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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Móveis novos, mas em segunda mão

Na publicação referente ao mês de Abril expliquei que no meu processo de destralhe fiz alguma mudança de móveis, o que incluiu a transformação de alguns. Infelizmente também incluiu a compra de um móvel novo, é um bocadinho contraproducente querer reduzir e comprar um móvel novo, eu sei, mas passo a explicar.

No quarto onde dormem as visitas, tratamos da roupa e arrumamos a tralha quase toda, tínhamos duas estantes deste género (esqueci de tirar fotografias antes da transformação), as quais são de madeira não tratada. O problema da madeira não tratada é que é mais difícil de limpar, o que num quarto cheio de roupa e tralha, ainda se torna um problema maior, o qual ainda era mais agravado porque tinha as estantes cheias de livro. Por isso, chegámos à conclusão que precisávamos de um móvel, tipo vitrine, para os livros não ganharem pó constantemente. E não fomos nada sustentáveis e fomos comprar um móvel novo que se adaptasse ao pretendido.  No entanto, sobravam duas estantes que não cabiam, nem ficavam bem em lado nenhum e que a solução mais fácil parecia dar a alguém ou levar para algum sítio em que ficassem lá a um canto (leia-se casa da terra do meu pai). Mas há algum tempo que andávamos a pensar comprar um móvel para o quarto do meu pai, já que ele não tinha sítio para pôr a televisão, mas nunca encontramos móvel nenhum com as medidas exactas para pôr no pouco espaço disponível. E também já tínhamos pensado que mais cedo ou mais tarde daria jeito uma estante para o quarto do nosso filho.

E acabamos por transformar duas estantes em três estantes, cortámos, pintámos (além da questão estética, precisavam do tratamento para não acumularem tanto pó). Cortámos e pintámos é como quem diz, cortou o meu pai, pintou o meu marido.

Uma das estantes foi cortada ao meio em altura, fazendo assim duas estantes pequenas, uma ficou para o quarto do Luís e a segunda ficou à entrada da cozinha com os livros de receitas.

Imagem própria
Imagem própria
A outra estante foi cortada em largura para caber exactamente no lugar disponível no quarto do meu pai (por favor não liguem à decoração do quarto).

Imagem própria
E assim reaproveitamos duas estantes que para nós não tinham utilidade em três novas estantes. Sei contudo que há quem defenda que não devemos transformar um objecto reciclável ou que se decompõe, num objecto que já não se consegue reciclar ou decompor. Neste caso, a madeira como não era tratada podia voltar para a natureza, agora como foi pintada, já não deve voltar. No entanto, sendo um objecto para uso prolongado acho que a mudança faz todo o sentido. Claro que tivemos de comprar as tintas, mas hão-de ser usadas até ao fim.

Por fim, da estante que foi cortada em largura sobrou alguns pedaços de madeira, os quais podem voltar para a natureza, mas nesta altura na creche do Luís pediram para os pais fazerem um bicho que aludisse à Primavera. Aproveitei mais um pedaço de madeira para fazer uma abelha, há bicho mais belo da Primavera? Podia ter ficado mais bonita, mas foi feita de coração.

Imagem própria

E já que estou a falar de abelhas, convido-vos a relerem a minha publicação A importância das abelhas e de vos dizer que este ano tenho o quintal com tantas abelhas devido sobretudo à minha gigante alfazema, fico com o coração consolado de esperança com a quantidade de abelhas que vejo diariamente.

Imagem própria
 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Abril 2017: pequenas mudanças e um desafio

Andei a adiar esta publicação para que fosse feita no fim de Abril e acabei por só a conseguir publicar em Maio. No entanto, agora que penso melhor, talvez faça mesmo mais sentido falar de Abril quando o mês já findou. Vou falar assim, sobre as minhas alterações de Abril.

Não foram grandes mudanças
, mas aos poucos foram algumas:


  • Deixar de passar a ferro: esta mudança já está a ser implementada desde Março, mas em Abril é que foi realmente consolidada. Devo confessar que é sobretudo uma medida para me dar sanidade mental. Eu odeio passar a ferro, mas foi acostumada a passar tudo a ferro (excepto meias e cuecas), algumas coisas já não passava como lençóis e toalhas, mas continuava a passar toda a roupa pessoal. Contudo, a questão é que tinha sempre uma pilha enorme de roupa para passar. Acabou-se. Isto era mais a ideia de "deve-se passar a ferro" que me foi enraizada desde a infância do que realmente achar que há sempre essa necessidade. Claro que peças como camisas ou alguma coisa mais amarrotada irei passar na mesma.

    A nível ambiental há a vantagem de gastar muito menos eletricidade. Mas não é a única vantagem
    , ao ter a roupa mais arrumada e orientada, percebo muito melhor a roupa que existe e não existe, o que é óptimo sobretudo com a roupa do bebé que está sempre a deixar de ser usada.

  • Café de cafeteira: em Fevereiro o meu marido foi à Costa Rica e trouxe café. Lá não bebem café expresso como cá, mas sim o tradicional café de cafeteira. O café é óptimo e é uma alternativa excelente para beber em casa quando não me apetece ir beber um café ao café. Assim já não tenho qualquer desculpa para usar alguma cápsula. Mas claro, para ser ecológico não podia ir comprar uma cafeteira eléctrica, mas por sorte a minha sogra tinha lá uma encostada a um canto que agora tem sido usada cá em casa.

  • Iogurtes: no mês de Março referi que um dos principais produtos que contribuíam para o meu lixo eram os iogurtes. Por isso mesmo, em Abril decidi fazer pela primeira vez iogurtes, fiz iogurtes líquidos e acho que correram mais ou menos. Mas não estavam no ponto ideal, mas bebi-os. Para ver se consigo fazer iogurtes com mais qualidade decidi pedir uma iogurteira emprestada, mas ainda não voltei a experimentar. No entanto, tenho noção que vai ser algo que não vou fazer sempre. Mas qualquer iogurte caseiro é uma poupança de recurso, é nisso que tenho de pensar. Em Maio espero contar-vos se tenho feito muitos ou poucos iogurtes.
    Imagem própria
  • Desodorizante caseiro e redução do uso de champô: tal como referi na última publicação comecei a fazer o meu próprio desodorizante e ando a tentar reduzir o uso de champô, acho que tenho sido bastante bem sucedida neste aspecto.

  • Cotonetes: eu sei que isto não é de todo um produto essencial, eu uso muito esporadicamente, no entanto tenho alguém em casa que usa bastante e não o consigo convencer a deixar de usar. Há algum tempo que andava à procura de cotonetes com pauzinho de papel, uma vez que os pauzinhos de plástico dos cotonetes comuns não são recicláveis e são dos resíduos que mais aparecem no ambiente devido a serem incorrectamente descartados (no ambiente em geral e nas ruas de Lisboa em particular, é incrível a quantidade de cotonetes que eu vejo na rua, incrível e nojento). Todavia, nunca tinha encontrado à venda, mas como os vi à venda no site do Celeiro, decidi encomendar numa das suas lojas, demoraram a chegar, mas chegaram. Acredito que se a procura for maior, torna-se cada vez mais fácil encontrar este tipo de produtos.

    Claro que o ideal seria não descartar estes cotonetes no lixo comum
    , penso que possam ser postos na compostagem, uma vez que o algodão é biológico e o pauzinho é de papel. No entanto, temos posto no lixo comum, uma vez que não tenho um pequeno contentor de compostagem, mas um grande monte de estrume um pouco distante de casa. Tenho de agilizar isto para reduzir o número de cotonetes e de guardanapos de papel (não meus!!!!) que pomos no lixo comum.
    Imagem retirada de https://www.celeiro.pt/produtos/100830-cotonetes-bio-200-gramas-kg-douce-nature


  • Remendar e arranjar: este tem sido uma consequência directa de ter deixado de passar a ferro e de estar muito mais organizada com a roupa. Como tenho tudo mais controlado, tenho tempo para olhar e remendar e arranjar pequenas coisas. Não que seja uma perita, bem pelo contrário, mas olho o problema e tento solucionar ou pago para me fazerem o arranjo. Cozer pequenos buraquinhos da roupa do Luís, cozer um botão ou pôr um elástico numas calças é recuperar peças de roupa e poupar, o ambiente e a carteira. Finalmente dei uso a um ovo de pedra que tinha cá em casa há anos.
    Imagem própria
    Em roupa em estado muito deteriorado, é sempre possível cortar aos bocados e ainda dão para limpar algo durante algum tempo. Quando até para panos estiverem velhos, é a altura ideal para pôr no saco dos trapos para reciclagem.

    Um antigo toalhão de banho ainda deu para uns oito panos de limpeza
    Imagem própria

  • Recusa de sacos, mais um passo: a minha recusa constante de sacos já começou há bastante tempo (como se pode verificar aqui) e tem vindo a aprofundar-se. Mas em Abril ultrapassei um constrangimento pessoal, quando me distraia e não tinha tempo de recusar saco, acabava por o trazer. Mas recentemente consegui superar este constrangimento e se me distraio tiro o produto do saco e digo ao lojista que não preciso e que pode reutilizar para outro cliente, já aconteceu duas ou três vezes. Isto às vezes custa é começar, depois é sempre a melhorar.

    Um dia da semana passada fiz uma contagem por alto e recusei cerca de dez sacos num dia. É imenso.

  • Remodelações em casa: sobre este assunto quero fazer uma publicação especial, mas tal como tinha referido na publicação de Março, tenho estado em processo de destralhe. Este processo também passou por uma alteração de mobiliário e pelo reutilizar e transformar alguns móveis. Mas disso falarei mais tarde, acho que merece uma publicação única.
      
E penso que consegui falar de todas as minhas pequenas mudanças ou pelo menos referir o que me parece mais importante, vamos ver o que Maio me reserva. Já agora, neste primeiro de Maio fomos até à praia e estava cheia, mas completamente cheia de lixo. Mesmo perto de mim quando olhei estavam imensas garrafas, decidi apanhar, mas não consegui apanhar tudo. Mas nuns segundos apanhei cinco garrafas de vidro, uma garrafa de plástico e vários copos de plástico. Não consegui apanhar mais porque não conseguia trazer mais. O resto lá ficou à espera que a maré subisse e levasse o lixo consigo. Eu já costumo apanhar lixo do chão, mas decidi fazer um desafio a mim própria, contar as garrafas de vidro que vou apanhar da via e lugares públicos durante o mês de Maio. Vamos ver quantas (podia contar outro tipo de resíduo qualquer, mas desta vez serão as garrafas de vidro, para pensarmos se houvesse tara recuperável quantas destas garrafas não chegariam às ruas, praias ou parques).


E deixo-vos também um desa
fio, nesta época balnear em cada ida à praia, deixem a praia mais limpa do que a encontraram.

Só mais um aparte
, em Abril fui a Viseu e fiquei deslumbrada com a limpeza da cidade, espectacular.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Breves: a dúvida

A minha dúvida mais recente é:


O mundo é difícil demais para acreditar em utopias!

ou

O mundo é difícil demais, precisamos de utopias!

Imagem própria
 

Perguntei no meu perfil pessoal do facebook, quem respondeu escolheu a segunda opção. Também acho que sim: O mundo é difícil demais, precisamos de utopias!

Para saber mais sobre a minha perspectiva sobre a ideia de utopia ver esta publicação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ser ecológica nas redes sociais: um agradecimento

Comecei a pensar neste assunto depois de ler a publicação (Sustentabilidade e Redes Sociais) da Catarina no seu blogue Ecológica, quem? Eu?.

E vou transcrever duas passagens com as quais também me identifico e que, por vezes, me deixam a pensar:

"A maioria delas ligada à questão de poder ser contraditório escrever sobre sustentabilidade, natureza, slow-living, ambiente (entre outros temas do género) e ir-me ligar às redes sociais, que são, muitas vezes, o baluarte e o principal exemplo de tudo o que critico na nossa sociedade actual."
"Se critico a selvajaria virtual das pessoas, a que se assiste quando acontece alguma coisa negativa, e o desregramento e falta de contenção nas opiniões e desinformação? Sim.
Se critico as pessoas que muito "teclam" e "postam" mas que na verdade pouco fazem e normalmente são Madres Teresa de Sofá (pois pôr a mão na massa e tomar atitudes reais para que a vida de todos seja melhor dá trabalho)? Sim."

No entanto, depois de muito pensar, decidi fazer esta publicação porque se sou mais sustentável devo-o à internet (mais especificamente às redes sociais) e às pessoas (muitas que não conheço pessoalmente) com as quais aprendo todos os dias a ser mais ecológica. A verdade é que tem sido nas redes sociais que tenho encontrado pessoas que pensam como eu em diversos temas, os quais na sua generalidade visam um mundo mais sustentável.

Entre as redes sociais destaco os grupos que acompanho no facebook, os quais têm sem dúvida mudado a minha vida, têm-me feito acreditar que é possível. Acreditar que é possível ser diferente da generalidade e das imposições da sociedade até porque há muito quem pense como eu (coisa que com as pessoas que conhecia, nos meus círculos mais comuns, raramente acontecia).

Afinal, em rede, em comunidade funcionamos melhor e se, por vezes, a comunidade física em que vivemos não é/está aberta às nossas ideias, podemos procurar criar outras comunidades. Lançar sementes e colher frutos.




Imagem retirada de http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/11/29/plataforma-reune-atividades-educativas-sobre-cultura-ambiental/arvore_hl/



Mas afinal o que mudou? E onde? 


Vou tentar elencar de forma resumida e assim mesmo agradecer.

Primeiro, há muitos anos mudou-me o blogue 365 coisas que posso fazer..., o qual me fez olhar a causa ambiental de outra forma. Foi realmente muito importante. Depois ajudou-me, eu própria criar este blogue, pesquisar, pensar, escrever.

Mas acho que foi na sustentabilidade na maternidade que mais me ajudaram as redes sociais, nomeadamente os grupos no facebook. Foi aqui que vi que há mais gente a usar e acreditar que se deve usar fraldas de pano do que aquilo que alguma vez imaginei, foi essencial ler os testemunhos, as dúvidas e tudo o resto sobre as fraldas, mesmo em alturas que parecia estar a correr pior. Usar fraldas de pano (mesmo que não exclusivamente) é algo que muito me orgulha.

Depois, ainda nas questões da maternidade, o grupo de apoio à amamentação também foi essencial para me fazer acreditar que é possível. Que é possível criar um filho mais saudável, sem estar depende de leites artificiais. Também foi nestes grupos que soube da existência da papas comerciais mais saudáveis ou que li pela primeira vez receitas de papas caseiras. O que muito me fez afastar das quase imposições de consumo infantil que nos inundam a casa através da publicidade.

Depois, embora seja um grupo que não acompanho tanto, o grupo da Permacultura é uma importante fonte de inspiração para um mundo mais sustentável. Bem como outro grupo de cariz mais intimista tem sido bastante importante para me dar segurança naquilo em que acredito, bem como na possibilidade de conhecer outras formas de ver o mundo que por vezes nem tinha equacionado.

Mas continuando, foi também nas redes sociais que comecei a comprar mais produtos em 2ª mão e a achar normal fazê-lo. A ideia sempre inspiradora de reaproveitar recursos.

Mais recentemente, o grupo Lixo Zero, o qual não consigo acompanhar tanto quanto gostaria, tem-me mostrado que há bastante gente a pensar nas mesmas questões que eu (algumas pessoas a pensar muito mais à frente do que eu) e que juntos podemos partilhar ideias e mudar aos poucos.

Por isto tudo e por mais coisas que provavelmente agora não me lembrei, sinto-me grata a todas estas pessoas com quem me cruzo virtualmente e que me fazem acreditar que é possível um mundo melhor. Várias pessoas têm contribuído para a minha pretensão de ser mais conhecedora do mundo/natureza e para ser mais sustentável.

E é assim que quero começar este mês de Novembro, a agradecer a todos, os que mesmo invisivelmente, me têm ajudado nesta caminhada que quis fazer. Pessoas que provavelmente eu nunca conheceria se não fossem as redes sociais.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Varrer para a porta da/o vizinha/o

Uma das minhas memórias de infância é a minha avó, todas as noites, depois de fechar o café ir varrer o chão à frente da porta, varria, apanhava com a pá e metia no caixote do lixo. A minha avó nasceu em 1932, num tempo que não sei se havia recolha de lixo, nunca foi à escola e nem vale a pena contar a vida que teve, mas no meio disso tudo, sabia que se não queremos lixo na porta que o devemos apanhar.

Quando abrimos a loja, a qual é numa arcada, começamos a varrer e lavar o espaço em frente da loja e obviamente a apanhar o lixo que varremos e pôr no caixote (o lixo que consiste maioritariamente em beatas de cigarros, às quais agora no Outono se juntam as folhas secas). Por isso, qual não foi o meu espanto quando percebi que a grande maioria dos outros comerciantes varre de uma forma diferente. Aliás, eu nem considero varrer, afastam o lixo da sua porta para a estrada ou mais para a frente, muitas vezes para as portas dos vizinhos, etc, etc. Não sei bem onde estas pessoas aprenderam a varrer, nem tão pouco sei se sabem o que é o vento. Sim, porque este malandro, sobretudo agora no Outono, gosta de soprar e as pessoas que acabaram de afastar folhas, beatas, papéis e plásticos da sua porta, lá vêem o lixo voltar todo novamente. Depois, lamentam-se que parece impossível, afinal ainda agora varreram e o lixo já está todo novamente ali. Pudera!

A ideia de se varrer o chão é apanhar lixo, a pessoa varre na sua direcção e faz um monte de lixo, depois apanha-o. A ideia não é ter lixo e simplesmente o afastar para longe com a vassoura. É que para isso nem vale a pena terem trabalho.

Mas eu como gosto de pensar e ver os comportamentos das pessoas relativamente a várias coisas, entre elas o lixo, decidi desenhar a cena... e aqui vos mostro o que não é suposto fazer...

Não varra o seu lixo para a porta do vizinho, nem para a estrada, nem mais para a frente... para isso, mais vale estar quieto.


Caricatura dos comerciantes que em vez de varrarem e apanharem o lixo, preferem afastá-lo da sua porta e espanhá-lo por todo o lado
Imagem própria (desenhado por mim)

sábado, 22 de outubro de 2016

Trash me

Trash me é o nome de um dos projectos de Rob Greenfield, no qual o activista tinha como objectivo mostrar a quantidade de lixo que um americano médio faz num mês. Com esse intuito, a fazer uma vida de consumo de um americano médio (sim, porque Rob leva uma vida de lixo zero) foi juntando todo o lixo que fez no seu corpo. Isso mesmo, durante um mês Rob juntou todo o lixo em sacos à volta do seu corpo, o objectivo foi/é mostrar visualmente a quantidade que uma simples pessoa pode fazer de lixo num mês. O desafio acabou dia 20 de Outubro e Rob juntou mais de 84kg de lixo e o resultado foi este:

Imagem retirada de https://www.facebook.com/RobGreenfield/photos/a.278209438972808.66220.276444342482651/1008724265921318/?type=3&theater

Acho que é devastador, não acham? Em Portugal e na Europa em geral, a quantidade de lixo per capita é inferior à de um norte-americano, mas mesmo assim há-de ser enorme. Já imaginaram se cobrissem o vosso corpo com todo o lixo que fazem num mês? Acham que conseguiam aguentar o peso? Também não sei se a natureza aguenta o nosso peso.

Acho que esta imagem é poderosa e que devemos verdadeiramente reflectir sobre o que andamos a fazer ao mundo.

Deixo-vos também o filme de apresentação do projecto, podem saber mais sobre este projecto e outros de Rob Greenfield na sua página pessoal e/ou segui-lo no seu facebook.


domingo, 16 de outubro de 2016

A música infantil do lixo

Ontem fui despejar a reciclagem e levei o meu Luís comigo, levei-o no carrinho para aproveitar a parte debaixo para pôr os resíduos. Quando vou com o Luís no carrinho aqui na rua costumo ir a cantar-lhe músicas infantis convencionais, músicas do babyoga e/ou músicas inventadas por mim. Ontem, já tinha despejado a reciclagem e enquanto dava a voltar pela rua de trás disse-lhe que íamos apanhar todas as garrafas de plástico que encontrássemos até ao próximo ecoponto (desconfio que ele não entendeu, mas pronto), acho que ainda apanhamos umas doze, e enquanto eu ia apanhando as garrafas e empurrando o carrinho ia cantando:

Uma garrafa
Uma garrafinha
Duas garrafas para apanhar...

Porque as pessoas são porcas
Muito porquinhas
E deixam o lixo em qualquer lugar!


Com nenhum despertígio para os porcos e as porcas (animais), mas a realidade é mesmo como diz a minha musiquinha. Hoje já a cantei novamente, já não havia era garrafas para apanhar, tenho de ir para o outro lado da rua ou esperar mais uns dias.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Movimento Lixo Zero

O mês passado foi editado em Portugal o livro Desperdício Zero da autora Bea Johnson, o qual pretende mostrar como uma vida com menos lixo pode ser uma vida melhor e o que devemos fazer para tal (ainda não li o livro). Inspirando-se neste caso, a Ana do blogue Ana, Go Slowly fez um maravilhoso ficheiro em excel com várias dicas sobre produtos e hábitos que podemos alterar para reduzirmos o nosso lixo. Podem consultar a publicação onde explica o que a fez tomar esta iniciativa ou consultar directamente o ficheiro excel, o qual está partilhado na rede e é editável por todos (podem incluir as vossas dicas).

Além do ficheiro, gostaria também de vos convidar a fazer parte do grupo de facebook Lixo Zero Portugal, no qual partilhamos dicas, conhecimentos e ideias sobre como reduzir o nosso lixo, pelo bem de todos.

Imagem retirada de https://plataformaituiutabalixozero.wordpress.com/category/plataforma-ituiutaba-lixo-zero-2/

Claro que nem todos temos de chegar ao objectivo de lixo zero, eu estou bem longe dele, no entanto é dia-a-dia que caminhamos para essa meta. É com pequenas acções que chegamos lá ou quase lá. Vamos começar hoje?

Pense: Quanto lixo consumiu hoje?

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Fuma? Pense...

Sabem quantas beatas eu tenho varrido nos últimos dias? Nem eu sei, mas muitas, muitas mesmo. Mas são ainda mais as que ficam na natureza. Vamos continuar a deixar beatas em todo o lado?

Imagem retirada de https://www.facebook.com/1MillionWomen/photos/a.10150203177785393.430331.211657000392/10157647414310393/?type=3&theater

domingo, 2 de outubro de 2016

Apanhar lixo no oceano

Ontem fui ver o Pôr-do-Sol à praia, aproveitei, tirei um saco reutilizável da mala e apanhei umas quantas garrafas de plástico, algumas que já pareciam ter ido e vindo com a maré. É romântico, não é? Ver o Pôr-do-Sol e apanhar lixo. Infelizmente foi só o da praia, para o lixo do mar preciso do que se segue.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Pastilhas elásticas, uma compra inconsciente e as caixas dos supermercados

Lembro-me de ver uns documentários, há uns anos, sobre consumo e como a nossa mente se modifica quando entramos em lugares de consumo. A necessidade de consumir e o consumo por impulso. Vi esses documentários na cadeira de Geografia do Comércio e do Consumo e confesso que foram muito importantes para me sentir mais fortalecida nesta luta Pessoa vs Consumo. A partir daí, fui aumentado o meu conhecimento e o meu controlo sobre o que compro, nomeadamente a decifrar se realmente devo aproveitar ou não uma promoção e a não me deixar levar por publicidade ou pela disposição dos artigos nas lojas. Quer dizer, isto achava eu!

Há uns tempos, fui fazer umas compras ao Continente e tinha um talão daqueles de desconto de 5€ em 20€ de compras. É de aproveitar não é? Ainda por cima são mesmo coisas que eu tinha de comprar. Logo se posso poupar 5€ devo aproveitar. Até acho que sim, mas...

Cheguei à caixa e tinha-me enganado a fazer as contas, o total não chegava a 20€, eram 19 euros e tal... e assim não podia passar o desconto... e naquela ânsia de supermercado, pensei "deixa estar não faço o desconto", "mas ainda são 5€", "mais vale não fazer", "mas", "MAS" "MAS"... A rapariga da caixa disse-me, "porque não leva uma caixa de pastilhas" e eu, "ah sim", peguei nas pastilhas e pronto já fazia 20€. E com o desconto que ficou em cartão, no fundo só paguei 15€. Mas na realidade, eu não queria as pastilhas e sim, elas só estão ali junto à caixa devido às compras por impulso. E eu que ando aqui contra o consumismo comprei as pastilhas, só para ter um desconto.

Comprei um produto que não queria, que não precisava, um produto que obviamente teve de ser feito e para tal tiveram de ser gastos recursos. Em vez das pastilhas, mais valia ter comprado um pacote de arroz ou massa, algo com utilidade e que não se estraga. Mas não! Foi logo ali, o primeiro produto que me apareceu à frente. Só quando cheguei ao carro é que pensei "Que estupidez! Quantos milhares de pacotes de pastilhas no mundo inteiro se vendem por impulso?".

Sobre estas armadilhas que os supermercados têm, encontrei esta publicação e cá está cai numa delas. Esta publicação refere-a como armadilha nº6, basicamente consiste nas guloseimas de baixo preço que estão perto da caixa (local onde as pessoas estão algum tempo paradas) e quando adicionadas às compras, não fazem com que a conta aumente muito e parece que nem gastámos dinheiro. Mas vejam aqui, Armadilhas do varejo elevam conta em 15%.


É! Isto são caixas "demoníacas", cheias de coisas que não precisamos...
Imagem retirada de http://umserpai.blogspot.pt/2016/02/jovem-delinquente.html

Depois de pensar e repensar nesta história das pastilhas (se calhar acham que estou a exagerar), o que mais me chateou é que comprei um produto que não necessitava, que não me apetecia, que não faz bem nenhum à minha saúde, que utilizou energia e água para ser feito, transportado, etc, etc., e que faz mal ao ambiente, uma vez que as pastilhas são feitas a partir de derivados do petróleo. E para completar que aumentam a quantidade de lixo e quando deixadas na natureza são perigosas para os animais, nomeadamente para os pássaros.

No meu caso, o pior é que eu depois de uma infância é que engolia pastilhas elásticas, já tive uma fase de não as consumir. Quando andava no 9º ano fui a uma visita de estudo à fábrica da Gorila e conheci os processos de fabrico, na altura achei aquilo tão nojento, aquela pasta peganhenta e gigantesca, que decidi nunca mais mascar daquilo. O nunca mais ainda durou uns anos, pois só voltei a mascar pastilhas já andava na faculdade e sinceramente não sei qual a razão para ter voltado a consumir o produto. Devo ter-me esquecido daquele cheiro horrivel, exageradamente doce, que inundava a fábrica das pastilhas. De qualquer modo, nunca fui uma consumidora assídua, mas volta e meia, lá iam umas pastilhas.

Mas agora acabou-se, depois de ter caído nas armadilhas dos supermercados e ter pensado novamente a sério nas pastilhas, já decidi que não as volto a mascar novamente (vamos ver se a decisão desta vez é para sempre).

Entretanto, e só por curiosidade, descobri que existe uma Gum Wall em Seattle e a Bubblegum Alley em San Luis Obispo, ambas nos Estados Unidos da América. Basicamente são paredes cobertas de pastilhas elásticas usadas que se tornaram em grandes atracções turísticas. A mim, devo confessar que só de pensar me mete nojo.


Bubblegum Alley
Imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Bubblegum_Alley

Entretanto, a fazer esta publicação encontrei umas boas notícias, nomeadamente Suiça: chega de guloseimas nos caixas de supermercado. Frutas no lugar delas.. Basicamente, os conhecidos supermercado Lidl trocaram em várias caixas as guloseimas por fruta, na notícia fala dessa realidade na Suiça e Reino Unido. Já que é para comprar por impulso mais vale que seja fruta do que guloseimas. Acho que está na altura de falarmos com os supermercados que operam em Portugal a pedir uma medida idêntica.

Neste sentido redigi a seguinte mensagem:

"Bom dia

Estou a contactar-vos, uma vez que como vossa cliente gostaria de fazer uma sugestão, relativamente aos produtos que se encontram próximos das caixas dos vossos hiper e supermercados.
Os produtos que se encontram próximos das caixas são essencialmente guloseimas, pastilhas, chocolates e outros produtos pouco saudáveis. Este tipo de produto como vocês sabem melhor que eu são comprados sobretudo por impulso. As pessoas ao estarem paradas nas filas acabam por os comprar, não necessitando deles e dado as suas características não são muito recomendados. Isto piora como se sabe quando se tem crianças nas filas, as crianças são alvos mais fáceis destes produtos e estes só prejudicam a sua saúde.
Neste sentido, gostaria de sugerir que nos vossos hipermercados existam caixas de produtos saudáveis (todas ou algumas), caixas onde os produtos sejam, por exemplo, fruta em vez de chocolates, iogurtes em vez de refrigerantes, sumos naturais, snacks biológicos, etc, etc. A ideia como devem saber não é minha, já existe em alguns supermercados de alguns países.
Acredito que numa primeira fase, sintam alguma perda de vendas, mas seguramente terão clientes mais saudáveis. E nesse sentido, agradecemos todos, os clientes e numa última perpectiva também agradece o ambiente. Afinal produtos mais saudáveis são quase sempre produtos mais sustentáveis.
Obrigada pela atenção"

Enviei para o Continente, Jumbo, Lidl, Intermache, Aldi, Eleclerc, Minipreço, todos têm nos seus sites um formulário onde podemos deixar sugestões. Em contrapartida, no site do Pingo Doce nem encontrei formulário, nem email de contacto, tenho de voltar a procurar melhor. (editado posteriormente, também já encontrei o formulário).

Se alguém quiser enviar também mensagem com este propósito, pode se assim o entender, usar a minha mensagem.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Compras em 2ª mão: uma poupança de recursos

Já faz mais de um ano que fiz uma publicação intitulada Reutilizar na era da internet, na qual referi que achava que a massificação da internet veio potenciar bastante a utilização de artigos em 2ª mão, e consequentemente ajudar o ambiente. E passado um tempo tive mesmo a confirmação quando li OLX permite a poupança de 3,1 milhões de toneladas de CO2 por ano.

"Em 2015, os utilizadores do OLX, plataforma de classificados online, contribuíram para a redução das emissões de CO2 em cerca 3,1 milhões de toneladas – o equivalente ao consumo do oxigénio produzido por 136 milhões de árvores num ano – ao optar por comprar e vender artigos usados em vez de novos.
Os cálculos foram desenvolvidos e apresentados pela própria plataforma com base na pegada de carbono dos produtos anunciados durante o ano de 2015. A pegada de carbono corresponde à soma da emissão de gases com efeito de estufa em cada fase da produção de um bem. No caso de um frigorífico novo, por exemplo, ao somar a matéria-prima (325,5 kg CO2) com a produção (53,2 kg CO2) e o transporte (11kg CO2), pode-se considerar que tem uma pegada correspondente a 389,7 kg de CO2.
“Os 3,1 milhões de toneladas de emissão de gases com efeito de estufa evitados pela actividade do OLX, corresponde ao consumo anual de 2,6 milhões de portugueses com as suas viaturas automóveis”, explica a empresa." (in http://greensavers.sapo.pt/2016/06/01/olx-permite-poupar-31-milhoes-de-toneladas-de-emissoes-de-co2-por-ano-com-infografia/)

E claro, isto foram as contas do OLX, mas para além deste, existem outros sites, grupos de discussão, fóruns, etc., onde se vende muita coisa em 2ª mão. Claro que nada nos garante que as pessoas que compraram estas coisas em 2ª mão teriam ido comprar o mesmo tipo de produtos novos, mas provavelmente teriam.

Cá em casa, a melhor compra que fizemos no OLX foi um frigorífico (nem por acaso, é o exemplo que está em cima, logo sei que poupamos cerca de 390kg de CO2). O frigorífico onde costumamos guardar as coisas da horta (não é o frigorífico da casa, aliás até está junto ao forno de lenha debaixo do telheiro no quintal) avariou. E comprar um frigorífico novo para ter ali pareceu-nos um bocado demais. Então foi no OLX que encontramos o frigorífico ideal por 50€, os donos queriam vendê-lo porque iam mudar de casa e precisavam de se livrar dele rapidamente. Só tinha dois problemas, não tinha luz e não tinha puxador. O que não foi difícil de resolver, tirou-se a lâmpada e o puxador do antigo e ficamos com um frigorífico a trabalhar em excelente estado. Noutra altura, este frigorífico teria ido para o lixo e nós teríamos comprado um novo.

Mas, às vezes, até podemos não encontrar o produto que queremos à venda e nessas ocasiões não há nada como perguntar (nos sítios certos). Foi o que fiz depois de ter publicado Viva as fraldas de pano (oito meses depois), onde referi que tinha de comprar mais fraldas pré-dobradas. Na altura, estava a pensar comprar novas e, portanto, estava a pensar comprar da Mita (marca portuguesa, produzidas em Portugal). Mas decidi perguntar no grupo das fraldas no facebook, se ninguém tinha fraldas pré-dobradas para vender e como esperava, havia alguém. Assim, por dez fraldas pré-dobradas paguei muito menos do que ia pagar por seis fraldas pré-dobradas novas e poupei o ambiente em variadíssimos recursos. Se fosse agora, acho que teria comprado todas as fraldas em 2ª mão, arrependo-me de não o ter feito, ainda comprei algumas, mas gastei muito dinheiro em fraldas novas e tenho pouca diversidade.

As fraldas pré-dobradas que comprei em 2ª mão
Imagem própria

A verdade é que até no embalamento se poupa, até agora todas as fraldas que comprei em 2ª mão vinham embrulhadas em sacos reutilizados. Nesta última compra, desembrulhei o saco com muito cuidado e está ali guardado para ser novamente reutilizado.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Vê lá, vê lá companheiro: do passado, do presente e do futuro

Nos últimos anos, em todas as Festas do Avante tenho ouvido esta música. É impossível não me emocionar cada vez que a oiço. Cantada por vozes que a sentem, que sabem da dor, das angústias, das perdas. Digo isto, no entanto sei que não lhes conheço as dores pessoais, as injustiças de que foram alvos, nem as tristezas. Não conheço as suas vidas, nem sei o quanto as suas feições envelhecidas podem esconder de bom e de mau... Mas emociono-me, sinto uma tristeza, uma melancolia, uma frustração, uma injustiça... sinto também uma leve esperança, porque quem canta consegue sempre ir um bocadinho mais além... consegue passar a sua mensagem, consegue fazer-se ouvir...

Isto são músicas da terra, músicas das gentes, do povo, faz parte do nosso legado histórico-cultural. Mas é mais que isso, é um alerta sobre as vidas de muito custo, as vidas de trabalho muitas vezes desumano, as vidas de incerteza, vidas acompanhadas permanentemente pela morte. Neste caso, o trabalho das minas, um trabalho perigoso para quem o executa na altura e posteriormente, os casos de doenças (por exemplo doenças oncológicas) em antigos mineiros são muito elevados devido à exposição que estes tiveram a diversos contaminantes.

E qual a razão para estar a falar agora disto? É porque me entristece ver nas redes sociais a grande preocupação que o povo (sim porque eu não conheço pessoas verdadeiramente de elite) têm sobre as possíveis taxas ou impostos aos mais ricos, quando provavelmente nem sequer conhecem ninguém que vá ser taxado. Eu acredito que a grande preocupação se deve ao facto de as pessoas acreditarem que ao se taxar os mais ricos, estes vão ter menos posses e, consequentemente, reduzir o investimento, o que pode pôr em risco diversos postos de trabalho e salários (na grande maioria das vezes miseráveis). A questão é a seguinte, eu prefiro que taxem os mais ricos do que criem mais impostos que não olham para as diferenças socioeconómicas.

Que importância tem no mundo um imposto para quem tem fortunas (impossíveis de amealhar por um trabalhador comum ao longo da sua vida) quando ainda há quem se mate a trabalhar para simplesmente viver?

Eu trago a camisa rota
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
E sangue dum camarada
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
E sangue dum camarada
Vê lá, vê lá companheiro
vê lá.vê lá, como venho eu
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá
Lá.lá,lálá,lá,lá,lá

Alguém consegue ouvir isto e ficar indiferente ao sofrimento de vidas de trabalho? Acho que há muita gente por aí que precisa de ouvir algumas músicas para verem que a vida real é mais dura que os impostos que taxam a quem tem fortunas. Os ricos não precisam que os pobres se preocupem com eles, as suas áreas de influência já são demasiado vastas... Vamos importar-nos com aqueles que têm o mesmo que nós e com aqueles que têm menos que nós?


Ainda, para terminar, gostaria de sugerir um livro, um dos melhores livros que já li, Levantado do Chão de José Saramago. Um verdadeiro livro sobre o Alentejo, um verdadeiro livro sobre as lutas diárias do povo.

O livro começa assim:

"O que mais há na terra, é paisagem. Por muito do resto que lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda. Será porque constantemente muda: tem épocas do ano em que o chão é verde, outras amarelo, e depois castanho, ou negro. E também vermelho, em lugares que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, ou ainda não, ou não já, ou do que por simples natureza nasceu, sem mão de gente, e só vem a morrer porque chegou seu último fim. Não é tal o caso do trigo, que ainda com alguma vida é cortado. Nem do sobreiro, que vivíssimo, embora por sua gravidade o não pareça, se lhe arranca a pele. Aos gritos."

 e acaba assim:

"E à frente, dando os saltos e as corridas da sua condição, vai o cão Constante, podia lá faltar, neste dia levantado e principal."

Que façamos dos nossos dias, dias levantados e principais para o futuro.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Capitalismo e ambiente: vamos por os pontos nos iiiiiiis

A deputada Mariana Mortágua desafiou o PS a pensar se quer ser alternativa ao capitalismo e se para mim, isto é algo bastante positivo, sei que para muita gente parece algo completamente descabido.

A questão é a seguinte, o capitalismo, tal como o conhecemos neste momento (com o consumismo como seu principal motor de funcionamento) é completamente insustentável. Não é, sequer, uma questão de ideologia política. Esquerda ou direita. É simplesmente uma questão de viabilidade do planeta ou melhor da nossa espécie (e de outras, claro).


E não vale a pena negá-lo. Quem o nega das três, uma:
  • É pouco informado; 
  • É ingénuo; 
  • Está-se a lixar para a espécie humana e outras espécies, quer para as actuais gerações, quer para as futuras.

Se é pouco informado, pode informar-se melhor.
Se é ingénuo, espero que deixe de ser.
Se se está simplesmente a lixar para os outros, nesse caso tenho pena, porque não percebe que também faz parte do mesmo bolo.


Desde 1986 que consumimos mais recursos num ano do que aquilo que a terra consegue repor. Ano após ano, acabamos com florestas, poluímos mais os oceanos e os rios, e ainda, a nossa própria alimentação. No mundo inteiro, as áreas ocupadas por aterros de resíduos crescem, áreas estas que ficarão sem utilização futura (na grande maioria dos casos), isto sem falar nas lixeiras a céu aberto (mais ou menos controladas). A produção alimentar anual é superior às necessidades dos habitantes do planeta, todavia morrem pessoas desnutridas, enquanto noutros locais do mundo, todos os dias, se deita comida fora (muita da qual, porque é feia... feia!?!?!). Nos países "civilizados" pagamos uma ninharia por um qualquer bem de consumo (uma t-shirt, um brinquedo, etc). O valor pago não chega sequer para pagar a matéria-prima (isto se quiséssemos ser justos com a natureza e devolver-lhe em "cuidados" aquilo que dela tirámos). Ao que se junta, o facto de sabermos que para isso estamos a explorar humanos noutra parte do mundo e achamos bem. Sim, achamos bem, afinal aquele humano se não fosse explorado, a fazer aquela t-shirt, não teria o que comer. Provavelmente, teria mais que comer, se os mesmos países "civilizados" não tivessem feito de tudo para acabar com as economias locais e de subsistência de vários destes países.

Mas bem... por isto tudo, a questão é simples... se queremos continuar a viver, uma vida justa para com os outros (gerações actuais e futuras, em qualquer parte do globo, respeitando também a natureza) temos de parar... este modelo de economia e sociedade não é viável. E isso é ponto assente.

A questão não é difícil de compreender, penso eu. No entanto, sou frequentemente adjectivada como sonhadora, assim uma pessoa que não tem a noção do mundo em que vive, não tem a noção da realidade. A Sónia que gosta dos passarinhos e das arvorezinhas, pensa que a comunicação é feita por pauzinhos. Basicamente, sou vista como a Sónia anti-tecnologia, a Sónia da natureza. Até é engraçado que alguém que se dedica a blogues desde 2004 seja vista como uma pessoa anti-tecnologia. Na realidade, a tecnologia é útil, bastante útil e a nível ambiental também. É graças à tecnologia que conseguimos manter um certo nível de vida sem poluirmos tanto. A tecnologia quando bem utilizada é algo fantástico, reconheço que o ser humano é sem dúvida genial e consegue desenvolver coisas maravilhosas (e outras terríveis). No entanto, o que éramos nós sem a natureza? Nada! Simplesmente não existíamos.

No fundo, quando dizem com um certo desdém, ai os passarinhos, as arvorezinhas como se estes fossem interesses menores, eu tenho pena. Verdadeiramente pena. Pena que haja quem não entenda que é nos pássaros, nas árvores, na água, nas plantas que reside a nossa maior riqueza, a nossa única fonte de sobrevivência.

A água e as árvores são sem dúvidas dos bens mais valiosos que temos. E ambas existem para lá do ser humano, já o ser humano não consegue viver sem as mesmas. Mas até mesmo seres supostamente insignificantes como as abelhas são cruciais para a nossa vida, a extinção destas pode levar à nossa extinção, o contrário já não me parece que aconteça.

O que quero dizer com isto é simples, não é quem adora e defende a natureza que não tem noção do mundo em que vive. Quem acha que os feitos do ser humano é que são consideravelmente superiores à natureza é que não percebe o mundo, não conhece a realidade. Aliás, foi por isso mesmo, por este antropocentrismo que a humidade teve de conceber Deus à sua imagem e semelhança, uma vez que nunca conseguiu conviver com a sua insignificância. É por isso mesmo que até os ateus e seguidores da ciência preferem continuar a esconder-se na "nossa maravilhosa sociedade de consumo" e a não ver a realidade.

A realidade é uma e é simples. O ser humano faz parte da natureza e precisa dela para sobreviver, o consumo exagerado está a por em risco uma quantidade de "aspectos/bens" naturais que são cruciais à nossa vida. Quando estes "aspectos/bens" estiverem completamente contaminados/poluídos ou em outros casos deixarem de existir, a nossa espécie acaba (e finalmente as outras espécies poderão viver em paz).

Assim, a verdade é simples, o capitalismo (tal como existe hoje) está a destruir o planeta, está a destruir-nos. E desta forma, ou aceitamos isso de livre vontade ou lutarmos contra esta realidade. Sim, o meu maior objectivo é diminuir a minha contribuição para a destruição do planeta (mesmo sabendo que ainda tenho um longo caminho a percorrer, sei que às vezes não sou assim tão sustentável, mas reconhecer acho que é o primeiro passo). E sim, a minha maior adoração é a natureza, porque é nela que reside toda a verdade sobre a vida.

Quem ama a natureza não é um sonhador, idealista, um louco... quem ama a natureza e a respeita é, no fundo, o mais realista de todos. E quem a ama e a quer cuidar, não pode ser a favor deste tipo de capitalismo em que vivemos.

Imagem retirada de http://links.org.au/node?page=8





sábado, 17 de setembro de 2016

Semana europeia da mobilidade e as pessoas de mobilidade reduzida

Começou ontem, dia 16 de Setembro a 15ª Semana Europeia da Mobilidade, a qual traz muitas actividades a diversos municípios portugueses. Este ano, o tema-chave é a mobilidade sustentável e inteligente, considerando que uma mobilidade inteligente promove uma economia forte (ler mais aqui). Quer dizer, eles consideram que uma mobilidade inteligente promove uma economia local forte e consequentemente um melhor ambiente urbano e melhor qualidade de vida, concordo completamente.

Todavia, eu pensei nos outros, aqueles que já de si têm uma mobilidade reduzida e era sobre esses que eu queria falar. Em Lisboa, ainda é difícil para algumas pessoas se movimentarem sem a ajuda de terceiros. E quem diz Lisboa, diz o país inteiro. Actividades simples como atravessar a rua, entrar num autocarro, apanhar o metro são quase impossíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Quantas estações de metro em Lisboa têm acesso para cadeiras de rodas? Pouquíssimas.

Pensei para esta publicação fazer um percurso fotográfico dos obstáculos que as pessoas com mobilidade reduzida encontram desde de casa até ao trabalho (como exemplo usaria o meu percurso). Mas não tive oportunidade de o fazer, talvez o faça um dia com mais calma, Mas podem ter a certeza que são muitos degraus. Quando forem para o trabalho pensem nisso, nas escadas do metro, nos pilaretes dos passeios, na rampa do barco, entre outros tantos.

Entretanto lembrei-me de um vídeo que já vi há muitos anos, não concretamente sobre a mobilidade, mas sobre as dificuldades que as pessoas com as variadíssimas deficiências encontram diariamente. Neste vídeo, nós, "os normais" somos os "diferentes". Acho que dá que pensar.




Uma mobilidade inteligente é também uma mobilidade inclusiva e só isso faz sentido. Em Lisboa foi aprovado um Plano de acessibilidade pedonal que se encontra em fase de execução. É assim, pequenas acções aqui e acolá podem fazer a diferença na vida de muita gente.

domingo, 11 de setembro de 2016

A bolsa de valores e os tomateiros

Quando fui para o 10ºano escolhi o agrupamento 3 - Económico-Social (ou seria Sócioeconómico?). E ainda andei uns tempos a pensar seguir economia (era louca, só pode). Embora deva confessar que olhando para a definição que encontrei de economia, continue a ser uma área que me atrai (ver definição aqui, talvez existam definições melhores). No entanto, o actual sistema económico e financeiro para mim é incompreensível, de tal modo que acho que simplesmente não existe. Ratings, taxas de juro, dívida, défices, nada existe, porque tudo se baseia em coisas que não existem, não são palpáveis, especulação, atrás de especulação.

Como é que a libra pode ter desvalorizado tanto depois do Brexit? Como é que as bolsas da Europa desvalorizaram também nessa altura? Qual foi o motivo? Coisas abstratas, porque no concreto não aconteceu nada. Logo, o sistema pode ter muita lógica para diversas pessoas, mas para mim é completamente ilógico. Antes de existir um problema real que pode prejudicar a economia local, já o problema potencial está a prejudicar essa economia e depois é uma bola de neve.

Por isso, para mim, bolsa de valores e coisas do género são, simplesmente, fantochadas, afinal os tomateiros crescem independentemente dos índices da bolsa, não é?

Imagem retirada de https://www.facebook.com/170525249682773/photos/br.Abp3yykYgP7RzGgN9Lmfhlik5W9VrEndEyGL-10zxCseltlXfvKroogmDE8NHIqsiWMAT0V9VxIf5rLcbbx7YujxycKMWltcZEkbksiiEfWjJ0u3eL9ECKpV95t1-N48uWeACqB4DP9lk8MIu2zOKdjVG7bxIz_BlN5cyctaFzwF86SZfr8U--Nb84BtmjJ8R8Y/387681224633840/?type=3&theater



domingo, 4 de setembro de 2016

Música popular, t-shirts e gaios: uma salgalhada feita publicação

Esta publicação é uma miscelânea de coisas, daquelas que me fazem pensar. Isto tudo, ainda num misto de sentimentos derivados das férias. Uma coisa, duas coisas e quando damos por isso, já fizemos toda uma teia de pensamentos. E começou tudo com um acto de consumismo, a compra de uma t-shirt.

Estava numa loja de regalos ou recuerdos em Santiago de Compostela com t-shirts muito engraçadas com espírito galego (eu sou uma defensora da cultura galaico-portuguesa, não que eu tenha muito conhecimento sobre a mesma, mas porque no caso espanhol, acho que a identidade de cada região deve ser defendida, mantida e difundida. E também, confesso que gosto de ir a algum sítio do território espanhol onde me percebem mesmo quando falo português) e fiquei apaixonada por uma delas. A t-shirt tem este desenho:


Imagem retirada de http://www.nikisgalicia.com/es/bebes-y-nino/4334-Beb%C3%A9%20y%20ni%C3%B1o-vai-tu-vai-ela.html#.V8tXjzXMJxI


Quando vi a t-shirt, adorei-a (eu já gosto de t-shirts com mensagens, muito mais sendo a letra de uma música popular) e comecei logo a cantar Vai tu, Vai tu, Vai ela. Pelo que percebi, depois de ter pesquisado, esta música tradicional teve origem na Galiza e Norte de Portugal, embora actualmente as letras cantadas em ambos os locais sejam diferentes (pelo que percebi).

A música é algo bastante importante na minha vida, não é à toa que este blogue tem uma etiqueta chamada A música é alimento. A música popular tradicional além de alimento para a alma é a transmissão oral de modos de vida, histórias, amores, formas de falar de séculos. A música popular tradicional é de uma riqueza enorme, criada pelo povo, é endógena, é da terra, dos nossos pais, avós, bisavós. É cultura, é modo de ser, é uma forma de olhar o mundo, é uma expressão das nossas raízes. A música popular tradicional, é capaz de ser mais forte que fronteiras e estados nações, neste caso particular, esta música permanece e faz parte da vida portuguesa e galega, acho que me atrevo a dizer que a música é a forma viva de um povo com uma cultura idêntica que há muitos anos foi separado.

Talvez nada disto que estou a escrever pareça fazer muito sentido, mas cantar estas músicas é perpetuar a nossa história enquanto povo, o qual no seu conjunto conseguiu transmitir oralmente uma infinidades de saberes e conhecimento.

Viva a música popular, a tradicional, a que veio do povo para o povo. Para quem ainda não conhece, sugiro que espreitem este site: A música portuguesa a gostar dela própria.

Fica uma versão galega, aqui intitulada como verde-gaio. Ouvi várias versões e gosto especialmente desta.


E por falar em gaios, já estava eu no Gerês, diz-me o meu marido "Viste aquele gaio", respondi que tinha visto, mas que não tinha reparado que era um gaio. Depois contei que quando era pequena o meu avô tinha gaios, ele disse-me que o pai dele também teve. Disse-lhe depois que há muitos anos que não conheço ninguém que tenha gaios, o que lhe disse que ainda bem porque eles são bonitos é na natureza. Ele rematou "ninguém tem gaios porque as pessoas já não têm paciência para os irem apanhar aos ninhos, não é pela liberdade, porque continuam a ter piriquitos". Ele é capaz de ter razão.

Para quem não conhece, um gaio é este pássaro, bonito e que também fala. Os gaios do meu avô gritavam "Pai".


Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaio-comum

Só para terminar, eu comprei a t-shirt, mas tenho a dizer que na etiqueta diz "Feito en Galicia", só coisas positivas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Frascos de sopa, uma ideia para dias de férias

Neste momento estou de férias, aquelas mesmo que vamos passear, viajar, tão bom. E se para os adultos a alimentação em férias não é um problema, para bebés a coisa complica mais um bocadinho. Claro que não faltam soluções comerciais de sopas e frutas em boiões, mas não tem de ser uma opção obrigatória.

Como não viemos de férias apenas para um sítio, eu não sabia muito bem como ia gerir a sopa do Luís. Primeiro, porque nem todos os sítios que vamos ficar têm cozinha. Segundo, porque provavelmente na hora do almoço estaríamos a viajar e principalmente no primeiro dia, sem cozinha, não conseguiria fazê-la. Estava a comentar isto com uma pessoa que me sugeriu que fizesse sopa no dia antes da viagem e depois a guardasse em frascos esterilizados e com vácuo (ver como se faz aqui). E assim fiz.

Na sexta-feira de manhã, antes de começar a viagem fiz sopa e enchi dois frascos, fiz uma sopa básica porque tinha algum receio que mesmo com o vácuo se estragasse (sobretudo se juntasse carne ou peixe), já que ia estar sem refrigeração e podia estar calor durante a viagem. A sopa que fiz foi com cebola, cenoura, batata, courgette e feijão-verde.

Assim, no Sábado decidimos parar em Ponte de Lima para almoçar e lá tinha eu, o meu frasquinho reutilizado com sopa caseira para o Luís (a fruta comprámos no restaurante). No Domingo, o almoço do Luís foi o segundo frasco de sopa, entretanto previa fazer sopa agora à noite para voltar a acondicionar nos frascos para ter sopa para o almoço de Segunda-feira (já que vamos voltar à estrada), mas os espanhóis (ou será melhor dizer galegos?) "enganaram-me". Parece que ao Domingo não há nada aberto que venda vegetais. Logo, quando acordarmos, temos de ir ao mercado local e o almoço será uma açorda de bebé que penso que já não terei tempo para fazer a sopa (tenho de partilhar a receita da açorda convosco).

E assim, os bebés podem comer sopa caseira, mesmo em viagem. Não sei bem quantos dias aguenta, mas pelo menos para dois ou três dias acho que se mantém perfeita, sem necessidade de frigorífico (claro que convem provar primeiro). Mas não se esqueçam, o frasco tem de estar bem cheio e têm de fazer todos os procedimentos.

Aqui está o meu frasco de sopa, antes de ser aberto, no restaurante onde almoçámos no Sábado.

Imagem própria

É sobretudo uma vantagem porque é mais saudável, mas também é uma forma de sermos mais poupados e ecológicos. Embora, ecologia e férias sejam palavras quase impossíveis de conciliar para mim, as fraldas e toalhitas descartáveis usadas e as garrafas pequenas de água (porque não havia nenhum sítio onde pudesse comprar um garrafão) têm determinado um nível de consumo de embalagens muito elevado para o que estou habituada. Até porque com tanta coisa que trouxe de viagem, esqueci-me da minha garrafa de água reutilizável.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Copos descartáveis: o rescaldo de uma festa de aldeia

Lembram-se das minhas publicações Verão: festas, festivais e lixo no chão e Super Bock Super Rock e o Ecocup? Hoje volto à temática dos copos descartáveis em festas de Verão, mais precisamente para fazer um espécie de balanço da festa da terra do meu marido, na qual ele foi festeiro este ano.

A festa começou na 6ªfeira, dia 12 de Agosto e acabou ontem, dia 16 de Agosto e como podem calcular foram gastos milhares de copos de plástico. Se não têm ideia de quantos, vejamos, foram vendidos 60 barris de cerveja, os quais têm uma capacidade de 50 litros cada. Cada copo leva 25cl, por isso por cada litro de cerveja são utilizados 4 copos. Então 60*50*4=12000.

Doze mil copos numa festa relativamente pequena, imaginem numa festa grande, e isto são só contas de copos de cerveja, não nos podemos esquecer que havia outras bebidas a vender, embora a sua venda seja quase residual.

Este ano, eles tiveram a ideia de incentivarem as pessoas a porem os copos à volta de um mastro. Claro que a ideia é um bocadinho naquele sentido de se gabarem do que se bebeu na festa (não gosto muito destas gabarolices), mas também para não terem tanto trabalho a varrerem e limparem o recinto da festa. Achei uma boa ideia, ao menos incentivaram as pessoas a não deixarem os copos no chão (embora claro que muitos ficaram no chão, nas ruas da aldeia e nos terrenos agrícolas). Todavia, passei agora por lá e já tinham tirado os copos e posto todos no caixote do lixo comum. Tipo!!! A sério???? Plástico tão bem separado e põem no lixo comum, mesmo com um plasticão à porta... A falta de consciência ambiental é algo que não compreendo. Do mal, o menos, acredito que este ano, pelo menos os copos que ficaram à deriva foram em muito menor número.

Imagem própria

Imagem própria

Sabem quantos resíduos foram separados nesta festa para a reciclagem? Nenhum! Foi tudo para o lixo comum. Há coisas incompreensíveis para mim, eu bem que tentei incentivar o meu marido para que tivessem contentores de separação do lixo, mas a resposta dele foi qualquer coisa como "ninguém está para isso". Cuidar do bem comum nunca é muito valorizado. A minha esperança é que alguns destes copos que já estão triados acabem por ser salvos antes de ir para aterro. Afinal há locais onde mesmo o lixo comum passa por uma triagem e ainda aproveitam alguns resíduos. Pelo menos estes copos não estão todos partidos no meio da natureza como costuma acontecer.

E quero relembrar novamente o número: 12 000 copos numa festa de aldeia. Imaginam quantos copos se deitam fora em todas as festas de aldeia por este país fora, por este mundo fora? Quando usarem um copo descartável, lembrem-se que o custo ambiental dele é muito superior aos cêntimos do seu preço (sim, os copos de café na minha loja também).

No meu caso pessoal, as duas garrafas de água e a lata de ice tea que bebi na festa trouxe-as comigo, pelo menos trato do meu lixo, e ainda, salvei umas quantas tampinhas.

E só mesmo para acabar:
  • Ponto 1 - se fizerem uma festa, sigam o exemplo deles e incentivem as pessoas a separar os copos, poupa trabalho e o ambiente, mas já agora, depois ponham-nos no contentor amarelo;
  • Ponto 2 - ao menos a loiça utilizada nada era descartável, foram sempre pratos de loiça ou inox, acho que agora estão a lavá-los.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Viva as fraldas de pano (oito meses depois)

Imagem própria

Falta um semana para o Luís completar nove meses e aqui continuo à volta das fraldas de pano, com os meus altos e baixos. A boa notícia é que parece que  isto está a correr melhor, sobretudo porque me lembrei (porque não experimentei antes?) de usar as pré-dobradas como absorventes. A questão é que o meu Luís faz muito xixi e com dois absorventes, passado pouco tempo a fralda fica encharcada (neste momento está a dormir com uma fralda com dois absorventes e já a sinto húmida). Seja que tipo de absorvente for, microfibra, cânhamo, bambu, bem se forem os dois de microfibra ainda é pior.

Depois lembrei-me que tenho uns absorventes em cânhamo que se dobram ao meio da B´bies (ver imagem abaixo). Com um absorvente deste mais um absorvente dos outros, já começou a correr melhor. Mas só passado uns dias é que me lembrei de experimentar as pré-dobradas (ver imagem abaixo) como absorventes e é fantástico. Assim, juntando uma pré-dobrada e um absorvente dos outros, a fralda resulta mesmo bem, até porque é um rabiosque cheio de camadas de absorção.

Absorventes de cânhamo
Imagem retirada de http://www.bientot-maman.fr/content/6-fonctionnement-de-la-couche-lavable

Fraldas Pré-dobradas
Imagem retirada de http://www.mita.pt/pages/onde_comprar

O problema é que tenho poucas pré-dobradas e poucos absorventes duplos de cânhamo, então volta e meia tenho de usar dois absorventes normais e a fralda não aguenta tanto. Acho que tenho de comprar mais fraldas pré-dobradas.

Outra coisa que mudei foi a limpeza das fraldas. Ao contrário do que dizem as"regras", quando tiro a fralda ao Luís passo-as por água para tirar o máximo do xixi. O cheiro das fraldas sujas dentro do saco (ainda por cima com calor) era algo que eu não estava a gostar e decidi seguir o conselho da minha sogra, não as deixo de molho, mas passo-as por água.

Por falar na minha sogra, ela está fã das fraldas de pano, ela já gostava da ideia, mas quando foi comigo ao encontro da semana de aleitamento materno e percebeu que eu não sou a única a usar fraldas de pano (nesse dia o Luís tinha uma descartável) ficou mesmo super animada. Tanto que agora estou a passar uns dias na casa dela e o Luís tem usado só fraldas de pano.

O que me chateia é que agora que isto parece estar novamente no melhor caminho, vamos de férias. E em férias longe de casa, sem máquina de lavar, acho difícil usar fraldas de pano (não é que seja impossível). Mas o objectivo não é passar as férias a lavar fraldas à mão. E depois o Luís vai para a creche e aí também não aceitam fraldas de pano, nem toalhitas. Isso é que vai ser produzir lixo a sério. Mas bem nove meses quase exclusivamente de toalhitas de pano e nove meses com bastante uso de fraldas de pano, já não me parece mal de todo. Em casa, posso sempre continuar a usar estes produtos mais ecológicos.

E já agora, hoje no café, estava o meu Luís com uma fralda de pano e um senhor que eu conheço, pensou que ele tinha uns calções, depois quando lhe dissemos que era fralda, ele disse "Ah é uma boa ideia, pelo menos não fazem tanto lixo". Devo confessar que os meus olhos até brilharam de alegria pelo comentário.

Fraldas de pano Urra! Às vezes tenho vontade de comprar mais, algumas de melhor qualidade do que aquelas que tenho. Mas se o meu objectivo é ser ecológica e se as que tenho chegam, acho que não faz muito sentido (sem contar com as pré-dobradas que preciso para usar como absorventes). Quando tiver outro filho, espero bem ter, como já tenho algum stock, já posso investir noutras melhores.

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