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terça-feira, 2 de maio de 2017

Abril 2017: pequenas mudanças e um desafio

Andei a adiar esta publicação para que fosse feita no fim de Abril e acabei por só a conseguir publicar em Maio. No entanto, agora que penso melhor, talvez faça mesmo mais sentido falar de Abril quando o mês já findou. Vou falar assim, sobre as minhas alterações de Abril.

Não foram grandes mudanças
, mas aos poucos foram algumas:


  • Deixar de passar a ferro: esta mudança já está a ser implementada desde Março, mas em Abril é que foi realmente consolidada. Devo confessar que é sobretudo uma medida para me dar sanidade mental. Eu odeio passar a ferro, mas foi acostumada a passar tudo a ferro (excepto meias e cuecas), algumas coisas já não passava como lençóis e toalhas, mas continuava a passar toda a roupa pessoal. Contudo, a questão é que tinha sempre uma pilha enorme de roupa para passar. Acabou-se. Isto era mais a ideia de "deve-se passar a ferro" que me foi enraizada desde a infância do que realmente achar que há sempre essa necessidade. Claro que peças como camisas ou alguma coisa mais amarrotada irei passar na mesma.

    A nível ambiental há a vantagem de gastar muito menos eletricidade. Mas não é a única vantagem
    , ao ter a roupa mais arrumada e orientada, percebo muito melhor a roupa que existe e não existe, o que é óptimo sobretudo com a roupa do bebé que está sempre a deixar de ser usada.

  • Café de cafeteira: em Fevereiro o meu marido foi à Costa Rica e trouxe café. Lá não bebem café expresso como cá, mas sim o tradicional café de cafeteira. O café é óptimo e é uma alternativa excelente para beber em casa quando não me apetece ir beber um café ao café. Assim já não tenho qualquer desculpa para usar alguma cápsula. Mas claro, para ser ecológico não podia ir comprar uma cafeteira eléctrica, mas por sorte a minha sogra tinha lá uma encostada a um canto que agora tem sido usada cá em casa.

  • Iogurtes: no mês de Março referi que um dos principais produtos que contribuíam para o meu lixo eram os iogurtes. Por isso mesmo, em Abril decidi fazer pela primeira vez iogurtes, fiz iogurtes líquidos e acho que correram mais ou menos. Mas não estavam no ponto ideal, mas bebi-os. Para ver se consigo fazer iogurtes com mais qualidade decidi pedir uma iogurteira emprestada, mas ainda não voltei a experimentar. No entanto, tenho noção que vai ser algo que não vou fazer sempre. Mas qualquer iogurte caseiro é uma poupança de recurso, é nisso que tenho de pensar. Em Maio espero contar-vos se tenho feito muitos ou poucos iogurtes.
    Imagem própria
  • Desodorizante caseiro e redução do uso de champô: tal como referi na última publicação comecei a fazer o meu próprio desodorizante e ando a tentar reduzir o uso de champô, acho que tenho sido bastante bem sucedida neste aspecto.

  • Cotonetes: eu sei que isto não é de todo um produto essencial, eu uso muito esporadicamente, no entanto tenho alguém em casa que usa bastante e não o consigo convencer a deixar de usar. Há algum tempo que andava à procura de cotonetes com pauzinho de papel, uma vez que os pauzinhos de plástico dos cotonetes comuns não são recicláveis e são dos resíduos que mais aparecem no ambiente devido a serem incorrectamente descartados (no ambiente em geral e nas ruas de Lisboa em particular, é incrível a quantidade de cotonetes que eu vejo na rua, incrível e nojento). Todavia, nunca tinha encontrado à venda, mas como os vi à venda no site do Celeiro, decidi encomendar numa das suas lojas, demoraram a chegar, mas chegaram. Acredito que se a procura for maior, torna-se cada vez mais fácil encontrar este tipo de produtos.

    Claro que o ideal seria não descartar estes cotonetes no lixo comum
    , penso que possam ser postos na compostagem, uma vez que o algodão é biológico e o pauzinho é de papel. No entanto, temos posto no lixo comum, uma vez que não tenho um pequeno contentor de compostagem, mas um grande monte de estrume um pouco distante de casa. Tenho de agilizar isto para reduzir o número de cotonetes e de guardanapos de papel (não meus!!!!) que pomos no lixo comum.
    Imagem retirada de https://www.celeiro.pt/produtos/100830-cotonetes-bio-200-gramas-kg-douce-nature


  • Remendar e arranjar: este tem sido uma consequência directa de ter deixado de passar a ferro e de estar muito mais organizada com a roupa. Como tenho tudo mais controlado, tenho tempo para olhar e remendar e arranjar pequenas coisas. Não que seja uma perita, bem pelo contrário, mas olho o problema e tento solucionar ou pago para me fazerem o arranjo. Cozer pequenos buraquinhos da roupa do Luís, cozer um botão ou pôr um elástico numas calças é recuperar peças de roupa e poupar, o ambiente e a carteira. Finalmente dei uso a um ovo de pedra que tinha cá em casa há anos.
    Imagem própria
    Em roupa em estado muito deteriorado, é sempre possível cortar aos bocados e ainda dão para limpar algo durante algum tempo. Quando até para panos estiverem velhos, é a altura ideal para pôr no saco dos trapos para reciclagem.

    Um antigo toalhão de banho ainda deu para uns oito panos de limpeza
    Imagem própria

  • Recusa de sacos, mais um passo: a minha recusa constante de sacos já começou há bastante tempo (como se pode verificar aqui) e tem vindo a aprofundar-se. Mas em Abril ultrapassei um constrangimento pessoal, quando me distraia e não tinha tempo de recusar saco, acabava por o trazer. Mas recentemente consegui superar este constrangimento e se me distraio tiro o produto do saco e digo ao lojista que não preciso e que pode reutilizar para outro cliente, já aconteceu duas ou três vezes. Isto às vezes custa é começar, depois é sempre a melhorar.

    Um dia da semana passada fiz uma contagem por alto e recusei cerca de dez sacos num dia. É imenso.

  • Remodelações em casa: sobre este assunto quero fazer uma publicação especial, mas tal como tinha referido na publicação de Março, tenho estado em processo de destralhe. Este processo também passou por uma alteração de mobiliário e pelo reutilizar e transformar alguns móveis. Mas disso falarei mais tarde, acho que merece uma publicação única.
      
E penso que consegui falar de todas as minhas pequenas mudanças ou pelo menos referir o que me parece mais importante, vamos ver o que Maio me reserva. Já agora, neste primeiro de Maio fomos até à praia e estava cheia, mas completamente cheia de lixo. Mesmo perto de mim quando olhei estavam imensas garrafas, decidi apanhar, mas não consegui apanhar tudo. Mas nuns segundos apanhei cinco garrafas de vidro, uma garrafa de plástico e vários copos de plástico. Não consegui apanhar mais porque não conseguia trazer mais. O resto lá ficou à espera que a maré subisse e levasse o lixo consigo. Eu já costumo apanhar lixo do chão, mas decidi fazer um desafio a mim própria, contar as garrafas de vidro que vou apanhar da via e lugares públicos durante o mês de Maio. Vamos ver quantas (podia contar outro tipo de resíduo qualquer, mas desta vez serão as garrafas de vidro, para pensarmos se houvesse tara recuperável quantas destas garrafas não chegariam às ruas, praias ou parques).


E deixo-vos também um desa
fio, nesta época balnear em cada ida à praia, deixem a praia mais limpa do que a encontraram.

Só mais um aparte
, em Abril fui a Viseu e fiquei deslumbrada com a limpeza da cidade, espectacular.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Experiências - champô, pasta de dentes, desodorizante

Há bastante tempo escrevi a publicação Produtos de higiene e cosmética, na qual falei sobre alguns dos problemas associados aos produtos comuns de higiene e cosmética e consequentemente sobre a minha procura por soluções mais saudáveis, ecológicas e sustentáveis. No entanto, embora tenha mudado os produtos que consumo, continuei a usar produtos que usam embalagem e consequentemente produzem lixo.

Todavia, tinha alguma relutância em me decidir por receitas caseiras. Mas a ler o livro Desperdício Zero fiquei empolgada para reduzir de vez o meu consumo de produtos de higiene comerciais e consequentemente diminuir a quantidade de resíduos deste tipo. Contudo, as minhas experiências não correram exactamente como eu desejava. Mas vamos por partes.


Sem champô ou pouco champô

Das várias ideias que li, a ideia de deixar de usar champô foi a que me pareceu mais interessante. Neste caso, decidi experimentar a ideia de deixar de lavar o cabelo com champô de compra e passar a lavar com bicabornato de sódio e depois passar com vinagre de sidra. Produtos acessíveis,os quais tinha em casa, nada me parecia mais simples. E assim foi, durante uma semana lavei a cabeça com bicabornato de sódio, a seguir passava com água, passava o vinagre de sidra e voltava a passar por água. O meu cabelo estava lindo, sedoso, devido sobretudo ao vinagre calculo eu. Mas comecei a reparar que me estava a cair bastante cabelo, mais do que alguma vez tinha caído. No grupo Lixo Zero li alguns depoimentos sobre o assunto e quase todas as pessoas não se deram bem com esta solução. Pelo que explicaram o bicabornato de sódio é demasiado alcalino e por isso existem reacções nem sempre positivas. Decidi parar, não quis chegar a um ponto que fosse irreversível. Voltei ao meu champô sem parabenos e coisas que tais. Neste momento, a minha pretensão é aos poucos ir reduzindo o uso de champô, tentar que o meu cabelo se adapte a ser lavado menos vezes. Vamos ver como corre.

Posteriormente já li outras receitas que podem ser usadas para se lavar a cabeça sem champô. Mas acho que ainda não estou preparada para experimentar.


Sem pasta de dentes


Outra das ideias que está no livro Desperdício Zero é deixar de usar pasta de dentes e fazermos o nosso próprio pó dentrifico. O pó dentrifico consiste também em bicabornato de sódio, ao qual podemos juntar stevia. Eu experimentei e gostei bastante da sensação, aquela sensação salgada, mas só experimentei um dia. Entretanto decidi pesquisar sobre os efeitos do bicabornato de sódio nos dentes e cheguei à conclusão que não são lá muito positivos. Pelo que li,o uso continuado prejudica o esmalte dos dentes, enfim. Acabei logo com a experiência e voltei para a minha Pasta de Dentifrica Couto (às vezes outra qualquer, quando a Couto acaba e ainda não comprei uma nova). Depois disto, numa conversa do grupo Lixo Zero,uma das participantes referiu que ao fazer esta experiência danificou bastante os dentes. Logo por aqui, nunca mais.

Como podem ver, isto estava a correr mal o suficiente. Devo dizer que fiquei bem chateada por um livro aconselhar a utilizar produtos que acabam por ser prejudiciais com utilização continuada (o que não significa que alguém não se possa dar bem com eles). Mas foi,então que me decidi a fazer desodorizante, mas não segui nenhuma receita presente no livro,mas uma que me deram pessoalmente.

Desodorizante caseiro

Já foi há algum tempo que deixei de usar desodorizante comum, aqueles anti-transpirantes com alumínio, comecei a comprar desodorizantes mais ecológicos e saudáveis, mas claro com embalagem e certamente com alguns ingredientes não tão naturais como sendo feito em casa. Mas entretanto, decidi experimentar a seguinte receita:

  • Óleo de coco;
  • Amido de milho;
  • Bicabornato de Sódio;
  • Óleo de amêndoas doces ou outro óleo à escola (opcional).
Juntam-se medidas iguais (em volume) de óleo de coco (derreti um pouco), amido de milho e bicabornato de sódio e umas gotas do óleo de âmendoas doces, mexe-se tudo e voilá. Como derreti o óleo de coco, depois pus um bocadinho no frigorífico para solidificar.


Imagem própria
Imagem própria

Imagem própria
Aqui está ele. Para aplicar, uso um utensílio de tirar manteiga e depois aplico com os dedos. Devo dizer que este é o meu desodorizante preferido de sempre, nunca me dei muito bem com desodorizantes e este tem sido impecável, mesmo em dias de calor mais intenso, vamos ver como se porta mesmo no Verão. Entretanto a quantidade que fiz já acabou, tenho de ir fazer novamente.

Relativamente às embalagens e consequente lixo. É verdade que não uso embalagem para desodorizante, mas uso as outras todas. Mas o bicabornato de sódio e o óleo de amêndoas doces são coisas que tenho sempre em casa. Comprei apenas o óleo de coco (a embalagem é de vidro e vai ser reutilizada) e o amido de milho (embalagem de papel e plástico e não encontrei biológico), a vantagem destes produtos é que podem ser também usados na alimentação, ainda ontem o jantar levou óleo de coco.

É caso para dizer que temos produtos com várias funções. Se pensarmos bem é muito mais interessante termos três ou quatro produtos para vários fins, do que um produto para cada fim. Claro que para ser mais sustentável o ideal é comprar estes produtos a granel e reutilizar embalagens.

E fico-me por aqui sobre as minhas experiências, nem todas bem sucedidas, mas vamos aos poucos.
 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Adeus calçado: shoe box do Sporting

Há uns anos atrás, quando eu ainda era uma anti-capitalista e ambientalista que consumia inconscientemente e por isso "injectava" dinheiro em grandes empresas multinacionais (ok, ainda o faço), tinha uma grande paixão por ténis All Star. Talvez um bocadinho porque acreditava que com All Star tinha um ar de ser anti-capitalista, ambientalista e alternativa ou então simplesmente porque gostava deles. Agora a sério, gostava mesmo deles independentemente da marca e de serem feitos na Ásia, provavelmente por mão-de-obra mal remunerada ou mesmo escrava. Adiante.

Gostava tanto deles e achava que ficavam bem nas minhas fotografias que transmitiam mensagens profundas ou talvez não. Como por exemplo, aqui.

Imagem própria

A verdade é que os anos foram passando e eu continuei apegada aos ténis e não só aos desta marca, mesmo que já os usasse muito, muito raramente. Eles ainda não estavam estragados para os mandar fora, mas usar uma vez de dois em dois anos não me parece um motivo válido para continuar a guardá-los. Mas também ainda não sabia o que lhes ia fazer, por isso guardei.

Mas foi o Sporting (blherg) que me deu a ideia, juntar todo o calçado que não se usa cá em casa e...

Imagem retirada de https://www.facebook.com/FundacaoSporting/photos/a.262841600502443.58418.176452279141376/1028782220575040/?type=3&theater

"A Fundação Sporting apresenta a Shoe Box, uma iniciativa solidária organizada pela Green Media - Agência de Comunicação em parceria com a organização HELPO ONGD. O objectivo é recolher calçado para crianças e jovens residentes em Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Trata-se de uma iniciativa que pretende promover a escolaridade nestes países, uma vez que, um dos motivos do abandono escolar é a carência de calçado!

Contamos com o vosso apoio!

Juntos vamos calçar Moçambique e São Tomé e Príncipe!"

Até dia 25 de Novembro já sabem, podem ajudar a calçar alguém que precisa mais que vocês. Entretanto estive a avaliar mesmo todo o meu calçado e andava a pensar que tinha de comprar uns ténis novos, mas não tenho. A verdade é que se quero ser verdadeiramente anti-capitalista e ambientalista, tenho de racionalizar completamente o uso de tudo, nomeadamente do calçado. Fiquei com o calçado suficiente até à Primavera, acho que depois apenas tenho de comprar umas sandálias.

Adeus sapatos, adeus abundância desnecessária, o menos é mais.

Adeus All Stars e outros sapatos de tantos bons momentos, mas a vida não se faz de bens materiais (foram mais do que estes que estão na fotografia).

Imagem própria

 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ser ecológica nas redes sociais: um agradecimento

Comecei a pensar neste assunto depois de ler a publicação (Sustentabilidade e Redes Sociais) da Catarina no seu blogue Ecológica, quem? Eu?.

E vou transcrever duas passagens com as quais também me identifico e que, por vezes, me deixam a pensar:

"A maioria delas ligada à questão de poder ser contraditório escrever sobre sustentabilidade, natureza, slow-living, ambiente (entre outros temas do género) e ir-me ligar às redes sociais, que são, muitas vezes, o baluarte e o principal exemplo de tudo o que critico na nossa sociedade actual."
"Se critico a selvajaria virtual das pessoas, a que se assiste quando acontece alguma coisa negativa, e o desregramento e falta de contenção nas opiniões e desinformação? Sim.
Se critico as pessoas que muito "teclam" e "postam" mas que na verdade pouco fazem e normalmente são Madres Teresa de Sofá (pois pôr a mão na massa e tomar atitudes reais para que a vida de todos seja melhor dá trabalho)? Sim."

No entanto, depois de muito pensar, decidi fazer esta publicação porque se sou mais sustentável devo-o à internet (mais especificamente às redes sociais) e às pessoas (muitas que não conheço pessoalmente) com as quais aprendo todos os dias a ser mais ecológica. A verdade é que tem sido nas redes sociais que tenho encontrado pessoas que pensam como eu em diversos temas, os quais na sua generalidade visam um mundo mais sustentável.

Entre as redes sociais destaco os grupos que acompanho no facebook, os quais têm sem dúvida mudado a minha vida, têm-me feito acreditar que é possível. Acreditar que é possível ser diferente da generalidade e das imposições da sociedade até porque há muito quem pense como eu (coisa que com as pessoas que conhecia, nos meus círculos mais comuns, raramente acontecia).

Afinal, em rede, em comunidade funcionamos melhor e se, por vezes, a comunidade física em que vivemos não é/está aberta às nossas ideias, podemos procurar criar outras comunidades. Lançar sementes e colher frutos.




Imagem retirada de http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/11/29/plataforma-reune-atividades-educativas-sobre-cultura-ambiental/arvore_hl/



Mas afinal o que mudou? E onde? 


Vou tentar elencar de forma resumida e assim mesmo agradecer.

Primeiro, há muitos anos mudou-me o blogue 365 coisas que posso fazer..., o qual me fez olhar a causa ambiental de outra forma. Foi realmente muito importante. Depois ajudou-me, eu própria criar este blogue, pesquisar, pensar, escrever.

Mas acho que foi na sustentabilidade na maternidade que mais me ajudaram as redes sociais, nomeadamente os grupos no facebook. Foi aqui que vi que há mais gente a usar e acreditar que se deve usar fraldas de pano do que aquilo que alguma vez imaginei, foi essencial ler os testemunhos, as dúvidas e tudo o resto sobre as fraldas, mesmo em alturas que parecia estar a correr pior. Usar fraldas de pano (mesmo que não exclusivamente) é algo que muito me orgulha.

Depois, ainda nas questões da maternidade, o grupo de apoio à amamentação também foi essencial para me fazer acreditar que é possível. Que é possível criar um filho mais saudável, sem estar depende de leites artificiais. Também foi nestes grupos que soube da existência da papas comerciais mais saudáveis ou que li pela primeira vez receitas de papas caseiras. O que muito me fez afastar das quase imposições de consumo infantil que nos inundam a casa através da publicidade.

Depois, embora seja um grupo que não acompanho tanto, o grupo da Permacultura é uma importante fonte de inspiração para um mundo mais sustentável. Bem como outro grupo de cariz mais intimista tem sido bastante importante para me dar segurança naquilo em que acredito, bem como na possibilidade de conhecer outras formas de ver o mundo que por vezes nem tinha equacionado.

Mas continuando, foi também nas redes sociais que comecei a comprar mais produtos em 2ª mão e a achar normal fazê-lo. A ideia sempre inspiradora de reaproveitar recursos.

Mais recentemente, o grupo Lixo Zero, o qual não consigo acompanhar tanto quanto gostaria, tem-me mostrado que há bastante gente a pensar nas mesmas questões que eu (algumas pessoas a pensar muito mais à frente do que eu) e que juntos podemos partilhar ideias e mudar aos poucos.

Por isto tudo e por mais coisas que provavelmente agora não me lembrei, sinto-me grata a todas estas pessoas com quem me cruzo virtualmente e que me fazem acreditar que é possível um mundo melhor. Várias pessoas têm contribuído para a minha pretensão de ser mais conhecedora do mundo/natureza e para ser mais sustentável.

E é assim que quero começar este mês de Novembro, a agradecer a todos, os que mesmo invisivelmente, me têm ajudado nesta caminhada que quis fazer. Pessoas que provavelmente eu nunca conheceria se não fossem as redes sociais.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Recipientes para congelar leite materno: escolha os frascos

Na minha recente publicação Movimento Lixo Zero dei-vos a conhecer um ficheiro em excel sobre o que podemos fazer para reduzir o nosso lixo, bem como o grupo do facebook no qual trocamos ideias sobre o assunto. E a verdade é que no meu caso já está a ter efeitos, estava a completar algumas dicas na secção bebés/maternidade quando pensei "Mas eu uso sacos de plástico para congelar o leite materno". Na realidade, eu nunca tirei muito leite para congelar, acho que em onze meses de amamentação (é hoje, é hoje) ainda não utilizei vinte sacos, mas seja como for é um produto usado e deitado fora.

Actualmente, todos os dias tiro leite, mas deixo logo no biberão para levar para a creche no dia a seguir, mas convém sempre ter algum congelado para uma eventualidade. E foi por isso que ontem fui comprar três frascos da Medela (pode vê-los aqui), agora posso congelar o leite nos frascos e depois posso reutilizá-los. Mas porque é que só agora me lembrei de algo tão básico? Mais vale tarde do que nunca.

Estes frascos são óptimos porque posso tirar da bomba directamente para o frasco (a minha bomba não é da Medela, mas a abertura é igual, falei da bomba aqui, aluguei-a cinco meses seguidos e fiquei com ela) e o biberão que uso é o da Medela, por isso precisava de frascos compatíveis com a tetina. Mas há frascos de outras marcas.

Também me deram a ideia de congelar o leite em boiões de vidro ou nas garrafas de néctar de vidro, ai sim, seria extremamente sustentável, mas como às vezes no dia anterior não consigo tirar leite e ainda levo o leite para a creche congelado, prefiro usar os frascos apropriados.

Imagem própria

Estes devem ser os últimos sacos que usei para congelar leite (bem, provavelmente acabo de usar os que estão na embalagem) e viva os frascos para guardar e congelar o leite.

Já agora para terminar para quem tem pouco espaço no congelador e quer/precisa fazer um grande stock de leite materno, os frascos não são a melhor opção, pois ocupam mais espaço. Mas felizmente para mim isso não é um problema, dado que tenho bastante espaço na arca.

Ahh, não sei se já disse (disse, disse), hoje o meu Luís faz onze meses... Possa!!! Como o tempo passa. E onze meses significam onze meses de amamentação em qualquer lado, até na festa do Avante a ouvir Jorge Palma e Sérgio Godinho.


Imagem própria

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Amigos, amigos, guardanapos à parte

Este é o meu novo lema, amigos, amigos, guardanapos à parte. Já há algum tempo partilhei convosco a minha questão sobre os guardanapos (aqui). Na altura escrevi o seguinte sobre o assunto:

"Guardanapos

Esta seria muito fácil, deixar de usar guardanapos, mas o meu namorado disse-me logo que se eu quisesse que eu deixasse de usar, mas que ele não deixava. Assim, fui um bocadinho fraca e pronto também não uso guardanapos de pano. E assim continuo a usar guardanapos de papel. Bem pelo menos não uso rolos de cozinha, quer dizer tenho sempre em casa para qualquer eventualidade, mas o rolo está ali meses e meses na cozinha até ser gasto. Para limpar algo na cozinha uso sempre esponja e panos."

Pois, na altura decidi que ia começar a comprar sempre guardanapos de papel reciclado e fiquei uns largos meses assim. No entanto, é um bocadinho ridículo usar toalhitas de pano e fraldas de pano no bebé (isto quando ele não está na creche) e depois usar guardanapos de papel, mesmo que reciclado. Por isso, acabou-se! Posso ser a única a usar guardanapos de pano cá em casa e daí? Mais vale uma que nenhuma.

A nível anual, estimo que a poupança ambiental seja de cerca de 580 guardanapos de papel (faço duas refeições em casa logo 365*2=720 guardanapos usados, se não comer em casa 20% das vezes [uma estimativa por alto], 720*0,2=146, logo 720-146=584 guardanapos). Costumo comprar guardanapos em embalagens de 100 unidades, o que significa que ao longo de um ano vou deixar de consumir entre 5 a 6 embalagens de plástico. Ok! Reconheço que o plástico poupado anualmente não é substancial, mas é algum. Além do papel e do plástico poupado, acresce o transporte (sim daqui a um anos foi menos um camião de guardanapos, eheheh), a água e a energia para produzir os produtos. E claro, não foi preciso comprar guardanapos de pano, porque tenho aqui uns com mais de trinta anos, provavelmente.

Imagem própria

De notar que os guardanapos de papel que tenho em casa neste momento, os da imagem, não são de papel reciclado, uma vez que na mercearia de Castro Laboreiro não havia muita escolha de guardanapos.

A questão é simples, eu quero ser o mais sustentável possível, embora ache que os outros deviam seguir os meus passos não os posso obrigar, assim sendo os guardanapos de pano são apenas para mim. Pode ser que consiga convencer pelo exemplo, assim espero.

No entanto, houve dois produtos que quando me juntei avisei logo que cá em casa não entravam: sacos de plástico para o gelo; e toalhitas descartáveis para limpar o pó. O meu marido achava que eram duas coisas que se deviam comprar. Mas essas ideias foram logo banidas. O gelo pode muito bem ser feito nos recipientes de gelo que duram anos e para limpar a casa usam-se sempre panos, quer comprados ou reaproveitados.

No entanto, quando tive o Luís, devido ao ingurgitamento mamário disseram para fazer massagens com sacos de gelo. Salvou-me a minha irmã que me trouxe uns sacos de gelo que ainda estão para aí, porque no dia a dia o gelo é feito sem lixo.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Câmara Municipal de Lisboa apoia o Aleitamento Materno

Com o lema  Aleitamento Materno: Presente Saudável, Futuro Sustentável, a Câmara Municipal de Lisboa em conjunto com a ACES - Lisboa Ocidental e Oeiras lançou no passado dia 10 de Setembro uma campanha de promoção do aleitamento materno (ver mais informações aqui e aqui).



Aleitamento Materno from Câmara Municipal de Lisboa on Vimeo.

No meu entender, uma entidade pública tomar uma posição de incentivo e divulgação ao aleitamento materno é algo bastante importante. Esta campanha terá a duração de dois meses e espero que seja muito enriquecedora e incentive muitas pessoas a seguir este caminho.
"Tendo como objetivo realçar a importância do aleitamento materno, tanto para o bebé como para a mãe, a campanha estará patente durante dois meses, integrando as comemorações da Semana Mundial dedicada a este tema (em Outubro).
O apoio da comunidade local e a participação de famílias envolvidas neste movimento de sensibilização para a prática do aleitamento materno foi fundamental para esta campanha pública, a primeira realizada no país e que, entre outras ações, contará com uma Conferência sobre aleitamento materno, destinada a profissionais de saúde e utentes, no dia 15 de outubro." (in http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/campanha-aleitamento-materno-presente-saudavel-futuro-sustentavel).
E sem dúvida além de ser um presente saudável, contribui para uma maior sustentabilidade de todos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Frascos de sopa, uma ideia para dias de férias

Neste momento estou de férias, aquelas mesmo que vamos passear, viajar, tão bom. E se para os adultos a alimentação em férias não é um problema, para bebés a coisa complica mais um bocadinho. Claro que não faltam soluções comerciais de sopas e frutas em boiões, mas não tem de ser uma opção obrigatória.

Como não viemos de férias apenas para um sítio, eu não sabia muito bem como ia gerir a sopa do Luís. Primeiro, porque nem todos os sítios que vamos ficar têm cozinha. Segundo, porque provavelmente na hora do almoço estaríamos a viajar e principalmente no primeiro dia, sem cozinha, não conseguiria fazê-la. Estava a comentar isto com uma pessoa que me sugeriu que fizesse sopa no dia antes da viagem e depois a guardasse em frascos esterilizados e com vácuo (ver como se faz aqui). E assim fiz.

Na sexta-feira de manhã, antes de começar a viagem fiz sopa e enchi dois frascos, fiz uma sopa básica porque tinha algum receio que mesmo com o vácuo se estragasse (sobretudo se juntasse carne ou peixe), já que ia estar sem refrigeração e podia estar calor durante a viagem. A sopa que fiz foi com cebola, cenoura, batata, courgette e feijão-verde.

Assim, no Sábado decidimos parar em Ponte de Lima para almoçar e lá tinha eu, o meu frasquinho reutilizado com sopa caseira para o Luís (a fruta comprámos no restaurante). No Domingo, o almoço do Luís foi o segundo frasco de sopa, entretanto previa fazer sopa agora à noite para voltar a acondicionar nos frascos para ter sopa para o almoço de Segunda-feira (já que vamos voltar à estrada), mas os espanhóis (ou será melhor dizer galegos?) "enganaram-me". Parece que ao Domingo não há nada aberto que venda vegetais. Logo, quando acordarmos, temos de ir ao mercado local e o almoço será uma açorda de bebé que penso que já não terei tempo para fazer a sopa (tenho de partilhar a receita da açorda convosco).

E assim, os bebés podem comer sopa caseira, mesmo em viagem. Não sei bem quantos dias aguenta, mas pelo menos para dois ou três dias acho que se mantém perfeita, sem necessidade de frigorífico (claro que convem provar primeiro). Mas não se esqueçam, o frasco tem de estar bem cheio e têm de fazer todos os procedimentos.

Aqui está o meu frasco de sopa, antes de ser aberto, no restaurante onde almoçámos no Sábado.

Imagem própria

É sobretudo uma vantagem porque é mais saudável, mas também é uma forma de sermos mais poupados e ecológicos. Embora, ecologia e férias sejam palavras quase impossíveis de conciliar para mim, as fraldas e toalhitas descartáveis usadas e as garrafas pequenas de água (porque não havia nenhum sítio onde pudesse comprar um garrafão) têm determinado um nível de consumo de embalagens muito elevado para o que estou habituada. Até porque com tanta coisa que trouxe de viagem, esqueci-me da minha garrafa de água reutilizável.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Viva as fraldas de pano (oito meses depois)

Imagem própria

Falta um semana para o Luís completar nove meses e aqui continuo à volta das fraldas de pano, com os meus altos e baixos. A boa notícia é que parece que  isto está a correr melhor, sobretudo porque me lembrei (porque não experimentei antes?) de usar as pré-dobradas como absorventes. A questão é que o meu Luís faz muito xixi e com dois absorventes, passado pouco tempo a fralda fica encharcada (neste momento está a dormir com uma fralda com dois absorventes e já a sinto húmida). Seja que tipo de absorvente for, microfibra, cânhamo, bambu, bem se forem os dois de microfibra ainda é pior.

Depois lembrei-me que tenho uns absorventes em cânhamo que se dobram ao meio da B´bies (ver imagem abaixo). Com um absorvente deste mais um absorvente dos outros, já começou a correr melhor. Mas só passado uns dias é que me lembrei de experimentar as pré-dobradas (ver imagem abaixo) como absorventes e é fantástico. Assim, juntando uma pré-dobrada e um absorvente dos outros, a fralda resulta mesmo bem, até porque é um rabiosque cheio de camadas de absorção.

Absorventes de cânhamo
Imagem retirada de http://www.bientot-maman.fr/content/6-fonctionnement-de-la-couche-lavable

Fraldas Pré-dobradas
Imagem retirada de http://www.mita.pt/pages/onde_comprar

O problema é que tenho poucas pré-dobradas e poucos absorventes duplos de cânhamo, então volta e meia tenho de usar dois absorventes normais e a fralda não aguenta tanto. Acho que tenho de comprar mais fraldas pré-dobradas.

Outra coisa que mudei foi a limpeza das fraldas. Ao contrário do que dizem as"regras", quando tiro a fralda ao Luís passo-as por água para tirar o máximo do xixi. O cheiro das fraldas sujas dentro do saco (ainda por cima com calor) era algo que eu não estava a gostar e decidi seguir o conselho da minha sogra, não as deixo de molho, mas passo-as por água.

Por falar na minha sogra, ela está fã das fraldas de pano, ela já gostava da ideia, mas quando foi comigo ao encontro da semana de aleitamento materno e percebeu que eu não sou a única a usar fraldas de pano (nesse dia o Luís tinha uma descartável) ficou mesmo super animada. Tanto que agora estou a passar uns dias na casa dela e o Luís tem usado só fraldas de pano.

O que me chateia é que agora que isto parece estar novamente no melhor caminho, vamos de férias. E em férias longe de casa, sem máquina de lavar, acho difícil usar fraldas de pano (não é que seja impossível). Mas o objectivo não é passar as férias a lavar fraldas à mão. E depois o Luís vai para a creche e aí também não aceitam fraldas de pano, nem toalhitas. Isso é que vai ser produzir lixo a sério. Mas bem nove meses quase exclusivamente de toalhitas de pano e nove meses com bastante uso de fraldas de pano, já não me parece mal de todo. Em casa, posso sempre continuar a usar estes produtos mais ecológicos.

E já agora, hoje no café, estava o meu Luís com uma fralda de pano e um senhor que eu conheço, pensou que ele tinha uns calções, depois quando lhe dissemos que era fralda, ele disse "Ah é uma boa ideia, pelo menos não fazem tanto lixo". Devo confessar que os meus olhos até brilharam de alegria pelo comentário.

Fraldas de pano Urra! Às vezes tenho vontade de comprar mais, algumas de melhor qualidade do que aquelas que tenho. Mas se o meu objectivo é ser ecológica e se as que tenho chegam, acho que não faz muito sentido (sem contar com as pré-dobradas que preciso para usar como absorventes). Quando tiver outro filho, espero bem ter, como já tenho algum stock, já posso investir noutras melhores.

sábado, 13 de agosto de 2016

Amamentar é ser feliz e ecológica

A semana passada (1 de Agosto a 7 de Agosto) foi a Semana Mundial do Aleitamento Materno e esta publicação está a ser feita porque quero partilhar convosco, o meu sentimento sobre este bem precioso, o nosso leite.

Acho que não vale a pena voltar a falar do que se passou comigo relativamente á amamentação, já fiz várias publicações sobre isso. Mas digo a todos o início da amamentação, para mim, não foi fácil. Nem sempre fiz o que a Organização Mundial de Saúde recomenda, cheguei a dar suplemento ao Luís (ao qual ele fez reacção) e introduzi-lhe a alimentação complementar antes dos seis meses. Mas houve algo que sempre me acompanhou, foi a confiança que iria amamentar o meu bebé durante muito tempo, por isso mesmo quando introduzi suplemento, nunca lhe dava mais do que 60ml ou 90ml diário, insistindo sempre com a mama, por isso sofri até ele fazer a pega correcta. Mas por isso tudo me sinto feliz, porque a sensação de ter vencido é enorme, a sensação de ter conseguido chegar onde eu quis, a sensação maravilhosa de me sentir um mamífero. Neste momento, amamentar já não é apenas uma necessidade do Luís, é também uma necessidade minha, se fico muito tempo sem lhe dar mama, sinto falta. De tal forma, que já com a amamentação completamente estabelecida, ao oitavo mês, tive outra mastite (bem complicada) e só a ideia de pensar que se podia complicar e pôr em causa a amamentação, me fez chorar, não sei se mais por ele ou se mais por mim.

Mas relativamente à semana mundial de aleitamento materno, no Domingo passado, em várias cidades, houve encontros de amamentação. Fui a um desses encontros e não podia ter vindo mais satisfeita, é recompensador ir a um sítio onde sentimos que há mais quem pense como nós. Onde as pessoas defendem a amamentação, não apenas em bebés pequenos, acabados de nascer, mas durante mais tempo. Pela primeira vez, estive num grupo onde as pessoas admitem que deram mama até aos três ou quatro anos e esse facto não foi criticado. E estar rodeada de bebés e de pais que sei que partilham algumas das mesmas ideias que eu, fez-me ficar realmente FELIZ.

No dia a dia, embora oiça algumas palavras de incentivo sobre a amamentação, oiço sobretudo pessoas admiradas por eu ainda dar mama (ele tem oito meses), e se o facto de eu lhe dar mama ainda não é de todo mal visto, quando eu digo que vou dar mama até ele querer, ai as coisas mudam de figura. Para a maioria das pessoas, um bebé com dois, três ou quatro anos que mama é motivo de vergonha. Da mesma forma, uma mulher que amamenta em público é mal vista por muita gente. No entanto, o que pode ter de mal uma pessoa amamentar em público? Acho que é uma das melhores formas de demonstrar e transmitir amor, só uma sociedade muito podre pode ver um acto de amor, sobrevivência como algo mau. É vergonhoso uma mulher na rua amamentar um filho, mas não é vergonhoso as nossas cidades estarem cheias de publicidade de mulheres semi-nuas (eu não tenho nada contra, aliás sou bem a favor do nudismo, embora tenha algum pudor devido sobretudo a uma educação que não transmitiu a nudez como algo comum no dia a dia, mas os cartazes publicitários não se relacionam com a ideia de nudismo como liberdade, são na maioria das vezes uma forma de objectificar o corpo feminino e também o masculino). O que quero dizer é que a nossa sociedade está trocada, afinal fisiologicamente as mamas servem para amamentar, não servem para serem expositores de soutiens. Mas a sociedade aceita melhor que sejam expositores de soutiens do que fonte de alimento para os seus filhos. (algumas imagens fantásticas)

Ecologicamente correcto, mas mais que isso socialmente justo, o leite materno possibilita a igualdade social.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/WomansLoungeBR/photos/a.1581063608813461.1073741828.1574375652815590/1733522046900949/?type=3&theater

No entanto, e infelizmente, pela minha experiência são sobretudo as pessoas mais pobres e com menos conhecimentos que amamentam por menos tempo (sem contar com as pessoas de classes sociais favorecidas que não amamentam por uma questão de escolha). Mas uma coisa é a escolha pessoal, por mais que eu a questione, cada um está no seu direito. Mas o que sinto é que nas classes mais desfavorecidas não é uma questão de escolha, os mitos existentes de leite fraco, relacionados com problemas que as pessoas não sabem resolver, aliás nem sabem que se podem resolver (por exemplo, a má pega como era o caso do Luís) empurra as pessoas para os leites artificiais. É verdade que vivemos na era da informação, basta pegar num computador e podemos ter acesso a todo o conhecimento, no entanto quando as pessoas têm pouca formação têm mais dificuldade em aceder a mais informação e sejamos sinceros, os médicos, enfermeiros e outros profissionais em vez de esclarecerem, só querem dar soluções rápidas e o leite artificial é uma solução facílima.

Facílima, mas pior a nível de saúde (e também ecológico), mas também na parte económica e são as famílias com mais carências que pela minha percepção o compram mais. Ou seja as família mais pobres, menos informadas, têm a sua disposição um bem (o leite materno) natural, saudável e gratuito, mas andam a gastar dinheiro que não têm a comprar leite artificial (e a enriquecer, os que as fazem ser pobres, mas isso é outra questão, tenho de fazer uma publicação sobre a Nestlé, mas ainda tenho muito a pesquisar).

O que eu quero dizer é que é URGENTE informar, é urgente haver quem explique às mães os benefícios e que não há leite fraco e que os problemas se podem resolver que há profissionais para isso, nomeadamente as conselheiras de aleitamento materno. Acho que só mães bens informadas tem realmente poder de decisão, digam-me "Não amamento por escolha pessoal", mas não me digam "Não amamento porque não tenho leite", porque isso não é escolha pessoal, é falta de informação. Mas devia ser a sociedade, o estado, os médicos, os enfermeiros, a informar, a ajudar e a aconselhar estas mães. Seria positivo para todos, para as famílias, para o ambiente e mesmo para o próprio sistema de saúde, afinal além de alimento, carinho e amor, o leite materno é uma verdadeira vacina.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Parabéns "pequeno" blogue

Hoje é um dia muito especial, faz um ano que criei este blogue. E um ano é sempre um momento de comemoração e de balanço. Afinal, estamos exactamente no mesmo sítio em relação ao Sol que estávamos quando criei o blogue, o que significa que já "andámos" muito.

Imagem retirada de http://ww1.prweb.com/prfiles/2007/08/08/43310/AYEARONEARTHLogo.jpg

Neste ano, a minha vida mudou imenso, porque além do blogue, aconteceu uma das coisas mais importantes da minha vida, fui mãe. E ser mãe muda completamente o nosso dia a dia.

O facto de ter sido mãe, e ter-me dedicado ao meu bebé, fez com que não conseguisse cumprir o objectivo de fazer uma publicação todos os dias, mas nem por isso, significa que todos os dias não tenha pensado na causa ambiental. Esta é a minha 218ª publicação, o que quer dizer que mesmo assim publiquei em mais de metade dos dias do ano.

Mas voltando ao princípio, revisitando a minha primeira publicação, comecei da seguinte forma:

"O lixo do luxo pretende ser um blogue ou qualquer coisa idêntica que tem como objectivo partilhar ideias e pensamentos sobre o lixo que inunda o nosso mundo, mas como o lixo é demasiado, a ideia será focar-me no lixo produzido diariamente, os resíduos e não noutro qualquer tipo de lixo intelectual."

Bem, ao longo deste ano, além do tema do lixo e dos resíduos, também me debrucei sobre temas ambientais em geral e, contrariamente ao que tinha dito, o lixo intelectual, quero dizer com isto que também falei sobre os problemas que identifico na nossa sociedade.

Descobri também revisitando a primeira publicação que, pelos vistos, o nome inicial que dei ao blogue foi O Lixo do Luxo, depois devo ter mudado para Tanto Lixo, Tanto Luxo. Embora nomes diferentes, o sentido é o mesmo, o exagero do consumo e o exagero do luxo.

Ao longo deste ano, o blogue foi algo que me deu muito prazer, de tal forma que sinto quase uma necessidade/obrigação de pesquisar e tomar atitudes cada vez mais sustentáveis. Tentei pesquisar, mudar (umas vezes com mais sucesso que outras) as minhas escolhas.

Em forma resumida, sem contar com a semana que tive no hospital que era um desperdício de recursos sem fim, acho que tive bastantes melhorias no meu percurso ecológico, social e pessoal.



Aspectos positivos a salientar durante este ano:
  • Comecei a usar produtos de higiene mais saudáveis e sustentáveis;
  • Recusei imensos sacos de papel e plástico (ainda não recuso todos, mas melhorei muito);
  • Penso muito mais antes de comprar qualquer coisa, um pensamento que vai desde as matérias-primas utilizadas, aos processos de fabrico, etc, etc (nem sempre cumpro tudo à risca, mas tento);
  • O meu bebé até agora usou sempre (quase, quase sempre) toalhitas de pano;
  • Tornei-me uma pessoa mais solidária, ajudei mais o próximo;
  • Apanhei muito lixo na rua (mas ainda devia apanhar mais);
  • Enviei muitos emails a alertar para as causas ecológicas;
  • Reutilizei muitos materiais para fins diferentes daqueles para que foram produzidos;
  • Repensei o tipo de roupa que devo utilizar (mas só a partir da que compro nova, não vou deixar de usar a que já tenho);
  • Empenhei-me, ainda mais, na separação de resíduos, por exemplo a roupa também é toda dividida;
  • Tento alertar as outras pessoas para as preocupações ambientais, nem sempre com sucesso.
  • Deixei praticamente de consumir leite de vaca (ando há imenso tempo para escrever sobre o assunto, mas ainda não o fiz).

Aspectos negativos a salientar durante este ano: 
  • A minha utilização de fraldas de pano tem sido intermitente ao contrário do que eu pretendia (sinto-me mesmo mal com isto);
  • Continuo a consumir muito mais carne e peixe do que aquilo que acho que devia consumir.

Metas para o próximo ano: 
  • Reduzir o meu consumo de carne e peixe;
  • Reduzir o lixo que faço;
  • Reutilizar mais produtos em vez de os comprar;
  • Apanhar mais lixo e alertar mais as pessoas e instituições sobre as problemáticas ambientais;
  • Continuar a ler e a pesquisar sobre assuntos que ainda não sei muito para conseguir melhorar o meu impacto no ambiente.

E é assim! Feliz aniversário ao Tanto Lixo, Tanto Luxo e que venha aí mais um ano com menos resíduos. Só uma ressalva, este blogue é um espaço de partilha constante, dessa forma a minha opinião e práticas estão sempre a evoluir, devido ao conhecimento adquirido e às mudanças diárias da nossa vida. Por este motivo, uma publicação é a minha verdade no momento em que foi publicada, não significa que continue a pensar exactamente da mesma forma. Afinal, a nossa vida é uma mudança e aprendizagem constante.

Desafio para os leitores:


Agora que as pessoas andam alucinadas com o jogo Pokemon Go, quer jogue, quer não jogue, lanço o desafio para jogarem o Tampinhas Go. É fácil, quando forem nas ruas e virem tampinhas no chão, apanhem-as (falei das tampinhas aqui) é uma boa acção para com o ambiente e para com as pessoas que necessitam. Uma pequena acção que ajuda a limpar e que ajuda alguém que necessita.

Hoje acaba o passatempo que está a decorrer no blogue. Brevemente será anunciado o vencedor, mas ainda podem participar.

sábado, 30 de julho de 2016

Cozer leguminosas em casa - melhor em todos os aspectos

Uma das memórias mais longínquas que tenho de infância é mergulhar as mãos num pote gigantesco de grão de bico na loja perto da casa da minha avó. Bem, não mergulhava só as mãos no grão de bico, também mergulhava no feijão, mas o grão de bico era o meu preferido. Depois comprava-se dois quilos de grão de bico ou qualquer outra quantidade, lavava-se, escolhia-se e ficava de molho e posteriormente era cozido.

Imagem retirada de http://www.valencyinternational.com/chick-peas-kabuli-specifications.php
É isso, hoje vou falar de leguminosas, quero dizer, vou falar de cozer leguminosas em casa. Eu sei que esta é daquelas dicas de economia doméstica que todos conhecemos. Pelo menos é das dicas de economia doméstica mais faladas. Mas nem por isso vou deixar de falar sobre ela.

Quando me juntei, decidi que cá em casa íamos consumir leguminosas cozidas em casa. Quer das que temos no quintal (normalmente apenas feijoca e algum feijão vermelho), quer das de compra. No entanto, sempre reconheci a praticidade de comprar feijão ou grão enlatado, é sempre útil ter em casa para uma emergência. O problema é que a ideia de ter em casa para alguma emergência, se tornou num hábito de consumo, sobretudo depois do Luís nascer. Ele veio mudar a nossa vida e hábitos, nem sempre para melhor, o tempo é escasso.

No entanto, cozer leguminosas não custa nada, podemos pôr uma grande quantidade de molho e cozer vários quilos de uma só vez e depois guardar as leguminosas, congelando-as. E foi isso que fiz recentemente, cozi imensa feijoca e tenho cinco caixas plásticas congeladas (eu tenho espaço para tal).


Recipientes com feijocas cozidas para congelar
Imagem própria

A nível económico, cozer feijão ou grão em casa fica muito mais barato do que comprar em frascos ou latas. A nível de saúde, o grão e o feijão enlatado já têm adicionados conservantes e sal, por exemplo os bebés quando começam a comer leguminosas não devem comer das que se compram já cozidas por este motivo. A nível ambiental, obviamente que também tem vantagens, sobretudo se como a feijoca que cozi vier do quintal, mas mesmo que se tenha de comprar as leguminosas, em cru ocupam muito menos espaço, logo as embalagens usadas são menos (melhor ainda se forem compradas a granel em grandes quantidades), sem contar com todos os processos industriais por que passam as leguminosas antes de serem enlatadas. No entanto, se comprarem leguminosas já cozidas embaladas, quer para questões de emergência, quer para uso habitual, escolham os frascos de vidro em detrimento das latas (estou a preparar uma publicação sobre latas para breve). Afinal, os frascos são facilmente reutilizáveis como podem ver abaixo.

No entanto, há algo sobre o feijão que vos queria contar, nas latas e frascos normalmente não vem a origem do produto. Mas nos pacotes que vendem as leguminosas cruas costuma constar essa informação, há umas semanas fui comprar feijão no Jumbo e originário de Portugal só havia um feijão a granel e biológico (tudo coisas boas), mas que era carissímo. Todo o outro feijão tinha as seguintes origens: Brasil, Estados Unidos da América, México, Canadá, Irão e Azerbeijão (é capaz de me faltar mais algum país de origem do feijão, mas não havia nenhum de Portugal, nem da Europa próxima). E pronto eu comprei um quilo de um feijão distante em vez de comprar o feijão português biológico caríssimo. Eu sei que a escolha não devia ter sido esta, mas pronto.

Por isso, sem dúvida que é mesmo melhor eu ter feijão no quintal do que comprar feijão de países tão distantes.

Mas bem, por falar em frascos, tal como o ano passado já comecei a fazer a minha polpa de tomate anual e a reutilizar os frascos.

Imagem própria

domingo, 24 de julho de 2016

Papel higiénico - uma história

Já não é a primeira vez que falo do papel higiénico (falei aqui), na altura expliquei que deixar de usar este produto não é uma coisa que eu pretenda fazer na prática (na teoria é mais fácil), mas também referi que só compro papel higiénico 100% reciclado (costumo comprar o papel higiénico reciclado do continente ou o Renova Green, o qual encontrei em promoção há pouco tempo). Mas no outro dia, o meu pai foi às compras e ele que nunca compra este tipo de coisas, lembrou-se de comprar um pacote de 40 rolos de papel higiénico de folha tripla da Scottex. Caso para dizer, é tudo mau, a Scottex não é portuguesa e a folha tripla é completamente desnecessária. Aliás, folha tripla até parece que nem limpa bem, minha rica folha simples. Mas pronto, já que se comprou tem de ser gasto. Pior que comprar produtos pouco sustentáveis é desperdiçá-los.

Mas isto fez-me lembrar de uma história que queria partilhar convosco, quando saiu a colecção da Renova às cores, primeiro só com o papel higiénico preto e vermelho, devo confessar que fiquei fascinada. Aliás, ainda hoje acho que visualmente é um produto apetecível, embora completamente inútil. Adorava, sobretudo o papel preto até porque ficava (teria ficado, se eu alguma vez o tivesse comprado) muito bem na minha casa-de-banho que é preta. Mas claro, nunca o comprei porque era caríssimo, vi agora no site da Renova que seis rolos custam 7,15€ (tal disparate!).

Agora mesmo que tivesse dinheiro, nunca o compraria, porque o aumento da minha consciência ambiental impede-me de comprar coisas que acho completamente inúteis, tendo em conta os recursos utilizados. Afinal, é o facto de estarmos a utilizar uma dada percentagem de fibras de papel novas, é utilizar tinta, utilizar perfume, tudo uma inutilidade pegada (na minha opinião), tendo em conta o fim para que serve. É que, eventualmente, até posso comprar papel higiénico de folha dupla/tripla e que não seja 100% reciclado, caso o sítio onde compro não tenha papel higiénico de folha simples 100% reciclado. Mas comprar papel higiénico às cores ou com perfume, jamais!


Imagem retirada de http://www.forbes.com.br/negocios/2016/01/conheca-o-homem-por-tras-do-papel-higienico-mais-famoso-do-mundo/

Mas é lindo não é? Eu acho lindo. Mas nem toda a gente o acha. E é agora que vos vou contar uma história sobre este papel higiénico.

Tenho um primo que anda a vender de aldeia em aldeia no interior de Portugal, ele tem uma carrinha onde vende tudo o que são produtos de mercearia. Quando saiu esta gama de produtos, a Renova fez uma campanha qualquer, onde ele teve direito a pacotes de papel higiénico destes na compra de outros produtos da marca. E como vimos acima, estes rolos que cada um custa mais de 1€, ele não os conseguiu vender. Os habitantes das aldeias, na sua maioria velhotes, não queriam papel higiénico preto, não o queriam quando era mais caro que o branco, não quiseram quando ele o tentou vender ao preço do branco, nem sequer quando o tentou vender mais barato que o papel branco. A verdade é que o papel que eu acho bonito, mas inútil e um desperdício de recursos era para a população destas aldeias simplesmente "mau, um produto que nem pensar usar".

Nessas aldeias, na altura, havia muitos imigrantes búlgaros que trabalhavam na agricultura e foram eles que acabaram por comprar o papel todo, mas só o compraram porque o meu primo o começou a vender a um preço muito inferior ao papel branco. Esta foi a única forma de alguém querer o papel.

E assim, um papel higiénico conhecido pelo seu design e que utilizou demasiados recursos acabou por ser vendido baratíssimo porque ninguém o queria. Aqui, está a prova que o valor que estamos dispostos a pagar depende de muitas coisas, sobretudo das nossas ideias sobre o que é bonito ou feio e sobre a nossa necessidade de estatuto social ou não. No meu caso, das características ecológicas, claro.

Gosto desta história. Queria partilhar convosco e já sabem, escolham papel reciclado e de folha simples.

domingo, 10 de julho de 2016

Inquéritos sobre hábitos ecológicos em crianças: resultados (1ª parte)

Considerações iniciais

No dia 10 de Maio, nesta publicação pedi a que os leitores respondessem a um inquérito sobre os hábitos ecológicos em crianças, ou seja, se os pais e principais cuidadores têm preocupações ambientais nas escolhas diárias que fazem na vida dos seus filhos.

Desde já e tal como referi na altura, este inquérito não pretende ser uma amostra fidedigna da sociedade, uma vez que para tal teria de ter uma amostra bastante heterogénea e como devem calcular quem vem a um blogue sobre questões de sustentabilidade responder a um inquérito é desde logo uma pessoa com algumas preocupações ambientais. Por isso, infelizmente, tenho a noção que esta amostra está muito enviezada. É pena.

Para concluir, tive 48 respostas ao inquérito, mas a pergunta se tinha filhos era uma pergunta de despiste que não permitia que se continuasse o inquérito, por isso decidi não considerar três inquéritos. Assim, apenas serão avaliadas as 45 pessoas que responderam ao inquérito completo.

Os inquéritos foram respondidos entre o dia 10 de Maio e o dia 19 de Maio.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Calças de ganga: um básico pouco sustentável



Lembram-se deste anúncio? Adorava-o.

Até há um ano atrás, acho que em 80% dos meus dias usava calças de ganga. Se recuar uns anos, acho que até 2011/2012 em 90% dos meus dias usava calças de ganga. Mas, agora, ando decidida a não o fazer mais. O que significa reduzir o uso deste tipo de calças, não estou a dizer que as vou deixar de usar de todo.

Foi ao ler isto (publicação que já anteriormente referi no blogue) que comecei a pensar no peso ambiental das calças de ganga, nomeadamente quando li:

"First, there’s water consumption. 2 billion pairs of jeans are produced every year, and a typical pair takes 7,000 litres of water to produce." (in http://www.greenpeace.org/international/en/news/Blogs/makingwaves/fast-fashion-drowning-world-fashion-revolution/blog/56222/).

Sete mil litros de água (em média) para produzir um par de calças de ganga. É demais não é? E foi assim que comecei a minha procura sobre os custos ambientais das calças de ganga.

Segundo o que consegui apurar (informações lidas aqui, aqui, aqui e aqui), as calças de ganga têm diversos aspectos negativos no que toca à sustentabilidade. Por um lado, são feitas a partir do algodão, cultura que utiliza imensos agrotóxicos. Mas bem, as calças de ganga não são as únicas peças de roupa feitas de algodão, logo acho que este não é o ponto principal. Mas todo o processo da criação da ganga é pouco sustentável.

Primeiramente, o tingimento dos tecidos (para ficarem com a cor da ganga) é feito com imensos corantes de origem não-natural, nomeadamente derivados do petróleo, os quais são poluentes. Posteriormente, para ficarem com aquele "ar velho", desbotado, usado, as calças de ganga passam por diversas lavagens com produtos poluentes, tais como lixívia, soda caustica e outros tipos de detergentes, Sim estamos a produzir um produto novo e a envelhecê-lo antes de ser usado porque isso está na moda. Eu também gosto, mas se pensarmos bem, a nível ambiental é ridículo.

Para piorar, ainda mais a situação, grande parte das calças de ganga (bem como das outras roupas) são feitas em países sem leis ambientais, nem leis laborais decentes. Mas referindo-me só às leis ambientais, o que acontece é que todos estes químicos usados para tingir as calças e os usados para posteriomente as envelhecer são despejados em cursos de água. Isto sem dúvida um problema gigantesco. Procurem no google por Jeans Pollution China e vejam as imagens, verdadeiramente tristes, como por exemplo a imagem que se segue.

Água "suja" descarregada de uma fábrica de lavagem de calças de ganga em Xintang - China
Imagem retirada de http://www.greenpeace.org/eastasia/news/stories/toxics/2010/textile-pollution-xintang-gurao/

Claro que outro tipo de roupa também usa tintas e também são feitas em países sem cuidados ambientais. Mas pelo que percebo a ganga devido à qualidade do tecido é mais difícil de tingir e a isso ainda acresce os envelhecimentos que se fazem ao material, um par de calças de ganga (ou outra peça de roupa deste material) antes de ser vendido passa por inúmeros processos. Enquanto que o mesmo não se passa com outro tipo de calças (peças de outros tipos de tecido).
Segundo, este site, umas calças de ganga só são verdadeiramente sustentáveis quando:
  • São feitas com algodão orgânico e certificado ou, com reaproveitamento de calças de ganga já existente no mercado;
  • A mão-de-obra é remunerada de acordo com as leis laborais e com atenção à segurança do trabalho;
  • O tingimento é natural;
  • Existe um programa de reaproveitamento da água utilizada na lavagem, para tal devem ser não devem ser usados produtos químicos;
  • Existe um programa de reciclagem de resíduos, reduzindo quase em sua totalidade o lixo têxtil. Para que o produto chegue perfeito e desejável às prateleiras, deve ter um design interessante;
  • Todo o processo de produção deve obedecer à legislação e às normas ambientais, buscando como complemento o melhor aproveitamento no uso de recursos naturais e a preservação da natureza e da biodiversidade.
Concordo, mas sei que é difícil encontrarmos calças de ganga que correspondam a todos estes itens. Todavia, as calças de ganga em si têm aspectos positivos quando comparadas com outro tipo de roupa. As calças de ganga são muito mais resistentes, duram imensos anos até ficarem estragadas (isto se não comprarmos calças de ganga já praticamente estragadas), não precisam de ser lavadas tão frequentemente, aliás segundo sei quase que não precisam ser lavadas. Mas a verdade é que poucas vezes aproveitamos estes aspectos positivos do produto. Eu pelo menos lavo-as frequentemente e vamos ser sinceros, quase nunca as usamos até ao fim da sua vida útil, porque entretanto compramos outras, porque há um modelo mais giro, por mil e uma razões. Eu até costumava usar as minhas calças de ganga até estarem mesmo estragadas, mas depois da gravidez, alguns pares já não servem.

E bem é por isto tudo que estou focada em que fotografias como as que se seguem (já com muitos anos) fiquem realmente no passado.

Imagem própria

Por isso, a partir de agora espero que as minhas fotografias sejam sobretudo assim:

Quer dizer não precisam de ser só calças de fato de treino, nem ser todas as fotografias com o meu Cão Limão
Imagem própria

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Papas caseiras de bebé

Hoje quero falar de um assunto que parece que é tabu, a alimentação complementar dos bebés, mais especificamente as papas. Digo que parece que é tabu porque a maioria das pessoas dá como certo que as crianças irão comer papas comerciais.

Embora existam muitas papas comerciais, as mais famosas parecem ser as da Cerelac, inundadas de açúcar, o que até pode ser saboroso, mas não é de todo saudável. E sem sermos fundamentalistas, um bebé comer algo com açúcar não é o fim do mundo, mas para quê começar logo desde pequenino a com algo que não é essencial? E que ainda por cima faz mal, eles têm a vida toda para comer doces.

Quando introduzi a alimentação complementar do Luís, no centro de saúde disseram-me logo para não lhe dar boiões de fruta, mas quando questionei sobre as papas comerciais, a resposta foi: "Como ele é um bebé magro, não há problema". Claro que se ele fosse um bebé tendencialmente gordo, dar-lhe papas cheias de açúcar era pior, mas não é por ele ser magro que é algo que se deva promover. A pediatra, mais tarde, disse exactamente o mesmo. Mas como sou de ideias fixas decidi dar-lhe papas caseiras, compro os cereais integrais e na maior parte das vezes biológicos e faço com fruta. Não uso leite materno, uma vez que ele mama em livre demanda e por isso acho que não é essencial dar-lhe leite na papa até porque eu e a bomba continuamos a ter uma relação difícil. Todo o leite que tiro guardo religiosamente para os dias que não posso estar com ele.

Para fazer as papas caseiras inspirei-me no blogue Na cadeira da papa.

Normalmente as minhas papas são quase sempre feitas da seguinte forma, 3 colheres de sopa de cereais, vario entre flocos de aveia, flocos de cevada e sêmola de milho (os flocos de aveia e de cevada demolho cerca de duas horas no mínimo antes de fazer a papa) e uma peça de fruta (já experimentei pera, maça, banana, manga e papaia), adiciono ainda cerca de 150ml de água.

Cozo os cereais na água, algumas vezes cozo também a fruta, noutras vezes junto a fruta crua. Depois trituro tudo. E devo dizer que as papas têm feito sucesso. Até agora as minhas duas papas preferidas foram Aveia, Cevada e Manga (gostei mais eu do que ele) e Aveia, Cevada, Sêmola de Milho e Maça (gostamos ambos, é mesmo, mesmo boa). Ele comeu muito bem a de papaia, mas acho que não foi das melhores.

A nível económico não vos sei dizer se fica mais barato ou mais caro, mas é sem dúvida mais saudável e penso que mais ecológico também (embora claro que os cereais também gastem embalagens, mas pelo menos não passaram por tantos processos industriais).

A primeira papa com pera
Imagem própria

A vez da papa com papaia
Imagem própria








O resultado final e não vou dizer onde foi parar o prato a seguir
Imagem própria






Todavia, nem sempre vou conseguir fazer-lhe papas caseiras, acho que às quintas-feiras então vai ser impossível, para esses momentos optei por comprar as papas Holle. As quais são biológicas e sem adição de açúcar, hoje vai experimentar pela primeira vez. Quando ele for para a creche é que vai ser mais complicado, pelo que percebo é tudo Cerelac e papas com bolacha Maria. Estou a pensar seriamente levar papa diferente para ele, vamos ver.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Destralhar, o minimalismo e as canetas

Nos últimos tempos tenho lido bastante sobre o minimalismo, a ideia que ter menos é melhor. Ter pouco, o essencial, deixa-nos tempo livre. Afinal ter muitos objectos normalmente ocupa-nos mais tempo e atenção, a limpar, organizar, etc, etc. Todavia, para mim, a solução não passa por descartar os objectos para o lixo, mas sim por os maximizar e, dando tempo ao tempo, ter cada vez menos. O que quer dizer, usar tudo até ao fim da vida ou reencaminhar os objectos para alguém que precise e depois não cair na tentação de comprar outros para o lugar destes. A não ser que seja realmente necessário.

Quem conhecia a minha mãe e conhece o meu pai sabe que é difícil ter poucos objectos estando perto deles, a não ser que mande as coisas fora e isso não está em questão. Deste modo, este processo vai levar muito tempo e requer muita paciência. Por isso mesmo, acho que irei continuar a almoçar durante os próximos 40 anos nos mesmos pratos que já têm 40 anos e ainda estão impecáveis. Sim, já não se usam, mas almoço em pratos das loiças de Coimbra (já não existem estas fábricas) que já devem ser peças vintage. Certamente uma mais valia ou talvez não.

E claro vou continuar a usar panos da loiça com o calendário de 1995 e a usar as toalhas de mesa que a minha mãe costurou para o café da minha avó há uns vinte anos atrás. Claro que só uso porque quero, sei que há coisas mais bonitas no mercado, mas sinceramente não me faziam mais feliz e não quero descartar estas coisas só porque não se usam mais.


Até os acho bem giros
Imagem própria


Então o meu lema é destralhar, mas sem deitar coisas em bom estado no lixo, por isso ou as dou a quem precisa ou uso até ao fim da vida. Mas o mais importante para ajudar a destralhar é não comprar, nem aceitar mais tralha.

Relativamente às canetas que menciono no título, quando era miúda fazia colecção, o que significava que a minha mãe comprava imensas canetas para me oferecer e o meu pai pedia canetas em todo o lado (acho que nunca perdeu esse vício). Mas deixei de fazer colecção para aí quando acabei a escola primária, ou seja há uns vinte anos.

Acho que tinha uma quantidade de canetas como as desta foto que encontrei no olx.

Imagem retirada de https://olx.pt/lazer/coleccoes-antiguidades/guarda-guarda/#from404

O que significou que durante o ensino básico, secundário e universitário nunca tive de comprar canetas, até porque volta e meia iam aparecendo umas novas, sobretudo na faculdade quando ia a conferências. Depois levei canetas para os meus empregos (nenhuma das empresas tinha canetas próprias e na segunda empresa em que estive pedir uma caneta era quase cometer um crime) e posteriormente para a minha loja. Entretanto pelo meio mandei muitas canetas fora porque secaram. Mas mesmo assim, ainda tenho bastantes, mesmo já tendo deixado de aceitar brindes há algum tempo.

Mas no outro dia, o meu marido que ultimamente tem tido umas ideias muito sustentáveis de que muito me orgulho, decidiu levar várias canetas para a empresa onde trabalha. De notar que ele trabalha numa multinacional com milhões de lucro, onde tem canetas disponíveis quando quer. Aquela empresa típica de onde as pessoas trazem canetas, mas que ele deciciu levar canetas para não usar mais recursos e para destralhar mais um bocadinho a casa. Bem bom! Até porque as canetas não são recicladas, logo precisamos mesmo de consumir/produzir menos destes produtos.

Mas ando eu em processo de destralhar quando chega o meu pai e diz "O B. deu-me um fato de mergulho e material de pesca submarina que ia deitar fora", respondo "Oh pai, mas para que tu queres isso?", "Então ele ia deitar fora e estava em bom estado. Mas o primo J. já meteu no olx à venda". Ao menos já está a venda.

Ponto positivo do meu pai: não gosta de mandar nada que esteja em bom estado para o lixo; ponto negativo: não se importa de acumular o "lixo" dos outros, porque pode dar jeito algum dia. Pelo menos neste caso foi logo posto à venda.

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