bocadinho de papel, apenas o suficiente para que a minha mão o conseguisse agarrar.

A minha avó cortava-o em vários pedaços e ficavam vários "sabões" que davam para tudo, desde lavar as cuecas até lavar a cabeça. No entanto, devo referir que o sabão azul e branco não é assim muito benéfico para a nossa pele, sobretudo se o usarmos regularmente. No fundo, o sabão azul e branco é um desinfectante poderoso, por isso não devemos lavar-nos constantemente com ele (bem na realidade não nos devemos lavar constantemente com nada, mas pronto). Mas como desinfectante é óptimo, enquanto produto de limpeza. Quando o meu pai era um rapaz novo e trabalhava nas oficinas da APL davam-lhes sabão azul e branco para lavarem a roupa suja, penso que é daí que advém o nome sabão macaco.

Há uns anos, a ex-ministra da saúde Ana Jorge veio relembrar que o sabão azul e branco pode ser uma solução barata para combater vírus (podem ver aqui) e sim ela tinha razão. Mas devo confessar que quando entrei na faculdade em 2004 e em vez de sabonete líquido, as casas-de-banho tinham sabão azul e branco, pensei que aquilo tinha muito ar de avó. Bem, as casas-de-banho naquela altura tinham mesmo ar de que não viam um remodelação desde o tempo que a minha avó era nova.

Por estas coisas todas e não sendo o melhor produto para a nossa higiene pessoal, gosto do sabão azul e branco com um certo saudosismo. Aquela ideia de infância de ir comprar aquela barra enorme e depois ver o sabão no tanque.

A nível ecológico, embora não seja um produto natural (não consegui encontrar os ingredientes aqui na internet) ganha por ser vendido em barras de 400gr (isto para não falar das barras maiores que mencionei acima) e no meu caso, ganha por ser fabricado perto da minha casa. É que grande parte do sabão azul e branco que se vende por aqui é fabricado na Sovena no Barreiro, a mesma empresa que fabrica o óleo Fula, o azeite Oliveira da Serra entre outros. Os restos destes produtos alimentares servem para fazer o famoso sabão, o que é algo positivo, claro.

Mas continuo a achar que as grande superfícies deviam era continuar a vender as barras grandes de sabão azul e branco sem embalagem, sem dúvida muito mais ecológico.




Mas não se deixem levar por cantigas, o rio deve queixar-se, sim.

sábado, 12 de março de 2016

Casas de banho públicas, uma miragem

Alguém ainda se lembra de ir às casas de banho que eram guardadas por uma pessoa que nos dava uns quadradinhos de papel higiénico? Não eram de pagamento obrigatório, mas as pessoas davam sempre qualquer coisa à pessoa que cuidava da casa de banho. Eu lembro-me de ir a uma no Cais do Sodré, em Lisboa.

No outro dia, li esta notícia Estação Roma/Areeiro não tem casas-de-banho e está cheia de ratos, o que me fez relembrar deste problema. Não existem casas de banho públicas em grande parte de Portugal, destaco, claro, Lisboa. Primeiro, destaco-a porque é a cidade onde passo grande parte da minha vida, em segundo lugar destaco porque é a capital do país. Não existirem casas de banho públicas é vergonhoso para os cidadãos nacionais que pagam os seus impostos e também o é para os turistas. Afinal queremos projectar Portugal e Lisboa como óptimos destinos de férias, e depois, não existem sítios para urinar e defecar.

No entanto, quero também destacar o facto de em diversas aldeias, vilas e cidades pequenas portuguesas existirem casas de banho públicas em quantidade suficiente. Adoro ir a Góis e ir a uma casa de banho sem ser obrigada a beber um café ou a pedir se posso utilizá-la.

Mas voltando à inexistência de casas de banho públicas, em Lisboa não há que pertençam à Câmara Municipal (não quer dizer que não exista uma ou outra), não existindo também muitas vezes nas infra-estruturas de acesso público como é o caso das estações de transportes públicos. Uma pessoa está normalmente condenada a ir à casa de banho de um café, tendo de consumir (sim porque os cafés estão abertos para fazer negócio, não para fazer serviço público).

Em algumas infra-estruturas de transportes existem casas de banho pagas e eu até concordo que se pague. Mas para mim, pagar 1€ ou 0,50€ para ir à casa de banho num país cujo ordenado mínimo de situa por volta dos 500€ é um exagero. Lembro-me de ter ido à República Checa e na altura pagava-se em todas as casas-de-banho (até nos centros comerciais), mas era um valor simbólico, daria cerca de 0,20€ ou 0,10€. Bem era simbólico para mim, não sei quanto era o ordenado mínimo deles na altura.

Mas o que eu quero dizer é, por favor façam casas de banho públicas, mesmo que sejam a pagar, mas não queiram enriquecer com os xixis e cocós dos outros.

E agora vou contar duas histórias sobre a inexistência de casas de banho.



História número 1, a história dos outros


Há uns tempos estava eu à espera do metro na Estação do Oriente, em Lisboa, estava já na plataforma, quando uma senhora com uma criança de uns três anos aproximou-se de mim a perguntar-me onde era a casa de banho. Disse-lhe que ali não existia, que teria de sair, o que faria com que depois tivesse de comprar novo bilhete, mas que mesmo assim, eu não tinha a certeza se a estação do metro tinha casa de banho. Mas bem eu lá lhe disse que se a estação de metro não tivesse, que achava que a do comboio tinha, pelo menos no Centro Comercial Vasco da Gama havia de certeza. No entanto, acho que a senhora não quis perder o dinheiro que já tinha gasto nos bilhetes e lá disse ao menino que ele tinha de aguentar até a Ameixoeira. "Possa!", pensei eu, do Oriente até a Ameixoeira ainda é bastante e as crianças não costumam aguentar.


História número 2, a minha história


O Verão passado fui assistir a um concerto das Festas de Lisboa, na Praça do Comércio, como estava grávida achámos que era mais fácil ir de barco até ao Cais do Sodré e depois era só um bocadinho a pé, do que ir de carro e deixá-lo longe (porque não queremos pagar um dinheirão por parques, claro está). Lá fui de barco, vimos o concerto, tudo muito bem, voltámos para apanhar o barco para Cacilhas e fiquei com vontade de fazer xixi e uma grávida quando tem vontade não aguenta, pelo menos não aguenta tanto. Aquela hora não há tantos barcos, por isso tínhamos de esperar ainda uma meia-hora e eu aflita. As casas de banho da estação dos barcos, as quais são pagas, estavam fechadas. Sim, a estação está aberta, mas fecham as casas de banho. Então fui à estação dos comboios, e não é que as casas de banho também estavam fechadas (não sei se estas são a pagar ou não). Ou seja devia ser 1 hora, os barcos e os comboios estavam a funcionar, mas as casas de banho não. Obviamente aquela hora também já não há cafés onde ir, há bares, mas eu não ia a um bar de propósito para ir à casa de banho. Então esperei pelo barco, afinal no barco há casas de banho e foi uma experiência inesquecível. Acho que nunca tinha ido à casa de banho de um cacilheiro. Quando entrei no barco fui logo direita à casa de banho, no sítio propriamente dito onde está a sanita não havia luz e o autoclismo não funcionava. Saí, fui lavar as mãos, claro que não havia água, e obviamente também não havia sabão (diga-se passagem que sem água, não precisava de sabão para nada). Aquele barco estava cheio de gente (que também tinham ido para a festa) e quando saí da casa de banho já não havia lugares sem ser ali, sentámos-nos ali perto. Quando o barco atraca, quem anda de cacilheiro sabe como eles costumam bater bem na muralha, só vejo a sair da casa de banho um líquido (pensei escrever água, mas acho que não era água) e um cheiro a urina por todo o lado. Umas raparigas, coitadas, tinham encostados ali uns sacos, não sei se não terão ficado molhados. É sempre agradável saber que a minha urina estava por ali. Decidi que nunca mais vou à casa de banho de um cacilheiro, a não ser que esteja aflita e grávida.



Mas não sejamos ingratos, sim não podemos ser, Lisboa tem poucas casas de banho públicas, mas tem a casa de banho pública mais sexy do mundo. Isso mesmo, na Praça do Comércio, a The Sexiest WC on Earth.

Epá, eu sei que acabei de reclamar das condições da casa de banho do cacilheiro, mas eu não preciso de ir à casa de banho mais sensual do mundo e pagar 1€ (se bem que não tenho nada contra a existência desta casa de banho, sobretudo se quem a fez foi a Renova), mas chega a ser ridículo que uma cidade que mal tem casas de banho públicas, depois tenha aquela a que chama a mais sexy do mundo. Acho que isto é muito espírito português, achamos que devemos ter sempre coisas incríveis, quando se calhar era melhor termos simplesmente coisas funcionais que cumprissem as necessidades. Mas bem, pelo menos assim com esta ideia de casa de banho da Renova, sempre há uma alternativa, embora não para pessoas que tenham pouco dinheiro.

Mas afinal o que é que eu acho que faria sentido? Equipar os municípios com casas de banho públicas, a distância a que estariam umas das outras e a sua localização dependem claro da densidade e características dos municípios. Mas certamente que algumas esquinas deixariam de cheirar tanto a urina, os cidadãos ficariam mais contentes e os donos dos cafés também. Afinal, os nossos impostos são para melhorar a nossa vida ou não? E já agora infra-estruturas de transportes públicos deviam ser obrigadas a ter casas de banho a funcionar desde que haja transportes em circulação. E para terminar, os transportes públicos também deviam ter casas de banho decentes.

Agradecíamos nós, e certamente que os turistas também. Afinal do que vale ganhar tantos prémios de turismo, se depois, Lisboa nem consegue satisfazer uma das necessidades mais básicas do ser humano.

Uma vez um amigo disse-me que havia um urinol público nos Olivais, Lisboa, procurei imagens, mas apenas encontrei este desenho
Imagem retirada de http://retratoserabiscos.blogspot.pt/2011_05_01_archive.html

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia da mulher

Como já escrevi na publicação Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família, não ligo muito ao dia da mulher, na forma como é amplamente visto pela maioria das pessoas. E mais uma vez reforço, a mulher não é um ser especial por ser mãe, trabalhadora, esposa e dona de casa. A mulher, cada uma, é uma pessoa com a sua personalidade própria, os seus gostos, os seus desejos e os seus direitos. E isso é mais que ser mãe, mais que ser trabalhadora, mais que ser esposa e mais que ser dona de casa.

Agora que fui mãe e para não acharem que não sei do que falo, já pensei muitas vezes como conseguiam as mulheres ser mães, educar os filhos muitas vezes sozinhas (mesmo com maridos presentes), trabalharem fora de casa, serem boas esposas (seja lá o que isso for) e ainda terem de fazer todas as tarefas domésticas. Mas será que realmente conseguiam? Será que não ficava nada para trás, sim elas ficavam para trás, os seus sonhos, os seus desejos, etc, etc. Muitas vezes, as próprias relações com os filhos eram prejudicadas, pois não havia tempo para as coisas que nutrem as relações pessoais, para o amor propriamente dito. E os casamentos eram felizes?

Cada caso é um caso, mas quando oiço nestes dias as pessoas valorizarem as mulheres por serem tudo isto sozinhas, eu não consigo valorizar. Não que não reconheça o esforço, reconheço e bem de perto, na minha mãe, nas minhas tias, nas mães das minhas amigas, nas avós que durante anos serviram os filhos, os maridos e os patrões. Que durante anos se esqueceram de si mesmas. Mas não são essas mulheres que devemos homenagear. A essas faltou-lhes a educação em casa e por parte do Estado que a fizessem acreditar que a vida não tinha de ser esse fado diário. Que como pessoas também têm opinião, que os filhos são importantes, mas que também têm pais que lhes podem dar banho, mudar fraldas e passar a roupa a ferro, que os maridos não têm de ser servidos com vassalagem.

Por isso, não homenageio as mulheres, mães e esposas guerreiras que trabalham de dia e de noite. Homenageio as que tiveram coragem de dizer que essa não tinha de ser a sua vida, aquelas que também se valorizam enquanto pessoas.

As que trabalham fora de casa, mas também as que decidiram ser mães a tempo inteiro;
As que fazem as coisas da casa, mas que sabem que não têm de ser elas a fazer tudo;
As que amam os maridos, mas sabem que amar não é ser seu vassalo;
As que têm filhos, mas também as que não os têm por decisão própria;

Homenageio todas as mulheres que decidem por si o que é melhor e não o que outros acham que devem fazer. E se a mulher acha que deve sobrecarregar-se até mais não, também está no seu direito (talvez para algumas isso não seja sobrecarga), mas não tem esse de ser o fado de todas as mulheres, porque um dia houve mulheres que disseram Não.

Imagem retirada de http://earthsky.org/human-world/celebrating-100-years-of-international-womens-day

Já agora, homenageio sobretudo as mulheres que educam os seus filhos para que compreendam que as diferenças de género não fazem sentido, a respeitar qualquer pessoas com o mesmo grau, independentemente de ser homem ou mulher.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Eu farei uma moldura, prometo!

Desde que o Luís nasceu que as minhas manualidades se têm reduzido a zero, bem fiz o cesto para as molas e acho que foi a única coisa. Tinha uma fralda para lhe bordar o nome e uns babetes para bordar e oferecer, mas não fiz nada. Aliás, até os meus dotes culinários pioraram, fiz a pior lasanha da minha vida no outro dia, fazer molho béchamel enquanto estou a entreter constantemente uma criança é um bocado complicado (na altura desejei aquele béchamel que já vem feito, sem me importar com embalagens ou se o leite do béchamel era dinamarquês).

Ando, há umas semanas a tentar fazer-lhe um brinquedo, mas no meio de tanta coisa, vai passando, passando, pelo menos já cortei o molde e comecei a bordá-lo, um dia hei-de acabar. Mas como o meu cérebro é sempre mais rápido do que as minhas mãos decidi que tenho de lhe fazer outra coisa, uma moldura. Uma moldura em pasta de papel.

E porque me lembrei disto, sinceramente não sei em concreto, mas recordei que há uns anos, mais precisamente há 12 anos, eu e mais duas amigas oferecemos uma moldura feita por nós em pasta de papel a outra amiga. E pensei é mesmo uma boa ideia para fazer.

Pedi a esta minha amiga se me podia tirar fotografias da moldura, para publicar aqui e para me relembrar como tínhamos feito a parte de trás. A verdade é que podíamos ter feito algo mais perfeito, mas vá esta moldura já dura há 12 anos, é obra, afinal foi feita com jornais velhos.

A parte da frente, percebe-se que os guaches não eram da melhor qualidade
Imagem própria

Por trás, devo confessar que a prefiro assim
Imagem própria

Os acabamentos foram com cartão e pioneses, sim não eram os melhores, realmente
Imagem própria

Espero conseguir fazer uma moldura mais perfeita que esta, quando não sei, mas fica na minha lista de desejos de coisas que hei-de fazer. Já agora hei-de arranjar um vidro, já que nesta não úsamos. Até porque na moldura estava uma fotografia nossa com os fantásticos 17 e 18 anos, logo já era uma beleza completa, não precisava de vidro.

O processo se bem me lembro era muito fácil, basta utilizar jornais ou outro tipo de papel ou cartão, cola de madeira e água. Mas quando fizer a moldura, um dia, hei-de partilhar a receita, por enquanto fica a ideia. Se tiverem mais tempo que eu ou se forem mais organizados. Neste momento, o meu único desejo é ir apanhar a roupa que está no estendal, mas hoje o Luís está a fazer greve de sling.

Principais benefícios de fazer a moldura, reciclamos papel e fazemos uma peça única com o nosso cunho pessoal.

terça-feira, 1 de março de 2016

Inteligência humana: o egoísmo e a compaixão

Não sei bem por onde começar esta publicação. Estou para a escrever isto há tantos dias, já pensei tanto sobre o tema e mesmo assim não me sei organizar.

Então vamos começar pela parte factual, na quinta-feira, pela primeira vez saí sem o meu Luís. Três meses depois dele nascer, fui a um concerto, fui nutrir o espírito para depois nutri-lo a ele. Mas o que isto tem que ver com a inteligência humana?

É que eu fui ver o concerto de dois dos melhores cantores que conheço, na minha opinião, claro. Sérgio Godinho e Jorge Palma que para mim são assim algo fantástico. As músicas deles também me alimentam e uns dias antes do concerto tinha visto uma entrevista que deram para o programa da RTP1 da Sílvia Alberto. Nessa entrevista, o Jorge Palma disse uma coisa que nunca mais me esqueci, que existe um tipo de inteligência que faz falta, a inteligência da compaixão. E fez-se luz na minha cabeça, já tinha pensado muito nisto, mas nunca tinha conseguido verbalizar. A verdade é que há pessoas tão inteligentes, mas com tanta dificuldade de perceber que o mundo seria muito melhor se agissem de forma diferente, que muitas vezes me pergunto se serão realmente inteligentes. Por outro lado, há pessoas que aparentemente não são muito inteligentes, mas que percebem esta realidade.

Então é isso, acho que há quem tenha a inteligência que comummente conhecemos, mas há quem depois tenha uma espécie de inteligência da compaixão, enquanto outros têm uma inteligência egoísta. E andava a pensar sobre isto, quando no blogue Pensar Eco, é lógico!, a autora publicou A falsa racionalidade humana que deixa rastos de destruição. E realmente, o que mais existe por aí é egoísmo, pessoas que sendo inteligentes não entendem o básico da forma de como funciona o mundo, só podem ter uma inteligência egoísta. Quem não consegue observar e agir para um mundo melhor para todos, porque quer beneficiar de alguma coisa especificamente é egoísta.

E claro, não vamos ser utópicos, quase ninguém tem uma inteligência de compaixão a 100%, há sempre algum egoísmo na condição humana. Mas quando essa característica predomina, algo está errado, segundo a minha forma de percepcionar o mundo e a nossa importância nele.

E andava eu, a pensar nisto, a pensar nisto. E entretanto fui ao concerto e adorei, verdade seja dita. Mas ainda comecei a pensar mais, e cheguei a algumas conclusões. A inteligência da compaixão acho que se relaciona à ideia de liberdade. Quem realmente quer ser livre, percebe que o mundo tem de ser um lugar melhor, no qual não devemos viver subjugados a outros, nem tão pouco destruirmos tudo à nossa volta. Acho também que quer realmente ser livre, não o quer só para si, mas quer que isto seja uma realidade para a humanidade.

Mas depois do concerto, vinha a pensar nas letras das músicas que já conheço há tanto tempo, na liberdade e nesta inteligência da compaixão. E embora eu goste muito de ambos os cantores, acho que o Sérgio Godinho canta uma liberdade mais socialista, ligada aos direitos sociais, enquanto o Jorge Palma canta uma liberdade mais anarquista, ligada à essência da pessoa, sem hierarquias. E sinceramente, as duas não deixam de ser utópicas. Mas acredito que a liberdade mais social seja mais concretizável que a liberdade mais anárquica. Seja como for, e já estou a fugir ao tema central desta publicação, acho que quando se reúne a inteligência com a vontade de ser livre, temos as condições essenciais para nos sensibilizarmos com o outro, tantos os humanos como com os outros seres.

A questão é, valorizamos tanto a inteligência mecânica, verbal, do raciocínio, entre outras, e porque valorizamos tão pouco a inteligência que poderia beneficiar todos?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Que tal alugar?

Imagem retirada de http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/os-vestidos-de-noiva-na-historia-da-moda-em-fotos-originais/

Não, não se assustem, eu não estou a pensar casar... E verdade seja dita, mesmo que estivesse passados quase cinco anos de união de facto, não me imagino com um vestido de noiva, na realidade nem na altura me imaginava.

Então qual o motivo desta imagem? Quando eu era pequena adorava ver fotografias, vá ainda adoro, mas gostava de ver sobretudo fotografias de casamentos (como uma pessoa pode mudar tanto?), vi as do casamento dos meus pais vezes sem conta. Mas o que me fazia confusão era o casamento da minha tia, primeiro ela tinha casado com um vestido de mangas compridas (em Fevereiro é normal, mas na altura eu não pensava nisso), segundo com um vestido alugado. Eu pensava que devia ser triste casar com um vestido alugado, afinal a pessoa depois não ficava com ele. Mas na realidade para que é que a pessoa quer o vestido de noiva? Acho que a minha mãe deitou o dela fora quando mudámos de casa.

E porque é que me lembrei disto? Porque pela primeira vez que me lembre, aluguei qualquer coisa (sem ser casa e carro, as únicas coisas que tinha alugado até agora). Aluguei uma bomba eléctrica de tirar leite. Tinham-me emprestado uma bomba manual, mas nunca me ajeitei muito com aquilo, de tal forma que acho mais fácil tirar leite com a mão, mas queria experimentar uma eléctrica para ver se dava. Comprar estava fora de questão, afinal são caras e não sei se resulta. Assim, achei que a solução ideal é mesmo alugar. Tem um custo de 40€ por mês e se alugar durante cinco meses seguidos fico com ela, bem acho que isso não compensa muito, mas é bom para experimentar.

Comecei assim a pensar que devíamos alugar mais coisas em vez de comprá-las. Na realidade, alugando estamos a potenciar a vida daquele produto, ser utilizado por mais que uma pessoa. Por isso alugar, a par de comprar coisas em 2ªmão, é sem dúvida um solução sustentável.

E foi assim que me lembrei da minha tia e do seu vestido de casamento. A verdade é que ela fez muito bem, primeiro em 1976 acredito que ela não tivesse muito dinheiro para comprar um vestido, segundo para que queria ela passados 40 anos o vestido? Provavelmente já o teria mandado fora como fez a minha mãe.

E depois comecei a lembrar-me, acho que quando eu era pequena, os fatos que eu usava no Carnaval ou eram emprestados ou alugados. Será que hoje ainda se alugam fatos de Carnaval?

Ao fim e ao cabo, se pensarmos bem há imensas coisas que poderíamos alugar em vez de comprar. Então porque é tão raro alugarmos coisas? Pelo menos falo por mim.

Verdade seja dita, nem sei se há muitas lojas de aluguer de produtos, mas acho que era uma boa aposta. Mais sustentável sem dúvida e acho que é especialmente conveniente a quem vive em casas pequenas.

Estava a pensar, acho que o grande apogeu de lojas que alugavam coisas foram os clubes de vídeo nos anos 80 e 90. Aquilo sim era reutilizar um produto.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Consumo e alienação

Imagem retirada de https://www.facebook.com/TheLazyChickenCoop/photos/a.127760303993923.15585.113466542089966/314479268655358/?type=3&theater

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bebé: banhos e massagens

O banho é mais que uma questão de higiene, o banho é muitas vezes, um momento revigorante e pode também ser um acto de amor, paz e tranquilidade para qualquer pessoa, incluindo para os bebés. Aliás, não apenas para os bebés humanos como aqui se pode ver.


Quando eu andava na aulas de preparação de parto, coisa que gostei muito, a enfermeira um dia disse-nos que uma ideia boa para os pais fazerem com os bebés era tomarem banho juntos. Na altura, ela referiu que normalmente a mãe tem muito contacto pele-a-pele com o bebé, mas o pai raramente tem. E o contacto pele-a-pele com o pai também faz falta ao bebé para estabelecer laços afectivos, então uma boa ideia era o pai e o bebé tomarem banho juntos. Assim, desde pequeninos.

A criação de laços afectivos é algo muito natural e instintivo, no entanto o ser humano muitas vezes afasta-se da sua natureza. Achamos que devemos cumprir determinadas regras sociais, em vez do que nos dita o nosso instinto. Muitas vezes acho que o nosso instinto adormece.

O meu menino desde que nasceu que adora tomar banho, afinal ele já estava habituado a água dentro de mim. Desde o início que o massajamos bastante durante o banho, ele fica num estado todo zen. Mas quando toma banho com o pai fica a coisa mais maravilhosa do mundo. Parece que todo ele está em harmonia com o universo, deitado no peito do pai com a aguinha quente. Fica ali imenso tempo com uma cara de felicidade, sem aí nem ui.

Entretanto como sou invejosa também quis ter o meu banho partilhado com ele. E sim, é a coisa melhor que há, nós os dois ali muito quentinhos e aconchegados. E para não acharem que desperdiço muita água, não encho a banheira, não ficamos todos dentro de água, só os pezinhos dele ficam dentro de água e ele fica aconchegado no meu peito, com uma toalhita molhada em água quente nas costas, enquanto vou deitando água quente no corpinho. Ele fica tão relaxado, todo feliz. Assim, como quem não quer a coisa encostei-lhe a maminha, ele começou a mamar e acho que nem estava a perceber o que se estava a passar. Acho que ele pensou que estava no paraíso, estar ali tão quentinho com água e a mamar, acho que foi a felicidade suprema.

Mas vamos ser realistas, afinal quem não gosta de tomar banho em conjunto? Acho que é das melhores coisas que há, a nível íntimo e na poupança de água, electricidade e gás. Bem a poupança é grande se for um duche, se for banho de banheira cheia não sei se a poupança é muito grande, mas bem dois corpos fazem mais volume que um, logo é preciso menos água.

Assim, além do banho normal, o banho com os progenitores tem-se mostrado uma óptima solução para ele ficar calminho. Mas ainda nos faltava experimentar o banho de balde, não comprei o balde porque achei-o caríssimo para o que é, e como o nosso menino já fica bem relaxado no banho normal, achei que não valia a pena. Mas entretanto emprestaram-me um só para experimentar e devo dizer que fiquei fã e o Luís também. O banho de balde faz os bebés relembrarem o útero, bem não sei se o meu quase três meses depois se ainda associa, mas pronto. Além disso é óptimo para aliviá-los das cólicas, relaxa-os e deixa-os bem calminhos. Depois do banho de balde, o meu Luís fica muito molinho e quentinho, quase num estado sonolento, por isso é um banho ideal para dar antes de os deitar. Em relação à poupança de água, o banho de balde gasta bem menos água do que na banheira normal.

No caso do meu bebé, o banho não é simplesmente um meio de limpeza e higiene é sobretudo uma forma de relaxá-lo e aliviá-lo. Por isso, embora eu saiba que não é essencial dar banho diariamente aos bebés, gosto de o fazer (há sempre alguns dias que não dou) porque acho que lhe faz bem.

Estava eu a pesquisar sobre o banho do balde, já agora é originário da Holanda, quando descobri que Shantala (nome dado a estes baldes) é uma técnica milenar indiana de massagem aos bebés. Frédérick Leboyer foi quem a deu a conhecer ao mundo, tendo-a descoberto numa viagem que fez à Índia, país no qual é habitual as mães fazerem estas massagens aos bebés. Sobre a massagem aos bebés disse:

 "Sim, os bebês tem necessidade de leite,
 Mas muito mais de serem amados e receberem carinho
 Serem levados, embalados, acariciados, pegos e massageados"

E é mesmo verdade, o contacto pele-a-pele, a calma, as massagens, tudo faz um bebé mais calmo. Assim quando me dizem que sorte um bebé tão calmo, não sei se tenho sorte ou se fazemos por isso. Claro que o meu bebé também chora, mas em geral não o deixamos chorar e dou-lhe colo, faço massagens e canto-lhe muito. Um colinho e a voz "encantadora" da mãe fazem-lhe passar muitos dos seus males. Embora também o deixei por vezes sozinho, mas só enquanto vejo que ele está bem-disposto.

Agora cada pessoa sabe o que faz aos seus filhos e como os cria, mas quando oiço coisas como "o bebé só precisa de barriga cheia e rabinho limpo", "chorar faz abrir os pulmões" e "não se deve habituar ao colo", penso que depois admiram-se de os bebés não serem calmos. Claro que acredito que alguns bebés sejam naturalmente mais calmos que outros, mas podemos sempre dar uma ajuda. Pela minha parte ando com o meu bebé no Babyoga, adoro, mas disso falarei mais tarde.

E aqui ficam as massagens indianas.





Já agora acredito que crianças mais felizes e amadas serão melhores adultos, estarei errada?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A música também pode ser nuclear

Hoje li esta notícia Quercus exige encerramento de central nuclear espanhola em Almaraz e lembrei-me desta música do grande Fausto.


A música retrata a suposta vida de Rosalinda depois da construção da Central Nuclear que esteve programa para Ferrel (concelho de Peniche). Ainda bem que nunca foi construída, por todos os motivos lógicos e porque no longínquo ano de 1995 foi nessa localidade que foi o meu primeiro acampamento dos escuteiros. E nessa altura era tudo perfeito, sem central nuclear.

O que não entendo é como é que actualmente com tantas formas de aproveitamento de energias renováveis continuamos a usar estes tipos de energia.


"Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

a branca areia de ontem
está cheiinha de alcatrão
as dunas de vento batidas
são de plástico e carvão
e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão

Mas na verdade Rosalinda
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda
envenenado a desmaiar
o que mais há desta aridez
pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar
tem cuidado...

Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O lixo perdido no Monte da Caparica, Almada

Há uns meses atrás escrevi uma publicação intitulada O lixo voador onde contei a história de uma embalagem de chipicao que veio aqui parar à minha porta, há uns dias veio cá para uma embalagem de croissants da auchan. Pronto, já foi para o ecoponto correcto.

Mas o problema tem todo uma origem. A qual se situa no mercado municipal do sítio onde vivo, não digo que os plásticos tenham todos esta origem, mas a maioria sim. Por este motivo decidi há cerca de uma semana enviar um email à Câmara Municipal de Almada, onde explico a minha posição e desilusão com este assunto. Por enquanto continuo a aguardar uma resposta, confesso que não tenho certeza se enviei para o departamento correcto, enviei para o que me pareceu mais adequado, mas penso que dentro da Câmara comuniquem entre si. Se não for competência da Câmara também acho que deveriam dar-me uma resposta. De qualquer forma, vou aqui transcrever o email que enviei:

"Boa tarde

Sou residente no concelho de Almada, mais propriamente na vila do Monte de Caparica, freguesia de Caparica. Há um longo tempo que há uma situação que muito me desgosta, junto ao mercado municipal do Monte da Caparica. Neste local existe uma quinta, propriedade privada onde todos os anos fazem a festa popular local, para a qual estão sempre a voar plásticos vindos do mercado. Embora essa quinta seja propriedade privada, a sujidade que nela se acumula tem origem no mercado, não sei se por falta de limpeza, falta de contentores ou por preguiça dos vendedores. Mas a realidade é que o lixo todos os dias voa para lá, acumulando-se meses consecutivos. Até voar para outro sítio, nomeadamente para a Rua dos Trabalhadores Rurais ou para a travessa onde se situam os CTT. Deixo aqui algumas fotografias de lixo que permanece semana após semana nesta área.

Se a limpeza desta área pertence à junta de freguesia, câmara municipal ou privados não sei. Mas sei que é uma vergonha e um problema ambiental e estético. Por este motivo acho que deviam ter atenção a este problema.

Cumprimentos
Sónia Martins"

Sei que a Câmara Municipal tem diversas boas iniciativas a nível ambiental, mas às vezes não é necessário fazer coisas fantásticas, limpar já é um óptimo começo ou obrigar os responsáveis a limpar. O email foi acompanhado das fotografias que se seguem.


Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria
Imagem própria


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Croquetes e o desperdício zero

Desde pequena que fui habituada a comer restos. Aliás cá em casa há muitos dias que o jantar ou o almoço são restos, nesse dia fica o frigorífico limpo. Há comidas que de um dia para o outro são melhores e outras que ficam sem graça. Para estas é necessário imaginação. Mas inevitavelmente há sempre algum restinho que não se aproveita. No nosso caso não vai para o lixo, o meu cão e as galinhas agradecem sempre, a gata é mais esquisita. De qualquer modo, mesmo eles comendo restos não é essa a base das suas alimentações, é a excepção, não a regra, por isso o lema deve ser reaproveitar para nós.

Assim, há coisas que comemos tais como cozinhámos ao início e outras aproveitamos para novos pratos. Quando falamos de restos de carne, por exemplo frango assado, reaproveitamos para umas tostas de frango, uma massa ou uma pasta. Mas quando sobra muita carne é preciso outras soluções, uma boa solução é empadão, mas isso terá de ser para se comer na altura, se for para comer mais tarde, uma óptima solução é fazer croquetes.

E assim, o cozinheiro cá de casa decidiu há uns tempos fazer croquetes, com restos de carne de cozido à portuguesa, resto de carne que estavam no frigorífico que não me lembro de quê e mais dois hambúrgueres que não tínhamos chegado a cozinhas. Não vos vou dar a receita porque não fui eu que os fiz, mas ele viu a receita na internet, por isso facilmente a encontram. Assim, os croquetes que foram feitos e congelados ainda antes do Natal, foram o nosso almoço no Domingo passado. Uma forma de reaproveitar os alimentos para serem consumidos mais tarde. E digo que os croquetes estavam óptimos, o meu marido diz que não custa a fazer, dão é um bocadinho de trabalho.

Mas é melhor fazermos assim, a reaproveitar restos, do que comprar croquetes já feitos, se bem que eu só compro estas coisas a pessoas que conheço, economia paralela.

Imagem própria

Relativamente ao facto de eu comer carne, já falei disso no blogue, aqui e aqui.

Além de reaproveitar restos de carne, também podemos reaproveitar legumes cozidos para o puré da sopa, cá em casa sobram sempre batatas cozidas, por exemplo. E claro pão duro dá sempre para uma bela açorda.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dinheiro, o vil metal

O meu pirolito já tem dois meses. E desde que nasceu que os avós estão convictos que lhe devem arranjar uma fortuna, um bom pé-de-meia. E a melhor hipóteses é jogar em raspadinhas. Eu devo confessar que gosto de jogar raspadinhas, não que espere ganhar grande coisa, mas dá-me prazer raspar e o efeito de surpresa, é como as rifas da quermesse, não espero ganhar grande coisa, mas gosto daquele ritual de desembrulhar a rifa.

Mas, mal o Luís nasceu, comecei a ouvir coisas como: a grande necessidade de arranjar dinheiro para o Luís, "se saísse dinheiro para o Luís" ou "este dinheiro é do Luís". E não gosto nada de ouvir isto, quando ouvi pela primeira vez pensei "Lá vão começar a meter na cabeça do miúdo desde pequeno que o dinheiro traz felicidade", mas calei-me, o meu marido respondeu "Ele não precisa de dinheiro para nada".

Claro que ele precisa de dinheiro, porque sem dinheiro nós não lhe conseguimos satisfazer todas as necessidades, mas neste momento o que ele precisa é de comida, higiene e muito amor. Ele precisa dos pais e não é ter dinheiro que o fará ser mais feliz. Nem no futuro, quanto mais no presente.

Claro que haverá um momento na vida dele que ele saberá que existe dinheiro e espero que perceba a importância deste na sociedade para o bem e para o mal. Mas por enquanto para quê pensar no dinheiro para ele a longo prazo. Os avós acham que se deve pensar porque um dia ele irá para a universidade ou isto ou aquilo. Eu sou mãe e não consigo traçar-lhe um futuro imaginário, o futuro é uma incógnita, a vida é algo que muda constantemente. Para quê limitarmos o presente a pensar no futuro dele daqui a dezoito anos? Daqui a dezoito anos a vida dele será melhor ou pior pelo que decidimos e fazemos hoje do que por ter ou não ter dinheiro no banco.

Entretanto, o dinheiro que  lhe dão, eu tenho guardado, mas como disse ao meu marido o dinheiro é para ele, mas se nós precisarmos gastamos, afinal a felicidade dele depende também do nosso bem-estar. E como eu costumo dizer o dinheiro só existe para uma coisa, só existe para ser gasto, com consciência, mas para cumprir a satisfação das nossas necessidades.

Não quero com isto dizer que me oponho a que os avós lhe deem dinheiro ou que juntem para ele. Mas prefiro que ele não cresça a pensar que ter dinheiro é sinónimo de felicidade. Prefiro que ele cresça a saber que com pouco dinheiro também pode ser feliz. Como diz o subtítulo do blogue: reduz as necessidades.

Imagem retirada de http://www.petmag.com.br/petteca/famosos/tio-patinhas/
No fundo, eu não quero que ele seja um Tio Patinhas, eu quero que ele seja um Peter Pan, um Tom Sawyer ou um Robin Hood. Bem eu quero que ele seja o que quiser, mas preferia que fosse despreocupado com a riqueza, que viva feliz e livre. E deixo isto aqui escrito para caso um dia eu mude de ideias, ele saiba que um dia eu era uma pessoa que o queria livre.

E acabei de descobrir que o filme Robin Hood em desenhos animados da Disney está completo no youtube. Adoro este filme.


Ena o Luís adora ouvir a música do Robin Hood, já está no bom caminho.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Lixo: a minha terapia

Desde que o Luís nasceu que tenho tido pouco tempo, quer na generalidade, quer mais especificamente para um dos meus passatempos preferidos... Isso mesmo, separar o lixo e ir depositá-lo no contentor correspondente. Essa tarefa volta e meia fica a cargo de outra pessoa com muita pena minha. Mas quando consigo fico toda contente. E ontem consegui, duas vezes o que ainda é melhor. À hora do almoço fui à reciclagem e à tardinha à reciclagem e ao lixo comum. Parece algo sem sentido, mas eu tenho saudades de tratar do meu lixo.

E ontem quando fui despejar o lixo à tarde fiquei toda feliz, porque além de despejar os meus resíduos, salvei um garrafão de água que estava abandonado no meio das ervas. Talvez agora já esteja num centro de triagem.

Claro que além de salvar o garrafão separei também a sua tampinha (ver esta publicação), mas não salvei o papel porque estava todo sujo. Sim eu normalmente tiro o rótulo das garrafas, garrafões, latas para pôr no contentor azul. E já agora que falo em garrafões, olhem esta fotografia, adoro esta ideia e tenho de fazer até porque o meu cesto das molas partiu-se. Tenho de fazer, quando tiver tempo.


Imagem retirada de http://melhorcomsaude.com/5-ideias-para-reciclar-garrafas-de-plastico/

E para concluir, o tratamento do lixo é uma terapia para mim. Aos poucos volto à normalidade e qualquer dia já o Luís apanha lixo com a mãe. Por enquanto é só poluidor, muito poluidor.




LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...