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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Resíduos orgânicos

Em sequência da minha última publicação:

Imagem própria

Diariamente, em quase todas as casas deste país, ou melhor, em quase todas as casas do mundo, resíduos como estes são deitados no lixo indiferenciado. Os resíduos orgânicos não são lixo, têm valor. No meu caso, deito-as às galinhas, o que elas não comem acaba por se degradar e misturar com o estrume que mais tarde é devolvido à terra. Outra solução é fazermos compostagem.

Claro que não quero obrigar todas as pessoas a terem galinhas ou a fazerem compostagem, até porque no actual modelo de sociedade é impensável. Talvez, por isso mesmo devessem ser as sociedades gestoras de resíduos a fazerem-no. Actualmente, alguns dos centros de triagem de resíduos já fazem alguma triagem aos resíduos indiferenciados, sendo que os restos orgânicos acabam por ser aproveitados para adubo. Todavia, como devem compreender isso é um processo difícil, já imaginaram o que é estar a separar cascas de bananas, de plásticos, de fraldas, pensos higiénicos, etc. Pois, há quem o faça, mas eu não gostaria.

Segundo este documento, Resíduos Orgânicos são:

"Restos de origem orgânica (também denominados resíduos verdes ou biodegradáveis). Em princípio, todos os resíduos orgânicos de origem biológica podem ser transformados em composto, o que inclui restos de comida, restaurantes e cantinas, resíduos verdes de composição vegetal provenientes de jardins e parques, papel e cartão. Apesar de poderem ser transformados em composto, o papel e cartão deverão ser reciclados."

No documento acima referido, estão várias iniciativas de recolha de lixo orgânico para compostagem. De notar que este documento já tem 16 anos, logo não quer dizer que estas iniciativas ainda existam.

De forma geral, as iniciativas que já existem passam pela existência de um sistema de recolha selectiva de lixo orgânico e de lixo inorgânico e em outros casos, por incentivar aos cidadãos a fazer a sua própria compostagem. Ambas são boas soluções. Embora, pessoalmente, acredito que a ideia de existir uma recolha de lixo orgânico e inorgânico fosse uma solução muito melhor quando nos mencionamos a áreas urbanas. Todavia, mais uma vez, no nosso país e no contexto que eu conheço, se ainda não conseguimos ensinar as pessoas a separar vidro, cartão e plástico, quando conseguiremos que separem o orgânico do inorgânico.

Se todos os resíduos que fazemos fossem separados quase nada iria para o inorgânico, não é verdade? Tudo teria o seu fim original, a transformação.

terça-feira, 22 de março de 2016

Dia mundial da água


Mais valioso que o petróleo, o ouro ou os diamantes, a água é o bem mais necessário e indiscutível do mundo. Felizmente, a água não se esgota, mas infelizmente é facilmente contaminada.

Por um consumo de água mais consciente, a nivel pessoal, industrial, estatal, ou seja, global. E por uma melhoria do saneamento a nível mundial. Hoje, devemos pensar no que a água representa para nós e para o planeta.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Aljezur, a terra da batata-doce

Fomos passar uns dias a Lagos e estava a falar com a minha família algarvia sobre a introdução de sólidos na alimentação do bebé e todos foram unânimes em que devia fazer sopa com batata-doce em vez da batata normal. Os bebés gostam mais facilmente de batata-doce e é mais saudável. Referi que nesta altura do ano só encontro no supermercado batata-doce importada e caríssima. A última que vi era importada dos Estados Unidos da América e custava 2,20€/kg. A minha tia disse-me logo para parar em Aljezur para comprar batata-doce que é excelente. E foi isso mesmo que fiz, à vinda para casa parei em Aljezur e comprei batata-doce, no entanto como ainda não sei quando vou começar a dar sopa ao Luís, acho que quem vai comer a batata-doce somos nós (já não sobram muitas).

As batatas-doce que comprei
Imagem própria

A batata-doce de Aljezur é um Produto com Indicação Geográfica Protegida atribuída pela União Europeia e pode ser encontrada entre Novembro e Abril. A batata-doce é uma excelente alternativa à batata comum. Cá em casa, por vezes, quando assamos no forno, misturamos as duas. Costumamos comer batata-doce como acompanhamento de frango assado no forno, hoje para variar fiz misturada com cenoura a acompanhar salmão no forno.

Além do excelente sabor, esta batata é muito saudável (se não a comerem frita, claro está):


  • Baixo índice glicémico;  
  • Ajuda a controlar a diabetes;  
  • Auxilia no emagrecimento;  
  • Reduz o colesterol;  
  • Regula a pressão arterial;
  • Fortalece o sistema imunológico;
  • Fonte de ferro, cálcio, vitamina A, C e E;
  • Fonte de carboidrato;
  • Auxilia na formação de colágeno;
  • Ajuda a prevenir a anemia. 


















Desta forma, quando vínhamos para casa, parámos no mercado de Aljezur para comprar as maravilhosas batatas-doce, aproveitamos também para comprar laranjas e figos secos, tudo coisas bem algarvias (já devo ter dito algures que gosto de comprar produtos regionais). E queria só mencionar mais uma coisa, a senhora que nos vendeu estes produtos era estrangeira, da Europa Central e eu como adoro estas coisas de imigração e estilos de vida alternativos à sociedade, lembrei-me logo desta reportagem que tinha lido há tempo sobre Aljezur.

Para finalizar, se passarem em Aljezur como nem só de comida nos alimentamos, visitem a praia da Amoreira, acho que não se vão arrepender. 

Imagem retirada de http://blog.turismodoalgarve.pt/2012/01/1001-praias-praia-da-amoreira.html

Comprar nacional, não ajuda apenas a economia, é também mais sustentável.

Agora tenho é de esperar que o meu pai vá ao Algarve para me trazer mais batata-doce.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Croquetes e o desperdício zero

Desde pequena que fui habituada a comer restos. Aliás cá em casa há muitos dias que o jantar ou o almoço são restos, nesse dia fica o frigorífico limpo. Há comidas que de um dia para o outro são melhores e outras que ficam sem graça. Para estas é necessário imaginação. Mas inevitavelmente há sempre algum restinho que não se aproveita. No nosso caso não vai para o lixo, o meu cão e as galinhas agradecem sempre, a gata é mais esquisita. De qualquer modo, mesmo eles comendo restos não é essa a base das suas alimentações, é a excepção, não a regra, por isso o lema deve ser reaproveitar para nós.

Assim, há coisas que comemos tais como cozinhámos ao início e outras aproveitamos para novos pratos. Quando falamos de restos de carne, por exemplo frango assado, reaproveitamos para umas tostas de frango, uma massa ou uma pasta. Mas quando sobra muita carne é preciso outras soluções, uma boa solução é empadão, mas isso terá de ser para se comer na altura, se for para comer mais tarde, uma óptima solução é fazer croquetes.

E assim, o cozinheiro cá de casa decidiu há uns tempos fazer croquetes, com restos de carne de cozido à portuguesa, resto de carne que estavam no frigorífico que não me lembro de quê e mais dois hambúrgueres que não tínhamos chegado a cozinhas. Não vos vou dar a receita porque não fui eu que os fiz, mas ele viu a receita na internet, por isso facilmente a encontram. Assim, os croquetes que foram feitos e congelados ainda antes do Natal, foram o nosso almoço no Domingo passado. Uma forma de reaproveitar os alimentos para serem consumidos mais tarde. E digo que os croquetes estavam óptimos, o meu marido diz que não custa a fazer, dão é um bocadinho de trabalho.

Mas é melhor fazermos assim, a reaproveitar restos, do que comprar croquetes já feitos, se bem que eu só compro estas coisas a pessoas que conheço, economia paralela.

Imagem própria

Relativamente ao facto de eu comer carne, já falei disso no blogue, aqui e aqui.

Além de reaproveitar restos de carne, também podemos reaproveitar legumes cozidos para o puré da sopa, cá em casa sobram sempre batatas cozidas, por exemplo. E claro pão duro dá sempre para uma bela açorda.



sábado, 19 de dezembro de 2015

Aleitamento materno

Sobre o aleitamento materno, tal como a DGS e outras organizações, considero que é o melhor alimento que podemos dar aos nossos filhos recém-nascidos. Considera-se que até aos 6 meses de idade, o bebé só necessita do leite materno para se alimentar. Eu pessoalmente acredito que a partir dos 4 meses se possa começar a dar sopa, mas que o leite materno deve ser predominante na alimentação do bebé.

Embora não seja especialista no assunto, o leite materno é muito melhor que os leites de fórmula, uma vez que transmite ao bebé benefícios nutritivos e imunológicos, este leite é de mais fácil digestão (eu comprovei esta realidade com o meu bebé que tomou suplemento durante um dia e meio). Além disto favorece o contacto entre mãe e filho, os bebés sentem mesmo esta necessidade de contacto. E para finalizar o aleitamento materno ainda é melhor para a mãe, uma coisa que eu não sabia é que a estimulação mamária faz o útero voltar ao seu lugar e tudo correr melhor na recuperação pós-parto.

A natureza é mesmo perfeita, mas toda a bela tem o seu senão.

A amamentação para mim tem sido uma tragédia, sim mesmo mau. Primeiro quando ele nasceu não pegou na mama, mediram-lhe a glicemia e como estava alta disseram que nas primeiras horas ele não precisava de alimento. E assim foi.

O problema é que entretanto precisou, mas não fez a pega correcta, conseguiu macerar-me os mamilos, fiquei com dores horríveis. Então comecei a dar com mamilo artificial, a coisa corria melhor, mas mal na mesma, a pega continuava a não estar certa, ele engolia muito ar e tinha muitas cólicas. Além disto, o meu leite verdadeiramente ainda não tinha subido, o que eu tinha era quase nada. Ele tomou suplemento durante um dia e meio e eu comecei a estimular a mama na bomba. E aí foi o caos, o leite subiu todo, o peito ficou ingurgitado, nem uma pinga de leite saía. Tinha imenso leite, mas sair que é bom, nada. E por isso lá tive de permanecer mais dias no hospital até resolver a questão. Foram as piores dores que tive na minha vida. Mas lá se resolveu. De qualquer forma continuei sem conseguir dar mama directamente no meu mamilo (só agora percebi porquê) e continuei a usar o artificial.

Nisto vim para casa, ao fim de quinze dias comecei com febre, fui à urgência e tinha outra mastite. Na mesma altura nas pesagens semanais do Luís percebeu-se que ele está a engordar muito pouco. E qual o motivo?

Exacto, ele continua a fazer uma má pega. Logo mama muito tempo, mas mama pouco leite e aleija-me e eu fico dorida e formo mastites e coisas do género. A médica de família explicou-me como se faz a pega correcta, mas eu não consigo fazer em casa. Qual a solução?

Não sei se será a solução, mas segunda-feira vou a uma consulta de apoio à amamentação, espero que isto me salve. Já sofri tanto com esta história, ainda por cima sofro para ele se alimentar mal, eu pensava que sofria mas que ele se alimentava bem. O mais fácil era desistir, secar o leite e começar a dar leite de lata. E muitas vezes já estive tentada a tal, agradeço muito a todas as pessoas que me têm apoiado a continuar a dar o meu leite. Entretanto, se está consulta de apoio à amamentação não resolver o meu problema, talvez eu desista mesmo. Mas eu não quero dar leite de lata, eu quero dar o meu leite.

No outro dia estava a ler no site da DGS que cerca de 90% dos recém-nascidos saem do hospital a beber leite materno, ao fim de um mês esse valor passou a 50% e aos três meses a quantidade de bebés que bebe leite materno é muito reduzida.

O desconhecimento das pessoas sobre o leite materno é imenso. Primeiro, não existem mulheres que não tenham leite, não existe leite fraco (são raríssimos os casos que o leite materno não tem tudo o que o bebé necessita) e a mulher não deixa de ter leite. O que acontece é que a falta de apoio e de informação faz com que grande parte das mulheres desista (e sim, eu ainda equaciono desistir), porque amamentar não é algo intuitivo, é-o para algumas pessoas, mas há imensos problemas os quais podem passar pelo próprio bebé como o caso do meu. Claro que depois há casos de mulheres que não amamentam porque não querem e estão no direito delas.

Mas considero que devia de existir conselheiras de aleitamento materno no sistema nacional de saúde, as pessoas precisam de acompanhamento. Eu tive sorte tantos com as profissionais que apanhei no hospital como com a médica de família, todos sempre me incentivaram a dar o meu leite. Mas uma pessoa menos informada que apanhe um profissional que lhe diga para secar o leite e dar leite de lata, vai fazer o quê?

E bem pode parecer, mas não sou fundamentalista. Afinal, eu desde o primeiro dia da minha vida que sempre bebi leite de lata, porque secaram o leite à minha mãe mal eu nasci. E secaram-lhe o leite porque trocaram umas análises no laboratório e apareceu que ela tinha uma doença infecto-contagiosa e não tinha, acho que isto traumatizou-me. Mas a verdade é que eu cresci saudável, inteligente (cof cof) e esbelta (cof cof), bem cresci, mas pouco, 1,52m, se tivesse bebido leite materno quem sabe se não teria 1,53m...

Além disto, é óbvio que é melhor dar leite materno, não só para o bebé e para mim como para o ambiente, afinal é produção caseira. Se eu continuar a dar leite materno, olhem só a quantidade de latas que não vou usar e deitar fora.






Imagem retirada de https://comunidadeams.wordpress.com/page/15/


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

As sementes, os herbicidas e as multinacionais

Conversa entre mim e o meu pai há umas semanas:

Pai: Tenho de queimar ali umas ervas.
Eu: Como o quê?
Pai: Com Roundup.
Eu: Tu sabes que o Roundup é cancerígeno? (é sempre um bom argumento)
Pai: É o que dizem...
Eu: Não é o que dizem, é a realidade, está provado.

Podem ver a seguinte notícia Califórnia classifica herbicida Roundup como cancerígeno.

O meu pai não aplica muito Roundup até porque é demasiado preguiçoso para andar sempre a matar ervas daninhas, mas volta e meia lá põe. E claro não põe na altura que temos plantações, mas que restos deixará o Roundup e outros produtos idênticos no solo? E nas culturas seguintes? Não sei.

Se virmos no site da Roundup Jardins na parte das perguntas e respostas, percebemos logo que tantos cuidados só podem significar que não podemos ter grande confiança no produto. Mas quando falamos de pessoas individuais que utilizam estes produtos, estamos a falar de pequenas utilizações que em princípio não nos trarão grandes problemas. Mas não são apenas os indivíduos comuns que os utilizam. Estes produtos são amplamente utilizados nas grandes explorações agrícolas mundiais e aí o caso piora bastante.

O Roundup pertence à Monsanto Company, uma empresa multinacional de agricultura e biotecnologia. A Monsanto é a líder mundial na produção de sementes geneticamente modificadas. A controvérsia sobre esta empresa é enorme.

Por um lado, os produtos geneticamente modificados da Monsanto têm contribuído grandemente para a destruição de vários ecossistemas. Por outro lado, produtos como o herbicida roundup têm sido a causa de várias doenças em agricultores e outras pessoas que têm contacto com o produto.

A juntar a isto, existe ainda a questão das sementes e da polícia genética:

"Agricultores que compram sementes transgênicas da Monsanto são proibidos de guardar parte da colheita para replantio dessas sementes. Para garantir que isso não ocorra, a empresa mantém uma polícia genética, que investiga denúncias de "casos suspeitos", inspecionando fazendas (com ou sem permissão dos proprietários), para coletar amostras de plantas e sementes. No Canadá e nos Estados Unidos, mesmo os agricultores que jamais compraram sementes da Monsanto têm sido investigados por essa "polícia genética", e vários desses agricultores foram processados, já que a "polícia genética" da Monsanto consegue entrar em suas propriedades, em busca de provas do uso não autorizado de sementes patenteadas pela empresa." (in https://pt.wikipedia.org/wiki/Monsanto_%28empresa%29).

A introdução destas sementes geneticamente modificadas veio diminuir o cultivo das sementes originais, acabando com muita da diversidade existente. A isto junta-se o facto que ao patentearem as sementes estão a impedir o livre acesso à reprodução de determinado produto pelos meios tradicionais. Para mais informações leiam O controle pelas multinacionais. Todavia, o caso piora quando esteve em discussão uma lei para a UE que proibia o uso de todas as sementes não registadas (incluindo as sementes tradicionais), felizmente essa lei foi chumbada (Lei das sementes rejeitada por maioria no parlamento europeu). Mas nada impede que se tente novamente legislar sobre esta questão.

O problema é que estamos a registar e patentear algo que é de todos por direito, as sementes são parte da natureza, são vida, são a nossa forma de sobrevivermos, são elas que nos dão o alimento. Além disso as sementes são livres, germinam onde querem, voam e existem polinizadores que as vão alterando.

"Com o plantio de sementes patenteadas pela Monsanto, o pólen destas “contamina” outras variedades existentes na região, que passam a produzir sementes com as características das da Monsanto. Esta então processa os produtores vizinhos e exige legalmente destes o pagamento de royalties à empresa, por estarem produzindo sementes que são patentes dela. Em resumo: a monsanto está rapidamente se tornando proprietária de uma variedade enorme de sementes, seus laboratórios estão criando sementes patenteadas de tudo, cereais, frutas, hortaliças, etc." (in http://www.noticiasnaturais.com/2009/09/filme-o-mundo-segundo-a-monsanto/#ixzz3rvVFNJyr).

Além disto, os cereais transgénicos destas grandes empresas são resistentes aos seus herbicidas como o caso do Roundup. O que significa que os campos são pulverizados com estes produtos sem que o cereal morra, mas deixando nele as suas características. Andamos a comer soja e milho pulverizados com Roundup que como vimos é cancerígeno. Se não o comemos directamente, comemos indirectamente.

E porque é que me lembrei disto tudo? Porque vi este vídeo.


E lembrei-me que há uns meses ali nos campos de milho de Montemor-o-Velho reparei que todos tinham indicação de que milho era aquele, não era Monsanto, era Pioneer. Mas lá estava o milho todo catalogado.  Esta imagem retirei de um site brasileiro, mas era tipo isto mas num campo bastante vasto:

Imagem retirada de http://portaldoagronegocio.com.br/noticia/dupont-protecao-de-cultivos-e-pioneer-expoem-portfolio-para-milho-e-soja-em-lucas-do-rio-verde-125477

Enquanto cidadãos comuns não sei bem o que podemos fazer para travar estas coisas. Bem na altura sobre a lei das sementes da União Europeia assinei petições, mas também nunca tenho bem a certeza se alguém liga às petições. Podemos claro comprar produtos biológicos, não usar Roundup nos nossos quintais, etc, mas somos enquanto indivíduos demasiado pequenos para fazer face a todos os interesses que existem. No entanto, convém estarmos informados e sabermos o que acontece no mundo e como isto põe em causa a nossa alimentação, a biodiversidade e a qualidade dos solos. Coisas que temos garantidas desde o início da humanidade são cada vez mais controladas por um número minúsculos de grandes multinacionais. Isto é capitalismo puro.

Desde sempre que as pessoas semearam as suas próprias sementes, deixadas de uns anos para os outros, escolhidas todos os anos. E mais do que isso, desde sempre que as sementes foram livres, já contei certamente dos tomateiros que nascem por todo o meu quintal, qualquer dia tenho a Monsanto a bater-me à porta porque não comprei aquelas sementes? Eu sei que eles não vêm a pequenos quintais, mas nunca se sabe.

E para terminar deixo uma música de um dos meus grupos portugueses favoritos: Diabo na Cruz com Verde Milho.

"Verde, verde milho, milho verde
Clonado a vapor
O gato tem preguiça
O vampiro tem perícia de actor
Verde, verde milho, milho verde
Deitado num manto
Era o nosso milho
Agora é milho Monsanto"


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Olha quem chegou: Anona

Chegou Novembro e aqui no quintal chegaram as anonas. Benditas anonas que me sabem tão bem, aliás toda a fruta em geral me sabe bem como referi nesta publicação.

A anona (falo especificamente da Anonna cherimola, já que no mundo existem mais uns quantos tipos de anonas que nunca provei) é um fruto originário da América do Sul, o qual se espalhou um bocadinho por todo o mundo, em Portugal é mais comum nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Em Portugal continental penso que não existe produção para venda, normalmente nos supermercados encontramos importadas da América do Sul.

A anona é conhecida por ser um fruto com grandes propriedades anti-cancerígenas.

"É uma fruta onde predominam as vitaminas C e B6, alguns minerais (potássio, cobre e magnésio), que se acompanham por uma excelente dose de fibra dietética (2,3 gramas por cada 100 gramas de polpa de anona) onde sobressaem as fibras insolúveis em detrimento das solúveis.
Dois estudos recentes revelam a presença de duas classes de fitoquímicos na anona: a classe dos flavonóides, representada pela epicatequina, a quercetina e a kaempferol, e a classe das acetogeninas, em altas concentrações, uma classe que parece possuir efeitos anti-inflamatórios e anti-tumorais.

Há muitos estudos científicos a relacionar um menor risco de aparecimento de alguns tipos de cancro com a ingestão diária de frutas e legumes com estas características. Através do seu consumo, há uma concentração abundante de vitaminas, minerais, fibras e fitoquímicos, o conjunto identificado com a capacidade anti-neoplásica. Um estudo publicado na revista Nutrition and Cancer, em Junho de 2011, registou um efeito protetor da anona, por inibição do crescimento tumoral da linha celular MDA-MB-468, no carcinoma da mama." (in http://www.stopcancerportugal.com/2011/12/30/2012-o-ano-da-anona/).

Já viram, além de super saborosa, a anona é muito saudável. Infelizmente, as anonas que encontramos cá à venda são importadas. E se queremos ser sustentáveis não convém andarmos a importar muita fruta, não é? Raramente compro fruta importada, incluindo frutas tropicais (bem com excepção das bananas), já que acho que devemos privilegiar a fruta nacional e de época. Por vários factores que vão desde as questões dos gastos relativos à importação, bem como à qualidade da fruta. Fruta fora de época, normalmente, significa mais químicos e menor qualidade de sabor. No caso das frutas tropicais importadas, as que chegam através de via marítima costumam ser apanhadas demasiado verdes, não ficando por isso na sua melhor qualidade, quer em sabor, quer em nutrientes. As que viajam por via aérea são muito mais saborosas, mas mais caras e bem os gastos ambientais de importar fruta por avião são muito maiores. No entanto, pelo que li há anonas a vender do arquipélago da Madeira (exportam para toda a Europa), mas bem eu nunca vi à venda, vou estar mais atenta. Também li que encontramos em Portugal anonas importadas de Espanha (também nunca vi), mas que o sabor não é tão bom (falo sem experiência própria).

Pelos motivos acima mencionados só como anonas quando a anoneira do quintal decide presentear-nos com os seus belos frutos. Bem este ano, durante a gravidez comprei duas anonas importadas, mas foram as únicas até hoje. Bem no outro dia comprei dois abacates, mas estou para compensar a tentar germinar os seus caroços.

Mas voltando às anonas, devido a estas minhas ideias habitualmente espero por estar altura do ano para me deliciar. Para quem gosta de anonas e tem um quintal, comprem uma e experimentem semear as suas sementes, não sei é quando será a altura ideal. Aqui no quintal, a árvore está ligeiramente abrigada, penso que seja boa ideia, já que em princípio não é uma árvore muito apta a geadas. Se bem que aqui onde moro, também não há geadas como as que se vêem no interior do país.

As primeiras anonas deste ano
Imagem própria

Muitas vezes uma anona é o meu lanche. Um fruto bastante saudável, neste caso sustentável, só viaja do quintal para dentro de casa, sem usar transportes e embalagens. Sem deixar resíduos, as galinhas e as cabras acabam com as cascas e se não lhe apetecer enriquece o solo.

Comprem uma anona, retirem as sementes para semear, vejam crescer uma árvore e comam os seus deliciosos frutos.

domingo, 15 de novembro de 2015

Bolo de iogurte com farinha de arroz integral

Gosto bastante da fazer bolos, pena que eles desaparecem cá de casa num ápice. Os bolos caseiros além de estarem relacionados com a minha infância e com as lembranças da minha mãe são bem mais saudáveis e baratos (então para quem tem imensos ovos como eu) que os bolos processados. E se formos a ver fazem-se num instante, bem depende do bolo. Mas o bolo de iogurte é mesmo muito fácil de fazer, básico mesmo.

Aproveito para fazer bolo de iogurte sobretudo quando tenho iogurtes perto do fim de validade ou que esta já passou há um ou dois dias. Diga-se passagem que é dos poucos alimentos que tenho receio de comer muitos dias depois do fim de validade. Mas desta vez nem foi por isso que fiz, foi por esta tabela que vi.

Imagem retirada de https://www.facebook.com/BRIObiologico/photos/a.180190041388.134405.124840276388/10153103076356389/?type=3&theater

E eu tinha cá em casa uma farinha de arroz integral e biológica (o que é bom dos produtos biológicos é que pelo selo podemos ver que é português) que comprei há uns tempos para fazer pão, mas que nunca gastei toda. Então decidi experimentar a receita normal de bolo de iogurte, mas utilizando a farinha de arroz.

A grande vantagens da farinha de arroz relativamente à de trigo é que a primeira não contem glúten, por isso é apropriada para os celíacos. De resto a farinha de arroz tem uma elevada quantidade de fibra, o que é óptimo para os intestinos e para a redução do colesterol, ainda para mais quando falamos de farinha de arroz integral.

No meu caso, não penso exactamente tanto nos benefícios concretos da farinha de arroz, mas acho que quanto mais diversidade comermos melhor. Trigo, arroz, centeio, alfarroba, todas as farinhas possíveis são bem-vindas.

A minha receita de bolo de iogurte é a seguinte:
  • 1 iogurte (copo de iogurte serve como medida para os outros ingredientes);
  • 6 ovos;
  • 3 medidas de farinha de trigo com fermento;
  • 3 medidas de açúcar;
  • 2 colheres de café de fermento;
  • 1/2 medida de óleo.
Misturo todos os ingredientes, excepto as claras dos ovos e mexo bem. Bato as claras em castelo e junto à mistura anterior. Ponho a mistura numa forma untada com margarina e farinha e levo ao forno pré-aquecido a 180ºC.

Neste caso como troquei as farinhas fiz a receita da seguinte forma:
  • 1 iogurte (copo de iogurte serve como medida para os outros ingredientes);
  • 6 ovos;
  • 2 medidas de farinha de arroz (como consta na conversão da tabela acima apresentada);
  • 2 medidas de açúcar (esta mudança não se deveu à farinha, mas costumo tirar uma medida de açúcar quando faço com iogurtes já açucarados);
  • 3 colheres de café de fermento (adicionei mais uma colher de fermento, uma vez que a farinha de arroz não tem fermento e costumo usar farinha de trigo com fermento);
  • 1/2 medida de óleo (pensei trocar o óleo por azeite para tornar o bolo mais saudável, mas depois achei que já eram mudanças a mais);
  • 3 colheres de sopa de sementes de papoila (é mesmo opcional, mas juntei para dar mais fibra e porque gosto de sentir as sementes, se quiserem saber mais sobre estas sementes vão a este link).
O modo de preparação é igual ao que referi acima.

Imagem própria

O pormenor das sementes de papoila
Imagem própria
O bolo ficou assim meio despedaçado em cima porque eu não untei bem a forma, então até conseguir desenformar tive de lhe bater um bocadinho. Relativamente ao resultado final, a consistência do bolo com farinha de arroz fica ligeiramente diferente do que é habitual com farinha de trigo, mas a nível de sabor nem sinto diferença. Por isso, pelo menos nesta receita, correu bem a conversão de farinha.

E assim, vamos diversificando a nossa alimentação e introduzindo novos produtos, mais saudáveis e mais sustentáveis, espero eu, pelo menos era biológica e integral.

Há coisa melhor do que comer um bolinho caseiro acabadinho de fazer com uma infusão caseira num dia de chuva e frio?

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A floresta de Doritos


Adoro este vídeo, já o partilhei há imenso tempo no facebook no qual formulei a seguinte frase: "Eu não como Doritos, mas eu vendo Doritos", ou seja no fundo também estou a contribuir para a destruição de florestas tropicais e de vários ecossistemas.

O facto de não comer Doritos não de deve nem a querer ser sustentável, nem saudável, simplesmente nunca gostei de Doritos, Cheetos, 3Ds, essas coisas, nem de batatas fritas de pacote com sabores. Nesse tipo de coisas apenas gosto de batatas fritas de pacote sem sabor, mas mesmo essas tento evitar, e nisso já é uma questão de tentar ser saudável. Como-as eventualmente a alguma refeição quando já não dá para fazer nenhum acompanhamento, mas bem cá em casa normalmente tenho sempre um resto de arroz no frigorífico ou qualquer coisa do género.

Mas se este vídeo fala dos Doritos, a questão é que não é só este produto alimentar que contribui para a desflorestação e consequente implementação da monucultura da palmeira de onde é extraído o óleo de palma. A grande maioria dos produtos industrializados/processados têm na sua composição este óleo, nomeadamente batatas fritas, chocolates, bolachas, cereais açucarados, produtos de cosmética, produtos de higiene, etc, etc.


Mas afinal qual o problema do óleo de palma?

O óleo de palma é tradicionalmente utilizado na culinária angolana e brasileira e pelo que li tem alguns aspectos positivos ao nível de algumas doenças. Mas então quais são os seus problemas? O facto de ser bastante utilizado em diversos produtos industrilizados deve-se ao seu baixo custo, bem como à textura macia que confere aos alimentos. E é segundo consta o óleo mais barato a nível mundial, não admira por isso que o usem em tudo.

O consumo cada vez maior de produtos industrializados promove, portanto, uma procura cada vez maior deste óleo. O qual tem como maiores produtores a Malásia e a Indonésia, lá anda o mundo inteiro a importar óleo destes países com os consequentes problemas ambientais a isto associados. Assim, a alta produtividade deste óleo atrai cada vez mais investidores, o que se reflecte no desflorestamento de cada vez mais florestas nestes países e consequente na perda de ecossistemas e da biodiversidade. E ainda em futuros problemas nos solos devido à monocultura intensiva, ao que ainda se junta o facto de que para se criarem novas áreas de cultura de palma, as florestas locais são queimadas provocando elevadas emissões de CO2.

E assim, desta forma, os Doritos, as bolachas e os sabonetes que usamos estão a acabar com a vida da fauna e flora por esse mundo fora. Lá do outro lado do mundo, naqueles sítios distantes que nem nos lembramos que existem.

Ao nível da saúde, o óleo de palma é considerado dos mais ricos em beta-caroteno e em vitamina E. No entanto, tal como acontece a todos os óleos em geral, após o refinamento, aquecimento e cozimento perde quase todas as suas qualidades, prevalecendo as características negativas para a saúde. Os óleos utilizados nas comidas industrializadas são bastante refinados e oxidados. Assim, o consumo de óleo de palma fresco é positivo, mas o consumo da comida industrializada com este óleo nem por isso. Mas bem nem com este, nem com outro não é verdade? Saber, nós sabemos, mas nem por isso as deixamos de comer.

E de vez em quando aparecem notícias destas Parem de comer Nutella para proteger o ambiente. O pedido é da ministra francesa Ségolène Royal. E eu que gosto tanto de Nutella, mas bem não tem nada de positivo nem para a saúde, nem para o ambiente, só mesmo o sabor. É muito mais sustentável e saudável comer as minhas compotas que eu gosto igualmente. Então o meu segredo para deixar a Nutella longe de mim é não comprá-la, nem sequer passar por ela no corredor. Se não tiver em casa não tenho vontade de a comer. Mas de vez em quando, há um guloso que vai ao supermercado e sem a minha autorização compra essas coisas, nutella, bolachas, etc. Então o que eu faço é pôr essas coisas lá atrás de tudo e mais alguma coisa, afinal, coração que não vê, não sente.


Assim, qual é a solução?

A bem da nossa saúde é tentarmos comer o menor número de produtos industrializados, e nisto lá vai a minha loja à falência. A verdade é que entre os produtos pouco saudáveis que vendo, normalmente quanto menos saudáveis mais se vendem, enquanto os mais saudáveis temos de os desistir de vender porque ninguém os compra. Logo, nós enquanto consumidores fazemos as nossas escolhas, se deixarmos de comprar produtos muito processados, os comerciantes e produtores vão procurar outras alternativas. Além disso nós próprios podemos dar sugestões, na minha loja por exemplo só vendemos Água Pedras Salgadas porque alguém nos alertou para que devíamos vender. E a verdade é que se vai vendendo bem.

Por outro lado, talvez as marcas devam substituir o óleo de palma por outros produtos que não tenham efeitos tão desastrosos no ambiente. Mas isso pode significar o aumento de preços para o consumidor ou a redução do lucro para o produtor. Por isso, penso que apenas regras mais apertadas trariam mudanças mais profundas na composição dos alimentos processados.

De qualquer forma e como nem sempre estamos habituados a ler os rótulos ou a conseguir dizer a tudo que não - sem contar que muitas vezes nos rótulos em vez de óleo de palma, diz simplesmente óleo vegetal, não sabendo nós de quê - o modo mais fácil para reduzir o consumo de produtos com óleo de palma é mesmo tentarmos ter uma alimentação mais saudável, por nós e pelo ambiente.

E por isso eu digo para mim Doritos nunca, mas Nutella às vezes. Mas cada vez menos. Mas durante a gravidez, praticamente deixei de ter bolachas e essas coisas em casa, assim comi muita, mas muita fruta e cenouras.

Já agora aproveitem que hoje é dia de São Martinho de troquem os produtos processados por umas maravilhosas castanhas, bem tradicionais, bem nossas.
β-caroteno
β-caroteno

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A alfarroba uma delícia saudável

A alfarrobeira é uma árvore selvagem de clima mediterrâneo. Em Portugal é sobretudo encontrada no Algarve (duas publicações seguidas em que falo desta região). O seu fruto, a alfarroba é uma vagem deliciosa e docinha, sim dá para roer assim as vagens.


Imagem retirada de https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfarrobeira

Cá em casa todos comemos alfarroba, bem todos menos a gata, comemos nós humanos e comem as cabras e as galinhas porque no Verão o meu pai costuma trazer alfarroba para eles das árvores do meu tio que mora Lagos. Até o cão come e para ele tanto lhe faz se é alfarroba em vagem, se é bolo ou pão, basta apanhá-la. Mas antes de o meu tio ter o terreno, já eu me tinha rendido à farinha de alfarroba.

A farinha de alfarroba é um óptimo substituto do cacau. Mas bem, o sabor é completamente diferente, no meu entender são ambos extraordinários e bons. Todavia, a alfarroba tem algumas vantagens, primeiramente é naturalmente doce, enquanto o chocolate só é doce porque adicionamos doce ao cacau. Depois, a alfarroba é um produto endógeno português, sim não viaja quilómetros para chegar à nossa mesa. A farinha de alfarroba que se compra é sempre biológica até porque é uma árvore selvagem, mas temos a garantia que não tem químicos e outras coisas. Além disso, comparativamente com o chocolate, a alfarroba é muito mais saudável.

Segundo este blogue, o cacau possuí 23% de gordura e 5% de açúcar, a alfarroba possui 0,7% de gordura e um alto teor de açúcares naturais em torno de 38% a 45%. Assim, não necessita de se adicionar mais açúcares. A alfarroba é um alimentos saudável e de elevado valor nutritivo. Contém vitamina B1, vitamina A e vitamina B2, cálcio, magnésio e ferro e o correcto balanceamento de potássio e sódio. Não possui agentes alergênicos ou estimulantes, tais como a cafeína e teobromina presentes no cacau. Embora tenha uma elevada quantidade de açúcares possuí um baixo teor calórico devido à quantidade quase imperceptível de lipídeos e alta quantidade de fibras naturais.

Assim, é só vantagens em consumir alfarroba em vez de cacau, mas eu como sou gulosa continuo a consumir os dois.

Mas e o que faço como a farinha de alfarroba? Faço bolo, salame e pão. Sobretudo bolo. E foi isso que fiz agora, um saboroso bolo de alfarroba.





Imagem própria


Receita Bolo de Alfarroba (sei que tirei esta receita de um site qualquer, mas não sei qual)

Ingredientes:
  • 200g de açúcar mascavado;
  • 6 ovos;
  • 60g de farinha de alfarroba;
  • 180g de farinha de trigo com fermento;
  • 1 colher de chá de fermento em pó;
  • 250g de manteiga;
  • 100g de amêndoa triturada (desta vez troquei por sultanas);
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
Preparação:
  • Bata as gemas com o açúcar e adicione a baunilha e a manteiga (desta vez como não tinha 250g de um só tipo de manteiga, misturei margarida de soja, manteiga sem sal da mimosa e manteiga com sal milhafre);
  • Adicione as farinhas e o fermento à mistura anterior;
  • Bata as claras em castelo e adicione à mistura anterior até ficar bem fofinha;
  • Adicione as amêndoas (neste caso adicionei as sultanas e não pesei a quantidade, adicionei a olho);
  • Unte uma forma com margarina e polvilhe com farinha e deite a mistura;
  • Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC até o bolo estar cozido.

Embora a receita original que eu vi levasse amêndoas, gostei bem mais com as sultanas. Às vezes é bom experimentar coisas novas. E o bolo está realmente delicioso, acho que foi o melhor bolo de alfarroba que fiz até agora ou então estava mesmo com muito desejo. Mas antes de o colocar no forno provei a massa crua e estava deliciosa parecia mousse. Estava tão boa que até me apetecia comer à colherada. Mas bem entretanto já tentei fazer mousse de alfarroba e abacate (ainda por cima o abacate importado do Perú) através de uma receita que encontrei na net e bem a mousse foi chumbada por todos cá em casa.

Como já referi, além do bolo, já noutras ocasiões fiz salame de alfarroba e pão de alfarroba. O salame é bom, mas acho que fica uns pontos abaixo do salame de chocolate. O pão de alfarroba é muito bom, mas embora eu goste de fazer pão, nem sempre tenho disposição para o fazer. Mas ainda hei-de escrever uma publicação só a falar de pão e de fazer pão. Deixo aqui só umas fotografias antigas, destas minhas lides culinárias.


Pão de Alfarroba
Imagem própria


Salame de Alfarroba (à esquerda) acompanhado na imagem por uma maravilhosa Sericaia
Imagem própria

A alfarroba é uma escolha saborosa, sustentável (produto endógeno e biológico) e saudável. Que mais podemos querer? Nas feiras de artesanato que costumam existir agora perto do Natal é muito comum encontrar produtos de alfarroba, biscoitos, barras de "chocolate", licores. Experimentem ou então comprem farinhas de alfarroba e façam em casa.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A OMS, a carne e o cancro

A semana passada instalou-se o pânico na comunicação social. Para variar as notícias são sempre dadas como se de repente tivesse começado a terceira guerra mundial. Aliás, eu já tinha lido a notícia, sobre a qual pensei "Grande novidade, não haja dúvida" e qual não foi o meu espanto quando foi notícia de abertura do telejornal.

A verdade é que a OMS depois de diversos estudos refere que o consumo de carne processada, bem como carne vermelha em geral, provoca cancro. Bem os meios de comunicação têm utilizado a palavra provoca, mas acho que a expressão mais aconselhada deve ser: aumenta a probabilidade de ter cancro.

Mas a sério que isto é uma novidade? Ok, podíamos não saber exactamente quais as doenças que o consumo de carnes processadas traz. Mas já sabíamos que fazem mal. Primeiro, porque todos os produtos processados são piores para a nossa alimentação do que os produtos mais naturais (frutas e vegetais, por exemplo), segundo porque a quantidade de gordura destes alimentos são enormes, terceiro porque os consumimos em excesso, quarto porque os animais utilizados são normalmente criados à base de uma alimentação com rações de crescimento e hormonas, etc, etc.

Aliás basta-nos olhar para a roda dos alimentos e apreciar que a fatia relativa às carnes e peixes é reduzida.


A nova roda dos alimentos
Imagem retirada de http://www.dgs.pt/promocao-da-saude/educacao-para-a-saude/areas-de-intervencao/alimentacao.aspx

Podem descarregar e consultar o documento da DGS relativo à nova roda dos alimentos neste link. Claro que depois a forma de cozinhar os alimentos também faz com que se devam comer mais ou comer menos, é diferente comer batatas cozidas ou batatas fritas, peixe cozido ou peixe frito. O que tem de ver com a gordura que adicionamos ao produto.

Mas mais uma vez digo que isto não é grande novidade, acho que sempre ouvi falar disto. Agora não é preciso tanto alarme. Não é por consumirmos carne processada que vamos certamente ter cancro, mas o consumo exagerado aumentará a probabilidade de o termos. E aí tem de entrar o nosso bom senso, se nem gostamos muito, acho que nem vale a pena comer, por exemplo eu não como fiambre e presunto, posso comer muito, muito eventualmente, mas não aprecio. Agora se gostamos, podemos comer de vez em quando. Mas claro, não devemos fazer diariamente salsichas só porque é rápido. 

Mas também, aquelas histórias que oiço como "ah podemos comer tudo, quem tiver de ter vai ter, olha o fulano sempre teve uma vida saudável e morreu novo e o beltrano sempre fez o que quis e viveu até os 80 e tal anos". Pois, estas histórias não são bem assim.

E aqui posso contar a história da minha mãe que morreu com 53 anos de cancro do pâncreas. Toda a gente me diz que era uma pessoa tão saudável e morreu tão nova? Será que era tão saudável assim? Ou as pessoas é que não têm noção do que é ser saudável?

Primeiramente, a minha mãe a nível genético já devia ter uma grande tendência para este tipo de doenças, grande parte das pessoas de família também tiveram este tipo de cancro. E com a genética não podemos fazer nada, até podemos ser a pessoa com os hábitos mais saudáveis do mundo, se os nossos genes não colaborarem é complicado.

Depois é verdade que a minha mãe não bebia álcool nem nunca fumou. Mas em contrapartida, durante mais de vinte anos trabalhou num café, ambiente fechado, onde todos os dias imensas pessoas fumavam. E enquanto elas saiam e entravam, a minha mãe permanecia naquele ambiente.

Depois comia muita fruta e legumes, sim, mas grande parte dos dias à hora do almoço comia o que havia no café. Quando não sobrava nada, a solução era comer um bife ou bifana com batatas fritas. Quantas batatas fritas naqueles óleos usados mais que uma vez ela consumiu na vida? Não sei, mas muitas.

Além disto, como trabalhava imenso, descansava pouco, o descanso também é essencial para nós. O ser humano tem de descansar, não somos eternos, por isso acredito que devemos ter uma vida muito mais lenta e sem stress, mesmo que isso nem sempre seja fácil.

Outra coisa, quando lhe doía a cabeça tomava um Dolviran, afinal tinha de lhe passar rápido aquela dor. Esta é outra coisa que sou completamente contra, tomar comprimidos assim que nos dói qualquer coisa. Os comprimidos são drogas e devem ser tomados em caso de grande necessidade, normalmente por isso são prescritos, os que não necessitam de prescrição devemos tomar com conta peso e medida. Para mim isso significa, só tomar quando não conseguimos mesmo aguentar a dor.

De qualquer forma ter uma vida mais calma e uma alimentação melhor ajuda a não termos tanto dores.

O que eu quero dizer em relação à minha mãe é que para a generalidade das pessoas ela tinha uma vida e alimentação saudável. Mas não tinha. A nossa consciência sobre o que é ser saudável é que está meio deturpada. Por isso quando me dizem que determinada pessoa sempre foi saudável, será que era assim tanto?

E com isto, nem estou a dizer que faço uma alimentação extraordinariamente saudável. Apenas digo que devemos ter consciência daquilo que de facto fazemos e do que devíamos fazer. Agora claro, há pessoas que fumam a vida inteira e os pulmões estão impecáveis e outras que nunca fumaram e têm cancro do pulmão. Mas como se sabe, não são só os nossos hábitos alimentares e a nossa genética que contam. Existem outras fontes às quais estamos expostos, poluição, gases, certos tipos de trabalho, por exemplo o trabalho em minas. Tudo isto é demasiado complexo para podermos avaliar porque determinada pessoa tem ou não tem a doença. Mas se as quisermos evitar devemos sim, ter atenção ao que comemos e ao que nos expomos.

Neste caso das carnes processadas ou alimentos processados em geral também devemos evitá-los, mas não entrar em alarmismo. Se gostamos realmente muito, porque havemos de os cortar de todo? A comunicação social devia informar pela positiva e não criar pânico.

A nível ambiental e de resíduos, claro que a diminuição do consumo de carnes processadas e de alimentos processados é bastante positivo. Reduzimos na quantidade de energia, transportes e embalagens utilizados o que traz grandes vantagens.

Comer alimentos mais naturais como as frutas e os legumes é ser mais saudável e mais sustentável.

Como já referi noutras postagens, Animais - o caso das galinhas e Alimentação - o meu calcanhar de Aquiles, nem sempre faço a alimentação mais saudável possível, mas tenho consciência do que faço. Em contrapartida, já referi na publicação Fruta como adoro este alimento o que me permite compensar bastante a minha alimentação. Mas mais uma vez, no que se relaciona com o cancro não é só aquilo que comemos que nos faz mal, há outras coisas a ter em conta como os Produtos de higiene e cosmética, bem como os de limpeza, dos quais ainda não falei.

O que devemos ter sempre em mente é que quanto mais naturais forem as nossas escolhas, mais saudáveis e sustentáveis seremos. Acho que é uma boa ideia.

Agora claro, não nos podemos esquecer que temos de morrer algum dia, é impossível evitarmos eternamente todas as doenças. No meu entender e como gostaria de viver muitos anos, porque gosto realmente de viver e tenho receio que estes genes herdados sejam marotos, acho que devo tentar ser mais saudável. No entanto, acho que não posso passar a vida alarmada com essa ideia, é ir vivendo e diariamente fazer as minhas escolhas.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Compota de tamarilho

hmmm deliciosa...

Já noutras postagens gabei a compota de tamarilho que adoro. Para a maior parte dos portugueses o tamarilho é um fruto desconhecido, mas eu tenho cá uma árvore em casa. A qual por volta do fim de Outubro, início de Novembro costuma dar os seus belos frutos.

O tamarilho ou tomate-maracujá (parece um tomate, mas tem um sabor idêntico ao maracujá) como é chamado nos Açores parece que é o fruto de uma árvore nativa dos Andes, na América do Sul. Como chegou cá ao quintal é que eu não sei bem, mas sei que temos cá a árvore desde o tempo do meu avô. Em princípio alguém terá comprado alguns tamarilhos no supermercado e decidiu semear aqui no quintal.

Mas eu nunca gostei muito de tamarilhos, mas uma vez trouxeram-me uma compota de tomate-maracujá dos Açores (único sítio em Portugal, onde eu encontrei a vender estar compota) e adorei, tanto, mas tanto, que todos os anos faço.

E todos os anos a produção de tamarilhos tem aumentado, bem para o ano se calhar vai diminuir porque o mau tempo arrancou uma pernada da árvore.
Os tamarilhos deste ano
Imagem própria

Antes de fazer a compota é necessário descascar os tamarilhos e retirar grande parte das sementes, podem retirar todas, mas eu não tenho grande paciência, então tiro só a maioria.

O aspecto dos tamarilhos descascado e arranjados

Depois de arranjados devemos pesá-los para ver a quantidade necessária de açúcar, cerca de 80% do peso da fruta. Neste caso, tinha cerca de 2,9kg de tamarilhos, o que significava cerca de 2,3kg de açúcar. Mas só tinha 2 pacotes de açúcar, ou seja 2 kg, então juntei ainda umas 50g de açúcar mascavado que tinha cá em casa e uns 5 pacotinhos de açúcar que também encontrei por cá. Como não tinha mais açúcar ficou assim. Mas não faz mal, a compota conserva na mesma.

Depois é levar ao lume a fruta, o açúcar e dois paus de canela. Ir mexendo, de vez em quando e esperar que se faça. Como queria fazer compota, ou seja deixar pedaços inteiros, não passei com a varinha mágica, mas fui desfazendo a fruta em pedaços mais pequenos com um instrumento daqueles de fazer puré.

Quando a compota já fazia ponto estrada, apaguei o lume e guardei a compota em frascos esterilizados (já expliquei noutras postagens como esterilizo os frascos). Mas não esterilizei frascos suficientes e então decidi guardar o resto numa taça, o que significa que vai ter de ser consumido mais proximamente (que chatice).

Resultado final: sete frascos e uma taça de compota de tamarilho
Imagem própria

As vantagens do saber-fazer que falei em outra publicação e a sua mais valia ambiental. Do quintal para casa sem grandes gastos de energia e a reutilizar frascos. Neste caso como nem sequer é um doce que encontre a vender por cá, ainda me sabe melhor porque se eu não fizer onde o vou comprar? Bem talvez em alguma loja açoriana, há algumas em Lisboa.

E já que estou a falar em tamarilhos, o ano passado também fiz licor, não para mim que eu não bebo bebidas alcoólicas, mas quis fazer para experimentar. O que eu fiz na altura foi descascar os tamarilhos e deixei-os num frasco grande, assim meio apertados, enchi depois o frasco com aguardente (neste caso era caseira do meu sogro). Deixei estar dentro do frasco umas 3 semanas a macerar. Depois abri e coei o conteúdo do frasco, ao qual juntei uma calda de açúcar e água (mas já não sei as quantidades). Coloquei depois em duas garrafas que tinha cá em casa (reutilizadas claro).

Licor de Tamarilho
Imagem própria



A garrafa mais fininha (que foi comprada primeiramente com licor de poejo) acabou há poucos dias e eu adoro esta garrafa, tenho-a ali guardada para voltar a reutilizar, mas não sei como. Alguma ideia?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A cebola, o tomate e uma das minhas sopas favoritas

Se houve vegetal que este ano tivemos em abundância cá por casa foi a cebola. Aliás, a cebola e o tomate. Ainda nos restam imensas cebolas e imensa polpa de tomate que fiz. A polpa de tomate deve dar até ao próximo ano quando os tomateiros começarem a produzir, as cebolas vão-se sempre estragando algumas por isso chegará a altura que temos de voltar a comprar.

Nós costumamos oferecer o que temos às pessoas que vêm cá a casa, podem ser cebolas, tomates, pepinos, courgetes ou qualquer outra coisa. Este ano muito me admirei quando duas pessoas distintas, depois de eu ter oferecido cebolas me disseram que não valia a pena, que em casa não comem cebola. E até me chegaram a responder o mesmo com o tomate. Devo ser bastante ceboleira e tomateira porque ponho estes dois alimentos quase em tudo, sobretudo a cebola. Aliás, devo confessar que fiquei a pensar no que afinal as pessoas comem.

Eu uso cebola nas sopas, nas saladas, às vezes cozo cebola para comer com peixe cozido, cebola nos refogados, cebolas quando faço lasanha ou bolonhesa, cebola no arroz, cebola quando asso alguma coisa no forno para fazer cama, omolete de cebola, carne de cebolada, guisados de feijão levam a dita cebola também, cebola picada no bacalhau ou atum com grão. Eu sei lá, acho mais fácil dizer no que não ponho cebola porque a utilizo quase para tudo.

O tomate não utilizo tanto, mas adoro salada de tomate, ponho tomate nas sopas, nos refogados e utilizo o molho de tomate caseiro. E claro, no maravilhoso arroz de tomate, ai, ai.

Por isso, não consigo imaginar bem o que é cozinhar diariamente sem estes alimentos. Podemos não ser vegetarianos, mas a introdução diária de vegetais é importante para a nossa saúde.


Pelo que andei a ver, a cebola tem um flavonóide chamado quercetina que pelos vistos faz bem a tudo. A cebola é um óptimo anti-oxidante, melhorando a actividade cardiovascular, anti-inflamatória, antitumoral, imunologica e antiviral.

O tomate é um alimento rico em licopeno, seja o que isso for, vitaminas do complexo A e B e minerais importantes como o fósforo e o potássio, ácido fólico (importante na gravidez), cálcio e frutose.

Até podemos não saber exactamente ao que isto faz bem, mas faz bem e torna a comida muito mais saborosa, acho eu. A introdução de vários vegetais quando cozinhamos também nos faz diminuir a quantidade de carne ou peixe que consumimos. O que também é positivo em diversos aspectos.

Por isso faz-me confusão como é que há quem nunca use cebola e tomate na sua alimentação.

E por isso deixo aqui uma sopa onde a cebola e o tomate são reis. Esta sopa é bastante pessoal, porque não conheço mais nenhuma família que a faça. Na minha família chamam-lhe sopa de batata. A minha mãe contava que era a sopa que antigamente se comia quando não havia mais nada. É uma sopa pobre, porque não tem nem hortaliça, nem leguminosas, mas eu adoro.

Sopa de batata cá de casa (eu não sei quantidades, faço tudo a olho)

- Batatas (cortadas às rodelas fininhas)
- Cebola (cortada às rodelas fininhas)
 
(eu ponho tanta cebola como batata, porque gosto mais do sabor da cebola, mas a minha tia por exemplo põe bastante mais batata que cebola)
- Tomate (em menor quantidade cortado ao pedaços)
- Dois ou três dentes de alho laminados
- Arroz carolino (ver a quantidade de forma a que fiquei assim uns bagos perdidos pela sopa)
- Polpa de tomate (de preferência caseira para não ter aquele sabor tão forte)
- Azeite
- Sal e pimenta
- Salsa (opcional)

Numa panela com azeite no fundo, deitar a cebola, os alhos, as batatas e o tomate em pedaços, deixar corar, juntar polpa de tomate suficiente para que o caldo fiquei bem alaranjado, encher de água, um pouco acima dos vegetais. Quando estiver cozido juntar o arroz carolino e ir mexendo. Temperar de sal e pimenta a gosto, depois de feita juntar a salsa. E é isto, mesmo sopa de pobre, poucos ingredientes e pouco trabalho. Mas eu gosto bastante.

A minha sogra nunca tinha provado e um dia eu fiz e ainda hoje ela fala como lhe soube bem a sopa. Como é diferente das sopas que estamos habituados, às vezes parece que ainda sabe melhor.

O meu pai diz que na terra dele, antigamente, quando as pessoas não tinham nada, faziam uma sopa parecida, mas sem tomate.

Imagem própria

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Animais - o caso das galinhas

Eu gosto muito de galinhas, de tal forma que acredito que seja das pessoas em Portugal que já leu mais sobre este animal, sem contar com pessoas que trabalhem diariamente no sector. Acredito que seja das pessoas que já li mais sobre o assunto, porque não conheço mais ninguém que ande a investigar sobre galinhas ou que já alguma vez tenha lido alguma coisa sobre o assunto.

Como já tive a oportunidade de explicar na postagem Alimentação - o meu calcanhar de Aquiles?, não sou vegetariana, todavia também não sou grande apreciadora de carne. Por isso, acho que também não teria grande dificuldade em ser vegetariana. Mas também não creio que o consumo de carne, por si, seja um problema nem a nível ambiental, nem signifique falta de consideração pelos animais. Na minha opinião, o problema do consumo de carne é a forma como o fazemos.

- Ingerimos uma quantidade exagerada de carne;
- Estragamos uma quantidade incompreensível de carne;
- Mantemos os animais a viver sem qualquer tipo de condições;
- Para termos a quantidade de carne que produzimos damos aos animais rações e hormonas que lhes fazem mal, a eles e a nós (já falei nisso em A importância das abelhas);
- Destruimos ecosistemas para conseguirmos ter grandes plantações de diversos cereais (nomeadamente a soja) para alimentarmos animais;
-Etc, etc, etc

E se formos a pensar nisto tudo, realmente comer carne é um problema gigantesco. Mas porque é um problema tão grande? Porque queremos consumir muito, mesmo que no fim vá para o lixo, a preços muito baratos. Isto para mim é um argumento válido, não para se deixar de comer carne, mas para restringir bastante o seu consumo. Mais vale comer menos, ser mais saudável e proporcionar melhores condições aos animais.


Isto para mim é um argumento:
Não se percebe bem, mas na imagem dividem os pintos acabados de nascer, os que têm imperfeições e a maioria dos machos são condenados à morte e servem de ração para outros animais
Imagem retirada de http://revistatrip.uol.com.br/165/frango/02.htm

Isto para mim não é um argumento:

Imagem retirada de https://www.facebook.com/associacaovidaanimal/photos/a.503087516450063.1073741832.340041726087977/901598449932299/?type=3&theater
Não quero dizer que para mim gatos e cães são diferentes de porcos e vacas. Há países do mundo onde comem cães e gatos e isso não me transtorna, quer dizer para mim é estranho porque não é a minha cultura. Mas para um mulçumano também é estranho comer porco e para um hindu comer vaca. O que eu quero dizer é que a questão da vida animal tem muito que se lhe diga.

Por isso vou falar no caso das galinhas, esse animal fascinante que mantém relações de amizade entre si e uma hierarquia bem definida (sim também já passei muitas horas a observar as ditas). As galinhas são animais domésticos, não evoluíram para o que são hoje em dia por uma selecção natural, a galinha é o resultado de uma evolução feita pelo homem, por isso não há galinhas em estado selvagem. O próprio nome da espécie o diz, Gallus gallus domesticus.

O que eu quero dizer é que foi o ser humano que "adaptou" outras espécies como o galo-banquiva (Gallus gallus) para o que é hoje a galinha, o mesmo se passou com as vacas, os porcos, etc. Estes animais só existem como os conhecemos porque os seres humanos assim o fizeram e com que fim? O consumo humano. Obviamente não se pode é comparar o exagero do consumo humano actual de carne com o que seria necessário.

Mas estes animais têm menos direitos que os outros? Claro que não. Mas a minhas questões são:
  • Se deixarmos de comer estes animais, eles deixam de existir? (a sua extinção terá algum problema?)
  • Continuaremos a criá-los se não nos trouxerem nenhuma vantagem económica? (claro que há quem o faça, mas são raras as pessoas dispostas a criar animais deste tipo só porque sim)

Pois não sei, cada pessoa faz o que achar melhor, comer ou não comer carne. Na minha opinião, a solução não passa por deixar de comer carne, mas passa por restringir o seu consumo. Acredito que deviam existir leis mais rígidas que obrigassem os produtores a não alimentar os animais com rações e a serem proibidos de lhes dar hormonas de crescimento. No caso das galinhas, as produções deviam ter áreas suficientes para que as galinhas possam esgravatar e tomar banhos de terra como elas tanto gostam. O que significa que os preços da carne subiriam bastante, e daí?

Daí, nada, afinal não precisamos consumir tanta carne. Como consumidores deviamos pensar que consumir menos, ao mesmo preço, pode ser bom se significar uma melhoria para a vida dos animais e para a nossa própria saúde. E acho que aí, as entidades que protegem os animais têm um importante papel a desempenhar. Acredito que o caminho não deva ser a propaganda de "não coma animais porque têm todos direito à vida", mas sim "não é por serem nosso alimento que não têm direito a uma vida digna". Os animais não sonham com o seu futuro como nós, não fazem planos, mas sofrem, por isso devemos causar o mínimo sofrimento possível.

Isto é a minha opinião, cá em casa temos bastantes animais, mas não os matamos só porque sim, matamos para consumo próprio. Mas não é por uma galinha ou uma cabra estarem velhas que as matamos. Normalmente, no caso das galinhas apenas matamos machos, é talvez uma forma de preconceito de género. O facto de matarmos os machos para consumo apenas tem uma razão, a existência de muitos machos no mesmo galinheiro faz com que andem sempre à luta, acabando muitos por morrer. Mesmo assim, neste momento acho que temos quatro galos, o que algumas pessoas acham um exagero, mas eles têm-se comportado bem.

Mais uma vez, a existência de vários machos de uma espécie e as lutam que travam até à morte de alguns deles mostram-nos que os animais são animais. Ao contrário do que muita gente diz os animais não são bonzinhos, porque não têm o conceito de bom e de mau, são seres com instinto. E se existirem 10 galos juntos para menos de 100 galinhas vão lutar pela sua hierarquia até alguns morrerem, quer na luta, quer porque não se conseguem alimentar.

Tratar os animais decentemente sim, humanizar os animais querendo que eles deixem de ser o que são para mim não.

E deixo algumas fotografias do que eu acho que são animais a viverem como animais de uma forma decente. Todas tiradas cá pelo quintal.

Imagem própria
Imagem própria

Imagem própria

A minha gata a confretanizar com uma galinha
Imagem própria

Imagem própria

O meu cão pronto para levar uma marrada
Imagem própria

Imagem própria

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Compota de dióspiro e tomate e Marmelada caseira

Passo a vida a dizer que não vou fazer mais doces e compotas até gastar todo o meu stock, mas depois há sempre uma altura que caiu em tentação. É mesmo algo que eu gosto de fazer, mais do que de comer, mas também gosto de comer é a realidade. E depois como não compro a matéria-prima fica realmente barato.

Então desta vez decidi inovar e fazer compota de dióspiro e tomate. Qual o motivo para esta combinação? Era o que eu tinha no frigorífico. Como não tinha nenhuma receita fiz aquele básico de 80% de açúcar para cada quilograma de fruta. Sei que há quem ache que é demasiado açúcar, mas é a quantidade de açúcar que vai conservar o doce. De notar que faço os doces mesmo para durar, já que os conservo fora do frigorífico durante anos. Anos mesmo. Tenho andado a comer doces que fiz em 2013. Aliás, já este ano comi um doce de tomate que a minha mãe tinha feito e a minha mãe já morreu quase há quatro anos. Por isso podem ver como eles resistem bem conservados.

A receita:
Imagem própria

Arranjei os dióspiros e os tomates, bem, mais quantidade de dióspiro do que de tomate como podem ver pela imagem. Arranjados pesavam 1,600Kg. Por isso, a quantidade de açúcar devia ser 1,600*0,80=1,280Kg. Arredondei e utilizei 1,200Kg de açúcar.

Num tacho em lume brando juntei a fruta e o açúcar, dois paus de canela e umas folhinhas de lúcia-lima. E assim fiz, fui mexendo até achar que tinha a consistência perfeita, fiz o ponto de estrada e deixei arrefecer um pouco e enfrasquei (utilizei frascos previamente esterilizados).

Decidi fazer tipo compota e não tipo doce, ou seja deixei pedaços inteiros da frutas, mas quem quiser pode passar.

Acho que ficou um sabor interessante docinho e bem aromatizado. Tem apenas um senão, sinto aquele travo do dióspiro que me seca a boca, bem no pão não se sente, apenas de sente comendo à colherada, o que não é aconselhado. Mas perguntei a outras pessoas e até gostam do travo. Ainda deu para cinco frascos, um já está aberto e o outro estou a pensar enviar para o Brasil (adoro que os meus doces viajem).

Agora é que reparei que a imagem ficou tremida, mas já não posso tirar mais fotografias
Imagem própria

Além desta compota, os meus sogros vieram cá passar o fim-de-semana e trouxeram marmelos. Adoro marmelada e mesmo marmelos assados ou cozidos, só me chateia é descascar os marmelos, mas a minha sogra fez esse trabalho. Assim fizemos marmelada, um quilograma de marmelos, um quilograma de açúcar e dois paus de canela, em lume brando. É deixar cozer os marmelos até ficarem bem molinhos e depois passar tudo. Há quem goste de marmelada mais líquida, mas eu prefiro-a bem dura de cortar à faca, por isso é deixá-la apurar. E assim ficámos com três taças de marmelada, uma para cada pessoa cá de casa.

Imagem própria

Assim, já tenho doces para o ano que vem. Os quais vou juntar às minhas reservas de 2013, este ano se a gravidez me permitir apenas penso voltar a fazer doce de tamarilho, já que é o meu doce favorito e não se encontra cá à venda. No entanto, ainda tenho de esperar que os tamarilhos amadureçam.

Fazer compotas e doces é bastante fácil, sobretudo se soubermos fazer em pouca quantidade, sim que agora ando a controlar-me. É barato no caso de termos fruta própria. Embora use bastante açúcar, não uso outros conservantes e aromatizantes como os de compra. E duram bastante tempo se os frascos forem bem esterilizados. Consigo comer doces e compotas com três ou quatro anos e só as ponho no frigorífico depois de abertas. Contudo, tenho sempre atenção quando abro o frasco, confirmar se não há bolor, o cheiro e se a tampa faz o ploc do vácuo.

Fazer compotas é também bastante mais sustentável que comprá-las, sobretudo se reutilizarem frascos como faço. Na postagem Polpa de tomate e a reutilização de frascos de vidro explico como faço a esterilização dos frascos de vidro.

domingo, 4 de outubro de 2015

A importância das abelhas

Uma das coisas mais bonitas e que mais aprecio no meu quintal é ver as abelhas de flor em flor. Na Primavera quando há mais flores, a beleza das abelhas é algo fantástico de apreciar.

Nas minhas memórias de infância, acho que nunca ninguém me falou muito das abelhas, bem eu sabia que elas polinizavam as flores e que faziam mel, mas parece que a maioria das pessoas preferia matá-las do que propriamente apreciá-las. Como não costumo matar insectos, muito menos abelhas fico algo chateada quando alguém tenta matar alguma.

As abelhas são incrivelmente importantes para a nossa vida, a polinização é necessária para a diversidade biológica e consequentemente para a diversidade alimentar.

Mas pelos vistos, existem cada vez menos abelhas, por diversos motivos, mas mais uma vez por culpa humana, a quantidade de tóxicos utilizados nas plantações e as monoculturas são algumas das grandes causas. Mas melhor que eu, deixo-vos um vídeo que explica bem a questão relativa às abelhas. No vídeo dá para escolher legendas em português.


Já agora, gostaria também de partilhar uma opinião relativa à agricultuta, monocultura e tóxicos que saiu no outro dia no jornal Público. Agricultura, Alimentação e Natureza acho que explica um pouco o disparate da actualidade agrícola.

Em termos muitos simples, resumo assim:
  • A Europa produz mais do que consume;
  • Os europeus consumem mais do que necessário;
  • As monoculturas (mais produtivas em quantidade) eliminam as hipóteses de sobrevivência de diversas aves e insectos, prejudicando a agricultura e a biodiversidade;
  • As práticas agrícolas mais comuns prejudicam a conservação do solo, da água, da biodiversidade e da paisagem.
Nisto tudo podemos concluir que produzimos alimentos em excesso que nunca são consumidos, mesmo assim consumimos mais do que é necessário para a nossa saúde. As monoculturas e a agricultura intensiva cheias de tóxicos são necessários para essa super-produção a preços baixos. Mas essa super-produção é muito superior que as nossas necessidades, logo produzimos barato, para comprar barato para ir parar ao lixo. Enquanto isso acontece a qualidade do solo, da água e do ambiente em geral pioram.

E se a isto tudo juntarmos o facto de que produzimos alimentos em excesso, mas que mesmo assim não são distribuídos por toda a gente, ficamos a pensar que caminho este em que estamos. É completamente ilógico.

A super-produção desnecessária de hoje na Europa pode contribuir para a degradação completa que nos impedirá de produzir alimentos para as gerações futuras.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As minhas infusões

Como o prometido é devido, decidi finalmente pôr a tesoura  a cortar as minhas ervas para fazer as infusões, a de lúcia-lima e a das mentas, tal como disse que faria na postagem Chás e infusões - escolhas.

Primeiro cortei-as, escolhendo as folhas que me pareciam saudáveis. Posteriormente separei as folhas das caules, não quer dizer que não tenha passado um bocadinho ou outro das caules e deixei a secar cerca de quatro dias. Convém deixar a secar num sítio que apanhe ar, mas onde não apanhe sol directo e já agora, o mais difícil de tudo onde a gata não chegue, senão o mais certo é posteriormente beber infusão de pêlos de gata. Pelo menos a minha gata parecia estar a achar que o sítio ideal para ir dormir era uma peneira cheia de folhas.

A lúcia-lima ou limonete, tem um cheiro idêntico ao do limão, não tem muito que referir é das minhas infusões, vulgo chás, preferidas. Muito boa para ajudar na digestão, se repararem aquelas infusões que se vendem como o nome Digestão Fácil, normalmente têm sempre esta erva.

As mentas ou hortelãs também são bastante agradáveis, adoro o sabor. Nesta infusão juntei quatro tipos, menta-chocolate, menta-laranja, menta-ananás e hortelã da ribeira (a hortelã mais comum que existe por aí). A que tenho em maior quantidade é a menta-chocolate, logo foi a mais usada para preparar as infusões. Vamos ver se esta mixórdia de mentas dá um sabor interessante.

Passado os quatro dias, ou seja hoje, como já estavam realmente secas, decidi dividir em frascos, separei mais algumas caules que tinham ficado. E no caso nas mentas, parti-as um bocadinho para quando for fazer a infusão os diferentes sabores se juntarem mais.

E agora vou lanchar, uma infusão de mentas e uma fatia de bolo de chocolate que acabei de fazer, não deixo a receita porque é pouco sustentável (cacau e coco não é algo muito europeu), mas é dos melhores bolos de chocolate caseiros que já comi. Se calhar um dia deixo a receita...

As mentas ao fundo e a lúcia-lima no meio
Imagem própria

Aqui estão as folhas já sem caules, à esquerda a lúcia-lima e à direita as mentas
Imagem própria
Já dentro dos frascos, dois de cada, à esquerda, as mentas, à direita, a lúcia-lima
Imagem própria

Falta a parte: Porque é que as minhas infusões são sustentáveis? Porque são do meu quintal, porque não têm químicos, porque não foram transportadas (só pelos meus pés) por meios que gastam recursos, porque não utilizaram embalagens novas e ainda porque estão guardadas em frascos reutilizados. Acho que é suficiente.

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