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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Experiências - champô, pasta de dentes, desodorizante

Há bastante tempo escrevi a publicação Produtos de higiene e cosmética, na qual falei sobre alguns dos problemas associados aos produtos comuns de higiene e cosmética e consequentemente sobre a minha procura por soluções mais saudáveis, ecológicas e sustentáveis. No entanto, embora tenha mudado os produtos que consumo, continuei a usar produtos que usam embalagem e consequentemente produzem lixo.

Todavia, tinha alguma relutância em me decidir por receitas caseiras. Mas a ler o livro Desperdício Zero fiquei empolgada para reduzir de vez o meu consumo de produtos de higiene comerciais e consequentemente diminuir a quantidade de resíduos deste tipo. Contudo, as minhas experiências não correram exactamente como eu desejava. Mas vamos por partes.


Sem champô ou pouco champô

Das várias ideias que li, a ideia de deixar de usar champô foi a que me pareceu mais interessante. Neste caso, decidi experimentar a ideia de deixar de lavar o cabelo com champô de compra e passar a lavar com bicabornato de sódio e depois passar com vinagre de sidra. Produtos acessíveis,os quais tinha em casa, nada me parecia mais simples. E assim foi, durante uma semana lavei a cabeça com bicabornato de sódio, a seguir passava com água, passava o vinagre de sidra e voltava a passar por água. O meu cabelo estava lindo, sedoso, devido sobretudo ao vinagre calculo eu. Mas comecei a reparar que me estava a cair bastante cabelo, mais do que alguma vez tinha caído. No grupo Lixo Zero li alguns depoimentos sobre o assunto e quase todas as pessoas não se deram bem com esta solução. Pelo que explicaram o bicabornato de sódio é demasiado alcalino e por isso existem reacções nem sempre positivas. Decidi parar, não quis chegar a um ponto que fosse irreversível. Voltei ao meu champô sem parabenos e coisas que tais. Neste momento, a minha pretensão é aos poucos ir reduzindo o uso de champô, tentar que o meu cabelo se adapte a ser lavado menos vezes. Vamos ver como corre.

Posteriormente já li outras receitas que podem ser usadas para se lavar a cabeça sem champô. Mas acho que ainda não estou preparada para experimentar.


Sem pasta de dentes


Outra das ideias que está no livro Desperdício Zero é deixar de usar pasta de dentes e fazermos o nosso próprio pó dentrifico. O pó dentrifico consiste também em bicabornato de sódio, ao qual podemos juntar stevia. Eu experimentei e gostei bastante da sensação, aquela sensação salgada, mas só experimentei um dia. Entretanto decidi pesquisar sobre os efeitos do bicabornato de sódio nos dentes e cheguei à conclusão que não são lá muito positivos. Pelo que li,o uso continuado prejudica o esmalte dos dentes, enfim. Acabei logo com a experiência e voltei para a minha Pasta de Dentifrica Couto (às vezes outra qualquer, quando a Couto acaba e ainda não comprei uma nova). Depois disto, numa conversa do grupo Lixo Zero,uma das participantes referiu que ao fazer esta experiência danificou bastante os dentes. Logo por aqui, nunca mais.

Como podem ver, isto estava a correr mal o suficiente. Devo dizer que fiquei bem chateada por um livro aconselhar a utilizar produtos que acabam por ser prejudiciais com utilização continuada (o que não significa que alguém não se possa dar bem com eles). Mas foi,então que me decidi a fazer desodorizante, mas não segui nenhuma receita presente no livro,mas uma que me deram pessoalmente.

Desodorizante caseiro

Já foi há algum tempo que deixei de usar desodorizante comum, aqueles anti-transpirantes com alumínio, comecei a comprar desodorizantes mais ecológicos e saudáveis, mas claro com embalagem e certamente com alguns ingredientes não tão naturais como sendo feito em casa. Mas entretanto, decidi experimentar a seguinte receita:

  • Óleo de coco;
  • Amido de milho;
  • Bicabornato de Sódio;
  • Óleo de amêndoas doces ou outro óleo à escola (opcional).
Juntam-se medidas iguais (em volume) de óleo de coco (derreti um pouco), amido de milho e bicabornato de sódio e umas gotas do óleo de âmendoas doces, mexe-se tudo e voilá. Como derreti o óleo de coco, depois pus um bocadinho no frigorífico para solidificar.


Imagem própria
Imagem própria

Imagem própria
Aqui está ele. Para aplicar, uso um utensílio de tirar manteiga e depois aplico com os dedos. Devo dizer que este é o meu desodorizante preferido de sempre, nunca me dei muito bem com desodorizantes e este tem sido impecável, mesmo em dias de calor mais intenso, vamos ver como se porta mesmo no Verão. Entretanto a quantidade que fiz já acabou, tenho de ir fazer novamente.

Relativamente às embalagens e consequente lixo. É verdade que não uso embalagem para desodorizante, mas uso as outras todas. Mas o bicabornato de sódio e o óleo de amêndoas doces são coisas que tenho sempre em casa. Comprei apenas o óleo de coco (a embalagem é de vidro e vai ser reutilizada) e o amido de milho (embalagem de papel e plástico e não encontrei biológico), a vantagem destes produtos é que podem ser também usados na alimentação, ainda ontem o jantar levou óleo de coco.

É caso para dizer que temos produtos com várias funções. Se pensarmos bem é muito mais interessante termos três ou quatro produtos para vários fins, do que um produto para cada fim. Claro que para ser mais sustentável o ideal é comprar estes produtos a granel e reutilizar embalagens.

E fico-me por aqui sobre as minhas experiências, nem todas bem sucedidas, mas vamos aos poucos.
 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Março 2017: o regresso

Primeiro que tudo, quero pedir desculpa aos leitores que me leem por ter desaparecido do mundo virtual, assim sem nenhuma explicação.

A verdade é que comecei a ficar assoberbada de coisas para fazer, sem tempo para me dedicar ao blogue e devo confessar que também sem muita paciência. Nos tempos livres apenas pensava em dormir, pensava e ainda penso, que continuo sem dormir noites seguidas. Mas bem, decidi retomar o blogue, numa versão mais slow. Quero apenas me comprometer a fazer uma publicação por mês, onde pretendo contar alguns avanços e recuos sobre a minha luta ecológica. Posso eventualmente fazer mais algumas publicações, mas não será esse o meu objectivo.

A minha última publicação foi no dia que o meu filho fez um ano, queria contar-vos que a festa de anos dele correu bem e sem descartáveis (só os guardanapos). Mas copos, pratos foi tudo de loiça e isso deixou-me extremamente feliz. Também fiz limonada e refresco de chá, o que diminuiu o número de refrigerantes. A comida foi quase toda feita em casa ou comprada a particulares e o número de embalagens a ir para a reciclagem foi reduzido. Fiquei verdadeiramente feliz.


Mas que mais coisas mudaram nestes três meses e meio? 

Estar afastada do blogue não significou estar afastada da sustentabilidade. E muitas foram as alterações positivas.

  • Comprar produtos biológicos: aumentei em grande número a compra de produtos biológicos, compro sobretudo frutas e legumes no mercado de agricultura biológica que é feito à 4ª feira em Cacilhas (não compro tudo biológico, mas já é um passo);
  • Levar sacos para frutas e legumes: agora levo sempre, sempre, os meus sacos reutilizados para a fruta e os legumes, mesmo quando os compro em supermercados convencionais, tiro o saco da mala e está o assunto arrumado (os moradores da casa continuam a trazer muitos sacos plásticos transparentes, já que não os consigo convencer a deixarem de utilizar, reutilizo-os);
  • Iogurtes: os iogurtes ainda são provavelmente os maiores culpados da quantidade de resíduos que vão para a reciclagem cá em casa. Então como não quero deixar de comer/beber iogurtes decidi apostar nos iogurtes em embalagem de vidro, embalagens com mais de uma dose e nos iogurtes biológicos (neste caso não pela embalagem);
  • Café: deixei de beber café na minha loja (copos de plástico) e em casa (capsulas de café). Ok já estive desesperada por café e bebi em casa. Mas a norma é ir ao café beber café. Quero aderir a outra ideia, mas ainda não aderi, a seu tempo conto;
  • Roupa do bebé: estou constantemente a precisar de comprar roupa para o Luís, neste caso e com todo o problema da indústria têxtil do mundo, decidi algumas coisas, nomeadamente baixar consideravelmente a roupa que lhe compro nova (não estou a dizer que nunca mais irei à H&M). Mas decidi começar a pedir roupa usada às pessoas que conheço, depois quando ele precisar de roupa antes de tudo, tentar comprar em 2ª mão (as lojas Kid to Kid têm sido uma grande opção). Quando posso, tento comprar roupa ecológica que infelizmente é carissima, mas em saldos já comprei algumas peças nesta loja;
  • Sumos e refrigerantes: acabei de vez com a compra de refrigerantes e sumos, ter em casa para quando nos apetece dá sempre mais vontade de beber, se um dia tenho mesmo vontade vou à mercearia comprar, é mais caro, mas ter de me deslocar para comprar faz-me ver se realmente tenho vontade (só aconteceu uma vez que estava muito mal disposta e sentia que precisava de beber 7up). Se almoçar ou jantar fora e me apetecer um sumo, bebo um néctar que é em garrafa de vidro;
  • Destralhar e a minha roupa: finalmente ganhei coragem e destralhei grande parte do meu roupeiro, separei imensas coisas que já não usava (algumas há uns dez anos), é verdade que me servem, mas se em dez anos usei uma ou duas vezes, será que preciso delas? Não! Como a maioria já estavam bastantes gastas enviei para a minha tia para os trabalhos em agricultura (para o que quiserem, mas sobretudo com esse fim). No entanto, havia coisas em muito bom estado que consegui oferecer e que sei que vão ser bastante usados. Devo acrescentar que também ofereci a minha saia dos escuteiros, a qual já tem uns 17 anos. Isso mesmo, 17 anos a ocupar uma gaveta, já a podia ter dado antes, talvez tivesse dado jeito a alguém. Dei também os lenços e echarpes que eram da minha mãe, eu guardava-os como recordação, mas estavam escondidos no fundo de uma gaveta, dei a uma tia que adora essas coisas e fiquei feliz de a ver a usar estas coisas que eram da minha mãe, acho que assim os verei mais do que quando estavam no fundo da gaveta.

Acho que estas foram as minha principais alterações nos últimos meses, mas ainda estou em processo de destralhar, não só a roupa, mas tudo. Mas com duas grandes máximas: o objectivo do destralhe é encontrar novo dono para as coisas, todas as compras que fizer de roupa têm de ser muito bem pensadas. Preciso disto? Vou usar isto?

Comecei também recentemente a ler o livro Desperdício Zero ainda estou no início, mas já me está a inspirar. Às vezes tenho a sensação que não estou a ler nada de novo, nada que já não soubesse, mas ao ler dá-me energia para continuar a tentar reduzir o lixo.

E por falar em reduzir o lixo, nestes meses, tive mais ou menos noção do volume de resíduos que envio para a reciclagem dos plásticos, é cerca de um saco de 50L por semana. Enfim, podia ser pior, mas podia ser melhor. Neste momento, é nisto que quero trabalhar, na redução deste número (não sei se vai ser fácil porque não vivo sozinha e acho que nos devemos respeitar). Mas, o objectivo passa então por comprar mais coisas a granel, levando os meus sacos e por ter sempre atenção à embalagem.


Como escolher as embalagens?
Dependendo dos produtos, preferir vidro ou papel:

  • O vidro porque é facilmente reutilizável, sem libertação de toxinas e porque é 100% reciclável;
  • O papel porque é biodegradável.

Se as opções forem entre o metal e o plástico, embora o metal tenha associado o problema da extracção de minério, devemos preferir o metal ao plástico, afinal o metal é reciclável "nele próprio", uma lata pode novamente ser uma lata, enquanto um produto plástico raramente se consegue voltar a transformar no mesmo produto. O que significa que para alguns tipos de produtos de plástico temos de recorrer sempre a matérias-primas virgens. Além disso, não esquecer da quantidade de plásticos que facilmente se partem e se dispersam pelo ambiente.

Por falar nisso, no outro dia o meu pai lavrou a terra e depois eu fui semear girassóis e enfim, a quantidade de bocadinhos minúsculos de plásticos são imensos. Alguns podem ser por algum desleixo, mas a maioria não, a maioria devem-se certamente a plásticos que voam de um lado para o outro. A solução podemos dizer que passa pelas pessoas terem mais cuidado e porem sempre tudo na reciclagem, mas sinceramente acho que mesmo que todas as pessoas fossem cumpridoras, haveria sempre este problema, mesmo que a menor escala. A solução passa, sem dúvida, por comprar o menos número de plásticos possíveis, por exemplo em vez de molas de roupa de plástico, comprar molas de roupa de madeira. Se uma mola de roupa de madeira cair no solo, mais cedo ou mais tarde, desfaz-se, entranha-se no solo e é parte dele. No plástico, não é assim.
E aqui está uma revisão dos meus últimos três meses. Agora que melhorou o tempo e voltei a ir buscar o Luís à creche a pé, antes de chegarmos a casa damos uma volta maior e apanhamos muitos plásticos pelo caminho. Ontem foi dia de apanhar pacotes de iogurte e latas de Ice Tea. Grão a grão enche o ecoponto o papo.

Mas esqueci-me de dizer, o pior destes meses que estive afastada do blogue: as fraldas de pano estão paradas, enfim, muita roupa para lavar e para estender, dias de chuva e a máquina de secar avariou. Ao menos as toalhitas reutilizáveis continuam de pedra e cal. Mas as fraldas, este Inverno foram um fiasco. Sou ecológica, mas às vezes nem tanto.

Até Abril, boas práticas ecológicas e vamos todos lutar por um mundo em que os nossos filhos possam andar com as mãos na terra. A estrela vermelha não foi escolhida ao acaso.

Imagem própria

domingo, 6 de novembro de 2016

A bordo: o lixo viajante

Recentemente veio a público uma notícia que tem deixado muita gente (com razão) indignada. Afinal, Portugal está a receber toneladas de lixo italiano... Pelo que percebi da notícia, o lixo vem para ser depositado em aterro, o que é perfeitamente legal (daí a eu concordar é outra questão). No entanto, parece que a questão do lixo no Sul de Itália tem muito que se lhe diga, nomeadamente por ter sido controlado durante anos pela máfia, por isso mesmo, existe a desconfiança que entre os supostos resíduos urbanos que recebemos também existam resíduos perigosos. Segundo a notícia, a exportação de lixo foi a solução encontrada por Itália para travar a multa imposta pela União Europeia (multa motivada pelos resíduos acumulados sem destino e seus respectivos impactes ambientais).

O que significa que eles vendem o lixo e o problema "resolve-se". Sou contra! O lixo é algo demasiado importante para o andarmos a passear e a transportar de um lado para o outro. Além disso, por uma questão de justiça acho que cada um deve ficar com o seu lixo, não descartar o problema para outro país. Afinal, por mais que pague, nada paga (no meu entender) as implicações referentes aos aterros e à necessidade de mais aterros.

No fundo, eu nem sabia bem que os "países ricos" também recebiam resíduos de outros países, acreditava que apenas os "países pobres" faziam isso.

E agora vamos fazer uma viagem até aos anos 80 do século XX no Khian Sea. Conheci esta história há pouco tempo e fiquei fascinada, quer positiva (atitude da Greenpeace e governos locais), quer negativamente (incineradora de Filadélfia e governo norte-americano).

Como o ano em que nasci é um ano bastante histórico (desastre de Chernobyl) também esta história começou em 1986. Uma incineradora de Filadélfia nos Estados Unidos da América quis "despachar" as suas cinzas (15 mil toneladas). A gestora de resíduos contratada decidiu pôr as cinzas no navio Khian Sea, o qual haveria de levar o lixo americano para bem longe, para algum "país pobre". Durante 16 meses, o navio navegou pelo mundo tentando descarregar as cinzas. Honduras, Panamá, Guiné-Bissau e Antilhas Holandesas foram os destinos em que tentaram descarregar este material. No entanto, as autoridades destes países, avisadas pela Greenpeace, não deixaram.

Entretanto, conseguiram convencer o Haiti a ficar com as cinzas, para tal disseram que as cinzas eram fertiliizante para os solos. Quando as autoridades haitianas foram avisadas da verdadeira carga do navio, já a tripulação tinha descarregado 4 mil toneladas na praia de Gonaives, foram obrigados pelas autoridades haitianas a voltar a carregar as cinzas, mas zarparam deixando lá as cinzas a céu aberto (só no ano 2000, as cinzas voltaram para a origem e finalmente tiveram o "fim" desejado. Como hão-de compreender 4 mil toneladas de cinzas a céu aberto durante 14 anos, significou que uma grande quantidade foi levada pelo vento ou arrastada pela maré).

Depois de deixarem as 4 mil toneladas, o navio continuou à procura de destino para as 11 mil toneladas de cinzas que restaram. Senegal, Ski Lanka, Singapura foram destinos em que tentaram desembarcar a carga, sem sucesso. O navio mudou de nome, mas nunca conseguiu descarregar. Em 1988, algures entre Singapura e o Sri Lanka as cinzas desapareceram.

As cinzas do lixo de Filadélfia foram lançadas ao mar anos depois, numa área geográfica distante, contribuindo para a poluição do oceano e tudo o que aí advém.

Retirei esta informação deste site, para saberem mais pormenores consultem-no.

Imagem retirada de http://resources.gale.com/gettingtogreenr/uncategorized/the-strange-saga-of-the-khian-sea/


Quantas histórias destas existiram/existem?

Talvez não muitas como a que contei. Mas quanto lixo haverá a circular pelo mundo fora? Cada um deve cuidar do seu lixo, isso começa pelo indivíduo, passando pelas autarquias locais, entidades gestoras de resíduos, estados. Se não conseguimos controlar/cuidar/dar o fim adequado ao nosso lixo, a solução não deve ser que outro o faça, a solução deve ser repensarmos o lixo que fazemos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Mangas: proveniência portuguesa e espanhola

Quando o Luís começou a comer, além das frutas que estamos mais acostumados a dar aos bebés, pera, banana e maça, aconselharam-me a dar também papaia e manga. Confesso que não era frutas que eu costumasse comprar, primeiro porque não adoro papaia e não gostava de manga, segundo porque são frutas importadas e tento ao máximo comprar fruta nacional. Mas para variar a dieta do bebé lá comprei papaias e mangas. No que se refere às mangas, comecei sempre a comprar a de via aérea. Afinal, as mangas que chegam até nós por via marítima são apanhadas verdes para posteriormente amadurecerem, enquanto que as de via aérea ainda amadurecem na árvore (digo eu). O facto é que as de via aérea são sem dúvida muito mais saborosas e responsáveis por muito mais emissões de CO2 do que as outras devido ao seu transporte, o que não é nada positivo.

Mas com o facto de começar a comprar mangas descobri uma coisa, afinal eu gosto de mangas, a gravidez e a amamentação alteraram um bocadinho os meus gostos alimentares. E agora só me apetece comer mangas, mas continuava a controlar-me devido à sua proveniência. No entanto, com poucos dias de diferença descobri as mangas das Canárias e as mangas do Algarve.

As mangas das Canárias, ainda mais as do Algarve, têm uma grande vantagem relativamente às outras, gastam muito menos recursos a chegarem à nossa mesa. Além disso devido à proximidade são bem docinhas e nada fibrosas porque não são apanhadas verdes.

Imagem retirada de http://newsaboutbananas.blogspot.pt/

Manga das Canárias

Se calhar até são bem conhecidas, mas eu não sabia que existiam mangas nas Canárias para comercialização, descobri-as na mercearia que abriu perto da minha loja. Basicamente olhei para as mangas e questionei "Mangas de Espanha?", "Sim, são das Canárias". Na realidade tem bastante lógica que existam mangas nas Canárias, mas nunca tal me tinha ocorrido. Agora tornei-me uma consumidora de mangas das Canárias e da mercearia em específico, até porque eles têm sacos para a fruta feitos a partir de cana de açúcar em vez dos habituais sacos de plástico convencional (mas eu nem os de cana de açúcar tenho usado porque tenho levado sacos para a fruta). Mas acho óptimo uma pequena mercearia usar sacos mais sustentáveis. Sobre os sacos:


Imagem retirada de http://www.bigtower.pt/news/

Já andava eu fascinada com as mangas das Canárias quando descobri as mangas do Algarve.


Mangas do Algarve


Há uma ou duas semanas a minha sogra estava cá em casa e foi comprar mangas ao mercado aqui perto, eu já lhe tinha dito para comprar mangas espanholas ou então via aérea, mas ela ainda comprou melhor, comprou mangas algarvias. E digo-vos, comi a melhor manga da minha vida, uma verdadeira delícia. Entretanto falei com uma algarvia que me confirmou que por lá as mangas nascem e crescem em fartura, eu não fazia a mínima ideia. Mas não é de admirar de todo, afinal eu também tenho no quintal anonas e tamarilhos.

O único problema é que não há mangas nacionais e espanholas sempre (o que é normal), apenas as encontramos no início do Outono (mais ou menos), também a altura que costumo ter as anonas e os tamarilhos (que estão quase a ficar maduros). Por isso, a comer manga só conseguimos ser sustentáveis nesta altura do ano. No resto do ano temos três opções: não comer mangas; comer mangas via aérea que contribuem com emissões de CO2; comer mangas via marítima menos doces e mais fibrosas e que também gastaram bastante recursos para cá chegar. Por isso, agora ando a desforrar-me com mangas e depois quero ver se descanso desta fruta.

Já agora para terminar podem ver aqui os benefícios das mangas para a saúde, mas resumidamente:
  • Fortalecem o sistema imunológico;
  • Cuidam da pele;
  • Fazem bem ao coração;
  • Têm acção antioxidante;
  • Previnem o cancro;
  • Facilitam a digestão.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Breves: não ser ecológico é...

Como comerciante até é algo que eu poderia considerar bom... mas não há argumento algum que me leve a ver algo de positivo em ter clientes que constantemente compram uma lata de refrigerante, bebem um golo e mandam o resto fora. Isto acontece diariamente na minha loja, vários adolescentes compram uma lata de bebida e mandam-na fora quase inteira, passado uma hora ou duas voltam a fazer o mesmo.

Desperdiçam o dinheiro que os pais lhes dão (fruto supostamente do seu trabalho) e desperdiçam uma quantidade de recursos. Já os chamei à atenção, mas ainda fui olhada com aquele ar de "nós pagámos e estás a reclamar de quê?". Resta-me continuar a salvar as latas que eles deixam no caixote do lixo e no chão e reencaminhá-las para a reciclagem.

Se quiserem saber mais sobre as latas de alumínio, já falei delas aqui.

A facilidade com que adquirimos e descartamos as coisas assusta-me, ainda mais quando nem sequer as utilizamos.

Acho que o Papai Tucano e o Tucano Júnior também agradeciam se não lhes causássemos tantos danos ao seu habitat.

Imagem própria

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Pastilhas elásticas, uma compra inconsciente e as caixas dos supermercados

Lembro-me de ver uns documentários, há uns anos, sobre consumo e como a nossa mente se modifica quando entramos em lugares de consumo. A necessidade de consumir e o consumo por impulso. Vi esses documentários na cadeira de Geografia do Comércio e do Consumo e confesso que foram muito importantes para me sentir mais fortalecida nesta luta Pessoa vs Consumo. A partir daí, fui aumentado o meu conhecimento e o meu controlo sobre o que compro, nomeadamente a decifrar se realmente devo aproveitar ou não uma promoção e a não me deixar levar por publicidade ou pela disposição dos artigos nas lojas. Quer dizer, isto achava eu!

Há uns tempos, fui fazer umas compras ao Continente e tinha um talão daqueles de desconto de 5€ em 20€ de compras. É de aproveitar não é? Ainda por cima são mesmo coisas que eu tinha de comprar. Logo se posso poupar 5€ devo aproveitar. Até acho que sim, mas...

Cheguei à caixa e tinha-me enganado a fazer as contas, o total não chegava a 20€, eram 19 euros e tal... e assim não podia passar o desconto... e naquela ânsia de supermercado, pensei "deixa estar não faço o desconto", "mas ainda são 5€", "mais vale não fazer", "mas", "MAS" "MAS"... A rapariga da caixa disse-me, "porque não leva uma caixa de pastilhas" e eu, "ah sim", peguei nas pastilhas e pronto já fazia 20€. E com o desconto que ficou em cartão, no fundo só paguei 15€. Mas na realidade, eu não queria as pastilhas e sim, elas só estão ali junto à caixa devido às compras por impulso. E eu que ando aqui contra o consumismo comprei as pastilhas, só para ter um desconto.

Comprei um produto que não queria, que não precisava, um produto que obviamente teve de ser feito e para tal tiveram de ser gastos recursos. Em vez das pastilhas, mais valia ter comprado um pacote de arroz ou massa, algo com utilidade e que não se estraga. Mas não! Foi logo ali, o primeiro produto que me apareceu à frente. Só quando cheguei ao carro é que pensei "Que estupidez! Quantos milhares de pacotes de pastilhas no mundo inteiro se vendem por impulso?".

Sobre estas armadilhas que os supermercados têm, encontrei esta publicação e cá está cai numa delas. Esta publicação refere-a como armadilha nº6, basicamente consiste nas guloseimas de baixo preço que estão perto da caixa (local onde as pessoas estão algum tempo paradas) e quando adicionadas às compras, não fazem com que a conta aumente muito e parece que nem gastámos dinheiro. Mas vejam aqui, Armadilhas do varejo elevam conta em 15%.


É! Isto são caixas "demoníacas", cheias de coisas que não precisamos...
Imagem retirada de http://umserpai.blogspot.pt/2016/02/jovem-delinquente.html

Depois de pensar e repensar nesta história das pastilhas (se calhar acham que estou a exagerar), o que mais me chateou é que comprei um produto que não necessitava, que não me apetecia, que não faz bem nenhum à minha saúde, que utilizou energia e água para ser feito, transportado, etc, etc., e que faz mal ao ambiente, uma vez que as pastilhas são feitas a partir de derivados do petróleo. E para completar que aumentam a quantidade de lixo e quando deixadas na natureza são perigosas para os animais, nomeadamente para os pássaros.

No meu caso, o pior é que eu depois de uma infância é que engolia pastilhas elásticas, já tive uma fase de não as consumir. Quando andava no 9º ano fui a uma visita de estudo à fábrica da Gorila e conheci os processos de fabrico, na altura achei aquilo tão nojento, aquela pasta peganhenta e gigantesca, que decidi nunca mais mascar daquilo. O nunca mais ainda durou uns anos, pois só voltei a mascar pastilhas já andava na faculdade e sinceramente não sei qual a razão para ter voltado a consumir o produto. Devo ter-me esquecido daquele cheiro horrivel, exageradamente doce, que inundava a fábrica das pastilhas. De qualquer modo, nunca fui uma consumidora assídua, mas volta e meia, lá iam umas pastilhas.

Mas agora acabou-se, depois de ter caído nas armadilhas dos supermercados e ter pensado novamente a sério nas pastilhas, já decidi que não as volto a mascar novamente (vamos ver se a decisão desta vez é para sempre).

Entretanto, e só por curiosidade, descobri que existe uma Gum Wall em Seattle e a Bubblegum Alley em San Luis Obispo, ambas nos Estados Unidos da América. Basicamente são paredes cobertas de pastilhas elásticas usadas que se tornaram em grandes atracções turísticas. A mim, devo confessar que só de pensar me mete nojo.


Bubblegum Alley
Imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Bubblegum_Alley

Entretanto, a fazer esta publicação encontrei umas boas notícias, nomeadamente Suiça: chega de guloseimas nos caixas de supermercado. Frutas no lugar delas.. Basicamente, os conhecidos supermercado Lidl trocaram em várias caixas as guloseimas por fruta, na notícia fala dessa realidade na Suiça e Reino Unido. Já que é para comprar por impulso mais vale que seja fruta do que guloseimas. Acho que está na altura de falarmos com os supermercados que operam em Portugal a pedir uma medida idêntica.

Neste sentido redigi a seguinte mensagem:

"Bom dia

Estou a contactar-vos, uma vez que como vossa cliente gostaria de fazer uma sugestão, relativamente aos produtos que se encontram próximos das caixas dos vossos hiper e supermercados.
Os produtos que se encontram próximos das caixas são essencialmente guloseimas, pastilhas, chocolates e outros produtos pouco saudáveis. Este tipo de produto como vocês sabem melhor que eu são comprados sobretudo por impulso. As pessoas ao estarem paradas nas filas acabam por os comprar, não necessitando deles e dado as suas características não são muito recomendados. Isto piora como se sabe quando se tem crianças nas filas, as crianças são alvos mais fáceis destes produtos e estes só prejudicam a sua saúde.
Neste sentido, gostaria de sugerir que nos vossos hipermercados existam caixas de produtos saudáveis (todas ou algumas), caixas onde os produtos sejam, por exemplo, fruta em vez de chocolates, iogurtes em vez de refrigerantes, sumos naturais, snacks biológicos, etc, etc. A ideia como devem saber não é minha, já existe em alguns supermercados de alguns países.
Acredito que numa primeira fase, sintam alguma perda de vendas, mas seguramente terão clientes mais saudáveis. E nesse sentido, agradecemos todos, os clientes e numa última perpectiva também agradece o ambiente. Afinal produtos mais saudáveis são quase sempre produtos mais sustentáveis.
Obrigada pela atenção"

Enviei para o Continente, Jumbo, Lidl, Intermache, Aldi, Eleclerc, Minipreço, todos têm nos seus sites um formulário onde podemos deixar sugestões. Em contrapartida, no site do Pingo Doce nem encontrei formulário, nem email de contacto, tenho de voltar a procurar melhor. (editado posteriormente, também já encontrei o formulário).

Se alguém quiser enviar também mensagem com este propósito, pode se assim o entender, usar a minha mensagem.

sábado, 24 de setembro de 2016

Dinheiro local: mais comunidade, mais sustentabilidade

Desde que vi o documentário Amanhã (mencionei-o nesta publicação) que estou para falar sobre este assunto. Eu já sabia que havia comunidades locais que tinham o seu próprio dinheiro, mas nunca tinha pensado muito nisso. Mas quando vi o documentário pensei "Wow, é isto mesmo, isto é a solução".

No documentário referem o caso de Brixton. Brixton é um district que pertence ao borough de Lambeth na Grande Londres (uso as terminologias em inglês, porque não percebo nada das divisões administrativas inglesas e dá para perceber que district não é de todo a nossa ideia de distrito). Mas bem, o que interessa é que Brixton tem uma moeda local, a qual já está em circulação desde 2009.

Para conhecerem melhor a Brixton Pound pode visitar o seu site. No qual explicam "a missão" desta moeda local (o que se segue foi adaptado por mim):

  • Ajudar a proteger os empregos e meios de sobrevivência dos membros da comunidade, atravês do desenvolvimento de uma economia local forte;
  • Apoiar e construir uma economia diversa e resiliente que consegue lutar contra as dificuldades económicas e as grandes cadeias de comércio;
  • Consciencializar a comunidade para a importância da economia local;
  • Incentivar e facilitar um modelo de auto-ajuda com o fim de proteger os moradores;
  • Incentivar o abastecimento com produtos locais, diminuindo as emissões de CO2;
  • Contribuir para um percepção positiva de Brixton, chamando a atenção para a sua comunidade forte, economia e capacidade de inovação;
  • Valorizar Brixton regional e nacionalmente;

Basicamente as moedas locais têm como objectivo impulsionar as economias locais, para tal é construído um sistema entre os produtores locais, empresas locais e a comunidade. Este tipo de dinheiro funciona em circuitos fechados (todos os actores sociais que participam são locais), de forma a que o dinheiro seja constantemente investido na comunidade, não saindo sempre para as grandes empresas e grandes produtores. O dinheiro ao permanecer na comunidade, toda a comunidade ganha. Parece-me maravilhoso, não acham?

E como dizem no documentário, não é muito melhor ter o David Bowie do que a Rainha nas notas? É muito mais divertido!
Imagem retirada de http://brixton.atestserver.co.uk/library/Brixton-Pound-10.jpg




Em Inglaterra, este tipo de moeda local tem sido um sucesso, existindo em diversos sítios: BristolCardiffCornwallExeterKingstonLewesLiverpool, PlymouthStroudTotnes, and Worcester.

Em Portugal parece que este mês também está a ser recheado de boas novidades neste âmbito. Embora não seja bem a mesma coisa, a freguesia de Campolide em Lisboa decidiu fazer uma iniciativa de recolha de lixo em troca de dinheiro local, podem ver aqui. Adoro a iniciativa, uma vez que tem duas vertentes excelentes, incentiva a separação e colocação de lixo no sítio correcto, por outro lado ajuda o comércio local e consequentemente a vida da comunidade. Verdadeiramente magnífica a ideia.

Mas não para por aqui, a ideia parece ter agradado a mais pessoas e agora são os moradores do Areeiro em Lisboa que também querem criar a sua própria moeda.

Já há bastante tempo que falei de como acho importante incentivar o comércio local e estas são ideias excelentes. Vamos todos criar moedas locais, ajudam a comunidade, criam localidades com melhores vivências e ainda ajudam o ambiente. Fantástico!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Compras em 2ª mão: uma poupança de recursos

Já faz mais de um ano que fiz uma publicação intitulada Reutilizar na era da internet, na qual referi que achava que a massificação da internet veio potenciar bastante a utilização de artigos em 2ª mão, e consequentemente ajudar o ambiente. E passado um tempo tive mesmo a confirmação quando li OLX permite a poupança de 3,1 milhões de toneladas de CO2 por ano.

"Em 2015, os utilizadores do OLX, plataforma de classificados online, contribuíram para a redução das emissões de CO2 em cerca 3,1 milhões de toneladas – o equivalente ao consumo do oxigénio produzido por 136 milhões de árvores num ano – ao optar por comprar e vender artigos usados em vez de novos.
Os cálculos foram desenvolvidos e apresentados pela própria plataforma com base na pegada de carbono dos produtos anunciados durante o ano de 2015. A pegada de carbono corresponde à soma da emissão de gases com efeito de estufa em cada fase da produção de um bem. No caso de um frigorífico novo, por exemplo, ao somar a matéria-prima (325,5 kg CO2) com a produção (53,2 kg CO2) e o transporte (11kg CO2), pode-se considerar que tem uma pegada correspondente a 389,7 kg de CO2.
“Os 3,1 milhões de toneladas de emissão de gases com efeito de estufa evitados pela actividade do OLX, corresponde ao consumo anual de 2,6 milhões de portugueses com as suas viaturas automóveis”, explica a empresa." (in http://greensavers.sapo.pt/2016/06/01/olx-permite-poupar-31-milhoes-de-toneladas-de-emissoes-de-co2-por-ano-com-infografia/)

E claro, isto foram as contas do OLX, mas para além deste, existem outros sites, grupos de discussão, fóruns, etc., onde se vende muita coisa em 2ª mão. Claro que nada nos garante que as pessoas que compraram estas coisas em 2ª mão teriam ido comprar o mesmo tipo de produtos novos, mas provavelmente teriam.

Cá em casa, a melhor compra que fizemos no OLX foi um frigorífico (nem por acaso, é o exemplo que está em cima, logo sei que poupamos cerca de 390kg de CO2). O frigorífico onde costumamos guardar as coisas da horta (não é o frigorífico da casa, aliás até está junto ao forno de lenha debaixo do telheiro no quintal) avariou. E comprar um frigorífico novo para ter ali pareceu-nos um bocado demais. Então foi no OLX que encontramos o frigorífico ideal por 50€, os donos queriam vendê-lo porque iam mudar de casa e precisavam de se livrar dele rapidamente. Só tinha dois problemas, não tinha luz e não tinha puxador. O que não foi difícil de resolver, tirou-se a lâmpada e o puxador do antigo e ficamos com um frigorífico a trabalhar em excelente estado. Noutra altura, este frigorífico teria ido para o lixo e nós teríamos comprado um novo.

Mas, às vezes, até podemos não encontrar o produto que queremos à venda e nessas ocasiões não há nada como perguntar (nos sítios certos). Foi o que fiz depois de ter publicado Viva as fraldas de pano (oito meses depois), onde referi que tinha de comprar mais fraldas pré-dobradas. Na altura, estava a pensar comprar novas e, portanto, estava a pensar comprar da Mita (marca portuguesa, produzidas em Portugal). Mas decidi perguntar no grupo das fraldas no facebook, se ninguém tinha fraldas pré-dobradas para vender e como esperava, havia alguém. Assim, por dez fraldas pré-dobradas paguei muito menos do que ia pagar por seis fraldas pré-dobradas novas e poupei o ambiente em variadíssimos recursos. Se fosse agora, acho que teria comprado todas as fraldas em 2ª mão, arrependo-me de não o ter feito, ainda comprei algumas, mas gastei muito dinheiro em fraldas novas e tenho pouca diversidade.

As fraldas pré-dobradas que comprei em 2ª mão
Imagem própria

A verdade é que até no embalamento se poupa, até agora todas as fraldas que comprei em 2ª mão vinham embrulhadas em sacos reutilizados. Nesta última compra, desembrulhei o saco com muito cuidado e está ali guardado para ser novamente reutilizado.

sábado, 30 de julho de 2016

Cozer leguminosas em casa - melhor em todos os aspectos

Uma das memórias mais longínquas que tenho de infância é mergulhar as mãos num pote gigantesco de grão de bico na loja perto da casa da minha avó. Bem, não mergulhava só as mãos no grão de bico, também mergulhava no feijão, mas o grão de bico era o meu preferido. Depois comprava-se dois quilos de grão de bico ou qualquer outra quantidade, lavava-se, escolhia-se e ficava de molho e posteriormente era cozido.

Imagem retirada de http://www.valencyinternational.com/chick-peas-kabuli-specifications.php
É isso, hoje vou falar de leguminosas, quero dizer, vou falar de cozer leguminosas em casa. Eu sei que esta é daquelas dicas de economia doméstica que todos conhecemos. Pelo menos é das dicas de economia doméstica mais faladas. Mas nem por isso vou deixar de falar sobre ela.

Quando me juntei, decidi que cá em casa íamos consumir leguminosas cozidas em casa. Quer das que temos no quintal (normalmente apenas feijoca e algum feijão vermelho), quer das de compra. No entanto, sempre reconheci a praticidade de comprar feijão ou grão enlatado, é sempre útil ter em casa para uma emergência. O problema é que a ideia de ter em casa para alguma emergência, se tornou num hábito de consumo, sobretudo depois do Luís nascer. Ele veio mudar a nossa vida e hábitos, nem sempre para melhor, o tempo é escasso.

No entanto, cozer leguminosas não custa nada, podemos pôr uma grande quantidade de molho e cozer vários quilos de uma só vez e depois guardar as leguminosas, congelando-as. E foi isso que fiz recentemente, cozi imensa feijoca e tenho cinco caixas plásticas congeladas (eu tenho espaço para tal).


Recipientes com feijocas cozidas para congelar
Imagem própria

A nível económico, cozer feijão ou grão em casa fica muito mais barato do que comprar em frascos ou latas. A nível de saúde, o grão e o feijão enlatado já têm adicionados conservantes e sal, por exemplo os bebés quando começam a comer leguminosas não devem comer das que se compram já cozidas por este motivo. A nível ambiental, obviamente que também tem vantagens, sobretudo se como a feijoca que cozi vier do quintal, mas mesmo que se tenha de comprar as leguminosas, em cru ocupam muito menos espaço, logo as embalagens usadas são menos (melhor ainda se forem compradas a granel em grandes quantidades), sem contar com todos os processos industriais por que passam as leguminosas antes de serem enlatadas. No entanto, se comprarem leguminosas já cozidas embaladas, quer para questões de emergência, quer para uso habitual, escolham os frascos de vidro em detrimento das latas (estou a preparar uma publicação sobre latas para breve). Afinal, os frascos são facilmente reutilizáveis como podem ver abaixo.

No entanto, há algo sobre o feijão que vos queria contar, nas latas e frascos normalmente não vem a origem do produto. Mas nos pacotes que vendem as leguminosas cruas costuma constar essa informação, há umas semanas fui comprar feijão no Jumbo e originário de Portugal só havia um feijão a granel e biológico (tudo coisas boas), mas que era carissímo. Todo o outro feijão tinha as seguintes origens: Brasil, Estados Unidos da América, México, Canadá, Irão e Azerbeijão (é capaz de me faltar mais algum país de origem do feijão, mas não havia nenhum de Portugal, nem da Europa próxima). E pronto eu comprei um quilo de um feijão distante em vez de comprar o feijão português biológico caríssimo. Eu sei que a escolha não devia ter sido esta, mas pronto.

Por isso, sem dúvida que é mesmo melhor eu ter feijão no quintal do que comprar feijão de países tão distantes.

Mas bem, por falar em frascos, tal como o ano passado já comecei a fazer a minha polpa de tomate anual e a reutilizar os frascos.

Imagem própria

domingo, 24 de julho de 2016

Papel higiénico - uma história

Já não é a primeira vez que falo do papel higiénico (falei aqui), na altura expliquei que deixar de usar este produto não é uma coisa que eu pretenda fazer na prática (na teoria é mais fácil), mas também referi que só compro papel higiénico 100% reciclado (costumo comprar o papel higiénico reciclado do continente ou o Renova Green, o qual encontrei em promoção há pouco tempo). Mas no outro dia, o meu pai foi às compras e ele que nunca compra este tipo de coisas, lembrou-se de comprar um pacote de 40 rolos de papel higiénico de folha tripla da Scottex. Caso para dizer, é tudo mau, a Scottex não é portuguesa e a folha tripla é completamente desnecessária. Aliás, folha tripla até parece que nem limpa bem, minha rica folha simples. Mas pronto, já que se comprou tem de ser gasto. Pior que comprar produtos pouco sustentáveis é desperdiçá-los.

Mas isto fez-me lembrar de uma história que queria partilhar convosco, quando saiu a colecção da Renova às cores, primeiro só com o papel higiénico preto e vermelho, devo confessar que fiquei fascinada. Aliás, ainda hoje acho que visualmente é um produto apetecível, embora completamente inútil. Adorava, sobretudo o papel preto até porque ficava (teria ficado, se eu alguma vez o tivesse comprado) muito bem na minha casa-de-banho que é preta. Mas claro, nunca o comprei porque era caríssimo, vi agora no site da Renova que seis rolos custam 7,15€ (tal disparate!).

Agora mesmo que tivesse dinheiro, nunca o compraria, porque o aumento da minha consciência ambiental impede-me de comprar coisas que acho completamente inúteis, tendo em conta os recursos utilizados. Afinal, é o facto de estarmos a utilizar uma dada percentagem de fibras de papel novas, é utilizar tinta, utilizar perfume, tudo uma inutilidade pegada (na minha opinião), tendo em conta o fim para que serve. É que, eventualmente, até posso comprar papel higiénico de folha dupla/tripla e que não seja 100% reciclado, caso o sítio onde compro não tenha papel higiénico de folha simples 100% reciclado. Mas comprar papel higiénico às cores ou com perfume, jamais!


Imagem retirada de http://www.forbes.com.br/negocios/2016/01/conheca-o-homem-por-tras-do-papel-higienico-mais-famoso-do-mundo/

Mas é lindo não é? Eu acho lindo. Mas nem toda a gente o acha. E é agora que vos vou contar uma história sobre este papel higiénico.

Tenho um primo que anda a vender de aldeia em aldeia no interior de Portugal, ele tem uma carrinha onde vende tudo o que são produtos de mercearia. Quando saiu esta gama de produtos, a Renova fez uma campanha qualquer, onde ele teve direito a pacotes de papel higiénico destes na compra de outros produtos da marca. E como vimos acima, estes rolos que cada um custa mais de 1€, ele não os conseguiu vender. Os habitantes das aldeias, na sua maioria velhotes, não queriam papel higiénico preto, não o queriam quando era mais caro que o branco, não quiseram quando ele o tentou vender ao preço do branco, nem sequer quando o tentou vender mais barato que o papel branco. A verdade é que o papel que eu acho bonito, mas inútil e um desperdício de recursos era para a população destas aldeias simplesmente "mau, um produto que nem pensar usar".

Nessas aldeias, na altura, havia muitos imigrantes búlgaros que trabalhavam na agricultura e foram eles que acabaram por comprar o papel todo, mas só o compraram porque o meu primo o começou a vender a um preço muito inferior ao papel branco. Esta foi a única forma de alguém querer o papel.

E assim, um papel higiénico conhecido pelo seu design e que utilizou demasiados recursos acabou por ser vendido baratíssimo porque ninguém o queria. Aqui, está a prova que o valor que estamos dispostos a pagar depende de muitas coisas, sobretudo das nossas ideias sobre o que é bonito ou feio e sobre a nossa necessidade de estatuto social ou não. No meu caso, das características ecológicas, claro.

Gosto desta história. Queria partilhar convosco e já sabem, escolham papel reciclado e de folha simples.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Super Bock Super Rock e o Ecocup

Não, este ano não vou ao Super Bock, Super Rock, e também não, eu não bebo cerveja... e ainda outro não, ninguém me pagou para fazer publicidade, eu gosto mesmo de fazer publicidade gratuita a coisas que não consumo. É tipo isso.

Mas bem, no outro dia fiz uma publicação, intitulada Verão: festas, festivais e lixo no chão e tal como referi na altura enviei email às duas maiores marcas de cerveja em Portugal (Sagres e Super Bock). No email referi a minha preocupação e dei algumas ideias de redução de resíduos que acho que podiam aproveitar. Da Sagres não obtive resposta, mas a Super Bock respondeu-me e foram simpáticos, disseram-me que já utilizam o Ecocup em alguns festivais e que algumas ideias que eu dei irão ser analisadas (a ver vamos).

Na sequência de não ter recebido resposta da Sagres até disse ao meu marido que ele devia passar só a comprar Super Bock porque são mais simpáticos. Mas ele relembrou-me que é mais sustentável comprar Sagres que é produzida no Sul do país, enquanto a Super Bock é produzida no Norte. Ele tem razão, de qualquer modo, ele costuma comprar a que está em promoção, essa é que é a realidade. Mas bem eu lá lhe disse: "Quando formos à tua terra compra Super Bock, a distância das duas fábricas é idêntica e a Super Bock é mais simpática."

Mas voltando ao Ecocup, nem de propósito (ou de propósito que isto dos algoritmos tem muito que se lhe diga - BIG BROTHER IS WATCHING YOU), ontem apareceu-me um anúncio patrocinado no facebook sobre o Ecocup. E aqui está ele.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/sbsr/photos/a.113343035402950.15079.112908165446437/1135256459878264/?type=3&theater



Sobre o Ecocup:

"A sustentabilidade tem tido um lugar especial nas preocupações do Super Bock Super Rock e este ano não é exceção. Os novos copos ecológicos reutilizáveis Super Bock, fruto da parceria com a multinacional francesa Ecocup, serão personalizados para o Super Bock Super Rock com três temas diferentes, um para cada dia do Festival. Uma edição de colecionador que contribuirá para a diminuição significativa destes resíduos no recinto e para as quantidades enviadas para reciclagem.

No momento de consumo da primeira cerveja será solicitado o valor simbólico de 2€, não se tratando de uma venda, mas sim de uma “caução” que poderá ser recuperada no próprio evento, caso o consumidor queira devolver o copo “amigo do ambiente”. Ao longo das várias horas de música, a cerveja é sempre servida num copo reutilizável novo, devendo o consumidor preservar e entregar o copo utilizado nos bares e quiosques existentes no recinto, sendo que quem quiser os poderá guardar para a posteridade. Vão estar disponíveis nos dois formatos habituais (25 cl e 50 cl)." (in http://www.superbocksuperrock.pt/pt/pt/info-%C3%BAtil/#info-util/all?open=gi-1955)

Por isso, se forem ao Super Bock Super Rock, começa hoje, em vez de gastarem copos de plástico descartáveis, escolham o Ecocup. Mesmo em outros festivais em que a cerveja seja a Super Bock, procurem para ver se têm, pelo que me disseram no email, no Rock in Rio também havia destes copos.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pague com trocos pelo ambiente

Ultimamente tenho tido um grande problema na minha loja, a falta de moedas de um euro e de dez cêntimos. De repente, nós que estávamos acostumados a ter bastantes moedas, deixámos de ter, os nossos clientes começaram a pagar mais com notas do que era costume. No nosso caso, embora isso nos poupe a chatice de contar moedas para depositar, tem dois factores negativos: a falta de trocos nas máquinas podem fazer com que deixemos de vender alguns produtos; a dificuldade arranjar dinheiro em moedas, mesmo pedindo no banco, eles não têm assim tantas moedas para todos os comerciantes que precisam.

Mas porque nos faltam tantas moedas? É simples, se num dia dez pessoas forem com notas de dez euros comprar um produto de um euro, só nessas dez pessoas vamos dar noventa moedas de um euro de troco. Sim, noventa moedas não é brincadeira.

Mas afinal o que tem isto a ver com ambiente? Tem mais do que parece. Quando li o livro Dormir nú é ecológico, uma das medidas da autora era pagar com dinheiro trocado sempre que possível. Facilitar o troco e não acumular moedas, faz com que existam mais moedas em circulação efectiva e, por isso, a necessidade de cunhar nova moeda é menor. Logo, ao cunhar menos moeda poupa-se recursos e energia. Na altura, não pensei muito na profundidade desta medida, mas também já sou ecológica neste aspecto. A realidade é que sou daquelas pessoas que paga sempre trocado (a não ser que não tenha) e antes de me pedirem para facilitar o troco já eu estou a procura de um, dois ou sete cêntimos.

Todavia, sei que há quem nunca tenha cêntimos para facilitar o troco porque todos os dias tira essas moedas da carteira para não andar pesado. Nunca entendi esta ideia, mas tenho uma amiga e uma tia que fazem isso, o que me tem dado muito jeito, pois são duas boas fornecedoras de moedas de dez cêntimos. Mas nem quero imaginar a imensidão de moedas de um e dois cêntimos que têm em casa.

No fundo, a questão é a seguinte, um determinado país (ou a zona euro, por exemplo) pode ter x moedas em circulação, mas as moedas em circulação efectiva são num número muito menor, por isso faltam moedas, as quais existem, mas acumuladas por aí. Claro que as moedas que não circulam são sobretudo as de pequeno valor.

Sobre a questão ambiental associada a isto podem ler esta publicação que talvez explique a questão melhor do que eu fiz. A acumulação de moedas por parte de pessoas comuns também tem criado problemas em diversos países, como por exemplo no Brasil, onde a crise de trocos foi realmente intensa como se pode ver aqui e aqui. Na realidade, o país foi obrigado a produzir mais moedas, não porque haja poucas, mas porque estas não circulam, o que faz com que não cumpram a sua função. O que cria problemas para quem compra que não quer ficar sem o seu troco e problemas para o comerciante que não consegue arranjar trocos. Por isso, existe a necessidade de produzir moeda e gastar recursos que no fundo são desnecessários. E não sei se a produção de moeda sem necessidade efectiva se cria problemas económicos, tipo inflação ou assim, alguém que perceba de economia que me explique. Mas obviamente que além da questão dos recursos gastos a nível ambiental, existe ainda a questão do dinheiro que o estado gasta na produção de moeda, dinheiro de todos os contribuintes que podia ser canalizado para outros sectores.


Imagem retirada de http://karicatiras.blogspot.pt/2012/01/9-troco-em-bala.html


Por isso, já sabem facilitem sempre o troco, pelo comerciante e pelo ambiente. Mas bem, o problema também são os mealheiros, afinal quem não tem um? Eu tenho, mas estou sempre a ir tirar moedas de lá e troco por notas. Mas o Luís também tem um mealheiro do Montepio, daquelas que só se abrem no banco, já está cheio, amanhã vamos ao banco abri-lo. Ena, ena, mais moedas pequenas em circulação.

Digam lá se os mealheiros não são super fofinhos? O do Luís é azul.

Imagem retirada de http://ei.montepio.pt/es-jovem-o-montepio-complementa-tua-poupanca/

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A história de um(dos) morango(s)

Quem é que não gosta de morangos? Bem deve haver bastantes pessoas, mas acho que os morangos são das frutas favoritas de muitas pessoas. Gosto bastante de morangos, mas é daquelas frutas que não compro (não devo comprar há anos) porque é das frutas com mais agrotóxicos. Pelo que li em diversos sites, os alimentos com mais agrotóxicos geralmente são: morangos, tomates, papaias, pêssegos, pimentos, uvas, entre outros. Claro que tudo depende da origem do produto, se é da sua época ou não. Normalmente quanto maiores são e se os encontramos a vender fora de época, mais agrotóxicos têm.

Mas a verdade é que os alimentos que falei anteriormente costumo compra-los, quer dizer tomates compro poucos porque costumo ter (tenho polpa de tomate caseira também, a que fiz o Verão passado ainda dura), pimentos costumo congelar para guardar durante o ano, mas o resto em geral compro. Mas os morangos são um caso à parte, é que saber que estão cheios de agrotóxicos e que não sabem a nada (poucos morangos que se vendem por aí sabem a morangos) são dois motivos fortes para não os comprar. Por este motivo só costumo comer os morangos que tenho no quintal. Todavia, isso significa que nunca ou quase nunca consigo comer uma taça cheia de morangos, mas mais vale poucos, mas bons. Mas queria mostrar-vos os belos morangos que tenho por aqui.

Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria

E porque todos merecemos comer morangos, aqui está a prova que também chegam para os melros e outros passaritos.

Imagem própria

Saborosos, caseiros, sem químicos, mas picados pelos melros, estes são os meus morangos. E claro morangos do quintal não produzem lixo. E por falar em lixo e em morangos, vejam esta triste história, acho que este vídeo é excepcional (encontrei-o neste blogue).




É triste como se gastam tantos recursos para termos comida em casa e depois a desperdiçamos.
E confesso que não costumo comprar morangos, mas se alguém me der um morango de compra ou se vier numa salada de frutas, por exemplo, claro que o como, desperdiçar é que não.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Made in Thailand

No outro dia fui a uma mercearia aqui perto de casa comprar a minha querida Pasta Couto, sem flúor e outras porcarias (quase há um ano que apenas uso Pasta Couto, ver aqui, eventualmente já usei de outras em contextos muito específicos). O meu marido é ao contrário, só usa a Pasta Couto em contextos específicos e, por isso, continua a contaminar-se de Colgate. Mas fui à mercearia e ele já me tinha pedido para comprar pasta Colgate que ia lá estar em promoção. Assim fiz, mas quando estava a pagar saltou-me logo à vista que na caixa além da descrição do produto estar em inglês, francês e português, também estava escrita em árabe.

Vim para casa e lá está, a pasta é fabricada na Tailândia para o mercado africano. Nada contra a Tailândia (até tenho um marcador de livros que uma amiga me trouxe de lá, feito a partir de fezes de elefantes que é muito giro e ecológico), mas importar pasta de dentes da Tailândia não me parece nada sustentável.

Entretanto, andava a pesquisar sobre pasta de dentes feitas na Tailândia e descobri que há uns anos havia pasta de dentes da Colgate contrafeitas a vender em algumas lojas em Portugal, podem ver aqui. Fiquei curiosa, será que esta seria contrafeita? Contactei a Colgate com a minha dúvida, disseram-me que provavelmente era pasta de dentes feita para outros mercados e não para Portugal (olha a novidade), mas para eu lhes enviar a pasta (se não acham que seja contrafeita porque lhes hei-de enviar a pasta, importar pasta de dentes não é proibido). Neste momento, estou à espera que me respondam ao email em que perguntei porque lhes hei-de enviar a pasta, se acham que não é contrafeita.


Imagem retirada de https://www.peeks.co.uk/thailand

A minha questão é: como é possível que uma pasta de dentes Colgate feita na Tailândia seja mais barata que a pasta de dentes da mesma marca feita para o mercado nacional, a qual não sei se é feita em Portugal ou Espanha. Isto, além de aspectos relacionados com custo de mão-de-obras, também está relacionado com taxas e coisas para mim imperceptíveis de exportações e importações. Uma vez um amigo explicava-me que Portugal ganha mais em importar determinado produto e exportar um produto semelhante, porque os impostos funcionam de forma diferente. Mas e os custos ambientais associados a tanta importação e exportação, isso alguém contabiliza?

E não é só nas pastas de dentes e em produtos fabricados em países com mão-de-obra mais barata. Na minha loja costumamos ir às compras a um armazém de chocolates, onde o Kinder Bueno nacional é mais caro que o Kinder Bueno inglês. Da mesma forma que sei que há cafés e restaurantes que vendem Coca-Cola embalada em países do leste europeu porque é mais barata que a Coca-Cola embalada em Palmela. Para mim isto não tem explicação.

Por estas e por outras, Pasta Couto continua a ser a minha favorita, o meu marido diz que é produzida por "gunas" do Porto. Já lhe disse: "Antes gunas do Porto que gunas da Tailândia". Eu não sei bem o que significa "guna", cá em baixo não se usa esse termo ou então sou eu que não uso.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Kid to Kid e Acreditar: saco solidário

Hoje fui pela primeira vez comprar roupa à Kid to Kid para o meu bebé, já falei anteriormente nesta loja de roupa em segunda mão, na qual podemos encontrar boas coisas a preços simpáticos. Aproveitei para comprar umas tshirts, camisolas e calções (sei que ainda falta para o Verão, mas não resisti).

Mas não é de compras em segunda mão que quero falar, embora claro seja muito mais sustentável comprar roupa em segunda mão que nova. Quero falar da campanha da loja Kid to Kid de recusa de sacos. A Kid to Kid por norma, oferece os sacos, mas por cada saco recusado doa 0,05€ à Associação Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Quando for atingido o valor de 12 000 euros, essa quantia será doada à Acreditar.

Recusar sacos já é algo meritório, ainda o é mais por uma boa causa. E para termos a ideia da quantidade de sacos, 12 000 euros significam 240 000 sacos recusados.

Imagem retirada de http://www.kidtokid.pt/campanha-saco-solidario-a-favor-da-acreditar/

Por isso, se forem à Kid to Kid não se esqueçam de recusar o vosso saco.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Aljezur, a terra da batata-doce

Fomos passar uns dias a Lagos e estava a falar com a minha família algarvia sobre a introdução de sólidos na alimentação do bebé e todos foram unânimes em que devia fazer sopa com batata-doce em vez da batata normal. Os bebés gostam mais facilmente de batata-doce e é mais saudável. Referi que nesta altura do ano só encontro no supermercado batata-doce importada e caríssima. A última que vi era importada dos Estados Unidos da América e custava 2,20€/kg. A minha tia disse-me logo para parar em Aljezur para comprar batata-doce que é excelente. E foi isso mesmo que fiz, à vinda para casa parei em Aljezur e comprei batata-doce, no entanto como ainda não sei quando vou começar a dar sopa ao Luís, acho que quem vai comer a batata-doce somos nós (já não sobram muitas).

As batatas-doce que comprei
Imagem própria

A batata-doce de Aljezur é um Produto com Indicação Geográfica Protegida atribuída pela União Europeia e pode ser encontrada entre Novembro e Abril. A batata-doce é uma excelente alternativa à batata comum. Cá em casa, por vezes, quando assamos no forno, misturamos as duas. Costumamos comer batata-doce como acompanhamento de frango assado no forno, hoje para variar fiz misturada com cenoura a acompanhar salmão no forno.

Além do excelente sabor, esta batata é muito saudável (se não a comerem frita, claro está):


  • Baixo índice glicémico;  
  • Ajuda a controlar a diabetes;  
  • Auxilia no emagrecimento;  
  • Reduz o colesterol;  
  • Regula a pressão arterial;
  • Fortalece o sistema imunológico;
  • Fonte de ferro, cálcio, vitamina A, C e E;
  • Fonte de carboidrato;
  • Auxilia na formação de colágeno;
  • Ajuda a prevenir a anemia. 


















Desta forma, quando vínhamos para casa, parámos no mercado de Aljezur para comprar as maravilhosas batatas-doce, aproveitamos também para comprar laranjas e figos secos, tudo coisas bem algarvias (já devo ter dito algures que gosto de comprar produtos regionais). E queria só mencionar mais uma coisa, a senhora que nos vendeu estes produtos era estrangeira, da Europa Central e eu como adoro estas coisas de imigração e estilos de vida alternativos à sociedade, lembrei-me logo desta reportagem que tinha lido há tempo sobre Aljezur.

Para finalizar, se passarem em Aljezur como nem só de comida nos alimentamos, visitem a praia da Amoreira, acho que não se vão arrepender. 

Imagem retirada de http://blog.turismodoalgarve.pt/2012/01/1001-praias-praia-da-amoreira.html

Comprar nacional, não ajuda apenas a economia, é também mais sustentável.

Agora tenho é de esperar que o meu pai vá ao Algarve para me trazer mais batata-doce.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Sofia, a girafa

Lembram-se de eu dizer que achava que não valia a pena os pais comprarem imensos brinquedos? Disse-o aqui. Na altura, referi que provavelmente iriam dar muitos brinquedos ao Luís, e claro, estava certa. O meu Luís já tem imensos bonecos. Mas a grande amiga dele é a Sofia, e fui eu que lhe comprei a girafa.

Eu já tinha lido sobre a maravilha da Girafa Sofia para os bebés e que era um brinquedo ecológico, então no Natal ofereci-lhe uma. Devo confessar que quando olhei para o preço e para a girafa pensei, "mas será que realmente vale a pena dar 18€ por esta girafita pequena?". Mas dei e não me arrependo nada, tanto que nasceu um bebé na família há três semanas e já lhe ofereci uma Sofia também.

A girafa Sofia é mundialmente famosa e se quiserem saber mais em concreto sobre este brinquedo podem consultar o seu site. Mas vou dar apenas um cheirinho do que é esta simpática girafa. Esta girafa estimula os sentidos do bebé, sendo feita a pensar nas capacidades de bebés recém-nascidos e na sua evolução. As cores estimulam a visão ainda indefinida de um recém-nascido, o tamanho e a textura da girafa é pensada de forma a ser facilmente agarrada pelos bebés, além disso é um óptimo mordedor para quando começarem a romper os dentinhos. A borracha é 100% natural e a tinta utilizada pode ser ingerida sem fazer mal ao bebé (é uma tinta alimentar, não tóxica). Este brinquedo foi inventado por um francês de nome Rampeu e o melhor de tudo, continua a ser fabricada em França.


O meu Luís e a sua Sofia
Imagem própria

Não quero fazer publicidade, mas já fazendo, acho que é um óptimo brinquedo para comprarem para os vossos bebés ou para oferecerem. Na realidade é o único que o meu Luís com quase quatro meses consegue agarrar completamente e passar de uma mão para a outra, morder, etc, etc. Como é feito com materiais naturais é também ecológico. E além de tudo isso é melhor importar brinquedos da França do que da China.

Claro que quando ele tiver idade hei-de comprar brinquedos da portuguesa science4you. Já agora adoro-os, tenho de confirmar é se ainda são cá fabricados.

Só para terminar, a Sofia costuma dizer ao Luís "Olá eu sou a Sofia e venho da savana, da savana africana". Fico muito feliz que ele assim aprende geografia logo desde pequenino.

quinta-feira, 3 de março de 2016

H&M: um par de meias surpresa

Desde que o Luís nasceu tenho-lhe comprado pouca roupa, uma vez que as pessoas têm dado muita coisa. Infelizmente preferem dar-lhe polos betinhos a tshirts cheias de bonecos loucos como eu gosto. Mas como diz o ditado, a cavalo dado não se olha o dente.

Mas no outro dia precisava de lhe comprar meias e como ia deixar uns sacos de restos de tecido à H&M (já expliquei nesta publicação que os restos de tecidos deixo nesta loja, agora também há contentores por aí de empresas que também se comprometem a reciclar os têxteis, por exemplo existem alguns na freguesia de Arroios, em Lisboa. Mas claro, roupa boa deem a quem precisa) e estava a ver as meias, já ia eu entrar em tentação e comprar umas meias Made in Bangladesh, quando o meu marido se aproximou de mim e disse "Estas são melhores, são feitas em Portugal". Ena, eu não sabia que a H&M tinha produtos feitos em Portugal, ainda para mais, as meias são de algodão orgânico.

Aqui tinha a resposta à pergunta que fiz na publicação Roupa - Made in qualquer coisa:

"Pergunto então, para o ambiente e a justiça social, será melhor comprar uma camisola produzida em Portugal de algodão ou uma produzida no Bangladesh de algodão orgânico?"

E a resposta é: comprar peças de roupa produzidas em Portugal feitas com algodão orgânico.

As meias eram 1€ mais caras do que as outras Made in Bangladesh, mas claro que comprei as portuguesas, afinal não posso andar a pregar uma coisa e a fazer outra.

Aqui estão elas:

Imagem própria




Ok, mas depois não resisti e comprei-lhe estas calças com elefantes feitas no Cambodja. Por isso, acho que fiquei empatada nem demasiado sustentável, nem muito pouco sustentável.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Que tal alugar?

Imagem retirada de http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/os-vestidos-de-noiva-na-historia-da-moda-em-fotos-originais/

Não, não se assustem, eu não estou a pensar casar... E verdade seja dita, mesmo que estivesse passados quase cinco anos de união de facto, não me imagino com um vestido de noiva, na realidade nem na altura me imaginava.

Então qual o motivo desta imagem? Quando eu era pequena adorava ver fotografias, vá ainda adoro, mas gostava de ver sobretudo fotografias de casamentos (como uma pessoa pode mudar tanto?), vi as do casamento dos meus pais vezes sem conta. Mas o que me fazia confusão era o casamento da minha tia, primeiro ela tinha casado com um vestido de mangas compridas (em Fevereiro é normal, mas na altura eu não pensava nisso), segundo com um vestido alugado. Eu pensava que devia ser triste casar com um vestido alugado, afinal a pessoa depois não ficava com ele. Mas na realidade para que é que a pessoa quer o vestido de noiva? Acho que a minha mãe deitou o dela fora quando mudámos de casa.

E porque é que me lembrei disto? Porque pela primeira vez que me lembre, aluguei qualquer coisa (sem ser casa e carro, as únicas coisas que tinha alugado até agora). Aluguei uma bomba eléctrica de tirar leite. Tinham-me emprestado uma bomba manual, mas nunca me ajeitei muito com aquilo, de tal forma que acho mais fácil tirar leite com a mão, mas queria experimentar uma eléctrica para ver se dava. Comprar estava fora de questão, afinal são caras e não sei se resulta. Assim, achei que a solução ideal é mesmo alugar. Tem um custo de 40€ por mês e se alugar durante cinco meses seguidos fico com ela, bem acho que isso não compensa muito, mas é bom para experimentar.

Comecei assim a pensar que devíamos alugar mais coisas em vez de comprá-las. Na realidade, alugando estamos a potenciar a vida daquele produto, ser utilizado por mais que uma pessoa. Por isso alugar, a par de comprar coisas em 2ªmão, é sem dúvida um solução sustentável.

E foi assim que me lembrei da minha tia e do seu vestido de casamento. A verdade é que ela fez muito bem, primeiro em 1976 acredito que ela não tivesse muito dinheiro para comprar um vestido, segundo para que queria ela passados 40 anos o vestido? Provavelmente já o teria mandado fora como fez a minha mãe.

E depois comecei a lembrar-me, acho que quando eu era pequena, os fatos que eu usava no Carnaval ou eram emprestados ou alugados. Será que hoje ainda se alugam fatos de Carnaval?

Ao fim e ao cabo, se pensarmos bem há imensas coisas que poderíamos alugar em vez de comprar. Então porque é tão raro alugarmos coisas? Pelo menos falo por mim.

Verdade seja dita, nem sei se há muitas lojas de aluguer de produtos, mas acho que era uma boa aposta. Mais sustentável sem dúvida e acho que é especialmente conveniente a quem vive em casas pequenas.

Estava a pensar, acho que o grande apogeu de lojas que alugavam coisas foram os clubes de vídeo nos anos 80 e 90. Aquilo sim era reutilizar um produto.

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