Mostrar mensagens com a etiqueta Escolhas pessoais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escolhas pessoais. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de janeiro de 2016

Sou um mamífero

Tal como referi na publicação Aleitamento Materno sou uma defensora dos bebés mamarem o leite materno, mas tive vários problemas, o que me fez por em causa muita coisa. Na publicação que referi acima, contei que ia a uma consulta de amamentação e já agora fazendo publicidade fui à Clínica Amamentos.

Ir a uma consulta de amamentação foi a melhor coisa que fiz, aliás fui a duas. Neste momento, o Luís mama lindamente, já começou a aumentar de peso de forma mais constante, deixei de lhe dar mama com mamilo de silicone e parece que dar mama é a coisa mais fácil do mundo. A consulta foi muito boa porque me ajudou a nível concreto, ensinou-me a posicioná-lo para fazer uma pega correcta e a nível psicológico, incentivou-me e deu-me bastante força. Nisto tudo, fiquei uma defensora ainda maior do aleitamento materno e às vezes sinto vontade de evangelizar as pessoas. Quando oiço coisas como: "Não tenho leite suficiente", "Não tive leite" ou "O meu leite é fraco", só me apetece dizer, não, isso não é verdade. Todas temos leite suficiente, só que a produção de leite só cresce se o bebé mamar cada vez mais. Se há um bebé que faz uma má pega, não estimula a produção do leite materno e parece que o leite não é suficiente, mas o problema não é o leite, é a pega.

No meu caso tive sorte porque a minha médica de família chamou-me a atenção para a pega. Mas sei bem que muitos médicos em vez de tomarem atenção na forma como o bebé mama, incentivam logo a introdução do leite artificial. E isso faz-me confusão.

Mas pronto, o meu menino está a ser alimentado só com o meu leitinho e está grande, há quem me pergunte "Ele só mama do teu leite? E está tão grande?". É verdade, bem eu não o acho muito grande, mas sim ele só mama do meu leite.

Mas para mim isto está a ser uma grande vitória, o que eu tenho poupado o ambiente a alimentar um rapazote só como o meu leitinho, já mereço uma prenda ambiental. Agora a sério, adoro ver aquela carinha de satisfação, aquele revirar de olhos, aquela maozinha que me acaricia o seio enquanto mama. Acho que ser mãe e amamentar faz-me sentir verdadeiramente um animal, sentir-me como um ser da natureza, não um ser da sociedade desligada da essência. Pela primeira vez sinto-me realmente um mamífero, talvez achem estranho, mas sinto que entrei em sintonia com a minha natureza. No fundo, nem sei bem explicar, mas sinto uma estranha sensação de felicidade e comunhão com a natureza.

Acho que o ser humano se desligou completamente do que é natural, não caçamos, não colhemos os nossos alimentos, vivemos de noite ou de dia. Aparentemente a nossa vida depende do dinheiro e dos bens, por exemplo, poucas pessoas gostam da chuva porque não lhe sentem qualquer utilidade. Para uma grande parte dos seres humanos as taxas de juro ou as acções da bolsa têm mais valor que a água, as árvores, o oxigénio. O ser humano na sua generalidade afastou-se da essência da vida, o facto de eu ter sido mãe e passar cerca de um terço do meu dia a dar mamar faz-me aproximar mais da perfeição que é a vida natural. Sinto-me parte integrante da vida e da transformação da matéria.


Acho que este vídeo explica o que eu penso quando digo que me sinto parte da natureza. Eu gosto que ele mame e gosto de o ter aconchegadinho a mim. Por isso, também estou rendida ao uso de sling, só não uso mais porque quando saio com ele de carro tenho de levar mesmo o ovo, mas de qualquer forma uso o sling em casa e saímos algumas vezes com o bebé no sling. E quem quiser saber mais sobre o uso deste pano leia isto. O sling é usado desde sempre e não só por africanas ou sul-americanas, na Europa também era usado, aliás provavelmente muitas pessoas nas nossas aldeias ainda se lembram de andarem com os bebés nos xailes.

Imagem retirada de https://tempodeestilo.wordpress.com/2014/07/23/sling/

E assim cá em casa nós também usamos o sling, tanto eu como o pai para ficarmos mais perto da nossa cria, porque é fácil de usar e porque ele se sente confortável. Mas experimentem ir a uma grande superfície comercial com um bebé no sling, melhor ainda se for o pai a transportá-lo. Sim nós experimentamos e foram olhares e olhares, não percebi se pelo sling em si, se por essa ideia de o pai carregar o bebé e a mãe ali ao lado. Mas houve um senhor que nos disse, "É assim que eles crescem", não sei se crescem, mas ajuda muito no refluxo e isso para mim já basta. E quando o tenho no sling sinto-me mais um bocadinho mamífero também. Sinto-me um canguru.

Imagem própria

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Blogue meu, blogue meu, existirá alguém mais poluidor que o meu filho?

Sou mãe há um mês e tenho de fazer a retrospectiva do lixo que o meu bebé faz. Como disse em muitas postagens cá em casa fazíamos cerca de um saco de lixo indiferenciado por semana, bem neste momento fazemos cerca de quatro sacos no mesmo espaço de tempo. Sim, três pessoas faziam um saco, quatro pessoas quatro sacos, ou seja há uma pessoa com cerca de quatro quilos que faz três sacos de lixo. Isto é um exagero.

Na primeira semana de vida do Luís como estive internada no hospital usei tudo descartável, minha culpa, minha culpa, mas acho que não teria aguentado se fosse de outra forma. Quando chegámos a casa começámos a usar toalhitas de pano (sempre, sempre, sempre) e às vezes fraldas de pano (só algumas vezes, porque só tenho dez fraldas de pano que posso usar com a máxima confiança, ou seja tamanho recém-nascido, as restantes são muito grandes).

Assim até este momento, toalhitas descartáveis só usou no hospital, tenho ainda aqui em casa uns três pacotes que foram oferecidos e serão usados em qualquer eventualidade, mas pouco usados que o meu bebé tem tendência a assar. Relativamente às fraldas descartáveis até este momento, pelas nossas contas em trinta dias usámos cerca de 120 fraldas descartáveis. Sim é mesmo imenso, dá uma média de quatro por dia. Não esquecer que a primeira semana foi só a descartáveis. Mesmo assim quatro fraldas descartáveis por dia, significa que uso em média quatro fraldas de pano por dia, contando que mudo a fralda no mínimo oito vezes por dia. Às vezes é bem mais.

Além disto, o aumento no meu lixo deve-se ainda ao facto de utilizar para o bebé alguns discos de algodão e compressas (sobretudo quando ainda não tinha caído o cordão umbilical, agora raramente uso). E também os meus pensos higiénicos, sim tenho de me decidir a usar mesmo pensos de pano, mas queria passar esta primeira fase pós-parto.

Relativamente às toalhitas e fraldas de pano, lavo de dois em dois dias, máximo três em três. Mas normalmente tenho mesmo de lavar de dois em dois porque gasto as toalhitas todas nesse período, o meu stock são cerca de 70 toalhitas, ou seja gasto cerca de 35 toalhitas num dia. Será que sou eu que as uso demais? Se isto fosse em descartáveis, o meu lixo seria impensável.

O problema é que como depois as sujo todas e agora a roupa não seca tão rápido, a maioria das vezes tenho de as pôr na máquina de secar. Também não é muito sustentável, não é? Mas bem não é todas as vezes, muitos dias secam no estendal.

Mas bem, o meu Luís tem mesmo de crescer mais um bocadinho para usar em exclusivo as fraldas de pano de tamanho único, afinal tenho cerca de umas trinta, serão mais que suficientes. Talvez o meu lixo volte à normalidade.

Já agora a nível prático e para quem tem dúvidas, usar toalhitas de pano não dá mesmo qualquer trabalho. Aliás, acho que limpo o rabinho mais rápido do que com as descartáveis, pelo menos com as toalhitas que tenho. Em relação às fraldas de pano, depende do sistema das de pano, as descartáveis dão menos trabalho é verdade, mas as de pano também não dão trabalho por aí além e para mim a causa ambiental compensa.

Imagem retirada de http://tiniestsocks.com/2013/02/02/the-diaper-dilemma/


Para finalizar, além do aumento do lixo indiferenciado, também a reciclagem aumentou imenso com a chegada do Luís. Não que ele utilize diariamente embalagens. Mas só as prendas que tem recebido têm sido suficientes para aumentar a nossa quantidade de resíduos para a reciclagem. Afinal não há roupa ou brinquedo que não venha envolvida em milhares de embalagens, sem contar com os papéis de embrulho. Para o Natal do próximo ano acho que vou ser contra os embrulhos, neste acho que já não vou a tempo.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Aleitamento materno

Sobre o aleitamento materno, tal como a DGS e outras organizações, considero que é o melhor alimento que podemos dar aos nossos filhos recém-nascidos. Considera-se que até aos 6 meses de idade, o bebé só necessita do leite materno para se alimentar. Eu pessoalmente acredito que a partir dos 4 meses se possa começar a dar sopa, mas que o leite materno deve ser predominante na alimentação do bebé.

Embora não seja especialista no assunto, o leite materno é muito melhor que os leites de fórmula, uma vez que transmite ao bebé benefícios nutritivos e imunológicos, este leite é de mais fácil digestão (eu comprovei esta realidade com o meu bebé que tomou suplemento durante um dia e meio). Além disto favorece o contacto entre mãe e filho, os bebés sentem mesmo esta necessidade de contacto. E para finalizar o aleitamento materno ainda é melhor para a mãe, uma coisa que eu não sabia é que a estimulação mamária faz o útero voltar ao seu lugar e tudo correr melhor na recuperação pós-parto.

A natureza é mesmo perfeita, mas toda a bela tem o seu senão.

A amamentação para mim tem sido uma tragédia, sim mesmo mau. Primeiro quando ele nasceu não pegou na mama, mediram-lhe a glicemia e como estava alta disseram que nas primeiras horas ele não precisava de alimento. E assim foi.

O problema é que entretanto precisou, mas não fez a pega correcta, conseguiu macerar-me os mamilos, fiquei com dores horríveis. Então comecei a dar com mamilo artificial, a coisa corria melhor, mas mal na mesma, a pega continuava a não estar certa, ele engolia muito ar e tinha muitas cólicas. Além disto, o meu leite verdadeiramente ainda não tinha subido, o que eu tinha era quase nada. Ele tomou suplemento durante um dia e meio e eu comecei a estimular a mama na bomba. E aí foi o caos, o leite subiu todo, o peito ficou ingurgitado, nem uma pinga de leite saía. Tinha imenso leite, mas sair que é bom, nada. E por isso lá tive de permanecer mais dias no hospital até resolver a questão. Foram as piores dores que tive na minha vida. Mas lá se resolveu. De qualquer forma continuei sem conseguir dar mama directamente no meu mamilo (só agora percebi porquê) e continuei a usar o artificial.

Nisto vim para casa, ao fim de quinze dias comecei com febre, fui à urgência e tinha outra mastite. Na mesma altura nas pesagens semanais do Luís percebeu-se que ele está a engordar muito pouco. E qual o motivo?

Exacto, ele continua a fazer uma má pega. Logo mama muito tempo, mas mama pouco leite e aleija-me e eu fico dorida e formo mastites e coisas do género. A médica de família explicou-me como se faz a pega correcta, mas eu não consigo fazer em casa. Qual a solução?

Não sei se será a solução, mas segunda-feira vou a uma consulta de apoio à amamentação, espero que isto me salve. Já sofri tanto com esta história, ainda por cima sofro para ele se alimentar mal, eu pensava que sofria mas que ele se alimentava bem. O mais fácil era desistir, secar o leite e começar a dar leite de lata. E muitas vezes já estive tentada a tal, agradeço muito a todas as pessoas que me têm apoiado a continuar a dar o meu leite. Entretanto, se está consulta de apoio à amamentação não resolver o meu problema, talvez eu desista mesmo. Mas eu não quero dar leite de lata, eu quero dar o meu leite.

No outro dia estava a ler no site da DGS que cerca de 90% dos recém-nascidos saem do hospital a beber leite materno, ao fim de um mês esse valor passou a 50% e aos três meses a quantidade de bebés que bebe leite materno é muito reduzida.

O desconhecimento das pessoas sobre o leite materno é imenso. Primeiro, não existem mulheres que não tenham leite, não existe leite fraco (são raríssimos os casos que o leite materno não tem tudo o que o bebé necessita) e a mulher não deixa de ter leite. O que acontece é que a falta de apoio e de informação faz com que grande parte das mulheres desista (e sim, eu ainda equaciono desistir), porque amamentar não é algo intuitivo, é-o para algumas pessoas, mas há imensos problemas os quais podem passar pelo próprio bebé como o caso do meu. Claro que depois há casos de mulheres que não amamentam porque não querem e estão no direito delas.

Mas considero que devia de existir conselheiras de aleitamento materno no sistema nacional de saúde, as pessoas precisam de acompanhamento. Eu tive sorte tantos com as profissionais que apanhei no hospital como com a médica de família, todos sempre me incentivaram a dar o meu leite. Mas uma pessoa menos informada que apanhe um profissional que lhe diga para secar o leite e dar leite de lata, vai fazer o quê?

E bem pode parecer, mas não sou fundamentalista. Afinal, eu desde o primeiro dia da minha vida que sempre bebi leite de lata, porque secaram o leite à minha mãe mal eu nasci. E secaram-lhe o leite porque trocaram umas análises no laboratório e apareceu que ela tinha uma doença infecto-contagiosa e não tinha, acho que isto traumatizou-me. Mas a verdade é que eu cresci saudável, inteligente (cof cof) e esbelta (cof cof), bem cresci, mas pouco, 1,52m, se tivesse bebido leite materno quem sabe se não teria 1,53m...

Além disto, é óbvio que é melhor dar leite materno, não só para o bebé e para mim como para o ambiente, afinal é produção caseira. Se eu continuar a dar leite materno, olhem só a quantidade de latas que não vou usar e deitar fora.






Imagem retirada de https://comunidadeams.wordpress.com/page/15/


sábado, 28 de novembro de 2015

Influência do marketing e publicidade na nossa vida: as cores e os bebés

Mais uma vez vou falar das roupinhas de bebé e das cores. Como já deu para perceber nas publicações que fiz: É menina ou menino? e Feminismo, licença de paternidade, o homem e a família, eu sou completamente contra a diferenciação de género. Sobretudo em bebés, esses seres puros que nascem sem preconceitos, mas que são logo atirados a todo o tipo de preconceito e mais algum.

Durante a gravidez foi complicado explicar que tanto me fazia ter um menino ou uma menina. E ainda mais difícil as pessoas aceitarem que eu não soubesse o género, porque isso significava que não me podiam dar nada porque não sabiam o sexo da criança. Eu expliquei milhares de vezes que prefiro coisas neutras, amarelo, branco e verde. Não queria, até porque não gosto muito, coisas cor-de-rosa e azuis, mas isso foi um grande problema. De tal forma que muita gente esperou até ao nascimento para comprar alguma coisa, porque mais vale comprar coisas de cores que os pais não gostam, do que vestir uma criança com a cor errada, não vá o pobre bebé ficar confuso.

É uma ideia que acho parva, mas ainda consigo tolerar de família e amigos. Mas apenas destes, quando essa ideia vem de pessoas de fora torna-se pior.

E assim ainda antes de ter o bebé fui comprar uns babetes para bordar aqui à retrosaria perto de casa. Mas não eram para o meu bebé, eram para oferecer. E lá tive de levar com a intromissão e moralidade da vendedora. Discurso:

Vendedora: Então o que queres?
Eu: Queria uns babetes para bordar.
Vendedora: Mas já sabes o que é?
Eu: Não, mas os babetes também não são para mim, são para oferecer.
Vendedora: E é para um menino ou menina?
Eu (idiota que ainda respondo): São dois meninos e uma menina.
Nisto a vendedora começa a fazer duas pilhas de babetes cor-de-rosa e azuis.
Eu: Mas já não tem daqueles verdinhos como levei da outra vez?
Vendedora: Então mas tens aqui os rosa e os azuis, se sabes o que é podes levar estes.
Eu: Mas eu não gosto destas cores, prefiro verdes ou amarelos.
Ficou com uma cara incrédula e lá me mostrou uns amarelos, já não tinha verdes. E pronto lá escolhi os babetes.
Eu: E estas toalhas de banho dão para bordar?
Vendedora: Dão, mas só tenho azuis, se é para o teu bebé neutras só tenho estas.
Neste momento já eu estava a ficar irritada com a história das cores e disse que não gostava das amarelas que ela mostrou, mas até gostava da azul, mas decidi não comprar e fui embora.

E diga-se passagem não sei se volto lá a meter os pés. Afinal, eu enquanto consumidora não tenho direito a ter os meus gostos? Eu que sou grande defensora do comércio tradicional, percebi que este pode ser problemático quando as vendedoras acham que por nos conhecerem há anos podem dar palpites sobre o que devemos comprar.

A verdade é que eu não desgosto totalmente do rosa e do azul, embora também não goste muito. Mas está tão, mas tão enraizada a ideia que essas cores têm de ser associadas a um género que prefiro nem ter nada assim. Um dos principais motivos é que eu quero ter mais filhos e quero aproveitar tudo, quanto mais neutro mais fácil. As coisas vão ser usadas tão pouco tempo que prefiro saber que são coisas que vou reutilizar independente do género de um hipotético segundo filho.

Não que eu me importe de vestir um menino de rosa ou uma menina de azul, mas se é já é difícil aturar críticas no abstrato, imaginem o que é aturar críticas no concreto. O que me pergunto muitas vezes é se as pessoas não se perguntam o porquê? Porquê estes estereótipos? E a resposta está aqui Por que rosa é cor "de menina" e azul, "de menino"?.

Percebem? Não há nada que leve a esta diferenciação, apenas o marketing e a publicidade sentiram necessidade de diferenciar. E para quê? Para venderem mais e mais.

Eles decidem e as pessoas comem tudo, sem reclamar, sem contestar, sem pensar.

No grupo das fraldas reutilizáveis que frequento existem mães que vendem fraldas em 2ª mão porque tiveram um menino e agora vão ter uma menina (ou vice-versa) e acham que os padrões não se adaptam. No caso das fraldas ainda por cima, estamos a falar de peças que andam tapadas.

Vendem fraldas em 2ª mão e acabam por comprar fraldas novas muitas vezes, por uma questão estética. Claro que as marcas agradecem, mais produzem, mais vendem, mais ganham... E nós mais consumimos, diariamente a consumir. Porque a publicidade e o marketing fazem-nos crer em coisas sem qualquer sentido. As marcas ditam regras e nós parecemos alucinados que não conseguimos pensar pela nossa própria cabeça. Fará isto qualquer sentido?

Eles querem vender e vender... e nós queremos ser consumidores e pessoas aceites pela sociedade, um bando de cordeirinhos. E surge mais uma vez o velho ciclo, mais consumimos, mais lixo produzimos, mais embalagens, mais viagens, mais energia.

E não é só nisto das cores das roupas dos bebés, mas como é isto que ando a viver mais de perto é a isto que tenho prestado mais atenção.

Imagem retirada de http://arosredondos.com/2014/10/22/weareblueandpink/

Já agora leiam a publicação de onde tirei esta imagem, fico contente porque há mais gente a pensar como eu: Rosa de menino, azul de menina.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Presentes de Natal

E hoje falta exactamente um mês para a véspera de Natal. Para o dia que todos damos presentes, recebemos presentes e tal. Eu gosto da ideia de dar presentes no Natal, a ideia de trocar presentes como simbologia. Dar algo porque nos lembramos daquela pessoa. Por isso mesmo nunca gostei de receber dinheiro, nem gosto da ideia que algumas famílias têm de apenas dar presentes às crianças. Porque numa família acho que todos têm direito a receber um mimo e uma lembrança.

E os presentes de Natal não precisam de ser coisas espectaculares e caríssimas, adoro aquelas pequenas lembranças, sim sou daquelas que gosto de receber pares de meias, aliás sempre gostei. Os presentes de Natal devem ser lembranças, simples e sinceras.

Assim, gosto do Natal nesse sentido, mas não gosto muito do consumismo exagerado, dos anúncios e tenho horror a centros comerciais nos dias anteriores ao Natal. Há uns dois anos lembrei-me de ir à ToysRus na antevéspera de Natal comprar a prenda para a minha sobrinha e jurei para nunca mais.

Nos últimos anos quase sempre dou algumas lembranças feitas por mim, frascos de doce, chutney, bolos (sim já dei bolos) ou caixinhas que pintei. Acho sempre que as pessoas nunca ficam a pensar "wow que bom um doce", mas pronto, eu dou o que acho que devo dar e pronto. Este ano, ainda, tenho dúvidas se vou conseguir fazer o que quero dar a tempo, se conseguir depois mostro.

Mas se eu sou contra o consumismo desmedido como posso estar aqui a incentivar as prendas? Pois, por isso mesmo, acho que podemos dar prendas sem tentar que seja um consumismo louco. E, normalmente sigo algumas ideias:

  • Oferecer mesmo algo que a pessoa precise ou queira muito: até pode ser algo pouco amigo do ambiente e que venha da China, se sabemos de antemão que determinada pessoa vai mesmo comprar aquilo podemos sempre oferecer;

  • Oferecer lembranças feitas por nós: estas lembranças podem ser mais ou menos ecológicas, depende do que fizermos, eu quando ofereço os doces estou a reutilizar frascos, logo acho que até contribui para a redução do desperdício. Mas também podemos fazer coisas com materiais comprados, neste caso, estamos a dar o nosso cunho pessoal e a mostrar à pessoa que fizemos algo para ela em concreto, acho que isso é o espírito natalício;

  • Oferecer produtos alimentares produzidos em Portugal: estes presentes têm realmente uma função, sabemos que as pessoas os vão comer, logo não vão (em princípio) ficar esquecidos em qualquer canto durante anos. Ao escolhermos produtos feitos em Portugal estamos a divulgar os produtos endógenos e a estimular a economia e ainda contribuímos para a menor importação (e consequente poluição) de produtos vindos do outro lado do mundo. Por exemplo, o meu namorado costuma muito oferecer garrafas de vinho, uma lembrança barata, nacional e que sabe que as pessoas lhe vão dar uso. A ideia é só dizer "lembrei-me de ti". Há uns anos andei a oferecer uns pacotes super fofinhos da Loja das Conservas, quem é de Lisboa passe por lá ou pela Conserveira de Lisboa, de certeza que vão encontrar algo para alguém;

  • Oferecer produtos artesanais: o que não falta nesta altura do ano são pequenas feiras de artesanato por aí, nada ao nível de cidades como Londres, mas pronto já temos várias. Ao comprarmos produtos artesanais estamos a dar presentes únicos e a ajudar pequenos artesãos, os quais nem sempre têm facilidade de vender numa economia super competitiva;

  • Oferecer livros: convém que seja a alguém que goste de ler, pode não ser o presente mais ecológico, mas um livro é sempre uma viagem e sempre uma mais-valia, os livros podem viver anos e tornar gerações felizes;

  • Oferecer plantas: se temos dúvidas do que oferecer a alguém, uma planta é sempre uma boa ideia, mas assim uma planta num vaso, podemos evitar os ramos bonitos que dali a uns dias já estão mortos. Oferecer uma planta é oferecer vida a uma casa;

  • Oferecer presentes solidários: estes presentes possibilitam-nos oferecer algo a alguém querido e ajudar outro alguém, estou a lembrar-me por exemplo dos presentes Unicef que até se costumam vender nos supermercados, mas há muitas mais instituições, por exemplo há uns anos comprei para mim uma tshirt do loja do Movimento ao Serviço da Vida. Adorava a tshirt, aliás ainda a tenho, mas acho que nunca mais me vai voltar a servir. Mas há muitas mais instituições que fazem estes produtos que podem ser bons presentes;

  • Oferecer bilhetes para espectáculos ou outras actividades: outra coisa que vou tendo por hábito oferecer, claro que não a toda a gente, depende das pessoas, mas volta e meia lá ofereço, são bilhetes para teatro, o único problema às vezes é escolher as datas. Não estamos a oferecer um bem material, mas estamos a oferecer uma experiência, acho que é algo bem positivo. No caso do teatro estamos também a divulgar e apoiar a cultura;


E assim de repente são estas as possibilidades que acho que podemos pensar neste Natal, de forma a termos um Natal com um menor consumo, menos materialista e com menor acumulação de resíduos e consequentes danos ambientais. Alguém sugere algo que não me tenha lembrado? Claro que o menor consumo possível é não oferecer nada a ninguém, mas um mimo nunca fica mal.


Costumo, normalmente ter estes pensamentos em mente para as prendas de Natal, aliás para o que dou na generalidade. Mas nem sempre é fácil até porque muitas vezes as pessoas esperam receber bens materiais. E como eu não sou também sempre 100% ecológica e cumpridora, muitas vezes lá ofereço um presente mais materialista, consumista e capitalista.

Imagem retirada de https://karinebre.wordpress.com/2012/12/20/reflexao-de-final-de-ano/consumismo-natal/

Vamos reflectir sobre isto? Ainda temos um mês.

domingo, 22 de novembro de 2015

Produtos de limpeza: o que sei e o que não faço

Tal como os Produtos de higiene e cosmética, também os produtos de limpeza estão cheios de químicos que fazem mal ao ambiente e à nossa saúde. Com um problema adicional, se repararem nas etiquetas destes produtos quase nunca consta a composição dos mesmos (a não ser que sejam altamente perigosos). O que torna muito mais difícil para nós, simples consumidores, termos ideia do que estamos a utilizar.

Mas se é verdade que já me fui rendendo aos produtos de higiene ecológicos, o mesmo ainda não aconteceu relativamente aos produtos de limpeza. E porquê? Sobretudo por causa do preço. É a grande realidade. Embora também seja verdade que cada vez encontramos produtos de limpeza amigos do ambiente mais em conta.

Assim continuo a utilizar os produtos comuns, com excepção do detergente de loiça que por vezes compro ecológico e de outra excepção que vou referir mais à frente.

Os produtos comuns a nível ambiental são prejudiciais sobretudo para a água, uma vez que a contaminam. Como já referi noutras publicações, mesmo com o tratamento das águas residuais nas ETAR, a água devolvida ao ambiente natural pode ter sempre vestígios destes produtos. No entanto, como sabemos nem toda a água é tratada, quer porque nem todos os sítios estão ligados a esgotos, quer porque nem todos os esgotos estão ligados a ETAR e, ainda, porque podem sempre haver perdas pelo meio.

Ao serem prejudicarem a qualidade da água vão também ser danosos para os animais, por exemplo as gaivotas. Mas as gaivotas voam!? Sim, mas também mergulham. Mas como não sei explicar bem o efeito, embora o compreenda, prefiro remeter para Sabões, detergentes e seus impactos no meio ambiente do blogue brasileiro eCycle.

A utilização destes produtos também prejudicam a qualidade do ar, o que é agravado com a mistura de alguns produtos de forma errada. O que acaba por nos prejudicar a nós e aos outros seres vivos. Por este motivo também é importante que tenhamos plantas em casa que equilibrem a qualidade do ar como referi em Plantas - purificadoras do ar.

Desta forma e como não conhecemos a composição química dos produtos (mesmo que eu conhecesse, não entendia) temos de ter cuidado com a mistura indiscriminada destes. E também com o seu o aquecimento, uma vez que podemos estar a potenciar a libertação de gases, prejudicando o ambiente.

Assim, o que podemos fazer para diminuir os estragos que estes produtos fazem ao ambiente e à nossa saúde? Na minha opinião podemos:

  • Utilizar menos produtos: embora todos os dias apareçam produtos milagrosos, não precisamos de um produto de limpeza diferente para todos os cantos da casa, se calhar dois ou três produtos são suficientes. Desta forma, não há o perigo de os misturarmos, podendo causar reacções estranhas e pelo menos diminuímos o consumo desenfreado de embalagens (não vale a pena comprar um produto específico que só vamos utilizar uma vez);
  • Utilizar produtos naturais: muitas vezes podemos utilizar apenas produtos naturais como o vinagre, limão ou bicabornato de sódio. Já experimentaram limpar o fogão com vinagre e bicabornato de sódio? Sai a gordura toda, mas cuidado que a mistura dos dois faz reacção. E fica um bocadinho a cheirar a vinagre. Outra coisa que podemos fazer com vinagre é limpar a caldeira do ferro de engomar, funciona, o calcário desaparece. E há muitas outras coisas, a internet está cheia de soluções;
  • Utilizar as quantidades certas: esta medida ajuda o ambiente e as nossas finanças, a sobredosagem acho que é um problema comum para muita gente. Vejo muito isso nas lavagens de roupa, leiam os rótulos, não vale a pena usar muita quantidade de detergente. Muita espuma não significa bem lavado;
  • Não limpar em demasia: esta é boa para pessoas como eu que não gostam de limpar, mas a sério, é necessário estar tudo a brilhar? Claro que temos de manter a higiene, mas ambientes demasiado higienizados podem ser prejudiciais, acabam por inibir a produção e acção dos nossos anticorpos e diminuir a nossa resistência às bactérias e vírus. Além disso limpeza não significa um cheiro forte a perfumes artificiais (a mim fazem-me espirrar), limpeza significa que não há sujidade;
  • A água limpa: a ideia que devemos usar produtos de limpeza para tudo faz-nos esquecer que muitas vezes a água por si retira a sujidade, se a bancada da cozinha apenas tem migalhas ou um pingo de qualquer coisa, basta passar com um pano molhado;
  • Usar produtos ecológicos: o que já falei acima e não faço, mas que quero ver se começo a fazer, mesmo que não totalmente de uma forma mais constante.

Mas como eu disse rendi-me a outros produtos ecológicos, nomeadamente detergentes para a roupa do bebé. Não é que os bebés não possam usar os detergentes normais, podem, mas como ainda não sabemos como vai ser a pele do bebé, os primeiros produtos a utilizar devem ser o mais naturais possíveis. E isso quer dizer entre outras coisas produtos sem cheiros artificiais. Adoro estes detergentes que deixa a roupa toda a cheirar a nada, só a lavado. Adoro, de tal forma que volta e meia lá lavo a nossa roupa também com o detergente dos bebés.

Para a roupa de bebé comprei este da L'arbre Vert, basicamente escolhemos um detergente líquido que existe em qualquer supermercado. Os detergentes líquidos na sua generalidade cuidam melhor da roupa no que se refere à manutenção das cores. Enquanto os detergentes em pó são melhores para retirarem sujidade mais profunda.


Imagem retirada de http://www.greenweez.com/l-arbre-vert-lessive-liquide-concentree-pour-bebe-1-5l-p5944

E comprei este para as fraldas, já que vou lavar muito cocozinho. As fraldas devem ser lavadas com detergente em pó porque lava melhor e deixam os tecidos respirarem melhor. Por isso mesmo aconselham a lavar as fraldas com detergentes ecológicos, os quais não têm na sua composição agentes químicos que entupam os poros (pelos mesmo motivos não se devem usar amaciadores). O problema do entupimento dos poros neste tipo de roupa é mau, uma vez que tem de se manter as qualidades de absorção da fralda. Todavia, há quem use detergentes comuns em pó ou líquido para as fraldas e não tenha problemas, talvez apenas exista uma redução da durabilidade da peça.


Imagem retirada de http://www.eco-rabinhos.com/product/bio-d-detergente-em-po-para-roupa-2kg
Bem não estou a dizer que apenas vou utilizar detergentes ecológicos na roupa da criança, nas fraldas em princípio sim, aos poucos vou vendo. Mas sem dúvida que estes dois que experimentei são bastante bons. Agora vamos vendo, mas adoro esta roupinha sem cheiros artificiais. Aliás como diz a enfermeira das minhas aulas de preparação para o parto: "O bebé não deve cheirar a perfume, deve cheirar a bebé, ao seu cheiro".

Em conclusão, acho que devemos utilizar mais produtos ecológicos, mas como nem sempre as nossas finanças permitem, os principais passos é usar menos produtos, usar as quantidades correctas, usar em algumas limpezas fórmulas naturais e compreendermos que limpeza não significa muita espuma e cheiros artificiais. Assim poupamos o ambiente, a nossa saúde e a nossa carteira. Pode ser que até nos sobre mais dinheiro para comprar os produtos ecológicos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O meu stock de fraldas reutilizáveis

O meu stock de fraldas reutilizáveis está feito, apenas uns dias antes do bebé nascer, mas está feito. Já tinha referido esta minha escolha na publicação Fraldas reutiliáveis - a minha escolha. Na qual referi os tipos de fraldas, as vantagens e os grupos de facebook que me ajudaram a perceber melhor este mundo.

E assim fui fazendo o meu stock. E aqui está ele preparadinho.

Imagem própria
Adoro vê-las assim todas arrumadinhas. Agora vamos ver é se fiz o investimento certo, tenho um grande receio que não.

Porque basicamente comprei todas do mesmo tipo. Eu sei que devia ter diversificado, mas a verdade é que na teoria, as minha fraldas preferidas são as de Bolso.

Existem vários tipos de fraldas:
  • Planas (musselinas) e pré-dobradas: mais idênticas às antigas têm de ser usadas com capa;
  • Ajustadas e de contorno: uma fralda completa, mas sem impermeável têm de ser usadas com capa;
  • Bolso: fralda com um bolso onde se introduz um ou mais absorventes;
  • Tudo em um: idênticas às de bolso, mas o absorvente está cosido à fralda.
  • Híbridas: estas são as que ainda não entendi muito bem, mas penso que é tipo uma capa com um absorvente próprio que preenche todo o espaço da capa.

Mas que teoricamente me parecem melhor são as de bolso e porquê? São fáceis de pôr, podemos secar a fralda e o absorvente em separado (o absorvente demora mais tempo a secar que a fralda). Mas pelo que percebi algumas pessoas têm bastantes fugas. Mas como eu sou cabeça dura, não consegui resistir às minhas ideias que as de bolso são as melhores, vamos ver senão me arrependo.

Então o meu stock consiste em:


Recém-nascido
  • 8 fraldas híbridas da marca Close (mais 4 absorventes extra);
  • 1 fralda de bolso da marca Alva;
  • 1 fralda de bolso da marca Fuzzibunz.

Estas fraldas não vão dar para todos os dias de recém-nascido, mas não quis investir mais dinheiro nesta fase, porque tenho receio que o bebé nasça bastante grande e as use pouco tempo. Mas pronto, acho que vou ter de usar umas descartáveis também durante os primeiros tempos.



Maiores  

Neste caso são basicamente fraldas de tamanho único, as quais se ajustam através de molas, velcro ou elásticos.

  • 3 fraldas pré-dobradas Mita (estas são de um tamanho intermédio);
  • 2 fraldas ajustadas de bambu Alva;
  • 1 fralda ajustada InseVimse;
  • 15 fraldas de bolso B'bies;
  • 1 fralda tudo em um, em bambu da B´bies;
  • 1 fralda tudo em um da Totsbots;
  • 1 fralda de bolso da Wizard;
  • 7 fraldas de bolso da Alva;
  • 2 fraldas de bolso  da Little Lamb;
  • 2 fraldas de bolso da FuzziBunz (estas ajustam com elástico e parecem possíveis de usar num recém-nascido);
  • 1 capa Alva (acho que tenho de comprar mais umas duas capas).

Além das fraldas comprei vários absorventes extra em bambu, cânhamo, carvão de bambu, ou seja para todos os gostos. Espero é não ter feito uma grande burrice nestas minhas compras, a ver vamos. Comprei as fraldas todas em lojas online, com excepção das 2 fraldas de bolso Little Lamb; 2 fraldas de bolso FuzziBunz e da ajustada InseVimse que comprei em 2ª mão, mas que basicamente estão novas. É isso que me dá algum alento, se vir que o meu bebé não se adapta a estas fraldas posso sempre vendê-las como praticamente novas.

Devo ainda dizer que há umas capas lindas e dizem que super saudáveis e sustentáveis de lã. Lindas, lindas, mas têm de ser constantemente lanolizadas e bem não me senti preparada para tal. Quem sabe se tiver um 2º filho.

E agora deixo-vos umas imagens mas pormenorizadas das fraldas. Para quem vai ter filhos ou já teve e não usa fraldas reutilizáveis, pensem se as mais-valias para a saúde do bebé, para o ambiente e para a vossa economia não são suficientes para escolher este tipo de fraldas. Além disso são lindas. Querem ver?

A minha preferida, a fralda de Londres da Totsbots (eu adoro a cidade de Londres e apaixonei-me por esta fralda):

Imagem própria

E já que estamos no mês de Novembro, o qual é o mês da prevenção do cancro da próstata e que muitos homens se associam à ideia de deixar crescer o bigode para fazer sensibilização, mostro-vos esta fralda. A qual acho super fofinha e comprei em "honra" do bigode do meu pai:

Imagem própria

E agora, uma capa que não contabilizei acima. Esta capa de fralda era do meu namorado, ou seja já tem 31 anos e eu quero usá-la. Poucas vezes provavelmente, porque o tipo de tecido utilizado naquele tempo é demasiado plastificado, não deixando a pele do bebé a respirar tão bem. Mas se há 30 anos todos os bebés usavam este tipo de capa, acho que também a posso usar algumas vezes.

Imagem própria

E aqui estão as minhas fraldas para um bebé ecológico e giro. Aproveito para mostrar uma parte do stock de toalhitas que falei em Toalhitas reutilizáveis para bebés, tenho duas caixas de toalhitas destas grandes e a caixa pequena que é para levar na mala do bebé.

Imagem própria

 E já que estamos a falar de usar produtos reutilizáveis, também os protectores de mamilos podem e devem ser reutilizáveis, mas depois falo disso.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

100ª publicação - balanço

Esta é a minha 100ª publicação, o que significa exactamente que escrevo neste blogue há 100 dias. Um blogue é um sítio onde partilhamos as nossas opiniões sobre determinados assuntos ou mesmo sobre tudo. Partilhamos para os outros lerem, mas acima de tudo acho que as partilhamos connosco mesmo. O que eu quero dizer é que mesmo não tendo muitos leitores, o facto de escrever sobre estes temas tem sido bastante positivo.

Nestes dias, tenho-me apercebido que tenho imensa necessidade de escrever, de tal forma que todos os dias publico algo. Chego a ter mais de 10 mensagens programadas porque vejo sempre coisas que acho interessantes e sobre as quais me apetece escrever. E muitas vezes apetece-me escrever, mas não tenho tempo para escrever assim tanto.

O facto de escrever e depois ler faz-me pensar na mesma informação diversas vezes. Penso quando tenho a ideia, penso quando vou escrever, penso a escrever e depois quando leio. A arte de pensar é talvez a grande mais-valia do ser humano, nós pensamos e só assim conseguimos melhorar.

Ás vezes as pessoas dizem-me que gostam de ver telenovelas e reality shows para se entreterem e não pensarem na vida. Mas haverá algo mais produtivo do que pensarmos na nossa vida? Apenas o pensamento nos faz capaz de diagnosticarmos os problemas e encontrarmos as soluções. Talvez seja por isso que pouco ligo a televisão e quando o faço é para ver coisas que realmente acho que interessam para a minha vida, notícias ou documentários, um ou outro programa que me faça ainda pensar mais e não pensar menos.

Mas afinal o que eu tenho aprendido comigo mesma, com o meu blogue e com as coisas que leio e observo. Tenho sobretudo aprendido a conhecer-me, a traçar os caminhos daquilo que acho que é o mais importante para mim. É como uma fase de auto-conhecimento e introspecção em que o meu ser busca um contacto maior com a natureza e com a essência e os ciclos do mundo.

A compreensão que apenas serei mais feliz num mundo mais natural, mais calmo e mais justo. E que para isso aos poucos terei de me libertar de tudo aquilo que acho que prende actualmente o ser humano. A procura por um mundo mais natural que está incondicionalmente ligada ao desprendimento material.

Isto não significa que eu pense o mesmo daqui a dez anos ou que diga que seja capaz de viver fora da sociedade de consumo. Podemos viver dentro dela, sem necessariamente seguirmos todos os seus passos.

Para ser feliz, acho que tenho de me sentir mais livre... e tenho descoberto que a maior liberdade vem do nosso interior. Só quando somos livres e conseguimos nos afastar dos preconceitos, estereotipos e padrões da sociedade, conseguimos encontrar o nosso verdadeiro eu e aí percebermos qual o nosso caminho.

Infelizmente tenho-me apercebido como é difícil mudar os outros. Coisas simples do dia-a-dia parecem loucuras aos olhos da maioria. As pessoas parecem viver num mundo construído pelo ser humano, sem consciência de que vivemos num mundo onde somos apenas mais uma espécie. Talvez se achem a espécie dominante, mas esquecem-se que a natureza em todo o seu conjunto é mais forte que nós.

Decidi portanto não tentar mudar ninguém, o que não significa que não dê as minhas opiniões, dou. E normalmente a louca sou eu. Quantidade de resíduos feitos diariamente ou trabalhadores escravizados não parecem ser preocupação para a maioria das pessoas. A inteligência do ser humano é algo tão positivo e encantador como desconcertante e alarmante. Parece uma inteligência apenas capaz de melhorar a sua vida pessoal, sem qualquer respeito pelo ambiente, pelas outras espécies e sem respeito sequer pela sua própria espécie. O ser humano a tentar a todo o custo melhorar a sua vida consegue acabar com tudo à sua volta, acabando futuramente com os seus descendentes. E pior de tudo, se é um ser tão inteligente será que ainda não conseguiu perceber isso ou será que já conseguiu?

Mas por isso mesmo, prefiro não tentar mudar por palavras, mas acho que vou conseguindo aos pouco mudar alguma coisa por acções. Bem de vez em quando lá me saem palavras mais azedas.

Mas não me importo de ser louca ou extremista para alguns se essa loucura me faz bem. Prefiro ser anti-sistema do que adepta do sistema, ou ainda pior ser como a maioria das pessoas que conheço que estão contra o sistema, mas acham que é impossível ser de outra forma. Porque acham que antes deste capitalismo descontrolado todos os outros sistemas eram piores, então este é o menos mau. Mas porque não pode existir um novo sistema? Afinal antes do capitalismo ninguém sabia o que o capitalismo era. Antes de existir a ideia de república ou democracia, alguém sabia o que eram? O que eu quero dizer é que não entendo porque nem sequer consideramos a hipótese de existir algo melhor que o sistema actual, talvez algo desconhecido neste momento, mas que pode ser melhor. Pode não ser daqui a dez nem vinte anos, se calhar nem cem, mas o mundo está sempre em mudança constante. E essa mudança depende de nós.

As mesmas pessoas que me dizem constantemente que o mundo evolui e por isso é um disparate eu querer usar fraldas de pano são aquelas que menos me parecem aptas à mudança. O mundo evolui e há evoluções positivas e negativas, todas as evoluções que têm como fim facilitar apenas a vida de alguns seres humanos destruindo toda a natureza à sua volta não me parecem positivas. Se o mundo evolui, nós enquanto seres pensantes temos de ter capacidade para criticar essas evoluções. Não temos de aceitar tudo. Porque nem todas as evoluções são positivas e há mudanças se calhar muito mais essenciais para a continuidade da nossa vida neste planeta.

Se até Junho ou Julho já tínhamos consumido este ano todos os recursos que o planeta consegue repor no espaço de um ano, estamos mal, muito mal. Por enquanto, ainda temos reservas, mas a continuar a esta velocidade deixaremos de ter. Pior ainda é se nos lembrarmos que a percentagem de população que consome a maioria destes recursos é incrivelmente baixa. Não sei dados concretos, mas 90% dos recursos totais serão consumidos porque percentagem total de população mundial? 5%, 10%, 20%, não sei, mas não deve estar longe disso.

Podemos dizer que como todas as espécie lutamos pela nossa sobrevivência, mas possa, afinal para que nos serve a inteligência e o facto de pensarmos? Para pensarmos apenas em bens materiais? Os quais ainda por cima quase nunca nos trazem felicidade.

O que eu acho ainda mais intrigante é pessoas que passam a vida a acreditar que se fossem ricos seriam felizes. O meu pai é muito assim, se ganhasse o EuroMilhões isto, se ganhasse o EuroMilhões aquilo. Já lhe tentei explicar imensas vezes que ser rico não é ser feliz, afinal todo o dinheiro do mundo não traz felicidade. Podem dizer-me que ajuda, talvez, mas mesmo isso tenho cada vez mais dúvidas. Claro que ajudará a alguém que vive numa miséria extrema, mas quando a pessoa já tem uma vida normal não sei se a diferença será assim tão grande. Claro que pode permitir concretizar um ou dois grandes sonhos, mas a felicidade não são momentos isolados, a felicidade é um acto contínuo e esse vem de dentro. Apenas consegue ser feliz quem encontra felicidade dentro de si.

Para terminar esta minha exposição que já se encontra longa. Na cadeira de Deontologia do Urbanismo, nós tínhamos de definir a nossa perspectiva do mundo, naquele caso relacionado com o Urbanismo. Basicamente tínhamos de escolher se tínhamos uma visão antropocêntrica ou ecocêntrica. Como é de calcular todos nos definiamos como ecocêntricos porque o urbanismo não deve ter só em conta o ser humano. Todavia, tenho cada vez mais dúvidas que esta concepção seja realmente a que as pessoas na sua generalidade mais acham acertada. Aliás, mesmo dentro da concepção antropocêntrica deve existir para muitas pessoas uma grande hierarquia de humanos.

Imagem retirada de http://www.ecodebate.com.br/2012/06/13/do-antropocentrismo-ao-mundo-ecocentrico-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A alfarroba uma delícia saudável

A alfarrobeira é uma árvore selvagem de clima mediterrâneo. Em Portugal é sobretudo encontrada no Algarve (duas publicações seguidas em que falo desta região). O seu fruto, a alfarroba é uma vagem deliciosa e docinha, sim dá para roer assim as vagens.


Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfarrobeira

Cá em casa todos comemos alfarroba, bem todos menos a gata, comemos nós humanos e comem as cabras e as galinhas porque no Verão o meu pai costuma trazer alfarroba para eles das árvores do meu tio que mora Lagos. Até o cão come e para ele tanto lhe faz se é alfarroba em vagem, se é bolo ou pão, basta apanhá-la. Mas antes de o meu tio ter o terreno, já eu me tinha rendido à farinha de alfarroba.

A farinha de alfarroba é um óptimo substituto do cacau. Mas bem, o sabor é completamente diferente, no meu entender são ambos extraordinários e bons. Todavia, a alfarroba tem algumas vantagens, primeiramente é naturalmente doce, enquanto o chocolate só é doce porque adicionamos doce ao cacau. Depois, a alfarroba é um produto endógeno português, sim não viaja quilómetros para chegar à nossa mesa. A farinha de alfarroba que se compra é sempre biológica até porque é uma árvore selvagem, mas temos a garantia que não tem químicos e outras coisas. Além disso, comparativamente com o chocolate, a alfarroba é muito mais saudável.

Segundo este blogue, o cacau possuí 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais em torno de 38% a 45%. Assim, não necessita de se adicionar mais açúcares. A alfarroba é um alimentos saudável e de elevado valor nutritivo. Contém vitamina B1, vitamina A e vitamina B2, cálcio, magnésio e ferro e o correcto balanceamento de potássio e sódio. Não possui agentes alergênicos ou estimulantes, tais como a cafeína e teobromina presentes no cacau. Embora tenha uma elevada quantidade de açúcares possuí um baixo teor calórico devido à quantidade quase imperceptível de lipídeos e alta quantidade de fibras naturais.

Assim, é só vantagens em consumir alfarroba em vez de cacau, mas eu como sou gulosa continuo a consumir os dois.

Mas e o que faço como a farinha de alfarroba? Faço bolo, salame e pão. Sobretudo bolo. E foi isso que fiz agora, um saboroso bolo de alfarroba.





Imagem própria


Receita Bolo de Alfarroba (sei que tirei esta receita de um site qualquer, mas não sei qual)

Ingredientes:
  • 200g de açúcar mascavado;
  • 6 ovos;
  • 60g de farinha de alfarroba;
  • 180g de farinha de trigo com fermento;
  • 1 colher de chá de fermento em pó;
  • 250g de manteiga;
  • 100g de amêndoa triturada (desta vez troquei por sultanas);
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
Preparação:
  • Bata as gemas com o açúcar e adicione a baunilha e a manteiga (desta vez como não tinha 250g de um só tipo de manteiga, misturei margarida de soja, manteiga sem sal da mimosa e manteiga com sal milhafre);
  • Adicione as farinhas e o fermento à mistura anterior;
  • Bata as claras em castelo e adicione à mistura anterior até ficar bem fofinha;
  • Adicione as amêndoas (neste caso adicionei as sultanas e não pesei a quantidade, adicionei a olho);
  • Unte uma forma com margarina e polvilhe com farinha e deite a mistura;
  • Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até o bolo estar cozido.

Embora a receita original que eu vi levasse amêndoas, gostei bem mais com as sultanas. Às vezes é bom experimentar coisas novas. E o bolo está realmente delicioso, acho que foi o melhor bolo de alfarroba que fiz até agora ou então estava mesmo com muito desejo. Mas antes de o colocar no forno provei a massa crua e estava deliciosa parecia mousse. Estava tão boa que até me apetecia comer à colherada. Mas bem entretanto já tentei fazer mousse de alfarroba e abacate (ainda por cima o abacate importado do Perú) através de uma receita que encontrei na net e bem a mousse foi chumbada por todos cá em casa.

Como já referi, além do bolo, já noutras ocasiões fiz salame de alfarroba e pão de alfarroba. O salame é bom, mas acho que fica uns pontos abaixo do salame de chocolate. O pão de alfarroba é muito bom, mas embora eu goste de fazer pão, nem sempre tenho disposição para o fazer. Mas ainda hei-de escrever uma publicação só a falar de pão e de fazer pão. Deixo aqui só umas fotografias antigas, destas minhas lides culinárias.


Pão de Alfarroba
Imagem própria


Salame de Alfarroba (à esquerda) acompanhado na imagem por uma maravilhosa Sericaia
Imagem própria

A alfarroba é uma escolha saborosa, sustentável (produto endógeno e biológico) e saudável. Que mais podemos querer? Nas feiras de artesanato que costumam existir agora perto do Natal é muito comum encontrar produtos de alfarroba, biscoitos, barras de "chocolate", licores. Experimentem ou então comprem farinhas de alfarroba e façam em casa.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A OMS, a carne e o cancro

A semana passada instalou-se o pânico na comunicação social. Para variar as notícias são sempre dadas como se de repente tivesse começado a terceira guerra mundial. Aliás, eu já tinha lido a notícia, sobre a qual pensei "Grande novidade, não haja dúvida" e qual não foi o meu espanto quando foi notícia de abertura do telejornal.

A verdade é que a OMS depois de diversos estudos refere que o consumo de carne processada, bem como carne vermelha em geral, provoca cancro. Bem os meios de comunicação têm utilizado a palavra provoca, mas acho que a expressão mais aconselhada deve ser: aumenta a probabilidade de ter cancro.

Mas a sério que isto é uma novidade? Ok, podíamos não saber exactamente quais as doenças que o consumo de carnes processadas traz. Mas já sabíamos que fazem mal. Primeiro, porque todos os produtos processados são piores para a nossa alimentação do que os produtos mais naturais (frutas e vegetais, por exemplo), segundo porque a quantidade de gordura destes alimentos são enormes, terceiro porque os consumimos em excesso, quarto porque os animais utilizados são normalmente criados à base de uma alimentação com rações de crescimento e hormonas, etc, etc.

Aliás basta-nos olhar para a roda dos alimentos e apreciar que a fatia relativa às carnes e peixes é reduzida.


A nova roda dos alimentos
Imagem retirada de http://www.dgs.pt/promocao-da-saude/educacao-para-a-saude/areas-de-intervencao/alimentacao.aspx

Podem descarregar e consultar o documento da DGS relativo à nova roda dos alimentos neste link. Claro que depois a forma de cozinhar os alimentos também faz com que se devam comer mais ou comer menos, é diferente comer batatas cozidas ou batatas fritas, peixe cozido ou peixe frito. O que tem de ver com a gordura que adicionamos ao produto.

Mas mais uma vez digo que isto não é grande novidade, acho que sempre ouvi falar disto. Agora não é preciso tanto alarme. Não é por consumirmos carne processada que vamos certamente ter cancro, mas o consumo exagerado aumentará a probabilidade de o termos. E aí tem de entrar o nosso bom senso, se nem gostamos muito, acho que nem vale a pena comer, por exemplo eu não como fiambre e presunto, posso comer muito, muito eventualmente, mas não aprecio. Agora se gostamos, podemos comer de vez em quando. Mas claro, não devemos fazer diariamente salsichas só porque é rápido. 

Mas também, aquelas histórias que oiço como "ah podemos comer tudo, quem tiver de ter vai ter, olha o fulano sempre teve uma vida saudável e morreu novo e o beltrano sempre fez o que quis e viveu até os 80 e tal anos". Pois, estas histórias não são bem assim.

E aqui posso contar a história da minha mãe que morreu com 53 anos de cancro do pâncreas. Toda a gente me diz que era uma pessoa tão saudável e morreu tão nova? Será que era tão saudável assim? Ou as pessoas é que não têm noção do que é ser saudável?

Primeiramente, a minha mãe a nível genético já devia ter uma grande tendência para este tipo de doenças, grande parte das pessoas de família também tiveram este tipo de cancro. E com a genética não podemos fazer nada, até podemos ser a pessoa com os hábitos mais saudáveis do mundo, se os nossos genes não colaborarem é complicado.

Depois é verdade que a minha mãe não bebia álcool nem nunca fumou. Mas em contrapartida, durante mais de vinte anos trabalhou num café, ambiente fechado, onde todos os dias imensas pessoas fumavam. E enquanto elas saiam e entravam, a minha mãe permanecia naquele ambiente.

Depois comia muita fruta e legumes, sim, mas grande parte dos dias à hora do almoço comia o que havia no café. Quando não sobrava nada, a solução era comer um bife ou bifana com batatas fritas. Quantas batatas fritas naqueles óleos usados mais que uma vez ela consumiu na vida? Não sei, mas muitas.

Além disto, como trabalhava imenso, descansava pouco, o descanso também é essencial para nós. O ser humano tem de descansar, não somos eternos, por isso acredito que devemos ter uma vida muito mais lenta e sem stress, mesmo que isso nem sempre seja fácil.

Outra coisa, quando lhe doía a cabeça tomava um Dolviran, afinal tinha de lhe passar rápido aquela dor. Esta é outra coisa que sou completamente contra, tomar comprimidos assim que nos dói qualquer coisa. Os comprimidos são drogas e devem ser tomados em caso de grande necessidade, normalmente por isso são prescritos, os que não necessitam de prescrição devemos tomar com conta peso e medida. Para mim isso significa, só tomar quando não conseguimos mesmo aguentar a dor.

De qualquer forma ter uma vida mais calma e uma alimentação melhor ajuda a não termos tanto dores.

O que eu quero dizer em relação à minha mãe é que para a generalidade das pessoas ela tinha uma vida e alimentação saudável. Mas não tinha. A nossa consciência sobre o que é ser saudável é que está meio deturpada. Por isso quando me dizem que determinada pessoa sempre foi saudável, será que era assim tanto?

E com isto, nem estou a dizer que faço uma alimentação extraordinariamente saudável. Apenas digo que devemos ter consciência daquilo que de facto fazemos e do que devíamos fazer. Agora claro, há pessoas que fumam a vida inteira e os pulmões estão impecáveis e outras que nunca fumaram e têm cancro do pulmão. Mas como se sabe, não são só os nossos hábitos alimentares e a nossa genética que contam. Existem outras fontes às quais estamos expostos, poluição, gases, certos tipos de trabalho, por exemplo o trabalho em minas. Tudo isto é demasiado complexo para podermos avaliar porque determinada pessoa tem ou não tem a doença. Mas se as quisermos evitar devemos sim, ter atenção ao que comemos e ao que nos expomos.

Neste caso das carnes processadas ou alimentos processados em geral também devemos evitá-los, mas não entrar em alarmismo. Se gostamos realmente muito, porque havemos de os cortar de todo? A comunicação social devia informar pela positiva e não criar pânico.

A nível ambiental e de resíduos, claro que a diminuição do consumo de carnes processadas e de alimentos processados é bastante positivo. Reduzimos na quantidade de energia, transportes e embalagens utilizados o que traz grandes vantagens.

Comer alimentos mais naturais como as frutas e os legumes é ser mais saudável e mais sustentável.

Como já referi noutras postagens, Animais - o caso das galinhas e Alimentação - o meu calcanhar de Aquiles, nem sempre faço a alimentação mais saudável possível, mas tenho consciência do que faço. Em contrapartida, já referi na publicação Fruta como adoro este alimento o que me permite compensar bastante a minha alimentação. Mas mais uma vez, no que se relaciona com o cancro não é só aquilo que comemos que nos faz mal, há outras coisas a ter em conta como os Produtos de higiene e cosmética, bem como os de limpeza, dos quais ainda não falei.

O que devemos ter sempre em mente é que quanto mais naturais forem as nossas escolhas, mais saudáveis e sustentáveis seremos. Acho que é uma boa ideia.

Agora claro, não nos podemos esquecer que temos de morrer algum dia, é impossível evitarmos eternamente todas as doenças. No meu entender e como gostaria de viver muitos anos, porque gosto realmente de viver e tenho receio que estes genes herdados sejam marotos, acho que devo tentar ser mais saudável. No entanto, acho que não posso passar a vida alarmada com essa ideia, é ir vivendo e diariamente fazer as minhas escolhas.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Chá de bebé não é para mim

Esta minha publicação é agendada como, aliás, quase todas. Hoje, dia 5 de Novembro falta exactamente uma semana para a data prevista do meu parto, ou seja, faço hoje 39 semanas de gestação. Parece que já se encontra tão distante o dia 14 de Março quando o teste da farmácia deu positivo e ao mesmo tempo parece que foi ontem.

Quando esta postagem for publicada até já posso ter tido o bebé ou quem sabe estar na sala de parto. Vamos ver, espero que depois do nascimento ainda consiga manter a minha ideia de fazer uma publicação por dia.

Neste momento já aqui falei de alguns assuntos relativos ao bebé, nomeadamente a minha escolha por fraldas reutilizáveis (ainda pretendo fazer uma publicação com o meu stock e as primeiras experiências) e por toalhitas reutilizáveis. Neste momento que vos escrevo já tive diversas aulas de preparação para o parto e já visitei o hospital, a enfermaria e o bloco de parto. Pretendo posteriormente contar-vos a minha experiência no sistema nacional de saúde, mas vamos esperar pelo parto para depois contar tudo. Também já falei sobre os brinquedos e sobre roupa do bebé. Mas acredito que depois do bebé nascer vá falar de muitas mais coisas.

Mas como é comum em todas as coisas na vida, tendencialmente não sou uma pessoa que goste ou aprecie aquilo que a maioria gosta. Não quero com isto dizer que sou super diferente e original. Mas é verdade, os meus gostos e forma de ver e encarar o mundo não costumam ser iguais aos da maioria das pessoas. E isso nem é melhor, nem pior, é o que é. Aliás é tão verdade que não há por aí muita gente que passe a vida a escrever sobre lixo, não é?

Podia enumerar várias coisas das quais não gosto e que admiram muita gente. Mas aqui para o caso não interessam, por isso, vamos ao ponto incompreendido pela maioria das pessoas (isto para já não falar do sexo do bebé).

Eu não fiz, não gosto, nem nunca pensei fazer um chá de bebé ou baby shower como preferirem chamar. E há quem não leve isso à paciência.

Pensar em reunir-me com umas quantas raparigas, mais ou menos amigas (não gosto de reuniões ou festas que à partida são só para mulheres) para falarmos de bebés, fazermos jogos e receber prendas não é de todo uma coisas com a qual eu fique muito entusiasmada.

E foi basicamente isto que eu disse a duas amigas que nos primeiros meses me perguntaram se eu ia fazer chá de bebé. Uma delas ficou intrigada, como senão me conhecesse há mais de vinte anos, a outra teve um argumento extraordinário: "Mas o baby shower é óptimo para receberes prendas", o qual eu contra-argumentei com a seguinte frase, "Quem quiser e realmente estiver interessado em me oferecer alguma coisa pode oferecer na mesma".

Parece aquelas pessoas que argumentam comigo que eu me devia casar para receber dinheiro. Argumentar comigo que eu devo fazer qualquer coisa para receber dinheiro ou prendas é como perder o jogo logo à partida. É estar a aliciar-me para algo a que no fundo não dou assim muito valor.

Mas esta minha amiga não satisfeita, volta e meia, quando eu dizia que tinha de comprar alguma coisa ou estava a pensar em alguma coisa dizia-me, "Vês se tivesses feito o baby shower agora já tinhas isso". Normalmente dizia-lhe que deixe estar, se eu precisar muito, eu compro.

E é isso, para mim o dinheiro não tem outra função que não seja gastá-lo no que for necessário. Claro que o devemos saber gerir e poupar, mas se precisar de alguma coisa e precisar de comprá-la, não tenho problemas, compro. Se na altura não tiver dinheiro, espero e depois compro. Se for uma coisa urgente, hei-de conseguir cortar nalguma coisa para que sobre. Se isso não acontecer, logo se vê. Mas quem não dá muito valor aos bens materiais também acha que nunca precisa assim de tanta coisa e consegue viver com menos.

Nas coisas do bebé gastámos muito dinheiro é verdade, tentamos reaproveitar algumas coisas, comprar o essencial ao início e aos poucos fomos tendo as coisas necessárias. Comprámos tudo tentando aliar algumas promoções e sem loucuras, a única coisa que podíamos ter comprado mais barata e optamos por uma mais cara só por questão estética foi a mala do bebé. O resto fomos sempre numa perspetiva de simplicidade e de não entrar em exageros.

No entanto, mesmo sem baby shower deram-nos bastantes coisas, quer novas, quer em segunda mão. Quem quer dar, dá sempre, penso eu. Não gosto de me sentir obrigada a dar nada, da mesma forma que não gosto ninguém de se sentir obrigado a dar-me o que quer que seja. Acho que a acção de oferecer deve estar associada ao gosto em dar e não à obrigação.

Gosto de receber prendas, não digo que não, mas prefiro que um dia alguém apareça cá em casa com uma prenda simples, às vezes pessoas que eu nem estou à espera que me dêem nada. Ainda hoje, uma senhora que tem aqui uma loja na minha rua deu-me uma manta para tapar o bebé feita por ela, uma senhora que normalmente apenas cumprimento quando a vejo. Isto é um sinal de amizade e carinho muito para além do bem material, eu fiquei feliz e comovida. Estas pequenas lembranças valem-nos um sorriso de agradecimento muito superior a sermos inundados de prendas porque decidimos organizar um baby shower. É a minha opinião.

Depois essa minha amiga disse-me várias vezes que o chá de bebé era ideal para oferecerem pacotes de fraldas. O que para mim não é grande perda, já que não estou a pensar em comprar. Mas eu já lhe disse que se ela quiser comprar fraldas pode sempre comprar-me uma fralda reutilizável. Mas ela acha o conceito ultrapassado, afinal segundo ela "Os Tempos Evoluem...". Tenho sem dúvida de fazer uma publicação sobre os tempos que evoluem e o que é a evolução.

Mas quem gosta do conceito, força, acho que sim. Mas não é um conceito para mim. Por exemplo, decidi fazer um jantar com antigos colegas da faculdade antes de ter o bebé, já que depois é mais difícil. Fomos jantar, mulheres e homens, conversámos sobre o bebé, sobre os tempos de faculdade, sobre a actualidade política, sobre o que nos apeteceu. E não me deram nada e eu vim bastante contente. Faz-me sentir que além de futura mãe continuo a ser uma pessoa normal com interesses para além do bebé.

Já ouvi algumas pessoas que organizam chás de bebés para grávidas sem que elas estejam à espera, isso até acho uma ideia engraçada. É como organizar uma festa surpresa qualquer. Mas podem os chás de bebés ter homens e mulheres e a não-obrigação de presentes? É que se puderem até acho mais interessante. No fundo, ser uma confraternização normal? Sim que o assunto bebé vai estar sempre presente, mas não precisa ser o único, nem o mais importante.

E já agora mesmo sem chá de bebé, imaginam a quantidade de lixo que o meu bebé que ainda não nasceu já "produziu". É sem dúvida, uma quantidade enorme. Imaginem depois de um chá de bebé cheio de pacotes de fraldas descartáveis...


Imagem retirada de https://whisper.sh/whisper/050fc68926576f4858719d0f4ce207c6e444ba/OMG-can-I-tell-you-how-much-I-absolutely-hate-baby-showersF30







terça-feira, 27 de outubro de 2015

Animais - o caso das galinhas

Eu gosto muito de galinhas, de tal forma que acredito que seja das pessoas em Portugal que já leu mais sobre este animal, sem contar com pessoas que trabalhem diariamente no sector. Acredito que seja das pessoas que já li mais sobre o assunto, porque não conheço mais ninguém que ande a investigar sobre galinhas ou que já alguma vez tenha lido alguma coisa sobre o assunto.

Como já tive a oportunidade de explicar na postagem Alimentação - o meu calcanhar de Aquiles?, não sou vegetariana, todavia também não sou grande apreciadora de carne. Por isso, acho que também não teria grande dificuldade em ser vegetariana. Mas também não creio que o consumo de carne, por si, seja um problema nem a nível ambiental, nem signifique falta de consideração pelos animais. Na minha opinião, o problema do consumo de carne é a forma como o fazemos.

- Ingerimos uma quantidade exagerada de carne;
- Estragamos uma quantidade incompreensível de carne;
- Mantemos os animais a viver sem qualquer tipo de condições;
- Para termos a quantidade de carne que produzimos damos aos animais rações e hormonas que lhes fazem mal, a eles e a nós (já falei nisso em A importância das abelhas);
- Destruimos ecosistemas para conseguirmos ter grandes plantações de diversos cereais (nomeadamente a soja) para alimentarmos animais;
-Etc, etc, etc

E se formos a pensar nisto tudo, realmente comer carne é um problema gigantesco. Mas porque é um problema tão grande? Porque queremos consumir muito, mesmo que no fim vá para o lixo, a preços muito baratos. Isto para mim é um argumento válido, não para se deixar de comer carne, mas para restringir bastante o seu consumo. Mais vale comer menos, ser mais saudável e proporcionar melhores condições aos animais.


Isto para mim é um argumento:
Não se percebe bem, mas na imagem dividem os pintos acabados de nascer, os que têm imperfeições e a maioria dos machos são condenados à morte e servem de ração para outros animais
Imagem retirada de http://revistatrip.uol.com.br/165/frango/02.htm

Isto para mim não é um argumento:

Imagem retirada de https://www.facebook.com/associacaovidaanimal/photos/a.503087516450063.1073741832.340041726087977/901598449932299/?type=3&theater
Não quero dizer que para mim gatos e cães são diferentes de porcos e vacas. Há países do mundo onde comem cães e gatos e isso não me transtorna, quer dizer para mim é estranho porque não é a minha cultura. Mas para um mulçumano também é estranho comer porco e para um hindu comer vaca. O que eu quero dizer é que a questão da vida animal tem muito que se lhe diga.

Por isso vou falar no caso das galinhas, esse animal fascinante que mantém relações de amizade entre si e uma hierarquia bem definida (sim também já passei muitas horas a observar as ditas). As galinhas são animais domésticos, não evoluíram para o que são hoje em dia por uma selecção natural, a galinha é o resultado de uma evolução feita pelo homem, por isso não há galinhas em estado selvagem. O próprio nome da espécie o diz, Gallus gallus domesticus.

O que eu quero dizer é que foi o ser humano que "adaptou" outras espécies como o galo-banquiva (Gallus gallus) para o que é hoje a galinha, o mesmo se passou com as vacas, os porcos, etc. Estes animais só existem como os conhecemos porque os seres humanos assim o fizeram e com que fim? O consumo humano. Obviamente não se pode é comparar o exagero do consumo humano actual de carne com o que seria necessário.

Mas estes animais têm menos direitos que os outros? Claro que não. Mas a minhas questões são:
  • Se deixarmos de comer estes animais, eles deixam de existir? (a sua extinção terá algum problema?)
  • Continuaremos a criá-los se não nos trouxerem nenhuma vantagem económica? (claro que há quem o faça, mas são raras as pessoas dispostas a criar animais deste tipo só porque sim)

Pois não sei, cada pessoa faz o que achar melhor, comer ou não comer carne. Na minha opinião, a solução não passa por deixar de comer carne, mas passa por restringir o seu consumo. Acredito que deviam existir leis mais rígidas que obrigassem os produtores a não alimentar os animais com rações e a serem proibidos de lhes dar hormonas de crescimento. No caso das galinhas, as produções deviam ter áreas suficientes para que as galinhas possam esgravatar e tomar banhos de terra como elas tanto gostam. O que significa que os preços da carne subiriam bastante, e daí?

Daí, nada, afinal não precisamos consumir tanta carne. Como consumidores deviamos pensar que consumir menos, ao mesmo preço, pode ser bom se significar uma melhoria para a vida dos animais e para a nossa própria saúde. E acho que aí, as entidades que protegem os animais têm um importante papel a desempenhar. Acredito que o caminho não deva ser a propaganda de "não coma animais porque têm todos direito à vida", mas sim "não é por serem nosso alimento que não têm direito a uma vida digna". Os animais não sonham com o seu futuro como nós, não fazem planos, mas sofrem, por isso devemos causar o mínimo sofrimento possível.

Isto é a minha opinião, cá em casa temos bastantes animais, mas não os matamos só porque sim, matamos para consumo próprio. Mas não é por uma galinha ou uma cabra estarem velhas que as matamos. Normalmente, no caso das galinhas apenas matamos machos, é talvez uma forma de preconceito de género. O facto de matarmos os machos para consumo apenas tem uma razão, a existência de muitos machos no mesmo galinheiro faz com que andem sempre à luta, acabando muitos por morrer. Mesmo assim, neste momento acho que temos quatro galos, o que algumas pessoas acham um exagero, mas eles têm-se comportado bem.

Mais uma vez, a existência de vários machos de uma espécie e as lutam que travam até à morte de alguns deles mostram-nos que os animais são animais. Ao contrário do que muita gente diz os animais não são bonzinhos, porque não têm o conceito de bom e de mau, são seres com instinto. E se existirem 10 galos juntos para menos de 100 galinhas vão lutar pela sua hierarquia até alguns morrerem, quer na luta, quer porque não se conseguem alimentar.

Tratar os animais decentemente sim, humanizar os animais querendo que eles deixem de ser o que são para mim não.

E deixo algumas fotografias do que eu acho que são animais a viverem como animais de uma forma decente. Todas tiradas cá pelo quintal.

Imagem própria
Imagem própria

Imagem própria

A minha gata a confretanizar com uma galinha
Imagem própria

Imagem própria

O meu cão pronto para levar uma marrada
Imagem própria

Imagem própria

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Toalhitas reutilizáveis para bebés

Toalhitas reutilizáveis para bebés não são mais que panos mais ou menos do tamanho da mão para limpar o rabiosque da criança. Já na postagem Fraldas reutilizáveis - a minha escolha tinha referido que estava a pensar utilizar este tipo de toalhitas ou panos como preferirem chamar.

Quase que nem é preciso dizer o motivo porque as quero utilizar, mas aqui vai:
  • Grande parte dos médicos e enfermeiros aconselha a limpar o bebé com tecidos e não com toalhitas com aditivos, perfumes e coisas do género, por causa da pele do bebé;
  • Toalhitas descartáveis são mais um resíduo e eu prefiro não contribuir para os resíduos;
  • Questão económica, toalhitas Dodot Sensitive (as mais recomendadas para bebés porque quase não têm perfume e outros aditivos) custam cerca de 0,05€ cada uma, ok, 0,05€ é quase nada, mas quantas toalhitas usa um bebé?

E depois não é estranho que as toalhitas descartáveis mais recomendadas e mais caras sejam basicamente muito parecidas com panos molhados? Eu cá acho curioso.

Nas minhas aulas de preparação para o parto foi uma demonstradora das Dodot mostrar-nos as fraldas e toalhitas descartáveis e eu não fiquei nada, mas nada convencida. De qualquer forma, ela deu-nos uma pacote que é o que vou levar para a maternidade e como nunca digo que desta água não beberei, não significa que não compre mais algumas toalhitas descartáveis para alguma eventualidade ou alguma saída mais prolongada. Mas para usar diariamente não.

É que além do resíduo da toalhita em si, ainda estamos a falar das embalagens e de todo o trajecto anterior do produto.

Mas bem, ainda antes de começar as aulas de preparação para o parto, comprei este conjunto de 12 toalhitas reutilizáveis.

Toalhitas da marca ImseVimse, acho que foram feitas na Lituânia (já não tenho a certeza, mas era num país báltico, hmmm)
Imagem retirada de http://www.miminhosdamaria.com/#!acessorios/c1j7


Entretanto, encontrei cá em casa duas camisolas interiores antigas que deviam ser da minha mãe ou da minha avó, sempre detestei camisolas interiores é daquelas coisas que não uso mesmo, logo utilizá-las estava fora de questão. As que estavam cá em casa são daquelas que por dentro são muito fofinhas. E decidi fazer umas toalhitas assim rudimentares na máquina de costura.


De notar (sim estou a desculpar-me) que eu nunca aprendi a usar uma máquina de costura, herdei uma da minha mãe, mas ela tinha tanto medo que eu lhe estragasse a máquina que nunca me deixou mexer-lhe. Herdei uma Refrey Transforma com mais de trinta anos em que o motor não funciona (então é super sustentável, tudo com energia de pedal) e eu não sei mudar o tipo de ponto. A solução era pedir a alguém que me explicasse e pedi, mas farta de ouvir "ah temos de ver isso um dia", "Depois venho cá um dia ensinar-te". Tomei a atitude certa, começar a costurar por tentativa e erro. Mais torto ou mais direito. Mesmo que da primeira vez tenha demorado imenso tempo a acertar como se punham as linhas, a de baixo, a de cima.

E assim cortei as camisolas em quadrados não muito uniformes, diga-se passagem, e fiz umas bainhas, decidi fazer com linhas às cores para animar a coisa. Mas claro que as linhas às cores ainda demonstram mais a imperfeição das minhas toalhitas, mas bem é para limpar o rabiosque do bebé, não é preciso ser nada demasiado perfeito. O carinho com que fiz compensa a imperfeição, acho eu.

As duas camisolas interiores
Imagem própria


As minhas toalhitas
Imagem própria

Pelas minhas contas as duas camisolas interiores teriam dado para fazer doze toalhitas pelo menos, mas a mim só deu para fazer dez. Porque as duas primeiras andei a experimentar pontos. Embora estejam um bocadinho (muito) tortas são bem fofinhas, mais do que as que eu tinha comprado.

Os restos de tecido estão naquele saco de restos de tecido que a H&M recebe, naquela iniciativa que falei na postagem Roupa o que lhe fazer.... Ah, a loja agora já vende roupa feita de fibras recicladas da roupa que eles recolhem, mas por curiosidade fui ver e eram feitas no Paquistão. Será assim muito sustentável mandar tecidos velhos da Europa para fazer roupa nova no Paquistão? Bem não sei onde os tecidos são reciclados...

Mas voltando ao tema da postagem, estas toalhitas, quer as que comprei, quer as que fiz darão mais tarde para outro bebé. Caso a pessoa não tenha mais filhos ou ache que as toalhitas estão num estado lastimável poderá sempre utilizar para aquelas limpezas que deixam os panos tão sujos que só apetece mandar fora. Actualmente, uso como panos de limpeza, uns paninhos que há uns anos a minha mãe me tinha feito para outra das minhas manias de sustentabilidade, um dia falo disso.

Por fim, tomei uma decisão, tenho de ir fazer um workshop de costura, é fundamental.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...