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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O jardim e o Outono

O meu namorado não é tão preocupado com as questões ambientais como eu sou. De facto, ele até implica um bocado comigo. Bem, obviamente que aquela parte da reciclagem, de preferir alimentos de origem portuguesa, não desperdiçar alimentos e outras coisas, ele concorda e faz. Ele até prefere andar a pé ou de transportes públicos que de automóvel, logo nem me posso queixar muito. E aceitou, mesmo que a contra-gosto as fraldas reutilizáveis. Se calhar, até é bem preocupado, tendo em conta a generalidade das pessoas que eu conheço.

Mas tudo o que entra em coisas como querer usar produtos de higiene ou de limpeza com menos tóxicos, guardar embalagens a pensar que as vou reutilizar (sem ter qualquer ideia como) ou querer usar lenços e guardanapos de pano (hei-de falar disto numa postagem futura), separar o lixo que as pessoas misturam na loja ou apanhar lixo do chão, ele já acha demais.

Mas no fundo não sei quem contribui mais para o bem-estar do nosso planeta, se eu, se ele. É verdade que eu tento diminuir as emissões de dióxido de carbono, mas cá em casa é ele que contribui grandemente para o aumento de oxigénio. Já que é ele que trata do nosso jardim, o nosso jardim basicamente são um conjunto de canteiros no quintal. E da horta, essa parte é repartida com o meu pai.

Estes canteiros, muitos ainda são do tempo do meu avô. O meu avô tinha sempre os canteiros muito arranjados, afinal ele foi jardineiro dos jardins de Belém. Mas depois dele morrer, o meu pai nunca mais os teve muito bonitos. O meu pai gosta de flores, planta-as e rega-as, mas não tem muita paciência para a manutenção. Por isso, desde que eu e o meu namorado viemos viver cá para casa e ele começou a tomar conta do jardim, as flores estão muito mais bonitas, o espaço bem mais agradável, os bicharocos muito mais felizes, nomeadamente as abelhas. A beleza das flores enche-nos o espírito.

O momento áureo é claro, o renascer na Primavera, primeiro umas flores, depois outras. Viver perto da natureza faz-nos preparar melhor as estações. E estas quando se tem um quintal mudam-nos os hábitos. Por exemplo, muita gente não entende porque no Verão jantamos sempre mais tarde que no Inverno. A questão é simples, no Inverno quando se chega do trabalho é noite, no Verão é dia.

Normalmente, no Verão, o meu namorado quase todos os dias trata do jardim, ora umas coisas, ora outras. Vivemos muito mais o exterior. Mas agora ele chega a casa já de noite, não dá para fazer nada, ao fim-de-semana se estiver a chover também não dá. O Outuno e o Inverno com algumas condicionantes são épocas de preparar o jardim para o renascer que virá mais tarde. Tarefas como apanhar folhas, revolver a terra, comprar novos bolbos, podar roseiras, etc. Para na Primavera tudo nascer com mais harmonia.

Às vezes, não pensamos nisso, mas acho que também o devíamos fazer a nível pessoal, o Outono devia ser um tempo de pensamento e reflexão sobre nós mesmos. Mas para reflectir é preciso ter tempo, nem todos o temos e nem todos o queremos ter.

E assim, aqui no quintal agora vão cair as folhas, as flores vão morrendo aos poucos, a terra vai ficar molhada, a chuva trará nutrientes importantes, as ervas se o Sol aparecer vão crescer. Todos os dias, todos os anos é assim, há imenso tempo.

Para travar o crescimento de ervas sem fim nos canteiros, o meu namorado está a cobri-los com casca de pinheiro que trouxemos da terra dele. Adoro ver a casca do pinheiro, mais uma vez a natureza fornece tudo o que é necessário. Com o tempo, a casca vai-se degradando e integra-se no solo.

O problema desta tarefa é que ainda deverá demorar bastante a estar concluída. Ele agora chega sempre a casa de noite, é preciso esperar que a metereologia permita fazer alguma coisa aos fim-de-semana. Mas é isto que é a agricultura e a jardinagem são um misto de persistência, paciência e um ciclo interminável. Às vezes, acho que me falta a paciência, mas acho que as actividades ligadas à terra e aos animais nos fazem entender melhor o ciclo das coisas, os tempos essenciais. No fundo, acho que este é o verdadeiro mundo, onde se nasce, cresce e morre e tudo se transforma. Um mundo muito mais verdadeiro e perto da essência humana do que o mundo inventado do glamour e das coisas supérfluas que criámos para preencherem o nosso quotidiano. Não sei bem porquê, mas ao escrever isto lembrei-me de um dos meus livros preferidos, A Quinta dos Animais (Animal Farm).

Aqui ficam algumas imagens do nosso jardim, fotografias já tiradas em Outubro, depois das primeiras chuvas.



A alfazema
Imagem própria

A casca de pinheiro com os cravos, as rosas, a alfazema e a framboesa
Imagem própria

São rosas... Rosas em Outubro?
Imagem própria
 
Restos marítimos, uma âncora e um antigo pote da pesca do polvo, usado agora como vaso
Imagem própria

Mais rosas... vê-se também o sistema de rega gota a gota com o objectivo de minimizar o crescimento de erva nos caminhos, bem como o desperdício de água (neste últimos dias, a chuva encarrega-se da rega)
Imagem própria

Uma rosa matizada, esta foi comprada já assim, mas é comum nascerem algumas assim quando duas roseiras diferentes estão muito próximas
Imagem própria

A relva e o baloiço que foi aqui posto quando eu era pequena (reutilizando uma velha cadeira de autocarro), o meu bebé já tem um baloiço à espera dele
Imagem própria


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As minhas infusões

Como o prometido é devido, decidi finalmente pôr a tesoura  a cortar as minhas ervas para fazer as infusões, a de lúcia-lima e a das mentas, tal como disse que faria na postagem Chás e infusões - escolhas.

Primeiro cortei-as, escolhendo as folhas que me pareciam saudáveis. Posteriormente separei as folhas das caules, não quer dizer que não tenha passado um bocadinho ou outro das caules e deixei a secar cerca de quatro dias. Convém deixar a secar num sítio que apanhe ar, mas onde não apanhe sol directo e já agora, o mais difícil de tudo onde a gata não chegue, senão o mais certo é posteriormente beber infusão de pêlos de gata. Pelo menos a minha gata parecia estar a achar que o sítio ideal para ir dormir era uma peneira cheia de folhas.

A lúcia-lima ou limonete, tem um cheiro idêntico ao do limão, não tem muito que referir é das minhas infusões, vulgo chás, preferidas. Muito boa para ajudar na digestão, se repararem aquelas infusões que se vendem como o nome Digestão Fácil, normalmente têm sempre esta erva.

As mentas ou hortelãs também são bastante agradáveis, adoro o sabor. Nesta infusão juntei quatro tipos, menta-chocolate, menta-laranja, menta-ananás e hortelã da ribeira (a hortelã mais comum que existe por aí). A que tenho em maior quantidade é a menta-chocolate, logo foi a mais usada para preparar as infusões. Vamos ver se esta mixórdia de mentas dá um sabor interessante.

Passado os quatro dias, ou seja hoje, como já estavam realmente secas, decidi dividir em frascos, separei mais algumas caules que tinham ficado. E no caso nas mentas, parti-as um bocadinho para quando for fazer a infusão os diferentes sabores se juntarem mais.

E agora vou lanchar, uma infusão de mentas e uma fatia de bolo de chocolate que acabei de fazer, não deixo a receita porque é pouco sustentável (cacau e coco não é algo muito europeu), mas é dos melhores bolos de chocolate caseiros que já comi. Se calhar um dia deixo a receita...

As mentas ao fundo e a lúcia-lima no meio
Imagem própria

Aqui estão as folhas já sem caules, à esquerda a lúcia-lima e à direita as mentas
Imagem própria
Já dentro dos frascos, dois de cada, à esquerda, as mentas, à direita, a lúcia-lima
Imagem própria

Falta a parte: Porque é que as minhas infusões são sustentáveis? Porque são do meu quintal, porque não têm químicos, porque não foram transportadas (só pelos meus pés) por meios que gastam recursos, porque não utilizaram embalagens novas e ainda porque estão guardadas em frascos reutilizados. Acho que é suficiente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O café e as minhocas

Como já referi, anteriormente, aproveito as borras de café da minha loja para o jardim.

Mas vamos primeiro ao café enquanto produto. Na Europa não se produz café, contudo somos grandes consumidores. Os maiores produtores mundiais de café são o Brasil, a Colômbia, a Indonésia, o Vietname, o México, a Etiópia, a Índia, a Guatemala, a Costa do Marfim e o Uganda. Isso mesmo, o café tão consumido no hemisfério Norte provem na sua grande maioria do hemisfério Sul ou no máximo do Sul do hemisfério Norte.

Pelo que li existem dois tipos de planta que originam o café: a robusta e a arábica.

Distribuição do cultivo de café (r - robusta; m - robusta e arábica; a - arábica)
Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9

Com esta produção mundial devíamos era deixar de consumir café. Ai! Mas o café, esse precioso produto que está nas nossas vidas como se fosse algo que existe desde sempre. Quase como se nascesse aqui ao lado, nem parece importado, parece um produto certo e adquirido, quase tradicional.

Então resta-nos beber o café e tentar reaproveitar qualquer coisinha. No meu caso, as borras de café, sim eu vendo o café e depois ainda o reaproveito, todas as semanas é menos um saco cheio que teria como destino o aterro. As borras de café são biodegradáveis, mas como se sabe em aterro e juntamente com outras coisas, nomeadamente plásticos, nem o que é biodegradável se degrada em condições e no mesmo tempo que demora na natureza.


Borras de café no canteiro antes de serem espalhadas (também estão uma flores secas misturadas)
Imagem própria

Na fotografia estão as borras de café no canteiro das hortenses. As borras de café são boas para a cobertura do solo de flores como as rosas e as hortenses porque melhoram a acidez e os nutrientes do solo. Mas bem, pelo que percebo podem não ser muito aconselháveis para certas plantas, porque a sua decomposição consome muito nitrogénio, retirando-o do solo, por isso nunca aproximo muito das raízes, vou pondo em espaços vazios ou nos caminhos dos canteiros. Além de serem boas para o solo, também são boas para afastar certos tipos de pragas. Outra coisa, parece que o cheiro também afasta os gatos, o que me leva a pensar que da próxima vez tenho de pôr umas quantas borras nos vasos das plantas interiores, já que a minha gata gosta de ir dormir para cima de algumas plantas e parti-las. Outra solução ideal para as borras é a compostagem, por isso se fazem compostagem, podem pôr lá o vosso café.

Mas quem é adora as borras de café, quem é? Esse maravilhoso animal que eu tanto gosto, as minhocas. As minhocas adoram borras de café, aliás gostam em geral de todos os restos orgânicos. O facto de elas serem tão boas trituradoras de resíduos orgânicos faz com que muita gente faça vermicompostagem, o que é basicamente compostagem com a introdução de minhocas. O que acelera muito o processo de transformação dos restos em composto.

Sobre a vermicompostagem e o trabalho árduo das minhocas, a Wikipédia diz o seguinte: "A vermicompostagem é o uso da minhoca na produção de húmus, decompondo resíduos e dejectos de animais e também o lixo urbano (orgânico), colaborando com a melhoria dos solos, sequestrando carbono e eliminando cheiros desagradáveis. A vermicompostagem é um processo bastante difundido, em especial entre moradores de áreas rurais, visto a minhoca ser uma verdadeira máquina de limpeza dos resíduos. Quando colocada a quantidade correta de minhocas (ao redor de 5.000 unidades por metro quadrado) em 30 a 35 dias (na compostagem normal leva de 100 a 300 dias), pode transformar 2,5 toneladas de resíduos orgânicos em húmus, em um canteiro de 10x0,80x0,40m. A minhoca come os resíduos, e seu excremento possui ao redor de 2 milhões de bactérias por grama, enriquecendo o solo deixando disponível as plantas praticamente todo o complexo mineral (cinco vezes e meia mais nitrogénio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e onze vezes mais potássio que o solo ou o resíduo que se alimentou)." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%BAmus).
E por este motivo andei o ano passado a apanhar imensas minhocas pelo solo e a espalhá-las nos canteiros para que estejam sempre a trabalhar, a comer os resíduos e a transformar em húmus. Por curiosidade podemos ver esta notícias, Minhocas podem ser alternativa para tratar solos contaminados ou Minhocas podem ajudar a limpar solo contaminado. Assim ainda espero que as minhas minhocas me tratem algum contaminante que esteja em excesso, nunca se sabe o que temos por aqui e se elas gostarem de comer contaminantes que estejam à vontade.

Nas imagens seguintes estão as minhas tentativas de fotografar as minhocas no mesmo canteiro que mostrei acima. Elas estão nas fotografias, não sei é se alguém as consegue ver, mas aqui estão elas a trabalhar alimentadas a muita borra de café.

Imagem própria



Imagem própria


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Fruta

Fruta, a maravilhosa fruta, se me perguntarem na generalidade qual o meu tipo de alimento preferido, sem dúvida que é a fruta. Se fosse obrigada a comer o resto da vida apenas um tipo de alimento, o que eu escolhia era a fruta, nem carne, nem peixe, nem produtos lácteos, nem sequer doces. Se fosse obrigada a escolher para o resto da vida entre uma maça e bolo de bolacha, a escolha era a maça, ainda bem que não tenho de escolher.

Desde pequena que a minha mãe comprava-me todo o tipo de fruta e mais algum, habituei-me a comer basicamente toda a fruta e nem sei qual a minha fruta favorita. Acho que não tenho, depende da estação, agora ando na fase que só me apetecem uvas.

A fruta é doce, a fruta é fresca (também gosto de frutos secos, adoro castanhas), a fruta é saudável e é um alimento em estado natural. Não é preciso cozinhar (mas também gosto cozinhada), não é preciso adicionar nem sal, nem açúcar. É perfeita!

Não precisa de imensas embalagens e podemos consumir muitas frutas a nível local. Se neste momento só encontrarem a vender laranjas da África do Sul, comam uvas. Mas ainda se encontra a bela laranja algarvia nos supermercados.

"Os frutos possuem um alto valor nutricional e possuem geralmente altos índices de fibras, água e vitaminas. A fruta contém também diversos fotoquímicos que são fundamentais para a saúde e preservação dos tecidos celulares e prevenção de doenças relacionadas com a má nutrição. O consumo regular de fruta está associado à redução do risco de cancro, de doenças cardiovasculares, da doença de Alzheimer, cataratas e de alguns dos declínios associados com o envelhecimento." (in http://www.alimentacaosaudavel.org/Fruta.html). Bem se apenas contasse a fruta que como, nem o facto da minha mãe ter morrido de cancro, o meu pai ser cardíaco e a minha avó ter tido Alzheimer, tudo coisas simpáticas e hereditárias chegariam à minha pessoa. Mas tenho noção que a fruta é boa, mas não é milagrosa.

Normalmente a fruta que compro é toda portuguesa, costumo ter esse cuidado, mais uma vez porque quer a nível ambiental, quer a nível económico essa é a melhor opção. As bananas costumo comprar ao exterior, mas para me redimir de umas quatro em quatro vezes compro bananas da Madeira. As restantes frutas tropicais é raro comprar até porque não fazem parte das minhas frutas favoritas. Além dos motivos ambientais e económicos comprar fruta do outro lado do mundo significa que ou está cheia de químicos que a permite aguentar imenso tempo ou foi apanhada praticamente verde, o que normalmente faz com que nem chegue muito saborosa nem muito nutritiva. A não ser que tenha sido transportada de avião.

Mas a verdade é que não compro assim tanta fruta quanto isso. Cá no quintal temos durante o ano: damascos; morangos; ameixas; figos; framboesas; dióspiros; tamarilhos e anonas. E este ano tivemos uvas, três cachos de uvas. Claro que não temos grandes quantidades de nada, com excepção das ameixas, mas vai dando para comer agora umas frutas agora outras.

Os meus sogros costumam ter e dar-nos, ou melhor, inundar-nos a casa de: cerejas, uvas, meloas, pêras, laranjas, tangerinas.

Na casa que temos na terra do meu pai todos os anos apanhamos laranjas e tangerinas, bem e o meu pai às vezes apanha os pêssegos do vizinho, tão biológicos, tão biológicos que costumam estar carregadinhos de bicho.

Além disto às vezes ainda me dão melâncias, nêsperas, romãs. Algumas das minhas frutas favoritas.

Nós cá em casa não pomos nada nas árvores, por isso a fruta é realmente pura, os meus sogros costumam sulfatar, mas nada que se compare às grandes explorações.

Nesta altura, também costumamos comprar maças directamente ao produtor, as quais ficam bem mais baratas e apenas usam como embalagens aquelas caixas plásticas grandes que são reutilizáveis, não há sacos e saquinhos de supermercado. Neste caso, às vezes a minha sogra compra as caixas numa quinta perto da casa dela e em outra ocasiões compramos a uma prima de Carrazeda de Ansiães, terra conhecida pelas belas maças, que compra pomares inteiros para comercializar.

Neste momento aqui no quintal temos disto:

As framboesas
Imagem própria




Os dióspiros
Imagem própria

Há quem diga que a fruta é cara, eu por acaso acho-a barata se formos a comparar com outros alimentos. Claro que se vamos comer uvas em Maio ou melância em Janeiro, se existirem à venda, serão caras e a qualidade/sabor não serão os melhores. Depois nas minhas observações de cidade e de campo tenho assistido a algo curioso. A maior parte das pessoas da cidade que conheço comem mais fruta do que as pessoas do campo que têm o quintal cheio de árvores de fruto.

Quando vou à terra do meu namorado, as pessoas acham estranho o facto de eu comer tanta fruta, na maioria dos casos, as pessoas têm árvores carregadas de fruta que acaba por se estragar. Às vezes acho que é um bocado o síndrome da pobreza que ainda veio de outros tempos, antigamente ninguém deixava estragar fruta porque não tinha mais o que comer, agora não a comem porque acham que há coisas melhores.

Assim estraga-se fruta diariamente em muitas casas que têm as árvores à sua disposição.
Nos supermercados e lojas estraga-se fruta diariamente porque as pessoas só querem comprar fruta bonita.
Nas casas particulares estraga-se fruta comprada.

Ao fim e ao cabo qual será a percentagem total de fruta consumida tendo em conta a fruta produzida?

Cá em casa, às vezes também deixamos alguma fruta estragar-se, mas normalmente as galinhas comem na mesma e não se queixam. Quando temos muita, muita fruta em perigo de se estragar, a solução é fazer salada de fruta ou sumos. Há uns tempos, a minha solução era fazer compotas, mas ainda ando a comer compotas que fiz há mais de dois anos. Neste momento a que tenho aberta é de Figo e Laranja. As compotas duram imensos anos e eu não me importo de comer compotas bem antigas, mas algumas das minhas reservas, acho que não vou conseguir aproveitar mesmo. Costumava oferecê-las, mas cheguei à conclusão que a maioria das pessoas não as comiam. Por isso, lá vão as galinhas comer compotas.

Mas em todo este país quantos quilos de fruta se estragam todos os dias? Quando andei a fazer um trabalho de campo, descobrir e contabilizar pontos de águas, poços, nascentes e furos, eu e o meu colega de trabalho nuns terrenos abandonados perto de Vila Velha de Ródão apanhámos dois sacos de 50 litros de laranjas. Foram laranjas para o escritório todo. Provavelmente daqui a uns meses lá estarão essas laranjeiras carregadas e abandonadas.

A quantidade de fruta e de outros alimentos desperdiçados daria para alimentar quantas pessoas? Daria para que o preço ao consumidor baixasse quanto?

E quando falamos de fruta importada, não falamos apenas do alimento desperdiçado, falamos também dos gastos de transporte e do impacte ambiental destes, para no fim acabarem no caixote do lixo e posteriormente num aterro. Até porque a maioria das pessoas não têm galinhas a quem dar as cascas e algum bocado de fruta tocada. Nem fazem compostagem.

domingo, 20 de setembro de 2015

Ervas aromáticas - oregãos

As ervas aromáticas são excelentes para a comida, uma vez que lhe confere um sabor muito mais delicioso. Temperar peixe, carne, saladas, vegetais cozinhados, para a sopa, para tudo.

Cá em casa não temos por hábito comprar ervas aromáticas secas, aliás nessa secção de ervas aromáticas e especiarias, apenas vamos comprando destas últimas e costumo escolher sempre os frascos de vidro. Quando compramos ervas aromáticas em supermercado, normalmente compramos em vaso e depois plantamos no quintal.

No quintal costumamos ter salsa, coentros, vários tipo hortelã/mentas, tomilho, alecrim, poejo e costumávamos ter oregãos. Todos pomos na comida verdes, com excepção dos oregãos que costumamos secar. Mas bem este ano não tivemos oregãos porque morreram e é uma erva que usamos bastante.

Um frasco de oregãos da Margão de 10g, por exemplo custa cerca de 1,50€, o que significa 150€/kg. Da marca do continente, um frasco de 15g, custa 0,60€, o que significa um preço por Kg muito mais reduzido. Bem 1,50€ ou 0,60€ é quase nada, mas podemos sempre poupar dinheiro e poupar mais umas embalagens e gastos em transporte, isto porque a natureza é generosa.

Sim bastante generosa se a conhecermos. Já repararam que muitas vezes à beira das estradas existem oregãos em estado selvagem, os quais crescem espontâneamente? Porque não apanhar esses oregãos? Bem, se calhar se for à beira do IC19 não convém por causa de substâncias nocivas à saúde, mas na maior parte dos sítios os oregãos devem ser de boa qualidade.

E fui isso que se fez este ano, já que não tivemos oregãos no quintal, apanhamos e secamos e entretanto enchi três frascos, bem maiores do que aqueles de compra como podem ver na fotografia.

Isto é consumir local sem recurso a consumo de novas embalagens.




Imagem própria


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Na Cidade não há hortas

Cá em casa temos um quintal, no qual cultivamos algumas coisas. Não cultivamos abundantemente e não comemos só, nem sequer essencialmente, o que produzimos. Mas algumas coisas vamos tendo.

Basicamente a nossa agricultura restringe-se a tomates, pepinos, courgettes, cebolas, feijão e alfaces. Por vezes espinafres e algumas couves, o facto de não semearmos mais coisas, deve-se sobretudo a não fazermos vida da agricultura. Além disto temos as ervas aromáticas: salsa, coentros, hortelãs, poejo, tomilho, alecrim e algumas árvores de fruto, sem contar com as minhas magníficas flores. As quais não são para comer, mas embelezam a vida de qualquer pessoa.

Devo dizer, antes do mais, que nesta parte do quintal e da horta, as minhas tarefas são quase nulas, não faço grande coisa, é verdade, deixo o meu pai e o meu namorado ocuparem-se disto, até porque têm mais conhecimento e têm mais jeito do que eu. Cá em casa não usamos fertilizantes, pelo menos nada parecido ao que usam nas grandes explorações, nem sequer fazemos tratamentos como há quem faça de sulfatar árvores e coisas do género. Embora eu desconfie que, às vezes, eles lá insiram um bocadinho de nitrato de amónio, mas mesmo assim é quase nada. Aliás, as pessoas que vêm cá a casa estão sempre a criticar a nossa agricultura, porque acham que senão pomos fertilizantes aquilo não vai dar nada, porque temos de arrancar mais as ervas, porque não devemos deixar no solo restos de outras culturas (eu penso exactamente o contrário).

Há muitas pessoas que pensam que o ideal é terem o solo no máximo da limpeza, sem restos do que teve antes, mas no meu entender uma planta para nascer teve de consumir nutrientes do solo, logo os seus restos deverão ser devolvidos a esse mesmo solo para o fortalecer. Penso que isto faz sentido, pelo menos para mim. Além destes restos orgânicos, o solo também é enriquecido pelo estrume dos nossos animais, já bem decomposto.





Termos os nossos próprios legumes e frutos tem diversas vantagens, primeiro sabemos que eles estão ali sempre à mão de semear, neste caso de colher. Segundo, são mais saudáveis que os de compra por não terem uma quantidade de químicos. Em terceiro lugar, contribuem para a libertação de oxigénio o que também é essencial para a nossa saúde. Em quarto lugar ao restrigirem as nossas compras de alimentos frescos, os quais na maioria das vezes vêm de lugares distantes, diminuem a quantidade de combustíveis que são usados em transportes, bem como grande quantidade de embalagens usadas. Por exemplo, já pensaram bem na diferença de embalagens porque que passaram as cebolas que compro no supermercado em relação às cebolas que tenho no quintal. E bem há muitas mais vantagens que agora talvez não me esteja a lembrar.

Depois contribuí para um ciclo que eu adoro, o chamado "ciclo do meu quintal"... os vegetais nascem, alimentam-nos, os seus restos alimentam as minhas galinhas e cabras, as quais crescem no quintal em liberdade fornecendo-nos carne (sim eu como carne, hei-de falar disso noutra postagem em breve), as galinhas também nos fornecem ovos. Os dejectos dos animais, juntamente com alguns restos vegetais, passado um tempo voltam ao solo, tornando-o mais rico em nutrientes, os quais são necessários para o crescimento dos vegetais. É a natureza no seu estado mais puro e belo, um ciclo perfeito.

Assim, a agricultura caseira, a pequena escala, mesmo que não seja 100% biológica é óptima para nós, para os nossos animais e para os pequenos animais que povoam as nossas cidades, vilas e aldeias. Isto se as pessoas não decidirem matar os pássaros, abelhas, caracóis e lagartixas entre outros porque lhe vão picar uma maça. Acho que no fundo, quem pode ter um jardim, uma horta, ou simplesmente um vasos na varanda está a ajudar a criar habitats, a fazer barreiras naturais à poluição, a consumir o dióxido de carbono e a libertar oxigénio... Em última análise, é excelente para diminuir a quantidade de mercadoria transportadas e de embalagens gastas.

E claro, se a produção de algum produto for grande pode sempre distribuir pela família, amigos e vizinhos que não podem ter os seus próprios produtos. Pode também vendê-los, ajudando muitas vezes famílias com baixos rendimentos a terem um bocadinho mais. E ainda dedicar-se às conservas, como falo nesta postagem Polpa de Tomate e a Reutilização de Frascos de Vidro

A música diz que "Na cidade não há hortas", mas eu vivo a menos de 15km de Lisboa e tenho uma horta e há quem a tenha mesmo dentro da cidade. Vivo quase num misto de ser sustentável quando produzo alguns alimentos, mas também ser sustentável porque vou trabalhar de transportes públicos. Que mais posso querer?

domingo, 9 de agosto de 2015

Polpa de tomate e a reutilização de frascos de vidro

Gosto de fazer conservas, comecei relativamente há pouco tempo, e gosto de tudo, doces, compotas, chutneys... mas bem quando comecei a fazer, fiz tantas, mas tantas que ainda tenho um stock considerável... só depois de fazer imensas comecei a perceber que quase ninguém as comia, por isso deixei de fazer. Aliás no que se refere a compotas e doces, a única que tenho feito é de tamarilho, lá por volta de Outubro/Novembro quando a árvore dá. Adoro aquele doce e como a árvore dá poucos frutos, no máximo faço 2 ou 3 frascos por ano.

Por isso a única conserva que continuo a fazer em doses "industriais" é polpa de tomate, não é bem igual à de compra, sendo mais um molho de tomate... costumo fazer uma quantidade que me dá quase para todo o ano. A quantidade que faço é proporcional aos tomates que o quintal produz, costumam ser bastantes.

Vantagens de a fazer:
1º gosto muito mais de a utilizar do que de utilizar polpa de tomate de compra;
2º os tomates do quintal não têm adubos, fertilizantes e coisas do género, logo são mais saborosos e penso que sejam melhores para a saúde;
3º passo um ano praticamente inteiro sem comprar polpa de tomate, nem tomate pelado, o que compro é muito pouco mesmo;
4º já que não compro, faço menos lixo, menos embalagens desperdiçadas;
5ª reutilizo imensos frascos que vou juntando durante o ano inteiro (bem este ano já tinha um stock tão grande que os que tinham as tampas mais velhas acabaram na reciclagem).

Desvantagens:
É preciso ter paciência e tempo, depende da quantidade que se faz claro.

O processo de fazer é simples, num tacho enche-se o fundo com cebola cortada às rodelas e o resto do tacho com tomate cortado aos pedaços (tirar o máximo de sementes que se consiga, mas se algumas passarem também não há problema). Eu costumo apertar o tomate com aquele utensílio de fazer puré até ficar mesmo pouco espaço livre. Cá em casa misturo todo o tipo de tomate que tenho, mas realmente o tomate chucha é o que mais rende. Tempera-se com um fio de azeite e um pouco de sal ou algumas ervas aromáticas à escolha (não exagero nos temperos porque depois quando se vai utilizar dependendo da comida podemos querer algo mais ou menos temperado). Depois ponho água até estar mais ou menos coberto. Quando está tudo cozido passo com a varinha mágica, deixo ferver e apago o lume.

O processo de corte
Imagem própria


O que mais me chateia é mesmo esterilizar os frascos, os quais já devem estar anteriormente lavados. O processo de esterilizar basicamente consiste em pô-los, juntamente com as suas tampas, numa panela com água quente até esta ferver. Depois deixar que o vapor da água desapareça do frasco, quando parece que está seco. Nesse momento podemos enche-los com a polpa de tomate, a qual ainda deve estar quente. Com os frascos cheios e bem fechados, pô-los novamente da panela cheia de água com a tampa virada para baixo e deixar que a água volte a ferver. Normalmente depois de apagar o lume deixo-os para o outro dia dentro da água. Este processo vai ajudar a criar vácuo. A partir daqui a polpa está pronta para ser consumida, depois de aberta deve ser guardada num frigorífico, antes disso costumo guardar os frascos num armário para não apanharem claridade.


Basicamente esta é a quantidade que fica daquele tacho de polpa de tomate (este ano já fiz 3 tachos cheios e ainda hei-de fazer mais que ainda temos tomate por aqui)
Imagem própria

Há quem compre frascos novos para fazer conservas, o que para mim é um contrasenso, afinal quero reaproveitar recursos. Mas na reutilização de frascos temos de ter em conta se as tampas não têm ferrugem e se vedam bem, só assim se consegue conservar por muito tempo, pois não permite que o ar entre em contacto com o produto. Claro que além disso, os frascos têm sempre de ser muito bem lavados.

O que sobra do tomate como será de imaginar é alimento para as galinhas, algumas sementes entretanto devem cair nos canteiros das flores que todos os anos costumam nascer tomates "selvagens" entre rosas e dálias.





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