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terça-feira, 2 de maio de 2017

Abril 2017: pequenas mudanças e um desafio

Andei a adiar esta publicação para que fosse feita no fim de Abril e acabei por só a conseguir publicar em Maio. No entanto, agora que penso melhor, talvez faça mesmo mais sentido falar de Abril quando o mês já findou. Vou falar assim, sobre as minhas alterações de Abril.

Não foram grandes mudanças
, mas aos poucos foram algumas:


  • Deixar de passar a ferro: esta mudança já está a ser implementada desde Março, mas em Abril é que foi realmente consolidada. Devo confessar que é sobretudo uma medida para me dar sanidade mental. Eu odeio passar a ferro, mas foi acostumada a passar tudo a ferro (excepto meias e cuecas), algumas coisas já não passava como lençóis e toalhas, mas continuava a passar toda a roupa pessoal. Contudo, a questão é que tinha sempre uma pilha enorme de roupa para passar. Acabou-se. Isto era mais a ideia de "deve-se passar a ferro" que me foi enraizada desde a infância do que realmente achar que há sempre essa necessidade. Claro que peças como camisas ou alguma coisa mais amarrotada irei passar na mesma.

    A nível ambiental há a vantagem de gastar muito menos eletricidade. Mas não é a única vantagem
    , ao ter a roupa mais arrumada e orientada, percebo muito melhor a roupa que existe e não existe, o que é óptimo sobretudo com a roupa do bebé que está sempre a deixar de ser usada.

  • Café de cafeteira: em Fevereiro o meu marido foi à Costa Rica e trouxe café. Lá não bebem café expresso como cá, mas sim o tradicional café de cafeteira. O café é óptimo e é uma alternativa excelente para beber em casa quando não me apetece ir beber um café ao café. Assim já não tenho qualquer desculpa para usar alguma cápsula. Mas claro, para ser ecológico não podia ir comprar uma cafeteira eléctrica, mas por sorte a minha sogra tinha lá uma encostada a um canto que agora tem sido usada cá em casa.

  • Iogurtes: no mês de Março referi que um dos principais produtos que contribuíam para o meu lixo eram os iogurtes. Por isso mesmo, em Abril decidi fazer pela primeira vez iogurtes, fiz iogurtes líquidos e acho que correram mais ou menos. Mas não estavam no ponto ideal, mas bebi-os. Para ver se consigo fazer iogurtes com mais qualidade decidi pedir uma iogurteira emprestada, mas ainda não voltei a experimentar. No entanto, tenho noção que vai ser algo que não vou fazer sempre. Mas qualquer iogurte caseiro é uma poupança de recurso, é nisso que tenho de pensar. Em Maio espero contar-vos se tenho feito muitos ou poucos iogurtes.
    Imagem própria
  • Desodorizante caseiro e redução do uso de champô: tal como referi na última publicação comecei a fazer o meu próprio desodorizante e ando a tentar reduzir o uso de champô, acho que tenho sido bastante bem sucedida neste aspecto.

  • Cotonetes: eu sei que isto não é de todo um produto essencial, eu uso muito esporadicamente, no entanto tenho alguém em casa que usa bastante e não o consigo convencer a deixar de usar. Há algum tempo que andava à procura de cotonetes com pauzinho de papel, uma vez que os pauzinhos de plástico dos cotonetes comuns não são recicláveis e são dos resíduos que mais aparecem no ambiente devido a serem incorrectamente descartados (no ambiente em geral e nas ruas de Lisboa em particular, é incrível a quantidade de cotonetes que eu vejo na rua, incrível e nojento). Todavia, nunca tinha encontrado à venda, mas como os vi à venda no site do Celeiro, decidi encomendar numa das suas lojas, demoraram a chegar, mas chegaram. Acredito que se a procura for maior, torna-se cada vez mais fácil encontrar este tipo de produtos.

    Claro que o ideal seria não descartar estes cotonetes no lixo comum
    , penso que possam ser postos na compostagem, uma vez que o algodão é biológico e o pauzinho é de papel. No entanto, temos posto no lixo comum, uma vez que não tenho um pequeno contentor de compostagem, mas um grande monte de estrume um pouco distante de casa. Tenho de agilizar isto para reduzir o número de cotonetes e de guardanapos de papel (não meus!!!!) que pomos no lixo comum.
    Imagem retirada de https://www.celeiro.pt/produtos/100830-cotonetes-bio-200-gramas-kg-douce-nature


  • Remendar e arranjar: este tem sido uma consequência directa de ter deixado de passar a ferro e de estar muito mais organizada com a roupa. Como tenho tudo mais controlado, tenho tempo para olhar e remendar e arranjar pequenas coisas. Não que seja uma perita, bem pelo contrário, mas olho o problema e tento solucionar ou pago para me fazerem o arranjo. Cozer pequenos buraquinhos da roupa do Luís, cozer um botão ou pôr um elástico numas calças é recuperar peças de roupa e poupar, o ambiente e a carteira. Finalmente dei uso a um ovo de pedra que tinha cá em casa há anos.
    Imagem própria
    Em roupa em estado muito deteriorado, é sempre possível cortar aos bocados e ainda dão para limpar algo durante algum tempo. Quando até para panos estiverem velhos, é a altura ideal para pôr no saco dos trapos para reciclagem.

    Um antigo toalhão de banho ainda deu para uns oito panos de limpeza
    Imagem própria

  • Recusa de sacos, mais um passo: a minha recusa constante de sacos já começou há bastante tempo (como se pode verificar aqui) e tem vindo a aprofundar-se. Mas em Abril ultrapassei um constrangimento pessoal, quando me distraia e não tinha tempo de recusar saco, acabava por o trazer. Mas recentemente consegui superar este constrangimento e se me distraio tiro o produto do saco e digo ao lojista que não preciso e que pode reutilizar para outro cliente, já aconteceu duas ou três vezes. Isto às vezes custa é começar, depois é sempre a melhorar.

    Um dia da semana passada fiz uma contagem por alto e recusei cerca de dez sacos num dia. É imenso.

  • Remodelações em casa: sobre este assunto quero fazer uma publicação especial, mas tal como tinha referido na publicação de Março, tenho estado em processo de destralhe. Este processo também passou por uma alteração de mobiliário e pelo reutilizar e transformar alguns móveis. Mas disso falarei mais tarde, acho que merece uma publicação única.
      
E penso que consegui falar de todas as minhas pequenas mudanças ou pelo menos referir o que me parece mais importante, vamos ver o que Maio me reserva. Já agora, neste primeiro de Maio fomos até à praia e estava cheia, mas completamente cheia de lixo. Mesmo perto de mim quando olhei estavam imensas garrafas, decidi apanhar, mas não consegui apanhar tudo. Mas nuns segundos apanhei cinco garrafas de vidro, uma garrafa de plástico e vários copos de plástico. Não consegui apanhar mais porque não conseguia trazer mais. O resto lá ficou à espera que a maré subisse e levasse o lixo consigo. Eu já costumo apanhar lixo do chão, mas decidi fazer um desafio a mim própria, contar as garrafas de vidro que vou apanhar da via e lugares públicos durante o mês de Maio. Vamos ver quantas (podia contar outro tipo de resíduo qualquer, mas desta vez serão as garrafas de vidro, para pensarmos se houvesse tara recuperável quantas destas garrafas não chegariam às ruas, praias ou parques).


E deixo-vos também um desa
fio, nesta época balnear em cada ida à praia, deixem a praia mais limpa do que a encontraram.

Só mais um aparte
, em Abril fui a Viseu e fiquei deslumbrada com a limpeza da cidade, espectacular.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Ser ecológica nas redes sociais: um agradecimento

Comecei a pensar neste assunto depois de ler a publicação (Sustentabilidade e Redes Sociais) da Catarina no seu blogue Ecológica, quem? Eu?.

E vou transcrever duas passagens com as quais também me identifico e que, por vezes, me deixam a pensar:

"A maioria delas ligada à questão de poder ser contraditório escrever sobre sustentabilidade, natureza, slow-living, ambiente (entre outros temas do género) e ir-me ligar às redes sociais, que são, muitas vezes, o baluarte e o principal exemplo de tudo o que critico na nossa sociedade actual."
"Se critico a selvajaria virtual das pessoas, a que se assiste quando acontece alguma coisa negativa, e o desregramento e falta de contenção nas opiniões e desinformação? Sim.
Se critico as pessoas que muito "teclam" e "postam" mas que na verdade pouco fazem e normalmente são Madres Teresa de Sofá (pois pôr a mão na massa e tomar atitudes reais para que a vida de todos seja melhor dá trabalho)? Sim."

No entanto, depois de muito pensar, decidi fazer esta publicação porque se sou mais sustentável devo-o à internet (mais especificamente às redes sociais) e às pessoas (muitas que não conheço pessoalmente) com as quais aprendo todos os dias a ser mais ecológica. A verdade é que tem sido nas redes sociais que tenho encontrado pessoas que pensam como eu em diversos temas, os quais na sua generalidade visam um mundo mais sustentável.

Entre as redes sociais destaco os grupos que acompanho no facebook, os quais têm sem dúvida mudado a minha vida, têm-me feito acreditar que é possível. Acreditar que é possível ser diferente da generalidade e das imposições da sociedade até porque há muito quem pense como eu (coisa que com as pessoas que conhecia, nos meus círculos mais comuns, raramente acontecia).

Afinal, em rede, em comunidade funcionamos melhor e se, por vezes, a comunidade física em que vivemos não é/está aberta às nossas ideias, podemos procurar criar outras comunidades. Lançar sementes e colher frutos.




Imagem retirada de http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/11/29/plataforma-reune-atividades-educativas-sobre-cultura-ambiental/arvore_hl/



Mas afinal o que mudou? E onde? 


Vou tentar elencar de forma resumida e assim mesmo agradecer.

Primeiro, há muitos anos mudou-me o blogue 365 coisas que posso fazer..., o qual me fez olhar a causa ambiental de outra forma. Foi realmente muito importante. Depois ajudou-me, eu própria criar este blogue, pesquisar, pensar, escrever.

Mas acho que foi na sustentabilidade na maternidade que mais me ajudaram as redes sociais, nomeadamente os grupos no facebook. Foi aqui que vi que há mais gente a usar e acreditar que se deve usar fraldas de pano do que aquilo que alguma vez imaginei, foi essencial ler os testemunhos, as dúvidas e tudo o resto sobre as fraldas, mesmo em alturas que parecia estar a correr pior. Usar fraldas de pano (mesmo que não exclusivamente) é algo que muito me orgulha.

Depois, ainda nas questões da maternidade, o grupo de apoio à amamentação também foi essencial para me fazer acreditar que é possível. Que é possível criar um filho mais saudável, sem estar depende de leites artificiais. Também foi nestes grupos que soube da existência da papas comerciais mais saudáveis ou que li pela primeira vez receitas de papas caseiras. O que muito me fez afastar das quase imposições de consumo infantil que nos inundam a casa através da publicidade.

Depois, embora seja um grupo que não acompanho tanto, o grupo da Permacultura é uma importante fonte de inspiração para um mundo mais sustentável. Bem como outro grupo de cariz mais intimista tem sido bastante importante para me dar segurança naquilo em que acredito, bem como na possibilidade de conhecer outras formas de ver o mundo que por vezes nem tinha equacionado.

Mas continuando, foi também nas redes sociais que comecei a comprar mais produtos em 2ª mão e a achar normal fazê-lo. A ideia sempre inspiradora de reaproveitar recursos.

Mais recentemente, o grupo Lixo Zero, o qual não consigo acompanhar tanto quanto gostaria, tem-me mostrado que há bastante gente a pensar nas mesmas questões que eu (algumas pessoas a pensar muito mais à frente do que eu) e que juntos podemos partilhar ideias e mudar aos poucos.

Por isto tudo e por mais coisas que provavelmente agora não me lembrei, sinto-me grata a todas estas pessoas com quem me cruzo virtualmente e que me fazem acreditar que é possível um mundo melhor. Várias pessoas têm contribuído para a minha pretensão de ser mais conhecedora do mundo/natureza e para ser mais sustentável.

E é assim que quero começar este mês de Novembro, a agradecer a todos, os que mesmo invisivelmente, me têm ajudado nesta caminhada que quis fazer. Pessoas que provavelmente eu nunca conheceria se não fossem as redes sociais.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Varrer para a porta da/o vizinha/o

Uma das minhas memórias de infância é a minha avó, todas as noites, depois de fechar o café ir varrer o chão à frente da porta, varria, apanhava com a pá e metia no caixote do lixo. A minha avó nasceu em 1932, num tempo que não sei se havia recolha de lixo, nunca foi à escola e nem vale a pena contar a vida que teve, mas no meio disso tudo, sabia que se não queremos lixo na porta que o devemos apanhar.

Quando abrimos a loja, a qual é numa arcada, começamos a varrer e lavar o espaço em frente da loja e obviamente a apanhar o lixo que varremos e pôr no caixote (o lixo que consiste maioritariamente em beatas de cigarros, às quais agora no Outono se juntam as folhas secas). Por isso, qual não foi o meu espanto quando percebi que a grande maioria dos outros comerciantes varre de uma forma diferente. Aliás, eu nem considero varrer, afastam o lixo da sua porta para a estrada ou mais para a frente, muitas vezes para as portas dos vizinhos, etc, etc. Não sei bem onde estas pessoas aprenderam a varrer, nem tão pouco sei se sabem o que é o vento. Sim, porque este malandro, sobretudo agora no Outono, gosta de soprar e as pessoas que acabaram de afastar folhas, beatas, papéis e plásticos da sua porta, lá vêem o lixo voltar todo novamente. Depois, lamentam-se que parece impossível, afinal ainda agora varreram e o lixo já está todo novamente ali. Pudera!

A ideia de se varrer o chão é apanhar lixo, a pessoa varre na sua direcção e faz um monte de lixo, depois apanha-o. A ideia não é ter lixo e simplesmente o afastar para longe com a vassoura. É que para isso nem vale a pena terem trabalho.

Mas eu como gosto de pensar e ver os comportamentos das pessoas relativamente a várias coisas, entre elas o lixo, decidi desenhar a cena... e aqui vos mostro o que não é suposto fazer...

Não varra o seu lixo para a porta do vizinho, nem para a estrada, nem mais para a frente... para isso, mais vale estar quieto.


Caricatura dos comerciantes que em vez de varrarem e apanharem o lixo, preferem afastá-lo da sua porta e espanhá-lo por todo o lado
Imagem própria (desenhado por mim)

domingo, 23 de outubro de 2016

A poderosa verdade

Um dos meus contactos do facebook teve a sua conta bloqueada durante três dias por causa de uma imagem. Alguém (ou vários alguéns) não gostaram de uma imagem que a pessoa partilhou e denunciou-a. Não é que ser bloqueado do facebook seja algo catastrófico na vida de alguém, mas é estranho porque algumas pessoas não gostam e denunciam imagens que espelham tão bem como o mundo funciona.

Não tenho a fonte da imagem, uma vez que a tirei de um perfil de facebook pessoal, se alguém for o proprietário da imagem e queira que eu mencione a fonte, contacte-me por favor.


Esta é a realidade que vivemos no mundo ocidental, é a realidade do sistema em que estamos. Não vale a pena dizerem que se não fossemos "nós" que "aquelas" pessoas nem tinham o que comer, porque somos "nós" que lhes damos trabalho. É muito fácil explorarmos pessoas, povos, países, depois de termos destruído das suas economias de subsistência, a sua agricultura, etc, etc.

Pior que escravizarmos os outros, é ainda acharmos que lhes estamos a fazer um favor. Eu assumo a minha culpa no sistema... é triste, mas é a realidade.

sábado, 22 de outubro de 2016

Trash me

Trash me é o nome de um dos projectos de Rob Greenfield, no qual o activista tinha como objectivo mostrar a quantidade de lixo que um americano médio faz num mês. Com esse intuito, a fazer uma vida de consumo de um americano médio (sim, porque Rob leva uma vida de lixo zero) foi juntando todo o lixo que fez no seu corpo. Isso mesmo, durante um mês Rob juntou todo o lixo em sacos à volta do seu corpo, o objectivo foi/é mostrar visualmente a quantidade que uma simples pessoa pode fazer de lixo num mês. O desafio acabou dia 20 de Outubro e Rob juntou mais de 84kg de lixo e o resultado foi este:

Imagem retirada de https://www.facebook.com/RobGreenfield/photos/a.278209438972808.66220.276444342482651/1008724265921318/?type=3&theater

Acho que é devastador, não acham? Em Portugal e na Europa em geral, a quantidade de lixo per capita é inferior à de um norte-americano, mas mesmo assim há-de ser enorme. Já imaginaram se cobrissem o vosso corpo com todo o lixo que fazem num mês? Acham que conseguiam aguentar o peso? Também não sei se a natureza aguenta o nosso peso.

Acho que esta imagem é poderosa e que devemos verdadeiramente reflectir sobre o que andamos a fazer ao mundo.

Deixo-vos também o filme de apresentação do projecto, podem saber mais sobre este projecto e outros de Rob Greenfield na sua página pessoal e/ou segui-lo no seu facebook.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Movimento Lixo Zero

O mês passado foi editado em Portugal o livro Desperdício Zero da autora Bea Johnson, o qual pretende mostrar como uma vida com menos lixo pode ser uma vida melhor e o que devemos fazer para tal (ainda não li o livro). Inspirando-se neste caso, a Ana do blogue Ana, Go Slowly fez um maravilhoso ficheiro em excel com várias dicas sobre produtos e hábitos que podemos alterar para reduzirmos o nosso lixo. Podem consultar a publicação onde explica o que a fez tomar esta iniciativa ou consultar directamente o ficheiro excel, o qual está partilhado na rede e é editável por todos (podem incluir as vossas dicas).

Além do ficheiro, gostaria também de vos convidar a fazer parte do grupo de facebook Lixo Zero Portugal, no qual partilhamos dicas, conhecimentos e ideias sobre como reduzir o nosso lixo, pelo bem de todos.

Imagem retirada de https://plataformaituiutabalixozero.wordpress.com/category/plataforma-ituiutaba-lixo-zero-2/

Claro que nem todos temos de chegar ao objectivo de lixo zero, eu estou bem longe dele, no entanto é dia-a-dia que caminhamos para essa meta. É com pequenas acções que chegamos lá ou quase lá. Vamos começar hoje?

Pense: Quanto lixo consumiu hoje?

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Fuma? Pense...

Sabem quantas beatas eu tenho varrido nos últimos dias? Nem eu sei, mas muitas, muitas mesmo. Mas são ainda mais as que ficam na natureza. Vamos continuar a deixar beatas em todo o lado?

Imagem retirada de https://www.facebook.com/1MillionWomen/photos/a.10150203177785393.430331.211657000392/10157647414310393/?type=3&theater

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Pastilhas elásticas, uma compra inconsciente e as caixas dos supermercados

Lembro-me de ver uns documentários, há uns anos, sobre consumo e como a nossa mente se modifica quando entramos em lugares de consumo. A necessidade de consumir e o consumo por impulso. Vi esses documentários na cadeira de Geografia do Comércio e do Consumo e confesso que foram muito importantes para me sentir mais fortalecida nesta luta Pessoa vs Consumo. A partir daí, fui aumentado o meu conhecimento e o meu controlo sobre o que compro, nomeadamente a decifrar se realmente devo aproveitar ou não uma promoção e a não me deixar levar por publicidade ou pela disposição dos artigos nas lojas. Quer dizer, isto achava eu!

Há uns tempos, fui fazer umas compras ao Continente e tinha um talão daqueles de desconto de 5€ em 20€ de compras. É de aproveitar não é? Ainda por cima são mesmo coisas que eu tinha de comprar. Logo se posso poupar 5€ devo aproveitar. Até acho que sim, mas...

Cheguei à caixa e tinha-me enganado a fazer as contas, o total não chegava a 20€, eram 19 euros e tal... e assim não podia passar o desconto... e naquela ânsia de supermercado, pensei "deixa estar não faço o desconto", "mas ainda são 5€", "mais vale não fazer", "mas", "MAS" "MAS"... A rapariga da caixa disse-me, "porque não leva uma caixa de pastilhas" e eu, "ah sim", peguei nas pastilhas e pronto já fazia 20€. E com o desconto que ficou em cartão, no fundo só paguei 15€. Mas na realidade, eu não queria as pastilhas e sim, elas só estão ali junto à caixa devido às compras por impulso. E eu que ando aqui contra o consumismo comprei as pastilhas, só para ter um desconto.

Comprei um produto que não queria, que não precisava, um produto que obviamente teve de ser feito e para tal tiveram de ser gastos recursos. Em vez das pastilhas, mais valia ter comprado um pacote de arroz ou massa, algo com utilidade e que não se estraga. Mas não! Foi logo ali, o primeiro produto que me apareceu à frente. Só quando cheguei ao carro é que pensei "Que estupidez! Quantos milhares de pacotes de pastilhas no mundo inteiro se vendem por impulso?".

Sobre estas armadilhas que os supermercados têm, encontrei esta publicação e cá está cai numa delas. Esta publicação refere-a como armadilha nº6, basicamente consiste nas guloseimas de baixo preço que estão perto da caixa (local onde as pessoas estão algum tempo paradas) e quando adicionadas às compras, não fazem com que a conta aumente muito e parece que nem gastámos dinheiro. Mas vejam aqui, Armadilhas do varejo elevam conta em 15%.


É! Isto são caixas "demoníacas", cheias de coisas que não precisamos...
Imagem retirada de http://umserpai.blogspot.pt/2016/02/jovem-delinquente.html

Depois de pensar e repensar nesta história das pastilhas (se calhar acham que estou a exagerar), o que mais me chateou é que comprei um produto que não necessitava, que não me apetecia, que não faz bem nenhum à minha saúde, que utilizou energia e água para ser feito, transportado, etc, etc., e que faz mal ao ambiente, uma vez que as pastilhas são feitas a partir de derivados do petróleo. E para completar que aumentam a quantidade de lixo e quando deixadas na natureza são perigosas para os animais, nomeadamente para os pássaros.

No meu caso, o pior é que eu depois de uma infância é que engolia pastilhas elásticas, já tive uma fase de não as consumir. Quando andava no 9º ano fui a uma visita de estudo à fábrica da Gorila e conheci os processos de fabrico, na altura achei aquilo tão nojento, aquela pasta peganhenta e gigantesca, que decidi nunca mais mascar daquilo. O nunca mais ainda durou uns anos, pois só voltei a mascar pastilhas já andava na faculdade e sinceramente não sei qual a razão para ter voltado a consumir o produto. Devo ter-me esquecido daquele cheiro horrivel, exageradamente doce, que inundava a fábrica das pastilhas. De qualquer modo, nunca fui uma consumidora assídua, mas volta e meia, lá iam umas pastilhas.

Mas agora acabou-se, depois de ter caído nas armadilhas dos supermercados e ter pensado novamente a sério nas pastilhas, já decidi que não as volto a mascar novamente (vamos ver se a decisão desta vez é para sempre).

Entretanto, e só por curiosidade, descobri que existe uma Gum Wall em Seattle e a Bubblegum Alley em San Luis Obispo, ambas nos Estados Unidos da América. Basicamente são paredes cobertas de pastilhas elásticas usadas que se tornaram em grandes atracções turísticas. A mim, devo confessar que só de pensar me mete nojo.


Bubblegum Alley
Imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Bubblegum_Alley

Entretanto, a fazer esta publicação encontrei umas boas notícias, nomeadamente Suiça: chega de guloseimas nos caixas de supermercado. Frutas no lugar delas.. Basicamente, os conhecidos supermercado Lidl trocaram em várias caixas as guloseimas por fruta, na notícia fala dessa realidade na Suiça e Reino Unido. Já que é para comprar por impulso mais vale que seja fruta do que guloseimas. Acho que está na altura de falarmos com os supermercados que operam em Portugal a pedir uma medida idêntica.

Neste sentido redigi a seguinte mensagem:

"Bom dia

Estou a contactar-vos, uma vez que como vossa cliente gostaria de fazer uma sugestão, relativamente aos produtos que se encontram próximos das caixas dos vossos hiper e supermercados.
Os produtos que se encontram próximos das caixas são essencialmente guloseimas, pastilhas, chocolates e outros produtos pouco saudáveis. Este tipo de produto como vocês sabem melhor que eu são comprados sobretudo por impulso. As pessoas ao estarem paradas nas filas acabam por os comprar, não necessitando deles e dado as suas características não são muito recomendados. Isto piora como se sabe quando se tem crianças nas filas, as crianças são alvos mais fáceis destes produtos e estes só prejudicam a sua saúde.
Neste sentido, gostaria de sugerir que nos vossos hipermercados existam caixas de produtos saudáveis (todas ou algumas), caixas onde os produtos sejam, por exemplo, fruta em vez de chocolates, iogurtes em vez de refrigerantes, sumos naturais, snacks biológicos, etc, etc. A ideia como devem saber não é minha, já existe em alguns supermercados de alguns países.
Acredito que numa primeira fase, sintam alguma perda de vendas, mas seguramente terão clientes mais saudáveis. E nesse sentido, agradecemos todos, os clientes e numa última perpectiva também agradece o ambiente. Afinal produtos mais saudáveis são quase sempre produtos mais sustentáveis.
Obrigada pela atenção"

Enviei para o Continente, Jumbo, Lidl, Intermache, Aldi, Eleclerc, Minipreço, todos têm nos seus sites um formulário onde podemos deixar sugestões. Em contrapartida, no site do Pingo Doce nem encontrei formulário, nem email de contacto, tenho de voltar a procurar melhor. (editado posteriormente, também já encontrei o formulário).

Se alguém quiser enviar também mensagem com este propósito, pode se assim o entender, usar a minha mensagem.

sábado, 24 de setembro de 2016

Dinheiro local: mais comunidade, mais sustentabilidade

Desde que vi o documentário Amanhã (mencionei-o nesta publicação) que estou para falar sobre este assunto. Eu já sabia que havia comunidades locais que tinham o seu próprio dinheiro, mas nunca tinha pensado muito nisso. Mas quando vi o documentário pensei "Wow, é isto mesmo, isto é a solução".

No documentário referem o caso de Brixton. Brixton é um district que pertence ao borough de Lambeth na Grande Londres (uso as terminologias em inglês, porque não percebo nada das divisões administrativas inglesas e dá para perceber que district não é de todo a nossa ideia de distrito). Mas bem, o que interessa é que Brixton tem uma moeda local, a qual já está em circulação desde 2009.

Para conhecerem melhor a Brixton Pound pode visitar o seu site. No qual explicam "a missão" desta moeda local (o que se segue foi adaptado por mim):

  • Ajudar a proteger os empregos e meios de sobrevivência dos membros da comunidade, atravês do desenvolvimento de uma economia local forte;
  • Apoiar e construir uma economia diversa e resiliente que consegue lutar contra as dificuldades económicas e as grandes cadeias de comércio;
  • Consciencializar a comunidade para a importância da economia local;
  • Incentivar e facilitar um modelo de auto-ajuda com o fim de proteger os moradores;
  • Incentivar o abastecimento com produtos locais, diminuindo as emissões de CO2;
  • Contribuir para um percepção positiva de Brixton, chamando a atenção para a sua comunidade forte, economia e capacidade de inovação;
  • Valorizar Brixton regional e nacionalmente;

Basicamente as moedas locais têm como objectivo impulsionar as economias locais, para tal é construído um sistema entre os produtores locais, empresas locais e a comunidade. Este tipo de dinheiro funciona em circuitos fechados (todos os actores sociais que participam são locais), de forma a que o dinheiro seja constantemente investido na comunidade, não saindo sempre para as grandes empresas e grandes produtores. O dinheiro ao permanecer na comunidade, toda a comunidade ganha. Parece-me maravilhoso, não acham?

E como dizem no documentário, não é muito melhor ter o David Bowie do que a Rainha nas notas? É muito mais divertido!
Imagem retirada de http://brixton.atestserver.co.uk/library/Brixton-Pound-10.jpg




Em Inglaterra, este tipo de moeda local tem sido um sucesso, existindo em diversos sítios: BristolCardiffCornwallExeterKingstonLewesLiverpool, PlymouthStroudTotnes, and Worcester.

Em Portugal parece que este mês também está a ser recheado de boas novidades neste âmbito. Embora não seja bem a mesma coisa, a freguesia de Campolide em Lisboa decidiu fazer uma iniciativa de recolha de lixo em troca de dinheiro local, podem ver aqui. Adoro a iniciativa, uma vez que tem duas vertentes excelentes, incentiva a separação e colocação de lixo no sítio correcto, por outro lado ajuda o comércio local e consequentemente a vida da comunidade. Verdadeiramente magnífica a ideia.

Mas não para por aqui, a ideia parece ter agradado a mais pessoas e agora são os moradores do Areeiro em Lisboa que também querem criar a sua própria moeda.

Já há bastante tempo que falei de como acho importante incentivar o comércio local e estas são ideias excelentes. Vamos todos criar moedas locais, ajudam a comunidade, criam localidades com melhores vivências e ainda ajudam o ambiente. Fantástico!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

As pessoas e o lixo

Há pessoas que mandam o lixo para o chão...
Há quem não o faça, mas o misture todo e o ponha no lixo indiferenciado...
Há ainda quem separe os resíduos, mais ou menos, separa a maior parte...
Há quem, como eu separe todo e mais algum resíduo...
Há muitos tipos de pessoas no que se refere ao lixo que fazem...

Até há quem separe tudo, mas não veja o problema de fazer muito lixo, uma vez que o separa.

E depois há pessoas que separam o lixo, levam-no até aos contentores de reciclagem, mas depois são incapazes de o colocar no contentor... Mas isto tem alguma lógica? Isto acontece, sobretudo, no que se refere aos resíduos de vidro, afinal custa muito colocar garrafa a garrafa... As pessoas devem achar que não podem gastar dois minutos a pôr as garrafas no contentor.

Imagem própria


Não liguem muito à qualidade da fotografia... É que também há pessoas, tipo eu, que se esquecem que estamos na era digital e não reparam que puseram o dedo bem à frente do visor...  Mas é uma fotografia meramente ilustrativa.

Os resíduos que separam, mas não são colocados nos sítios correctos (mesmo que os ponham ao lado) não estão garantidamente encaminhados para reciclagem... Além disso, custa-me a compreender como as pessoas gostam de ver as ruas cheias de lixo. Faz-me lembrar uma professora que tive que dizia que nos países do Sul da Europa se limpa e cuida muito do interior das casas, mas se cuida pouco do espaço exterior, o espaço comum. Sem dúvida que ela tinha razão.

sábado, 9 de julho de 2016

Na minha rua... o caixote de lixo indiferenciado

Tenho andado um bocadinho intermitente aqui no blogue, infelizmente tenho menos tempo para escrever do que aquilo que gostaria. Tenho imensas ideias, mas é difícil escrever tudo.

Hoje quero simplesmente partilhar convosco a lixeira que é a minha rua (no Monte de Caparica). Já não é a primeira vez que falo no assunto, mas quero que conheçam o estado habitual do caixote de lixo indiferenciado que tenho mais perto da minha residência.

Imagem própria

A questão é: mora pouca gente na rua, mas o caixote está sempre cheio de móveis. Como não me parece que os poucos vizinhos que tenho estejam sempre a mudar de mobília, nem esteja sempre a mudar de vizinhos (embora mudem diversas vezes), pergunto-me se este parece ser o melhor caixote da vila para virem descarregar lixo. É que podia dizer que é poucas vezes recolhido pelos serviços municipais (podia ser mais), mas nem é por aí, diariamente é um local de descarga de lixo. Ainda para mais ao lado da Junta de Freguesia. Não há vergonha.

Como se pode ver, grande parte da rua é descampado, o que faz com que depois o lixo fique durante imenso tempo por ali. Por exemplo, uma parte de uma cadeira no meio da vegetação.

Imagem própria

Há coisas que sinceramente ainda me custam a compreender. E grande parte das vezes as mobílias não me parecem de má qualidade. Será que só eu, das vezes que mudei de casa é que nunca mandei nada fora, mesmo quando não queríamos determinada coisa, havia sempre a mãe da prima do tio do irmão que precisava.

Pergunto-me ainda se as pessoas gostam de ver assim as ruas. Afinal o espaço público é de todos e deve ser bem cuidado por cada cidadão.

Se alguém quiser partilhar verdadeiros problemas relativos ao lixo aqui no blogue, envie-me as fotografias e um pequeno texto com os detalhes da coisa. Terei todo o gosto em publicar, as lixeiras que povoam as nossas cidades, vilas e aldeias.

sábado, 16 de abril de 2016

Roupa de bebé: já deixou de servir e agora?

A roupa que deixa de servir ao Luís, tenho dividido para duas caixas:

  • Caixa para um potencial segundo filho;
  • Caixa solidária dos ctt (que já tinha falado aqui).

Até agora não há nenhuma roupa que lhe tenha deixado de servir que esteja sem possibilidade de ser usada novamente. Então porque eu não guardo tudo para um segundo filho? Porque não há espaço para tudo e porque há algumas coisas que já achei pouco práticas, por exemplo camisolas interiores e casaquinhos fininhos de lã. Outras porque não gostei mesmo, camisolas com golas, um tipo de golinha específica. E ainda, uns casacos que foram para esta caixa porque os "colori", toda a gente me diz que não se nota, mas eu não consigo olhar para eles sem me lembrar da roupa toda verde a sair da máquina.

Basicamente são tudo coisas usáveis, mas que eu acho que mesmo que guardasse, quando tivesse outro filho não ia usar. Logo não vale a pena estar a guardar, deve haver quem precise e por isso mesmo, decidi enviar na caixa solidária.

Claro que na opinião do meu marido mesmo assim estou a guardar coisas demais. Também já ouvi um tio dizer: "Não vais guardar as coisas, pois não? Agora a roupa é tão barata para quê guardar?"

Primeiro, não acho que seja assim tão barata para quem tem de estar sempre a comprar. Em segundo lugar, mesmo que o preço fosse quase zero, eu não quero contribuir para o usa e deita fora.

Por isto tudo, já enviei a primeira caixa solidária com roupa do Luís. Até porque não tinha ninguém neste momento a quem dar, conheço bebés mais pequenos, mas já vão apanhar outra estação. Além disso, acredito que estas crianças precisem bastante.

Recorri a esta lista (data de 2011, espero que se mantenha actualizada) para ver quais as instituições que precisam de roupa de bebé. Existem apenas duas: o refúgio Aboim Ascensao e a Ajuda de Mãe. Decidi enviar para a primeira instituição, futuramente enviarei para a outra.

Imagem própria 

Imagem própria 

Se entretanto não tiver um segundo filho (espero bem que não), a roupa que estou a guardar pode sempre ser aproveitada. Até porque as minha amigas ainda deve pensar em ter filhos daqui a uns tempos. Mesmo que não tenham, há sempre crianças a nascer.

A roupa em segunda mão dá imenso jeito, tenho pena de ter recebido tão pouca, mas mesmo assim deu um jeitão. Os miúdos estão sempre a sujar-se, tal disparate.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Kid to Kid e Acreditar: saco solidário

Hoje fui pela primeira vez comprar roupa à Kid to Kid para o meu bebé, já falei anteriormente nesta loja de roupa em segunda mão, na qual podemos encontrar boas coisas a preços simpáticos. Aproveitei para comprar umas tshirts, camisolas e calções (sei que ainda falta para o Verão, mas não resisti).

Mas não é de compras em segunda mão que quero falar, embora claro seja muito mais sustentável comprar roupa em segunda mão que nova. Quero falar da campanha da loja Kid to Kid de recusa de sacos. A Kid to Kid por norma, oferece os sacos, mas por cada saco recusado doa 0,05€ à Associação Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Quando for atingido o valor de 12 000 euros, essa quantia será doada à Acreditar.

Recusar sacos já é algo meritório, ainda o é mais por uma boa causa. E para termos a ideia da quantidade de sacos, 12 000 euros significam 240 000 sacos recusados.

Imagem retirada de http://www.kidtokid.pt/campanha-saco-solidario-a-favor-da-acreditar/

Por isso, se forem à Kid to Kid não se esqueçam de recusar o vosso saco.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Mudam-se os tempos, não se mudam as acções

Não é a primeira vez que falo do caso dos 17 activistas angolanos (falei aqui). Não me querendo alongar sobre o assunto, só tenho a dizer que tenho vergonha desta notícia: PCP, PSD e CDS chumbam voto de condenação a Angola pela prisão de 17 activistas.

Claro que condeno, sobretudo, o PCP... a liberdade é sempre importante quando se fala de partidos que não têm como matriz a mesma ideologia que a nossa, parece ser este o lema do Partido.

Ontem, hoje, agora e sempre, PCP apoia o MPLA, mesmo que este tenha passado de um partido que lutava contra o colonialismo, a um partido que usa outro tipo de "colonialismo".

Cartaz de apoio ao MPLA de 1975
Imagem retirada de http://1969revolucaoressaca.blogspot.pt/2015/11/1975-11-04-todo-o-apoio-ao-mpla-pcp.html

domingo, 3 de abril de 2016

Desafio: apanhar lixo do chão

A internet vive de desafios, devo confessar que nunca fui muito adepta destes, nunca me molhei com baldes de água, nem nunca tentei comer uma colher de canela para depois publicar o vídeo da situação. Aliás, acho mesmo que a maioria dos desafios são no mínimo parvos, mas já que as pessoas gostam de desafios que tal este: 1 piece of rubbish.

O desafio consiste em apanhar lixo da rua tirar uma fotografia e partilhar online com a hashtag #1pieceofrubbish, na partilha devemos mencionar cinco pessoas. Eu não sou muito adepta deste género de desafios, mas este acho interessante, afinal é para o bem de todos.

Obrigada ao blogue  O único planeta que temos, no qual tive conhecimento desta iniciativa.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Rio Tua


Se estão contra a barragem do rio Tua, se ainda acreditam que o futuro pode ser sem esta construção, enviem uma carta à Unesco. A não construção da barragem é um bem para o ambiente, para a cultura e para a identidade local.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A habitação, os nómadas e os ciganos

Este fim-de-semana que passou uma jovem realizadora portuguesa ganhou um urso de ouro com uma curta-metragem intitulada "Balada de um batráquio". Este facto foi notícia em todos os meios de comunicação social. Eu não vi a curta-metragem em questão, mas tenho grande curiosidade. Mas foi esta notícia que me fez lembrar do meu interesse sobre ciganos que vem de há muito tempo.

Sempre me lembro de existirem ciganos por aqui, mas lembro-me da primeira vez que ouvi falar da história dos sapos. Eu era escuteira e estávamos a fazer sapinhos de papel para vender, de forma a angariarmos dinheiro para alguma actividade. Na altura, tinha uns dez ou onze anos, mas nunca mais me esqueci disto, uma das minhas irmãs escutas (como nos chamávamos) morava num bairro social aqui perto da minha casa e disse que ia tentar vender os sapinhos num café nesse bairro, porque o café tinha imensos sapos para os ciganos não irem lá. Escusado será dizer que nesse bairro social vivem imensos ciganos.

Na altura achei isto tremendamente estranho, primeiro porque haveriam os ciganos de não entrar em sítios que tinham sapos a fingir, segundo qual o interesse em que eles não entrassem lá. Sim, eu sabia da fama e em muitos casos do proveito do povo cigano, mas nem por isso deixava de achar ridículo a ideia. É que a minha avó tinha um café, o qual já vinha do meu bisavó, onde estava um prato de loiça com a seguinte frase:

Tem minha casa um brasão
de entre todos o mais nobre
receber sem distinção
tanto o rico como o pobre

Acho que isto foi das primeiras coisas que li na vida e na minha cabeça este devia ser o lema de qualquer pessoa e qualquer estabelecimento, receber todos sem distinção. Já agora quem ficou com esse prato de herança fui eu e tenho-o na entrada de casa.

Mas bem o meu interesse por ciganos começou e já no último ano da faculdade tive oportunidade de fazer um trabalho sobre eles (e não só), na cadeira de Deontologia do Urbanismo. Fiz assim um trabalho intitulado Urbanismo e as Minorias Nacionais. Neste trabalho abordava as questões ligadas ao urbanismo, mais concretamente à habitação das comunidades nómadas nacionais. No caso português, os ciganos (embora o nomadismo seja cada vez mais raro). Mas descobri o que muito me impressionou, a existência de lei concretas de habitação para comunidades nómadas no Reino Unido, sendo este o meu caso de estudo.

Já fiz este trabalho há uns anitos, em 2008, por isso já não me lembro de tudo, muito menos de pormenores, nem sei se actualmente estas leis ainda se mantêm. Mas na altura fiquei fascinada com a realidade do Reino Unido, porque a nível nacional é obrigatório que todos as regiões tenham sítios próprios destinados a nómadas, o que facilita depois o acesso destes a outros serviços, tais como a saúde e a educação. No Reino Unido, além dos ciganos, existe outro grupo nómada, os Pavee de origem irlandesa, bem como "novos" nómadas, ou seja, pessoas que são nómadas por vontade própria e não por qualquer tradição ligada a uma minoria.

A questão é: na maior parte dos países existe a possibilidade de uma minoria nacional ou estrangeira se for nómada de o continuar a ser e mesmo assim ser bem aceite na sociedade? Penso que não. O nomadismo foi bloqueado, no caso dos ciganos dizemos que eles não se integram na sociedade e  até pode ser verdade. Mas integrar na sociedade é passar a ser igual à maioria? Essa é a integração fácil para o ponto de vista da maioria. Mas e do ponto de vista da minoria? As minorias querem e necessitam de perpetuar a sua cultura e isso nem sempre é possível nos modelos tradicionais de habitação. Lembro-me sempre de um professor que nos falava como os bairros sociais dos subúrbios franceses eram "castradores" para as mulheres árabes, habituadas a vivenciar e socializar nos pátios interiores. Aqueles maravilhosos pátios como podemos ver no Norte de África ou aqui ainda mais perto na Andaluzia.

E pronto, não quero alongar muito mais o assunto até porque o meu conhecimento não é assim tão grande, nem sequer sou estudiosa disto, nem de coisa nenhuma, mas lembrei-me deste trabalho. Mas gostaria de formar mais uma questão, se as maiorias aceitassem melhor as minorias, estas não estariam melhor integradas? Porque é tão difícil aceitar o nomadismo? Por exemplo, se este fosse aceite pelo Estado e por ele "controlado" não seria melhor para todos? Porque todos temos de viver nas mesmas tipologias habitacionais? E viajando um bocadinho mais, não falo apenas em nómadas, mas pessoas que querem viver em comunidades alargadas.

O trabalho que eu fiz era extenso, mas na altura fiz uma apresentação intermédia, está assim meio tosca, mas se alguém tiver curiosidade deixo aqui para verem: O Urbanismo e as Minorias

Já agora deixo também o link para algumas fotografias de Pierre Gonord, segundo a notícia são os últimos ciganos nómadas do Alentejo. E deixo uma fotografia para amostra, uma que me diz muito pela minha actual vida.

Imagem retirada de http://observador.pt/2015/03/11/ciganos-do-alentejo-numa-exposicao-em-nova-iorque/

Só mesmo para terminar e voltando aos sapos, uma vez fui a uma aldeia no município de Figueiró dos Vinhos e nunca tinha vistos tantos sapos, em todo o lado havia sapos de loiça, uma coisa inexplicável.

Acredito que mudarmos a nova perspectiva sobre os outros, aceitando-os melhor, muda as perspectivas deles sobre nós. Claro que não são mudanças imediatas, mas têm de começar por algum lado. Obrigar os outros a serem iguais a nós, só os faz ter repulsa e quererem ser diferentes.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O lixo perdido no Monte da Caparica, Almada

Há uns meses atrás escrevi uma publicação intitulada O lixo voador onde contei a história de uma embalagem de chipicao que veio aqui parar à minha porta, há uns dias veio cá para uma embalagem de croissants da auchan. Pronto, já foi para o ecoponto correcto.

Mas o problema tem todo uma origem. A qual se situa no mercado municipal do sítio onde vivo, não digo que os plásticos tenham todos esta origem, mas a maioria sim. Por este motivo decidi há cerca de uma semana enviar um email à Câmara Municipal de Almada, onde explico a minha posição e desilusão com este assunto. Por enquanto continuo a aguardar uma resposta, confesso que não tenho certeza se enviei para o departamento correcto, enviei para o que me pareceu mais adequado, mas penso que dentro da Câmara comuniquem entre si. Se não for competência da Câmara também acho que deveriam dar-me uma resposta. De qualquer forma, vou aqui transcrever o email que enviei:

"Boa tarde

Sou residente no concelho de Almada, mais propriamente na vila do Monte de Caparica, freguesia de Caparica. Há um longo tempo que há uma situação que muito me desgosta, junto ao mercado municipal do Monte da Caparica. Neste local existe uma quinta, propriedade privada onde todos os anos fazem a festa popular local, para a qual estão sempre a voar plásticos vindos do mercado. Embora essa quinta seja propriedade privada, a sujidade que nela se acumula tem origem no mercado, não sei se por falta de limpeza, falta de contentores ou por preguiça dos vendedores. Mas a realidade é que o lixo todos os dias voa para lá, acumulando-se meses consecutivos. Até voar para outro sítio, nomeadamente para a Rua dos Trabalhadores Rurais ou para a travessa onde se situam os CTT. Deixo aqui algumas fotografias de lixo que permanece semana após semana nesta área.

Se a limpeza desta área pertence à junta de freguesia, câmara municipal ou privados não sei. Mas sei que é uma vergonha e um problema ambiental e estético. Por este motivo acho que deviam ter atenção a este problema.

Cumprimentos
Sónia Martins"

Sei que a Câmara Municipal tem diversas boas iniciativas a nível ambiental, mas às vezes não é necessário fazer coisas fantásticas, limpar já é um óptimo começo ou obrigar os responsáveis a limpar. O email foi acompanhado das fotografias que se seguem.


Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria

Imagem própria
Imagem própria


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Porque aos olhos de alguns, nem todos somos iguais...

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Imagem retirada de https://www.facebook.com/cinismoilustrado/photos/a.680935531925188.1073741828.680929688592439/1095501070468630/?type=3&theater

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cartazes partidários - poluição visual?

Faz hoje um mês que foram as eleições legislativas e não vale a pena falar aqui dos resultados, do suposto governo, da oposição ou do discurso do "nosso" querido líder. Tenho as minha opções bem definidas e bem pensadas.

O que eu quero falar é do lixo da campanha política, a quantidade de cartazes espalhados por todo o lado. E não estou a falar dos grandes outdoords, esses gostemos mais ou menos, estão lá quietos. Estou a falar daqueles que se colocam nos postes das ruas. Aqueles pequenos e frágeis que voam por todo o lado.

E há um partido que adora colocar esses cartazes, pelo menos aqui no município de Almada é poste sim, poste sim. Tantos que antes das eleições numa avenida contei mais de cinquenta cartazes. Normalmente colocam os cartazes e depois ficam durante meses e meses, para não falar anos, à espera que o vento os leve. Foi por este motivo que passado uma semana mais ou menos das eleições decidi enviar um email a este partido (com o qual tenho de referir que até compartilho diversas ideias) a dizer que acho que deviam proceder a uma limpeza, retirando os seus cartazes de forma a não andarem a voar por aí. O que sobretudo em sítios perto de rios e mar, eu vivo numa freguesia banhada pelo rio Tejo e o oceano Atlântico podem ter um destino não muito saudável. E se eles até se preocupam com o ambiente devem ter isso em consideração.

Como seria de esperar até hoje não tive qualquer resposta. E verdade seja dita, acho que não vou ter. Todavia, aqui à volta da minha casa desapareceram todos os cartazes desse partido. Como ultimamente a minha condição de grávida em fim de tempo me deixa algo limitada, não tenho visto se ainda se encontram muitos cartazes pelas nossas ruas. Será que decidiram limpar as ruas, retirando os cartazes? Se sim, fico imensamente contente. Será que simplesmente foi o vento forte de alguns dias que levou os cartazes para outro qualquer sítio? Nomeadamente para o rio e para o mar?

Imagem meramente ilustrativa de cartazes políticos da década de 70
Imagem retirada de https://pedromarquesdg.wordpress.com/category/cartazes/
Mas vamos ser sinceros tantos cartazes espalhados pelas ruas, além dos problemas de não serem retirados são cá uma poluição visual. E será que ter muitos cartazes vai influenciar os votos?

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